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Mau tempo deixa 4 distritos de Nampula as escuras

Nampula (IKWELI) – Os distritos de Ribáuè, Lalaua, Mogincual e Liupo, na província de Nampula, observam uma interrupção no fornecimento da energia eléctrica da rede nacional, em consequência do mau tempo que se faz sentir nesta região do país.

A empresa Electricidade de Moçambique, responsável pela rede, explica em comunicado de imprensa que a interrupção no fornecimento de energia eléctrica deveu-se “a queda de postes de Média Tensão”, garantindo que “equipas técnicas da EDM encontram-se no terreno, visando o restabelecimento do
fornecimento normal de energia eléctrica às zonas afectadas, o mais breve possível”.

Os distritos de Ribáuè e Lalaua localizam-se no interior da província de Nampula, enquanto Liupo e Mogincual ficam na zona costeira. (Redação)

E.… roubaram todas as carteiras na EPC de Namicopo 2!

Nampula (IKWELI) – Actos de vandalismo e furto de bens escolares deixam a única Escola Primária e Completa de Namicopo 2, no não menos conhecido bairro mais populoso do país, localizado nos arredores da cidade de Nampula. O acto é atribuído aos vizinhos da escola que, sem escrúpulo, aproveitam-se da insegurança da instituição para alcançar as suas intenções.

O Ikweli apurou que até este ano a direcção da escola soma perto de mil carteiras desaparecidas em circunstâncias estranhas, tanto é que já não existe nenhuma, em mais de 20 salas de aulas que perfazem a Escola Primária e Completa de Namicopo 2, que se situa há 10 minutos da 3ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) e perto de mil metros do posto administrativo autárquico de Namicopo.

Além de carteiras escolares, sumiram, igualmente nas salas da EPC de Namicopo 2, as secretárias e respectivas cadeiras de professores, tudo pela conduta supostamente não abonatória de parte dos residentes daquele bairro, segundo considera a direcção do estabelecimento de ensino em referência.

Assim, os alunos da EPC de Namicopo 2 estarão sujeitos a receber as aulas em condições não dignas, na altura da abertura do ano lectivo em escala nacional e o início do processo de ensino e aprendizagem. Até porque segundo nos informaram, por falta de secretárias e cadeiras, os professores leccionam de pé durante 45 minutos de cada aula e penduram os livros de turma nas janelas, enquanto os petizes aglomeram-se no soalho sem condições adequadas.

Dado importante é que o desaparecimento de carteiras, secretárias e cadeiras de professores em circunstâncias estranhas na EPC de Namicopo 2 remonta há dois anos, mas que a direcção despertou nos finais do ano passado quando se viu desprovida na totalidade destes bens que contribuem expressivamente no processo de ensino e aprendizagem de crianças em Moçambique e não só.

Carpinteiros e serralheiros podem explicar o esquema

Fontes anónimas e residentes em Namicopo, bem como a direcção da escola, atribuem os actos que desgraçam a instituição aos moradores que, aproveitam da destruição das carteiras pelos alunos que, por sua vez, estes [moradores] furtam as peças de madeira e ferro para as suas residências enquanto outros vendem aos carpinteiros, serralheiros e os ferreiros nas sucatarias.

“Este é um recinto de diversão. Jovens encontram-se aqui para jogar, mas ao terminar o jogo, quando se retiram, carregam as peças de carteiras destruídas pelas crianças. Outros mandam para ao carpinteiro, outros tornam-nas de peças de armação de cama até mesmo bancos nos seus quintais. Isso tudo acontece aqui”, confidenciou-nos uma cidadã que reside a 20 metros do recinto escolar.

Igualmente “as pessoas que roubam as carteiras retiram os ferros que servem de base das carteiras para vender nas sucatarias e fazer de mukwalas [instrumento usado para trancar portas no interior de residências ou estabelecimentos comerciais] para garantir a segurança”, comentou um jovem mecânico e serralheiro em conversa com o nosso repórter.

As nossas fontes apontam a fragilidade de segurança da própria instituição, ao considerar que além de ser um recinto vasto e sem muro de vedação, o único guarda que a direcção da escola contratou é idoso de cerca de 70 anos de idade. Este facto preocupa, de certa forma, os funcionários da instituição bem como alguns moradores que testemunham actos de vandalização do património da escola.

“Esse guarda não dá medo. As pessoas de qualquer idade invadem a escola e o tal guarda não tem capacidade para impedir. Ele é um velho que devia estar a descansar em casa, até porque merece indemnização uma vez que é guarda desde a implantação da escola nesta zona”, indicou Sualé [nome fictício] de um dos funcionários da escola.

Em busca de informação, o Ikweli localizou o respectivo guarda da escola que num tom de lamentação pelo salário magro, confirma o furto de carteiras por pessoas próximas da instituição e não só, sem contar com a destruição pelos alunos. Este garante que numa acção de busca, pode-se localizar as peças no interior das residências dos moradores daquele bairro.

“Não se pode negar que foram roubadas as carteiras, isso é verdade. Se eu trabalho sozinho neste extenso pátio, não é fácil. É por isso que as pessoas entram aqui e eu nem me apercebo, seja de dia ou de noite”, contou Assiraje Tabide, ancião contratado pela direcção da EPC de Namicopo 2 para guarnecer a escola.

O ancião guarda recorda do tempo que tinha seu companheiro para guarnecer a escola, mas que devido ao salário baixo, o companheiro abandonou as funções depois de exigir aumento salarial ao corpo directivo. Particularmente ao seu caso, o ancião informou que aufere mensalmente 1500,00Mt (mil e quinhentos) meticais, porém, há períodos em que o salário atrasa quatro meses.

Direcção desnorteada confirma o furto

Celestino João Zacarias, presidente do Conselho de Escola na EPC de Namicopo 2, confirmou, sob ordens do director da escola que se encontrava ausente, que as carteiras foram destruídas e furtadas por indivíduos de má-fé. Parte destes indivíduos é a população vizinha que reside em Namicopo, segundo o indicado pelo executivo da escola.

“Não porque roubaram em uma só vez, como se pode notar a escola está no meio da população, por isso acreditamos que a população tem conhecimento dessas carteiras”, acusou Celestino Zacarias quando abordado pela Imprensa.

O presidente do Conselho de escola reconhece, também, que o salário que pagam ao guarda é baixo, motivo pelo qual um dos guardas abandonou o serviço. Ademais, “o guarda que está aqui é um idoso e não consegue velar isso tudo” e o recinto em si é vasto, por isso “não conseguimos terminar o muro de vedação”.

Refira-se que o desaparecimento de carteiras, entre outros bens da escola foi reportado a P.R.M, através da 3ª Esquadra, que já prometeu intervir de modo a trazer parte do património furtado.

“Há um dia em que uma das professoras afecta a esta escola e por sinal vizinha, em plena aula, pediu um dos alunos ir buscar cadeira na sua casa para ela poder se acomodar, mas quando lá o menino foi, trouxe uma cadeira da escola”, partilhou Celestino Zacarias, um dos sinais de que as carteiras e cadeiras escolares podem estar dentro das residências dos moradores de Namicopo, fruto de vandalização e furto àquele estabelecimento de ensino público, localizado num dos mais extenso e populoso bairro do país.

Recorde-se que a EPC de Namicopo 2 tem sido local de armazenamento de carteiras escolares para depois serem distribuídas em diferentes distritos da província de Nampula. Contudo, para o presente ano lectivo está sujeita a iniciar sem carteiras, secretárias e cadeiras para os seus professores e alunos. (Esmeraldo Boquisse)

INAE pede empréstimo monetário a quem deve fiscalizar em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE), delegação provincial de Nampula, para suprir a necessidade de prover cabaz de Natal e do Fim de Ano para os seus funcionários viu-se obrigada a recorrer as entidades que tem sido alvo da sua actuação para solicitar empréstimos monetários para o efeito, o que concorre para um claro conflito de interesses.

O Ikweli está na posse de, pelo menos, 5 cartas de pedido, à título de empréstimo por espécie, de valores monetários na ordem dos 50.000,00Mt (cinquenta mil meticais) dirigidos aos principais supermercados da cidade de Nampula, precisamente a SILVYA, IMPERIAL, BLUE, SARA TRADING, e ao VIP.

“A delegação acima citada, vem por este meio, solicitar os bons ofícios de V. Excia se digne autorizar um crédito no valor de 50.000,00Mt (cinquenta mil meticais), de produtos em géneros alimentícios, para os seus funcionários, em que o pagamento será feito no primeiro trimestre de 2023”, lê-se nas referidas cartas de pedido datada de 9 de Dezembro de 2022.

A carta é assinada pelo respectivo delegado provincial, Francisco Fernando, o qual já foi alvo de uma detenção por ordens do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula apontado de cometer crimes de corrupção. (Redação)

Recursos minerais continuam a matar em Nampula

Nampula (IKWELI) – Os recursos minerais, na província de Nampula, no norte do país, tendem a revelar-se como uma maldição, e recorrentemente há disputas que levam a violação e abusos dos direitos humanos.

Mogovolas, um dos distritos com elevado potencial de minérios preciosos na província, tem sido a face mais visível da disputa no acesso e usufruto destes recursos do sob solo, seguido de Moma e Memba.

Nesta terça-feira, um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) viu o seu percurso de vida interrompido, morto por garimpeiros ilegais, cuja maioria é de nacionalidade moçambicana, mas teleguiados por indivíduos de nacionalidade estrangeira, destacadamente os oriundos dos países da região africana dos Grandes Lagos.

A morte do agente da polícia ocorreu concretamente no povoado de Muva, posto administrativo de Iuluti e é atribuído aos garimpeiros que fazem a extração de pedras semipreciosas.

Fontes próximas ao Ikweli indicam que os agentes da polícia faziam rotinas, sempre que tivessem espaço, no regulado de Muva, zona onde se extrai as pedras semipreciosas a fim de extorquir os garimpeiros, sob ameaças de expulsá-los do local. Contudo, agastados pelas ameaças, os garimpeiros resolveram entrar em conflito com as autoridades.

Nota importante é que o local em alusão é uma reserva do Estado, sendo que não foi concessionado a nenhuma entidade, seja privada ou pública. É por esta razão que, segundo as nossas fontes que pediram anonimato, a população decidiu ocupar após a descoberta da existência de minérios e avançou para a sua exploração sem permissão do governo local e não só.

O facto nos foi confirmado, igualmente, pelo administrador do distrito de Mogovolas, Emanuel Impissa, o qual lamenta pela morte do agente da polícia. Outrossim, o dirigente explica que a intenção da polícia foi de garantir a ordem e tranquilidade públicas, numa situação em que havia informação de tentativa de invasão de um espaço de reserva do Estado, em Iuluti.

Ao se aperceber da tentativa de invasão do local pela população, de acordo com Impissa, “a nossa força foi destacada para evitar a situação”, mas que quando lá esteve [a força], os garimpeiros intentaram uma agressão, que resultou em ferimentos a um grupo de três polícias indicados para o local.

O chefe máximo do distrito de Mogovolas disse ainda que a morte do agente ocorreu no Hospital Central de Nampula, para onde foi socorrido pelos seus colegas depois do confronto com os garimpeiros.

Enquanto isso, “está no local, uma equipa da polícia para manter a ordem e tranquilidade públicas”, adiantou ao Ikweli o administrador, o qual garante que decorrem trabalhos de investigação para se encontrar o principal actor do conflito que resultou na morte do agente da P.R.M, naquela região. (Esmeraldo Boquisse)

Mau tempo deixa Nacala-à-Velha e Memba as escuras

Nampula (IKWELI) – Os distritos de Nacala-à-Velha e Memba, na província de Nampula, encontram-se desprovidas de energia eléctrica da rede nacional desde esta terça-feira (24), em consequência dos danos causados pelo mau tempo que se faz sentir na região.

Em alerta de imprensa, a empresa Electricidade de Moçambique (EDM), “informa aos seus estimados clientes e ao público em geral que foi interrompido ontem, 24 de Janeiro de 2023, o fornecimento de energia eléctrica a 31.276 clientes dos distritos de Nacala-à-Velha e Memba, na província de Nampula, de vido a queda de 11 postes de Média Tensão, causada pelo mau tempo que se verifica naquele ponto do país”.

Segundo a mesma nota de imprensa, para repor o cenário, “equipas da EDM encontram-se no terreno, visando o restabelecimento do fornecimento normal da energia eléctrica às zonas afectadas o mais breve possível”. (Redação)

Muecate: Malfeitores escapam linchamento popular

Nampula (IKWELI) – Três indivíduos, todos de nacionalidade moçambicana, estão a contas com a Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula indiciados de tentativa de cometer crimes contra a população do posto administrativo de Imala, distrito de Muecate, naquela província do norte do país.

Os meliantes foram encontrados na posse de uma arma de fogo do tipo pistola, bem como três catanas. A missão da referida quadrilha era de protagonizar assaltos às residências dos agentes económicos locais, o que não aconteceu mercê da vigilância acentuada dos populares daquela parcela moçambicana.

Tudo começou quando dois jovens locais, por sinal cunhados, solicitaram um outro jovem da cidade de Nampula para reforçar a operação criminosa. Chegado no terreno, a população achou estranha a presença daquele elemento pelo que pediu a um dos jovens que teria lhe acolhido de modo a mandá-lo de volta à zona de origem, por suspeitar que o mesmo fosse criminoso.

Na tentativa de despistar a população, o hóspede mudou-se para a residência do outro jovem e, antes da fúria popular, os meliantes planejaram ir num curandeiro em busca de bênção nas suas acções o que não conseguiram porque depois viriam a ser neutralizados pelos moradores locais que trataram fazer a justiça pelas próprias mãos.

O pior não aconteceu porque existiram alguns piedosos que trataram de solicitar a polícia, esta que se fez prontamente ao local de acção. Mesmo assim, um dos integrantes contraiu ferimentos graves nos ombros bem como na cabeça, e os dois tiveram ferimentos ligeiros. Há informação, também, segundo a qual a casa de um dos acolhedores foi reduzida às cinzas.

“Depois fui a machamba e de lá recebi telefonema do meu pai dizendo que o homem que estava hospedado na minha casa é bandido e as pessoas do bairro estavam contra mim. Então, eu lhe informei que a pessoa já tinha saído. Então eu fui batido pela população pelo facto de eu acomodar aquele senhor. A população quando chegou não me fez muitas perguntas, só começaram com catanadas”, versou um dos indiciados para quem confessa ser ladrão de cabritos.

“Então, ele ligou-me dizendo que queria um curandeiro que pudesse lhe tratar para o negócio dele de peixe andar bem na cidade de Nampula, por isso pedi ao meu cunhado para lhe acolher já que na minha casa não havia lugar. De repente vejo o meu cunhado a trazer as pastas e disse-me que as pessoas o acusavam de ser bandido”, contou um dos integrantes que disse ser vendedor de roupa usada em Imala.

Já o referido jovem que viajou da cidade de Nampula para Muecate confessa ser portador da arma de fogo e que escalou aquele ponto a convite daqueles dois para protagonizar assaltos aos residentes locais, mas com algum poder financeiro.

“Eu comunicava com aquele irmão para Muecate, então quando chego lá em Muecate me levaram para casa do cunhado dele. Quando cheguei lá fiquei dentro. Dali ele disse que aqui tem patrões, mas eu lhe disse que não quero roubar para esses negros, esses daqui do mato, só talvez arranjar para brancos. Dali como ele é conhecido lá no bairro já começou a haver desconfiança de que aqui no bairro estamos a ver cara estranha, são bandidos. Então, quando ouviu aquelas palavras levou pasta para sairmos dali, mas quando a população chegou, queimou a casa dele e nós fomos a correr no mato”, disse.

“Dali eu lhe disse que devíamos traçar um outro plano que é de irmos a Pemba para roubarmos os brancos, porque quando a gente rouba uma pessoa que tem consegue desenvolver, agora quando rouba uma pessoa que come caracata, papai, nicussi, a pessoa não desenvolve, por isso eu neguei roubar para aqueles desgraçados”, precisou o indiciado.

Para Zacarias Nacute, porta-voz da polícia em Nampula, “este é resultado de um trabalho que a polícia fez em colaboração com a população onde, através de denúncia popular, a polícia tomou conhecimento de existência destes indivíduos que se encontravam munidos de arma de fogo e essas catanas, os quais pretendiam executar alguns assaltos e, graças a essa denúncia popular a polícia foi desencadeando acções investigativas, tanto após a tomada de conhecimento da localização destes indivíduos. A população tomou dianteira e acabou iniciando o processo de linchamento, mas a polícia chegou a tempo para evitar que o pior pudesse ocorrer e, de imediato, encaminhou esses indivíduos nas nossas subunidades policiais onde serão lavrados os trâmites legais para a sua responsabilização”. (Constantino Henriques)

Cuamba: Jovens criticam os que discriminam a comunidade LGBT+

Cuamba (IKWELI) – Jovens da cidade e Cuamba, na província do Niassa, criticam as pessoas que promovem actos discriminatórios contra membros da comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT+) naquele ponto do país.

Recentemente, os jovens de Cuamba reuniram para reflectir em torno dos direitos humanos das pessoas LGBT+.

Jovens que beneficiaram de uma formação sobre a Igualdade de género, entendem que todos têm os mesmos direitos e devem ser gozados, ao mesmo tempo que apontam que descriminação não faz sentido.

Hélder Cláudio, jovem que já tem o nível médio feito, disse que as pessoas de minoria sexual são normais como as outras.

“Eles têm os mesmos direitos e obrigações que qualquer cidadão, por mais que olhemos a elas com estranheza devido aos hábitos e pensamentos costumeiros”, desabafou

Hélder foi mais além ao recomendar que a comunidade deve tratar todos de forma igual, para evitar casos de stress e abandono de naturalidade forçados, para que não haja uma exclusão social agravada.

Joana Humberto é uma jovem na casa dos 15 anos e vai ao décimo ano de escolaridade neste presente ano lectivo, começou por dizer que olha de bons olhos à comunidade LGTBQ+ e admira o quão organizados são, diferentemente de outros grupos sociais.

Humberto tem um irmão gay, o qual está confortável com a protecção que a família o proporciona.

“Aprendemos muita coisa dele, só que algumas pessoas mal-entendem sobre o que é ter um familiar assim ou ver alguém desta orientação pela rua”, comentou.

A jovem acrescentou, ainda, que ela e o seu irmão, por sinal mais velho, são muito amigos, e o admira por ser “muito higiénico” e que “os gays não são agressivos”.

“Não se deve discriminar aos homossexuais”, apela a nossa fonte.

O jovem comunicador Cacildo Adriano, também, partilhou o seu saber sobre a matéria, juntando-se aos primeiros dois intervenientes, comentando que as pessoas LGBT+ são como todos nós, com os mesmos direitos.

“É mau que se discrimine as pessoas de orientação sexual da mais comum, porque elas podem se sentir como não sendo parte integrante e isso resultar em acontecimentos catastróficos por desgosto, por isso nós comunicadores desencorajamos essa prática”, advertiu o jovem locutor. (Ilídio Munhareque)

Já não é Gondola, é Neto!

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, exonerou na tarde desta quinta-feira Mety Oreste Gondola do cargo de Secretário de Estado na província de Nampula, e para o mesmo cargo nomeou Jaime Neto Bessa, Presidente do Conselho de Administração da Imprensa Nacional e antigo ministro da Defesa Nacional.

Gondola reinou em Nampula durante precisos 3 anos, após ter sido “retirado” da posição de Secretário-Geral da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço juvenil do partido Frelimo.

Na sua passagem por Nampula, homem de longos discursos, Gondola destacou-se pela aproximação da juventude com o poder governativo.

A sua chegada, o Secretário de Estado cessante, também, teve rixas com o Conselho Executivo Provincial, naquele típico momento em que os Termos de Referência e atribuições de cada um dos governos, neste modelo de governação, ainda era pouco claro e de menos domínio.

Nomeados todos os seus directores de Serviços Provinciais de Representação do Estado, Mety Gondola viu-se obrigado a não fazer tomar posse Pedrito Rocha, para a posição de director do serviço provincial de Infra-Estruturas. Rocha foi o director de campanha do partido Frelimo no maior círculo eleitoral do país, durante as últimas eleições.

Ainda nestes três anos, Mety Gondola destacou-se na procura de soluções para alguns problemas, tal como liderou algumas campanhas para a prevenção da covid-19, sensibilização de jovens nas comunidades para a não aderência ao movimento terroristas, bem como a melhoria das condições de transitabilidade na província. Estas procuras, algumas delas, ficaram mesmo em procura.

Conhecido nos locais de diversão da periferia como um homem de coluna de som portátil as costas, trajado calcões e camiseta, e com a sua segurança “irritada” importunando os cidadãos, Gondola deixa a província de Nampula num ano eleitoral.

 

Quem é Jaime Neto?

Jaime Bessa Augusto Neto nasceu a 23 de Maio de 1971, na vila de Vilankulo, província de Inhambane. É filho de José Augusto Neto, já falecido, e de Rosina Lai Nhamirre, doméstica.

Jaime Neto fez os estudos primários na Escola Primária de Gamela, em Vilankulo, entre 1978 e 1983. Depois, transferiu-se para a Cidade da Beira, onde frequentou e concluiu o nível secundário na Escola Secundária Samora Machel, entre 1984 e 1990. Seguidamente, na mesma cidade frequentou a Universidade Pedagógica, de 1991 a 1996, obtendo a licenciatura em Ensino de Geografia. Consecutivamente, obteve mestrado pela Universidade do Estado de Oklahoma, nos Estados Unidos da América, em 2002.

Jaime Bessa Augusto Neto é docente e meio ambientalista de profissão. Foi responsável pela área de Programas e Finanças do Propeca, no Município da Beira, entre 1994 e 1998; Director dos Serviços Urbanos no Conselho Municipal da Beira, entre 2002 e 2004. Neste cargo, instalou e operacionalizou o projecto de Gestão Ambiental no Município da Beira. Jaime Bessa Augusto Neto foi Chefe de Gestão de Riscos, na Direcção Distrital de Saúde da Beira, entre 2004 e 2007, período no qual operacionalizou o sector de gestão de riscos no Centro de Higiene Ambiental da Beira; Deputado da Assembleia da República, entre 2005 e 2020. Enquanto Deputado, foi Vice-Presidente da 5ª Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente; e, simultaneamente; Membro do Parlamento Pan-Africano, em que era Presidente da Região da África Austral e Presidente da Comissão de Alfândegas e Migração, entre 2008 e 2015; membro do Fórum Parlamentar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), membro da Comissão Executiva, entre 2015 e 2019.

Jaime Bessa Augusto Neto também foi consultor em Planos de Maneio Florestal, Impacto Ambiental e Inventário Florestal, entre 2003 e 2005.

Jaime Bessa Augusto Neto é membro do Partido Frelimo, de que foi Secretário Provincial da Organização da Juventude Moçambicana, entre 2002 e 2005; membro do comité Central, entre 2004 e 2009; Primeiro Secretário Provincial em Sofala, entre 2018 e 2020. (Redação)

Niassa: Autoridades de saúde sensíveis às preocupações da comunidade LGBT

Nampula (IKWELI) – As autoridades de saúde da cidade de Lichinga, capital provincial do Niassa, asseguram estar sensíveis às preocupações relacionadas ao estigma e discriminação nas unidades sanitárias da província e, comprometem-se a continuar a imprimir maior esforço com vista a garantir um atendimento mais humanizado e amigável à comunidade LGBT naquele ponto do país.

A posição foi manifestada no dia 18 de Janeiro corrente, pelo Director Provincial de Saúde – Ramos Mboene e pelo Director Executivo do Conselho Provincial de Combate ao HIV e SIDA – Simão Nauéha, durante encontros mantidos com uma equipa da associação LAMBDA – liderada pelo seu Director Executivo Adjunto – Fau Mangore,  que se encontra na província em missão de supervisão, apoio técnico à equipa local e visita de cortesia com o fim de fortalecer as relações instituições com as autoridades ao nível local.

O estigma e discriminação não apenas nas unidades sanitárias, continuam a representar um dos maiores calcanhares de Aquiles e limitam o acesso e atendimento às pessoas da comunidade LGBT em todo o país.

Em todo o país, a LAMBDA implementa intervenções de educação, sensibilização e prevenção sobre o HIV e SIDA, em 42 distritos, onde na província do Niassa, está baseada em dois distritos, nomeadamente; Lichinga e Cuamba, e conta com uma equipa de 10 intervenientes, cujas acções são implementadas ao abrigo do Projecto Viva+, financiado pelo Fundo Global.

A delegação da Associação LAMBDA nesta missão é constituída por uma equipa de 4 técnicos, sendo Cremildo Húo, Rolanda Mondlane, Francelino Zeúte e liderada por Fau Mangore, Director Executivo Adjunto, e realizará actividades ao nível da província, até o dia 24 de Janeiro corrente. (Redação e #Lambda)

Chuvas “desgraçam” Vahanle e torturam munícipes

Nampula (IKWELI) – A circulação de pessoas e bens na cidade de Nampula não está nada fácil desde que as precipitações atmosféricas da presente época chuvosa começaram a ocorrer, tudo por conta dos danos que têm vindo a causar nas estradas.

No perímetro urbano, que compreende o Posto Administrativo Autárquico Central, as principais ruas e avenidas estão totalmente esburacadas, colocando um desafio para os automobilistas e para outros utentes, incluindo os transeuntes.

Os munícipes exigem que a edilidade procure soluções definitivas, e não se limite em obras paliativas que a cada época chuvosa são deitadas abaixo, demonstrando uma fraca capacidade técnica por parte da edilidade em lidar com o problema.

Nas avenidas alcatroadas começam a surgir crateras, tal como se pode notar bem próximo do cruzamento entre a avenida 25 de Setembro e a rua Dar-És-Salam, bem no centro da cidade. Ainda na avenida 25 de Setembro, os buracos estão distribuídos ao longo de toda a rodovia, não abrindo espaço para tranquilidade na circulação das pessoas.

Ligar o Centro Provincial de Mobilização e Recrutamento e os Serviços Distritais da Saúde, Mulher e Acção Social é um verdadeiro Martírio. É neste troço da avenida 25 de Setembro, onde os operadores dos “Chapa-100” da rota Muhala Expansão/Mercado do Waresta ou Substação, via Matadouro, vêm as suas viaturas a passarem por maus bocados.

“Aqui entregamos tudo nas mãos de Deus”, afirma Jofre Paito, motorista de um “Chapa-100” nesta rota, o qual comenta que “a nossa esperança era de termos a parte da cidade cimento em condições, mas nada disso está a acontecer”, e “parece que o presidente do município somente está preocupado em colocar pavê na zona central das avenidas no lugar de melhorar o pavimento das mesmas”.

As avenidas Paulo Samuel Kankhomba e Eduardo Mondlane, bem como a menos suspeita Francisco Manyanga, também, se encontram em situação deplorável.

Um funcionário público disse ao Ikweli que “normalmente nos atrasamos aqui mesmo dentro da cidade. Com esses buracos, quando entramos no centro da cidade, levamos muito tempo para chegar aos nossos locais de trabalho”.

O edifício sede do conselho autárquico da cidade de Nampula e a residência do Governador provincial ficam conectadas entre as avenidas Eduardo Mondlane e a Francisco Manyanga, as quais estão altamente danificadas, com buracos enormes, e alguns com sinais de cratera.

A rua Francisco Matange, onde fica a residência do autarca Paulo Vahanle, também, tem buracos infinitos, mesmo depois de nos últimos anos os mesmos terem sido tapados com recurso a saibro, facto que faz com que com uma pequena chuva o mesmo seja arrastado.

O edifício sede do Conselho Executivo Provincial, também, encontra-se mergulhado em ruas e avenidas com buracos, exceptuando um quarteirão que beneficiou de melhorias a quando da construção da filial do Banco de Moçambique em Nampula, mas todo o resto é um caos. As avenidas da Independência e a Josina Machel estão altamente esburacadas.

“Veja, até mesmo aqui onde trabalha o próprio governador está cheio de buracos”, comenta Virgílio Pedro, cidadão entrevistado quando tratava o Número Único de Identificação Tributária.

A rua dos Continuadores é um outro calcanhar de Aquiles, bastando visitar o ponto de encontro com as ruas Armando Tivane e 3 de Fevereiro. Naquele ponto, quase que não se circula, os carros entram em buracos com a certeza que a próxima manutenção será para breve.

“Nessa entrada aqui dos bombeiros a situação está muito má”, anota Gito Tomé, que se dedica ao comercio informal naquele ponto, e assevera que “isto tudo é porque o município não está a trabalhar. Eles sabiam que chegaríamos na época chuvosa, mas nada fizeram para melhorar as ruas”.

Menos agitada, a rua da cidade de Moçambique, menos sobrecarregada, também, não foge ao abandono na manutenção por parte da edilidade. Há buracos que, somente, os motoqueiros conseguem esquivar.

A avenida que leva o nome do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, é outro autêntico caos. Os pacientes que são referidos para o Hospital Central de Nampula, que fica naquela localização, pioram nos poucos metros para a sua chegada, pois, da Praça da Liberdade à entrada do HCN a situação é de bradar os céus. Naquele troço não há ambulância, se quer, que se aguente.

A exigência dos munícipes é no sentido de que a edilidade se prontifique a melhorar, pelo menos, os pontos críticos.

Há lastima na periferia

No posto administrativo de Muatala, por exemplo, algumas escolas em determinados bairros estão, praticamente, isoladas, pois as chuvas para além de destruírem as vias de acesso, também, provocaram a erosão.

As Escolas Primárias de Cossore a de Muatala, bem como a Secundária de Cossore, encontram-se nesta situação de isolamento com parte da cidade. Para chegar naquelas instituições, é necessário que o interessado se faça transportar numa bicicleta ou motorizada, pois a viatura estará sujeita a estacionar a cerca de um quilómetro de distância.

A registar-se mais chuva intensa e contínua nos próximos dias, naqueles estabelecimentos de ensino público poder-se-á chegar apenas caminhando, se fazendo transportar na bicicleta ou mesmo motorizada, este último recurso em meio às dificuldades, pois constata-se buracos abertos nas vias de acesso.

“Nos bairros já não se pode falar de vias de acesso. O que lá temos são covas que nos levam ao prejuízo, seja para os automobilistas, peões, entre outros. Como se pode ver, a estrada que apresenta mínimas condições é mesmo ali no matadouro, o resto aqui nos quarteirões são caminhos esquecidos que mesmo moto-táxis enfrentam dificuldades para passar”, lamentou Eugênio Mário, residente nas imediações da Escola Secundária de Cossore, em Muatala.

A via que parte do mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, concretamente na zona da igreja católica São José a EPC de Muatala já tem um impasse, pois seguindo a mesma para ter acesso a escola ou além desta, o munícipe terá de estacionar a sua viatura num ponto para depois seguir o percurso a pé.

Já a partir do quartel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique para a escola secundária de Cossore, para além das chuvas o cenário associa-se ao rompimento das condutas de água colocadas pelos clientes da empresa Fundo de Investimento de Patrocínio e Abastecimento de Água (FIPAG), que fornece água potável aos cidadãos.

Por esta razão, os que se fazem transportar nas motorizadas, dentre os quais, os operadores de táxi mota, criaram um desvio que passa pela escola secundária de Cossore, como forma de se livrar das sucessivas covas que têm de passar na via principal.

“Na nossa praça eramos 15 taxistas, mas há três semanas que alguns abandonaram-nos e escolheram outras rotas para exercer a actividade, por conta dos prejuízos que tinham nesta rota de ADEMO/Cossore. Estamos mal em termos de estrada”, disse o taxista de moto abordado sobre a matéria no mercado do Matadouro.

Enquanto isso, o automobilista Calisto Aurélio, residente no bairro de Muatala, aponta dedo a edilidade que, segundo entende, empenha-se na reabilitação das estradas e ruas do centro urbano, em detrimento dos bairros suburbanos que necessitam de intervenção para garantir a transitabilidade dos munícipes que saem dessas zonas para a zona cimento.

“Nalgum momento fico a pensar que o município acha que a sua área de jurisdição circunscreve-se apenas na cidade. Mas todos que têm os seus postos de trabalho na zona urbana vivem nas periferias e para chegar no trabalho não têm alternativas para transitar, por isso passam por estas vias sem condições”, referiu Mariazinha Ambrósio, entrevistada em Muatala.

Já no bairro de Namicopo, o mais populoso do país, o cenário, também, não é diferente, pois os utentes das vias de acesso daquela circunscrição se queixam de buracos e desníveis das mesmas.

Na unidade comunal Nelson Mandela, os buracos chegam a se parecer com crateras, tanto é que a movimentação de viaturas fica condicionada.

Para os munícipes, a edilidade não está a investir na melhoria da qualidade das estradas vicinais, sobretudo naquele bairro, tal como comentou Silva Mureteva, líder daquela unidade comunal.

Mureteva diz que os moradores e a liderança já intentaram contactos com a edilidade para a melhoria das vias de acesso, mas em vão, pois, o reinado de Vahanle está insensível com a preocupação daqueles moradores. “Já tivemos uma sentada no ano passado (2022), prometeram-nos que no mês de Dezembro reabilitariam a estrada, mas até hoje nada acontece, e com essas chuvas a situação fica complicada para os automobilistas, motociclistas e até mesmos para nós peões”.

De 26 anos de idade, o taxista Issufo Assane, residente em Namicopo, diz não se recordar do ano em que as ruas do bairro estivessem em boas condições, afirmando deste modo que o problema de degradação das vias é antigo.

“A estrada está em péssimas condições. Nós taxistas passamos mal quando chove, andamos com a mota nas bermas da estrada na tentativa de esquivar as covas”, comentou a fonte.

O transportador de carga Momade Amade revelou que prefere fazer caminhos mais longos a ter que transitar por determinadas vias.

Ainda de acordo com a fonte, as causas para o número elevado de buracos na via são as inúmeras infiltrações da rede de água, o desgaste do asfalto provocado pelo tempo e o trânsito intenso.

Não são apenas automobilistas e taxistas de mota que se queixam da situação, os peões também. “A estrada está muito esburacada, os taxistas não dão prioridade para nós pões, vêm com muita velocidade, esquecem que a estrada não está em boas condições, e acidentes aqui não faltam todos os dias é um caso atrás do outo”.

Os munícipes daquele ponto da cidade de Nampula estão, ainda, mais indignados por não entender o destino que se dá as taxas que são cobradas no exercício de actividade económicas.

“Nós pagamos todas as taxas, impostos, cartão de táxi mota, e com esses todos pagamentos que a gente faz poderiam, pelo menos, arranjar a estrada para circularmos bem, porque todas as cobranças o conselho municipal é que faz”, apontou a fonte.

Para além da unidade comunal Nelson Mandela, a unidade comunal Josina Machel, também, tem a sua vias de acesso em avançado estado de degradação.

A difícil comunicação entre Jardim e Nampaco

Os utentes da via que liga as unidades comunais de Jardim e Nampaco, bairro de Namutequeliua, posto Administrativo de Muhala, na cidade de Nampula, dizem estarem preocupados com a falta de realização da manutenção da rodovia, o que dificulta a comunicação entre os dois pontos residenciais, através de meios circulantes.

Os “bairros” Jardim e Nampaco, localizados no sudeste do centro da cidade de Nampula, estão entre si separados através do rio Mutomote. No passado as duas zonas residenciais eram tidas como incomunicais por falta da ponte sobre o referido rio, problema que viria a ser resolvido com a construção da infra-estrutura, no reinado do então autarca da cidade de Nampula, Mahamudo Amurane.

Apesar da construção da ponte naquele ponto, os utentes da referida via não encontraram o sossego, sobretudo quando chega o período chuvoso, dado que é quase impossível ali circular, devido a abundância de areia em alguns troços da rodovia. Neste momento, um dos pontos que representa maior preocupação dos utilizadores está a pouca distancia da ponte, nas duas margens do rio.

Para além de areia, a via em análise apresenta alguns pontos com covas onde são armazenadas grandes quantidades de água, impossibilitando desta forma o trânsito.

Para reverter a situação descrita como triste, os moradores das duas zonas residenciais pedem ao governo municipal para prestar atenção especial àquela via, através de trabalhos rotineiros de remoção de areia bem como o tapamento dos charcos que existem sobre aquele meio de comunicação.

“Talvez o município esqueceu-se daqui. Eu penso que se não tem condições para colocar pavê ou asfalto, o que deviam fazer era de criar condições para impedir que a areia se acumule em grandes quantidades na estrada, isto é triste”, disse Anésio Jamal, um dos utentes da via.

“Eu vivo em Nampaco, mas tenho usado com frequência esta estrada quando vou ao Centro de Saúde de Muhala já que é perto, mesmo quando pretendo chegar na minha machamba, lá em Muriaze. Então, uma vez que o outro construiu a ponte ali em Mutomote, o que os outros deviam fazer são essas outras actividades para manter a estrada ainda mais movimentada”, acrescentou Anésio Jamal.

“Esta zona chama-se curva perigosa porque não é qualquer táxi-mota que consegue atravessar aqui com o cliente, por causa desta areia. Por isso, se ficar aqui por muito tempo, vais notar que os taxistas de Nampaco dificilmente vão atravessar a ponte, eles trazem os clientes até na ponte e os deste lado levam, o mesmo acontece para os taxistas deste lado, é difícil a gente atravessar para a outra margem. Se esta estrada fosse bem tratada seria bom para todas as pessoas que gostam de usar, por isso estamos a pedir muito ao papa Vahanle para organizar esta nossa rua”, refere Titos Ali, taxista de mota interpelado pelo Ikweli.

“Estamos a pedir, também, para eliminar aquela água ali na entrada quando a pessoa sai do hospital, aquilo é lamentável, todas vezes que chove a gente sofre naqueles lugares por causa daquelas covas. Será que mesmo custa muito dinheiro para o município acabar com aquelas covas?”, questionou o nosso interlocutor.

Ainda no bairro de Namutequeliua, a outra via que continua a criar barulho no seio dos utentes é a que liga a Avenida Eduardo Mondlane e a Estrada Nacional Número Um (N1), passando pela unidade Comunal Marien Nguabi, ou simplesmente Campo dos Macondes.

A via, por sinal de terra abatida, apresenta alguns troços que constituem calcanhar de Aquiles para os utentes, sobretudo os transportadores semicolectivos de passageiros, bem como os taxistas de mota. Segundo observamos, um dos pontos de maior relevo é logo na zona da terminal rodoviária da expansão, onde a degradação é precipitada pelo lixo ali existente, bem como depois da ponte, este último devido a abundância de areia.

“Nós podemos até pedir para a reabilitação desta estrada, mas vai ser difícil Vahanle fazer isso. Parece que Vahanle está se vingar como ele é da Renamo e neste bairro consideram que os que vivem são macondes e apoiantes da Frelimo, mas isso não constitui verdade, se assim fosse ele não teria ganho as eleições nesta mesma zona”, disse preocupada Angelina Abudo, uma condutora interpelada pelo Ikweli, nesta quinta-feira (19).

Segundo recordou a nossa fonte, “o único que valorizou esta via é o falecido Mahamudo Amurane, ele sempre tratou esta estrada, sempre mandou máquinas para remover o lixo e nivelar esta estrada. Se ele estivesse em vida, tenho certeza de que iria colocar pavê aqui”.

“Como pode ver a situação aqui está difícil, quando chove aqui é uma novela, muitos carros ficam enterrados nesta estrada, por isso que alguns carros evitam chegar até lá no campo, sobretudo nas tardes, ninguém quer arriscar enterrar o seu carro, sobretudo naquela zona da dona Ana, ali depois da ponte. Então, se o município sentisse pena de nós, a solução seria pôr pavê, pelo menos até ali no campo, porque mesmo trazendo máquinas para nivelar, o problema vai continuar sempre que chover”, disse Marcos Gregório, utente da via.

Importa referir que, a quando da campanha eleitoral das últimas eleições municipais, Paulo Vahanle, cabeça-de-lista pelo partido Renamo, prometeu em caso de vitória, asfaltar a mesma via do Campo dos Macondes, partindo da zona do clube 5, na N1, promessa que se antevê que não poderá cumprir, apesar de faltarem escassos nove meses da sua governação.

A erosão de Natikiri

Os estragos das chuvas vão trazendo prejuízos um pouco por todos os cantos da cidade, por isso, no bairro de Natikiri, o fenómeno da erosão voltou a ganhar vida.

Ao nível das unidades comunais de Teacane e Samora Machel a situação é terrível. Os munícipes circulam com enormes dificuldades. De acordo com os moradores, a degradante situação das vias de acesso é um problema antigo, o qual é motivado pelas águas das chuvas e a falta da intervenção das autoridades competentes.

Adilson Niquidade, deficiente físico, refere que a situação da degradação das vias de acesso limita a sua facilidade de locomoção que, naturalmente, não é das melhores.

“Quando chove é preocupante, porque algumas zonas ficam cheias de água e isto cria a erosão”, disse.

Por sua vez, Elvira Manuel dos santos, diz que “a situação das vias de acesso compromete bastante, porque não permite a boa passagem de vários utentes da via e temos este problema desde há muito tempo, razão pela qual pedimos o apoio do nosso presidente do município”.

Portanto, esta fonte, acrescentou ser “doloroso o que está a acontecer devido a danificação das vias, porque várias pessoas ou famílias passam dificuldades quando vão ao seu posto de trabalho e sem contar a erosão que vive ameaçando as casas que se localizam nas bermas do riacho”.

Segundo os nossos entrevistados, residentes da unidade comunal Samora Machel, bairro de Murrapaniua, devido a degradação das vias de acesso, recorrem as vias alternativas de forma chegarem aos seus destinos.

João Alberto afirma que “temos problemas de vias de acesso e os moto-taxistas chegam neste bairro com problema nas suas motorizadas e cobram muito caro, alegadamente porque devem levar as suas motorizadas ao mestre e sendo assim nós, como moradores, somamos prejuízos”.

E os acidentes de viação?

Utentes da principal via que parte a avenida das FPLM e dá acesso a Escola Primária e Completa (EPC) e Centro de saúde de Namiteca, no bairro de Muahivire nos arredores da cidade de Nampula, queixam-se da frequente ocorrência de acidentes de viação, em consequência do avançado estado de degradação.

Com isso, a circulação de pessoas e bens está condicionada, sendo suscetível a ocorrência de acidentes de viação.

Segundo entrevistado do Ikweli, a principal causa é a não manutenção das vias de acesso. “Nesta estrada, nós que ficamos aqui passamos mal, porque não acabam acidentes. Até ontem mesmo estava cheio de carros aqui porque aconteceu um acidente”, disse a senhora Angelina Herculano, residente naquele ponto da cidade de Nampula.

A degradação das estradas tem afetado a economia local e a qualidade de vida dos moradores, já que muitas actividades econômicas dependem do transporte de mercadorias para sobreviver. “Os negócios estão sofrendo muito devido às condições das vias de acesso. Os clientes têm dificuldade de chegar até a minha loja e isso tem afectado, significativamente, as minhas vendas”, disse o comerciante local Abdala costa.

A situação tem sido ainda pior para os meios de transporte público, que tem tido dificuldade em passar pelas ruas do bairro, o que tem prejudicado a mobilidade da população. O transportador semicolectivo de pessoas e bens, Momade Faque, relatou que ser “uma situação complicada para nós, transportadores públicos. As ruas estão impróprias para circulação e isso tem causado atrasos e dificuldades para prestar um bom serviço à população”.

Enquanto isso, Calton Armando, operador de moto-táxi há 3 anos, que não deixou de destacar a questão dos acidentes de viação [quer seja de motorizadas, quer de carros], queixou-se que a condição da estrada tem criado sérios prejuízos na sua actividade e danos mecânicos no seu instrumento de trabalho e tendo de levar regularmente a reparação. “Assim como vês, nós andamos de mota, mas não passam três ou dois meses sem levar ao mecânico. A mota de dois em dois dias ou sofre de amortecedores ou de pneus, e outras coisas”, disse.

Além dos problemas de mobilidade, a degradação das vias de acesso no bairro de Muahivire, também, tem causado outros transtornos para a população local. Muitas residências ficaram alagadas e parcialmente destruídas devido à água acumulada nas ruas, o que tem causado danos aos imóveis e prejudicado a qualidade de vida das pessoas.

Os moradores, também, relatam dificuldades para chegar aos seus locais de trabalhos e para obter acesso a serviços básicos, como saúde e educação, devido às condições precárias das vias de acesso.

Conforme a moradora Maria Alexandre, “é uma verdadeira luta sair de casa todos os dias. As ruas estão cheias de buracos e lama, o que torna difícil os chapa-100 e outras viaturas passarem. Além disso, minha casa ficou alagada devido à água acumulada nas ruas, o que causou danos aos meus pertences”.

Os moradores estão exigindo ações imediatas do governo municipal para resolver o problema, incluindo a realização de obras de reparo e melhorias nas estradas. Ademais, muitos estão pedindo a implementação de medidas de prevenção de erosão, como a construção de barreiras de contenção de água.

Importa referir que durante a recolha de dados, a nossa equipa de reportagem presenciou a ocorrência de um acidente envolvendo uma motorizada e um transporte semicolectivo de passageiros, mas felizmente, não houve danos humanos.

O desespero de Napipine

Os Residentes do posto administrativo de Napipine, na cidade de Nampula, reclamam pela degradação das vias de acesso, situação que tem estado a ser agravada com as chuvas que caem nos últimos dias na província.

O Ikweli escalou algumas zonas daquele posto administrativo, tendo constatado degradação da via que liga a Rua da Unidade a Barragem de Nampula, partindo do cemitério velho, incluindo as três ruas que dão acesso a Universidade Rovuma, bem como a rua que vai até a conhecida zona do Trim-Trim a partir do viaduto.

Os utentes destas vias dizem que tem estado a conviver com o problema há bastante tempo e que as chuvas só vieram mostrar que a situação é grave e que carece de intervenção por parte das estruturas governamentais para melhorar a transitabilidade.

Aníbal Gomes, automobilista há sete anos e quase sempre usa a via que liga a rua da Unidade a Barragem, conta que já passam quatro anos que vê aquela via degradar-se sem qualquer intervenção.

Para ele, “a estrada não está em boas condições há anos, temos que desviar sempre covas. Só temos que aguentar enquanto nada se faz, porque já pedimos muitas vezes ao Governo para minimizar o problema”.

Quem também manifestou a sua preocupação com a qualidade da via é Benedito Januário, moto-taxista que frequentemente por ali circula, e afirma não fazer sentido que aquela via esteja naquelas condições, dado as infraestruturas económicas e sociais de grande gabarito que existem na região como é o caso da barragem que abastece a cidade de Nampula, a escola secundária da Barragem, estabelecimento prisional e algumas médias indústrias. Ele disse que “chegam pessoas aqui para ver a estrada e prometem melhorar, mas só são palavras porque na prática não vemos nada”.

Numa altura em que se aproxima o arranque das aulas, os alunos da escola secundária da Barragem lamentam ao lembrar o que enfrentaram no ano passado devido à degradação da via. “No ano passado o chapa-100 subiu para vinte meticais (20,00Mt) por causa da estrada e se não reabilitarem este ano é possível subir e nossos pais não tem dinheiro para pagar-nos sempre chapa-100 e aqui é muito longe”, disse o aluno Nélio Alberto.

“Com a degradação das vias são frequentemente as idas ao mecânico”, diz um motociclista que entrevistamos na zona de Mukurua. Calisto Serafim, diz que “nesse todo Napipine as estradas estão péssimas, andar aqui é um problema, motorizadas caem porcas com facilidade, se estragam e precisa sempre levar ao mestre”.

Outra utente que reclamou as idas frequentes ao mecânico devido à degradação da via não quis se identificar, mas é automobilista que pediu as autoridades municipais para intervirem. (Adina Sualehe, Atija Chá, Constantino Henriques, Esmeraldo Boquisse, Isidora Fernando e Nelsa Momade)