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Mussito Júnior e Daniel Manjate suspensos do Nampulense por promoverem violência em recinto desportivo

Nampula (IKWELI) – A Associação Provincial de Futebol de Nampula (APFN), a entidade máxima que vela a modalidade rainha na mais populosa província de Moçambique, decidiu por suspender, temporariamente, os dirigentes desportivos, António Augusto Júnior (Mussito Júnior), presidente do Sporting de Nampula, bem como Daniel Manjate, Director desportivo do Clube Ferroviário de Nampula, pelo seu envolvimento em actos de violência no jogo entre Sporting de Nampula e Ferroviário de Nampula para a terceira jornada da série C do campeonato provincial.

Segundo o que reportamos na edição 913, o jogo disputado no dia 2 de Abril corrente, opondo as eternas rivais formações do Ferroviário e do Sporting, ambas da cidade de Nampula, a contar para a 3ª jornada do campeonato provincial na sua série C, não terá terminado como era o desejo da maior parte dos desportistas que acorreram massivamente ao Estádio 25 de Junho, local do confronto, porque o presidente do Sporting de Nampula empurrou ao director desportivo do Ferroviário de Nampula até cair, acto alegadamente movido em consequência de algumas decisões parciais do quarteto de arbitragem que dirigiu aquele duelo.

Entretanto, após o Ikweli publicar a matéria sobre o sucedido, a nossa equipa de reportagem foi alvo de ameaças e injúrias vindas, sobretudo do lado Sportinguista que considerou a publicação como sendo falsa e que tendia sujar o nome do Presidente dos “reis do Norte”. Aliás, por causa da mesma publicação, segundo apuramos, está em preparação um processo judiciário contra o jornal e o respectivo articulista.

No entanto, a Associação Provincial de Futebol de Nampula, no seu comunicado oficial nº 14/APFN/2022, decidiu suspender os dois intervenientes directos no cenário do último dia 2 de Abril do ano em curso, em que os amantes do desporto de Nampula descreveram-no de “vergonha total”. Em conformidade com o mesmo comunicado, a APFN disse ter se baseado em relatórios dos árbitros escalados para a referida partida, bem como do delegado ao jogo.

“Pelos factos ocorridos no jogo acima indicado, de acordo com os boletins de árbitros e do delegado ao jogo, ficam suspensos temporariamente os senhores António Augusto Júnior, Presidente do Sporting de Nampula e Daniel Manjate, Director desportivo do Clube Ferroviário de Nampula até a deliberação do Conselho de Disciplina da Associação Provincial de Futebol de Nampula”, refere o comunicado, no seu ponto número 4, sobre Justiça e Disciplina.

Segundo apuramos, a referida suspensão não veda aos indiciados de marcar sua presença nos palcos de jogos, mas que perdem o direito de sentar no banco técnico, como sucedeu no episódio de 2 de Abril.

A Associação Provincial de Futebol de Nampula puniu, também, ao Treinador-adjunto do Ferroviário de Nampula, Manuel Júnior (Payó). “Punir nos termos do nº 1 do artigo 104 do regulamento de Disciplina da FMF (Federação Moçambicana de Futebol), treinador-adjunto do Clube Ferroviário de Nampula, Senhor Manuel Júnior, com a pena de 2 jogos de suspensão e multa de 500,00Mt, por ter sido expulso no banco técnico, no jogo realizado no dia 02/04/2022 contra Sporting Clube de Nampula, referente a 3ª jornada do campeonato provincial”, indica o comunicado. (Constantino Henriques)

Nampula: HCN foi o último “palco” de várias mulheres no dia 7 de Abril

Nampula (IKWELI) – O Hospital Central de Nampula (H.C.N), o maior da região norte do país, contabilizou na semana prestes a terminar, cerca de 90 pacientes por agressões físicas, sendo o grosso número de mulheres que deram entrada no dia 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana.

A informação é do Hospital Central de Nampula, através da médica generalista afecta ao Banco de Socorro, Mariamo Ussene, que disse ser preocupante a entrada de doentes por agressões físicas, antecedidas por acidentes de viação, sobretudo nas festividades do Dia da Mulher Moçambicana.

“Falando do 7 de Abril do ano de 2022 foram atendidos 187 doentes, dos quais 11 por acidentes de viação e desses, foram internados cinco”. E dos cinco internados, “dois foram levados à reanimação por apresentarem lesões graves e um deles culminou em óbito”, informou à Imprensa na manhã desta sexta-feira, 8 de Abril, a médica generalista, no briefing sobre as ocorrências do dia da mulher moçambicana.

Para além do paciente do sexo feminino que perdeu a vida no hospital, a fonte avançou o registo de mais um óbito extra-hospitalar que se pressupõe que tenha perdido a vida por intoxicação, nos arredores da cidade de Nampula, o que contabiliza duas vítimas mortais do sexo feminino.

No global, Mariamo deu a conhecer que durante a semana prestes a findar o H.C.N, atendeu cerca de 1648 doentes, onde o número de destaque sempre vai para acidentes de viação, agressão física que culminam em internamento e óbitos, respectivamente. Como ilustração, segundo disse a fonte, quatro pacientes por agressão que deram entrada no dia 7 de Abril apresentaram-se em estado grave, o que ditou o seu internamento. (Esmeraldo Boquisse)

Palma: elementos da UIR são apontados de terem atirado mortalmente pescadores locais

Palma (IKWELI) – O dia 27 de Março de 2022 devia ser de rotina normal para dois pescadores da vila de Palma, na província de Cabo Delgado, mas o destino mostrou o contrário, tanto que foram mortos por agentes do Estado.

Foram para mais uma actividade de sustento familiar, mas regressaram sem vida. Ao invés de receber peixe, os familiares receberam cadáveres. Esta é a história de dois chefes de familiares, que em pouco tempo, a sua vida terminou devido a suposta intolerância de elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS).

Dois pescadores da vila de Palma, foram mortos no dia 27 de março findo, depois de terem sido torturados por elementos da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), alegadamente por terem sido encontrados, em um lugar onde não deviam estar. É mais uma prática que mancha o bom nome das forças moçambicanas e amplia as acusações de não respeito a vida e direitos humanos.

Em causa está o facto das vítimas, que perderam a vida no Posto Policial de Quitunda, para onde foram levados depois de várias torturas por mais de 10 elementos da UIR, por terem sido encontrados a pescar numa zona, chamada Ngodji, onde é proibida a circulação de civis incluindo pescadores.

Um morador local, identificado por Amisse, contou à nossa reportagem que “os cerca de 10 agentes foram vistos por várias pessoas a maltratarem os pescadores, mas não poderiam fazer algo, se não denunciar, aos militares ruandeses, considerados como sendo forças amigas da população de Palma”.

“Os pescadores tinham ido numa ilha próxima, aqui mesmo em Palma, depois sobressaíram os da FIR (referia a UIR), bateram até a morte. Os da UIR têm uma atitude, quando matam pessoas eles abandonam no mato, mas esses dois pescadores trouxeram em Quitunda, nos últimos momentos de vida, porque algumas pessoas viram quando estavam a fazer”, contou, para depois explicar que o local da ocorrência não dista tanto da vila sede de Palma.

“É aqui perto, ali na zona de Ngodji, perto mesmo de onde vão tirar o gás, nem chegam 5 quilómetros daqui da vila, só que os ruandeses já foram informados e disseram que vão seguir o caso e nós aqui acreditamos que vão também punir”, comentou a nossa fonte.

Outras fontes, referem que os pescadores pararam nas mãos dos elementos da UIR, devido a ventania que naquele dia soprava tanto, e os mesmos não foram capazes de dominar as suas canoas tendo sido arrastados até onde está a posição e daí confundidos como se de terroristas se tratasse.

“Só que o que as pessoas foram ditas pelas forças de Ruanda é que todos aqueles que, por várias circunstâncias forem capturados, deve-se perguntar os líderes se são ou não terroristas”, explicou uma delas, mas concluiu que neste caso não aconteceu.

A morte dos pescadores que é atribuída àquela unidade das Forças de Defesa e Segurança, acontece numa altura em que a vila de Palma e aldeias arredores, regista regresso paulatino de famílias que tinham, em 2021, se deslocado à diferentes pontos de Cabo Delgado e Nampula, devido ao incremento de ataques terroristas na região. (Redação)

Mussito Júnior (Sporting de Nampula) “espanca” Daniel Manjate (Ferroviário de Nampula) em pleno jogo

Nampula (IKWELI) – Depois de algumas épocas de uma aparente calmia e civilização comportamental por parte dos fazedores do desporto, em particular o futebol de Nampula, no último sábado os palcos desportivos da considerada província mais populosa de Moçambique voltaram a ser centro de agressões físicas perpetradas pelos dirigentes desportivos.

Desta vez os protagonistas foram Mussito Júnior, presidente do Sporting de Nampula, e Daniel Manjate, director desportivo do Ferroviário de Nampula.

Faltavam escassos minutos para o término do jogo entre as duas equipas, pontuável para a terceira jornada do campeonato provincial de futebol de Nampula, ao nível da série C, e assistia-se um verdadeiro dérbi nampulense, com os artistas dos dois lados a fazerem o seu melhor para merecerem cotação dos seus treinadores, o que fez com que o jogo continuasse empatado sem abertura de contagem, elevando assim os ânimos por parte dos dirigentes das duas colectividades, enquanto nas bancadas vivia-se um verdadeiro ambiente de fair-play desportivo.

Ora, Payó, treinador-adjunto do Ferroviário de Nampula é expulso do banco técnico porque, segundo apuramos de fontes directamente ligadas ao jogo, Payó terá proferido palavras ofensivas a equipa de arbitragem o que culminou com um cartão vermelho directo.

Minutos depois a expulsão de Payó, o Ferroviário de Nampula desfez o nulo no placar, através do regressado Isac e, contracorrente do jogo, segundo apuramos, o quarteto de arbitragem chefiado por Aiuba Hilário não terá ajuizado bem num lance a favorecer do Sporting, daí que os ânimos do presidente do Sporting de Nampula, Mussito Júnior elevaram-se, tal que procedeu insultos aos árbitros.

Apesar dos alegados insultos, Abdul Cadre, quarto árbitro do confronto não chamou seus colegas para advertir ao timoneiro dos leões, facto que indignou o banco do Ferroviário de Nampula e que Daniel Manjate, director desportivo do Ferroviário de Nampula, foi junto do quarto árbitro pedindo para que Mussito, também, tivesse o mesmo tratamento de Payó.

O gesto de Daniel Manjate foi desafiador ao presidente do Sporting de Nampula, o qual levantou-se e empurrou no Manjate até cair.  Após o incidente o árbitro exibiu cartolina vermelha para o líder do Sporting, o que não lhe abonou, tendo avançado com uma série de ameaças, incluindo o arremesso de alguns objectos que estavam na sua posse.

Aliás, para os árbitros saírem do campo foi necessária uma escolta policial, bem como um reconhecido trabalho de sensibilização de algumas personalidades presentes no Estádio 25 de Junho, naquela tarde desportiva. Diga-se, foi um ambiente tenso.

Para alguns desportistas, os episódios vividos no último sábado mancharam o desporto, em particular o futebol de Nampula. Para eles, os dirigentes deviam ser referência, por isso almejam medidas punitivas contra as pessoas envolvidas naquilo que consideram “vergonha” da província.

“Aquilo não tem que voltar a acontecer no nosso desporto. Será que não havia outra forma de resolver os problemas do jogo sem agredir ou insultar os outros? Sinceramente, aquilo não se pode admitir. Imaginem num torneio como este as pessoas manifestam-se daquela natureza, e se estiverem nas competições sérias?”, questiona lamentando Aristides Jerónimo, um dos desportistas que falou ao Ikweli.

Importa referir que o mesmo jogo terminou com a vitória do Ferroviário de Nampula por 1-0. No mesmo dia a Associação Desportiva de Carrupeia (ADC) venceu por 3-2, a equipa da Academia Militar de Nampula. Com estes resultados, ADC e Ferroviário de Nampula partilham a liderança da série C com 9 pontos cada. (Constantino Henriques)

Pão pode se tornar num alimento caro e de “luxo” em Nampula

Nampula (IKWELI) – Membros da Associação Moçambicana de Panificadores (AMOPÃO), em Nampula, não descartam a hipótese de, num futuro próximo, registar-se o aumento do preço do pão, em consequência da escassez da matéria-prima.

Na manhã da última quarta-feira, o Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, convocou aos membros da AMOPÃO para discutir o impacto da guerra entre a Rússia e a Ucrânia na aquisição da matéria-prima e as consequências para o consumidor.

Gondola recebeu a garantia que não há previsão de subida imediata do preço, mas há a preocupação de que tal venha a acontecer caso a situação se mantenha por muito tempo.

“Estamos a dizer que o preço do pão foi fixado a 5,00Mt (cinco meticais) em 2019, quando a farinha de trigo custava 1.400,00Mt. De lá para cá, estamos a falar de uma subida radical de 680,00Mt (seiscentos e oitenta meticais), e esse é um deficit que pesa aos panificadores, mas estes, com muita coragem, tem sabido levantar os braços, como também é conhecido que os panificadores para alem de vender os seus produtos, conseguem dar muito emprego”, disse Abdul Hanane, presidente da AMOPÃO em Nampula.

Hanane diz que os membros da agremiação têm vindo a fazer pressão para o aumento do preço do pão, mas ainda não há consenso para tal.

Num outro desenvolvimento, esta fonte assegurou que “estamos cientes que, pela primeira vez, temos um casamento entre os panificadores e os processadores da matéria-prima. Essa união só vai trazer benefícios para o povo consumidor, nunca foi do nosso interesse subirmos o preço do pão, porque é uma coisa que nos cria tristeza, porque coloca em causa o bem-estar do consumidor, que é o povo”.

Higino Matiquite é um dos processadores que participou da reunião, e garantiu que nos seus armazéns há stock suficiente para fazer face a uma eventual crise.

“Temporariamente há farinha de trigo nos nossos estoques”, garantiu este processador, prosseguindo que “nós, também, dependemos da disponibilidade do trigo mundial, assim com esse problema de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, está a nos notificar negativamente com a falta de trigo a nível mundial”, tanto que a “gente está a procurar alternativa de fornecimento do trigo, porque essa é a nossa responsabilidade para que a província de Nampula, e nem os panificadores, não tenham falta de farinha de trigo”. (Hermínio Raja)

Vias de acesso precárias danificam ambulância do Hospital Geral de Marrere

Nampula (IKWELI) – O director do Hospital Geral de Marrere (HGM), Carlos Santos, entende que o avançado estado de degradação das vias de acesso que ligam aquela unidade sanitária a outros pontos da autarquia de Nampula tem contribuído na danificação da ambulância alocada a instituição que dirige.

Para chegar ao HGM é um martírio, tanto a via principal, assim como as alternativas estão em péssimas condições de transitabilidade.

“Em princípio, nós temos uma ambulância que foi alocada no ano passado, que é nova. Achávamos que com a reabilitação da estrada a ambulância duraria muito tempo. Contudo, aconteceu aquilo que sabemos, a estrada foi interrompida para mais intervenções e temos as estradas alternativas que é a via de Mutauanha, passando pela fábrica de cervejas e a de Natikiri, que passa pela escola secundária de Natikiri”, informou o director.

O doutor Carlos descreve que a via de Natikiri, para além de não ter condições favoráveis, ela é distante quando comparada as outras, por isso as ambulâncias levam muito tempo para chegar nos hospitais carregando doentes. Enquanto isso, a estrada que passa pela fábrica de cervejas está num avançado estado de degradação, apesar de não ser tão distante, e quando chove há locais que ficam alagados, surgindo pequenos pântanos que condicionam a transitabilidade de todo o tipo de automóvel.

“A nossa viatura apesar de ser nova, já mostra sinais de cansaço, sobretudo na componente de suspensão, faz barrulho, o que não esperávamos que acontecesse em dois anos, a viatura não fez dois anos, mas já tem esse problema”, sublinhou o entrevistado para depois explicar que o H.G.M tem como referência o Hospital Central de Nampula, mas pela sua categoria este serve de referência para os outros hospitais distritais, no caso de Mecubúri, Rapale e Murrupula.

“Os casos que os colegas sabem que podem ser referidos para Marrere eles mandam para nós, mas só de imaginar a estrada que têm de usar para vir para aqui preferem mandar para o hospital central, então é um problema muito grave”, acrescentou.

Ao Ikweli, a fonte disse que a degradação das vias de acesso origina, igualmente, o descongestionamento do hospital que dirige, na procura de serviços no atendimento externo, nomeadamente, as consultas pré-natais, triagens de pacientes adultos e crianças, uma vez que nota-se uma certa concorrência no acesso ao transporte público de passageiros, vezes há que os transportadores paralisam as suas actividades devido ao mau estado das vias, até mesmo agravam a taxa no acesso a esses meios pelos munícipes.

Segundo o director Carlos Santos, em média diária, o H.G.M faz transferência de pelo menos três pacientes em estado grave para o Hospital Central de Nampula, e que precisam de cuidados intensivos. Além disso, no processo de transferência, antes da degradação das vias e consequentemente a sua interrupção, percorria-se o troço em menos de 15 minutos para se chegar à unidade de referência, mas actualmente leva-se 45 a 60 minutos, o que não é favorável.

“Todos os doentes que estejam com um nível de consciência baixo ou grave temos de mandar para o hospital central, e nós temos uma média de três doentes diariamente. A estrada influencia porque há doentes que inspiram muitos cuidados, precisam de transitar com um conforto, o que é impossível, por mais que tivéssemos uma ambulância com todas as condições”. Aliás, “alguns desses doentes têm que ir com medicações em curso. Então o doente chega nas condições não ideais”, referiu.

Na mesma abordagem, a fonte revela que as consequências decorrentes a degradação das vias de acesso, também, resume-se na assiduidade dos profissionais de saúde afectos naquela unidade. E a justificação encontrada é de que maior parte destes não dispõe de transporte pessoal, estão dependentes do transporte público de passageiros, facto que afecta o cumprimento de metas no atendimento à cidadãos que procuram pelos serviços de saúde em Marrere. (Esmeraldo Boquisse)

Ossufo Momade anuncia criação do “Governo Sombra” da perdiz pensando nas autárquicas de 2023

Maputo (IKWELI) – O presidente do partido Renamo, Ossufo Momade, anunciou a criação de um “Governo Sombra” para fazer face às próximas eleições locais em Moçambique, a terem lugar em Outubro de 2023.

Falando em entrevista a uma estação televisiva privada moçambicana, Momade disse que para materializar este feito, foi agendada para o próximo mês a realização do Conselho Nacional da perdiz.

“Foi assim há cerca de 20 anos, e agora, a Renamo repesca o velho instrumento de fiscalização política, o “Governo Sombra”. Só que desta vez, o “Governo Sombra” vai além do Governo Central, isto é, acompanha o novo modelo de governação descentralizada em curso no país, com foco nas eleições locais”, argumentou Momade.

Segundo o líder, o partido vai colocar em todas províncias, distritos, postos administrativos e localidades, representantes do partido, para aos poucos se inteirarem do processo de governação descentralizada e permitir a sua participação nas eleições autárquicas e distritais.

“Dentro de dias, eu vou anunciar o meu ‘Governo Sombra’. E este ‘Governo Sombra’ vai se estender até aos distritos. Vamos colocar administradores, governadores provinciais, isto para dizer que nós estamos preparados porque estamos representados em todos distritos, postos administrativos, localidade e zonas. Por isso, temos levado muito tempo no campo para explicarmos o que nós somos e o que pretendemos fazer enquanto Governo”, afirmou o presidente da Renamo.

Com efeito, depois de adiamento devido à pandemia da COVID-19, a Renamo agendou para o próximo mês de Abril, a realização do seu Conselho Nacional, um fórum onde realinha a sua orientação política e estratégica visando a participação nos próximos pleitos.

“Depois do Congresso, nós realizamos o primeiro conselho nacional e todos moçambicanos e o mundo sabem que estávamos numa situação de pandemia por isso não conseguimos realizar o conselho nacional. Mas, no próximo mês de Abril, vamos realizar o Conselho Nacional, não porque não tínhamos condições, mas a situação das medidas de prevenção da pandemia impediu o evento”, concluiu Momade. (Redação)

Sobe o preço do carvão vegetal na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Nos últimos dois meses os preços de venda de carvão vegetal a retalho na cidade de Nampula dispararam drasticamente, passando dos anteriores 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais) para 500,00Mt (quinhentos meticais).

Segundo tem constatado o Ikweli, os preços começaram a agravar um mês após as primeiras chuvas que se registaram no maior centro urbano do norte de Moçambique.

A explicação dos revendedores é de que os acessos não facilitam a compra do produto junto do produtor, tanto que, devido as chuvas, também, a produção diminuiu sobremaneira.

Segundo contaram os revendedores à nossa equipa de reportagem, parte dos distritos que fornecem o carvão vegetal a cidade de Nampula tem as vias de acesso danificadas, e por isso está difícil alcançar os pontos com maior oferta.

De 20 anos de idade, o revendedor Onésio Silva diz que agora para encher uma camioneta é uma actividade onerosa, tanto que o carvão deve ser ensacado em recipientes de 10 quilogramas, para permitir que possam ser movimentados em meios que não encontram limitação para circular, como é o caso de motorizadas e bicicletas, para a posterior colocar em viatura e seguir a autarquia de Nampula.

“Antes, o carvão custava entre 250,00Mt (duzentos e cinquenta meticais) e 350,00Mt (trezentos e cinquenta meticais), mas actualmente custa entre 450,00Mt (quatrocentos e cinquenta meticais) e 500,00Mt (quinhentos meticais), disse a nossa fonte.

Em outros pontos da cidade, sobretudo os bairros de Expansão, o mesmo produto chega a custar 600,00Mt (seiscentos meticais).

Pai de um filho Carlos Vasco é residente da unidade residencial de Mutomote, no bairro de Nampula, e é na mesma circunscrição que dispõe de um ponto de venda de carvão vegetal. Ao Ikweli contou que vende o carvão a 450,00Mt (quatrocentos e cinquenta meticais) por não dispor de alternativa, pois na fonte de aquisição os preços, também, subiram.

Nestas circunstâncias, Vasco diz que “não temos lucros”, mas “precisamos continuar a trabalhar, porque estou nesta actividade há 6 anos”.

“Estamos muito preocupados com esta subida de combustíveis”, afirma Vasco, porque, segundo disse “os transportadores, também, aumentar o valor do frete”.

Igualmente, as revendedoras de carvão avulso dizem que a situação está terrível. Os lucros reduziram e a procura, também, não é a mesma como no passado.

Ângela Agostinho é exemplo disso, e diante da situação não esconde a sua aflição, pois é dos rendimentos deste negócio que garante o sustento da sua família.

Os consumidores, estes estão ainda mais aflitos. Não vêm onde recorrer, e na maior das hipóteses, para quem pode recorre ao gás doméstico.

“Agora está tudo caro. Até o carvão custa a 500,00Mt”, comenta a senhora Madalena Pedro, residente do bairro Mutauanha, prosseguindo que “se as coisas continuarem assim, mesmo as pessoas com posse poderão morrer a fome”. (Nelsa Momade e Redação)

Governo de Nampula mantém expectativas sobre uma boa campanha agrícola mesmo as tempestades tropicais

Nampula (IKWELI) – As depressões tropicais Ana e Gombe, que fustigaram a província de Nampula nos meses de Janeiro e Março do ano em curso, poderão não comprometer as metas de produção agrícola previstas pelo Conselho Executivo Provincial.

A campanha agrícola 2021/22 teve um começo desafiador, devido a queda irregular das chuvas, o que fez com que as sementes lançadas até o mês de Dezembro de 2021 não tivessem germinado. As poucas sementes que resistiram ao sol intenso, entretanto, foram atacadas por pragas.

Em quase toda a província de Nampula, refira-se, as chuvas começaram a cair com regularidade e abrangência no mês de Janeiro, mas as culturas viriam a ser devastadas pelas chuvas acompanhadas de ventos fortes dos ciclones Ana e Gombe.

“Estes eventos desafiaram o sector agrário e pesqueiro, e seus parceiros de cooperação, a redobrar esforços na minimização dos efeitos, destacando-se a alocação de sementes e material vegetativo para a multiplicação de modo a repor as áreas perdidas,  divulgação de mensagens sobre o prognóstico da estação chuvosa e recomendações técnicas face a estes eventos entre outras”, refere um documento da Direcção Provincial de Agricultura e Pesca de Nampula, apresentado na última terça-feira, durante o lançamento do Plano Operacional de Comercialização Agrícola da província de Nampula deste ano.

Para a presente campanha agrícola, segundo refere o mesmo documento, a província de Nampula planificou uma produção de cerca de 12 milhões de toneladas de culturas diversas, com destaque para cereais, leguminosas, raízes e tubérculos, hortícolas e culturas de rendimento. Através de várias acções, o governo de Nampula disse acreditar que a quantidade de produção estimada será alcançada.

“Olhando a situação geral das culturas em campo, a província perspectiva uma boa safra agrícola e espera alcançar a produção planificada para a CA (Campanha Agrícola) 2021/2022 que é de 11.836.914 toneladas de culturas diversas”, refere o documento em referência.

“Estamos reunidos para testemunharmos o lançamento do plano operacional de comercialização agrícola da província para o ano de 2022, uma temática extremamente importante para o desenvolvimento da nossa província e que contribui directamente na renda dos agregados familiares na segurança e soberania da população e, também, do funcionamento das nossas agro-indústrias, concretamente na indústria alimentar. Enfim, uma temática que contribui em grande medida para a melhoria da qualidade de vida da nossa população na província de Nampula e da nossa economia de uma forma geral”, acredita Manuel Rodrigues, governador de Nampula, discursando no acto de lançamento do referido plano.

Manuel Rodrigues reiterou que “precisamos recuperar o decurso da campanha agrária até ao último detalhe, onde os extensionistas devem intensificar a assistência técnica aos produtores nos campos. Paralelamente, devemos capitalizar a segunda época aprovisionando sementes de hortícolas, material vegetativo como é o caso das ramas de batata-doce, estacas de mandioqueira, com vista a estacar eventuais focos de insegurança alimentar”, disse o governante.

Para o governador, “um acto similar deverá acontecer com o processo de comercialização dos produtos agrícolas privilegiando a organização dos produtores, comerciantes divulgando os preços dos produtos através de várias plataformas”.

Por outro lado, Manuel Rodrigues apelou maior vigilância para se evitar a compra da produção dos produtores a preços não justos.  “Queremos chamar essa atenção a todos para que sejamos vigilantes e divulguem de forma abrangente, usando as vias locais, os preços prevalecentes ao nível de comercialização, principalmente nos produtos de referência na nossa província de Nampula”, precisou acrescentando que “devemos igualmente assegurar o controlo da comercialização agrícola incentivando os produtores a não vender todo excedente agrícola”. (Constantino Henriques)

Hospital Geral de Marrere sem capacidade para novos internamentos

Nampula (IKWELI) – O Hospital Geral de Marrere (HGM), segunda maior unidade sanitária da província de Nampula, debate-se com a falta de espaços para novos internamentos, em consequência do esgotamento da capacidade da mesma.

A informação foi dada a conhecer ao Ikweli pelo director do Hospital Geral de Marrere, Carlitos Santos, o qual avança que o nível de internamento de doentes naquela unidade sanitária está acima da capacidade uma vez mais, no caso da enfermaria de pediatria, por exemplo, onde são 12 camas, porém até a última quarta-feira 30 de Março, pelo menos o número de doentes era o dobro, ou seja, 24 doentes ocupavam 12 camas que é a capacidade do hospital.

“Nós estamos a ter muitos casos de malária e diarreia, sobretudo, nas crianças. Para se ter ideia, a nossa enfermaria andou vazia todo o último semestre do ano passado 2021, mas agora temos a enfermaria de pediatria acima da sua capacidade”, informou o director Carlitos, para quem “dando volta no hospital é notório duas ou três crianças no mesmo berço, o que não é aconselhável. Ainda continuamos a dizer que temos de respeitar as medidas de distanciamento, mas na nossa própria casa não estamos a conseguir, porque não temos alternativas”.

O gestor do Hospital Geral de Marrere aponta que a lotação na enfermaria de pediatria que dá espaço ao esgotamento da capacidade de internamento é resultado da entrada de doentes com malária e diarreia. No seu entender, o facto está associado à queda de chuvas que se faz sentir nos últimos tempos nesta região e o saneamento do meio que não é favorável nas comunidades.

Contudo, o entrevistado assegura que estão criadas as condições para o atendimento dos doentes, na componente de pessoal técnico. Porém, não descarta a condição de que “quando há superlotação nas enfermarias, há sempre uma sobrecarga, o que significa que não podemos continuar a trabalhar com o plano normal. Imaginemos que temos na enfermaria 12 camas, mas de repente registamos 40 a 60 doentes, não é possível cobrir todos eles com alguma qualidade se continuarmos a trabalhar com um único enfermeiro, isso significa que temos de ter dois ou três enfermeiros num único turno”. (Esmeraldo Boquisse)