Nampula: carapau salva sobrevivência de mulheres

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vendedoras de peixe na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – As mulheres da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, estão, cada vez mais, preocupadas com o seu emponderamento económico, e com efeito abraçam várias formas de produção para ganhar dinheiro.

Uma das formas encontradas é a venda de peixe frito, sobretudo o carapau que, nas primeiras horas do dia, mobiliza as mulheres para os principais pontos de venda do produto na autarquia para a aquisição ainda fresco.

Com este negócio, as mulheres que praticam a actividade adiantam que pouco ganham, comparativamente ao que gastam na compra do produto, mas ao menos conseguem suprir as necessidades básicas no seio familiar, desde a alimentação, o material escolar para os seus educandos, bem como satisfazer as suas necessidades, sobretudo, aquisição de vestuários, entre outros afazeres.

Janete Caetano é uma mãe residente no bairro de Namicopo, na cidade de Nampula. Ela é vendedeira de peixe frito no mercado de Namicopo, aliás, enquanto a sua filha leva o produto já pronto para o consumo no mercado de Carrupeia, a senhora Janete fica a vender no mercado da sua zona, como forma de tornar mais célere o seu trabalho de venda e no dia seguinte, e voltar às peixarias para adquirir nova mercadoria.

Vendedeira há mais de cinco anos, Janete diz ter ganhos maiores atendendo às suas necessidades, a contar para a matrícula escolar dos seus filhos e alimentação em casa. Porém, o esforço é maior quando se quer colocar uma certa necessidade como prioridade, por isso que vezes há em que o dinheiro de negócio acaba e recorre a empréstimos nas suas colegas para manter a actividades.

Igualmente, na Avenida do Trabalho, encontramos a cidadã Virgília Lone que para além de peixe fresco que compra e revende, também é vendedeira de farinha de mandioca seca, produto usado na receita de fritar o peixe que depois é vendido nos mercados formais e informais e em locais de venda e consumo de bebidas alcoólicas, com destaque para as de fabrico caseiro.

São cerca de oito anos no exercício desta actividade, e a dona Virgília adianta que é pouco o que ganha, mas dá para atender as necessidades dos filhos e as suas.

“Eu tenho de estar aqui na rua a partir das 6h, altura em que se regista a presença de pessoas que compram o peixe. Sempre tenho de me posicionar nas proximidades das peixarias de modo a facilitar os que procuram pela farinha de mandioca. Mas antes compro o peixe, guardo ao lado e quando a minha farinha acaba levo o peixe e volto à casa para outra parte do negócio”, contou a cidadã, que disse ser um desafio para a sua vida como mulher, mas que não mede esforços quando se trata de cuidar dos seus filhos e garantir o sustento na família, até porque o seu marido pouco consegue nos seus biscates.

Neste negócio, os homens também não ficam para atrás, eles concorrem em pé de igualdade com as mulheres nas fileiras das peixarias para comprar o carapau. Alguns deles ajudam as suas mães que não conseguem madrugar e aturar as longas filas, e fazem-no como forma de contribuir nos trabalhos de casa que ajudam a família.

Outro facto não menos importante, é a união dos compradores, eles contribuem no local para adquirir uma certa quantidade e depois repartem de igual para igual a cada contribuinte sem sobressaltos, e depois, cada um leva a sua parte e volta ao destino, um cenário que se verifica em todas as manhãs, excepto no primeiro dia da semana, Domingo. (Esmeraldo Boquisse)

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