Cancro infantil: Doença mortífera, mas desconhecida em Nampula

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Nampula (IKWELI) – O cancro infantil é apontado como uma das doenças que constituí uma das causas da mortalidade nas crianças em Moçambique e na província de Nampula, de maneira em particular, mas contínua sendo uma das enfermidades muito ignoradas no seio familiar, facto que concorre na procura tardia dos serviços de saúde.

Segundo apuramos, pelo menos 15 crianças que, mensalmente, entram no Hospital Central de Nampula (HCN), são diagnosticadas com um certo tipo de cancro, mas, segundo a Dra. Dalva Khosa, porta-voz do Hospital Central de Nampula, “infelizmente, essas crianças chegam num estado avançado daí a importância de os pais não ignorarem com aquilo que as crianças queixam-se”.

“Algumas das queixas parecem banais, mas não vamos ignorar”, disse Khosa, prosseguindo que “acabam chegando tarde, talvez pelo facto de os pais não conhecerem os sinais e sintomas, não conhecerem que nós tratamos os cancros e que vai melhorar a qualidade de vida desse doente, e os tratamentos de cancro em criança tem boa resposta aos tratamentos actuais, diferentemente do adulto, então, infelizmente essas crianças nalgum momento chegam num estado avançado”.

O cancro é uma patologia caracterizada pelo crescimento anormal das células e que pode acontecer em qualquer parte do organismo, desde a cabeça até aos pés e, contrariamente dos cancros nos adultos, nas crianças o tumor afecta mais as células, o sistema sanguíneo e, normalmente é de origem embrionária.

Alguns factores, de acordo com Dalva Khosa, “são ao nível da mãe gestante devido ao uso exagerado de tabaco, o uso exagerado de álcool, uso exagerado de certos fármacos que podem desencadear no seu feto o desenvolvimento desorganizado das células, e essa mãe vai nascer uma criança propensa a um desenvolvimento do cancro. As radiações nas mulheres grávidas, também, é preciso ter atenção, porque pode ser factor de risco, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, este risco é muito mais elevado porque é um período em que há muita alteração ao nível do embrião, há muita transformação, há muito crescimento, então pode influenciar ao aparecimento de cancros em criança”.

“É preciso nós termos um diagnóstico precoce, porque o seu tratamento responde cerca de 80%, o diagnóstico deve ser feito o mais cedo possível, afim de nós impedirmos a progressão deste tumor, com objectivo, também, de nós iniciarmos o mais cedo o tratamento, porque isso vai diminuir a replicação biológica do cancro, para recuperarmos as células normais e vai favorecer um bem-estar e qualidade de vida para a criança”, exortou a fonte.

De acordo com aquela cirurgia, muitas das vezes os sintomas dos tumores em crianças podem ser parecidos com outras doenças comuns em crianças, daí que torna indispensável que “os pais comecem a ter muita atenção naquilo que as crianças referem, é importante que os pais prestem muita atenção em alguma anomalia que forem a reparar durante o crescimento ou desenvolvimento dessa criança e dirigirem-se a uma unidade sanitária em que vai ser observada por um profissional para a identificação precoce das crianças, não deixando que as queixas dessas crianças progridam para depois apresentar muito tarde nas unidades sanitárias”, reiterou.

Sinais em crianças com cancro infantil

Em conformidade com Dalva Khosa, são vários sinais que podem levar aos pais a desconfiarem a presença de um cancro em suas crianças, “mas devemos prestar muita atenção aquelas criança que tem a perca de peso continuo sem uma causa explicável, falta de apetite, febre constante que não está a responder a nenhum tratamento antibiótico, é preciso também suspeitarmos, podemos também observar algumas crianças que tem caroço no pescoço, na cabeça, nas axilas, também é preciso levarmos a criança a unidade sanitária para ser observada por um profissional de saúde”, disse a fonte, acrescentando que “as crianças que apresentam constantemente sangramentos e dores articulares, são crianças que constantemente que estão a receber sangue que contem anemias, são crianças que são portadores de infecções no organismo, crianças com problema de olho, crianças com sensibilidade muito exagerada da luz, então são sinais que nós como pais sabermos identificar, crianças com tumores abdominais, nós ao darmos banho a criança podemos apercebermos que estamos apalpar uma massa na barriga, então devemos suspeitar que esta massa palpável pode ser um tumor, crianças que urinam com sangue é preciso também levar a unidade sanitária porque a urina com sangue tem várias causas, pode ser apresentação de um tumor, não ignoremos esses aspectos, é necessário que os pais reconheçam esses sinais e encaminhar a uma unidade sanitária especializada”.

Prevenção do cancro infantil   

No que concerne as medidas de prevenção, Dalva Khosa precisou que ainda não há evidências científicas que clarifiquem sobre associação da doença com os factores ambientais, pelo que considera a prevenção como um desafio no mundo de cancros infantis, mas mesmo assim, reitera a necessidade do diagnóstico precoce.

“Gostaria de aproveitar este momento para chamar atenção a todas as mães grávidas para cumprirem com o calendário das consultas pré-natais porque é muito importante visto que alguns tumores são feitos os diagnósticos no pré -natal, isto também faz parte do diagnóstico precoce, o médico especializado pode detectar ainda durante a gravidez a presença de um tumor dum cancro em criança, então a importância de toda mulher grávida cumprir com o calendário pré-natal, cumprir com as consultas do pré-natal, cumprir com as orientações que vão dando porque é possível fazer o diagnostico desde o pré-natal da criança, isto é, durante a vida fetal dessa criança é possível fazer o diagnostico. Depois do nascimento das crianças, também deve-se cumprir com o controlo do peso, a vacinação, variação do seu estado de saúde, devemos levar as nossas crianças a consulta de peso porque avalia directamente o estado da saúde das nossas crianças”, sublinhou a nossa interlocutora.

Ao nível do HCN, a fonte assegurou que apesar de insurgência de alguns meios de trabalho para dar resposta universal dos casos de cancro infantil que dão entrada aquela unidade sanitária, existem profissionais especializados em diferentes áreas. Aliás, segundo fez saber a Dalva Khosa, “para aqueles casos em que o HCN não se encontra, talvez em condições, que são mais complexos, existe comité de tumores no hospital e discute-se e decide-se a transferência para o Hospital Central de Maputo (HCM) onde o doente vai ser encaminhado, observado e beneficiar, por exemplo nós aqui no HCN não temos radioterapia mas HCM tem, então se é uma criança que precisa de radioterapia para poder mudar o seu bem-estar refere-se para beneficiar desse tratamento no HCM, é um tratamento gratuito”, disse. (Constantino Henriques)

 

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