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Para as autárquicas de Outubro: Nyusi diz que a FRELIMO ainda está a fazer “procurement” de cabeças-de-lista

Nacala (IKWELI) – O presidente da Frelimo, Filipe Nyusi, disse neste fim-de-semana, na cidade de Nacala, que o seu partido ainda está no processo de “procurement” dos cidadãos que serão cabeças-de-lista nas eleições autárquicas de Outubro do corrente ano.

Montada a estrutura de direcção e gestão do processo eleitoral ao nível dos camaradas, segundo Nyusi, neste momento observam-se, respeitosamente, os procedimentos para a apuração de quem possa ser confiado, em cada autarquia, para liderar a lista que a partir de 2024 assumirá a direcção na gestão municipal.

“Agora estamos numa faze de procurement e para ter balizas”, garantiu Nyusi, prosseguindo que “como estou a dizer, estamos a estabelecer, a criar regulamento, perfil e a estratégia”.

O político anotou que tudo vai acontecer dentro dos prazos legais, tanto que “na Frelimo as valências são enormes”, por isso “não é muito difícil, basta as coisas serem criadas e estabelecidas para dizer é A ou B”.

Na cidade de Nacala, Nyusi reuniu-se com os primeiros secretários provinciais da Frelimo para “saber se estão todos claros sobre as decisões que tomaram e depois expliquei o objectivo da nossa paragem, também, que era fazer o estudo sobre avaliação da situação política do pais, a razão pela qual estou com todos primeiros secretários”.

“Tivemos a reflexão sobre as futuras eleições e o caso Nacala actualmente que  foi um caso de estudo ou estudo de casos para termos uma base, mas daquilo que nós discutimos com os secretários e com membros do secretariado, coincide, em mais de 80%  daquilo que os nossos camaradas aqui nos falaram, de como termos que nos organizar, de como temos que gerir os municípios, aquilo tudo muito evolutivo, mostrou-se claramente um arrependimento dos camaradas que trazem como a situação é aqui na cidade de Nacala. Mas para nós não dissemos que o nosso problema não vínhamos fazer avaliação de quem governa bem ou não, vínhamos nos organizar e preparar para os futuros passos”, concluiu Filipe Nyusi. (Redação)

Nyusi solidário com as vítimas do sismo na Turquia e na Síria

Maputo (IKWELI) – O Presidente da República (PR) de Moçambique, Filipe Nyusi, manifesta solidariedade para com as vítimas do sismo de magnitude de 7,8 na escala de Richter ocorrido a sul de Turquia e a norte da Síria nesta segunda-feira (06).

“Recebemos com profunda tristeza a notícia sobre a ocorrência, nesta segunda-feira, de um sismo de magnitude de 7,8 na escala de Richter, no sul da Turquia e norte da Síria, que vitimou mais de 1600 pessoas e destruiu várias infra-estruturas económicas e sociais nos dois países”, lê-se na página de Filipe Nyusi na rede social Facebook.

Igualmente, na mesma publicação o PR afirma que “quero, neste momento de consternação, endereçar em nome do povo, do Governo da República de Moçambique e no meu próprio, os nossos pêsames aos dois países e manifestar solidariedade”, tanto que “gostaria igualmente de encorajar as autoridades a manterem-se empenhadas no resgate de pessoas que ainda continuam presas nos escombros”.

Segundo a mesma publicação, o PR prossegue anotando que “continuamos a acompanhar a entrega abnegada de todas as instituições dos dois países nos esforços para a minimização dos danos nas infra-estruturas e na rápida recuperação dos feridos”. (Redação)

Suposto terrorista tenta roubar fármacos no Centro de Saúde de Namiepe

Nampula (IKWELI) – Um indivíduo de, pelo menos, 40 anos de idade foi flagrado no último Sábado (4), a tentar furtar bens hospitalares, nomeadamente lençóis e medicamentos do Sistema Nacional de Saúde (S.N.S), no Centro de Saúde de Namiepe, no posto administrativo municipal de Namicopo, cidade de Nampula.

Aquando da sua neutralização, quando foi descoberto, este disse ser proveniente do distrito de Muidumbe, província nortenha de Cabo Delgado, motivo pelo qual pressupõe-se tratar de um insurgente que procura pelos medicamentos, entre outros bens, para abastecer os seus comparsas naquela província onde ocorrem ataques terroristas há mais de cinco anos.

Além disso, um dos contactos telefónicos fornecidos pelo indivíduo que já se encontra detido nas celas da 5ª esquadra da Polícia da República de Moçambique (P.R.M), naquele bairro crítico da urbe, responde a outra pessoa residente em Muidumbe. O ocorrido preocupa a direcção do centro de saúde que aguarda pelo esclarecimento após os procedimentos legais pelas entidades competentes.

“Na noite de ontem para hoje [sexta-feira para Sábado], por volta das 00:00horas, fomos surpreendidos por um indivíduo estranho que se introduziu dentro das enfermarias, vergou-se de um avental e tentou vandalizar algum compartimento da unidade sanitária”, confirmou à nossa equipa de reportagem, Germano Bacar, director do Centro de Saúde de Namiepe.

O director disse em entrevista que o suposto terrorista trazia consigo lençóis na sua pasta, mas que naquele centro tentou arrombar a porta onde guardavam lençóis. Igualmente, o avental que o indivíduo envergou teria furtado numa das enfermarias.

“Furtou algumas luvas de procedimentos. Quando fui visitar a ele na 5ª esquadra para ver que indivíduo é esse, encontrei enquanto usou as mesmas”, explicou Germano Bacar, o qual disse ter comunicado um suposto familiar do suposto terrorista que também reside em Muidumbe, província de Cabo Delgado, mas que na altura a comunicação fracassou.

“Não é primeira vez que acontece este tipo de acto. Em algum momento nós perdemos alguns livros de registo, até nos surpreendemos, igualmente, com alguns sectores vandalizados. Infelizmente nunca tivemos a sorte de neutralizar os malfeitores. Desta vez o que se deu é o facto de termos encontrado em flagrante o indivíduo”, informou o director do Centro de Saúde de Namiepe. (Esmeraldo Boquisse)

Nacala em polvorosa: Secretário da Frelimo apontado pelos seus correligionários de associar-se à Renamo

Nampula (IKWELI) – O secretário do comité distrital do partido Frelimo em Nacala, província de Nampula, está a ser acusado por alguns membros daquela formação política de estar a favorecer os trabalhos político da Renamo, seu eterno rival.

Ismael Manuel Morais, primeiro secretário do comité distrital de Nacala, é visto nesse sentido, pelo facto de, alegadamente, vezes sem conta condenar algumas acções programadas pelos seus camaradas que visavam repudiar a forma como a Renamo de Raul Novinte tem conduzido os destinos dos munícipes da Cidade de Nacala.

Por causa dessa manifestação de Ismael Manuel Morais, neste momento não existe uma boa coordenação entre os membros da Assembleia Municipal pela bancada da Frelimo. Tal situação pesou para que aqueles representantes dos “camaradas” fossem afastados do comité distrital.

Informações em nosso poder indicam que as críticas feitas sobre a forma como a autarquia está a ser gerida por quadros da Renamo podem estar por detrás do afastamento. Há quem diga que o secretário do comité distrital tem benefícios em troca, pois recebe senhas de combustível do município gerido pela “Perdiz”.

Recentemente os funcionários observaram uma greve para exigir o pagamento de dois meses de salários, para além do 13º ordenado.

Os colaboradores da edilidade são provenientes de várias formações políticas. Sucede que o primeiro secretário da Frelimo em Nacala solicitou os funcionários que são membros do “batuque e da maçaroca” para desencorajar a greve, alegadamente porque trata-se de um ano eleitoral, sendo que não ficaria bem denigrir a imagem dos seus oponentes.

Mesmo assim, as nossas fontes, que pediram anonimato, juntaram-se aos outros colegas para exigir os seus direitos. Entretanto, o edil Raúl Novinte interpretou a greve como um acto de perseguição política, sendo que o partido Frelimo é que estava por detrás de toda a mobilização dos trabalhadores.

Os pronunciamentos não foram bem acolhidos por parte dos membros da Assembleia Municipal pela bancada da Frelimo, os quais convocaram, na última semana de Janeiro, a imprensa para manifestar o desapontamento.

A bancada do partido Frelimo, representada pela respectiva chefe Maria da Conceição Januário, o porta-voz Chandrek Niconela, Samuel Libububo e Miguel Auca, pretendia dar a conhecer os contornos da greve que durou 18 dias.

O estranho é que o primeiro secretário, Ismael Manuel Morais, ficou posicionado na entrada do edifício para impedir os homens da Televisão de Moçambique (TVM) de captar as imagens das instalações onde funciona o comité distrital, alegando que o assunto que a bancada pretendia abordar é da inteira responsabilidade dos membros e não reflectia o posicionamento do partido, pelo que não devia aparecer a imagem do partido na imprensa.

A situação deixou a classe de profissionais da comunicação social indignados e sem, no entanto, perceber o que se estava a passar. Porque supõe-se que a conferência de imprensa tenha sido em representação do partido Frelimo.

Contactado para reagir as acusações que pesam sobre si, Ismael Manuel Morais, primeiro secretário distrital de Nacala, refutou as alegações dos seus camaradas. Aliás, Morais considerou aos acusadores como sendo de má-fé e protagonizadas por pessoas com intensões duvidosas.

“Eu perguntaria a você como jornalista amador, acha que isto é verdade?”, começou por perguntar Ismael Manuel Morais, tendo aconselhado a nossa equipa de reportagem de que “não pode alimentar coisas de indivíduos com suas pretensões. Acha mesmo um primeiro secretário da Frelimo vai filiar-se a Renamo? A fazer o quê? Essas são pretensões de má-fé de alguns membros, indivíduos de cabeça oca, são esses que dizem isso”.

Segundo recordou aquele político, “o partido tem o seu papel de mobilizador, angariar membros, difundir os interesses do partido do Frelimo e de cidadão comum, mas aqui nós temos nossas limitações, ou as pessoas estão acostumados a ver-nos vaiados, é que ficam satisfeitos. Essas são acusações infundadas, de pessoas de má fé por isso nem vale a pena ligar para falarmos dessas coisas porque, senão, vais me por nervoso e falar outras coisas”. (Redação)

Corrane: Deslocados internos têm falta de medicação e de assistência humanitária

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Nampula (IKWELI) – Escassez de fármacos, concretamente antimaláricos, a exclusão na canalização de apoios e o não enquadramento de crianças em idade escolar nas turmas, constituem parte das inquietações que se registam no centro de acolhimento aos deslocados internos vítimas dos ataques terroristas, instalado no posto administrativo de Corrane, no distrito de Meconta.

O Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, fez a sua primeira visita ao centro de Corrane na semana passada, momento aproveitado pelos deslocados para apresentarem as suas inquietações.

Jaime Neto, no local, ficou impressionado pelas iniciativas empreendedoras proporcionadas pelos parceiros de cooperação nacionais e internacionais, a exemplo de cursos técnico profissionais de curta duração e produção agrícola, porém, o semblante mudou quando decidiu interagir num comício com os deslocados residentes no centro, comunidade de Mucupassa.

“Agradeço pela vossa visita e por terem vindo hoje, aqui. O que tenho a dizer é muito importante, sendo que a primeira coisa é sobre a alimentação. Nós temos um agregado familiar de seis membros, mas apenas recebemos 50 quilogramas de arroz, como é que vamos sobreviver durante três meses?”, começou por lamentar o cidadão deslocado Américo Adão, proveniente do posto administrativo de Chai, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado.

Sobre a área da saúde, o jovem Américo Adão introduziu a sua inquietação ao questionar o Secretário do Estado, do porquê da montagem de tendas para servir de centros de saúde. O que sucede, de acordo com o cidadão, é que o centro de saúde montado depara-se com escassez de medicamentos, no caso concreto de antimaláricos, o que os preocupa.

“Dizem que trazem medicamentos para atender às nossas necessidades, mas quando lá me dirijo, sou submetido a análises e me é diagnosticado malária, só me dão Paracetamol e dizem que não tem Coartem. Afinal, onde vão esses medicamentos?”, interrogou Adão, pedindo aos governantes a criação de condições mínimas no centro.

Em Corrane preocupa, igualmente à população, a degradação das vias de acesso que dificultam a mobilidade. Por esta razão, os deslocados consideram-se aprisionados, no lugar de serem acolhidos. “Pedimos para que criem mais esforços. Nós não queremos isso, na nossa província não há paz por isso queremos ficar aqui”, concluiu o cidadão.

Selemane Saíde, outro deslocado, vindo do distrito de Palma, sublinhou que a estadia destes no centro não é por livre e espontânea vontade, tanto é que não devem estar condenados ao sofrimento. “Quando trazem os bens alimentares ou não, muitas vezes oferecem os representantes dos bairros, excluindo outros cidadãos”, desabafou o interveniente.

“Nós não saímos da nossa terra porque quisemos. Nós não estamos de acordo com o que lá acontece. Aqueles que regressam às zonas de origem não significa que está tudo bem, mas por causa do comportamento que aqui [no centro de Corrane] está a acontecer”, acrescentou Eduardo Jacob.

Dirigindo-se ao Secretário de Estado, que “vós que sentais nessas cadeiras, com direito a água e mesa, não significa que estudaram somente a primeira classe e terminaram por aí. Agora isso de desde 2020, quando se está em tempos de aula ou afixação de resultados, os nomes das crianças não constam nas pautas. Quando questionamos nos orientam para passar de turma em turma, afinal de contas quem são os professores destas crianças”.

Reagindo às preocupações da população deslocada e acolhida no centro de Corrane, O Secretário de Estado na província de Nampula comprometeu-se a interagir com os actores intervenientes na assistência à população, por forma a apurar as verdades referidas, sobretudo a escassez de medicamentos, de modo a regularizar o problema apresentado.

Enquanto isso, apelou aos pais e encarregados de educação a inscrever os seus filhos em idade escolar para garantir o futuro destas. Igualmente, chamou atenção a luta contra as uniões forçadas e prematuras, para dirimir o sofrimento das raparigas. (Esmeraldo Boquisse)

Principal acesso do mercado do Waresta encontra-se interrompido

Nampula (IKWELI) – O principal acesso do mercado grossista do Waresta, nos arredores da cidade de Nampula, encontra-se interrompido desde o passado sábado (28 de Janeiro), e ao que tudo indica é para obras de reabilitação e manutenção.

Oficialmente, a edilidade não informou as causas do interrompimento da via que coincide com uma passagem de nível, e o facto preocupa os utentes e moradores próximos do mercado.

De acordo com nossas fontes, o local não serve apenas aos utentes do mercado, mas é uma travessia importante para moradores da zona do Viera, Areal e outros pontos habitacionais de Murrapaniua, no posto administrativo autárquico de Natikiri.

Enquanto não há informação sobre o que, realmente, pretende-se executar com a interrupção do acesso, as reclamações são várias, tal como comentou a senhora Clara Armando. “Aquilo não é normal. As pessoas estão a sofrer, porque chegar neste portão que a gente já estava acostumada e voltar para passar no outro portão é muito cansativo, isto porque a outra passagem fica muito longe, a gente não sabe o que eles pretendem fazer com aquele local, se vão colocar um murro de vedação ou não, isso quem deve saber é o conselho municipal da cidade”, disse.

Narciso Bernardo, outro utente entrevistado pelo Ikweli, diz que “nós apenas vimos essa vedação, na quinta-feira, vimos apenas os homens a fechar o portão de entrada, e nesse momento estamos mal, porque as pessoas que querem ter acesso ao mercado devem percorrer distâncias para o efeito, estou a falar da entrada perto das bombas e a entrada perto duma escola que, também, esta distante. O Conselho Municipal ainda não disse nada relacionado com o fechamento deste local, mas também acho que as obras fazem parte da empresa Nacala Logistics”.

“O mercado é da responsabilidade do municio e são os mesmos que deveriam nos dar alguma informação sobre o caso, mas até hoje não veio dar nenhuma informação, eu acho que o presidente e o pessoal da empresa já conversarão sobre o caso e já está tudo legalizado sobre esse assunto”, comentou esta fonte, recordando que “daqui para as bombas não sei qual é a distância exacta, mas é muito longe, aqui outros passam pelo murro de vedação”.

“Isso é muito complicado, porque a gente não tinha informação do caso e neste local não tem nenhuma placa que identificação o que se pretende realizar neste local, por exemplo eu fiquei surpreendida quando cheguei neste local e tinha que dar a volta para ter acesso ao interior do mercado e comprar o que eu queria. Até outros saltam muro e isso é um risco quando as pessoas, porque as pessoas que não são flexíveis em saltar podem calhar a vir comboio, e já sabemos como vai terminar com essa pessoa pior se a sorte não estar com o mesmo”, comentou uma fonte que não quis se identificar.

O director de Comunicação e Imagem no conselho autárquico da cidade de Nampula, Nelson Carvalho, garantiu, em reação, que a ideia é melhorar o local, para garantir uma boa mobilidade.

“O município tem conhecimento da situação, o município em parceria com o Corredor de Desenvolvimento de Norte, estudou uma estratégia no sentido de melhorar os acessos do mercado Waresta razão pela qual esta aquela vedação”, disse, explicando que “pretende-se fazer o melhoramento do acesso principal do mercado e, também, criar-se alguma cancela de modo a proteger os munícipes que são forçados, em algum momento, a saltar a linha férrea quando o comboio esta a passar”.

“Na verdade, não sei o que falhou, mas já foram cumpridos com todos os procedimentos e temos certeza que nos próximos dias já teremos o acesso livre e antes da construção já teremos as placas que identificam tudo sobre a construção da referida obra”, concluiu Nelson Carvalho. (Hermínio Raja & Redação)

Moçambique e EUA consolidam processo de desenvolvimento do Compacto II

Maputo (IKWELI) – Os Governos de Moçambique e dos Estados Unidos da América (EUA), este último através da agência Millennium Challenge Corporation (MCC), selaram, esta segunda-feira, 30 de Janeiro, em Maputo, um conjunto de compromissos referentes ao escopo e objectivos do Compacto II para Moçambique, cujo Acordo de Financiamento se prevê seja assinado ainda este ano.

“Os compromissos firmados pelos dois Governos, que compreendem as três áreas a serem cobertas pelo Compacto II – (i) Promoção do Investimento na Agricultura Comercial, (ii) Conectividade e Transporte Rural e (iii) Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Costeiro – marcam a consolidação do processo de concepção da referida iniciativa de desenvolvimento, que decorrerá em todo o território nacional, mas tendo a província da Zambézia como foco geográfico”, refere uma nota de imprensa recebida pelo Ikweli.

Integrados num documento denominado Aide Memoire, segundo a mesma nota, os acordos alcançados pelo Governo de Moçambique, representado pelo Ministro da Economia e Finanças, Ernesto Max Tonela, e pela MCC, representado pelo respectivo Vice-Presidente Executivo, Mahmoud Bah, que na mesma segunda-feira iniciou uma visita de seis dias ao país, dão particular primazia a reformas políticas e institucionais previstas para o sector de estradas, no quadro do que Moçambique se compromete a incrementar os fundos disponíveis para a manutenção das rodovias em 50%.

Intervindo na cerimónia realizada em Maputo, Max Tonela afirmou que “a assinatura deste Aide Memoiresinaliza, de forma inequívoca, o cometimento tanto do Governo de Moçambique como do Governo dos EUA, através da MCC, com o desenvolvimento de um Compacto II para Moçambique que seja robusto e inovador. Acreditamos que, a breve trecho, os projectos que constituirão o Compacto II serão concluídos pelas equipas técnicas, com o que estarão criadas as condições para que o Acordo de Financiamento do mesmo possa ser rubricado o mais rápido possível”.

Na mesma ocasião, Mahmoud Bah disse que “a MCC está orgulhosa de uma vez mais, estabelecer parceria com Moçambique, com o fito de apoiar o crescimento económico inclusivo para os cidadãos deste país”.

De referir que as autoridades nacionais ao mais alto nível receberam, em princípios deste ano, correspondência da liderança máxima da MCC informando da reeleição de Moçambique para beneficiar do Compacto II, que sucede o Compacto I, implementado no país de 2008 a 2013. (Redação)

Neto reconhece o papel da mídia na promoção do desenvolvimento de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, reuniu-se no fim da tarde desta segunda-feira (30) com directores, delegados, editores e quadros séniores dos órgãos de comunicação social com sede e/ou representação na cidade de Nampula, de forma a estreitar relações com este grupo de profissionais.

De poucas palavras, Neto deixou claro que precisa da mídia pra fortalecer o seu trabalho, e por via disso alcançar-se o desenvolvimento sustentável na mais populosa província de Moçambique.

Sem rodeios, o novo Secretário de Estado na província de Nampula pediu para que os jornalistas, sem receio, indicassem as suas preocupações no relacionamento com os dirigentes sob sua alçada, mormente pelos Serviços de Representação do Estado.

Os jornalistas queixaram-se, na ocasião, o difícil acesso as fontes de informação, o fechamento cada vez mais do espaço de actuação dos escribas, bem como a não subscrição e colocação de publicidades nos órgãos com sede na cidade de Nampula. (Redação) 

Nampula: Frelimo diz que Renamo “criou” condições para perder as autarquias que dirige no maior círculo eleitoral do país

Nampula (IKWELI) – O partido Frelimo na província de Nampula entende que a má governação local da Renamo nos municípios de Malema, cidade de Nampula, Nacala, Ilha de Moçambique e Angoche fará com que os camaradas tomem as rédeas a partir das próximas eleições autárquicas agendas para Outubro próximo.

A garantia é do Secretário do Comité Central para a Área de Organização da FRELIMO, João Mudema, numa reunião de avaliação do desempenho dos órgãos dos municípios governados pela FRELIMO, realizada no último fim-de-semana no município de Ribáuè, com vista a monitorar os trabalhos e preparar a vitória nas sextas eleições autárquicas.

Aquando da abertura da reunião, João Mudema mostrou-se confiante de que os relatórios dos órgãos executivos dos municípios dirigidos pela FRELIMO apresentam indicadores que facilitam a avaliação dos manifestos eleitorais de 2018, que formalmente foram transformados em programas quinquenais de governação autárquica de 2019-2023.

“Queremos acreditar que os relatórios das bancadas da FRELIMO, nas assembleias dos municípios não governados por nós trarão informações úteis das acções com resultados tangíveis realizadas pelo nosso governo, no âmbito do cumprimento dos planos económicos e sociais, bem como das fragilidades governativas da oposição a capitalizarmos, para a potenciação da nossa estratégia eleitoral, a culminar inadiavelmente com a reconquista daqueles territórios municipais”, disse Mudema.

Para chamar atenção aos seus correligionários, Mudema recorreu a gíria interna da FRELIMO, segundo a qual “a vitória prepara-se. A vitória organiza-se”, daí a necessidade da coesão, união e empenho de todos os membros a partir da base.

“Os interesses pessoais e inconfessos não devem estar acima dos interesses da sexagenária FRELIMO”, alertou o Secretário do Comité Central para a Área de Organização, para quem a vitória nas próximas eleições autárquicas “depende da exploração permanente e bem estudada das fragilidades da oposição na gestão da coisa pública nos municípios onde ela [a RENAMO] governa, e transformá-las em oportunidades para o sucesso da nossa acção política no terreno”.

Sempre no olho pela governação no maior círculo eleitoral, João Mudema recorda o papel das células, comités de círculo e de localidades, porque segundo entende, constituem a sede própria onde os membros e simpatizantes da FRELIMO consciencializados têm de cumprir os seus deveres estatutários, a saber a aderência exemplar e massiva aos postos de recenseamento eleitoral e nas mesas de assembleias de votos.

Outra estratégia que visa garantir a vitória jurada, segundo Mudema, é a capacidade das células, comités de círculo e de localidades, mobilizar eleitores na sua generalidade a seguirem o seu exemplo, o que em frases curtas significa, convencê-los a se filiarem à FRELIMO.

“Como é do vosso total domínio, a coesão interna dos membros da FRELIMO é a premissa fundamental para o alcance das vitórias necessárias desde a luta de libertação nacional aos nossos dias. Pela FRELIMO, caros camaradas, não nos podemos fingir, aplicarmo-nos ciladas, vigarizarmo-nos, mentirmo-nos, desgastarmo-nos, pois isso fortalece a quem e com muita preocupação pretende empurrar-nos do poder” indagou. (Esmeraldo Boquisse)

Jovem transexual forçado a manter relações sexuais com uma mulher para poder dar neto à mãe

Nampula (IKWELI) – Baltazar Francisco Victor, conhecida por Sara, de 28 anos de idade, residente no bairro de Mutauanha, posto administrativo de Muatala, é filho único, e há 12 anos decidiu expor a sua sexualidade como transexual ao público, algo que não foi bem visto pela sua mãe, que impôs como condição para o aceitar, que ele engravidasse uma mulher e tivesse, pelo menos, um filho para supostamente cobrir o espaço deixado por conta da sua orientação sexual.

Segundo Sara, aceitar a exigência da mãe significava igualmente entrar para o lar com a mulher, pese embora não sentisse qualquer atração por ela, mas sem alternativas, o jovem transexual teve que fazer a vontade da mãe, algo que o aprisionou por vários meses, uma vez que não podia manifestar a sua orientação sexual.

“Quando completei os meus  20 anos de idade senti-me obrigada a satisfazer os desejos da minha mãe e me relacionei com uma menor de 17 anos de idade  para lhe dar neto”, explicou Sara, prosseguindo que “o meu filho agora tem  4 anos de idade e vive com a sua mãe, para ter esta criança fui forçado com a minha própria mãe, mesmo tendo conhecimento sobre a minha vida sexual, porque segundo ela não haveria nenhum problema eu dar um neto e continuar a pertencer às pessoas da comunidade LGBT e como todos sabemos mãe é mãe não tem como desobedecer”.

Como pai, Sara conta que tem assumido as suas responsabilidades e para isso tem trabalhado arduamente para garantir o sustento do filho. “Para conseguir alimentar o meu filho é graças ao meu esforço, porque desde o ano 2018 sou cantora de músicas tradicionais, existem algumas pessoas de boa-fé que me chamam em algumas cerimônias para fazer show e me pagam por isso, faҫo viagens para alguns distritos como Rapale, Mecubúri e Nacala e gosto desta função, porque amo a música e me inspiro em vários cantores tanto nacionais e internacionais”, explicou.

A nossa entrevistada, também, acrescentou que “tenho um salão de beleza, agora em reabilitação, onde faҫo vários tipos de tranças o que ajuda-me muito e consigo dinheiro para sustentar a minha família”.

Segundo Sara, embora tivesse dado neto a mãe, havia toda necessidade que ela entendesse que precisava viver livremente como transexual e para isso, conta que a intervenção da organização Lambda foi bastante fundamental para que a mãe e os demais familiares compreendessem o que significava ter orientação sexual diferente com aquela com que biológica e fisicamente nasceu.

Portanto, a nossa interlocutora explica que “para começar a sumir a minha orientação, foi graças a associação Lambda que explicou a minha família sobre o que estava acontecendo comigo, mais tarde, algumas pessoas aqui no bairro começaram a respeitar e aceitar aquilo que sou hoje, embora que existem pessoas que ainda, mesmo tendo a informação sobre as pessoas lésbicas, gay, bissexual e transexual continuam a praticar a descriminação e quando isso acontece ignoro e faço de contas que nada me abala”.

Apesar de tudo que enfrentou para assumir a sua orientação sexual, Sara partilhou com o Ikweli que agora se sente uma pessoa livre. “Não vivo com o meu filho apesar do mesmo fazer confusão quando me vem e as vezes me chama de mama por causa da minha aparência feminina e esquece que sou um pai, mas   isso não me incomoda”.

A semelhança de todos que se assumem LGBT+, Sara conta que tem enfrentado o problema de estigma por onde anda, nos transportes públicos, mas salienta que os centros de saúde são o único local onde nunca foi discriminada. (Nelsa Momade)