Uso desregrado de máscaras descartáveis constitui perigo à saúde pública em Nampula

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Nampula (IKWELI) – O uso desregrado de máscaras descartáveis de protecção facial, na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, é dado como um perigo à saúde pública por não se obedecer a forma recomendável da aplicação das mesmas, agregado ao facto de as mesmas serem usadas por mais de um dia, sem as devidas condições de higiene.

Segundo notou o Ikweli, a venda destes instrumentos de protecção acontece em todas as esquinas da autarquia, a preços que variam de 10,00Mt (dez meticais) a 15,00Mt (quinze meticais) por unidade, depois de que os vendedores ambulantes as adquirem a grosso.

Vasco Ronheque, munícipe entrevistado pela nossa equipa de reportagem, disse que a máscara que usava o fazia por um período de três dias, pelo facto de não dispor de condições para adquirir uma outra nova.

“Olha, eu comprei esta máscara porque tenho de me proteger do coronavírus. Gastei 10,00meticais e porque não posso gastar todos os dias o mesmo valor prefiro lavar pelo menos dois dias, deixar secar e voltar a usar a mesma”, disse Vasco da Conceição Ronheque, cidadão residente na zona residencial do Piloto, bairro de Mutauanha, cidade de Nampula.

Ao longo da rua da Solidariedade, no mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, entrevistamos o cidadão Frangelito Castro que acabava de comprar uma máscara descartável a preço de 15,00Mt. Embora não aceitar gravar a conversa, este disse ser importante que as pessoas façam uso correcto como forma de evitar a contaminação de outras doenças para além da covid-19 que se pretende prevenir.

Por seu turno, o chefe da repartição de Saúde Pública nos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS) de Nampula, Firmino Anastácio, reconhece que a situação é preocupante, por isso o mau uso e/ou aplicação constitui um perigo para a saúde pública.

“Na verdade, isso pode trazer um impacto negativo quando a máscara descartável for usada da maneira errada. Verificamos que algumas pessoas usam uma máscara descartável mais de um dia, ela fica totalmente suja e chega uma fase em que não tem o poder de prevenir”, disse Firmino Anastácio.

No entanto, Anastácio explica que o que se recomenda é que uma máscara descartável de protecção facial seja usada no máximo 24 horas. O que significa que depois de uma jornada laboral, sobretudo, forçada, a pessoa tem de descartar, como o próprio nome diz, que é para usar outra no dia seguinte.

O uso desregrado e sem condições de higiene dessas máscaras, de acordo com Firmino Anastácio, pode causar doenças de fórum respiratório de difícil controle, como é o caso da pneumonia. No entanto, para evitar que isso aconteça é por isso que recomenda-se descartar e não lavar para depois voltar a usar as mesmas.

“O que se verifica é que as pessoas repetem usar a mesma máscara mais que 24 horas, e quando constatamos isso, nós como o sector da saúde passamos mensagens às pessoas que mal-usam para reverter o cenário. Nas nossas palestras, entre outras intervenções nas unidades sanitárias, informamos as pessoas para que não façam isso. Descartar significa usar e deitar fora, e de seguida, usar uma outra nova máscara para evitar que contraem problemas de fórum respiratório”, apontou.

Para além da máscara descartável, o nosso interlocutor descreve que existem especificidades de máscaras a serem usadas de acordo com a situação, nomeadamente, as máscaras cirúrgicas, as N95 que são de protecção de maior rigor recomendadas para o uso em sítios de maior risco, elas podem ser usadas, igualmente, de forma repetida. Existem ainda as de fabrico caseiro que, de acordo com ele, nalgum momento pode representar um perigo porque a sua fabricação não obedece o padrão recomendado.

Como exemplo disso, “a camada que estas máscaras caseiras têm não é normalmente a recomendada, muitos não sabem o padrão para verem se são preventivas ou não. Nalgum momento as pessoas levam um pano, fabricam a máscara e usam porque há falta de conhecimento”, referiu Firmino, para de seguida explicar que “para o fabrico de máscaras caseiras é preciso que tenham sido montados duas camadas no mínimo de pano e, se for o caso, pode-se colocar mais uma camada fina que fica adstrita aos dois panos que é para não permitir a penetração do vírus e a pessoa pensar que está protegida enquanto não”. (Esmeraldo Boquisse)

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