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“Malta” Vahanle voltam a se preocupar com a covid-19

Nampula (IKWELI) – A edilidade de Nampula tem sido um dos actores mais ausentes no processo de combate, prevenção e mitigação da pandemia da covid-19, mesmo tendo sido a primeira área declarada de transmissão comunitária.

As aparições do conselho autárquico de Nampula, presidido por Paulo Vahanle, eleito pela lista do partido Renamo nas eleições de 2018, tem sido escassez, mas de vez em quando o vereador do Pelouro da Promoção Económica, Mercados e Feiras, Osvaldo Ossufo Momade, tem dado a cara em actividades de prevenção.

Na manhã de ontem, quinta-feira (1 de Abril), o director do mesmo pelouro, Joel Rassi Daudo, fez a entrega de materiais de limpeza e higienização aos gestores dos mercados da autarquia.

“Queremos fornecer aos mercados os materiais de limpeza, porque temos visto que os mesmos têm guardado muitos resíduos sólidos e o tempo em que estamos é fácil contrair doenças diarreicas e cólera, por isso estamos a apoiar os mercados para tentar melhorar a cerca da limpeza nos mesmos”, disse esta fonte autárquica.

Neste acto, o dirigente não se focou a covid-19, concentrando a sua locução nas questões de doenças de origem hídrica, por isso anunciou que “esta é a primeira das três fases que planejamos, e nesta adquirimos 50 carinhas de mão, 50 ancinhos, 50 pás, 50 vassouras e 30 enxadas que vai servir para 15 ou 20 mercados na nossa urbe, visto que temos um total de 41 mercados. De seguida iremos para as fases subsequentes para completar todos os estabelecimentos”.

“Nesta primeira fase o município investiu mais de 200.000,00Mt (duzentos mil meticais) e espera-se que até o final investir-se cerca de 500.000,00Mt (quinhentos mil meticais) para concluir a actividade”, apontou a fonte, para depois concluir que “como resultados, esperamos o melhoramento da higiene e organização nos nossos mercados, porque temos visto que alguns destes não conseguem organizar-se para limpar o lixo e é nesse contexto que criamos as condições no sentido de prestar melhores serviços porque é lá onde trabalhamos para arregatar as nossas receitas”. (Redação)

Uso desregrado de máscaras descartáveis constitui perigo à saúde pública em Nampula

Nampula (IKWELI) – O uso desregrado de máscaras descartáveis de protecção facial, na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, é dado como um perigo à saúde pública por não se obedecer a forma recomendável da aplicação das mesmas, agregado ao facto de as mesmas serem usadas por mais de um dia, sem as devidas condições de higiene.

Segundo notou o Ikweli, a venda destes instrumentos de protecção acontece em todas as esquinas da autarquia, a preços que variam de 10,00Mt (dez meticais) a 15,00Mt (quinze meticais) por unidade, depois de que os vendedores ambulantes as adquirem a grosso.

Vasco Ronheque, munícipe entrevistado pela nossa equipa de reportagem, disse que a máscara que usava o fazia por um período de três dias, pelo facto de não dispor de condições para adquirir uma outra nova.

“Olha, eu comprei esta máscara porque tenho de me proteger do coronavírus. Gastei 10,00meticais e porque não posso gastar todos os dias o mesmo valor prefiro lavar pelo menos dois dias, deixar secar e voltar a usar a mesma”, disse Vasco da Conceição Ronheque, cidadão residente na zona residencial do Piloto, bairro de Mutauanha, cidade de Nampula.

Ao longo da rua da Solidariedade, no mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, entrevistamos o cidadão Frangelito Castro que acabava de comprar uma máscara descartável a preço de 15,00Mt. Embora não aceitar gravar a conversa, este disse ser importante que as pessoas façam uso correcto como forma de evitar a contaminação de outras doenças para além da covid-19 que se pretende prevenir.

Por seu turno, o chefe da repartição de Saúde Pública nos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Nampula, Firmino Anastácio, reconhece que a situação é preocupante, por isso o mau uso e/ou aplicação constitui um perigo para a saúde pública.

“Na verdade, isso pode trazer um impacto negativo quando a máscara descartável for usada da maneira errada. Verificamos que algumas pessoas usam uma máscara descartável mais de um dia, ela fica totalmente suja e chega uma fase em que não tem o poder de prevenir”, disse Firmino Anastácio.

No entanto, Anastácio explica que o que se recomenda é que uma máscara descartável de protecção facial seja usada no máximo 24 horas. O que significa que depois de uma jornada laboral, sobretudo, forçada, a pessoa tem de descartar, como o próprio nome diz, que é para usar outra no dia seguinte.

O uso desregrado e sem condições de higiene dessas máscaras, de acordo com Firmino Anastácio, pode causar doenças de fórum respiratório de difícil controle, como é o caso da pneumonia. No entanto, para evitar que isso aconteça é por isso que recomenda-se descartar e não lavar para depois voltar a usar as mesmas.

“O que se verifica é que as pessoas repetem usar a mesma máscara mais que 24 horas, e quando constatamos isso, nós como o sector da saúde passamos mensagens às pessoas que mal-usam para reverter o cenário. Nas nossas palestras, entre outras intervenções nas unidades sanitárias, informamos as pessoas para que não façam isso. Descartar significa usar e deitar fora, e de seguida, usar uma outra nova máscara para evitar que contraem problemas de fórum respiratório”, apontou.

Para além da máscara descartável, o nosso interlocutor descreve que existem especificidades de máscaras a serem usadas de acordo com a situação, nomeadamente, as máscaras cirúrgicas, as N95 que são de protecção de maior rigor recomendadas para o uso em sítios de maior risco, elas podem ser usadas, igualmente, de forma repetida. Existem ainda as de fabrico caseiro que, de acordo com ele, nalgum momento pode representar um perigo porque a sua fabricação não obedece o padrão recomendado.

Como exemplo disso, “a camada que estas máscaras caseiras têm não é normalmente a recomendada, muitos não sabem o padrão para verem se são preventivas ou não. Nalgum momento as pessoas levam um pano, fabricam a máscara e usam porque há falta de conhecimento”, referiu Firmino, para de seguida explicar que “para o fabrico de máscaras caseiras é preciso que tenham sido montados duas camadas no mínimo de pano e, se for o caso, pode-se colocar mais uma camada fina que fica adstrita aos dois panos que é para não permitir a penetração do vírus e a pessoa pensar que está protegida enquanto não”. (Esmeraldo Boquisse)

Horror em Cabo Delgado: Crianças não acompanhadas chegam a Pemba depois da violência

Nampula (IKWELI) – A Save the Children, uma organização não-governamental internacional, denuncia que crianças desacompanhadas começaram a chegar à cidade costeira de Pemba, na província de Cabo Delgado, após os ataques brutais da semana passada por insurgentes em Palma e áreas circundantes.

Relatos colhidos pela organização no terreno, apontam que cerca de 3.100 pessoas fugiram de Palma para o mar ou para o mato, sendo que um número desconhecido está agora em Pemba.

“A Save the Children implantou uma equipa de especialistas em protecção da criança e água e saneamento para o porto e aeroporto de Pemba, para apoiar as chegadas que fogem da violência recente. A organização está, especialmente, atenta às crianças desacompanhadas, que viajam sem família ou companhia de um adulto”, lê-se num comunicado da Save the Children distribuído a partir de Maputo, o qual prossegue que “as 9h do dia 28 de Março, a equipa viu um pequeno barco com quatro pessoas a bordo, incluindo um menino de 12 anos, Amimo, que estava visivelmente assustado e descalço. Amimo disse à nossa equipa que foi separada da sua família quando sua aldeia foi atacada na quarta-feira, 24 de Março”.

Citado no comunicado, o menor Amimo conta que “estava brincando com meus amigos perto da minha casa. Quando os ataques começaram, corri para minha casa e encontrei minha mãe e meus irmãos. Eu disse a minha família para fugir, mas eles disseram para esperar. Eu não queria esperar, então corri para a praia porque é perto da minha casa. Quando cheguei na praia, encontrei um barco com gente. [Era] longe da costa, então tive que nadar até o barco. Quando cheguei lá, fui resgatado e partimos em direção a Pemba”.

O número exacto de vítimas após a recente violência em Palma, uma vila com cerca de 75 mil habitantes na província de Cabo Delgado, não é claro. Muitos ainda estão desaparecidos. No início do mês de Março, a Save the Children ouviu de famílias deslocadas que crianças de 11 anos estavam a ser brutalmente assassinadas por grupos insurgentes.

Por seu turno, no mesmo comunicado, o director geral da Save the Children em Moçambique, Chance Briggs, disse que “as crianças testemunharam cenas de terror inimagináveis e indizíveis. Não podemos começar a imaginar como elas devem estar-se sentindo, ou o medo no coração dos seus pais. Crianças separadas são particularmente vulneráveis e as nossas equipas estão fazendo tudo o que podem para identificá-las e reuni-las com suas famílias o mais rápido possível. Estou extremamente orgulhoso do seu compromisso em garantir que nenhuma criança seja esquecida neste cenário de pesadelo. Esta é uma situação terrível e horrível para as crianças, para os pais, para a comunidade e para todas as pessoas em Cabo Delgado”.

“Fazemos um apelo à comunidade internacional para liberar fundos para assistir essas crianças. Elas precisam de apoio urgente, tanto para atender às suas necessidades básicas – comida, abrigo, cuidados médicos – quanto para ajudá-las a se recuperar mentalmente desses ataques. Isso significa apoio psicossocial por conselheiros treinados e gestão de casos de protecção para crianças que não sabem onde seus pais estão”, apelou Briggs, apontando que “criticamente, todas as partes neste conflito devem garantir que as crianças nunca sejam alvos. Eles devem respeitar as leis humanitárias internacionais e de direitos humanos e tomar todas as acções necessárias para minimizar os danos civis, incluindo o fim de ataques indiscriminados e desproporcionais contra crianças”.

Mais de 670 mil pessoas estão agora deslocadas dentro de Moçambique devido ao conflito em Cabo Delgado – quase sete vezes o número reportado há um ano. Pelo menos 2.658 pessoas morreram no conflito, incluindo 1.341 civis, embora este número, provavelmente, seja maior depois da violência da semana passada. A situação agravou-se seriamente nos últimos 12 meses, com a escalada de ataques a localidades e capitais de distrito.

Cabo Delgado, também, está se recuperando de choques climáticos consecutivos, incluindo o ciclone Kenneth de 2019, o ciclone mais forte a atingir a parte norte de Moçambique, e enormes inundações no início de 2020.

“A Save the Children e seus parceiros estão respondendo às necessidades das crianças deslocadas por conflitos e ciclones e suas famílias em Cabo Delgado. A resposta da organização atingiu directamente mais de 118 mil pessoas, incluindo mais de 72 mil crianças, com acções de protecção da criança, educação, saúde (incluindo COVID-19), segurança alimentar e melhoria dos meios de subsistência e água e saneamento”, conclui a nota de imprensa. (Redação)

“O Terrorismo prospera a mercê de discursos triunfalistas em Cabo Delgado” – acusa a Nova Democracia

Nampula (IKWELI) – O movimento político Nova Democracia (ND), liderado por Salomão Muchanga, entende que a situação que se vive na província de Cabo Delgado é horrível e prospera a mercê de discursos triunfalistas.

Em uma nota distribuída a mídia, a partir de Moçambique, o movimento está convicto que o cenário actual “deveria se ter previsto depois da tomada de Mocímboa, Nangade, Ibo, Macomia, parte de Quissanga e de Mueda, deixando Palma numa situação de isolamento e penúria populacional”.

Segundo o ND, os acontecimentos estão em “decorrência da constante abordagem reactiva da resposta ao terrorismo, nos últimos dias os insurgentes tomaram Palma provocando um número pouco claro de vidas perdidas e milhares de deslocados, perante uma reacção governamental incapaz de sanar as dúvidas e feridas abertas na alma do povo moçambicano”, e que “um governo que falha em proteger os seus cidadãos, mulheres e homens, de todas as idades e credos, é por consequência um governo que se prova incapaz e infiel, confinado em Maputo num iato de desorganização e infiltração”.

Por outro lado, o mesmo documento, cujo conteúdo estamos a citar, refere que “os relatos que nos chegam de Palma denunciam, não apenas a sonegação de informação, como também que para este regime o gás, o petróleo e os bens são mais importantes que as milhares vidas humanas de nacionais que se ceifam diariamente”, tanto que “o sofrimento incalculável a população civil resultando em mortes, estupros, destruição, incêndios e, saque de bens e propriedades, já atingiu níveis de crimes contra a humanidade que devem ser abordados à luz do previsto no artigo 1 da Carta das Nações Unidas que demanda “medidas colectivas para evitar ameaças à paz e reprimir os actos de agressão contra qualquer ruptura da paz e, chegar, por meios pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução de controvérsias ou situações que possam levar a perturbações da paz”.

Por fim, o ND conclui na sua Moção de Censura ao Governo que “o assustador fracasso da resposta governamental em assumir e abordar as causas desta guerra, alimenta escandalosamente a competição criminosa pelos recursos, a corrupção das elites que impulsionam a violência e divisões entre os moçambicanos e profunda impunidade no país, enquanto milhares de vítimas se abrigam em matas, o narcotráfico carrega e descarrega armas , drogas e recursos minerais de qualidades incalculáveis nos nossos portos e distritos”. (Aunício da Silva)

Muatala continua agressiva durante as noites

Nampula (IKWELI) – Os residentes do posto administrativo autárquico de Muatala, na cidade de Nampula, queixam-se do recrudescimento da criminalidade na circunscrição durante a calada da noite, fenómeno que periga a vida dos cidadãos.

Uma das zonas mais prestigiadas pelos malfeitores é a unidade residencial 25 de Setembro, onde fica localizado o famoso mercado do Matadouro, espaço que é explorado para a prática de actos criminais.

Os moradores contam que, naquele mercado, as barracas desocupadas são aproveitadas pelos agressores como esconderijos, ainda que o mesmo, no seu interior, detenha uma subunidade policial.

“Fui agredida na semana passada, perto do posto policial”, contou ao Ikweli a senhora Suzana Mussa, esclarecendo que “o meu turno de trabalho, nesse mês, é das 12h as 20h e não sei o que será de mim durante esses dias”.

Arnaldo Momade, outro residente da mesma circunscrição conta que “passar ao lado do mercado, à noite, é perigoso para nós, mesmo com posto policial os ladrões não se sensibilizam. Eu não fui agredido, mas tenho escutado gritos de socorro de pessoas, principalmente mulheres, e não tenho coragem de sair e ir ajudar porque tenho medo de ser o próximo”.

Os comerciantes no mercado em referência sabem da situação de criminalidade em alta, tal como contou Filipe Latifo, o qual diz que no passado já encontrou um corpo sem vida próximo a sua barraca. “No ano passado já mataram alguém por essas bandas e já, também, encontrei documentos de pessoas estranhas no chão, dai passei a tomar mais cuidado com medo de ser agredido, também, porque esses dias tenho visto movimentos estranhos por aqui”.

“A polícia está a trabalhar, mas fica difícil porque as pessoas que estão a agredir são residentes dessa mesma área, e eles sabem canto por canto e sabem onde se esconder e quando atacar, porque convivem com a gente diariamente”, compreende o secretário do Quarteirão 3.

Ainda com esses relatos, a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, entende que a onda de criminalidade na mesma área tende a reduzir.

“Todas as semanas temos uma redução na casa dos 50% de índice de criminalidade comparativamente ao ano passado, e isso é graças a algumas medidas implementadas pela polícia, e essas medidas são implementadas através das denúncias por parte da população para que saibamos onde e qual é o bairro que precisa de mais atenção do nível de patrulhamento, e posteriormente  fazer o reconhecimento do local para que saibamos quem são esses que na calada da noite não deixam as pessoas dormirem”, disse Zacarias Nacute, porta-voz da corporação em Nampula, concluindo que “mas para isso tudo acontecer requere a colaboração da população e das lideranças comunitárias, porque nosso nível de patrulhamento ainda é muito fraco para cobrir toda a província de Nampula, daí que o cidadão deve ser, também, um polícia, não para pegar o gatuno, mas para fazer as denúncias e essas denúncias podem ser no anonimato para preservar a vida do cidadão”. (Elisabeth José)

Cólera fez 3 óbitos durante o mês de Março no distrito de Nampula

Nampula (IKWELI) – Pelo menos três pessoas perderam a vida durante o mês de Março, no distrito de Nampula, no norte do país, vítimas de cólera, de um total de 413 casos registado no período em referência.

Firmino Anastácio, dos Serviços Distritais da Saúde, Mulher e Acção Social (SDMAS) de Nampula, estas vítimas trata-se de um cidadão de 57 anos de idade e outro de 25 anos, residentes nos bairros de Namutequeliua e Natikiri, respectivamente. Enquanto a outra é do sexo feminino de 47 anos que em vida residia em Namicopo.

Segundo esta fonte, o perfil epidemiológico do distrito de Nampula está dominado pela presença das doenças como a malária, cólera e incluindo a eclosão da pandemia da covid-19.

Entretanto, entre 30 e 31 de Março, “entraram um total de 16 pacientes com problemas de diarreias agudas no nosso centro de tratamento de doenças diarreicas. Nalgum momento, o olhar clínico pode limitar para se dizer que se trata de casos de cólera, mas sempre que um caso entra submetemos à uma análise para se apurar se se trata de cólera ou não. E neste momento temos muita cólera, como já foi declarado, actualmente, temos um cumulativo de cerca de 413 casos de cólera dos quais, três óbitos”.

“As pessoas demoram muito, quando apanham diarreia lá em casa, elas levam muito tempo para ir ao hospital”, entende a nossa fonte, exemplificando que “o último dado óbito ficou dois dias com diarreia em casa, alegadamente porque não tinha dinheiro para ir ao hospital. No entanto, o secretário do quarteirão responsabilizou-se em alugar uma moto-táxi para levá-lo à unidade sanitária, onde nem fez dois minutos que acabou perdendo a vida, uma vez que estava num estado grave”.

E como forma de evitar que maior parte da população desta região esteja exposta a esta doença de origem hídrica, “neste momento temos um grupo de pessoal que está no centro de tratamento de doenças diarreicas a fazer o segmento de casos, significa que, quando entra um paciente vindo de qualquer bairro do distrito que tenha problemas de diarreia e/ou cólera, o seu acompanhante deverá ser seguido ao domicílio que é para fazer-se a desinfecção de todos os utensílios que tenham sido usados pelo doente internado”. (Esmeraldo Boquisse)

Caçador furtivo condenado há 16 anos de prisão efectiva no Niassa

Nampula (IKWELI) – Andrá Mariano Baridi, moçambicano e conhecido dizimador de vida selvagem na Reserva Especial do Niassa, foi condenado há 16 anos de prisão efectiva por provado o seu envolvimento nos crimes contra a vida selvagem naquele ponto do país.

O julgamento deste natural de Mueda foi realizado a 25 de Março findo, tendo como base de acusação o crime de caça furtiva na forma tentada com recurso ao uso de armadilhas.

“De referir que o indivíduo foi capturado portando instrumentos para caçar e armadilhas mecânicas para animais de grande porte quando saia de um acampamento de caçadores furtivos, no seguimento de um rasto de motorizadas e bicicletas. Na altura da detenção o indivíduo estava na companhia de um amigo, também caçador furtivo, tendo mesmo se colocado em fuga depois de avistar os fiscais da REN”, refere uma nota publicado na rede social Facebook da Reserva Especial do Niassa.

A mesma nota prossegue que “a pena será cumprida na Penitenciária Provincial de Cabo Delgado, em Mieze, e este é o segundo caso de condenação no presente ano, sendo que no primeiro caso o réu foi julgado à revelia no dia 18 de Março de 2021, num caso de exploração ilegal de madeira”.

“Um dos factores que ditou o sucesso deste processo foi a boa preparação do mesmo desde a captura do indivíduo até a sustentação oral do caso na audiência de discussão e julgamento”. conclui a nota, cujo conteúdo estivemos a cita

A Reserva Especial do Niassa cobre seis distritos da província do Niassa e dois de Cabo Delgado, numa área de 42.000 km2. (Aunício da Silva)

Mitos sobre a vacina da covid-19 preocupa governo do distrito de Nampula

Nampula (IKWELI) – Através dos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS), o governo do distrito de Nampula, no norte do país, mostra-se preocupado com a onda de desinformação e mitos em torno da vacina da covid-19, largamente propalados nas redes sociais e nas comunidades, em geral.

De acordo com Abílio Cutimba, Responsável de Educação e Comunicação nos SDSMAS de Nampula, a situação é preocupante, numa altura em que os esforços seriam de informar correctamente a população.

“Nas redes sociais e nas comunidades há uma série de informações falsas sobre a vacina para imunização do coronavírus”, disse Cutimba, prosseguindo que “nas redes sociais há pessoas que têm a tendência de escrever um artigo e expor como se fizesse uma investigação científica”.

Esta fonte reconhece que “a população que não tem meios de comunicação suficientes para dar a informação verdadeira”, por isso “são as que mais estão vulneráveis na desinformação”.

Este responsável apela para que se adira a vacinação, seguindo-se o plano nacional, no sentido de ser ter menos casos. “Já tivemos várias outras pandemias e conseguimos controlar porque fizemos campanhas de vacinação. Hoje estamos a falar da covid-19 e não sabemos como essa doença irá se manifestar nos próximos anos. Estamos agora a ver a variante 1, a variante 2, a variante brasileira, sul africana entre outros. Isso nos preocupa, por isso é importante que vacinemos”.

Por outro lado, este nosso interlocutor disse que não basta falar das medidas de prevenção se não estiverem a ser usadas, corretamente, nas comunidades, e não se alimentar das informações chaves e credíveis para o combate a essa doença viral. “As pessoas que tem a covid-19, e estão em tratamento, devem esperar melhorar para depois vacinar. As mulheres grávidas, pessoas acamadas por conta de outras doenças são as que não devem receber a vacina, enquanto não estarem em condições de receber, mas as restantes pessoas podem sim vacinar, claro que cada organismo reage da sua maneira, e podem ter tontura ou mal-estar, mas há que lembrar que não tem sido algo grave que podemos considerar fatal, por isso vamos vacinar”.

Para entender, o nível de percepção sobre a vacina da covid-19, o Ikweli foi a algumas comunidades para entrevistar algumas pessoas, e notamos que, na verdade, as pessoas estão mesmo desinformadas.

A percepção popular é de que a vacinação tem, em vista, aumentar o número de casos e dizimar os africanos, tal como nos disse o produtor Osvaldo Mutete, do posto administrativo de Anchilo.

“Como nós africanos somos abençoados não estamos a morrer em massa como em outros continentes”, disse este cidadão, que acredita que “inventarem essa vacina para todos estarmos contaminados”.

Por fim, entrevistamos a senhora Júlia Massicate, na mesma circunscrição, que revelou que “sou uma doente crônica de tuberculose e tive a informação com os líderes comunitários que devemos ir vacinar, mas eu temo que essa vacina me crie outros problemas de saúde, por isso prefiro não ariscar”. (Elisabeth José)

Memba sem comunicação terrestre com a cidade de Nampula via Nacala-a-Velha

Nampula (IKWELI) – O distrito de Memba, localizado a nordeste da província de Nampula, encontra-se sem comunicação terrestre com o distrito de Nacala-a-Velha, devido ao desabamento de duas pontes no troço de pouco mais de 77 quilómetros.

Neste momento, para chegar a capital provincial, a população de Memba precisa se deslocar para a zona Oeste, concretamente no distrito de Eráti, onde há, ainda, condições de transitabilidade.

O administrador local, Cheamade Alide, garantiu ao Ikweli que a Administração Nacional de Estradas (ANE), delegação de Nampula, o arranque das obras de reposição das infra-estruturas desabadas a partir de ontem, segunda-feira (29), com a mobilização do equipamento para o efeito.

“Nós estamos agora a tranquilizar a nossa população do distrito de Memba que já temos a luz verde, que a Administração Nacional de Estradas comunicou ao governo do distrito que a partir de hoje, dia 29 de Março, começará a transportar o equipamento para a reposição das pontes sobre os rios Muentaze e Nacala. Pensamos ainda que este é o início para o fim do sofrimento da população, e apelamos a população que mantenha a mesma paciência que teve até, porque até ao fim do mês de Abril teremos as pontes a transitarmos regularmente como vínhamos fazendo, Memba sede/ Mazua, Chipene/Lúrio e vice-versa”, disse o administrador do distrito de Memba.

Igualmente, de acordo com Cheamade Alide as outras estradas do distrito de Memba encontram-se transitáveis, e com alguma qualidade. “Todos os locais, isto é, os centros de produção agrícola e pesqueira, tem as suas estradas transitáveis e não há nenhum problema de acessibilidade das nossas vias”.

Num outro desenvolvimento, o administrador Cheamade referiu que face à campanha agrícola 2020/2021 o distrito que dirige anseia boa produção, porque embora tenha se registado a tardia das chuvas, o que condicionou o progresso da campanha na sua primeira época, a partir da primeira semana do mês passado começou a chover regularmente e, neste contexto, os produtores mostram a sua satisfação em torno disto.

“Neste momento, há comunidades que já estão a levar o milho à moagem, especialmente, nas zonas de Mazua, concretamente em Cava e o posto administrativo de Chipene. Portanto, aquelas culturas que foram afectadas pela falta de chuva de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, já estão a recuperar, e por isso esperamos que se a queda das chuvas continuar regularmente a nossa população vai ter a segurança alimentar e não teremos aquelas ameaças de, provavelmente, termos fome no distrito de Memba”, apontou.

Aquele administrador avança ainda que a meta do distrito é atingir 503000 (quinhentas e três mil) toneladas de produtos diversos, numa área de cerca de 133000 (cento trinta e três mil) hectares.

“Nós tínhamos de lavrar um total de 170.000 (cento e setenta mil) hectares com uma agricultura mecanizada, mas devido a escassez dos meios conseguimos lavrar 42 (quarenta e dois) hectares. Mesmo assim, notamos que a nossa população mesmo com a enxada de cabo curto consegue trabalhar para combater a fome, ela (a população) não está a permitir que a fome tome conta das suas famílias”, explicou.

Questionado ainda sobre a comercialização precoce de produtos agrícolas, o administrador Cheamade Alide respondeu que “a venda e/ou comercialização precoce dos produtos agrícolas em Memba está para passar para história, porque uma das medidas do governo do distrito é proibir, de forma rigorosa, a venda de produtos frescos e de forma precoce, isto porque a venda precoce só traz fome, exemplo disso é o amendoim que tem sido vítima de Memba para Nacala-Porto. Explicamos ainda a população para deixar a prática de venda de produtos frescos que só mantém a população mais pobre”.

“Os comerciantes que aliciam os produtores já estamos a fazer o controle cerrado no sentido de proibir as entradas de forma precoce. Queremos agora organizar os nossos camponeses em associações para a comercialização, para que não continuem vulneráveis. A outra estratégia é o controlo nos mercados onde os produtos são vendidos de forma precoce”, concluiu a fonte. (Esmeraldo Boquisse)

Maus gestores escolares preocupam Manuel Rodrigues

  • A Escola Secundária de Nampula, a maior do norte do país, é exemplo disso.

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 1200 (mil e duzentos) estabelecimentos de ensino público na província de Nampula, no norte do país, ainda não arrancam com o ano lectivo 2021 por não reunirem condições sanitárias para o efeito.

Esta situação leva ao governador Manuel Rodrigues a pensar na existência de maus gestores escolar, porque no seu entender não faz sentido que tal aconteça.

De acordo com Manuel Rodrigues, governador da província de Nampula a apreciação que se faz depois da abertura do ano lectivo é positiva, relactivamente ao funcionamento das escolas, uma vez que acima de 2.500 (duas mil e quinhentas) escolas estão a funcionar. Porém, 1.200 escolas precisam de continuar a aprimorar as condições de água, reabilitação das infra-estruturas sanitárias, isto é, as casas de banho para garantir que elas sejam locais seguros para os alunos.

Na última sexta-feira (26), o primeiro governador eleito em Nampula procedeu a entrega de um milhão de máscaras descartáveis de protecção facial ao sector da Educação e Desenvolvimento Humano da província, e foi nessa ocasião que manifestou tal conclusão.

No acto da entrega, estiveram presentes directores de Serviços distritais da Educação, Juventude e Tecnologia de a província, por isso Rodrigues apontou que “procedemos a entrega destas máscaras faciais para que sejam usadas pela comunidade escolar, referimo-nos das crianças. Estes meios de prevenção da covid-19 que entregamos vão contribuir para a redução do risco de contaminação das crianças na província. Agregam-se, a estas medidas, os aspectos sanitários, sobretudo, a higienização de uma forma geral no recinto escolar. E aqui gostaria de chamar atenção a todos os gestores das escolas para que garantam a limpeza e higiene dos sanitários públicos”.

Num outro desenvolvimento, a fonte foi mais durante, referindo que “não gostaríamos de constatar situações que temos vindo a verificar de forma recorrente, onde sanitários públicos já reabilitados passam uma semana em desuso porque os gestores das escolas não respondem de forma cabal as suas responsabilidades, mantêm sem monitorar a limpeza dos sanitários públicos e eles entram em desuso”.

“Temos casos evidentes aqui na nossa província de Nampula ainda mais, em escolas de referência, como é o caso da escola Secundária de Nampula que estamos muito tristes: sanitários montados, já não têm torneiras nos seus locais, não tem água e não se faz nenhum controle e essa é a responsabilidade dos gestores das escolas”, comentou, agastado, Manuel Rodrigues, prosseguindo que “os gestores das escolas não devem ser a razão do insucesso do processo de ensino e aprendizagem das nossas crianças, o gestor deve ser o espelho da formação do homem. O gestor deve ser o exemplo para que a escola sirva como aquele centro de formação das nossas crianças, crianças que irão garantir o futuro deste belo país”, por isso “queremos que todos os gestores, directores dos serviços distritais da Educação, Juventude e Tecnologia e a direcção da comunidade escolar assumam as suas responsabilidades, sejam os mentores, comandantes da primeira linha de criação de um ambiente são e que não sejam os obstrutores, os sabotadores do nosso sistema de ensino e aprendizagem”.

Num outro desenvolvimento, Manuel Rodrigues se queixou da indisponibilidade de recursos financeiros para fazer face a construção e/ou reabilitação de sanitários na província, bem como a demora na execução de obras por parte de alguns empreiteiros.

“Vamos continuar a monitorar, nós queremos é que todas as escolas tenham condições de higienização, abastecimento de água para que haja garantia de que as nossas escolas não sejam focos de transmissão da covid-19. Igualmente, temos a medição da temperatura que é obrigatória em todos os locais de acesso às nossas escolas, dai que é preciso, ainda, garantirmos em todas as escolas o distanciamento físico das nossas crianças para irmos reduzindo cada vez mais a probabilidade das nossas crianças contraírem a covid-19”, garantiu o governante.

Voltando as máscaras de protecção facial, o governador apelou transparência na sua distribuição, no sentido de garantir que cheguem ao verdadeiro beneficiário.

“Em torno do uso das máscaras que fizemos a entrega, não gostaríamos de ouvir que elas pararam em mãos alheias, exigimos a transparência na sua distribuição. Não vendam estas máscaras, não ponham estas máscaras nas farmácias privadas ou não privem para que não cheguem aos nossos alunos. Não gostaríamos nós de ter aqui na nossa província de Nampula situações de sermos forçados a tomar medidas administrativas e criminais aos gestores por negligência. A covid-19 trouxe uma nova maneira de ser e estar, por isso temos de aproveitar de forma integral o tempo que dispomos para de forma muito mais concreta garantirmos que as aulas decorram sem sobressalto na província”, apelou Rodrigues.

Manuel Rodrigues conclui que os professores devem ser actores chaves na sensibilização da comunidade escolar para a prevenção e mitigação da covid-19. “O director da escola não é para ficar no gabinete e receber relatórios, o director distrital é para conhecer e fazer-se presente em todas as escolas do seu distrito, há directores que nem conhecem todas as escolas e o que se vive nelas, dai que queremos reiterar que cada director dos serviços distritais deve-se fazer em todas as escolas do seu distrito”, finalizou. (Esmeraldo Boquisse)