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Nampula: carapau salva sobrevivência de mulheres

Nampula (IKWELI) – As mulheres da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, estão, cada vez mais, preocupadas com o seu emponderamento económico, e com efeito abraçam várias formas de produção para ganhar dinheiro.

Uma das formas encontradas é a venda de peixe frito, sobretudo o carapau que, nas primeiras horas do dia, mobiliza as mulheres para os principais pontos de venda do produto na autarquia para a aquisição ainda fresco.

Com este negócio, as mulheres que praticam a actividade adiantam que pouco ganham, comparativamente ao que gastam na compra do produto, mas ao menos conseguem suprir as necessidades básicas no seio familiar, desde a alimentação, o material escolar para os seus educandos, bem como satisfazer as suas necessidades, sobretudo, aquisição de vestuários, entre outros afazeres.

Janete Caetano é uma mãe residente no bairro de Namicopo, na cidade de Nampula. Ela é vendedeira de peixe frito no mercado de Namicopo, aliás, enquanto a sua filha leva o produto já pronto para o consumo no mercado de Carrupeia, a senhora Janete fica a vender no mercado da sua zona, como forma de tornar mais célere o seu trabalho de venda e no dia seguinte, e voltar às peixarias para adquirir nova mercadoria.

Vendedeira há mais de cinco anos, Janete diz ter ganhos maiores atendendo às suas necessidades, a contar para a matrícula escolar dos seus filhos e alimentação em casa. Porém, o esforço é maior quando se quer colocar uma certa necessidade como prioridade, por isso que vezes há em que o dinheiro de negócio acaba e recorre a empréstimos nas suas colegas para manter a actividades.

Igualmente, na Avenida do Trabalho, encontramos a cidadã Virgília Lone que para além de peixe fresco que compra e revende, também é vendedeira de farinha de mandioca seca, produto usado na receita de fritar o peixe que depois é vendido nos mercados formais e informais e em locais de venda e consumo de bebidas alcoólicas, com destaque para as de fabrico caseiro.

São cerca de oito anos no exercício desta actividade, e a dona Virgília adianta que é pouco o que ganha, mas dá para atender as necessidades dos filhos e as suas.

“Eu tenho de estar aqui na rua a partir das 6h, altura em que se regista a presença de pessoas que compram o peixe. Sempre tenho de me posicionar nas proximidades das peixarias de modo a facilitar os que procuram pela farinha de mandioca. Mas antes compro o peixe, guardo ao lado e quando a minha farinha acaba levo o peixe e volto à casa para outra parte do negócio”, contou a cidadã, que disse ser um desafio para a sua vida como mulher, mas que não mede esforços quando se trata de cuidar dos seus filhos e garantir o sustento na família, até porque o seu marido pouco consegue nos seus biscates.

Neste negócio, os homens também não ficam para atrás, eles concorrem em pé de igualdade com as mulheres nas fileiras das peixarias para comprar o carapau. Alguns deles ajudam as suas mães que não conseguem madrugar e aturar as longas filas, e fazem-no como forma de contribuir nos trabalhos de casa que ajudam a família.

Outro facto não menos importante, é a união dos compradores, eles contribuem no local para adquirir uma certa quantidade e depois repartem de igual para igual a cada contribuinte sem sobressaltos, e depois, cada um leva a sua parte e volta ao destino, um cenário que se verifica em todas as manhãs, excepto no primeiro dia da semana, Domingo. (Esmeraldo Boquisse)

“Moçambique precisa de uma liderança forte para lidar com os problemas que vive” – defende a Nova Democracia

Nampula (IKWELI) – O partido Nova Democracia que, para fazer face aos actuais problemas que Moçambique enfrenta, o país precisa de uma liderança forte e capaz de encontrar soluções para reduzir e/ou evitar os seus impactos negativos para a população.

Em mensagem de saudação de ano novo, o partido liderado por Salomão Muchanga afirma que “iniciamoso ano novo no meio de várias incertezas que assolam o nosso país. A gestão deficiente da pandemia, acontinuidade das guerras cíclicas e calamidades naturais são alguns destes problemas que precisam de umaliderança forte para reduzir e/ou evitar os seus impactos negativos”.

“Para o Movimento Nova Democracia e a cidadania moçambicana, unem-nos a visão de um país melhor, compolíticas inclusivas, justas, guiadas por planos, estratégias e programas sociais e educativos fortes”, lê-se na mesma nota, a qual prossegue que “a Nova Democracia almeja um Estado que incentiva e respeita a liberdade de expressão baseados na vibrante participação dos moçambicanos nos assuntos da Nação,políticas de defesa assertivas e nunca alienadas, vertidas na defesa do povo, da soberania e território nacional”.

Igualmente, o mais jovem partido moçambicano reconhece que “encerramos um ano difícil, ou seja, mais umano de cólera política e social. No norte do país, milhares de moçambicanas e moçambicanos continuam a sofrer de forma dolorosa as consequências de uma guerra cheia de opacidade e de falta de argumentos firmes para enfrentá-la”, tanto que “a Gestão das finanças e a credibilidade e Soberania do país dentro e fora continuam a deteriorar-se e sem avidez e resoluta atitude, para corrigir e colocar o País no centro do desenvolvimento. Não há nitidamente visão para mudar nada. A nossa educação continua a mostrar resultados baixos, uma educação antipedagógica, dogmática e submissiva, tornando-se cada vez mais, naprincipal barreira para o presente e o futuro da Nação. A igualdade entre mulheres e homens precisa de açõesincisivas e de impacto, para colocar a mulher no pedestal igualitário de oportunidades e de decisão. Continuamos submetidos ao excessivo poder que o Presidente da República (PR) detém sobre a nação eum poder executivo que anexou o legislativo e o judicial numa captura de Estado jamais assistida em partealguma. Os nossos recursos mais prezados, como a madeira, os minerais, os produtos do mar, e outroscontinuam a sair pelas nossas fronteiras sem nenhum benefício para o cidadão isso reflicta nas nossas vidas. Porém, estes 12 meses foram também de grandes vitórias, grandes avanços e razões para acreditar. Acreditar que um país pode se reerguer com firmeza, força e suplantar toda a maledicência e transformar osdesafios em oportunidades”.

A nova Democracia, na sua mensagem, reconhece o papel que tem sido desempenhado pela sociedade civil no exercício da cidadania. “O levantamento e grito por parte da sociedade civil tem sido das forçasmotrizes, para que o governo anti-social seja denunciado, e o povo tome a consciência do furto que passa engendrado por um punhado de criminosos, ávidos em desgraçar o povo em benefício próprio, capturando oEstado em substituição do colono. A força que muitas mulheres têm mostrado no âmbito público e privadopara terminar com as desigualdades no acesso aos seus direitos individuais e colectivos, o empenho de muitos e muitas jovens em ter iniciativas criativas e com potencial, os esforços de muitas e muitos vendedoras/es informais para continuar realizando a sua actividade em meio a pandemia, a consideraçãoda sociedade para com a classe artista, tão esquecida amiúde, são apenas alguns exemplos de resiliência para se manter no meio de um quadro socioeconómico doentio, que bem dirigido, poderia oferecer as oportunidades para o despertar de todo potencial e capacidade humana para o desenvolvimento”.

Ainda assim, a nota avança ainda que “também, queremos recordar ações conjuntas que realizamos como adenúncia da violação ética e moral que supunha o ajuste de subsídios para as altas figuras de governo. Tudoisso após de serem anunciados aumentos dos salários mínimos por valores irrisórios numa já empobrecidamassa trabalhadora do país. Não podemos deixar de mostrar a nossa grande preocupação pela limitação deliberdades a qual estamos sendo acometidos”.

A redução do espaço cívico no país é, ainda, uma das preocupações da Nova Democracia.

Por fim, esta organização política defende a necessidade de “tornar as escolas centros de aprendizagem de relevância para a inserção e participação social, assim como para a solidariedade, boa convivência edesenvolvimento, garantindo o seu acesso a todas as crianças”. (Redação)

Nangade: forças locais apontadas de espancar civis

Nangade (IKWELI) – As forças locais no distrito de Nangade, apesar de até aqui serem vistas como sendo uma mais-valia no combate aos terroristas, continuam a cometer atrocidades contra cidadãos civis naquele ponto da província de Cabo Delgado.

Segundo apuramos, alguns integrantes da força local em Nangade-sede, espancaram dois jovens nos dias 23 e 30 de dezembro findo, sendo um no bairro Ndenganamade e outro no bairro Ntamba, nos arredores da vila.

Um outro grupo, da força local, viria igualmente a espancar outro jovem no bairro Ntanga, na noite do passado dia 5 de Janeiro em curso.

Em todos casos, conforme apurou o correspondente do nosso jornal em Nangade, as forças locais alegaram que os jovens foram encontrados fora do horário estabelecido para não circulação, depois das 20 horas, mesmo apesar de os conhecerem que não eram pessoas duvidosas.

Outrossim, no último fim-de-semana, movimentos de supostos terroristas nas aldeias de Nkonga e Lijungo, tiraram sossego a população, tendo sido mais uma vez obrigada a deslocar-se para sede do distrito de Nangade. (Redação)

Meluco: pessoas com deficiência e mulher gravida ficam para atrás na fuga aos insurgentes

Meluco (IKWELI) – Pelo menos três pessoas, são tidas como tendo sido abandonadas por familiares e amigos, na aldeia Mariria, posto administrativo de Muaguide, distrito de Meluco, após o segundo ataque terrorista em menos de uma semana ocorrido na noite da última quinta-feira (6).

Correspondentes do Ikweli, apuraram que das três pessoas abandonadas com vida, por familiares naquela comunidade, duas são deficientes, sendo um adulto e uma criança, depois de terem sido deixados num esconderijo.

“Foram deixados, ninguém conseguiu levar, as pessoas não tinham maneira, pegar eles e outras crianças, aí não se sabe como estão, não havia como”, contou ao nosso correspondente, um residente de Mitambo, que nos últimos três dias, virou estação de deslocados vindos de Muaguide e Mariria e que pretendem chegar a Pemba, Chiúre, e Silva Macua, por medo de novos ataques.

A terceira pessoa é uma mulher grávida que, também, foi deixada para trás, numa casa, porque alegadamente ninguém a conseguiu ajudar a caminhar até Mitambo, onde a maioria dos refugiados de Mariria deslocou-se.

Refira-se que três pessoas morreram depois de atingidas a tiro, quando os terroristas atacaram pela segunda vez, em menos de uma semana, a aldeia Mariria na passada quinta-feira. (Redação)

Nampula: Subida do preço de “chapa-100” sufoca bolso do cidadão

Nampula (IKWELI) – A nova tabela de preços de transportes semi-colectivos de passageiros em vigor desde o passado dia 2 do corrente mês, na província de Nampula, aflige os cidadãos, os quais se sentem sufocados com os novos valores.

Quase todos os trajectos sofreram agravamento, e as pessoas foram encontradas em contrapé, quando menos esperavam tal despesa para um cenário de custo de vida que já sufoca as famílias.

“Este preço é injusto”, considera a senhora Judite Omar, reivindicando que “sou desempregado e não tenho condições económicas para fazer face a esta nova tarifa”. Esta fonte foi entrevistada quando estava numa das paragens da cidade de Nampula a fim de pegar um “chapa-100” para o distrito de Monapo, onde o agravamento fez com que o novo preço seja 220,00Mt (duzentos e vinte meticais), contra os anteriores 150,00Mt (cento e cinquenta meticais).

Uma outra passageira entrevistada pelo Ikweli é a senhora Sara Omar, que já preve dificuldades de sair de um ponto para outro devido a esta subida de preço

“Estou na estação a espera de carro de Nampula-Nacala e o valor estipulado é de 700,00Mt (setecentos meticais) para ida e volta, e isso não traz vantagem para nós como passageiro, torna difícil aceitar esta realidade que nós vivemos”, disse Sara.

O cidadão Alberto Rafael, também, reclama esta subida do preço de “chapa-100”, entendendo que “a maioria da população é desempregada, iremos sofrer”.

Enquanto os passageiros reclamam a subida, os operadores deste serviço respiravam de alívio, alegadamente porque os preços anteriormente praticados não ajudavam na colecta de uma receita justa.

“Sou transportador de passageiro e opero na rota Nampula-Nacala. Estou satisfeito com a nova tarifa aplicada, porque o custo de combustível subiu e com este preço é claro que a gente consegue alguma coisa, como abastecer as viaturas sem dificuldades e isso já compensa”, disse Mussa Simão.

Simão diz que há passageiros que não concordam com a nova tarifa, e isso quase tem dado em confusão tremenda. “Existem certos passageiros que não concordam com esta nova tarifa, alegadamente por a subida ser maior, e nós como automobilistas não temos como ajudar e o único jeito de nos defender mostramos a tarifa aprovada pela ASTRA”. (Nelsa Momade)

Cabo Delgado: terroristas desalojam famílias em Macomia e Meluco.

Pemba (IKWELI) – Várias famílias estão desalojadas dos seus abrigos nos distritos de Macomia e Meluco, em resultado de mais dois ataques terroristas ocorridos na última terça-feira naqueles pontos da província nortenha de Cabo Delgado.

Os atacantes que deixaram as famílias sem tecto e comida para se alimentar, atacaram por volta das 17 horas a aldeia Mariria, posto administrativo de Muaguide, distrito de Meluco e a aldeia Nova Vida, posto administrativo de Chai, distrito de Macomia, por volta das 19 horas, de acordo com relatos locais.

Correspondentes locais do nosso jornal, constataram que parte da população está a abandonar as suas terras para a vila de Macomia, Meluco-sede e outras partes onde vão tentar recomeçar as suas vidas.

Ainda recentemente (na semana passada), outras famílias, também, foram desalojadas das suas casas. No sábado passado terroristas atacaram as aldeias de Imbada e Nangololo, no distrito de Meluco, e não houve vítimas mortais humanas. (Redação)

Mueda: militares amarram jovem por lhes negar pagar bebida alcoólica

Mueda (IKWELI) – Um grupo de cinco militares das Forças Armadas de Moçambique é apontado como tendo maltratado, no dia 31 de Dezembro de 2021, um jovem de 32 anos de idade, alegadamente por ter recusado pagar bebida alcoólica.

Segundo apuraram os nossos correspondentes locais, a vítima é deslocada da guerra que assola Cabo Delgado, e é proveniente do distrito de Mocímboa da Praia, estando a residir no bairro Rovuma, nos arredores da vila de Mueda.

Na sequência, o jovem terá ficado amarrado por um período de pouco mais de duas horas, e a restituição da sua liberdade foi mediante pagamento de valores monetários.

No local, fontes que assistiram o infortúnio asseguraram que o jovem estava sendo ameaçado no sentido de que lhe levariam ao quartel, sob pretexto de ser colaborador de terroristas.

“Ele pagou 300,00Mt (trezentos meticais) para ser solto, senão estava muito mal”, disse uma das fontes.

Em Mueda, de acordo com relatos, são frequentes situações em que militares moçambicanos são acusados de extorquir cidadãos deslocados do distrito Mocímboa da Praia, depois de ameaças de alegada pertença ao grupo de terroristas. (Redação *Foto ilustrativa)

No dia do seu aniversário: Vahanle inaugura estrada com obras ainda por terminar

Nampula (IKWELI) – O autarca de Nampula, Paulo Vahanle, que celebrou nesta terça-feira (4) o seu aniversário natalício, acabou por se presentear com a inauguração de uma via de acesso ainda em obras.

Trata-se de 1.200 quilómetros da rua que dá acesso ao Hospital Geral de Marrere, cujas obras, em atraso de conclusão significativo, estão avaliadas em 40,500,000.00Mt (quarenta milhões e quinhentos mil meticais) e a execução está a cargo da ZAC Construções, empreitada que viu o seu outro contrato na execução das obras da segunda faixa da avenida Eduardo Mondlane cancelado.

Ainda assim, os utentes não escondem a sua satisfação, por entender que a estrada vai aliviar um sofrimento que prevalece desde o tempo colonial, sendo mais caótica na época chuvosa.

Nesta terça-feira, comentários em conversas de esquina, nos “chapa-100” e nas redes sociais, eram mesmo em torno da inauguração, sendo uns mais críticos e outros nem por isso.

Na ocasião, Vahanle disse que “o empreendimento irá dinamizar a circulação de pessoas e bens aqui na zona de Marrere, na cidade de Nampula. A circulação de viaturas, bens e munícipes destacando ambulâncias que levam doentes para o Hospital Geral de Marrere está a tornar-se cada vez mais melhor com a asfaltagem desta via. Queremos, ainda, garantir que, neste primeiro trimestre de 2022, vamos iniciar a construção da segunda fase da estrada, cujos processos estão bem encaminhados, significa que não nos falta quase nada, senão iniciarmos”.

Igualmente, o autarca não escondeu o seu desagrado com as transferências tardias de verbas por parte do governo central, mas diz que isso não o desmotivará. “Eles guardaram o fundo de investimento todo o ano, apenas trouxeram no mês Novembro, e nós já tínhamos arrancado”. Entretanto, “construir vias de acesso e melhorar serviços básicos que todos os munícipes possam beneficiar é e será, durante a nossa governação, a agenda de trabalho. É tendo em conta a este aspecto que foram construídas vias de acesso em 2021. Enquanto estivermos com vida, mostraremos como vale a nossa governação, promovendo mais projectos de construção das vias de acesso”.

Consta no plano de acção do município de Nampula a reabilitação e construção de outras vias de acesso, como a “Rua Filipe Samuel Magaia, mais conhecida por Rua das Flores, ligando a sede do partido FRELIMO na avenida Eduardo Mondlane, Rua Mártires de Mueda, a estrada que liga bairro de Mutauanha e Muatala, pavimentação da rua do antigo Matadouro municipal até a escola primária de Muatala, estrada da Mucuache, pavimentação da estrada que liga o posto de saúde de Namicopo a escola secundária Marcelino dos Santos. Abertura da estrada cabo Lourenço ligando com a estrada de Angoche, entre outros”.

“Como governo, temos vindo a realizar várias acções visando basicamente estimular o crescimento da nossa cidade, este é o nosso desafio. Hoje testemunhamos, com enorme satisfação, a entrega desta estrada, é o maior sonho tornado realidade, pois nenhum de nós imaginavam, muito menos a FRELIMO, porque para eles era um mostro de sete cabeças”, gabou-se o governante.

“O facto desta estrada de Marrere aglutinar vários beneficiários, responde a visão da nossa governação, a de aproximar cada vez mais às comunidades os serviços que podem reduzir o tempo gasto em transporte de um ponto para outro. Esta estrada concorre para transformar a zona de Marrere em uma zona referencial e um bairro moderno de padrão invejável e apetecível para morar e instalação de vários serviços. Por isso alegra-nos o facto de esta infra-estrutura termos concebido para aliviar o sofrimento dos munícipes, funcionários de várias instituições”, concluiu Paulo Vahanle. (Hermínio Raja e Redação)

Nampula: Munícipes recorrem a qualquer água para consumo humano

Nampula (IKWELI) – A crise de água potável na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, obrigado os moradores locais a recorrerem qualquer tipo de água para o consumo humano, incluindo águas provenientes do sistema de saneamento da urbe.

Actualmente, as principais fontes de captação de água para o consumo humano na cidade de Nampula estão a quem da sua capacidade. A barragem de Nampula, construída sobre o rio Monapo, tinha sido projectada, na altura, para um máximo de 200 mil pessoas, e nos dias que correm o maior centro urbano do norte de Moçambique está com mais de um milhão e quinhentos mil habitantes.

O Fundo do Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), entidade pública que gere o sistema, tem estado a procurar soluções para minimizar o problema, mas são soluções não robustas.

Em consequência, maior parte das zonas residenciais está desprovida de furos de água abertas através de um sistema mecanizado. Os únicos furos possíveis de encontrar em alguns quintais de particulares são tradicionais, e que não garantem a disponibilidade de água ao longo de todo o ano.

Aliás, as próprias autoridades governamentais não veem como prioridade, por exemplo, a instalação de pequenos sistemas de abastecimento de água na cidade de Nampula, daí ser notória a canalização para outros distritos todos os projectos virados à abertura de fontes de água. Uma observação similar foi feita há sensivelmente dois anos numa das sessões do Comité Operativo de Emergência (COE), pelo então Administrador do Distrito de Nampula, Alfredo Matata, actualmente no distrito de Lalaua, e que implorava a necessidade de se prestar maior atenção, também a cidade de Nampula, apesar de ter a sua disposição uma barragem.

Portanto, como alternativa para se aliviar da crise acentuada de água que assola a cidade de Nampula, desde princípio do segundo semestre do ano passado, os moradores quebraram os protocolos sanitários e buscam e consomem a água contida nos riachos, localmente existentes.

Importa referir que os rios que atravessam os bairros da cidade de Nampula apresentam um quadro higiénico deplorável. Aliás, as pessoas que vivem nas margens desses rios deitam todo tipo de lixo, incluindo excremento humano.

Exemplo disso é na Unidade Comunal Marien Nguabi, quarteirão 9 (ao lado da montanha – serra da mesa), bairro de Namutequeliua, posto administrativo municipal de Muhala, em que os citadinos recorrem a água do rio Mutomote, que atravessa a região, mesmo cientes que o líquido que passa quase em regime constante é esgoto.

Na verdade, as pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, fazem pequenos furos ao longo do leito do rio. Elas se contentam com o resultado que ali encontram.

“Graças a Deus este ano Mutomote ajudou-nos. Aqui sai muita e boa água como pode ver, a água daqui é muito doce”, disse Deolinda António, moradora ouvida pelo Ikweli.

“Na minha casa deixei de me preocupar nesses dias. Já deixei e comprar água nesses dias que entende sair nas torneiras. Quando põe na geleira fica ainda mais doce, até agora nem o meu marido descobriu que é água de Mutomote”, dizia uma senhora que não apuramos a sua identidade, quando se encontrava em conversa animada com as amigas.

Joaquim Henriques é chefe do quarteirão 9 na Unidade Comunal Marie Nguabi. Em conversa exclusiva ao Ikweli mostrou-se preocupado com a situação que se vive, de maneira continuada.  O maior receio do nosso entrevistado são prováveis consequências que a mesma água possa causar, tratando-se de uma cidade vulnerável às doenças de origem hídrica.

A fonte disse que, vezes sem conta, já avançou por acção de sensibilização para o bom tratamento da água, antes do consumo, mas que redundou num fracasso.  Nesse sentido, Joaquim Henriques insta as autoridades de saúde a se deslocarem para aquele ponto com vista a sensibilizar a população.

“Eu já controlei a água porque, afinal de contas, tenho aproximado as pessoas e elas alimentam aquela informação de que a água não mata ninguém, mas aquela dali, praticamente, não está boa. É água que vem do fundo do Mutomote e as pessoas aproveitam a mesma água e não é boa”, reconhece Joaquim Henriques.

“O meu receio é de que mais tarde, depois de começar a chover, pode vir rebentar problemas de cólera ou outras doenças. Pelo menos, toda esta zona a população bebe a água tirada nas extremidades de Mutomote, e nós não podemos proibir porque as pessoas não têm outra alternativa. Às vezes quando falo as senhoras limitam-se em rir, quando informo para aquecerem antes de beberem dizem que não há tempo para tal”, continuou a fonte.

Igualmente, Henriques pede às autoridades governamentais para abrir furos de água nos bairros, com vista a se reduzir a dependência pelo FIPAG, (Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água), entidade responsável pela distribuição do precioso líquido.

“Aos nossos dirigentes peço para que tirem parte do tempo deles e passem nas extremidades do rio Mutomote, porque é preciso eles verem pessoalmente como é que a população está e o tipo de água que está a tirar se é adequada para o consumo, talvez a partir daí o governo teria noção sobre a necessidade de se fazer alguma coisa viável para esse povo. Enquanto o governo não faz algo, sempre as coisas vão nos complicar, não só Mutomote, eles devem passar por vários sítios, acredito que se vive a mesma situação daqui”, frisou Henriques, para quem “é preciso que o governo faça um estudo para salvar o povo, estamos mal”.

E nem a chuva resolve o problema

A queda pluviométrica tem sido a esperança para os moradores de Nampula, mas a chuva que se faz sentir desde o dia 1 do corrente mês ainda não satisfez tal ensejo como tem sido habitualmente.

Por exemplo, nos bairros de Mutauanha, Murrapaniua, Muatala, Piloto e Napipine, respectivamente nos postos administrativos autárquicos de Muatala e Napipine, havia uma enorme esperança de que fosse possível acumular água das chuvas, mas a realidade é outra. E as famílias continuando percorrendo quilómetros e quilómetros a procura do precioso líquido.

“Nós estávamos à espera de uma melhoria no abastecimento de água para as nossas famílias, ao cair a chuva. É sabido que quando chove a água abunda nos rios que abastecem as nossas barragens e que, consequentemente, pode-se fazer a distribuição em tempo real para todas as zonas. Mas penso que sonhamos alto, desde Dezembro que a crise voltou a tomar conta de nós e nada de água suficiente para atender às nossas necessidades. Claro que choveu, mas nem todos têm meios de conservação dessa água das chuvas, estamos ainda a passar mal”, disse ao Ikweli a senhora Naira de Castro Tanleque, residente na unidade comunal de Piloto, bairro de Mutauanha.

Outro cidadão que mostrou a sua preocupação é Eleutério Luís. Este foi encontrado pelo Ikweli quando se fazia à zona de Murrapaniua em busca de água e conta que desde Dezembro do ano passado que acordam pela madrugada para procurar água, junto com a sua família vai passando de casa em casa a perguntar se sai água ou não.

De acordo com as suas palavras, com a queda de chuvas eles só aproveitam a água para lavar a loiça, roupa, entre outros, e não a finalidade de consumo, devido aos riscos de saúde quando esta água das chuvas não é bem tratada. Aliás, “desde que começou a queda, chove nas noites e é ainda arriscado acordar e sair fora sob riscos de ser apanhado por bandidos. Mas quando essa água é tratada pelo FIPAG e distribuída aos consumidores, nós temos o mínimo de confiança de que não nos fará mal a saúde”.

“Já começou a chover, ainda enfrentamos problemas sérios na falta de água, o que será de nós quando a chuva parar? Será que haverá possibilidade de abastecerem a água para a população? Eu duvido. Estamos a sofrer mesmo com chovendo, precisamos de água própria para o consumo e não esta das chuvas que não temos o domínio de como tratar. Assim corremos o risco de contrair doenças como a diarreia, cólera e mais outras”, acrescentou Glória Anastácia, residente no bairro de Murrapaniua, arredores da cidade de Nampula. (Constantino Henriques e Esmeraldo Boquisse)

Menor de 16 anos abusada sexualmente pelo padrasto na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Um individuo de 42 anos de idade, residente na unidade comunal Marien Nguabi, na cidade de Nampula, violou sexualmente a sua enteada de 16 anos de idade na manha do último domingo (2).

A vítima, cuja identidade omitimos, contactou a redação do Ikweli para denunciar o crime, e conta que vive com a sua mãe e o seu padrasto violador a um ano.

“Nos últimos dias do ano 2021, o meu padrasto sempre se aproveitava quando a minha mãe não estivesse em casa para me abusar”, conta a vítima, prosseguindo que “quando eu quisesse informar a minha mãe, o meu padrasto obrigava-me a manter silêncio, ameaçava-me de morte se eu falasse algo relacionado com ele”.

A menina explica ainda que é natural do distrito de Angoche, e “fiz a 7ª classe em 2018. Não estudo a três anos, devido a falta de condições”. O padrasto violador é pedreiro, e a mãe da vítima é doméstica.

Com esta denúncia, o Ikweli contactou a mãe da vítima, a qual mostrou-se preocupada com a atitude do seu marido. “Estou muito decepcionada, principalmente com o meu marido, porque confiava nele. Assim, não vejo o que fazer, e eu sou hóspede em Nampula, não tenho muita família para compartilhar este acontecimento e com tudo penso em afastar a minha família, que é a minha filha e o meu sobrinho de 19 anos dentro desta casa para a minha terra natal”, disse a mãe da vítima, comentando que “apesar de ser desempregada, tinha muitos planos, porque faço poupança com algumas vizinhas mais próximas para minimizar a crise económica, que era para matricular a minha filha”.

A senhora, visivelmente agastada, diz que já submeteu queixa numa subunidade policial para a responsabilização do seu marido pelo crime praticado.

Para o esclarecimento da responsabilização criminal, o Ikweli conversou com o jurista Oriente Pirai, o qual explica que “infractor cometeu um crime público, e qualquer um pode participar junto as autoridades”.

Pirai esclarece que o Código Penal, em vigor no país, estabelece uma moldura penal de até 8 anos de prisão para crimes do género. “A nossa tarefa, como cidadãos, é de vigilância e estende-se até as próprias vítimas, porque esses actos macabros tem antecedentes e começam com aliciamentos”. (Nelsa Momade)