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Serviços de saúde cada vez mais desumanos no centro de saúde de Namiepe

Nampula (IKWELI) – Os utentes do centro de saúde de Namiepe, localizado no populoso bairro de Namicopo, arredores da cidade de Nampula, continuam a denunciar mau atendimento caracterizado por cobranças ilícitas, com destaque para o sector de maternidade, onde as parturientes para terem assistência humanizada tem de pagar valores monetários.

Esta não é a primeira vez que denúncias do género chegam a partir daquela unidade sanitária da periferia do maior centro urbano do norte de Moçambique, tanto que sensibilizado com esta triste realidade, o governador Manuel Rodrigues já foi ao local exigir o fim destas práticas ilegais.

Segundo apuramos, para um atendimento digno, as parturientes são exigidas o pagamento ilegal de somas que variam de 400,00Mt (quatrocentos meticais) a 500,00Mt (quinhentos meticais).

Contudo, no mesmo modus operands, o Ikweli recebeu denúncia de mulheres que se dizem agastadas pelo fenómeno que ocorre, sobretudo, no período da noite na maternidade do centro de saúde de Namiepe. Além das cobranças, as denunciantes apontam o comportamento das técnicas de saúde materno infantil, tendo em conta a morosidade no atendimento.

Todas as denunciantes estão devidamente identificadas pela nossa equipa de reportagem, mas por temer represálias, e a seu pedido, mantemo-las em anonimato.

Em interação com uma das denunciantes, ficamos a saber que a prática é recorrente, embora com as denúncias anteriormente feitas, o que faz entender que as entidades fazem um olhar desatento no meio do sufoco dos utentes daquele centro de saúde.

“É lamentável o que acontece naquele hospital. Para ter acesso a senha de atendimento paguei 50,00Mt (cinquenta meticais), as enfermeiras passam muito tempo a conversar e abandonam as pessoas nas fileiras. Os serventes (agentes de serviço) por exemplo, quando pedimos senhas eles respondem mal e quando questionados dizem que não podem ser incomodados”, uma das denunciantes, que não exita em afirmar que “aqui em Namiepe nós estamos mal. Quando eu dei à luz paguei 400,00Mt (quatrocentos meticais)”.

A fonte explicou ainda que vezes há em que crianças ou mesmo pessoas adultas desmaiam, devido a morosidade no atendimento para as consultas médica. “Sentimos muito, por exemplo, uma vez levei minha filha ao hospital porque não estava a respirar bem, chegando lá encontro uma enfermeira, ela disse-me que devia voltar para casa porque a criança estava normal, porém, quando a criança desmaiou a enfermeira é que se deu conta que precisava de atendimento rápido, daí que encaminhou-me ao centro de saúde 25 de Setembro”, acrescentou.

Outra entrevistada que, também, mostrou-se agastada afirma, sem reservas, que para ter atendimento humanizado na maternidade de Namiepe é preciso ter dinheiro. E mais, “na maternidade até hoje sem dinheiro não és atendido, só mereces atendimento rápido e humano quando tiveres 400,00Mt ou 500,0Mt. A pessoa basta saber que está grávida, logo no primeiro mês, também, deve começar a depositar no cofre”, concluiu.

O mais caricato ainda é que no período da noite, de acordo com as nossas fontes, limita-se o atendimento, alegadamente porque o pessoal que faz o turno de noite já se encontra fora do centro. Assim, os doentes vêm-se na obrigação de ou voltar para casa ou então dirigir-se a outras unidades sanitárias, aumentando assim a distância. Entretanto, nessa história toda, há quem, porque tem dinheiro, atendido.

Para além de utentes mulheres, o Ikweli colheu sensibilidades de um cidadão que responde pelo nome de Buete. Este aponta que os agentes de serviços afectos naquela unidade sanitária pedem 20,00Mt (vinte meticais) ou 50,00Mt (cinquenta meticais) em troca de uma senha que é vendida a 1,00Mt (um metical), por isso outros utentes preferem ir ao centro de saúde de Namicopo.

Maria Sabonete, uma das representantes das autoridades comunitárias de Namiepe, em Namicopo, disse, quando contactada, que nas noites não há serviços no centro de saúde de Namiepe, as portas ficam fechadas. Ademais, a falta de medicamentos e não observação devida dos doentes é outro problema apresentado pela nossa entrevista, daí exige intervenção de quem de direito para aliviar o sofrimento da população.

Um dos discursos proferidos por algumas enfermeiras afectas naquele centro, segundo Maria Sabonete, é que “aquele que estiver cansado pode entrar aqui para a consulta”, daí as pessoas entendem que é necessário pagar para ser atendido e quem não procede por esta via fica abandonado a sua própria sorte.

O Ikweli contactou o director do centro de Saúde de Namiepe em torno do assunto, porém, este escusou-se a comentar, alegando tratar-se de acusações falsas e especulações e porque está disponível uma caixa de reclamações onde os utentes podem depositar as suas queixas. Ademais, o director pediu que a nossa equipa de reportagem o conduzisse à residência das denunciantes para apurar a veracidade. (Atija Chá)

Nampula: custo de vida no primeiro trimestre de 2022 foi mais alta que em 2021

Nampula (IKWELI) – O primeiro trimestre do corrente ano foi mais caro para a população da província de Nampula, quando comparado com o mesmo período de 2021, sobretudo nos sectores de transportes, alimentação e bebidas não alcoólicas.

Estes dados foram tornados públicos pelo Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, durante uma reunião mantida com o Primeiro Ministro (PM), Adriano Maleiane, que visita aquele ponto do país desde a manha desta quarta-feira (4).

“Daquilo que se apresenta como situação geral da província, a inflação média do presente exercício económico, e focalizado para o primeiro trimestre, situa-se em 6.76%, contra 4.29% do período homologo de 2021”, apontou Gondola, prosseguindo que “a pressão maior advém das divisões de transporte, alimentação e bebidas não alcoólicas”.

Por outro lado, o governante assegura que “as receitas do Estado no primeiro trimestre de ano cresceram em 12.3% em relação ao ano transacto, tendo como um índice de arrecadação de receitas em cerca de 22.2% da meta anual, e perfazendo 102% da meta que prevíamos para o primeiro trimestre”.

Na mesma abordagem, Mety Gondola não se esqueceu dos principais pontos do momento e destacou que “em relação a covid-19 ela tende a reduzir, e neste momento estamos mais focalizados no processo da vacinação para assegurar o aumento da cobertura. Já avançamos para cerca de 2.6 milhões de pessoas vacinadas”.

Igualmente, o Secretário de Estado na província de Nampula falou da situação dos deslocados internos, ao que elaborou que “em relação aos ataques terroristas em Cabo Delgado, nós como província continuamos a trabalhar com 64.780 deslocados que a sua maioria encontram-se estabelecidos no centro de reassentamento de Corrane, destacando, neste caso, que cerca de 55% tem sido crianças, 25% são mulheres adultas. Isso faz com que tenhamos, como província, reflectir do ponto de vista do recrudescimento de trabalho infantil, prostituição infantil, uniões forçadas, violência baseada no sexo, entre outros aspectos”.

E por fim, como não poderia deixar de ser, o foco foi em torno dos últimos dois eventos climáticos extremos que abateram o maior círculo eleitoral do país. “Dois eventos climáticos afectaram negativamente a província, que é o caso da tempestade tropical ANA e o ciclone GOMBE. Ambos eventos, quando somados, infelizmente, tivemos cerca de 63 óbitos, afectando cerca de 684.344 pessoas. O maior número esteve associado ao ciclone tropical GOMBE”.

Ao que tudo indica, mesmo com as dificuldades apresentadas, o PM, Adriano Maleiane, entende que há trabalho em curso, mas peca-se por não se comunicar como deve ser

“Tudo o que acontece são situações imprevisíveis que nós temos que encontrar soluções para ultrapassar”, aponta Maleiane, reconhecendo que “a província começou este ano muito mal por causa do GOMBE e os vossos vizinhos, também. Então, está a exigir de cada um de nós um esforço adicional, que é para repor e depois seguirmos o caminho”.

Pouco crítico e sem soluções, o PM comenta que “não há desenvolvimento sem rumo claro”.

Já mais a vontade, Maleiane sublinha que “outro aspecto importante é a comunicação. Nós produzimos muitas vezes, trabalhamos muito, mas há deficit de comunicação, porque nós pensamos que quem trabalha não precisa andar a fazer comício a dizer estou a trabalhar, mas o mundo hoje funciona com a comunicação. É preciso ter boa estatística, é preciso ter esta comunicação”.

Igualmente, a conjuntura económica internacional foi um consolo encontrado pelo PM para encorajar quem dirige a província mais populosa do país. “Estamos com a crise dos principais produtos que impactam toda a nossa actividade económica. O conflito Rússia/Ucrânia afecta os preços, e nós como país somos tomadores, nós não produzimos, a excepção do gás, ou produzimos em quantidade mínima. Nossos somos tomadores de preços. É preciso que toda a sociedade saiba disso, para depois termos uma estratégia comparticipada”, concluiu o Primeiro Ministro. (Aunício da Silva)

PRM neutraliza líder do “grupo dos 15” em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, apresentou nesta quarta-feira (04) o suposto líder do grupo dos malfeitores, vulgarmente conhecido por “grupo de 15”, que continua a semear pânico na cidade e província de Nampula, no norte de Moçambique.

Trata-se de um jovem de 33 anos de idade e residente no mais populoso bairro do país, Namicopo, e que na praça ficou conhecido como Litos. O mesmo é tido como que possui fortes ligações com “C4 Pedro de Namicopo”, outro famoso no mundo do crime.

A PRM disse ter feito trabalho apurado de investigação para concluir que Litos é o cabecilha do “G15”. Aliás, em conformidade com a polícia, o jovem em causa é o principal mentor de roubo de motorizadas e outros electrodomésticos, uma vez ser, também, o responsável pela compra dos mesmos bens roubados.

Como amostra, na exibição desta quarta-feira, os policiais apresentaram três motorizadas, quantidade não especificada de telefones celulares, bem como televisores recuperados das mãos do referido indivíduo.

“Trata-se do cabecilha do grupo 15 ao nível da cidade e província de Nampula. Este indivíduo é potencial criminoso e vem comprando material roubado e é catalisador do crime ao nível da província de Nampula, em particular a cidade de Nampula e, face a esta situação, a polícia já vinha procurando este cidadão e após um trabalho de investigação foi possível a neutralização do mesmo e recuperação de três motorizadas, telefones celulares e um televisor que estavam em sua posse”, disse Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, para quem “neste momento decorrem todos tramites legais para a responsabilização do mesmo pelos factos cometidos”.

A criminalidade poderá reduzir na província

A neutralização do alegado líder do G15 é descrita pela Polícia da República de Moçambique, através do seu porta-voz, como um sinal positivo no restabelecimento da ordem e tranquilidade públicas na cidade e província de Nampula.

“O foco é a colaboração do próprio Litos na denúncia de outros integrantes da quadrilha. Já nos avançou alguns nomes que podemos fazer algum trabalho para a neutralização dos mesmos, mas com a detenção deste indivíduo os grupos 15 não terão mais onde fazer o encaminhamento dos bens roubados, daí que pensamos nós que o índice de criminalidade irá reduzir em alguma medida”, perspectivou Zacarias Nacute.

“Mas o nosso trabalho não irá terminar por aqui, vamos continuar a trabalhar até que outros integrantes da quadrilha, as pessoas que tem vendido os bens roubados para Litos possam ser encaminhados, também, as nossas subunidades policiais”, acrescentou o porta-voz da corporação.

Mas o líder disse que a PRM falhou o alvo

Confrontado pela imprensa em Nampula sobre as razões que o levaram a parar nas celas da 1ª Esquadra da PRM, Litos disse não fazer parte das alegações levantadas pela polícia. Aliás, para ele, a polícia falhou a sondagem.

“O que me leva a parar aqui é que houve dúvidas. A polícia investigou e não está a apanhar a matéria, está a dizer que eu comprei 50 motas e 60 motores de motas, por isso eles fizeram investigação e apanharam tudo errado, começaram a dizer que você é comprador e eu disse que já fui comprador, eu já deixei há dois anos de fazer essa vida”, alegou o indiciado.

Questionado sobre como conheceu o comparsa C4 Pedro de Namicopo, respondeu que “conheço C4 Pedro porque vive na mesma zona comigo. Ele não tem interesse de mim nem eu tenho interesse dele, nunca trabalhei com ele e nunca fiquei perto dele. Esse assunto de comprar essas boladas eu já deixei há dois anos”.

Entretanto, não se trata da primeira vez que Litos fica encarcerado. “A última vez que fiquei preso foi há dois anos por motivos desses assuntos mesmos. Nunca comprei nada com C4, se eu fosse melhor comprador já teria cheio das coisas aqui. A fonte deles deu informação errada porque não se recuperou nenhuma mota e nenhum motor”, reiterou o indiciado.

Para além do líder do G15, a PRM apresentou, na ocasião, quatro indivíduos indiciados de vandalizar e roubar os cabos eléctricos da empresa Electricidade de Moçambique, feitos na base de cobre. (Constantino Henriques)

Nampula: Adolescentes e jovem perdem-se nas “bocas de fumo”

Nampula (IKWELI) – A venda e consumo de drogas na cidade de Nampula está a ganhar contornos alarmantes, e os principais protagonistas são adolescentes e jovens, na faixa etária dos 16 aos 35 anos de idade.

Oficialmente não há estatísticas que ilustrem a situação real, mas tem sido recorrente a detenção de consumidores e vendedores no maior centro urbano do norte de Moçambique.

A nossa equipa de reportagem investigou vários pontos de venda e consumo de drogas, as conhecidas “bocas de fumo”, nos bairros de Namutequeliua, Muhala, Muahivire e Namicopo. Conversamos com consumidores e vendedores.

Dos actores não é fácil extrair qualquer informação, porque o silêncio foi estabelecido como um pacto de sucesso na actividade.

Ainda assim, durante os meses que fomos seguindo e fazendo amizades nestes locais, fomos, aos poucos, conseguindo tirar alguma informação. O negócio envolve a muitos, mas os principais patrões são cidadãos de nacionalidade estrangeira, destacadamente tanzanianos e nigerianos.

Não há o mínimo de higiene e segurança nestes locais. Os consumidores partilham instrumentos cortantes, incluindo seringas. Este material é caro, segundo fazem perceber os vendedores aos consumidores, mas também, os consumidores não se predispõem em adquirir isso, apenas necessitam de ingerir as drogas.

A preferência tem sido as mais pesadas, mas quanto mais pesada for maior é o valor a despender, e porque muitos destes adolescentes e jovens não dispõem de condições para o efeito acabam recorrendo a soruma e a heroína.

Nas “bocas de fumo” não há medida certa para a justeza do negócio. O consumidor recebe pelo que consegue pagar, tanto que nalguns casos é usada a unha como elemento de medição do produto.

No centro do bairro de Namutequeliua, ligando a conhecida zona do Gato Preto e a Feira Popular, do lado da avenida Eduardo Mondlane, há várias “bocas de fumo”, e numa delas o Ikweli conversou com Matilde Bruce, jovem de 19 anos de idade e que consome drogas desde os 16 anos.

“Comecei a fumar com o meu namorado”, conta a jovem, prosseguindo que “comecei a fumar quando estudava na escola islâmica e o meu namorado Betinho na escola secundária de Nampula. Ele brincava com um senhor tanzaniano que vivia ali nos Belenenses. Então sempre que ele recebia heroína nos chamava para provarmos juntos”.

E durante este período, o vício vincou na rapariga que agora é uma jovem, e conta que “não consigo viver sem me injectar. Quando não consumo passo muito mal”.

Ainda em Namutequeliua, nas margens do rio Muhala conhecemos o Pedro. Pouco conversador, mas um exímio vendedor e consumidor de várias drogas, incluindo a cocaína. “Temos bons chefes, e nunca te deixam na mão. Sempre que te apanham com a polícia eles tratam de te tirar de lá”, refere esta nossa fonte.

Por outro lado, Pedro explica que “muitas vezes precisamos ter os nossos agentes para nos protegerem”. É no meio dessa conversa que o nosso interlocutor recebi uma chamada da aproximação de um ride policial, ao que tivemos de abandonar o local.

De difícil penetração, o bairro de Namicopo, também, tem sido preferencial na venda e consumo de drogas. O certo é que para ter aceitação no mais populoso bairro do país é indispensável ser recomendado por alguém da circunscrição.

Em Outubro de 2021 quando fizemos a primeira tentativa de contacto com as “bocas de fumo”, simplesmente, fomos ignorados. Mas, mesmo assim, não desistimos. Somente em Fevereiro deste ano, 2022, tivemos os primeiros melhores contactos, mas com muito risco. A nossa entrada para cada conversa eramos revistados a pente fino.

Em Namicopo as coisas são bens mais organizadas, e muitas vezes funcionam como pontos de fornecimentos para as outras “bocas de fumo” de Muahivire e Muatala.

Gravar as conversas não foi uma tarefa fácil, tanto que tivemos de recorrer a equipamentos sofisticados. Captação de imagem tornou-se impossível.

Próximo a zona do Sousa conseguimos a nossa primeira grande entrevista. O vendedor, que diz não consumir drogas, disse que “eu sei que vocês são jornalistas, mas protejam a minha identidade. Se o que querem são as nossas histórias vou contar”.

Aparentemente com mais de 35 anos de idade, esta fonte conta que “comecei a vender drogas aos 18 anos. Aprendi isso com o meu falecido tio que me tirou de Nacala para aqui”.

Perguntamos quem era o principal fornecedor dele, ao que respondeu: “não conheço. É uma rede, e as pessoas mudam daqui para aqui”, por isso “vai ser difícil eu falar que quem me vende a droga é o fulano X ou Y, mas o que te posso garantir é que todos são estrangeiros”.

Igualmente, esta nossa fonte explica que a sua apetência pela venda de um produto ilícito é movida pela vontade de “ganhar fácil a vida, mas também reconheço que é ilegal”. Durante este período, segundo conta “consegui fazer muitas coisas. Comprei casas e viaturas, mas continuo aqui porque os rendimentos são rápidos e fáceis”.

 

As ligações com outros crimes

“Uma vez no mundo das drogas, para sempre no mundo das drogas”, este é o principal lema dos envolvidos. O que está garantido é que ninguém entrega ninguém.

Para satisfazer o vício pela droga há quem, antes, precisa praticar outros crimes, sobretudo o roubo e o furto, para ter condições financeiras de adquirir os estupefacientes.

A prática não é nova, e muitos dos consumidores, na periferia económica e financeira, com idade compreendida entre os 16 e 25 anos, vêm-se obrigados a roubar para conseguirem comprar as drogas.

Num passado recente, o departamento de Relações Públicas no comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, convidou ao meio dia de uma quarta-feira, a imprensa para apresentar vendedores e consumidores de drogas.

Todos são oriundos das zonas referidas neste artigo, como pontos principais de “bocas de fumo”, destacadamente Namicopo.

No grupo, estava um casal, mas em celas separadas. A mulher contorcia pela abstenção de consumo em uma cela, e do outro lado, o marido, num a vontade e locomovendo-se com a ajuda de muletas garantia que a sua esposa não é consumidora, mas que ele vende droga.

O jovem conta que começou a vender porque não sabia em quê investir com dinheiro recebido da herança do seu pai, pois entre irmãos venderam uma das propriedades do pai e dividiram-se a receita.

Fofito, como é conhecido nas hostes policiais, assume-se vendedor e toxicodependente. “Eu estou a vender a um mês”, Fofito forja a sua cronologia na venda de drogas, e prossegue que “quando se vendeu a casa do meu pai e separou-se o valor, eu como sou viciado não vi outro feito, comprei aquela droga e comecei a vender”.

“Eu vendo heroína, que compro aqui mesmo na cidade com tanzanianos”, os quais “tem intermediários. Eu não conheço o patronato deles”, elabora Fofito, que diz que não tem ideia de quantos clientes atende por dia, mas garante que sempre são novos consumidores.

Fofito não estima os ganhos com a droga que vende, pois “eu consumo ali mesmo e vendo ali mesmo. Já não consigo estimar o que ganho”.

Acompanhando Fofito, estão os seus clientes. Jovens na flor da idade, os quais assumem-se consumidores e toxicodependentes, por isso não conseguem dissociar-se da droga. 

Histórias como essas são recorrentes no maior centro urbano do norte de Moçambique, e os principais actores são adolescentes e jovens, na sua maioria frequentando o ensino secundário, o que se consubstancia na destruição de sonhos de centenas de famílias. (Aunício da Silva)

Nampula: Mais da metade das estradas classificadas não são transitáveis

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, no norte de Moçambique, continua com o transporte de passageiros e bens comprometido devido as péssimas condições em que as estradas se encontram, agravada com a passagem, sobretudo, dos ciclones Ana e Gombe que afectou aquela circunscrição geográfica nos meses de Fevereiro e Março do ano em curso.

Em conformidade com informações das autoridades governamentais da província mais populosa de Moçambique, dos mais de 4 mil quilómetros de estradas classificada que possui, cerca de 2500 quilómetros desta extensão encontram-se em péssimas condições de transitabilidade.

Desta extensão, segundo fez saber Alfredo Nampuio, porta-voz da VII sessão do Conselho Executivo Provincial de Nampula, “1088 quilómetros de estrada é considerada razoável, mas também, temos 729 quilómetros que é considerada má em que neste período faz-se a travessia condicionada. Temos 525 quilómetros de estrada muito má e temos 92 quilómetros de estrada intransitável”, referiu o governante.

Dos 92 quilómetros intransitáveis, o destaque vai para as estradas do distrito de Larde. “Importa referir que depois da passagem destes três ciclones tivemos estradas que foram interrompidas, primeiro no que diz respeito a passagem dos ciclones ANA e Gombe, foram interrompidas devido a desabamento de tubo, arcos de infra-estruturas escavadas no troço Nampula – Nametil, mas encontra-se transitável, Nametil-Angoche encontra-se transitável, temos a estrada Monapo – Quixaxe, também já se encontra transitável. Temos estrada Nacala-Velha/Memba também já se encontra transitável, Mogincual – Liupo também é transitável”, assegurou a fonte.

Segundo Nampuio, o Conselho Executivo Provincial de Nampula ainda não apurou o montante necessário para a reabilitação das estradas ora com problemas. “Em termos monetários ainda não fizemos esta análise, mas acreditamos que os valores são mesmo muito altos, porque sabe-se que para a manutenção de uma estrada os valores são altíssimos e não posso afirmar aqui o montante exacto, porque os técnicos ainda estão a fazer o levantamento da real situação para poder analisar qual o montante, de facto, necessário para fazer a manutenção dessas estradas”, disse.

Apesar disso “neste momento está se a criar condições para mobilizar alguns empreiteiros que possam trabalhar nesses troços de modo a garantir que haja transitabilidade a breve trecho para dum lado para o transporte de passageiros também para a evacuação de produtos agrícolas das zonas de produção para os mercados”, precisou Alfredo Nampuio, numa conferência de imprensa havida nesta quarta-feira (27). (Constantino Henriques)

Nampula: Vahanle continua a protelar aumento do preço do “chapa-100”

Nampula (IKWELI) – Definitivamente, a posição dos operadores do serviço de transporte urbano semi-colectivo de pessoas na cidade de Nampula ainda está longe de ser realidade, e ao que tudo indicada a edilidade exige mais deles para que se justifique o aumento da tarifa actualmente praticada.

O conselho autárquico da cidade de Nampula solicitou, na manhã da última quinta-feira (28), a Associação dos Transportadores Rodoviários (ASTRA), a fim de discutir a proposta do reajuste da tarifa do preço de transportes semi-colectivo, vulgo “chapa-100”, mas nada ficou decidido antes que certas medidas sejam tomadas.

A reunião realizada numa das salas do edifício do conselho municipal mereceu retirada obrigatória da Imprensa que, também, foi solicitada para cobrir o evento, onde uma das conclusões entre as partes (ASTRA e a edilidade), consiste na criação de uma equipa composta por técnicos das duas entidades para definir o alargamento das rotas ao nível do raio municipal, o que trará a luz as directrizes para se decidir o preço a ser aplicado aos utentes dos transportes semi-colectivos.

De acordo com o autarca Paulo Vahanle, enquanto a Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula apresenta a proposta do reajuste da tarifa de 10,00Mt (dez meticais) para 15,00Mt (quinze meticais), o conselho municipal por este dirigido desafia-a a fazer cálculo dos extremos, ou seja, raio urbano referente a rota de circulação de transporte público de passageiros.

“Hoje foi realizada a 1ª sessão com a ASTRA e o conselho municipal sobre a subida de tarifa do transporte semi-colectivo a nível da cidade de Nampula e, desta discussão que tivemos, chegamos as seguintes conclusões: primeiro, criar uma equipa composta por técnicos do conselho municipal e da ASTRA para definirmos aquilo que seria o alargamento das rotas, no caso de distâncias. Para tal, esses colegas estarão munidos de instrumentos de medição para sabermos quantos quilómetros podem ser a partir do Waresta a INIA-Muahivire, para ver o que corresponde isso em termos de pagamento”, informou Paulo Vahanle à Imprensa, minutos depois da sessão de discussão terminar.

Segundo disse o edil, está definido que o passageiro pode pagar um metical e cinquenta centavos por quilómetro. Todavia, os transportadores associados na ASTRA apresentam a proposta da tarifa única de 15.00Mt por passageiro, sem obedecer os pontos intermédios, o que carece de esclarecimento daquela agremiação ao conselho municipal.

Igualmente, o executivo do Vahanle propôs na reunião, à Associação dos Transportadores Rodoviários a alargar o período de circulação dos transportes até as 22 horas, para fazer face a demanda. Aliás, de acordo com o Vahanle, parte dos munícipes da cidade recolhem dos seus postos de trabalho fora do período normal e porque os “chapa-100”, também, interrompem a circulação cedo, esses percorrem distâncias para as suas residências.

As partes do processo foram unânimes, ao que o presidente da ASTRA, Luís Vasconcelos, comprometeu-se para a implementação das ideias apresentadas pela edilidade.

“Da nossa parte solicitamos junto do conselho municipal, medidas de segurança para que os transportadores possam circular livremente sem terem problemas de assaltos na calada da noite”. Portanto, “a proposta final será na próxima sexta-feira 6 de Maio e que depois, o executivo do conselho municipal levará a proposta à assembleia municipal. Até aqui ainda não foi aprovada a nova tarifa, que os transportadores da cidade de Nampula aguardem”, concluiu Luís Vasconcelos, presidente da ASTRA em Nampula. (Esmeraldo Boquisse)

Namiepe: imundície “assalta” mercado particular da circunscrição

Nampula (IKWELI) – O ambiente de higiene e saneamento do meio no principal mercado da unidade residencial de Namiepe, no populoso bairro de Namicopo, encontra-se em uma situação precariedade, sendo que o não manuseamento de resíduos sólidos pode constituir um perigo para a saúde dos utentes.

Para além dos utentes, moradores locais, também, queixam-se do mau cheiro e das moscas que saem da lixeira em referência, ao que apelam por uma intervenção do conselho autárquico da cidade de Nampula.

Os vendedores do mercado de Namiepe, em entrevista ao Ikweli, disseram que vivem com esta realidade há muitos meses, sob olhar impávido da edilidade, que mesmo nesta situação contra a cobrar taxas.

Na interação com a nossa equipa de reportagem, os vendedores lembram que o autarca Paúlo Vahanle, durante a sua campanha em 2019, prometeu melhorar aquele mercado, mas nada mudou, tanto que já eleito, Vahanle não mais retomou a Namiepe.

Helena Rosário, casada, mãe de três filhos e vendedeira há 3 anos, afira que “estamos a sofrer, as moscas que saem da lixeira entram nos nossos produtos. Gostaria que tivéssemos um novo mercado, porque aqui, muitas vezes, apanhamos doenças por causa do lixo, e quando chove entra muita água nas bancas”.

O Chefe do referido mercado, Cadir Massiaze, também, confirmou a existência do lixo, mas diz que os fiscais que ali chegam não resolvem nada. “Sempre diz que vai colocar a questão lá em cima e não volta mais, apenas volta para cobrar e quando cobra não deixa nenhuma banca, mesmo dizer que não vendi nada ele cobra, mas estamos com lixo há muito tempo, desconseguem fazer algo, aqui receitas saem completas”, disse a fonte referindo-se a um dos cobradores da edilidade que colecta receitas naquele ponto.

Residente em Namiepe desde o ano de 2010, Taibo Abudo entende que “esse é um bairro esquecido, por isso que o lixo está mesmo pendente, sem esquecer que aqui não tem casa de banho. Outras pessoas fazem necessidades, maiores e menores, ao ar livre, e se houvesse uma oportunidade era de arranjar um outro lugar”.

João António, cidadão que disponibilizou o local para o mercado, disse ao Ikweli, que no ano passado recebeu plástico e que o caso de lixo foi reportado ao secretário do bairro, mas nada mudou até aos nossos dias.

“O município não chega aqui”, afirmou Abudo Arussi, chefe de mercado, o qual prossegue dizendo que “só vem o fiscal para fazer as cobranças. Nós recordamos o fiscal todos os dias, mas não recolhem o lixo e outra coisa precisamos de chapas de zinco e pau grande para fixar o mercado”.

Para além do lixo, o mercado de Namiepe apresenta-se em avançado estado de degradação. Os vendedores e moradores queixam-se da falta de chapas de zinco e da requalificação geral, tal como defendeu, Nelson Armindo que está a 3 anos naquele mercado. “Temos falta de plástico ou chapas de zinco para cobrir o teto. Por exemplo, nós sofremos muito no tempo chuvoso, principalmente com o último ciclone Gombe. Há dois anos atrás o município prometeu trazer alguns materiais e até agora não vimos nada”. (Atija Chá)

Alta Comissária do Canadá visita rádio Muhipiti beneficiária do CFLI

Ilha de Moçambique (IKWELI) – A Alta Comissária do Canadá em Moçambique, Caroline Delany visitou, recentemente, a rádio comunitária Muhipiti, na Ilha de Moçambique, uma das instituições beneficiárias de um projecto financiado pelo CFLI (Fundo Canadiano para Iniciativas Locais).

Na Ilha de Moçambique, Delany ficou a saber que através do projecto de “Fortalecimento da capacidade dos jovens para participar dos processos de governança local por meio do acesso à informação para combater a violência extrema”, vários jovens foram engajados na temática.

Este projecto, financiado pelo CFLI, foi liderado pelo jornal Ikweli, e foi implementado através das rádios comunitárias de Memba, no distrito de Memba, Watana, no distrito de Nacala, Parapato, no distrito de Angoche, e Muhipiti, na Ilha de Moçambique.

No fim da visita, Caroline Delany mostrou-se satisfeita com os resultados alcançados, no contexto do engajamento dos jovens para a participação na governação local. (Redação)

Malawi continua sendo o país do interland que mais usa o Porto de Nacala

Nacala (IKWELI) – A República do Malawi continua a evidenciar-se na exploração do Porto de Nacala, sendo que em média, o país vizinho é detentor de 16% da carga manuseada em contentores naquela estação marítima localizada na província de Nampula, no norte de Moçambique.

Dos produtos de interesse do Malawi, destacam-se fertilizantes, para agricultura, bem como o clínquer para a produção do cimento de construção civil.  A pretensão actual daquele país é de se tornar, também, referência na área dos combustíveis.

Dada a importância que o Porto de Nacala representa no desenvolvimento económico de Malawi, Lazarus Chakwera, presidente daquele país vizinho, visitou na última quinta-feira (21) aquela estação fluvial, a convite do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi.

“Este porto move a economia de Moçambique e do Malawi. Este porto tem a capacidade para receber todo tipo de navios e está a ser totalmente reconstruído, para tornar mais flexível e competitivo. O equipamento que estamos a ver aqui é de alta qualidade que não tem noutros portos da África, incluindo Moçambique.  Portanto, presidente esta é a sua casa. Eu tenho dito aos Caminhos de Ferro para acarinhar no máximo o Malawi”, disse Filipe Nyusi, Presidente da República de Moçambique.

Na ocasião, Lazarus Chakwera reiterou a influência positiva que o Porto e o corredor de Nacala fazem na economia do seu país. Nessa senda, Chakwera garante continuar a colaborar com a parte moçambicana nas actividades tendentes a criação de melhores condições do porto, assim como o próprio corredor de Nacala.

“Enquanto falamos de fertilizantes e de clínquer para a produção de cimento no Malawi, vamos olhar para outro tipo de cargas importante como por exemplo combustível. Nós precisamos de garantir que usemos estas instalações ao mais alto nível”, disse Lazarus Chakwera.

“Então, nesse caso nós estamos para servir o povo de Malawi e de Moçambique e precisamos apoiar as operações do porto, assim como o desenvolvimento do corredor de Nacala, porque com certeza tem certos pontos onde precisam de ser alterados, e Malawi vai ser o prioritário para servir este espaço, existem outros países, mas o Presidente disse que a prioridade tem que ser Malawi”, continuou o presidente malawiano.

“Acreditamos que esse tipo de coisas torna esta região mais industrializada, transformada por via desta integração no movimento de pessoas e bens. Acredito que este projecto vai trazer o desenvolvimento dos dois países”, frisou o Estadista malawiano.

A visita dos dois presidentes acontece numa altura em que os trabalhos de reabilitação do Porto de Nacala estão num nível avançado, e conta actualmente com a instalação de equipamentos modernos, esperando-se que sejam concluídos até Abril de 2023.

“O Porto de Nacala, apoiado pelo Corredor de Desenvolvimento de Nacala, é outra importante paz no desenvolvimento social e económico do Malawi, uma vez que facilita o transporte mais barato de importações para o país, através da ferrovia para Lilongwe”, escreve Nyaza Times, um portal electrónico malawiano.

Em conformidade com o mesmo portal electrónico, para além da energia, “outras áreas de interesse para Malawi, através de laços com Moçambique, também, incluem internet Data Corridor, o Posto Único de Fronteira Malawi – Moçambique, mineração incluindo recursos petrolíferos, oportunidade de investimento do sector privado”. Daí, a visita do presidente malawiano a Moçambique culminará com a assinatura de vários acordos entre os dois países vizinhos. (Constantino Henriques, nosso enviado a Nacala)

Nampula: Preço do “chapa-100” vai estar mais caro a partir da próxima segunda-feira

Nampula (IKWELI) – A Associação dos Transportadores Rodoviários de Nampula (ASTRA) anunciou na manha da última quarta-feira (20) que, a partir do próximo dia 25 do corrente mês, as tarifas aplicadas no transporte semi-colectivos de pessoas e bens nas rotas urbanas daquele ponto do país vai ser agravados.

Esta decisão foi tomada em consequência do silencio do ofício da agremiação submetido a edilidade local propondo o aumento, o que fez com que a interpretação fosse uma autorização tacita, tendo em conta que o prazo legal para a resposta esgotou.

“Convocamos esta conferência de Imprensa para colocarmos a par os nossos concidadãos e as autoridades da administração pública a nível da província de Nampula que, por conta da crescente subida dos preços dos consumíveis para a área de transportes, exactamente o combustível e outros insumos, voltamos a ter necessidade de incrementar o preço a nível da cidade. Este processo não começou nas últimas duas alterações, já é um processo que vinha decorrendo desde o mês de Novembro do ano de 2021. Contudo, nós não encontramos uma resposta plausível por parte do Conselho Municipal. Temos cartas assinadas e que dão evidências de que nós metemos cartas a pedido de alteração do preço do vulgo chapa, assim como do táxi, tanto táxi de viaturas, como de mota”, adiantou o vice-presidente da ASTRA, Zeca Alberto.

Em conferência de Imprensa convocada pela ASTRA, Zeca Alberto recordou que foram envidados esforços no sentido de os transportadores encontrarem solução junto do município. Aliás, o assunto do agravamento do preço que no mês passado resultou numa paralisação das actividades de circulação dos transportes mereceu a intervenção do Secretário do Estado na província de Nampula, Mety Gondola, que reuniu as partes para debater e dar fim sem, no entanto, colocar em prejuízo os operadores e os utentes dos transportes.

Mas de acordo com o representante da ASTRA, o conselho municipal colocou prazos acima de prazos, sob alegação de dar resposta aos operadores que se sentem sufocados pelo aumento do preço de combustíveis. Até porque, segundo a fonte, a situação piorou com a última subida do preço dos combustíveis, onde a ASTRA voltou a pedir a autorização da alteração da taxa de transportes na urbe, mesmo com comissões criadas para o efeito.

“A última promessa é que o assunto teria sido levado à assembleia no dia 12 do mês em curso, mas ficamos a saber que não mereceu discussão, também, na assembleia”, mostrou-se preocupado Zeca Alberto, para quem a associação que lidera recorreu aos instrumentos legais vigentes no país para justificar a sua decisão mesmo sem o aval do executivo do conselho autárquico chefiado por Paulo Vahanle.

A ser assim, a ASTRA concluiu que a partir do dia 25 de Abril corrente, o preço de transporte público na cidade de Nampula passa dos actuais 10,00Mt (dez meticais) para 15,00Mt (quinze meticais), como forma de reduzir os impactos do aumento do preço de combustíveis o que afecta de sobremaneira o sector de transportes.

O vice-presidente da ASTRA explica os prejuízos do sector de transportes na medida em que, quando os valores a serem pagos ao transportador ficam corroídos pela despesa, o que acontece é que tanto os transportadores, quanto os transportados entram em prejuízo, isso porque os transportadores ficam refém sem ter capacidade de investir mais na área, ou então colocar os serviços à altura dos seus clientes.

“Primeiro partimos do pressuposto que temos dispositivos legais que nos permitem agravar o preço e em segundo, a nossa interlocutora colocava-se numa situação de não ter poderes suficientes para acomodar os nossos interesses”, concluiu o entrevistado para quem acredita na insensibilidade da autarquia de Nampula e adianta que no agravamento do preço haverá bonificação aos estudantes que apresentarem cartões de estudantes, as crianças e os idosos, ou seja, para esses a taxa de pagamento vai permanecer 10,00Mt, porém, não esclareceu em quais formas será cumprida a prerrogativa. (Esmeraldo Boquisse)