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Ilha de Moçambique: há risco de extinção de casas de macuti

Ilha de Moçambique (IKWELI) – O director da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Lúrio (UniLúrio), Bernardo Xavier, adianta a possibilidade de nos próximos tempos se extinguir as casas de Macuti que se pretende preservar como património cultural, na Ilha de Moçambique, no norte do país.

A Ilha de Moçambique acolheu durante a semana passada a 2ª Edição das “Oficinas Muhipiti”, e foi no balanço dos acontecimentos entre esta e a 1ª Edição que o arquitecto Xavier fez estas considerações, lamentando que estas casas fazem parte do património que se pretende preservar.

“Pode ser possível. Eu tenho uma experiência. As oficinas de 2017 foram um aprendizado para mim, porque antes eu olhava para alteração e criticava. Mas existe uma razão para a alteração. Por exemplo, lembro que um dos pais de uma casa que fomos visitar disse, ‘nós estamos a ser ditos para preservar o Macuti, mas os que nos dizem não vivem nas casas de Macuti’. Até fomos convidados para entrar no interior da casa para vermos as condições”, precisou o académico, quando questionado pela Imprensa sobre a hipótese da extinção das casas de Macuti, no distrito da Ilha de Moçambique.

Portanto, o director da Faculdade de Arquitectura aponta a criação de certas políticas que convençam a população a preservar aquilo que se pretende manter. Ademais, resta é saber como preservar numa altura em que tende a crescer o nível de desenvolvimento sócio-económico das famílias que residem naquelas casas.

“Como preservar olhando para o número da população que existe?”, pergunta o nosso entrevistando, comentando que “suponhamos que existem 500 famílias, as 500 vão manter com o Macuti. De dois, três ou quatro anos devem fazer a manutenção, mas aonde vão buscar o Macuti. Se calhar antes não existia tanto material convencional e as chapas, por exemplo, eram muito caras e hoje o Macuti tende a extinguir. Então é possível preservar. Mas a questão é como manter”.

A 2ª edição das “Oficinas Muhipiti” teve o seu encerramento no último sábado (29 de Janeiro), e Bernardo Xavier considerou que “estamos na fase muito específica, olhando para a valorização das características dos edifícios e preservar aquilo que existe”, tanto que “estão lá os edifícios com características específicas que resultam do cruzamento de vários povos e hoje temos os descendentes. Por isso temos o trabalho contínuo de começar a analisar e trazer as propostas, entre outros aspectos. Depois de analisarmos, a partir deste levantamento, é possível divulgar os resultados e as recomendações”.

Todavia, o director e arquitecto Bernardo Xavier adianta que, se possível, os estudos da faculdade que dirige poderão ajudar para que as alterações que são feitas hoje nos edifícios da Ilha de Moçambique sejam feitas com precaução, e que se calhar a região poderá se conhecer outro contexto de turismo naquela que é chamada a primeira capital moçambicana e o património cultural da humanidade há cerca de três décadas pela UNESCO. (Esmeraldo Boquisse)

“Não podemos ter deslocados de maneira permanente, muitos anos, não” – defende o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário

Nampula (IKWELI) – O Primeiro-Ministro (PM) de Moçambique, Carlos Agostinho do Rosário, considera ser demasiado longo o período em que as famílias deslocadas internas, vítimas do terrorismo na província de Cabo Delgado, recebem a assistência humanitária, sobretudo por parte do governo.

Durante a semana passada, Carlos Agostinho do Rosário trabalhou na província de Nampula, onde fez o acompanhamento da situação pós-depressão tropical ANA, e foi na ocasião que fez estes pronunciamentos.

Era expectável que o PM visitasse alguns deslocados, mas “não fomos a tempo de vermos os deslocados”, tanto que “essa filosofia de deslocados, também, temos que atacá-la bem”.

Segundo o governante, “não podemos ter deslocados de maneira permanente, muitos anos, não. O deslocado é um período muito curto, a partir do qual as pessoas têm que produzir comida para comer, tem que produzir”.

“Produzir, depois os que puderem regressar regressam, os que ficam lá para de vez que fiquem, mas de uma maneira mais organizada e produzirem para elas. Essa política de deslocados receber do INGD (Instituto Nacional de Gestão e Redução do Riscos de Desastres), não é boa coisa, não é boa coisa”, reiterou o governante.

Enquanto, na cidade de Nampula, o PM fazia estes pronunciamentos, há famílias, no centro de reassentamento de Corrane, que passavam por momentos difíceis, pois viram as suas residências, sobretudo as improvisadas em tendas, a serem arrastadas pelos ventos fortes que se fizera sentir em consequência do extremo evento climático.

O fenómeno de deslocados interno, na província de Nampula, a mais populosa do país, começou a ganhar ímpeto em 2020, e o PM “ataca” isso como não sendo uma boa prática, que as vítimas continuem a receber assistência humanitária, por alegadamente reunirem condições para garantir o seu autossustento. (Constantino Henriques)

“ANA” devolve deslocados à miséria em Nampula

Nampula (IKWELI) – A depressão tropical Ana que se fez sentir na cidade e província de Nampula veio agravar o estado social das famílias vítimas do terrorismo que se encontram acomodadas nesta parcela moçambicana.

Da ronda que o Ikweli fez, em alguns pontos da cidade e província de Nampula, após a depressão, deparou-se com um cenário de destruição de centenas de residências daquelas famílias, maioritariamente construídas na base do material não convencional.

A zona de Nahene, localizada no posto administrativo municipal de Namicopo, na cidade de Nampula, é exemplo dos pontos que o Ikweli visitou, onde maioritariamente é habitada pelas famílias deslocadas do distrito de Mocímboa da Praia. No local, foi possível observar o desespero das famílias que acabavam de perder, também, o que sobrava para se alimentarem.

Uma das famílias que perdeu a sua residência é composta por cinco membros, todas mulheres, e é chefiada por Fátima Kombo Atibo e Alsa Pira, e as restantes são meninas. As referidas chefes de famílias são viúvas. A dona Fátima, por exemplo, conta que o seu marido foi vítima dos terroristas, a passo que o parceiro da Alsa morreu no ano passado vítima de doença, em Nampula.

“Estamos mal, a nossa casa caiu por causa daquelas chuvas, nossos maridos morreram, e estamos sem comida para nos alimentarmos”, disseram as nossas entrevistadas, pedindo apoio às pessoas de boa-fé. “Estamos a pedir comida, também nos ajudarem na reconstrução da nossa casa”, disseram as nossas fontes.

Até o tempo que a equipa do Ikweli escalou Nahene, por volta das 15 horas da última quinta-feira (27 de Janeiro), nenhuma equipa, tanto governamental ou de outra organização, havia se feito presente naquela zona residencial, sinal inequívoco de que, as residências ali destruídas podem não ter constado nas estatísticas das autoridades governamentais de Nampula.

Aliassa Abdala é outro deslocado na zona de Nahene que viu seu esforço traduzido a nada pela fúria do ciclone Ana. O nosso entrevistado disse ser pedreiro, mas a sua profissão não tem tido mercado pelo facto de ser desconhecido.  Aliás, para garantir o sustento da sua família, Aliassa tinha uma padaria na sua nova residência, mas que, também, foi destruída pelos ventos fortes.

“Não sei o que se passa”, começou por lamentar a fonte. “De domingo até hoje estamos a sofrer com essas crianças, e ninguém do governo passou aqui. Não sei o que se passa. Nós somos deslocados e muita gente nesta zona é de Mocímboa da Praia. Não temos comida”, frisou, recordando que “a última vez que recebemos a comida foi o mês de Agosto. De lá até hoje não recebemos apoio vindo do governo, então estamos a sofrer aqui, temos tentado fazer biscatos, mas não tem sido fácil”.

“Estou a pedir ao governo para nos ajudar. Eu sou pedreiro, tenho outro colega, então pelo menos emprestar-nos dinheiro para fazermos alguma coisa. Nesses cinco meses, eu tinha forno aqui, mas partiu-se por causa da chuva, pelo menos apanhava pouco dinheiro”, disse o chefe de uma família composta por sete pessoas.

Para além de Nahene, a depressão afectou, grandemente, os deslocados espalhados um pouco por toda a província de Nampula. No distrito de Rapale, também, ao Ikweli lhe foi partilhada a informação de destruição de pelo menos dez (10) casas, afectando igual número de famílias.

Portanto, trata-se de inúmeras famílias vivendo em circunstâncias lamentáveis, e todas elas clamam pelo apoio para suprirem com as suas necessidades básicas para sobrevivência. Aliás, apesar de o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, considerar ser demasiado longo o tempo em que os deslocados vivem pedindo apoios, que nunca aparecem, é que os mesmos, sobretudo os que vivem dentro e nas periferias da cidade de Nampula, não dispõem de áreas para a prática de agricultura, por exemplo, assim como a insuficiência de recursos financeiros para desenvolverem actividades comerciais. (Constantino Henriques)

Meluco: Terroristas voltam a semear terror

Meluco (IKWELI) – Os terroristas ainda não dão trégua a população do distrito de Meluco, centro da província de Cabo Delgado, onde voltaram a perpetuar mais um ataque mortífero que resultou na perda de, pelo menos, seis pessoas na última sexta-feira (28).

Correspondentes do nosso jornal, em Cabo Delgado, apuraram que o ataque aconteceu na aldeia Iba, cerca de 50 quilómetros da sede do distrito de Meluco, e a menos de 20 quilómetros da vila de Macomia.

Segundo apuramos, o ataque à aldeia Iba, começou por volta das 15 horas, nas machambas da população local, onde várias pessoas foram maltratadas e mais tarde o grupo de homens armados escalou a aldeia, onde além de disparar contra as vítimas, queimou palhotas e outros bens da população.

Muitas famílias foram obrigadas, desde sexta-feira até este domingo, a percorrerem a pé, algumas sem ter recuperado nada, até às comunidades do distrito de Macomia, como Bengala 1, Ntapuala e vila sede com destaque para o bairro Xinavane.

Refira-se que os ataques terroristas ao distrito de Meluco, incrementaram desde o princípio de Janeiro. A própria vila sede de Meluco, apesar de não ter sido atacada, considerável número de habitantes abandonou e parte dela está acolhida nos centros de deslocados em Metuge e Ancuabe e nas cidades de Pemba e Montepuez. (Redação)

“ANA” afectou mais de 12 mil crianças em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla inglesa) estima que pouco mais de 12 mil crianças terão sido afectadas, na província de Nampula, pela depressão tropical ANA que, durante a semana passada, afectou Moçambique.

Baisamo Juaia, coordenador do UNICEF em Nampula, disse ao Ikweli que esses dados, ainda, são preliminares, estando em curso trabalhos para a apuração do número mais concreto.

Esta fonte disse que, neste momento, estas crianças precisam de apoios de natureza diversa, por isso apela aos parceiros nacionais e internacionais para se juntarem a resposta que está sendo criada para o efeito.

Antecedendo a situação, Juaia diz que “isso levou a nós, como parceiros do Governo, a revisitar todo o exercício que nós já tínhamos feito em termos da nossa preparação para a época chuvosa”, por isso “já tínhamos parte daquele todo exercício, que visa a preparação da província para em momentos de chuvas”,

O coordenador do UNICEF em Nampula partilhou que, “no último encontro do Centro Operativo de Emergências, fomos informados de que cerca de (25.500) pessoas na província de Nampula foram afectadas”, e que “50٪ desta população afectada representa o grupo de crianças dos 0 a 18 anos de idade”.

A maior preocupação desta agência das Nações Unidas é no sentido de que “esta depressão afectou as condições que já tinham sido criadas para que estas crianças, no dia 31 (hoje) pudessem estar a se preparar para irem as salas de aula”.

Com isso, o nosso interlocutor está ciente de que a situação não será fácil para todas as crianças, pois há as que não poderão voltar a escola no tempo previsto em consequência da depressão, não somente no contexto familiar, mas também na situação das infra-estruturas escolares que ficaram destruídas.

“Nós olhamos com muita tristeza as salas de aulas sem teto. Isso significa que as nossas crianças vão ter que iniciar as aulas em condições extremamente precárias, e/ou em condições alternativas”, lamentou a fonte, garantindo que “nós temos que fazer tudo por tudo, para que ajudemos a repor as condições para que as crianças possam estudar de uma forma condigna”.

“Quando nós vimos que a depressão destruiu casas de famílias, e as famílias perderam tudo, também para nós isso tem um significado”, porque “há crianças que já tinham preparado as mochilas, os livros e todo o material escolar. E já devem ter perdido tudo”, então “significa que nós temos que tomar em conta essa possibilidade de reposição de material escolar, para que estas crianças possam ter mínimas condições para o início do ano lectivo”.

“O distrito de Liupo tem número de pessoas mais afectadas com um pouco acima de 8.275, Monapo 7.233 e Moma com 3.856. São esses distritos onde nossas equipes estão no terreno para fazer a avaliação, de modo a trazer dados reias”, afirmou Baisamo Juaia, prosseguindo que “nós já temos uma lista de necessidades, para esses distritos, que são 128 tendas necessárias para serem uma alternativa para as crianças poderem estudar e cerca de 37.830 quites para os estudantes”. (Hermínio Raja)

Ossufo Momade exige revisão do modelo de licenciamento das escolas de condução para evitar-se acidentes de viação

Nampula (IKWELI) – O presidente do partido Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, defende a necessidade da revisão dos critérios de atribuição de licenças às escolas de condução em Moçambique, por supor que uma das causas da sinistralidade rodoviária no país deve-se a má formação dos candidatos a motoristas.

Ossufo Momade posicionou-se nesse sentido em consequência dos últimos acidentes de viação registados na província da Zambézia, no centro do país, que provocaram dezenas de vítimas mortais, para além de feridos graves e avultados danos materiais.

“Infelizmente, o ano inicia assombrado de luto e dor nas famílias moçambicanas em consequência dos acidentes de viação. De viva voz, apresentamos as nossas sentidas condolências e solidarizamos com todas as famílias enlutadas, dos 27 concidadãos que pereceram no trágico sinistro ocorrido no distrito de Mopeia, província da Zambézia, no dia 22 de Janeiro corrente”, começou por dizer Ossufo Momade.

Segundo reiterou o presidente da Renamo, “o aumento exponencial dos acidentes de viação, ceifando vidas humanas, é uma dura realidade que continua, de forma sistemática, no nosso país, o que impõe a busca de estratégias de fiscalização rodoviária mais eficazes, revisão de licenciamento das escolas de condução, a formação e atribuição de cartas de condução aos candidatos a motoristas”.

O apelo de Ossufo Momade, entretanto, é no sentido de os condutores ao se fazerem às vias públicas não negligenciarem as regras patentes no Código de Estrada, com vista a inverter o actual cenário sangrento em que as estradas moçambicanas estão imersas.

“É do conhecimento geral que os acidentes de viação não resultam apenas da acção humana, mas também, devido ao estado precário em que se encontram as estradas, que são de pequenas dimensões e muito esburacadas. É hora de parar com o derramamento de sangue nas estradas”, disse o político.

Ossufo Momade falava nesta quinta-feira (27), na cidade de Nampula, durante a vigência da 22ª Sessão Ordinária da Comissão Política Nacional do partido Renamo, onde, igualmente, mostrou-se solidário para com as famílias afectadas pela depressão tropical Ana que, recentemente, fustigou as províncias de Nampula, Tete, Manica e Zambézia.

“Ainda neste início do ano, as nossas populações estão a ser fuziladas pela tempestade ANA, que está a provocar dor, luto e destruição de infraestruturas, particularmente nos distritos de Milange, Mocuba, Pebane, Lugela, Chinde e Gurúè, na província da Zambézia, Moma, Larde, Liupo, Memba, Mogovolas e Angoche, na província de Nampula. Mutarara, Doa, Cidade de Tete, na província do mesmo nome”, referiu, finalizando que “a todas famílias afectadas por essa calamidade natural, apresentamos nossos sentimentos de pesar e a nossa solidariedade”.

O referido encontro, segundo apuramos, marca a abertura do ano político da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique. Aliás, dentre vários pontos de agenda, na referida sessão será feita a análise do ano político passado, bem como a planificação das actividades a serem desenvolvidas ao longo deste ano, com foco para os próximos pleitos eleitorais.

“Auguro que, ao longo do ano que iniciou continuemos unidos, fortes e focados nos próximos desafios, as eleições autárquicas, em 2023 e as distritais, provinciais e gerais, em 2024”, frisou Ossufo Momade. (Constantino Henriques)

Nampula: não remoção de lixo preocupa munícipes

Nampula (IKWELI) – Ao que tudo indica, nos últimos dois meses, a edilidade de Nampula não tem feito a remoção de resíduos sólidos nas diversas lixeiras espalhadas pela autarquia, e a situação começa a ser uma preocupação para os munícipes.

Ikweli entrevistou vários cidadãos residentes no maior centro urbano do norte do país, e estes exigem que a edilidade chefiada por Paulo Vahanle, para além de remover o lixo, também, deve desactivar muitas lixeiras que estão surgindo na via pública.

A não recolha de lixo agudizou-se nas últimas duas semanas, e com as chuvas moscas estão assaltando a cidade, o que pode ser um passo significativo para o surgimento de doenças de origem hídrica.

Na avenida das FPLM, as lixeiras invadem as vias de acesso, tal como sucede na rua que via e a escola primária e completa de Muahivire.

Algumas dessas lixeiras surgiram próximo a pontos de táxi de mota, bem como agentes de serviços financeiros electrónicos, os quais sentem-se lesados e preocupados com a situação.

Operando o serviço de táxi de mota, nas imediações do conhecido prédio maconde, Flávio Guilherme diz que “há mau cheiro neste local”, mas “não tenho como ir parar em outro local, porque é aqui onde conseguimos as nossas actividades”.

A memória deste entrevistado recorda que a última que viu um camião do conselho municipal a recolher lixo foi há duas semanas, e “isso até nos assusta, porque isso pode fazer com que contraiamos doenças de origem hídrica”.

Alves Maria Jaime, também operador de táxi de mota, é um outro munícipe que está indignado com o actual cenário de saneamento do meio na cidade de Nampula, e sublinha que “nós paramos aqui porque não estamos a ver onde recorrer para estacionar as nossas motorizadas, porque “nós somos conhecidos aqui nesta praça, por mais que o município tenha dificuldades de remover o lixo em alguns bairros, eles pelo menos devem recorrer as mínimas condições para retirar o lixo”.

“Por causa dessa lixeira, as pessoas para irem à escola primária de Muahivire são obrigados a procurar vias alternativas que, também, não estão em condições”, prosseguiu esta nossa fonte, que diz que quem, também, contribui são os trabalhadores da edilidade que, pelas manhas, varrem as ruas, por estarem a deitar o lixo fora dos contentores.

Entrevistado pelo Ikweli a propósito, Nelson Carvalho, director de Comunicação e Imagem no conselho municipal de Nampula, aponta que há dificuldades de alcançar algumas zonas da urbe para recolher o lixo, devido a falta de condições de transitabilidade.

Ainda assim, Carvalho está ciente de que “tudo aquilo que é lixo que se encontra na nossa cidade é nossa responsabilidade removê-lo, depositar em locais apropriados para que não possa perigar a vida dos nossos munícipes, mas também os munícipes devem trabalhar no sentido de facilitar o trabalho do conselho municipal no que concerne o processo de recolha e remoção dos resíduos sólidos”. (Hermínio Raja)

Ilha de Moçambique: UniLúrio engajada na valorização e salvaguarda do património cultural e da humanidade

Ilha de Moçambique (IKWELI) – Arrancou nesta quinta-feira (27) a 2ª edição das “Oficinas Muhipiti”, uma iniciativa da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Lúrio (UniLúrio), focada na valorização e salvaguarda do património cultural e da humanidade da Ilha de Moçambique.

A 1ª edição foi realizada em 2017, e a ideia inicial continua prevalecente, a qual visa encontrar e trazer soluções dos problemas que inviabilizam o desenvolvimento do distrito da Ilha de Moçambique, bem como contribuir para um plano de gestão.

Para a reitora da UniLúrio, Leda Hugo, o evento constitui um marco para a valorização da história da Ilha de Moçambique.

“A Universidade Lúrio consciente da sua missão de promover uma visão crítica e enriquecedora da identidade cultural e natural da região norte de Moçambique, associada a valorização do seu património cultural, religioso e arquitectónico, edificado e não edificado como factores para o desenvolvimento específico da Ilha de Moçambique,  tem-se reestruturado em novas unidades de ensino”, referiu Leda Hugo, assegurando que a universidade que dirige se identifica com a valorização e integração do património cultural para o desenvolvimento local.

A 1ª edição das “Oficinas Muhipiti”, tinham como foco o planeamento estratégico, património e desenvolvimento, por isso subsequentemente, a UniLúrio compromete-se no desenvolvimento local do distrito da Ilha de Moçambique, com vista a abrir novos horizontes de discutir e encontrar soluções de problemas daquela circunscrição geográfica.

“A presente edição das Oficinas de Muhipiti decorre num momento particularmente delicado para Moçambique. Primeiro, pelo período de luto nacional de três dias declarado pelo Estado moçambicano e, em meio disto, pela passagem da depressão tropical ANA, cujas perdas humanas e materiais avultadas ainda estão por avaliar”, precisou a reitora, que disse não estar alheia à situação que afectou uma parte da população costeira da província, daí que exorta a solidariedade e apoio de todos os actores da sociedade.

Na mesma abordagem, a dirigente adianta que a “universidade, como fórum de académicos e investigadores, o seu apoio passa, necessariamente, na promoção de eventos iguais, virados para a produção de conhecimento e procura de soluções para resiliência do património, bem como o das populações”.

Uma importante figura que participou da abertura do evento, é o administrador loca, Momade Ali, o qual reconheceu que o património que dirige está a perder a sua configuração, razão pela qual há a necessidade de se garantir a conservação e valorização da Ilha de Moçambique, por sinal o distrito que deu nome ao país e onde se situa a primeira capital moçambicana.

“Desde a declaração da Ilha de Moçambique como património cultural da humanidade, vários estudos e planos de conservação têm sido realizados, com destaque para o plano de desenvolvimento integrado e o de gestão e conservação desenvolvido pelo Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique”, disse o administrador, para quem outros programas são criados com vista a mudança de comportamento da população local.

No entanto, segundo esta fonte, “prevalecem alguns desafios que possam tornar a nossa Ilha mais sustentável e apreciável”, sobretudo “a capacidade de implementação dos planos e projectos que resultam, não somente de pressupostos políticos e legais, mas também a falta de recursos humanos e financeiros para o efeito. A pobreza que graça mais da metade do distrito, sobretudo, no bairro de Macuti e a zona continental, o que contribui para o baixo nível de preparação e consciencialização, e em prol da conservação do património material e imaterial, incluindo as questões de ordem ambiental. A fraca coordenação e articulação e entre os diferentes actores dos projectos estratégicos e desenvolvimento globais”.

Não é só isso que preocupa Momade Ali, mas elementos como “a pressão demográfica na zona insular, o fecalismo a céu aberto, a falta de salubridade e limpeza nas praias”, também, constituem enormes desafios, por isso é necessária e indispensável de uma melhor “articulação entre os gestores políticos, técnicos e líderes comunitários”.

Refira-se que a 2ª Edição das Oficinas de Muhipiti decorrem sobe lema “Valorização e salvaguarda do património edificado na Ilha de Moçambique. Contributos para um plano de gestão do bem inscrito na lista do património mundial”. (Esmeraldo Boquisse)

Mais de 72 Milhões de meticais são necessários para assistir as vítimas da ANA em Nampula

Nampula (IKWELI) – O governo da província de Nampula, a mais populosa em Moçambique, disse necessitar mais de setenta e dois milhões de meticais (72.000.000, MT) para assistir as pessoas vítimas da depressão Tropical ANA, que fustigou aquele ponto geográfico entre os dias 23 e 25 de Janeiro do ano em curso.

A depressão tropical ANA, nos dias da sua vigência ao nível da província de Nampula, foi caracterizada por chuvas acompanhadas de ventos fortes, sendo que os distritos mais fustigados são os localizados ao longo da zona costeira.

Dados preliminares das autoridades governamentais de Nampula, indicam que a depressão tropical ANA afectou de maneira directa um universo de vinte quatro mil, duzentos e setenta e cinco (24.275) pessoas, correspondentes a cinco mil, quinhentas e quatro (5504) famílias, através da destruição das suas residências em número acumulado de cinco mil, quinhentos e dezoito (5518) casas, assim como a perda dos seus bens, com destaque para os alimentares.

Após serem severamente afectadas pelos impactos do ciclone, parte das famílias vive em situações humanamente deploráveis, como a dificuldade no acesso a alimentos, acesso a água potável, condições de saneamento deficitárias, entre outros aspectos.

Entretanto, o governo provincial, através do Instituto Nacional de Gestão de Desastres e Riscos (INGD) disse não dispor de condições para garantir assistência, em vários domínios, das famílias afectadas pelas intempéries, durante os próximos 15 dias.

Por exemplos, as estimativas governamentais apontam que, para assistir as pessoas afectadas, são necessários, durante 15 dias, um total de quinhentos mil quilogramas (500.000kg) de cereais, mas que, actualmente, apenas dispõe de 12.400kg.

Segundo informações apresentadas nesta quarta-feira (26) pelo Secretario de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, durante a Sessão Extraordinária do Comité Operativo de Emergência, dirigida pelo Primeiro-Ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, para garantir uma assistência humanitária ininterrupta às pessoas afectadas, durante os próximos 15 dias, é necessário um montante acumulado de 72.031.300,00MT. Especificamente, o valor será destinado para aquisição de bens alimentares, bens de abrigo, utensílios domésticos, bem como água e saneamento.

Refira-se que nos primeiros quatro meses da presente época chuvosa (de Outubro a 25 de Janeiro de 2022), um total de 35.451 pessoas, correspondentes a 7905 famílias. No mesmo período, foram igualmente destruídas, completa ou parcialmente, um universo de 7.921 casas. Durante este intervalo de tempo, o registo de seis (6) óbitos ao nível da província.

A situação a que se encontra a província mobilizou o PM, Carlos Agostinho do Rosário, a se deslocar àquele ponto do país, e espera-se que visite os distritos mais afectados. (Constantino Henriques)

Nampula: jovens catam lixo para arrecadar dinheiro e garantir a sobrevivência

Nampula (IKWELI) – Vários jovens, em diferentes pontos da cidade de Nampula, dedicam-se a catação de lixo para reciclagem e venda, de forma a arrecadar receitas que aliviam a sua sobrevivência.

A maioria dos que abraçaram esta actividade aponta que, a mesma, tem resultado em ganhos que conseguem suprir as suas necessidades.

As ruas de Dar-És-Salam e Vigilância, bem como as avenidas Samora Machel e Josina Machel são parte dos que albergam grosso número de catadores de lixo que, também, fixaram as suas residências nas proximidades destes pontos.

O jovem Abacar é catador de lixo na rua Dar-És-Salam, e justifica que “me encontro neste local porque perde minha família. A aminha mãe que me ajudava perdeu a vida, mas por outro lado estou aqui por falta de emprego, por isso estou a sofrer nesta vida, mas agradecemos bastante porque conseguimos arrecadar dinheiro para o nosso sustento”.

Esta fonte conta que “em menos de uma semana conseguimos ganhar, pelo menos, entre 500,00Mt (quinhentos meticais) a 1.000,00Mt (mil meticais), dependendo do dia e da reciclagem, e existem outros aqui que construíram casa através de uma reciclagem com latas, plásticos e garrafas”.

Riquito, com 22 anos de idade, diz que cata lixo há 3 anos, e afirma que “parei nesta lixeira porque cansei de roubar, por isso estou aqui para pelo menos arrecadar um valor monetário”.

Tal como Riquito, Jorge José Vasco, também, cata lixo há 3 anos, e aponta que iniciou a actividade em consequência de uma traição amorosa. “Eu vivi com ela quase sete anos. Tivemos três filhos, e aquela mulher abandonou-me”, por isso “fiquei traumatizado, porque mais tarde ouvi que a minha mulher perdeu a vida e eu amava muito a ela”.

No meio destas histórias, conhecemos sum guarda nocturno que, também, decidiu agregar aquela actividade com as suas fontes de rendimento. “Sustento os meus filhos a partir dos valores que arrecado por via da reciclagem de resíduos sólidos”. (Nelsa Momade)