Erosão ao longo dos rios Muatala e Muhala ameaça engolir residências

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Nampula (IKWELI) – A erosão ao longo do rio Muatala, na cidade de Nampula, constitui um perigo para residências construídas próximo aquele curso de água urbano, que a qualquer momento podem ruir.

Os moradores andam preocupados com a situação, e acusam outros moradores que se dedicam a extração de areia para construção civil naquele recurso natural como estando a precipitar a erosão.

Esta prática tem anos, e ganha maior dimensão quando as chuvas começam a se registar no maior centro urbano do norte de Moçambique.

Adolescentes e jovens, incluindo crianças e idosas, são os principais exploradores de areia arrastada pelas águas para o rio Muatala.

Anita Issa, moradora naquela circunscrição, conta que “quando me mudei para este bairro, desde 2005 as coisas não eram assim”, mas “desde que essas pessoas começaram a tirar esta areia aqui no rio, as covas começaram a aumentar cada vez mais, e isso me deixa muito preocupada porque minha casa esta perto deste rio, como o senhor vê”.

Esta fonte acrescenta que “essas pessoas que vêm tirar esta areia nesse rio, não são deste bairro, são pessoas que saem de um outro bairro e vem aqui tirarem esta areia. Eu acho que eles não entendem e não sabem qual é o risco, que cometem quando tiram esta areia”.

O senhor Issufo João é um outro morador que vive nas bermas do rio Muatala, e diz que já tentou conversar, por várias vezes, com as pessoas que vem extrair areia naquele local de modo a entenderem qual é o risco que estão a cometer, para aquele sítio, mas quase nada mudou.

“Eu já tentei conversar com eles várias vezes, só que não ouvem porque não entendem qual é o perigo, ou seja, o risco que eles estão a cometer para este local”, disse a fonte, prevendo que “a única solução para este local é só o município vir colocar uma vala de drenagem, para evitar que haja este fenómeno que esta a perigar a nossa vida”.

Issufo João, visivelmente agastado, evidenciou que “isso que estão a fazer já é demais, veja só as casas onde estão! Antes não havia esse assunto de tirarem areia neste rio, e as casas não corriam muito risco de desabar, mas também não só a retirada de areia, as chuvas também contribuem para o fenómeno, sem intervenção do município este local, daqui a 2 anos haverá famílias que ficarão desalojadas por causa desta prática de extração de areias, pior com essas chuvas ininterruptas que se fazem sentir nos últimos dias”.

Enquanto outras pessoas vem a extracção de areia de uma forma negativa, a quem vem a mesma prática como uma forma de sobreviver, a exemplo da senhora Maiassa Alberto, que também tira e vende a mesma areia do rio Muatala.

“Eu sei que o que estou a fazer não é uma boa coisa, mas não tenho como meu filho”, disse a dona Maiassa, prosseguindo que “nesse tempo de chuvas estou a aproveitar a mesma areia que estou a tirar deste rio para vender para sustentar a mim e a minha família lá casa”, reconheceu a dona Maiassa.

Segundo ela, “por dia eu consigo tirar 20 a 40 baldes de areia, e o dia que eu consigo tirar 40 baldes e vender todas elas, já consigo arrecadar um valor de cerca de 200,00Mt (duzentos meticais) porque cada balde custa 5,00Mt (cinco meticais). Isso me ajuda muito”.

Por seu turno, Argentino Paulo, de 8 anos de idade, encontramo-lo com balde e pá na mão, no meio de chuviscos, usa toda sua forca para ter maior quantidade de areia possível, e afirma que “estou a tirar esta areia para ajudar com as despesas de casa”, prosseguindo que “também, levo o mesmo valor, para comprar algumas minhas roupas e chinelos. Por dia, eu posso conseguir 30 baldes de areia, porque também não estou a trabalho sozinho, estou com meu irmão”.

Porém, Argentino Paulo, que concluiu a 4ª classe no ano passado, reconhece que está a por em risco a vida de outras pessoas, mas justifica-se da pobreza para extrair a areia. “Eu estudo e fiz a 4ª classe, e meu professor fala muito sobre erosão na disciplina de Ciências Naturais, mas a minha mãe me pede para eu vir aqui com meu irmão tirar essa areia, porque também quero aproveitar o mesmo valor para comprar cadernos para mim nesse ano para eu ir à escola”, concluiu o menino.

Enquanto isso em Muhala….

Os moradores que vivem ao longo do rio Muhala, também, na cidade de Nampula, exigem como solução, definitiva, a construção de uma vala de drenagem sobre aquele curso de água, de forma a travar a erosão que se regista.

 

“Este rio já destruiu casas em 2015, e além disso causou vítimas mortais e pode causar doenças nas crianças, quando elas brincam nas águas”, disse Gil António residente e secretário de uma das unidades comunais atravessadas pelo rio Muhala, defendendo que “se haver uma drenagem, aí a água tem seu rumo”.

Esta fonte disse que vários contactos têm sido feitos junto da edilidade no sentido de que a solução, sugerida pelos moradores, seja efectivada, mas em vão. Ainda não há resposta para os vários pedidos neste sentido. “Não temos uma ajuda por parte das autoridades, e isso nos preocupa muito e não reportamos ocorrências dos factos que ocorrem aqui, porque não muda nada”.

Pedro Afonso, apenas, limita-se em pedir ajuda para que o problema seja ultrapassado. “Estou a pedir ajuda ao governo e ao município para colocar vala de drenagem nesta zona, passamos mal quando chove assim”.

A jovem Jéssica Samuel conta que “em tempos de aulas, muita das vezes que chove não tenho ânimo em ir à escola, porque não tenho como atravessar o rio. A água enche, principalmente neste tempo chuvoso, e ficaria feliz se tivéssemos uma vala de drenagem, isso não afecta a mim só”.

O que diz a edilidade?

Nelson Carvalho, Director de Comunicação e Imagem no Conselho Municipal da cidade de Nampula, disse que a edilidade tem em manga um plano para valas de drenagem em todos os bairros.

“Em relação a valas de drenagem, nós temos o projecto de construir valas de drenagem em todos os bairros”, disse esta fonte autárquica, avançando que enquanto isso não acontece, “há zonas que os munícipes vão retirando as pedras e isso é uma preocupação, dai que gostaríamos que os munícipes respeitassem essas infra-estruturas existentes, porque vandalizando, também estão a destruir um património e um projecto que dá beleza da nossa cidade”. (Hermínio Raja e Nelsa Momade)

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