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Jovens transexuais submetem-se a prostituição para garantir a sobrevivência em Nampula

Nampula (IKWELI) – O acesso ao emprego e meios de sobrevivência a pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) em Nampula continua sendo um desafio, não descorando o estigma e a discriminação porque passam nas comunidades.

Devido a sua orientação sexual, muitas delas tem sofrido e para garantir a sua sobrevivência recorrem a prática diversas, incluindo a prostituição. Há um ano que o mundo sofre com a pandemia da covid-19, e na cidade de Nampula, as pessoas LGBT, também, tem a sua situação e qualidade de vida mais complicada.

“Não tem sido fácil passar os dias confinados em casa”, conta a jovem Toberce Júnior, referindo-se a sua sobrevivência nestes tempos da pandemia, porque, no seu entender “já não conseguimos passear, sair à rua para além de estar nas comunidades e a discriminação aumentou porque as pessoas já não têm os nossos activistas activos”.

Assumindo a sua orientação sexual de forma aberta, Toberce tem se dedicado a sensibilização das comunidades pelo respeito dos direitos sexuais das pessoas LGBT, por isso avança que “a pandemia influenciou muito no nosso trabalho de sensibilização nas comunidades, porque já não temos acesso de interagir com os outros membros e passamos a usar a internet. Falo do WhatsApp e Facebook que é mais abrangente, mas ainda assim as pessoas não conseguem acessar aos nossos serviços”. Isto, segundo disse esta fonte, contribui para o não combate da violência, “porque não conseguimos ter o contacto com as pessoas”.

Um outro entrevistado é Lúcio Ernesto, ao Ikweli disse que gosta de ser tratada por Lúcia, apontando que a situação não é das melhores neste momento da pandemia, “pior para nós, mulheres transexuais, somos as que mais sofrem, e essa febre piorou tudo. Não podemos sair de casa. Há outras que se sustentam através de sair, e se encontrar com alguns clientes e esse tempo de pandemia elas não podem sair e os clientes não aceitam fazer o trabalho de dia, tem medo de serem vistos. Os bares estão fechados, as discotecas, também, estão fechadas e os clientes, normalmente, tem estado lá. Então, essa pandemia afectou a nossa vida”.

Lúcia está ciente que “a discriminação aumentou nas comunidades”, e “sair a rua para passear é um atentado a nossa própria vida, porque somos submetidas a riscos de agressão. Não somos livres, não vivemos livres e isso não tem sido fácil”.

Quem, também, falou das dificuldades no seu trabalho é a activista e agente comunitária da Lambda, uma organização de cidadãos moçambicanos que advogam pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), Zeza Mário que se vê limitada de aceder as comunidades devido a pandemia.

“Trabalhamos nas comunidades e verificamos que não tem sido fácil trabalhar na sensibilização dos nossos membros, a covid-19 interferiu muito e a discriminação piou nas comunidades, porque elas já não têm o nosso auxílio”, disse Zeza, prosseguindo que “a discriminação é o nosso pão de dia-a-dia e continuamos a ser violentadas sexualmente, psicologicamente e fisicamente e não tem sido nada fácil superar essas agressões, porque afectam o nosso psicológico e a nossa saúde mental”.

Num ouro desenvolvimento, esta nossa entrevista aponta como sendo dificuldades o “cesso ao trabalho ainda é deficiente. Por sermos gays não somos aceites, tanto quanto o acesso a saúde e a justiça. Tem pessoas que são violadas e tem medo de ir ao Posto policial dar queixa, porque são os próprios polícias que começam a homofobia”.

“Eu já fui amaçada com a minha própria família que são formados e tem informações, tudo para me ver a desistir, sem saber que aquela é uma orientação sexual diferente. Já fui batida na rua por ser assim, até as pessoas falam um dia vou te matar, como se eu não fizesse diferença na vida e isso é tortura”, contou-nos, triste, Zeza, apelando para que “nos respeitem para que possamos, também, vos respeitar. Todo o ser humano é importante na vida”.

Por seu turno, Orlando Cobre, coordenador regional norte da Lambda, conta que “para se adaptar ao novo normal, dinamizamos a nossa página online e desenhamos uma estratégia virtual que consiste em participar, activamente, fazemos o rastreio de doenças e trabalhamos inteiramente”.

“Há aderência nas redes sociais, mas não compensa com os nossos encontros pessoais/presenciais como antes do coronavírus”, está ciente Cobre, por isso concluiu que “não temos um plano específico para envolver mais ainda os membros, mas vamos nos ajustar às recomendações do ministério da Saúde, respeitando as restrições”. (Elisabeth José)

Segurança das mulheres praticantes do comércio informal preocupa a OPHENTA em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Associação Moçambicana da Mulher e Apoio a Rapariga (OPHENTA) organizou nesta quinta-feira (25), na cidade de Nampula, uma reflexão sobre a segurança das mulheres praticantes do comércio informal na mais importante autarquia do norte do país.

Marlene Julane, Oficial de Programas da OPHENTA, disse, na abertura da reunião virtual, que “as mulheres recorrem a economia informal para suprir as necessidades diárias”, por isso devem ser protegidas.

Segundo esta fonte, recorrentemente, as mulheres se queixam da “falta de espaços para a prática dos seus negócios, retirada compulsiva das ruas e apreensão dos seus produtos e violações diversas”, pelo que a reunião serviu para “a edilidade estar mais perto das mulheres praticantes do comércio informal”, no sentido de, conjuntamente, estudarem as viabilidades da protecção delas.

Por seu turno, a presidente da Associação das Mulheres Praticantes do Comércio Informal, Ana Henriqueta Rachide, disse que “as mulheres tem passado por violências, diariamente”, e que “nesta pandemia da covid-19 as mulheres estão a passar muito mal”, pois são agredidas quando voltam para as suas casas após as suas jornadas e ainda a polícia municipal e de fiscalização tem apreendido os seus bens brutalmente.

Na referida reunião, várias vendedeiras deram o seu testemunho, e a nota dominante é a actuação desumana dos agentes da polícia camarária.

Uma vendedeira do aglomerado localizado na entrada da sustação, no bairro de Mutauanha, conta que a violência protagonizada por agentes policiais da edilidade tem sido recorrente. “Sou uma viúva”, afirma, para depois questionar “onde vou parar com os meus filhos?”.

A pandemia é, também, referenciada como sendo um dos problemas que as mulheres praticantes do comércio informal enfrentam, tal como se referiu a senhora Melita Lino. “Estamos a sofrer desde que começou o assunto do coronavírus”, disse, pedindo para que “nos arranjem barracas. Queremos bancas para estarmos sossegados”.

Nelson Carvalho, director de Comunicação e Imagem do Conselho Autárquico de Nampula, na sua intervenção, tratou de repescar o Código de Postura Municipal, e focou-se no artigo 45 que regula o asseio nos locais públicos.

Para este interveniente, os praticantes do comércio informal não tem estado a ajudar na higiene da autarquia, bem como no próprio saneamento do meio.

“As vendedeiras praticam o comércio na rua, em violação da postura e sem observar o mínimo de higiene”, disse Carvalho.

O dirigente defende que o uso da força é para “garantir a segurança dos próprios vendedores”, dando exemplo do caso da avenida do Trabalho, nas imediações da estacão ferroviária dos CFM que quando o comboio chega fica intransitável. (Aunício da Silva)

Fome em Nampula: Presidente da Renamo insta ao governo a salvaguardar vidas

Nampula (IKWELI) – O presidente do partido Renamo, Ossufo Momade, insta ao governo de Nampula a prover meios e condições por forma a salvaguardar a vida dos cidadãos das comunidades que registam bolsas de fome.

A escassez de alimentos no maior círculo eleitoral regista-se, sobremaneira, nos distritos de Monapo, Murrupula e Muecate, onde há registo de óbitos em consequência.

Esta situação está relacionada com a queda irregular da chuva na campanha agrícola de 2020/2021, uma vez que as culturas que a população lançou à terra não tiveram o seu desenvolvimento o que precipitou a escassez de alimentos. Por exemplo, desde Junho de 2020 algumas zonas do distrito de Monapo, como é o caso da localidade de Itoculo, mostravam os sinais de fome, embora as autoridades governamentais locais não assumissem tal possibilidade [vê edição 511].

A situação viria a tornar-se grave este ano devido, também, a fraca precipitação pluviométrica, o que condicionou a produção. Aliás, é no ano em curso que as autoridades governamentais do distrito de Monapo admitiram o difícil cenário que parte da população daquele ponto está mergulhada, sobretudo as de baixa renda, chegando inclusive a recorrerem o capim para a sua sobrevivência, mesmo que o governo ao nível provincial continue a desmentir da situação [ver edições 628 e 653].

Face a essa situação, o general Ossufo Momade, presidente da Renamo, segunda maior força política moçambicana, disse esta quarta-feira (24), no término da sua visita à província de Nampula, que o governo deve agir no sentido de garantir o sossego das famílias afectadas.

“Nós sabemos que a nossa sociedade está a passar maus bocados, o próprio salário não chega para nada, nem o seu salário”, começou por reagir a situação da insegurança alimentar em Nampula, para depois acrescentar que “nós gostaríamos que a nossa população tivesse a melhoria da sua dieta, a dieta alimentar e já falamos isso no passado que gostaríamos de ver o moçambicano com a sua mesa com o pequeno-almoço, almoço e o jantar, mas hoje isso não acontece porque a vida é cara. Mas é da responsabilidade do estado, é da responsabilidade do governo salvaguardar essas condições para que o cidadão possa ter o pequeno-almoço, almoço e o jantar”.

Relacionado com a insegurança alimentar, Ossufo Momade insta, também, ao governo, a proporcionar melhores condições de vida as pessoas vítimas de terrorismo em Cabo Delgado, que se viram obrigadas a se deslocar em outras províncias do país.

“Sendo moçambicano, a situação que a nossa população está a viver em Cabo Delgado é lamentável, porque muitos cidadãos abandonaram seus bens, alguns estão aqui na província de Nampula, em Meconta, outros estão na Zambézia, em Sofala e outra parte está lá em Cabo Delgado. Para dizer que nós gostaríamos que o governo do dia pudesse trabalhar para melhorar a vida desses nossos concidadãos, não só esperar que a comunidade internacional traga alguma coisa, é o papel, é a responsabilidade do governo para que faça alguma coisa para melhorar as condições daqueles nossos concidadãos, ter comida, ter o lugar onde vão pôr as costelas, muito mais nesta época de chuva, o governo tem a obrigação em dar o tecto para que eles possam estar bem na vida e criar condições também para que voltem para as suas zonas de origem”.

Monitorar os desmobilizados pelo processo DDR

Em conformidade com Ossufo Momade, uma das motivações para a sua vinda a província de Nampula, era para fazer a monitoria dos seus homens após serem desmobilizados através do processo de Desmobilização, Desmilitarização e Reintegração (DDR), porque “temos que fazer o acompanhamento daqueles que são os desmobilizados porque é muito importante em vermos a situação deles, como é que estão a encarar a vida civil, como é que são recebidos na sociedade e, encontramos os nossos irmãos muito satisfeitos com a vida que estão a levar neste momento, a vida civil, estão na comunidade com os seus familiares e aquilo que foi o compromisso que o mundo, a sociedade prometeu está sendo materializado”, referiu o político.

“Também, aproveitamos visitar a unidade de Namaita onde trocamos impressões com os nossos guerrilheiros, combatentes e eles estão satisfeitos e estão aguardando com muita expectativa com a sua desmobilização no processo de DDR, e nós pensamos que esse processo vai dar continuidade e é irreversível na medida em que o nosso compromisso com este país, com esse povo, é a paz e reconciliação nacional, por isso estamos aqui”, anotou.

Desde que iniciou o processo DDR, de acordo com Ossufo Momade, foram desmobilizados um universo de 1345 elementos. “O processo está a decorrer em Manica, pode ultrapassar este número e já recebemos um número de 33 elementos que estavam na junta militar e isso é bom para nós porque sempre deixamos apelo para que esses irmãos que estão no mato não sob controle nosso, para que pudessem abraçar este processo, estamos satisfeitos porque eles já estão a regressar e a nossa obrigação é desmobilizá-los para que voltem à vida civil”.

Questionado sobre os possíveis prazos fixos para o término do DDR, Ossufo Momade precisou que “nós, em Junho do ano passado reiniciamos o processo com muitas dificuldades, através da covid-19, nós podíamos desmobilizar num dia 100 a 200, mas neste momento estamos a usar pequenos números, por isso o processo vai levar muito tempo. Enquanto cumprimos com as medidas sanitárias é porque vamos desmobilizar em pequenos grupos, 20 a 30 para que possamos avançar”, disse continuando que “no início estava tudo parado, naquela altura que alguns diziam que o DDR não tinha pernas para andar e nós fizemos o trabalho através da comunidade internacional, o governo do dia para que pudéssemos fazer este trabalho em pequenos grupos e essa nossa proposta foi aceite, por isso estamos a trabalhar e, aqui não é necessariamente o prazo, mas que cumpramos com aquilo que é o nosso propósito”, finalizou. (Constantino Henriques)

Nacala-Porto continua banhada de drogas: PRM apreende mais de 350 quilogramas

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM) apreendeu, na última quarta-feira (24), 356 quilogramas de drogas diversas na praia de Naherenque, na autarquia de Nacala-Porto, no norte do país.

Em menos de três meses, segundo a corporação, esta é a quinta apreensão tornada pública, o que faz de Nampula ser considerado como sendo corredor apetecível para o tráfico de drogas. Aliás, esta última neutralização aconteceu um dia depois de as autoridades da lei e ordem da província mais populosa de Moçambique terem anunciado outra apreensão no aeroporto internacional de Nampula.

A apreensão dos 356 quilogramas de droga, em conformidade com Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, foi durante o processo de descarregamento de um barco para uma viatura, na famosa praia de Naherenque, ou simplesmente no Fernão Veloso, na zona económica especial.

Nacute não avança, com exactidão, o tipo de droga, mas não descarta a possibilidade de se tratar de Crack, metanfetamina, bem como a heroína, quando tomadas em consideração as suas caraterísticas físicas.

“Este é um resultado operativo realizado entre a PRM e o SERNIC [Serviço Nacional de Investigação Criminal] que culminou com a apreensão de 356 quilogramas de um produto que se supõe que seja algum tipo de droga. No momento em que o produto foi apreendido a polícia estava a fazer um trabalho de investigação atinente a qualquer tipo de perturbação da ordem e tranquilidade pública quando se deparou com esta situação e os indivíduos, após aperceberem–se da presença da polícia, puseram-se em fuga tendo abandonado este produto e duas viaturas no local e alguns bens pertencentes a esses indivíduos”, referiu Zacarias Nacute.

“O produto foi encaminhado ao comando distrital de Nacala-Porto, onde se fez a apreensão, e a posterior encaminhado aqui no comando provincial, onde vão seguir todos os processos subsequentes para aferir que tipo de droga se trata e outros procedimentos atinentes a esta situação”, disse a fonte.

Até ao momento desconhece-se, também, a proveniência da referida droga, e os respectivos traficantes puseram-se em fuga após constatar a presença dos agentes policiais. Mesmo assim, Nacute assegurou que os trabalhos de perícia serão levados a cabo com vista a se aferir o provável paradeiro dos donos, por forma a serem neutralizados, uma vez terem abandonado o local da fuga alguns elementos que poderão ajudar na investigação.

Aliás, pela categoria da droga, não descarta a hipótese de que o destino da mesma seja a vizinha África do Sul.

“Esses indivíduos encontravam-se a baldear esse produto de um barco para uma viatura que se encontrava na praia de Naherenque, em Nacala-porto, e os agentes que se encontravam de serviço acharam a situação estranha e quando se aproximaram dos indivíduos, eles entraram nos barcos que estavam a fazer o baldeamento e escapuliram-se pelo mar, mas importa referir que, neste momento, temos equipa que está a trabalhar junto da nossa costa em Nacala-Porto para ver se podem localizar esses indivíduos e posteriormente poderem ser envolvidos nesse processo que já iniciou”, precisou a fonte.

“Ainda está a se fazer um trabalho de investigação, mas nesta última apreensão tem um dado novo que a polícia adquiriu, pelo menos percebemos que o produto veio da orla marítima, e a partir daí a polícia irá fazer um trabalho de investigação junto do SERNIC para aferir a provável proveniência deste produto e daí continuarmos com investigação para estancarmos duma vez por toda este este fenómeno na nossa província”, reiterou Nacute, para quem “esses dados que a polícia está a trazer  é para, exactamente, contrariar a ideia de que Nampula é o corredor de drogas, e a polícia irá continuar com suas linhas operativas bem posicionadas no terreno para que sempre que se tiver uma tentativa de fazer o tráfico deste produto sejam apreendidos e encaminhados a barra da justiça”. (Constantino Henriques)

Edilidade de Nampula vai desalojar munícipes que construíram em vias de acesso

Nampula (IKWELI) – O conselho autárquico de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, prevê retirar as casas e outras construções erguidas pelos munícipes nas vias de acesso, práticas ilegais que concorreram para a redução da mobilidade urbana.

De acordo com Nelson Carvalho, director de Comunicação e Imagem nesta autarquia, a edilidade dispõe do mapa do desenho da cidade, onde estão ilustradas, claramente, as vias de acesso, por isso há a necessidade de colocá-las na rota de circulação e utilização em benefício dos citadinos.

Nesta perspectiva, a edilidade presidida por Paulo Vahanle espera melhorar a prestação de serviços aos munícipes, como é o caso de recolha de lixo que a maioria diz ser feita apenas na zona cimento, enquanto na verdade torna-se difícil entrar nos bairros devido a desfiguração da urbe.

“O cidadão tem um talhão de 20/30 (vinte por trinta) próximo de uma via de acesso, mas porque os do outro lado ainda não construíram as suas residências, ele apropria-se daquela via, nós já fizemos o levantamento do mapa, e neste momento há agentes que estão a fazer o levantamento das ruas ocupadas e nos próximos dias vamos lançar notificações para que voluntariamente os ocupantes destas partes possam desocupar e dar lugar aos trabalhos de reabertura que vai melhorar ainda mais a prestação de serviços”,disse Carvalho.

Os exemplos disso são vários, desde a zona cimento, a peri-urbana e a periferia. Por exemplo, parte da avenida Eduardo Mondlane foi ocupada por uma instância hoteleira. A ligação entre a rua das Flores e avenida Eduardo Mondlane, também, foi ocupada com construções desordenadas, tal como se observa a ligação entre a avenida Samora Machel e a rua dos Continuadores, incluindo a ligação entre a avenida do Trabalho e a rua dos Sem Medo, atravessando a zona da central eléctrica.

Por outro lado, Carvalho fala da execução efectiva de outras ruas que, ainda desenhada no projecto inicial da urbe, nunca foram executadas. Um dos exemplos das vias a serem intervencionadas primeiramente, é a que liga a Rua da Solidariedade na zona da famosa Madalena Maluca, passando pela EPC (Escola Primária Completa) de Muatala para dar acesso a Escola Secundária do mesmo nome, e no percurso da estrada, será construída uma ponte sobre o rio Muatala e um aqueduto sobre o rio Mutauanha.

Para dar espaço aos trabalhos desta que será a primeira acção, Carvalho apela aos munícipes, principalmente os que fizeram suas obras num espaço onde antigamente passava a via, para que possam se retirar porque segundo ele, para o presente ano, a edilidade será virada para a construção e melhoramento de ruas que garantem a ligação de todas as zonas da cidade.

“Os munícipes devem perceber que as vias de acesso permitem aquilo que é a circulação de pessoas e bens e não são locais para a construção quer de habitações, quer de estabelecimentos comerciais, por isso vamos retirar todos os moradores não só da rua da famosa Madalena maluca, mas sim todas existentes na cidade como nos bairros de expansão mas de forma voluntária, em caso de renitência, vamos fazer valer a postura municipal”, concluiu fonte. (Alfredo Célia)

MUSET entra para o mundo das TIC’s

Nampula (IKWELI) – A pandemia da covid-19, declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) há mais de um ano, está a exigir readaptações e reformas as formas de ser e estar de toda a sociedade global.

O Museu Nacional de Etnologia (MUSET), na cidade de Nampula, não está alheia a esta realidade, por isso está a reinventar-se para levar os seus serviços aos utentes com recurso a Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC’s).

De acordo com Adriano Teplo, director do MUSET, a primeira medida tomada foi a criação de uma página de internet, onde serão exibidos os acervos em poder da instituição, incluindo trabalhos científicos ali produzidos.

A fonte avança que o que se está a fazer, neste momento, é contactar as direcções dos institutos de formação de professores primários, de maneiras que estes abram espaço para a implementação dos projectos que a instituição que representa pretende desenvolver.

“A direcção do museu pensou em uma estratégia de como sair fora dos seus quintais em tempos da pandemia, e uma das estratégias já pensadas é a criação de uma página Web onde vamos colocar os principais acervos que o museu tem com o seu historial, como forma de colocar a disposição de todos aquelas que gostariam de visitar o nosso museu”, disse Adriano Teplo.

Nesta primeira fase, segundo a fonte, “projectamos, também, entrar em contacto com as instituições de formação de professores primários. Numa primeira fase o contacto foi feito com o instituto de formação de professores do Marrere, faltando a sua formalização, mas a abertura já houve, há disponibilidade da direcção do instituto cooperar com o museu”, ademais, “isso vai consistir em os nossos técnicos entrarem em contacto com os formadores de várias unidades curriculares do instituto de formação de professores de Marrere, onde os técnicos levarão consigo algumas temáticas e, por sua vez, os formadores terão de engajar as suas unidades com as que forem apresentadas pelo pessoal do museu”.

Adriano Teplo associa a situação crítica dos museus a nível internacional com o Museu Nacional de Etnologia, por sinal a que dirige, relactivamente a redução drástica de visitantes. “A situação actual dos museus não é das melhores, segundo os dados fornecidos pelo Comité Internacional cerca de 25 a 75 por cento houve perda em termos de visitantes, sobretudo, nos museus europeus. E ainda, fala-se da tendência de corte orçamental de alguns museus numa estimativa de sete museus, em cada 10 provavelmente vão sofrer alguns cortes em casos de a situação prevalecer. Portanto, a situação dos museus, quer em Moçambique e no mundo em geral, ressente-se desta pandemia porque os museus vivem principalmente dos seus visitantes, sobretudo, os turistas”, concluiu. (Esmeraldo Boquisse)

Mineração ilegal provoca mortes na concessão da MRM

Montepuez (IKWELI) – O garimpo ilegal continua a causar fatalidades na concessão da Montepuez Ruby Mining (MRM), em Namanhumbir, distrito de Montepuez, província de Cabo Delgado. No passado 18 de Março de 2021, por volta das 16h00, a MRM foi informada de que um mineiro ilegal havia morrido na sequência do desmoronamento de uma mina ilegal na concessão e que outros estavam presos no subsolo. O mineiro ilegal falecido tinha 25 anos de idade e era natural de Nuanza, na Tanzânia.

Dois mineiros ilegais foram resgatados com vida da mina desmoronada, às 21h00, e levados ao hospital. Um, com apenas 20 anos de idade e proveniente de Netia, província de Nampula, veio a perder a vida mais tarde, no hospital. O outro mineiro ilegal ferido, de 24 anos de idade, proveniente do distrito de Monapo, Nampula, continua sob cuidados médicos.

Das informações fornecidas, acredita-se que a mina feita pelos mineiros ilegais tenha desmoronado em condições meteorológicas normais e que os garimpeiros ficaram presos no subsolo.

Segundo um comunicado da MRM, “o incidente foi imediatamente comunicado à polícia, que prontamente se fez ao local para retirar o corpo do mineiro ilegal, a fim de se empreender os procedimentos legais e investigação médica, bem como evacuar os dois mineiros ilegais feridos (um dos quais veio a morrer) para o hospital”.

O número crescente de incidentes, ataques e fatalidades envolvendo mineiros ilegais na concessão da Montepuez Ruby Mining, prossegue o comunicado, “é uma grande preocupação para a empresa e para as comunidades locais, cujas aldeias se debatem com o fluxo de mineiros ilegais provenientes de cidades distantes, províncias vizinhas e outros países”.

As práticas inseguras dos mineiros ilegais, que são normalmente supervisionados ou coagidos por sindicatos de contrabando ilegal de pedras preciosas financiados por comerciantes estrangeiros que operam na região, continuam a resultar na perda desnecessária de vidas humanas na área.

“A MRM tem levado a cabo actividades de comunicação contínuas, para alertar sobre os perigos da exploração mineira ilegal e insta as pessoas a não empreenderem tais actividades. A mineradora também tem levado a cabo campanhas de sensibilização nas comunidades próximas (onde os mineiros ilegais se abrigam temporariamente) sobre os perigos da exploração mineira ilegal” – lê-se na mesma nota.

Este ano, 2021, pelo menos quatro (4) pessoas, na sua maioria jovens do sexo masculino de países estrangeiros ou aldeias distantes, perderam a vida a empreender actividades mineiras ilegais, sem segurança, na concessão da MRM, devido ao colapso das minas, nas quais os garimpeiros ficaram soterrados. (Redação)

Suécia presta apoio a pessoas deslocadas internamente em Moçambique

Maputo (IKWELI) – A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR, sigla em inglês) anunciou, em comunicado de imprensa a contribuição do governo da Suécia em SEK (coroa sueca) 7.000.000 (USD 832.916) para a resposta às pessoas deslocadas internamente em Moçambique.

“Além deste apoio humanitário, a Suécia também concedeu ao ACNUR quase SEK 700.000.000 (USD 83.291.600) em apoio básico à Moçambique em 2021”, lê-se no comunicado em referência.

“Como parte do apoio sólido e duradouro da Suécia ao ACNUR, estamos muito gratos por esta contribuição, pois nos ajudará a assistir e proteger 27.000 refugiados e requerentes de asilo que vivem em Moçambique, bem como mais de 669.000 pessoas deslocadas internamente afetadas até agora pela violência em Cabo Delgado, com números aumentando diariamente”, disse Samuel Chakwera, Representante do ACNUR em Moçambique, citado na mesma nota de imprensa.

O mesmo documento prossegue que “além da presença do ACNUR em Nampula para a resposta aos refugiados, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados também tem identificado e implementado programas que respondem às necessidades humanitárias mais urgentes dos deslocados e comunidades anfitriãs em Cabo Delgado e província vizinhas. Os principais objetivos do ACNUR para a resposta aos deslocados internos em 2021 incluem identificar, mitigar e responder aos riscos de protecção das populações afetadas, bem como expandir os mecanismos de protecção através da capacitação das comunidades afetadas para resolver suas próprias preocupações de protecção”.

“A Suécia prioriza os direitos e necessidades dos refugiados e pessoas deslocadas e é um dos maiores doadores do ACNUR. Estamos confiantes de que este apoio humanitário, além do nosso apoio central ao ACNUR, ajudará a prestar assistência às pessoas deslocadas internamente em Cabo Delgado e nas províncias vizinhas, particularmente às mulheres e meninas afetadas pela crise”, afirma Mette Sunnergren, Embaixadora da Suécia em Moçambique.

O comunicado conclui que “esta contribuição da Suécia faz parte do apoio de longa data do país como um dos mais importantes parceiros estratégicos e maiores doadores do ACNUR. Em linha com o Apelo Global Anual 2021 do ACNUR, a contribuição sueca apoiará o ACNUR no cumprimento de seu mandato de protecção para mais de 70 milhões de pessoas deslocadas no mundo”. (Redação)

Apreendida droga no aeroporto internacional de Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, diz ter apreendido duas caixas de droga do tipo Mira no aeroporto internacional da principal cidade do norte do país.

De acordo com o porta-voz da corporação, Zacarias Nacute, a droga era proveniente de Quénia, e de forma recorrente tem sido apreendida na cidade de Nampula, o que preocupa as autoridades policiais.

“Após a apreensão, entregamos ao Serviços de Investigação Criminal (SERNIC) para fazer as devidas investigações”, precisou o porta-voz da PRM em Nampula.

No habitual briefing semanal com a imprensa, que se realiza nas segundas-feiras, Nacute disse que durante a semana finda, 31 estrangeiros foram neutralizados por suspeita de entrada e permanência ilegal no país.

Em relação a casos criminais ocorridos no mesmo período, a fonte disse que “foram registados 9 casos criminais, contra 8 do igual período comparativo, tendo infelizmente um acréscimo de 12% de índice de criminalidade comparativamente ao ano passado”, anotando que “88 indivíduos estão detidos por conta das diversas infracções cometidas na via pública”.

Por fim, Zacarias Nacute concluiu que “tivemos apenas um incidente lacustre e fluvial de um cidadão de 23 anos de idade, que perdeu a vida depois de ter sido arrastado pelas correntes de água do rio Nicutha, no bairro de Namicopo”. (Elisabeth José)

Munícipes de Nampula não colaboram com a edilidade na gestão de resíduos sólidos

Nampula (IKWELI) – O pelouro de Salubridade e Gestão Funerária no Conselho Autárquico de Nampula, no norte de Moçambique, entende que os moradores locais não têm estado a colaborar na gestão de resíduos sólidos ali produzidos.

De acordo com Dário Branquinho, técnico afecto ao sector, as dificuldades em percorrer algumas vias de acesso na periferia da urbe concorrem para que o processo de recolha de resíduos sólidos não seja eficiente, sobretudo porque não facilitam a circulação dos meios de recolha.

Segundo esta fonte, diariamente, a urbe produz mais de 200 toneladas de lixo diverso.

“Temos um total de 71 focos de resíduos sólidos existentes em toda a cidade e o conselho municipal da cidade de Nampula é responsável pela recolha de 260 toneladas de lixo por dia que equivale a 1102m3, mas, a população continua a ter preferências em deitar o lixo nos bairros e isso dificulta a remoção do mesmo, e muita das vezes até os meios que usamos acabam por ser danificados, por isso precisamos que a população facilite o nosso trabalho”, disse Branquinho.

Em termos de meios, a fonte fez saber que “temos, na cidade de Nampula, 27 meios de recolha de lixo, sendo que 4 camiões porta-contentores, 2 compactador, 10 camiões basculantes, 4 tratores e 7 moto-contentores”, dos quais apenas 17 estão em funcionamento pleno. (Elisabeth José)