Corrane: Deslocados internos têm falta de medicação e de assistência humanitária

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Nampula (IKWELI) – Escassez de fármacos, concretamente antimaláricos, a exclusão na canalização de apoios e o não enquadramento de crianças em idade escolar nas turmas, constituem parte das inquietações que se registam no centro de acolhimento aos deslocados internos vítimas dos ataques terroristas, instalado no posto administrativo de Corrane, no distrito de Meconta.

O Secretário de Estado na província de Nampula, Jaime Neto, fez a sua primeira visita ao centro de Corrane na semana passada, momento aproveitado pelos deslocados para apresentarem as suas inquietações.

Jaime Neto, no local, ficou impressionado pelas iniciativas empreendedoras proporcionadas pelos parceiros de cooperação nacionais e internacionais, a exemplo de cursos técnico profissionais de curta duração e produção agrícola, porém, o semblante mudou quando decidiu interagir num comício com os deslocados residentes no centro, comunidade de Mucupassa.

“Agradeço pela vossa visita e por terem vindo hoje, aqui. O que tenho a dizer é muito importante, sendo que a primeira coisa é sobre a alimentação. Nós temos um agregado familiar de seis membros, mas apenas recebemos 50 quilogramas de arroz, como é que vamos sobreviver durante três meses?”, começou por lamentar o cidadão deslocado Américo Adão, proveniente do posto administrativo de Chai, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado.

Sobre a área da saúde, o jovem Américo Adão introduziu a sua inquietação ao questionar o Secretário do Estado, do porquê da montagem de tendas para servir de centros de saúde. O que sucede, de acordo com o cidadão, é que o centro de saúde montado depara-se com escassez de medicamentos, no caso concreto de antimaláricos, o que os preocupa.

“Dizem que trazem medicamentos para atender às nossas necessidades, mas quando lá me dirijo, sou submetido a análises e me é diagnosticado malária, só me dão Paracetamol e dizem que não tem Coartem. Afinal, onde vão esses medicamentos?”, interrogou Adão, pedindo aos governantes a criação de condições mínimas no centro.

Em Corrane preocupa, igualmente à população, a degradação das vias de acesso que dificultam a mobilidade. Por esta razão, os deslocados consideram-se aprisionados, no lugar de serem acolhidos. “Pedimos para que criem mais esforços. Nós não queremos isso, na nossa província não há paz por isso queremos ficar aqui”, concluiu o cidadão.

Selemane Saíde, outro deslocado, vindo do distrito de Palma, sublinhou que a estadia destes no centro não é por livre e espontânea vontade, tanto é que não devem estar condenados ao sofrimento. “Quando trazem os bens alimentares ou não, muitas vezes oferecem os representantes dos bairros, excluindo outros cidadãos”, desabafou o interveniente.

“Nós não saímos da nossa terra porque quisemos. Nós não estamos de acordo com o que lá acontece. Aqueles que regressam às zonas de origem não significa que está tudo bem, mas por causa do comportamento que aqui [no centro de Corrane] está a acontecer”, acrescentou Eduardo Jacob.

Dirigindo-se ao Secretário de Estado, que “vós que sentais nessas cadeiras, com direito a água e mesa, não significa que estudaram somente a primeira classe e terminaram por aí. Agora isso de desde 2020, quando se está em tempos de aula ou afixação de resultados, os nomes das crianças não constam nas pautas. Quando questionamos nos orientam para passar de turma em turma, afinal de contas quem são os professores destas crianças”.

Reagindo às preocupações da população deslocada e acolhida no centro de Corrane, O Secretário de Estado na província de Nampula comprometeu-se a interagir com os actores intervenientes na assistência à população, por forma a apurar as verdades referidas, sobretudo a escassez de medicamentos, de modo a regularizar o problema apresentado.

Enquanto isso, apelou aos pais e encarregados de educação a inscrever os seus filhos em idade escolar para garantir o futuro destas. Igualmente, chamou atenção a luta contra as uniões forçadas e prematuras, para dirimir o sofrimento das raparigas. (Esmeraldo Boquisse)

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