Jovens transexuais submetem-se a prostituição para garantir a sobrevivência em Nampula

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Pessoas foram condenadas em Nampula por desobediencia

Nampula (IKWELI) – O acesso ao emprego e meios de sobrevivência a pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT) em Nampula continua sendo um desafio, não descorando o estigma e a discriminação porque passam nas comunidades.

Devido a sua orientação sexual, muitas delas tem sofrido e para garantir a sua sobrevivência recorrem a prática diversas, incluindo a prostituição. Há um ano que o mundo sofre com a pandemia da covid-19, e na cidade de Nampula, as pessoas LGBT, também, tem a sua situação e qualidade de vida mais complicada.

“Não tem sido fácil passar os dias confinados em casa”, conta a jovem Toberce Júnior, referindo-se a sua sobrevivência nestes tempos da pandemia, porque, no seu entender “já não conseguimos passear, sair à rua para além de estar nas comunidades e a discriminação aumentou porque as pessoas já não têm os nossos activistas activos”.

Assumindo a sua orientação sexual de forma aberta, Toberce tem se dedicado a sensibilização das comunidades pelo respeito dos direitos sexuais das pessoas LGBT, por isso avança que “a pandemia influenciou muito no nosso trabalho de sensibilização nas comunidades, porque já não temos acesso de interagir com os outros membros e passamos a usar a internet. Falo do WhatsApp e Facebook que é mais abrangente, mas ainda assim as pessoas não conseguem acessar aos nossos serviços”. Isto, segundo disse esta fonte, contribui para o não combate da violência, “porque não conseguimos ter o contacto com as pessoas”.

Um outro entrevistado é Lúcio Ernesto, ao Ikweli disse que gosta de ser tratada por Lúcia, apontando que a situação não é das melhores neste momento da pandemia, “pior para nós, mulheres transexuais, somos as que mais sofrem, e essa febre piorou tudo. Não podemos sair de casa. Há outras que se sustentam através de sair, e se encontrar com alguns clientes e esse tempo de pandemia elas não podem sair e os clientes não aceitam fazer o trabalho de dia, tem medo de serem vistos. Os bares estão fechados, as discotecas, também, estão fechadas e os clientes, normalmente, tem estado lá. Então, essa pandemia afectou a nossa vida”.

Lúcia está ciente que “a discriminação aumentou nas comunidades”, e “sair a rua para passear é um atentado a nossa própria vida, porque somos submetidas a riscos de agressão. Não somos livres, não vivemos livres e isso não tem sido fácil”.

Quem, também, falou das dificuldades no seu trabalho é a activista e agente comunitária da Lambda, uma organização de cidadãos moçambicanos que advogam pelo reconhecimento dos Direitos Humanos das pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), Zeza Mário que se vê limitada de aceder as comunidades devido a pandemia.

“Trabalhamos nas comunidades e verificamos que não tem sido fácil trabalhar na sensibilização dos nossos membros, a covid-19 interferiu muito e a discriminação piou nas comunidades, porque elas já não têm o nosso auxílio”, disse Zeza, prosseguindo que “a discriminação é o nosso pão de dia-a-dia e continuamos a ser violentadas sexualmente, psicologicamente e fisicamente e não tem sido nada fácil superar essas agressões, porque afectam o nosso psicológico e a nossa saúde mental”.

Num ouro desenvolvimento, esta nossa entrevista aponta como sendo dificuldades o “cesso ao trabalho ainda é deficiente. Por sermos gays não somos aceites, tanto quanto o acesso a saúde e a justiça. Tem pessoas que são violadas e tem medo de ir ao Posto policial dar queixa, porque são os próprios polícias que começam a homofobia”.

“Eu já fui amaçada com a minha própria família que são formados e tem informações, tudo para me ver a desistir, sem saber que aquela é uma orientação sexual diferente. Já fui batida na rua por ser assim, até as pessoas falam um dia vou te matar, como se eu não fizesse diferença na vida e isso é tortura”, contou-nos, triste, Zeza, apelando para que “nos respeitem para que possamos, também, vos respeitar. Todo o ser humano é importante na vida”.

Por seu turno, Orlando Cobre, coordenador regional norte da Lambda, conta que “para se adaptar ao novo normal, dinamizamos a nossa página online e desenhamos uma estratégia virtual que consiste em participar, activamente, fazemos o rastreio de doenças e trabalhamos inteiramente”.

“Há aderência nas redes sociais, mas não compensa com os nossos encontros pessoais/presenciais como antes do coronavírus”, está ciente Cobre, por isso concluiu que “não temos um plano específico para envolver mais ainda os membros, mas vamos nos ajustar às recomendações do ministério da Saúde, respeitando as restrições”. (Elisabeth José)

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