Ilha de Moçambique: há risco de extinção de casas de macuti

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Ilha de Moçambique (IKWELI) – O director da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da Universidade Lúrio (UniLúrio), Bernardo Xavier, adianta a possibilidade de nos próximos tempos se extinguir as casas de Macuti que se pretende preservar como património cultural, na Ilha de Moçambique, no norte do país.

A Ilha de Moçambique acolheu durante a semana passada a 2ª Edição das “Oficinas Muhipiti”, e foi no balanço dos acontecimentos entre esta e a 1ª Edição que o arquitecto Xavier fez estas considerações, lamentando que estas casas fazem parte do património que se pretende preservar.

“Pode ser possível. Eu tenho uma experiência. As oficinas de 2017 foram um aprendizado para mim, porque antes eu olhava para alteração e criticava. Mas existe uma razão para a alteração. Por exemplo, lembro que um dos pais de uma casa que fomos visitar disse, ‘nós estamos a ser ditos para preservar o Macuti, mas os que nos dizem não vivem nas casas de Macuti’. Até fomos convidados para entrar no interior da casa para vermos as condições”, precisou o académico, quando questionado pela Imprensa sobre a hipótese da extinção das casas de Macuti, no distrito da Ilha de Moçambique.

Portanto, o director da Faculdade de Arquitectura aponta a criação de certas políticas que convençam a população a preservar aquilo que se pretende manter. Ademais, resta é saber como preservar numa altura em que tende a crescer o nível de desenvolvimento sócio-económico das famílias que residem naquelas casas.

“Como preservar olhando para o número da população que existe?”, pergunta o nosso entrevistando, comentando que “suponhamos que existem 500 famílias, as 500 vão manter com o Macuti. De dois, três ou quatro anos devem fazer a manutenção, mas aonde vão buscar o Macuti. Se calhar antes não existia tanto material convencional e as chapas, por exemplo, eram muito caras e hoje o Macuti tende a extinguir. Então é possível preservar. Mas a questão é como manter”.

A 2ª edição das “Oficinas Muhipiti” teve o seu encerramento no último sábado (29 de Janeiro), e Bernardo Xavier considerou que “estamos na fase muito específica, olhando para a valorização das características dos edifícios e preservar aquilo que existe”, tanto que “estão lá os edifícios com características específicas que resultam do cruzamento de vários povos e hoje temos os descendentes. Por isso temos o trabalho contínuo de começar a analisar e trazer as propostas, entre outros aspectos. Depois de analisarmos, a partir deste levantamento, é possível divulgar os resultados e as recomendações”.

Todavia, o director e arquitecto Bernardo Xavier adianta que, se possível, os estudos da faculdade que dirige poderão ajudar para que as alterações que são feitas hoje nos edifícios da Ilha de Moçambique sejam feitas com precaução, e que se calhar a região poderá se conhecer outro contexto de turismo naquela que é chamada a primeira capital moçambicana e o património cultural da humanidade há cerca de três décadas pela UNESCO. (Esmeraldo Boquisse)

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