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Nangade: população da aldeia Mandimba espanca cidadão portar catana

Nangade (IKWELI) – Um cidadão, de aparentemente 35 anos de idade, foi espancado e até contrair ferimentos na cabeça, que os levaram ao centro de saúde, por populares da aldeia Mandimba, distrito de Nangade, norte de Moçambique, pelo facto de a vítima ter sido interpelado na posse de uma catana.

Igualmente, segundo apuramos, a vítima, também, é uma pessoa desconhecida naquela aldeia que várias vezes foi vítima de ataques terroristas. Suspeitava-se que fosse um terrorista em mais uma actividade de reconhecimento.

Confirme apurou o correspondente do Ikweli, depois de questionado pela população, o cidadão alegou que era um militar afecto no distrito de Palma, mas pelas aparências, as suas declarações não foram aceites e logo foi espancado.

Mais tarde, segundo apurou o nosso correspondente, foi levado ao Comando Distrital da PRM de Nangade, para efeitos de investigação.

O espancamento ao cidadão, em Mandimba, aconteceu numa altura em que outras aldeias estavam sendo fustigadas por incursões terroristas, porém no sábado passado, além de registo de mortes, na aldeia Unidade, os terroristas queimaram várias palhotas da população, deixando muitas famílias sem abrigo. (Redação)

Famílias continuam a fugir dos terroristas em Nangade, Macomia e Meluco

Pemba (IKWELI) – Residentes dos distritos de Nangade, Macomia e Meluco, na província de Cabo Delgado, continuam a fugir dos ataques terroristas, mesmo diante das conquistas que as Forças Armadas de Defesa (FDS) e seus aliados tem vindo a lograr.

Esta situação, corresponde ao aumento da crise humanitária, num contexto de muita pompa das autoridades sobre a destruição das principais bases e captura de principais líderes terroristas e o controlo da situação de violência armada no centro e norte de Cabo Delgado.

Os esforços do governo e seus parceiros, para controlar a violência armada na nortenha província de Cabo Delgado, ainda não são capazes de conter o alargamento de focos de ataques nestes três distritos. Até porque para Macomia e Meluco, de acordo com dados apurados pela nossa reportagem, a violência armada, expandiu-se para novas zonas.

No caso concreto, no distrito de Meluco, nos últimos dias, foram atacadas as comunidades 1° de Maio, Pitolha, Mariria e Citati. Estas incursões aconteceram quase uma semana depois de ataque a Nangololo e Imbada, na mesma divisão administrativa.

No distrito de Macomia, a violência ocorreu na aldeia Nova Zambézia e aldeia Nkoe mais para o interior. Houve registos de mortes e palhotas queimadas.

Em Nangade, nas últimas duas semanas, a violência armada abrangeu, as comunidades de Nkonga, 5º Congresso, Unidade, 03 de Fevereiro e Litingina, só para citar.

Nestas comunidades, dos três territórios administrativos, segundo apurou a nossa reportagem, além de mortes, muitas famílias foram forçadas a abandonar as suas casas, machambas e outros bens, tendo alguns percorrido mais de 100 quilómetros a pé para os locais de consideraram seguros.

O Ikweli, sabe que as vilas de Macomia, Nangade, as cidades Pemba e Montepuez e em alguns centros de deslocados de Metuge e Ancuabe, (por exemplo Nanjua) são alguns dos locais onde as famílias deslocadas escolheram para começar de zero. (Redação)

Imundície toma conta do mercado do Waresta

Nampula (IKWELI) – A situação de higiene e saneamento do meio no mercado grossista do Waresta, o maior do norte de Moçambique, não é das melhores, facto que constitui um perigo para a saúde dos seus utentes.

Com início da época chuvosa, as condições de higiene no Waresta tornaram-se deploráveis, estando vários produtos a serem comercializados em condições inapropriadas, sendo que a maior são produtos frescos.

Esta situação preocupa os utentes, que em muitos casos compram o tomate, a cebola, as couves, a cenoura, a pimenta, entre outros, colocados por cima de lama que emite cheiro nauseabunda.

A reabilitação do mercado do Waresta foi uma das bandeiras de conquista do voto por parte do então cabeça-de-lista do partido Renamo, Paulo Vahanle, o qual após a sua eleição tentou requalificar o mercado, e ainda pavimentar as suas vias, mas tal não se concluiu o que tornou a situação ainda mais complexa.

Os vendedores dizem que não sabe para onde vai a taxa diária que pagam a edilidade. São 10,00Mt (dez meticais) por cada um deles, incluindo o Imposto Pessoal Autárquico, mas os resultados da aplicação dessas cobranças não se fazem sentir nos utentes do mercado.

“Nós vendemos assim mesmo com lixos, porque não temos como”, disse a vendedeira Admira Faustino, prosseguindo que “o município quando vem tirar lixo não tira todo, por isso que nós vendemos assim mesmo”, reconhecendo que “é muito complicado vender assim, porque pode provocar várias doenças aos nossos clientes. Eu consigo vender a maneira, visto que o local não é adequado para se vender alimento cozidos”.

Num outro desenvolvimento, esta vendedeira comenta: “nós pagamos a município uma taxa de 10,00Mt (Dez Meticais) por dia, alegando que as taxas de cobranças são para reabilitar e para remover o lixo aqui no mercado, mas nada vejo. Desde que comecei a vender neste mercado só vieram remover duas vezes, no ano passado. Única coisa que eu peço ao município é que venham remover esse lixo, porque nós pagamos as taxas”.

Elsa Mussa, outra vendedeira, mostra a sua insatisfação como utente daquele local, segundo ela porque os seus clientes andam a fugitivos por causa do mau cheiro que se faz sentir naquele local.

“Estou aqui há 1 ano, mas não me sinto bem a vender neste mercado com essas condições”, diz Elsa Mussa, porque “os nossos clientes fogem alegando que este local tem mão cheiro”.

“Desde que eu cheguei nesse mercado eles vieram remover apenas duas vezes, isso já faz tempo e só aconteceu no ano passado”, por isso, “eu peço que o município venha nos ajudar removendo esses resíduos sólidos neste mercado, pelo menos duas vezes por semana ou três vezes, para que os nossos produtos sejam bem vistos e tenhamos clientes”.

Os compradores, também, vêm-se sem escolha, por isso são obrigados a comprar produtos colocados em péssimas condições de higiene.

O mercado do Waresta é, também, referencia para viajantes que acorrem ao local para degustaram da comida confeccionada que ali se vende, e é o caso do senhor Avelino António.

“Não tenho como não comer nesse local, porque eu sou um viajante”, disse o senhor Avelino António, então “tenho que parar em algo lugar para me alimentar. Só que a melhor coisa que o município deve fazer é limpar este local e colocar pavês para evitar essas sujidades”, porque “se colocarem pavês os munícipes vão ter receio de atirarem lixos neste local”. “Este local, assim com essas condições, é um palco de várias doenças por causa das moscas e mosquitos que saem do lixo e vem directo nos pratos de comida. Espero que o município da cidade de Nampula venha fazer algo urgente a este local”.

“Nós comemos aqui, porque não podemos abandonar os nossos produtos nas nossas bancas”, conta um dos vendedores do mercado Waresta, também, “porque outros locais onde as condições são mínimas é muito distante do mercado”, tanto que “eu sei que comer nesse local, assim com essas condições, pode provocar-me várias doenças, mas não tenho como”.

Através do director de Comunicação e Imagem, Nelson Carvalho, o conselho autárquico da cidade de Nampula, está ciente do “fenómeno Waresta”, mas diz que há vontade e esforços estão em curso para ultrapassar o problema.

“Nós temos conhecimento do caso”, disse Nelson Carvalho, justificando que “o que fez com que o lixo ficasse acumulado naquele local é devido a avaria das nossas máquinas que recolhem os resíduos, e isso condicionou aquilo que é o processo de remoção de resíduos sólidos em todas lixeiras que existem na cidade de Nampula”. (Hermínio Raja)

Murrapaniua: lixo de 5 anos preocupa moradores

Nampula (IKWELI) – Os moradores do Quarteirão C, na Unidade Comunal Paulo Samuel Kankhomba, zona vulgarmente conhecida por Trim-Trim, bairro de Murrapaniua, na cidade de Nampula, mostram-se preocupados com a não remoção de resíduos sólidos naquela zona residencial, há cinco anos.

A última vez que os moradores daquele quarteirão beneficiaram dos serviços de saneamento do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, foi no período antes do assassinato bárbaro de Mahamudo Amurane, autarca que antecede a Paulo Vahanle, portanto, antes de 4 de Outubro de 2017.

De lá para cá, segundo consideram os moradores, a edilidade chefiada por Paulo Vahanle, transformou naqueles munícipes de seus enteados. Aliás, a falta de remoção de resíduos sólidos durante o período em referência, concorreu para a formação de uma montanha de lixo naquela zona residencial, situação que tira folego aos cidadãos, por temerem a eclosão de doenças, sobretudo de origem hídrica.

A moradora Joana afirma que “esse lixo está a fazer mal para nós que somos moradores daqui”.

“Nos anos anteriores aqui sempre havia lixo, mas nunca sentimos o que estamos a sentir hoje. Nos tempos sempre que enchesse o lixo o secretário ia lá no município e traziam camiões, e o lixo era tirado, isso até no mandato de Amurane”, continuou a contextualizar a fonte.

“A única vez que vieram aqui, puxaram o lixo da estrada e amontoaram aqui e fizeram esta montanha que está a ver. Isso não é montanha, é lixo que estava amontoado ali na estrada, e eles quando vieram puxaram dali para aqui logo foram embora e não voltaram mais. Por isso, desde que Paulo Vahanle entrou aqui não se tirou lixo, esqueceram que aqui, também, tem pessoas”, lamentou Joana Daniel.

Segundo acrescentou a fonte, “aqui no nosso bairro, comemos com moscas, dormimos com moscas, até as crianças comem com mosca, estamos muito mal. Estamos a pedir esse Vahanle para que sinta pena de nós, porque com essa chuva receamos a cólera, malária que não acaba e borbulhas. O muito é que essas nossas crianças aqui transformaram na praia delas, fazem tudo aqui. Nós estamos mal por isso pedimos socorro”, implorou aquela mãe.

Outro morador que falou ao Ikweli é João Zacarias que, também, lamenta a não remoção do lixo naquele ponto da cidade de Nampula. “De facto, onde vínhamos, há seis anos, quando estava o presidente Amurane, conseguia tirar o lixo, mas quando entrou esse senhor Vahanle é que não sei o que está a se passar. Um dia vinha aqui a máquina, mesmo naquele tempo que acaba serviço, por isso antes de fazer trabalho disseram que estava na hora e foram embora. Fizeram isso umas cinco vezes a voltarem sem fazer o trabalho”, contou o nosso interlocutor.

“De certeza, nós estamos a chorar. Ao Presidente do Conselho Municipal estamos a pedir para que venha aqui para, pelo menos, ver os pormenores desta lixeira. Isso é mais do que uma montanha. Nós nos sentimos abandonados, porque várias vezes mandamos cartas sobre o assunto, mas mesmo com isso não se fez algo”, disse João Zacarias.

“No ano passado foi achado aqui um fardamento policial, estavam aqui calças, camisa e algema, aquele problema foi resolvido. Portanto, o que nós esperamos aqui são muitas doenças. Neste momento, em todas casas está cheia de moscas, e sabemos que a mosca é o veículo principal de transmissão de doenças, ela vem e pousa neste lixo, depois daqui vai pousar na nossa comida e daí problemas de diarreia e outras doenças de origem hídrica, porque aqui ao lado existe, também, um reservatório de água”, disse Anselmo Gabriel Lucas, outro morador.

Outro receio de Anselmo Gabriel, é que “também, pode acontecer que a qualquer altura, possa se atirar aqui um feto, visto que há vários tipos de crimes, nós sabemos isso. Talvez depois de se reportar que aqui foi achado um feto é que pode aparecer aqui o conselho municipal”, frisou.

“Este lixo é a fonte principal de transmissão de doenças, e sabemos que neste nosso bairro não está urbanizado. Então, esperamos muitas doenças e muitas outras coisas”, referiu, acrescentando que “aqui às 22 horas existe um grupo de indivíduos que usa como uma fonte de criminalidade. Por isso, pedir o conselho municipal no sentido de criar condições de tirar este lixo, e a partir daí tomar algumas medidas, de tal forma que, se o local não está no mapa do conselho municipal, para nos comunicar onde é que podemos depositar o nosso lixo”.

Jaime Cristóvão, chefe da unidade Paulo Samuel Kankhomba, disse ao Ikweli, que o problema é do conhecimento das autoridades municipais de Nampula, porque por quatro vezes reportou aquele velho problema.

“Esse lixo, para mim é uma doença porque tenho quatro cartas que remeti ao Conselho Municipal falando sobre este lixo. Dizer que no ano antepassado vieram aqui os homens do Conselho Municipal e removeram apenas aquela parte. Isto é uma doença, porque os munícipes passam mal. Às vezes deitam cães mortos aqui e o cheiro vai nas casas dos munícipes, por isso aconselharia ao conselho municipal a vir remover esse lixo aqui”, precisou Jaime Cristóvão, chefe daquela unidade habitacional.

O que diz a edilidade?

Para Nelson Carvalho, director do departamento de Comunicação e Imagem no Conselho Municipal da Cidade de Nampula, não constitui verdade que o lixo tenha um tempo de cinco anos sem ser removido, porque, segundo seus argumentos, a quando da vitória da Renamo para o comando da autarquia, houve uma campanha cerrada de remoção de resíduos sólidos em todos pontos da urbe.

“Nós quando entramos neste município existiam montes de lixo em quase todos os bairros desta urbe. Felizmente, avançamos com várias campanhas de remoção de lixo e temos a certeza que todo aquele lixo que existia em todos bairros da cidade de Nampula foi removido, não obstante existirem locais que pode haver difícil acesso, mesmo assim, temos motocontentores que são alocados para remover o lixo nesses locais de difícil acesso. Portanto, não quero desmentir nem acreditar de que aquele lixo que se refere está lá há cinco anos”, disse Nelson Carvalho.

Apesar disso, o Director do Departamento de Comunicação e Imagem garante, mesmo sem avançar datas, que uma equipa será escalada para averiguar a situação que inquieta aos munícipes.

“Os camiões já estão a operar e há um plano que a EMUSANA (Empresa Municipal de Saneamento de Nampula) desenhou para remover aquilo que é resíduo sólido. Em relação ao lixo de que se referiu, precisamos que nos façamos a esse local para vermos quais são as condições que existem para a remoção desses resíduos sólidos”, disse a fonte, para quem “também, é necessário que os nossos munícipes tenham formas de como depositar o lixo. Se reparar, nós temos contentores em vários locais, mas os munícipes depositam o lixo no chão. Então, é fundamental que os munícipes nos ajudem nesse processo, que saibam que a situação de higiene não é somente da responsabilidade do conselho municipal, é de todos nós. Se não tratarmos o lixo, as doenças não vão aparecer somente para o Conselho Municipal, vão aparecer para todos nós”, concluiu Nelson Carvalho. (Constantino Henriques)

Nangade: terroristas matam um casal na aldeia Unidade

Nangade (IKWELI) – Um casal foi decapitado no dia 12 de Janeiro corrente por terrorista, na aldeia Unidade, também conhecida por Luneke, em Nangade, província de Cabo delgado.

Nosso Correspondente local, refere que as vítimas foram atacadas pelos terroristas quando ao meio-dia surpreenderam populares daquela comunidade.

“Não conseguiram fugir e daí não havia como, foram capturados e mortos”, disse uma fonte entrevistada pelo correspondente do Ikweli.

Ainda está semana, o Ikweli reportou que aquele distrito do norte de Cabo Delgado tem registado nos últimos dias focos de insegurança devido a movimentação dos terroristas, não obstante a sua perseguição pelas forças conjuntas moçambicanas, da SADC e locais (compostos por antigos combatentes).

Por outro lado, o correspondente refere que mais três mulheres que estavam sob custódia dos terroristas foram resgatadas pelas forças locais na mesma aldeia de Unidade. Dentre elas, uma mãe com sua criança, são de um dos distritos da província de Niassa e as outras duas são de Nampula. Ambas seus maridos tombaram em combates com as forças pró-governamentais. (Redação)

Nampula: adolescentes detidos pela PRM indicam membros da corporação como comparsas

Nampula (IKWELI) – Alguns agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, voltam a ser acusados de exigirem benefícios em casos de furto e/ou roubo, quando identificam os autores, violando assim os princípios éticos e morais que norteiam a corporação.

Os agentes da Polícia da República de Moçambique são exigidos, de maneira constante, a serem modelos de honestidade, incentivando o combate a corrupção que continua a criar feridas à nação moçambicana, evitando se compactuar com os actos de corrupção, combater actos de que tendem a perturbar a ordem e segurança públicas, entre outras exigências.

Estes apelos são, veementemente, lembrados pelas chefias da Polícia, desde o Comandante-Chefe, Comandante-Geral e Ministra do Interior.

Um grupo de adolescente e jovens que, na cidade de Pemba (em Cabo Delgado), roubou valores monetários avaliados em cerca de 600.000.00,00Mt (seiscentos mil meticais) escolheu a vila de Namapa, no distrito de Eráti (província de Nampula), para gastar este produto do crime.

Desconfiado, um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) aproximou-se do grupo, cujos membros são da idade compreendida entre 16 e 19 anos, e apercebendo-se que estava em gasto dinheiro proveniente do crime, este exigiu a sua parte, e garantiu alguma protecção ao grupo. Este grupo é constituído por 4 elementos, mas apenas 3 foram recolhidos para as celas da polícia.

Segundo contam os indiciados, o agente da Polícia exigiu que fosse pago para que não os encaminhasse a uma esquadra, e isso terá o rendido, pelo menos, 5.000,00Mt (cinco mil meticais).

“Dali mesmo, veio um polícia e disse:  vocês putos estão a sair aonde? Eu disse estamos a sair da cidade”, disse um dos indiciados, continuando a contar a conversa com o agente da Lei e Ordem que os perguntou: “Então ali na cidade vendem o quê? Eu disse não vendo nada. Então disse, refresco, e nó tiramos 5.000,00Mt e demos aquele polícia e foi embora. Depois ligou e disse, putos não podem demorar aí, é melhor saírem agora porque há-de vir mais outros policias aí, logo chegaram full de polícias ali e começaram a nos perguntar…, logo saímos até na esquadra e dormimos ali mesmo e hoje (13 de Janeiro) chegamos aqui em Nampula”.

Para além de motorizadas e vestuários, os jovens compraram, também, telemóveis. Entretanto, o que mais lhes espantou, é que no tempo da sua apresentação a imprensa, feita na 1a Esquadra da PRM na cidade de Nampula, um telemóvel adquirido a dez mil meticais (10.000,00MT), também foi desviado por alguém da corporação.

“Outra coisa é que aquele comprou este telefone aqui. Eu, também, comprei outro de dez mil, mas aqui não tem, levaram lá mesmo em Namapa, tem um polícia aí”, disse o adolescente.

“Chegamos no armazém, e disse amigos vamos comprar motas. Eu comprei minha mota por 42.000,00MT, esse meu amigo comprou 32.000,00MT, aquele amigo comprou 60.000,00MT. Depois vieram dois policias e falaram que vocês putos compraram essa mota, o dinheiro dele apanharam aonde (em tom ameaçador) e eu falei que esse dinheiro roubei no meu boss, trabalho no indiano”, disse outro jovens, acrescentando que “esse polícia perguntou, então vão nos dar quanto, e disse não sei, fala você. Ele disse, tira refresco, e tiramos 5.000,00MT, eu com aquele meu amigo e entregamos depois trocamos de contactos e disse para lhe ligarmos para aproveitar passar no controle. Depois de cinco minutos ligou e disse, puto sair aí porque estão a vir outros polícias”.

Para aquele indiciado, também faltava o telemóvel do amigo. “Sim, falta um telefone ali. Aquele mais aquele outro telefone são meus, mas o telefone desse meu amigo não tem aqui. Os próprios chefes aí é que levaram, porque mesmo esse dinheiro contavam e escreviam no caderno com esses telefones. O próprio dinheiro, também, é pouco, não chega esse”, alegou.

Em defesa dos seus companheiros, Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, refutou as alegações dos jovens. “Segundo o trabalho que estamos a fazer, acreditamos que seja uma informação para tentar despistar aquele que foi o trabalho realizado pela PRM. Esses indivíduos foram neutralizados graças ao trabalho que a PRM fez, fazendo menção que logo que se aperceberam da presença policial puseram-se em fuga e, se estão sob nossa custódia, quer dizer que nenhuma dessas acções que eles imputam aqui tenha acontecido, daí que são informações infundadas vindas desses indivíduos, são delinquentes, e, provavelmente queiram sair daqui com alguma inocência, nesse caso, mas os bens aqui presentes falam por si e a PRM irá encaminhar o processo deles para que sejam responsabilizados pelo facto criminal”, precisou a fonte.

Refira-se a PRM conseguiu recuperar trezentos mil meticais (300.000,00MT), e o respectivo proprietário foi localizado. (Constantino Henriques)

UniLúrio: Docentes ameaçam boicotar o início das aulas

Nampula (IKWELI) – Perto de 70 docentes a tempo parcial, e outros a tempo integral, da Universidade Lúrio (UniLúrio), em Nampula, ameaçam boicotar o início das aulas no ano académico que inicia a 17 de Janeiro corrente, em consequência do não pagamento dos seus ordenados referentes aos anos 2020 e 2021.

Segundo apurou o Ikweli, a UniLúrio deve aos docentes, pelo menos, o global de 7.624.772,89Mt (sete milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, setecentos e setenta e dois meticais e oitenta e nove centavos).

A Faculdade de Ciências de Saúde é a mais afectada, estando com, pelo menos, 36 docentes nessa situação, o que pode comprometer o início das actividades lectivas, porque muitos deles garantem não exercer as suas actividades enquanto não forem pagos.

Nesta faculdade de Ciências de Saúde os afectados são, maioritariamente, os que fazem o acompanhamento dos estudantes estagiários no Hospital Central de Nampula.

Igualmente, há o caso de docentes das Faculdades de Engenharia, Ciências Naturais, Ciências Sociais e Humanas e Arquitectura e Planeamento Físico.

A nossa reportagem recebeu as primeiras denúncias deste caso em finais de Outubro de 2020, e uma investigação levada a cabo constatou que tratasse de uma verdade o não pagamento dos ordenados.

Na mesma investigação, apuramos que com a vinda da actual reitora, Leda Florinda Hugo, muitos actos administrativos deixaram de ser realizados na UniLúrio, sobretudo no que se refere a promoção e progressão na carreira por parte do pessoal docente.

Igualmente, apuramos que uma anarquia instalou-se naquela instituição pública de ensino superior, tendo como maior exequente o director de Recursos Humanos, Amir Jamal Abdala Afai, o qual é tido como um “paraquedista” na instituição depois que teve mobilidade a partir da delegação do Instituto do Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ) de Nampula.

Este director, segundo consta, tem vindo a prestar serviços que prejudicam o quadro do pessoal, bem como concorrem para a violação do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado em vigor no país.

Nossas fontes na reitoria da UniLúrio contam que, caraterizando o director de Recursos Humanos, “o dr. Amir Afai foi testa de ferro do reitor Noa, cúmplice pelos graves atropelos de actos administrativo pelo seu carácter de lambebotismo fora de comum. Depois seguiram-se um conjunto de actos administrativos fraudulentos que ele atribuiu a pessoas próximas ao prof. Noa, iniciando pela sua secretária (actual Directora do Gabinete de Cooperação e Relações Publicas), directores centrais como do gabinete jurídico, direcção dos serviços sociais, planificação, alguns técnicos de sua Direcção tidos como cúmplices, sendo que a estes ele atribuiu títulos de assistentes estagiários sem no entanto submeterem-se a um concurso público como rege a lei, usando para tal a figura de “conversão na carreira”.

Estas fontes consideram que a nova reitora “tinha tudo para dar certo, um ano depois da tomada de posse nada fez para resgatar a dignidade daquela jovem Universidade, e no lugar de atacar os problemas já identificados e herdados do professor Noa, antes pelo contrário agudizou os problemas retirando a pouco dignidade que restava à UniLúrio”, tanto que “para o espanto de todos no lugar de tomar medidas enérgicas que visassem resgatar e galvanizar o bom nome da UniLúrio, substituindo de imediato as pessoas mencionadas no relatório de cometimento de irregularidades graves, ela brindou a estas figuras com renovação de mandato e outros promovidos ou nomeados aos cargos de Director de serviços centrais”.

Por outro lado, consta das denúncias que nos chegaram que vários docentes têm vindo a solicitar mobilidade para outras instituições, mas a reitoria não tem dado parecer favorável.

O Ikweli está na posse de vários documentos e correspondências, incluindo um relatório de auditoria da Inspecção Geral das Finanças, que destapam o ambiente turvo que se vive na Universidade Lúrio. (Aunício da Silva)

Nangade: descobertos três corpos decapitados

Nangade (IKWELI) – Depois de uma ligeira calmia, sobretudo durante as duas últimas semanas do mês de dezembro passado, a situação de segurança no distrito de Nangade, voltou a deteriorar-se nos últimos dias e mais uma vez a vida dos civis ficou posta em causa.

É que, de acordo com os correspondentes do nosso jornal em Cabo Delgado, três corpos foram encontrados no sábado passado, nas machambas da aldeia Nkonga e Chindolo que, recentemente, foram atacadas por grupos terroristas.

As três vítimas foram encontradas sem vida, depois de decapitadas, e seus corpos abandonados nas machambas daqueles povoados. A sua descoberta foi feita por familiares, que decidiram procurar, quando sentiram a falta das vítimas, uma vez cada um fugiu para onde achou melhor se esconder depois de que se aperceberam presença dos terroristas.

Refira-se que Lijungo é outra aldeia onde os terroristas atacaram e queimaram várias palhotas da população. Aliás, a movimentação de terroristas, também, forçou a movimentação para a sede do distrito, as comunidades de Quinto Congresso, Lijungo e Litingina, deixando as aldeias quase totalmente despovoadas.

Por outro lado, 14 mulheres que durante vários dias estiveram sob custódia dos terroristas, entregaram-se na sexta-feira (7) à Polícia da República de Moçambique em Nangade-sede, estando nas mãos das autoridades até esta segunda-feira.

As mulheres são, na sua maioria, moçambicanas. Cinco delas estão com crianças pequenas, que resultam de gravidezes que tiveram nas matas, uma vez que eram esposas dos terroristas ou de outros reféns. (Redação)

Nangade: militar que queria intimidar a namorada faz disparos descontrolados e provoca pânico na sede do distrito

Nangade (IKWELI) – Um militar moçambicano afecto no distrito nortenho de Nangade, na província de Cabo Delgado, disparou descontroladamente, alegadamente de forma intencional, na noite de 10 de Janeiro corrente, deixando em pânico a população local.

O militar efectuou os disparos no bairro Ntanga, concretamente na zona das 50 casas, maioritariamente habitada por deficientes de guerra dos dez anos.

Em causa, segundo referiu o correspondente do Ikweli, o militar brigou com a sua namorada e para tirar a sua fúria e intimidar a parceira decidiu disparar de forma descontrolada para o ar naquela noite.

Os disparos aconteceram numa altura em que a vila estava a receber deslocados das aldeias de Litingina, Nkonga e Lijungo, por exemplo, onde a poucos dias tinham sido atacados por terroristas, daí a razão de profunda preocupação da população.

Quem, também, ficou preocupado, foi a equipa de militares que estava em patrulhamento nocturno naquele dia, que ao se aperceber da situação que lançou alerta, e chegou no local, e depois tratou de punir o seu colega desde o local dos disparos e mais tarde foi levado ao quartel. (Redação *Imagem ilustrativa de militares patrulhando em Cabo Delgado)

Erosão ao longo dos rios Muatala e Muhala ameaça engolir residências

Nampula (IKWELI) – A erosão ao longo do rio Muatala, na cidade de Nampula, constitui um perigo para residências construídas próximo aquele curso de água urbano, que a qualquer momento podem ruir.

Os moradores andam preocupados com a situação, e acusam outros moradores que se dedicam a extração de areia para construção civil naquele recurso natural como estando a precipitar a erosão.

Esta prática tem anos, e ganha maior dimensão quando as chuvas começam a se registar no maior centro urbano do norte de Moçambique.

Adolescentes e jovens, incluindo crianças e idosas, são os principais exploradores de areia arrastada pelas águas para o rio Muatala.

Anita Issa, moradora naquela circunscrição, conta que “quando me mudei para este bairro, desde 2005 as coisas não eram assim”, mas “desde que essas pessoas começaram a tirar esta areia aqui no rio, as covas começaram a aumentar cada vez mais, e isso me deixa muito preocupada porque minha casa esta perto deste rio, como o senhor vê”.

Esta fonte acrescenta que “essas pessoas que vêm tirar esta areia nesse rio, não são deste bairro, são pessoas que saem de um outro bairro e vem aqui tirarem esta areia. Eu acho que eles não entendem e não sabem qual é o risco, que cometem quando tiram esta areia”.

O senhor Issufo João é um outro morador que vive nas bermas do rio Muatala, e diz que já tentou conversar, por várias vezes, com as pessoas que vem extrair areia naquele local de modo a entenderem qual é o risco que estão a cometer, para aquele sítio, mas quase nada mudou.

“Eu já tentei conversar com eles várias vezes, só que não ouvem porque não entendem qual é o perigo, ou seja, o risco que eles estão a cometer para este local”, disse a fonte, prevendo que “a única solução para este local é só o município vir colocar uma vala de drenagem, para evitar que haja este fenómeno que esta a perigar a nossa vida”.

Issufo João, visivelmente agastado, evidenciou que “isso que estão a fazer já é demais, veja só as casas onde estão! Antes não havia esse assunto de tirarem areia neste rio, e as casas não corriam muito risco de desabar, mas também não só a retirada de areia, as chuvas também contribuem para o fenómeno, sem intervenção do município este local, daqui a 2 anos haverá famílias que ficarão desalojadas por causa desta prática de extração de areias, pior com essas chuvas ininterruptas que se fazem sentir nos últimos dias”.

Enquanto outras pessoas vem a extracção de areia de uma forma negativa, a quem vem a mesma prática como uma forma de sobreviver, a exemplo da senhora Maiassa Alberto, que também tira e vende a mesma areia do rio Muatala.

“Eu sei que o que estou a fazer não é uma boa coisa, mas não tenho como meu filho”, disse a dona Maiassa, prosseguindo que “nesse tempo de chuvas estou a aproveitar a mesma areia que estou a tirar deste rio para vender para sustentar a mim e a minha família lá casa”, reconheceu a dona Maiassa.

Segundo ela, “por dia eu consigo tirar 20 a 40 baldes de areia, e o dia que eu consigo tirar 40 baldes e vender todas elas, já consigo arrecadar um valor de cerca de 200,00Mt (duzentos meticais) porque cada balde custa 5,00Mt (cinco meticais). Isso me ajuda muito”.

Por seu turno, Argentino Paulo, de 8 anos de idade, encontramo-lo com balde e pá na mão, no meio de chuviscos, usa toda sua forca para ter maior quantidade de areia possível, e afirma que “estou a tirar esta areia para ajudar com as despesas de casa”, prosseguindo que “também, levo o mesmo valor, para comprar algumas minhas roupas e chinelos. Por dia, eu posso conseguir 30 baldes de areia, porque também não estou a trabalho sozinho, estou com meu irmão”.

Porém, Argentino Paulo, que concluiu a 4ª classe no ano passado, reconhece que está a por em risco a vida de outras pessoas, mas justifica-se da pobreza para extrair a areia. “Eu estudo e fiz a 4ª classe, e meu professor fala muito sobre erosão na disciplina de Ciências Naturais, mas a minha mãe me pede para eu vir aqui com meu irmão tirar essa areia, porque também quero aproveitar o mesmo valor para comprar cadernos para mim nesse ano para eu ir à escola”, concluiu o menino.

Enquanto isso em Muhala….

Os moradores que vivem ao longo do rio Muhala, também, na cidade de Nampula, exigem como solução, definitiva, a construção de uma vala de drenagem sobre aquele curso de água, de forma a travar a erosão que se regista.

 

“Este rio já destruiu casas em 2015, e além disso causou vítimas mortais e pode causar doenças nas crianças, quando elas brincam nas águas”, disse Gil António residente e secretário de uma das unidades comunais atravessadas pelo rio Muhala, defendendo que “se haver uma drenagem, aí a água tem seu rumo”.

Esta fonte disse que vários contactos têm sido feitos junto da edilidade no sentido de que a solução, sugerida pelos moradores, seja efectivada, mas em vão. Ainda não há resposta para os vários pedidos neste sentido. “Não temos uma ajuda por parte das autoridades, e isso nos preocupa muito e não reportamos ocorrências dos factos que ocorrem aqui, porque não muda nada”.

Pedro Afonso, apenas, limita-se em pedir ajuda para que o problema seja ultrapassado. “Estou a pedir ajuda ao governo e ao município para colocar vala de drenagem nesta zona, passamos mal quando chove assim”.

A jovem Jéssica Samuel conta que “em tempos de aulas, muita das vezes que chove não tenho ânimo em ir à escola, porque não tenho como atravessar o rio. A água enche, principalmente neste tempo chuvoso, e ficaria feliz se tivéssemos uma vala de drenagem, isso não afecta a mim só”.

O que diz a edilidade?

Nelson Carvalho, Director de Comunicação e Imagem no Conselho Municipal da cidade de Nampula, disse que a edilidade tem em manga um plano para valas de drenagem em todos os bairros.

“Em relação a valas de drenagem, nós temos o projecto de construir valas de drenagem em todos os bairros”, disse esta fonte autárquica, avançando que enquanto isso não acontece, “há zonas que os munícipes vão retirando as pedras e isso é uma preocupação, dai que gostaríamos que os munícipes respeitassem essas infra-estruturas existentes, porque vandalizando, também estão a destruir um património e um projecto que dá beleza da nossa cidade”. (Hermínio Raja e Nelsa Momade)