Início Site Página 515

Vahanle “chora” pelo dinheiro que investiu na estrada de Marrere

Nampula (IKWELI) – A execução de qualidade, e consequente produto desejado, era um dos maiores trunfos com que o autarca de Nampula, Paulo Vahanle, e o seu partido Renamo contavam com o término das obras de construção dos 1200 metros da estrada que liga a EN1 e o Hospital Geral de Marrere, mas a realidade mostrou cenário indesejado.

Com pompas e circunstância, Vahanle inaugurou a estradas, mas o teste veio com as primeiras chuvas. O mínimo de alcatrão que tinha sido colocado foi arrastado pelas águas das chuvas, e como se não bastasse, a transitabilidade ficou interrompida.

Para executar aquela obra edilidade dispunha de 28.994.771,80 (vinte e oito milhões, novecentos e noventa e quatro mil, setecentos e setenta e um meticais e oitenta centavos), e o foi a ZAC Construções que venceu o concurso público para aquela obra histórica. Mais adiante, o empreiteiro e o fiscal da obra concluíram que o valor inicial não era suficiente para cobrir, e com efeito o dono da obra teve de injectar mais 11.507.656,85 (onze milhões, quinhentos e sete mil, seiscentos e cinquenta e seis meticais e oitenta e cinco centavos), totalizando 40.502.428,65 (quarenta milhões, quinhentos e dois mil e quatrocentos e vinte e oito meticais e sessenta e cinco centavos).

A má qualidade da obra virou conversa de esquinas, café, bares e chapa-100 na cidade de Nampula, e um pouco por todo o país, o que fez com que pressão arterial do autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique explodisse.

Diante desta situação, Paulo Vahanle viu-se obrigado a tomar alguma providencia. Convocou o empreiteiro, o fiscal, membros do seu elenco, da Assembleia Municipal e jornalistas para ao vivo enxovalhar os que tinham a responsabilidade de garantir a execução de uma obra com qualidade desejada.

“Meus senhores, nós inauguramos a estrada de Marrere no dia 04 de Janeiro. Havia muita inquietação sobre a qualidade da via e eu respondia que nós contratamos uma empresa que exibiu documentos e fazia-nos entender que era empresa ideal para construção. Aliás, era uma empresa de elaboração de projecto e seguido da construção da mesma estrada. Caso haja alguma irregularidade nós vamos responsabilizar, porque ainda estamos no período de garantia”, recordou o edil as suas palavras aquando da inauguração da estrada.

É dentro deste prazo de garantia que as águas das chuvas arrastaram tudo, e é, também, na mesma situação que ainda Vahanle tem por pagar a ZAC Construções o total de 8.000.000,00 (oito milhões de meticais).

Na reunião da última terça-feira (15), Vahanle disse que a mesma serviu para se explicar o por quê da estrada estar nas condições em que está, actualmente, depois da inauguração, enquanto ao fiscal da obra deve esclarecimentos da garantia por este dada ao município de que a infra-estrutura estava em condições.

Até porque o edil Vahanle vazou a informação segundo a qual, a empresa ZAC Construções usou 150 tambores do asfalto do município, uma vez que a firma disse que não tinha o material.

Recorde-se que este produto faz parte do lote de que o Ikweli escreveu, no passado (Edição 467 e 477), que o mesmo encontrava-se fora do prazo.

E agora….?

Chamados a responder as inquietações colocadas com um tom ameaçador, o fiscal Agostinho Euadera deu a conhecer que o parecer técnico indicava que o empreiteiro devia fazer a revisão topográfica, projecto de estrutura da ponte, o que culminou com o redimensionamento para garantir a estabilidade da mesma e a revisão da componente geotécnica, este último factor que propiciou a degradação da estrada.

Para o fiscal, o estudo geotécnico é o elemento principal que fez com que a estrada não durasse. Ademais, “através de um estudo conseguimos identificar uma zona estável no quilómetro 540, onde existiam um lençol freático muito elevado comparativamente aos outros pontos da via”. Além disso, “nesta situação elaboramos um parecer técnico ao dono da obra para que pudesse nos apoiar no melhoramento e este respondeu positivamente, tanto é que o departamento de construção do município dirigiu-se ao local e verificou de forma conjunta e de facto, o dono da obra aprovou o processo de estabilização daquela zona”.

No entanto, “o empreiteiro executou a estabilização. Infelizmente tivemos duas situações inesperadas que é, primeiro, quando foi feito o processo de estabilização era na época seca”, explicou o fiscal quando foi interrompido pelo presidente Vahanle exigindo a explicação clara sobre o que falhou para a má qualidade da obra, tendo o fiscal respondido que “o que falhou foi o estudo geotécnico. O estudo geotécnico foi o factor em causa, porque o projecto sem este estudo ficou difícil de avaliar quais eram as condições hidrológicas do mesmo. Quando apareceram as fissuras tivemos que fazer uma inspecção novamente o que nos levou a constatar que naquela zona tem três nascentes de água”.

Aliado ao fiscal da obra, o técnico de terraplanagem da obra, Bernardo Francisco, em representação do director técnico da estrada de Marrere e o director executivo da ZAC Construções, respectivamente, justificou-se nos mesmos moldes, o que não agradou ao Vahanle e o seu executivo que esperavam a presença de quem de direito da empresa que ganhou o concurso para a construção da estrada. (Esmeraldo Boquisse)

PRM detém mulher que guardava produtos de roubo

Nampula (IKWELI) – Está a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, uma senhora que se ocupava de guardar produtos resultantes de roubos a residências e na via pública.

Residente no emblemático bairro de Namutequeliua, a indiciada, que se encontra encarcerada nas celas da 1ª Esquadra da corporação nega as acusações que pesam sobre si, e diz que a polícia a prendeu porque foi encontrada, no interior da sua residência, uma motorizada trazida pelo seu marido.

A mesma explica que o marido se encontra foragido, mas que tentou colaborar com a polícia para a sua localização, o que não sucedeu.

Esta cidadã foi exibida a imprensa na manha desta quarta-feira (16), na mesma ocasião em que foi apresentado um idoso indiciado de produção e consumo de cannabis sativa (suruma) e mais dois jovens detidos por posse de produtos (varões) de origem duvidosa.

Zacarias Nacute, porta-voz da corporação em Nampula, afirmou que o primeiro grupo dedica-se a roubo de materiais de construção, e que a senhora assegurava, em sua casa, a conservação de produtos de roubo, tanto que foi flagrada com uma motorizada que tinha sido roubada a um operador de táxi de mota. (Aunício da Silva)

Chuvas “frustram” Vahanle

Nampula (IKWELI) – As chuvas que se fazem sentir desde os primeiros dias do corrente ano, 2022, estão a constituir uma verdadeira frustração para o autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique, Nampula.

O certo é que parte significante dos esforços empreendidos pela edilidade liderada por Paulo Vahanle estão por água abaixo.

Ao nível das vias da cidade cimento, a situação tornou-se drástica, os buracos que outrora tinham sido tapadas com recurso a saibro voltaram a sorrir, e consequentemente danificando recursos dos utentes, mormente viaturas e motorizadas.

Na periferia, a transitabilidade não é das melhores e há bairros que quase estão isolados em consequência da destruição das vias de acesso.

Os munícipes reconhecem que o autarca está fazendo o máximo que podem, mas exigem muito mais.

“O presidente Vahanle está a trabalhar, mas é preciso ter em conta a qualidade das obras”, disse Juma Saíde, munícipe entrevistado pelo Ikweli, prosseguindo que “no centro da cidade não é fácil circular. As estradas estão todas esburacadas, pior que chove todos os dias. Os buracos ficam todos eles escondidos na água e a pessoas apenas se surpreendem com a roda dentro deles”.

“É preciso reconhecer que há algum trabalho que está sendo feito, mas é preciso que haja seriedade”, comenta Justina Mário, que avança que “se reparar que naquelas ruas que o município pavimentou a situação é boa. Não estão danificadas. Mas aqui onde andam a colocar remendos de areia a situação é pior do que no tempo de Namuaca [Castro Sanfins Namuaca é o último autarca que a Frelimo conseguiu fazer eleger para dirigir a capital do maior círculo eleitoral do país]”, apenas “lamentamos a situação da rua de Marrere que, também, acredito que o presidente Vahanle foi sabotado”.

“Eu vivo em Namiepe, e com essas chuvas para chegar lá é um verdadeiro martírio, mas acredito que depois dessas chuvas o município vai fazer alguma intervenção”, diz Pedro Guido.

Igualmente, em outras unidades residenciais há reclamações do género, incluindo pontes que ficaram destruídas pela fúria das águas.

A rua que dá acesso a zona residencial de Namiteca, no posto administrativo urbano de Muahivire, é um dos exemplos em que há pontes cuja situação oferece perigo aos utentes.

Os moradores daquela circunscrição, entrevistado pelo Ikweli, lamentam a situação e aponta as crianças como sendo principais vítimas, ou seja, são as que mais perigo correm com a situação das pontes.

Inocentes, os petizes correm para estes locais para brincarem, perante um perigo iminente, sobretudo porque parte dessas infra-estruturas cedeu.

“Na segunda-feira da semana passada, uma criança de anos de idade foi arrastada pelas águas nesse riacho. Ela tentava atravessar, mas a corrente nesse rio reno era forte, por isso a criança acabou morrendo”, disse Omar Jackson, residente nas imediações do mercado do Siquia.

Jackson diz que a situação com a ponte em referência remota há três anos, mas a edilidade, mesmo sabendo da situação, nada faz para reverter a insegurança.

Esta fonte afirma que por essas alturas, em que chovem intermitentemente, arrastamento e morte de pessoas na ponte é recorrente.

João Adamugi, outro morador da mesma circunscrição diz que “o assunto desta ponte é grave para os moradores, porque a travessia nesta via sem uma ponteca torna difícil, e nós quando queremos chegar ao mercado exige atravessar esta ponteca”. (Aunício da Silva e Nelsa Momade)

Agricultura contribuiu com mais de 18% no PIB durante o IV trimestre de 2021

Nampula (IKWELI) – Os ramos da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal e actividades relacionadas tiveram uma participação na economia com um peso conjunto no Produto Interno Bruto (PIB) de 18.67%.

De acordo com a publicação do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), referente as contas nacionais do 4° trimestre de 2021, “o desempenho da actividade económica no quarto trimestre de 2021 é atribuído em primeiro lugar ao sector primário que cresceu em 4.61%, com maior destaque para o ramo da indústria de extração mineira com uma variação de 6.68%, seguido pelo ramo da agricultura, pecuária, caça, silvicultura, exploração florestal com cerca de 4.11% e do ramo da pesca com variação de 1.42%”.

a segunda posição é ocupada pelo sector terciário com a variação de 3.02%, enquanto o sector secundário registou uma variação positiva de 1.75%. (Aunício da Silva)

“Urge travar a corrupção no sistema nacional de saúde” – Ossufo Momade, presidente da Renamo

Nampula (IKWELI) – O presidente do partido Renamo, Ossufo Momade, diz-se preocupado com os níveis de corrupção no sistema nacional de saúde, por isso entende ser urgente travar o fenómeno.

Recentemente, o político trabalhou na província de Nampula e as preocupações que colheu da população sobre o sistema nacional de saúde não o agradaram.

“Terminamos as nossas actividades na província de Nampula, onde constatamos graves actos de corrupção instalados nos hospitais e nas farmácias hospitalares”, disse ao Ikweli o presidente da Renamo, apontando que “a falta de humanismo, de profissionalismo, civismo e patriotismo, além de graves violações de direitos humanos no Sistema Nacional de Saúde, é bastante preocupante. De forma contínua, ouvimos as nossas mães a lamentar a falta de tudo nas unidades sanitárias, além da prática de cobranças ilícitas, principalmente para as parturientes”.

No seu entender, Ossufo Momade diz que “somos vítimas de um sistema que deve ser combatido, pois, o hospital não deve ser apenas as paredes, mas sim um lugar onde os doentes são respeitados e tratados com carinho. De igual modo, as farmácias públicas devem ser abastecidas com medicamentos, evitando deste modo que estes sejam adquiridos a preços proibitivos nas farmácias privadas”, por isso “o lema: “o nosso maior valor é a vida”, não pode passar de simples palavras bonitas, é preciso que se aplique isso na prática”.

Por conseguinte, prossegue Momade, “durante a nossa estadia na província de Nampula, ouvimos reclamações sobre casos de mau atendimento em hospitais, concretamente no Hospital Central de Nampula, hospital distrital de Mogovolas e no centro de saúde de Namiepe, entre outros”. (Redação)

Estrada do Marrere: desgastado, Vahanle exige esclarecimento a ZAC Construções

Nampula (IKWELI) – O autarca da Cidade de Nampula, Paulo Vahanle, manterá na tarde desta terça-feira (15) um encontro de esclarecimento junto do empreiteiro da obra da estrada que dá acesso a zona de Marrere, sobre as péssimas qualidades com que a mesma se revela, um mês depois da sua inauguração.

O encontro previsto para as 15 horas desta terça-feira, no salão nobre do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, vai contar, também, com a participação do fiscal da obra e estará aberto a jornalistas.

A informação foi partilhada ao Ikweli pelo chefe do gabinete de Paulo Vahanle, Ossufo Ulane. “A questão do fundo será sobre a má qualidade com que a estrada de Marrere apresenta neste momento”, disse a fonte.

Segundo Ulane, a edilidade ficou surpreendida com o estado em que a via Marrere se encontra, uma vez o município ter colaborado nas exigências que o empreiteiro impunha ao longo da sua execução. “Quer-se saber do empreiteiro dos sinais da estrada, porque o município deu responsabilidades ao empreiteiro, inclusive o município pagou a adenda (valor adicional) que a empresa exigia, e esperávamos um trabalho de qualidade. Foi o empreiteiro que fez e executou o projecto e o fiscal terá recomendado para fazer obra de qualidade”.

Outra questão que será colocada a ZAC Construções, empreiteiro da referida obra, é sobre o encerramento da via, aos munícipes, antes de uma comunicação oficial a edilidade. “Quando o município inaugurou a via antes de terminar era mesmo para permitir que a população tive passagem, para reduzir o sofrimento, sobretudo neste tempo chuvoso, mas o que aconteceu é que o empreiteiro fechou, alegadamente, para permitir a realização dos seus trabalhos. Encerrou sem comunicação oficial ao município, e o pior de tudo isso, o empreiteiro não criou condições adequadas para a transitabilidade nas vias alternativas que fez”, acrescentou Ossufo Ulane. (Constantino Henriques)

Salinidade adia fim da crise de abastecimento de água na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A esperança que se tinha em colocar fim a crise de abastecimento de água potável na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, ainda está longe de se tornar uma realidade.

Dos dez furos abertos na zona de Namiteca, no bairro de Muahivire, para ligar a rede da empresa Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), dois apresentam níveis de salinidade preocupante.

Depois de uma “zanga” do governador provincial, Manuel Rodrigues, o Director-Geral do FIPAG, Victor Tuacale, acompanhado do director de operações (Ilídio Khossa), teve de se deslocar a Nampula para uma monitoria da situação.

Do que lhe foi reportado pela sua equipa na região e na área operacional, é que “tem uns dois furos cuja salinidade é um pouco mais alta, quase indo para os limites, mas está dentro dos padrões. Nós pensamos que esses dois furos vão, nesse momento, ser isolados e vamos pensar importar uma estação de dessalinização para poder tratar, especificamente, aqueles dois furos, em caso que consigamos essa tecnologia”.

Tuacale reconhece que “é um sistema que estamos a gerir, cuja fonte de captação é muito escassa, daí a nossa preocupação de estarmos sempre a monitorar e temos que vir aqui sistematicamente”, mas há esperança de minimizar a situação, tanto que “nós estamos a pensar em captar a partir de Namiteca seis mil metros cúbicos por dia. Portanto, esses dois furos vão reduzir o caudal, mas vamos ter oito furos que nós pensamos que serão suficientes. Estamos a pensar em abrir mais novos furos para poder compensar os que nós pensamos em isolar”.

“Neste momento, estamos a produzir na barragem 35 mil metros cúbicos por dia, estamos a produzir em Namiteca 4 mil metros cúbicos por dia. Não satisfaz toda a demanda, mas estamos numa situação normal”, referiu a fonte.

Voltando aos furos de Namiteca, o nosso interlocutor apontou que “estamos num período de garantia, em que o empreiteiro está a corrigir defeitos, e ao mesmo tempo viemos nos inteirar para ver como é que estes trabalhos estão a ser feito, também vermos qual é a qualidade de água que estamos a dar no bairro de Namiteca”. (Aunício da Silva)

Condutor embriagado provoca acidente ferroviário em Mutuali

Nampula (IKWELI) – A transitabilidade na estrada nacional número 13 (N13) no distrito de Malema, em Nampula, encontra-se interrompida desde a tarde do último sábado (12), em consequência de um aparatoso acidente ferroviário ocorrido no posto administrativo de Mutuali.

Até ao meio dia deste domingo (13), segundo disse ao Ikweli Morchido Momade, administrador de Malema que na altura se encontrava no terreno, mais de 80 viaturas aguardavam pela abertura da via.

O acidente ferroviário envolveu um comboio da companhia Nacala Logistics e uma viatura que transportava na ocasião, pelo menos, 40 toneladas de milho com destino a cidade de Nampula.

Momade conta que “o carro vinha de Cuamba com cerca de 40 toneladas de milho. Ele encontrou carros parados a espera”, mas ignorou a sinalização e pôs-se na via, tendo resultado no acidente.

“Temos fiscais permanentes, mandaram-no parar e ele ignorou. O embate foi terrível e a viatura está totalmente danificada. De 30 a 40% da mercadoria não se aproveita, porque misturou-se com combustível”, referiu ainda o governante, explicando que a linha férrea se deslocou, afectando a 100% uma cabeça, que ficou fora da linha.

“O motorista estava embriagado e contraiu ferimentos ligeiros. Ele está sob custodia policial no momento”, anotou a nossa fonte, garantindo que “se a manobra surtir efeitos haverá transitabilidade até ao fim do dia (domingo), mas num único sentido”. (Aunício da Silva)

Governo da Ilha de Moçambique “entrega-se” no combate a malária

Ilha de Moçambique (IKWELI) – Através dos Serviços Distritais de Saúde, Mulher e Acção Social (SDSMAS), o governo do distrito da Ilha de Moçambique, no norte do país, tem vindo a promover acções de sensibilização sobre a prevenção da malária.

Para além das comunidades, segundo apurou o Ikweli, as campanhas, também, têm sido realizadas nas escolas do distrito, tal como aconteceu no dia 10 do corrente mês na Escola Primária de Ampapa, tendo como grupo alvo os alunos.

De acordo com o administrador da Ilha de Moçambique, Momade Ali, “a malária continua a ser o principal factor de internamento hospitalar, e estamos a fazer um movimento para reduzir a sua incidência junto das comunidades. Águas estagnadas, capim e lixo não tratado estão entre as causas, porquanto propiciam a prevalência do mosquito causador da malária”.

Ali refere que a campanha em curso “resulta da preocupação manifestada pelo Governo do Distrito, face a subida de casos da malária, sobretudo neste período chuvoso, sendo o Bairro de Ampapa um dos que mais casos apresentou nas últimas semanas”.

Refira-se que, só na semana de 31 de Janeiro a 6 de Fevereiro, o distrito da Ilha de Moçambique registou uma evolução de 68% de casos positivos.

Neste momento, o governo local está a mapear os locais com maior foco de contaminação, buscando unir sinergias com os diferentes atores chave do distrito, no sentido de eliminar os principais factores de propagação da malária.

Durante a palestra na Escola Primária de Ampapa foram, igualmente, transmitadas mensagens sobre as medidas de prevenção da COVID-19. (Redação)

Governo de Cabo Delgado reconhece papel do CDD na promoção e defesa dos direitos humanos

Pemba (IKWELI) – O Conselho Executivo Provincial de Cabo Delgado distinguiu, através de um certificado de reconhecimento, o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD) pela sua relevante contribuição na promoção do desenvolvimento sócio-económico, bem como na promoção e defesa dos Direitos Humanos da população da província em geral e dos deslocados internos em particular.

Desde 2020, ano em que o extremismo violento atingiu proporções alarmantes em Cabo Delgado, com invasão de vilas, decapitação massiva de civis e uma crise humanitária sem precedentes, o CDD tem estado a acompanhar com particular atenção a situação dos deslocados internos, a monitorar e a denunciar as violações dos Direitos Humanos e o fechamento do espaço cívico.

O CDD foi a primeira organização da sociedade civil a advogar pela saída das empresas militares privadas (mercenários russos da Wagner e sul-africanos da DAG) que apoiavam as forças moçambicanas na luta contra o extremismo violento. No seu lugar, o CDD sempre defendeu a intervenção militar de uma força multilateral, preferencialmente constituída pelos países da região, tal como está a acontecer desde Agosto de 2021, altura em que a missa da SADC iniciou com as operações de combate no terreno.

No âmbito da sua acção para a promoção do desenvolvimento socioeconómico e protecção dos Direitos Humanos, o CDD tem desenvolvido várias iniciativas com foco para Cabo Delgado, desde logo os Princípios Voluntários sobre Segurança e Direitos Humanos (VPSHR, sigla em inglês), a qual trata-se de uma iniciativa que procura, por meio da cooperação de vários actores, promover e facilitar da implementação efectiva dos VPSHR, com vista a minimizar o risco de abusos dos Direitos Humanos e incidentes relacionados com a segurança nas comunidades, melhorando as relações com as comunidades e introduzindo mais transparência e responsabilidade nos arranjos de segurança entre as empresas e o Estado, bem como com os provedores de segurança privada.

A aplicação desta iniciativa não só fornece bases para enfrentar os desafios da governação, como também permite que as empresas melhorem o seu desempenho social. Esta iniciativa conta com o apoio do Alto Comissariado do Reino Unido e da Agência Suíça de Cooperação e Desenvolvimento (SDC) e tem como parceiro programático o Geneva Centre for Security Sector Governance (DCAF).

O programa “Acção da Sociedade Civil para Coesão Social no Norte de Moçambique” é uma iniciativa liderada pelo CDD, em parceria com o IESE e o MASC, e com o apoio da SDC. Este programa foi lançado no ano passado e visa fortalecer a coesão social no Norte de Moçambique, tendo como grupos alvo jovens e mulheres, vistos como “agentes de mudança”, tanto individuais quanto colectivos. Os agentes de mudança colectivos, também, incluem instituições públicas que têm interesse, capacidade e ideias para contribuir para a inclusão económica, política e social, melhorar a capacidade de resposta do Estado e a prestação de serviços.

Os parceiros de implementação são catalisadores para a mudança em diferentes níveis, promovendo o acesso dos cidadãos a informação e a participação na tomada de decisões, bem como sistemas de governação local sustentáveis como motores para a coesão social e desenvolvimento inclusivo.

Com foco na juventude, o Leadership Enhancement and Agency Development Project (LEAD) é outra iniciativa liderada pelo CDD e implementada com o apoio da SDC e OSISA. O LEAD procura envolver e aprimorar ascapacidades dos jovens para a participação política, de modo a influenciar as políticas sobre questões de afectam as suas vidas e suas aspirações. Na sua fase inicial, o LEAD tem como alvo as províncias do norte de Moçambique (Cabo Delgado, Nampula e Niassa), com foco em jovens sub-representados e desfavorecidos em termos de representação e envolvimento democrático.

No actual contexto de conflito em Cabo Delgado, o LEAD reorientou a sua abordagem dentro de um objectivo mais abrangente de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (PCVE) não   só em Cabo Delgado, mastambém em toda a região norte do país.  Assim, os Youth Hubs (agências da juventude), também, se tornarammecanismos para construir a resiliência dos jovens ao extremismo violento.

Ainda em Cabo Delgado, o CDD está a liderar a Plataforma de Diálogo para a Resolução do Conflito, um programa que propõe o uso estratégico do diálogo multissectorial como ferramenta para a resolução do conflito naquela província. Desde modo, identifica a situação desejável, a metodologia e os recursos necessários para promover a resolução bem-sucedida do conflito, tendo a equipa do CDD e parceiros estratégicos como facilitadores do diálogo.

A Plataforma de Diálogo para a Resolução do Conflito baseia-se no reconhecimento   de que a aplicação da forçamilitar, por si só, não vai resolver o conflito em Cabo Delgado, tornando-se necessária uma abordagemabrangente. O programa baseia-se ainda no pressuposto de que é fundamental um diálogo que reconheça o valor e a importância do conhecimento local e das percepções das comunidades, bem como as suas aspirações.

O programa prevê o estabelecimento de uma plataforma multissectorial de base local em Cabo Delgado parafacilitar o diálogo, envolvendo não apenas o Governo (nacional e provincial – com foco na política, segurança edesenvolvimento), as comunidades, a sociedade civil e as organizações religiosas, mas também o sectorprivado (investidores internacionais e locais) e missões/organizações internacionais.

A quinta e última iniciativa liderada pelo CDD, em Cabo Delgado, é a “Consulta aos Cidadãos e Diálogo para a Promoção de uma Transição Energética Inclusiva em Pemba”, a qual é implementada com o apoio do Alto Comissariado Britânico em Moçambique, e visa promover uma transição energética mais inclusiva e um desenvolvimento urbano sustentável para a cidade de Pemba, liderando um processo de consulta aos cidadãos que encoraje um maior envolvimento e participação da sociedade civil. Espera-se que esta iniciativa culmine com a criação da Assembleia dos Cidadãos sobre a Transição Energética em Pemba, um fórum multissectorial de actores engajados na discussão sobre a transição energética inclusiva. (Redação, com CDD)