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Sector da Saúde e parceiros discutem relação em Nampula

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula, no norte de Moçambique, foi palco nesta terça-feira (29) de um seminário de colaboração entre o sector da saúde e organizações da sociedade civil, com o intuito de harmonizar as intervenções das partes no melhoramento serviços prestados para as comunidades.

Este foi o primeiro encontro do género, e de acordo com a chefe do Departamento de Saúde na direcção provincial de Saúde de Nampula, Minakumany Pratapsinh, “o sector de saúde cria parcerias público-privadas e com agências internacionais para a mobilização de recursos adicionais, e com a sociedade civil para potenciar advocacias e a provisão dos serviços oferecidos pelo sector da saúde”, por isso o seminário visou “criar uma visão partilhada entre os actores estatais e não estatais sobre as melhores formas de colaboração e partilha de informação de interesse mútuo, através de uma identificação de acções que possam criar sinergias entre os mecanismos de diálogo e relacionamento existentes, e por outra razão estabelecer um consenso sobre os canais de comunicação e a partilha de informação, dinamizando assim a nossa parceira”.

A fonte assegurou que “o sector de saúde de Nampula pretende construir uma cultura organizacional que favoreça a cooperação e interação entre as áreas comprometidas. Pretendemos implantar uma cultura de prestação de contas de ambas as partes, medindo assim o impacto das nossas intervenções”.

“Pretendemos, também, criar a união de forças com o intuito de atingir e resolver os nossos determinantes através de uma reinvenção que se adequa ao contexto de cada desafio que nós vamos tendo”, anotou a chefe do departamento de Saúde Pública em Nampula, assegurando ser do interesse e prioridade de todos “tornar o nosso serviço satisfatório e garantir melhores resultados para ambas as instituições. Construção colectiva de conhecimentos, através destes nossos contactos”.

A directora provincial de Educação de Nampula, Mariamo Agostinho, representou Manuel Rodrigues, governador provincial no evento, e considerou que “o seminário visa melhorar a qualidade de saúde da nossa população, especialmente da mulher e da nossa criança”.

“Para o governo, a melhoria dos indicadores da saúde da mulher e da criança faz parte das suas grandes prioridades, e neste contexto, diversos programas estão em curso, desde a expansão da maternidade, formação e admissão de mais profissionais de saúde, programas de planeamento familiar”, disse Mariamo Agostinho.

No âmbito destes esforços, segundo a governante, “nos últimos dois anos, o número de unidades sanitárias que prestam serviços de maternidade passou de 197 para 207 unidades sanitárias”, tanto que concluiu que “igualmente, expandimos os serviços de TARV para mais 14 unidades sanitárias, totalizando 222 unidades, cujo propósito é reduzir o risco de transmissão vertical da doença do HIV/SIDA da mãe para o bebe”. (Aunício da Silva)

Macomia: deslocado indiciado de roubar telefone celular espancado até a morte

Macomia (IKWELI) – Um jovem de aparentemente 27 anos, deslocado, do posto administrativo de Mucojo, foi espancado na passada sexta-feira (18), até a morte, depois de pesarem sobre si, acusações de roubo de um telefone celular numa barraca.

Segundo testemunhas, o jovem que em vida respondia pelo nome de Mussa, era deslocado da aldeia Simbolongo, posto administrativo de Mucojo, alegadamente roubou telefone, numa barraca na zona residencial de Napacala, no bairro Changane, onde foi fazer compras.

“Começaram a espancar quando ele negou que levou o telefone, foi dali que apareceu um tal, bateu com um pau aqui na nuca e logo não ficou bem, tendo começado a gritar, levaram para dentro, mas até 22 horas perdeu a vida”, contou uma das pessoas que participou no enterro da vítima.

Disseram as fontes, entrevistadas pelos nossos correspondentes, que o proprietário do telefone e responsável da acusação, que levou ao espancamento mortal da vítima, estava sob custódia das autoridades policiais, no Comando Distrital da PRM de Macomia, mesmo assim, ele e a família assumiram as despesas da cerimónia fúnebres.

Mais uma outra fonte disse ter se apercebido que, mais tarde, o celular teria sido descoberto, mas não explicou em que circunstâncias foi localizado, aliás, o acusador teria se lembrado que tinha esquecido o telefone na sua residência.

É a primeira vez que um deslocado é acusado de roubar telefone e espancado de forma brutal por supostos nativos de Macomia, porém nas ocasiões anteriores, as famílias deslocadas, foram acusadas de serem simplesmente elas a beneficiar a ajuda alimentar, excluindo as famílias acolhedoras. Também foram acusadas de terem fechado a chuva através de métodos tradicionais, quando no ano passado, na região não chovia com regularidade. (Redação)

Nampula: casal de jovens detido por venda de soruma e o dinheiro era para comprar “prótese” para a mulher no dia 7 de Abril

Nampula (IKWELI) – Um casal de jovens, com idade de 27 e 22 anos, respectivamente, encontra-se encarcerado nas celas da 1ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (P.R.M), na cidade de Nampula, indiciados de venda de droga do tipo cannabis sativa, vulgo soruma.

Os indiciados contam que a intenção de venda de drogas era de adquirir dinheiro que serviria para comprar cabelos artifícios (prótese/peruca), a qual serviria para a mulher passar linda o dia da mulher moçambique, que se celebra a cada 7 de Abril de todos os anos. Ambos residem no distrito de Mogovolas, concretamente na localidade de Cusse, no posto administrativo de Calipo.

Segundo conta o homem, não tendo condições económicas para o efeito, preferiu levar uma soruma que tinha dentro da sua casa para ir vender na cidade de Nampula, concretamente no bairro de Murrapaniua, posto administrativo de Natikiri, onde teria identificado um comprador e combinado o preço de 3.700,00Mt (três mil e setecentos meticais).

O casal conta que se fazendo transportar numa motorizada pessoal, usou a estrada que liga o distrito de Mogovolas com o de Murrupula, dado que a sua neutralização ocorreu no posto de controlo do Lourenço, na cidade de Nampula, local onde a motorizada teve avaria. O homem confessa que é a primeira vez que se mete na venda de drogas, mas que fez com a intenção de satisfazer as necessidades da sua esposa.

“Pegaram-nos no posto do Lourenço onde a minha moto teve avaria no mercado local, daí tomei transporte público para seguir ao meu destino. Venho da localidade de Cusse e este produto é meu, são três baldes de 10 litros cada”, disse o marido indiciado, esclarecendo que “vinha procurar maneiras para conseguir dinheiro e comprar peruca para minha esposa. Ela pediu-me para passar o dia da 7 de Abril, e porque eu queria ver minha esposa bonita preferi levar esse resto de produto para vender”.

Sobre a proveniência da droga, o homem revela que conseguiu através do seu tio, também residente em Mogovolas.

De acordo com o indiciado, trocou um saco de 50 quilogramas contendo mandioca seca por três baldes de 10 litros cada de soruma. E já neutralizado revela-se desnorteado por não conseguir investir na sua esposa no Dia da Mulher Moçambicana.

A mulher disse em entrevista que “segui meu marido para comprar peruca. O que aconteceu é que antes pedi-lhe que comprasse para colocar no dia da festa da mulher. Mas ele disse-me que não tinha dinheiro e para tal, iria à cidade de Nampula para vender uma quantidade de soruma que tem para depois me dar o que eu queria. Assim aconteceu, tomamos a motorizada com destino a cidade, mas fomos encontrados pela polícia”.

Enquanto isso, o suposto comprador de 40 anos de idade, residente no bairro de Murrapaniua, na cidade de Nampula, recusa ter sido a pessoa que compraria a droga, e confessa que junto dos vendedores, encontraria alguém que pudesse comprar. Até porque segundo disse, a relação que tem com o casal é de amigos, movida por negócios de troca de produtos agrícolas naquele distrito.

Já o porta-voz do comando provincial da P.R.M, Zacarias Nacute, refere que os indiciados retiraram a droga no distrito de Mogovolas e transportaram para comercializar na cidade capital provincial de Nampula à um outro indivíduo identificado.

Todavia, a incursão falhou, tendo sido neutralizados os envolvidos no caso e encarcerados nas celas da polícia onde aguardam os procedimentos legais para a sua responsabilização criminal.

Refere-se que este é o segundo caso de venda de drogas, no caso concreto de soruma, que a Polícia da República de Moçambique exibi ao público em menos de dois dias, indivíduos provenientes do distrito de Mogovolas, tal como a proveniência da droga apreendida. (Esmeraldo Boquisse)

Nova Democracia considera ser um roubo o aumento do preço de combustíveis em Moçambique

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) descreve o actual cenário de aumento de preço dos combustíveis em Moçambique, como sendo um roubo oficial perpetrado pelas autoridades governamentais nacionais.

Em Moçambique os preços de combustíveis registaram um aumento desde semana passada, trazendo consigo várias consequências. Na província de Nampula, por exemplo, houve a paralisação do serviço de transporte público por dois dias consecutivos, porque os seus operadores exigem o aumento de tarifa de passagem nas rotas urbanas, passando dos actuais 10,00Mt para 20,00Mt, alegando o aumento dos preços de combustíveis.

Para a Nova Democracia, o agravamento de preços de combustíveis é ilegítimo. Aliás segundo o posicionamento do partido, através de um comunicado enviado à nossa redacção, a subida de preços de combustíveis é uma estratégia dos governantes moçambicanos que detém empresas do ramo de combustíveis.

“As incongruências destes aumentos são denunciáveis se se olhar que a referida guerra [entre a Rússia e a Ucrânia] apenas dura duas semanas”, refere o mesmo comunicado.

Para aquela formação política, as autoridades governamentais moçambicanas deviam pautar pela redução de preço em benefício dos cidadãos, visto que “no mercado internacional o barril do crude caiu consideravelmente, após duas semanas de pico chegando a vender-se abaixo de 100 dólares baril, o que em todo mundo se celebra pelo aparente alívio no preço de retalho”.

“Uma eventual subida de preço de combustíveis deveria recair nunca sobre produto em estoque, mas sobre o produto a estocar cujos custos de aprovisionamento se elevaram e justificariam tal aumento.  Nada! Este aumento só cabe na cabeça dos lobos que nos governam”, lê-se no comunicado

Num outro ponto de análise, a ND recordou que “Moçambique é e foi transformada na contramão de tudo o que acontece no mundo. Aqui o aumento de preços não tem nada a ver com a indexação de custos de produção ou provisão de bens, mas da quantidade de lucro a obter, para manter o ranking e performance das ditas empresas”.

Para além dos combustíveis, ND generaliza ao cenário de outros produtos.  “Sim este é um roubo oficial a que o desgoverno de Moçambique quer para os seus cidadãos. Acontece este fenómeno, para o arroz, o açúcar, a farinha de milho madeira, placas de construção, ferro, cimento e etc. Que estejam estocados nos armazéns de todo país, sempre que os lacaios do capitalismo subalterno entendam ganhar mais, roubando do bolso do cidadão. Produtos adquiridos e com margem de lucro bastante e, do nada, inflacionam nos armazéns. Acontece em todas as ferragens, mercearias, quinquilheiros e ninguém pia! O povo é sacrificado sempre que pretendem roubar ou acumular de forma selvagem”.

Por outro lado, o ND considera que a Autoridade Tributária (AT), também, não está a desempenhar com rigor o seu papel. “A Autoridade Tributária não vê este crime e sua preocupação é eliminar a pobreza e os pobres de Milange e Molumbo, matando os pobres através do seu braço terrorista, acampado na polícia do povo, a PRM”, ironiza a fonte que temos vido a citar.

“A Autoridade Tributária não controla este negócio onde poderia multar e repor o preço ao cidadão. O assalto a que o povo está sujeito, esta dita autoridade não vê, pois come ali e seus chefes têm alianças com os candongueiros e que não podem ser tocados e em função da quantidade de dinheiros que pretendam numa determinada semana, inflacionam os preços de produtos estocados nos armazéns. É um roubo total. Isto tem violência não é apenas uma burla. mas isto é mesmo roubo e violenta de forma sangrenta o povo. Morre tanta gente porque não pode prover meios de subsistência e isso é violento. É roubo”, refere.

“Sim isto é um autêntico linchamento humano, perpetrado por um estado falhado, que decidiu juntar criminosos da mais alta perigosidade a frente do negócio público, desumanos, assassinos e mercenário de agendas inconfessas, que determinaram matar o povo sim, porque daqui, todos os factores de preços vão registar aumentos desde a alimentação, o transporte de pessoas e mercadorias e toda a cadeia comercial ficará mais cara e afectada”, continuou.

No mesmo comunicado que leva a assinatura do respectivo líder do partido, Salomão Muchanga, a Nova Democracia reitera que “este aumento é criminoso, visa objectivos que não têm nada a ver com Moçambique e os moçambicanos, mas com a gangue que assaltou o poder e quer perpetuar o assalto, enquanto se morre de mãos em chapa, de tanto aplaudir sem energia no corpo”.

Diante deste cenário, “A Nova Democracia faz o grito do despertar para que se saia desta cadeia em que aprisionam a Nação e o povo. Basta desta sujeira, agora que chove e muitas famílias ficaram afectadas, eles, a gangue, fingem que não viu e não vê, e deleita-se no café cheiroso da manhã, enquanto o cidadão está no mercado, na banquinha e há aqueles que saem no orvalho e pingo de chuva, para colher folhas verdes e raízes selvagens para a próxima refeição, sem condições de se defenderem destas intempéries, da desgraça acometida, e sem poder viver condignamente”. (Redação)

Nampula: 11 crianças deslocadas de guerra passam dias difíceis no mosteiro Mater Dei

Nampula (IKWELI) – Um total de 73 (setenta e três) crianças, das quais 11 (onze) deslocadas em consequência do conflito armado terrorista que assola o norte e centro de Cabo Delgado, passam por dias difíceis no mosteiro Mater Dei que os acolhe nos arredores da cidade de Nampula.

O estabelecimento pertence a igreja católica, e segundo apurou o Ikweli, as crianças, neste momento, não dispõem de alimentação.

De acordo com a missionária Ermelinda Luciano, responsável pelo acompanhamento das crianças, com o conflito armado em Cabo Delgado, a procura por amparo naquele estabelecimento multiplicou, o que faz com que a capacidade de prover alimentação comece a ficar afectada.

“A situação que vivemos neste centro é difícil, principalmente por parte das crianças”, disse a fonte, explicando que “temos 11 crianças deslocadas do terrorismo em Cabo Delgado que estão aqui desde o mês de Junho do ano passado”.

A missionária acrescentou que “temos crianças doentes que precisam de alimentação, sobretudo a medicação, mas torna bastante difícil fazer face a situação, porque segundo a unidade sanitária mais próxima há falta de medicamentos”.

Para reverter a situação, as missionárias e as crianças com idade de trabalhar, tem se dedicado a prática da agricultura, de forma a produzir alimentos

Ainda diante destas dificuldades, o ensino e a aprendizagem continua garantido. “Todas as crianças que estão neste centro frequentam a escola para, pelo menos, terem um conhecimento para garantir um bom futuro delas”. (Nelsa Momade *Foto ilustrativa)

PRM apreende 4 baldes de soruma em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, anunciou a apreensão de, pelo menos, 4 baldes contendo droga do tipo cannabis sativa, vulgo soruma, na posse de dois indivíduos.

Na manha da última terça-feira (22), a corporação convocou a imprensa para a 2ª Esquadra, para apresentar os supostos donos, e ainda aferir que cada balde, onde contem a soruma, é de 10 litros, e a mesma tinha como destino oposto administrativo de Anchilo onde devia ser comercializado.

“Estou aqui na esquadra detido porque fui encontrado a transportar esses baldes de soruma”, afirma um dos envolvidos, justificando que está envolvida em cumprimento de pagamento de uma dívida que contraiu com o proprietário do produto. “Eu tenho uma dívida com este senhor de dois mil (2.000,00Mt) e ele mandou-me trazer esses baldes de soruma para liquidamos a divida”.

O suposto proprietário da soruma, de 39 anos de idade, diz que a soruma serve para pagar a pessoas que trabalham nas suas machambas em Anchilo. “Estou aqui por causa de soruma, como eu sou camponês essa soruma era para levar a machamba para dar às pessoas que trabalham lá, como forma de pagamento, e outra para eu vender e sustentar os meus filhos” concluiu o proprietário da soruma.

Na mesma ocasião, a PRM exibiu mais 3 pessoas, alegadamente por serem promotores da greve que assola o sector de transporte semi-colectivo de pessoas e bens.

“Ontem assistimos aqui na cidade a paralisação dos transportes semi-coletivos de passageiros e bens. No momento em que estes indivíduos paralisaram as suas atividades, criaram em algum momento uma desestabilização da ordem, facto esse que obrigou a polícia a intervir e efetuar algumas detenções, que culminou com três indivíduos”, justificou Nacute a razão da detenção dos “chapeiros”. (Hermínio Raja)

Nampula: Gondola chama Vahanle e ASTRA para ultrapassarem a greve de “chapeiros”

Nampula (IKWELI) – As autoridades governamentais de Nampula, no norte de Moçambique, já se mostram preocupadas com a paralisação da circulação dos transportes semi-públicos de passageiros na capital provincial e, por conta disso, reuniram-se nesta terça-feira (22), por solicitação do Secretário de Estado na província, Mety Gondola.

Esta terça-feira (22), segundo dia consecutivo da greve dos transportadores, residentes da cidade de Nampula continuam a andar a pé.

Forçadas com o incidente, as autoridades governamentais de Nampula, destacadamente, o Conselho de Representação de Estado na província de Nampula e o Conselho Municipal da cidade de Nampula, para além da Associação dos Transportadores Rodoviários (ASTRA), reuniram-se nesta terça – feira para debater a matéria em alusão.

“Não é segredo que todos nós, no dia de ontem, acordamos com alguma tubulação pelo facto de sentirmos que os nossos transportadores colocavam esta preocupação em relação a tabela em uso e que pediam que houvesse alguma revisão, revisão essa que ao nível do que era colocado é da competência e liderança do nosso município”, começou por dizer Mety Gondola, Secretário de Estado na província de Nampula.

“Para estes espaços temos pedidos para que haja muita frontalidade, abertura, mas com isso é preciso que haja respeito. É preciso respeitar os órgãos estabelecidos, é preciso que respeitamos a dignidade. O que é mais importante é que nesta discussão consigamos encontrar a melhor forma de encaminhar os desafios que nós temos para o bem da nossa província, em particular da nossa cidade de Nampula”, acrescentou Mety Gondola.

Para esta reunião, o autarca Paulo Vahanle fez-se acompanhar por quadros da edilidade, incluindo o presidente da Assembleia Municipal, Tertuliano Juma, e do outro lado da mesa, também, estava Luís Vasconcelos, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA).

Para além do aspecto relacionado com o sector de transporte, segundo apuramos, no mesmo encontro foram abordadas as áreas de energia e de água, destacando-se as diferentes formas de articulação interinstitucionais.

A imprensa só teve a parte introdutória do referido encontro, sendo que as decisões a serem tomadas no mesmo serão tornadas públicas oportunamente, segundo garantias do Secretário de Estado na província de Nampula. (Constantino Henriques)

Ilha de Moçambique: 8 dias depois primeira capital do país volta a estar iluminada

Nampula (IKWELI) – Finalmente, a empresa electricidade de Moçambique (EDM) conseguiu religar a energia eléctrica da rede nacional no distrito da Ilha de Moçambique, no norte do país, que se encontrava destruída em consequência da passagem do ciclone tropical Gombe entre os dias 12 e 13 do corrente mês.

A data da passagem do ciclone, um contacto do Ikweli na Ilha de Moçambique observava que seriam necessárias, pelo menos, duas semanas para a reposição da rede eléctrica, mas os esforços dos técnicos da EDM fizeram que tal período não fosse necessário.

O delegado da EDM em Nampula, Eduardo Pinto, partilhou, com satisfação, a informação num grupo de mídia social, afirmando que “damos a conhecer que às 19h15 minutos energizamos o distrito da Ilha de Moçambique. Assim, todos os 23 distritos da província de Nampula já estão religados”.

Posto isso, segundo ficamos a saber, a empresa continua a envidar esforços para estabilizar a rede na mais populosa província de Moçambique. (Redação)

Segunda-feira agitada em Nampula: operadores de “chapa-100” exigem aumento da tarifa

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, viveu uma segunda-feira bastante agitada, em consequência da paralisação do serviço de transporte semi-colectivo de pessoas e bens, cujos operadores reivindicam o aumento do preço actualmente praticado em resposta ao aumento dos preços de combustíveis no país.

Nem todos os operadores aderiram a greve, mas os que não o fizeram voluntariamente foram forçados a fazê-lo, pois não podiam carregar sequer um único passageiro.

Na rota Muahivire/Waresta, por exemplo, passando pelas Avenidas do Trabalho e Paulo Samuel Kankhomba, era visível um aglomerado de pessoas que percorria a cidade a pé em consequência da paralisação do “chapa-100”.

Em vários pontos da cidade, o Ikweli observou cidadãos parados a pensar no que fazer para chegar aos seus postos de trabalho. Os que podiam encontravam no serviço de táxi de mota como a solução, ainda que os seus operadores, também, tenham agravado o preço em resultado do aumento do preço dos combustíveis.

“Estamos cansados de sermos sempre sacrificados. Regista-se o aumento do preço de gasolina, mas nós continuamos na mesma. O preço de chapa permanece, enquanto os prejuízos que somamos são enormes. Ultimamente virou hábito, ganharmos pouco ou então nada ao exercer essa actividade de transporte de pessoas e bens nesta cidade”, desabafou Emanuel Victor, automobilista em greve.

A posição de Emanuel foi secundada por Lourindo da Costa, outro transportador, que justifica a manifestação com base no aumento dos preços de combustíveis e o silêncio das autoridades governamentais quanto a situação dos transportadores que em Novembro do ano passado, através das associações que tutelam a área, submeteram a proposta da tarifa de preços, mas que não foi apreciada, tampouco aprovada.

Por seu turno, os chapeiros que operam na rota Muhala Expansão/Waresta via Matadouro, disseram que a paralisação das suas actividades é pelo facto de não conseguirem ganhos.

“Paramos de carregar os passageiros porque não estamos a produzir boa receita, com esse preço actual de combustível”, disseram alguns transportadores da rota Muhala Expansão/Waresta, para os quais “antes era normal aquele preço 68,00MT, agora com esse preço de 80,00MT por litro, depois nos cobrarmos dez meticais (10,00MT) por passageiro, não cobre”.

A exigência dos transportadores é “ou ASTRA aumenta o preçário dos chapas de dez meticais (10,00mt) para quinze meticais (15,00mt), ou o governo deve reduzir o valor do combustível”.

O desespero dos utentes

“Estamos aqui parados desde às 06 horas, mas infelizmente não aparecem chapas que estejam a carregar passageiros”, disse lamentando Felismina Castro, uma das passageiras que se encontrava numa das paragens de chapa.

“Até os operadores de táxi-mota já agravaram os preços. Para chegar no centro da cidade, eu pagava trinta meticais (30,00Mt), mas hoje estão a aplicar 50,00Mt, esse valor é muito elevado”, disse Estela Augusto, residente na zona do campo dos Macondes.

Os utentes da rota Waresta/Polígono, entendem que a reivindicação dos transportadores é legítima, apesar da mesma impactar negativamente na vida socioeconómica dos munícipes, no geral.

“Eu acordei por volta das 6 horas e, quando cheguei na estrada, não vi nenhum chapa a circular. Quando perguntei as pessoas sobre o que estava a acontecer, disseram-me que havia paralisação de chapas, não havia chapa”, disse um munícipe que se identificou por José.

Ao Ikweli, José disse ser morador de Mutava Rex, um dos bairros limítrofes da cidade de Nampula, e trabalha no distrito de Rapale. Com a paralisação dos transportes de passageiros, a fonte viu-se obrigada a percorrer uma longa distância, a pé, para o Mercado do Waresta onde iria tomar o transporte para o destino.

 

“Estou a andar a pé de lá até aqui, já estou uma hora e meia a andar. Saí da Rex e pretendo apanhar outro chapa para Rapale”, disse a fonte, para quem “acho que os transportadores têm razão. A gasolina subiu, chapas inter-distritais e provinciais também subiram, então acho que eles podiam subir, só que não temos como”.

Para Luciano Sualehe, outro munícipe, com a subida de combustíveis era de esperar o agravamento dos preços do “chapa-100”, mas não nos moldes em que os transportadores de Nampula estão a exigir.

“Eles têm razão porque o combustível, também, subiu. O pedido que faço é que não seja esse preço que querem porque é demais. Podia ser 15,00MT (quinze meticais), se fosse a esse valor, seria normal”, precisou o nosso interlocutor.

“Essa paralisação está a trazer grandes bagunças, por isso a cidade hoje está cheia. As pessoas iam a Waresta e aproveitavam os mesmos transportes para irem a Memória, mas agora ninguém consegue ir nenhum sítio longe, tem que andar a pé, por isso que a cidade está assim um pouco agitada. É uma paralisação que nos deixa triste”, considera Sónia Maria Roque.

“Eles até podem ter razão, mas o justo não era de subir de 10,00Mt logo para 20,00Mt. Se o combustível subiu de 71,00mt para 80,00mt, pelo menos eles podiam subir para 15,00Mt, isso seria justo, mas agora sinceramente, os munícipes não terão como. Estamos preocupados mesmo”, continuou a fonte, que pede para que o governo intervenha.

A situação da administração pública

A administração pública, assim como as empresas privadas, também, ressentiram-se da paralisação dos “chapa-100” na cidade de Nampula, e em consequência várias instituições abriram acima do horário normal, porque os seus colaboradores chegaram tarde.

‘A situação de subida de combustível é preocupante e complicada, penso que, por enquanto, não temos outra alternativa se não aceitar e sacrificarmos para chegarmos aos nossos locais de trabalho”, refere Tarcísio Lumbela, funcionário de uma universidade na cidade de Nampula.

Lumbela acredita que “esta situação afecta em vários aspectos.  O aumento de custo de combustíveis, também, vai afectar o aumento de custo de vida em diversas perspectivas, transporte, alimentação, entre outros, e vamos estar sempre prejudicados com este aumento”.

José Peganhas, funcionário do Serviço Distrital da Saúde, Mulher e Acção Social de Nampula, considera que “viver com esta situação não está a ajudar a população, assim como nós funcionários”, acrescentando que “estou a largar do trabalho e vou a pé até ao bairro de Muhala-Expansão por aumento de combustível e os transportadores em toda cidade estão paralisados”.

“A cidade está muito agitada, assim como estás a ver, por causa da paralisação dos transportes em consequência da subida dos preços dos combustíveis, as pessoas carregam os sacos na cabeça e isso nos faz voltar ao passado”, continuou a fonte.

Para Nunes Dias, trabalhador por conta própria, a subida de combustível está a trazer impactos negativos nos diversos sectores.

ASTRA culpa Vahanle

 Em torno do assunto que mexe com a população de Nampula, em particular a da cidade capital, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA), afirma ser uma manifestação ilegal por parte dos protagonistas, mas atira culpa as autoridades autárquicas que nada fazem em relação a proposta da nova tarifa de transportes público de passageiros no raio municipal submetida pela agremiação.

“Esta paralisação é praticamente ilegal, do ponto de vista da ASTRA”, reagiu Luís Vasconcelos, presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula, esclarecendo que “não é uma greve que está a ser protagonizada pelos proprietários das viaturas, os verdadeiros transportadores, mas é uma greve promovida pelos motoristas”.

Vasconcelos prossegue referindo que a ASTRA submeteu ao Conselho Municipal da cidade de Nampula, no dia 9 de Novembro de 2021, um documento de pedido de reajuste de tarifas dos anteriores 10,00Mt para 15,00Mt, mas que nunca tiveram resposta. Ademais, em jeito de pressão, no passado dia 19 do mês de Janeiro de 2022 a agremiação submeteu novamente o documento ao Conselho Municipal com o conhecimento da Assembleia, e de lá para cá a intenção redundou ao fracasso, apenas resume-se no silêncio das autoridades autárquicas.

O Ikweli soube que a ASTRA foi antes alertada sobre a manifestação dos automobilistas, através de uma ligação telefónica efectuada por um grupo de transportadores na passada sexta-feira dia 18 do mês corrente, caso essa não entrasse em negociação da tarifa com as autoridades competentes, tendo em conta que os preços dos combustíveis que são exorbitantes, a actividade já não produz lucro. Todavia, a resposta da ASTRA limitou-se em dizer que era da responsabilidade do Conselho Municipal dar o veredicto no assunto junto da Assembleia Municipal.

Contudo, “da sexta-feira para segunda-feira dizer que vai aumentar tarifa, não iria acontecer isso, tanto que não aconteceu e, por causa disso, os motoristas decidiram paralisar as suas actividades. A ASTRA está ciente que não é esta via negociável que o Conselho Municipal vai aprovar a nova tarifa”, mas também “esperamos que a qualquer momento o município se pronuncie e nos chame para analisar o documento que entrou em Novembro de 2021. O próprio Conselho Municipal está a ser muito lento ao tratar documentos dessa natureza, tudo recai para o Conselho Municipal que ao pedido da agremiação não tem levado com bons olhos, parece leve o assunto, mas hoje temos esta paralisação”, acusou Vasconcelos ao afirmar que a ASTRA nada tem a fazer neste momento, senão esperar o despacho da edilidade. (Constantino Henriques, Esmeraldo Boquisse, Hermínio Raja e Nelsa Momade)

Macomia: detenções ilegais e baleamento de jovem distanciam FDS e populações locais

Macomia (IKWELI) – Nos últimos dias, no distrito de Macomia, centro de Cabo Delgado, a violência armada terrorista foi reportada, na aldeia Nova Zambézia, posto administrativo de Chai, onde em menos de uma semana, os terroristas, atacaram posições das Forças de Defesa e Segurança (FDS), deixando pelo menos quatro mortos, um deles comandante de uma unidade militar ali afecto, e um elemento das forças locais.

Mas antes destes ataques, os terroristas tinham ceifado a vida de mais um elemento das Forças de Defesa e Segurança, afecto a Unidade de Intervenção Rápida, depois do ataque à uma posição na aldeia V Congresso. O tal agente, que fora decapitado de forma cruel (deixado em pedaços), segundo tinham revelado as Forças de Defesa e Segurança era natural de Niassa e membro da subunidade da mesma província tendo estado em Cabo Delgado, em missão de serviço.

Outrossim, o clima de insegurança, não só afectou as forças moçambicanas, mas também aos cidadãos civis da vila sede de Macomia. Pouco depois do ataque as aldeias da localidade Nacate (Machova e Bangala 2), em finais Fevereiro último, elementos da UIR, sem mandado, capturaram um agente económico local de nome Chafim Agira, sob alegação de ser logístico dos terroristas.

O comerciante, que viajava a Pemba, foi interceptado, num controle com a família. Capturado, a família foi abandonada no local.

Na mesma semana, foram capturados, o seu empregado e outras três pessoas, por sinal deslocados dos postos administrativos de Mucojo e Quiterajo. Chafim e o seu empregado foram restituídos a liberdade, mas os restantes não se sabe ainda o seu paradeiro, de acordo com fontes locais.

A 6 de Março corrente, três agentes da UIR, afectos no distrito de Macomia, balearam na cabeça, um agente económico do bairro Changane, arredores da vila. Os agentes interpelam o comerciante quando ia à sua casa, pouco depois de fechar o seu estabelecimento comercial, por volta das 19 horas.

“Eram agentes devidamente fardados, parece que estiveram a perseguir sempre só naquele dia é que viram a oportunidade de o agredir”, comentou seu colega com quem, também, vende no mesmo mercado, localizado no bairro Changane.

Depois de atingirem por um tiro na cabeça, os agentes puseram em fuga, tendo um deles perdido no local dois celulares e algumas balas, segundo uma fonte familiar, no dia seguinte, as autoridades não prestaram quaisquer socorros, tendo sido a própria família custeado as despesas de transporte para o Hospital Provincial de Pemba, onde está a ser tratado.

Por outro lado…

Há, também, a preocupação, por parte da população de Macomia, do sumiço de alguns residentes das aldeias que foram capturados pelas FDS e que nunca mais voltaram, receando-se que estejam ainda vivos.

Segundo contaram fontes locais, há um jovem que desde que foi supostamente capturado por elementos das FDS, da Unidade de Intervenção Rápida, não regressou a casa há quase um mês.

Diz-se que Ayuba, também conhecido por Manhunha, residente em Changane, é o caso. “Também capturado, alegadamente por ligação com os terroristas, mas os familiares e vizinhos não têm notícia do Manhunha, nunca suspeitaram-no de conduta duvidosa nem ligação com terroristas”, refere uma fonte do Ikweli no terreno.

A mesma fonte conta que “há um outro jovem no bairro Napulubo, esse não sei nome dele, mas também dizem que ainda não regressou, agora o Manhunha os familiares somos vizinhos e na linhagem alargada até somos familiares, mas também ainda não vimos aqui no bairro”.

Igualmente, as nossas fontes dizem que “no ano passado, as Forças de Defesa e Segurança, também, raptaram o comerciante Juma Maere, por motivos desconhecidos e também não regressa a casa, até que os familiares fizeram cerimónias como se de um falecido se trata-se”. (Redação)