Otorrinolaringologistas em Nampula renovam apelo para práticas saudáveis ao ouvido

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Nampula (IKWELI) – Crescem, a cada dia, o número de pessoas que procuram pelos cuidados saúde nas unidades sanitárias da província de Nampula devido aos problemas de audição. No Hospital Central de Nampula (HCN), a maior unidade sanitária da região norte de Moçambique, por exemplo, 60 das pessoas que diariamente são atendidas queixam-se de problemas de audição.

Das pessoas diagnosticadas com problemas auditivos, grosso número são jovens, e são apontadas como principais causas, os hábitos nocivos ao ouvido como o uso ininterrupto de auriculares e com volume alto, introdução de cotonetes, penas de galinhas, tampas de canetas, bem como chaves de carro, considerados como objectos estranhos ao ouvido.

A Dra. Sónia Marrime, Otorrinolaringologista afecta ao Hospital Central de Nampula (HCN), numa entrevista exclusiva que concedeu ao Ikweli, fala de entre vários assuntos, os cuidados a ter com o ouvido, o garante da nossa audição.

Segundo ela, o problema auditivo “é uma patologia que vem subindo seu índice pois na conjuntura actual as pessoas têm hábito, tem a disposição o uso de auricular que são prejudiciais a audição. Temos, também, a disponibilidade da música, os jovens vivem mais de música e que não tem o uso devido dos volumes que são necessários para ouvir essa música”, começou por dizer a nossa entrevistada, acrescentando que “em uma consulta de otorrino que temos em média 15 doentes, nós conseguimos ter acima de 5 doentes com patologia auditiva relacionada com audição como tal, e podemos ter mais outros cinco com patologia infecciosa. Mas, acrescentar, também, que essa patologia infecciosa pode estar decorrente ao mau uso dos auriculares, porque estes são embutidos dentro do ouvido e propiciam ao crescimento de alguns patógenos”.

“Os idosos já vem com um défice auditivo, mas relacionado com a perda da capacidade auditiva da idade, mas os jovens têm aparecido com um número crescente e todos eles quando confrontados com os seus hábitos, eles assumem o uso dos aparelhos auditivos que, geralmente, são aparelhos auditivos de fraca qualidade, porque quando são de boa qualidade, mesmo sendo os fones relacionados com telefone, já mostra ali no telefone uma barra que mostra qual é o limiar auditivo normal, que não seja nocivo, então, quando agente tem telefones que são parados eles já não oferecem essa informação”, referiu a nossa interlocutora.

Respeitar a barra reguladora de volume do seu telemóvel, não entre no vermelho

Segundo recomenda a nossa interlocutora, é necessário reduzir ao máximo o volume dos aparelhos e quando for para usar, façam-no de forma saudável. “Geralmente, nós temos que ter um aparelho que não lese o nosso ouvido, o som quando está muito alto ele nos provoca um desconforto, os telefones actuais tem ali um regulador que mostra uma cor e, depois quando o nível auditivo está entrar para um volume perigoso ele muda de cor e mostra uma cor vermelha, então, nunca entrem naquela cor vermelha porque esta lesão não é igual a um corte que vai sair sangue, é uma coisa que usando frequentemente vai provocar alguma perda, o som é conduzido por um nervo que é formado por fibras e, a cada vez que nós vamos pondo a esses níveis lesivos é uma fibra que se perde  até chegar a ponto que são todas e a gente já não ouve nada”, recordou.

“Quando tiverem que usar os auriculares, devem usar os auriculares externos, aqueles iguais aos Dj, que cobrem a orelha, porque eles deixam para que algum som se perca cá fora antes que todo entre para a membrana. Sem contar que aqueles auriculares que são internos esses o som vai todo e agente até ajusta, e quando é aquela música que a gente gosta não quer perder, isso não é bom, porque ele, também, vai provocar uma lesão mecânica do próprio canal, para alem de diminuir o arejamento do próprio ouvido diminuindo assim, o ph tornando o ouvido propenso a infecções. Os auriculares também não se devem emprestar, eles são individuais, os profissionais de rádio, por exemplo usam o mesmo auricular, portanto, a ter que se usar o mesmo auricular, deve-se fazer uma limpeza regular para que se possa evitar a passagem de infecção de uma pessoa para outra através do auricular”, continuou a Otorrinolaringologista.

Não introduza cotonete, pena de galinha, tampa de caneta, chave de carro ao ouvido

Conforme a Dra. Sónia Marrime, “nenhum desses instrumentos deve ser introduzido no ouvido porque, o ouvido tem a capacidade para fazer a autolimpeza, a anatomia do ouvido ela foi feita para que ele próprio conseguisse fazer a limpeza. Nós temos pelos na entrada do ouvido que permitem aprisionar qualquer corpo estranho que lá possa entrar, seja poeira, insecto, associado a isso temos a serra, esse sujo que as pessoas limpam, a serra é protectora porque ela torna o ambiente do ouvido acido que é bom para evitar o crescimento de bactérias e dá uma certa oleosidade a pele do ouvido que permite com que este não fique com racha e dá uma segura ao ouvido que é esse ambiente propício para ouvido saudável”.

Segundo disse, ao serem introduzidos esses objectos ao ouvido tiram a serra fazendo com que as pessoas fiquem com comichão e usam esse cotonete com força e, outras pessoas até vem para aqui (no HCN) a sangrarem ou então, o pedaço do algodão fica preso lá dentro do ouvido e vem para aqui que é para fazer a extracção do corpo estranho.

De acordo com Sónia Marrime, “a única limpeza que nós, como otorrino, recomendamos é que se use uma ponta de toalha húmida, quer dizer, a gente pega uma ponta da toalha e por na água, só para dar a humidade e rola no dedo e mede no ouvido até onde isso entrar, não é para procurar maneira de meter mais ao fundo, então, é para limpar geralmente, a orelha, os bordos que é para tirar aquela poeira que vai ficando no ouvido durante o dia quando a gente está a fazer nossa actividade”.

Consultas de prevenção

“As consultas de prevenção são feitas em todos os sentidos, só que o que se recomenda, em linguagem que agente usa é o check-up, dependendo da nossa idade, o check-up vai-se tornando cada vez mais necessário ou menos necessário, dependendo da idade”, salientou a especialista.

Segundo anotou a fonte, “geralmente quando nós temos necessidade de introduzir uma coisa no ouvido significa que o ouvido não está saudável, essa é a primeira demonstração de que o ouvido não está bem, então é preciso ir ser avaliado por um profissional de saúde, pode ser um técnico otorrino, qualquer especialista, dependendo do que tem no local. Em relação ao Check-up, geralmente, as pessoas que trabalham em locais que se produz ruído, como maquinistas dos caminhos – de – ferro, o serralheiro, deviam de tempos em tempos, pelo menos de dois em dois anos ir a uma consulta e dizer o meu trabalho é ruidoso e preciso de uma consulta para ver se está tudo bem, isso é protector”. (Constantino Henriques)

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