E.… roubaram todas as carteiras na EPC de Namicopo 2!

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Nampula (IKWELI) – Actos de vandalismo e furto de bens escolares deixam a única Escola Primária e Completa de Namicopo 2, no não menos conhecido bairro mais populoso do país, localizado nos arredores da cidade de Nampula. O acto é atribuído aos vizinhos da escola que, sem escrúpulo, aproveitam-se da insegurança da instituição para alcançar as suas intenções.

O Ikweli apurou que até este ano a direcção da escola soma perto de mil carteiras desaparecidas em circunstâncias estranhas, tanto é que já não existe nenhuma, em mais de 20 salas de aulas que perfazem a Escola Primária e Completa de Namicopo 2, que se situa há 10 minutos da 3ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) e perto de mil metros do posto administrativo autárquico de Namicopo.

Além de carteiras escolares, sumiram, igualmente nas salas da EPC de Namicopo 2, as secretárias e respectivas cadeiras de professores, tudo pela conduta supostamente não abonatória de parte dos residentes daquele bairro, segundo considera a direcção do estabelecimento de ensino em referência.

Assim, os alunos da EPC de Namicopo 2 estarão sujeitos a receber as aulas em condições não dignas, na altura da abertura do ano lectivo em escala nacional e o início do processo de ensino e aprendizagem. Até porque segundo nos informaram, por falta de secretárias e cadeiras, os professores leccionam de pé durante 45 minutos de cada aula e penduram os livros de turma nas janelas, enquanto os petizes aglomeram-se no soalho sem condições adequadas.

Dado importante é que o desaparecimento de carteiras, secretárias e cadeiras de professores em circunstâncias estranhas na EPC de Namicopo 2 remonta há dois anos, mas que a direcção despertou nos finais do ano passado quando se viu desprovida na totalidade destes bens que contribuem expressivamente no processo de ensino e aprendizagem de crianças em Moçambique e não só.

Carpinteiros e serralheiros podem explicar o esquema

Fontes anónimas e residentes em Namicopo, bem como a direcção da escola, atribuem os actos que desgraçam a instituição aos moradores que, aproveitam da destruição das carteiras pelos alunos que, por sua vez, estes [moradores] furtam as peças de madeira e ferro para as suas residências enquanto outros vendem aos carpinteiros, serralheiros e os ferreiros nas sucatarias.

“Este é um recinto de diversão. Jovens encontram-se aqui para jogar, mas ao terminar o jogo, quando se retiram, carregam as peças de carteiras destruídas pelas crianças. Outros mandam para ao carpinteiro, outros tornam-nas de peças de armação de cama até mesmo bancos nos seus quintais. Isso tudo acontece aqui”, confidenciou-nos uma cidadã que reside a 20 metros do recinto escolar.

Igualmente “as pessoas que roubam as carteiras retiram os ferros que servem de base das carteiras para vender nas sucatarias e fazer de mukwalas [instrumento usado para trancar portas no interior de residências ou estabelecimentos comerciais] para garantir a segurança”, comentou um jovem mecânico e serralheiro em conversa com o nosso repórter.

As nossas fontes apontam a fragilidade de segurança da própria instituição, ao considerar que além de ser um recinto vasto e sem muro de vedação, o único guarda que a direcção da escola contratou é idoso de cerca de 70 anos de idade. Este facto preocupa, de certa forma, os funcionários da instituição bem como alguns moradores que testemunham actos de vandalização do património da escola.

“Esse guarda não dá medo. As pessoas de qualquer idade invadem a escola e o tal guarda não tem capacidade para impedir. Ele é um velho que devia estar a descansar em casa, até porque merece indemnização uma vez que é guarda desde a implantação da escola nesta zona”, indicou Sualé [nome fictício] de um dos funcionários da escola.

Em busca de informação, o Ikweli localizou o respectivo guarda da escola que num tom de lamentação pelo salário magro, confirma o furto de carteiras por pessoas próximas da instituição e não só, sem contar com a destruição pelos alunos. Este garante que numa acção de busca, pode-se localizar as peças no interior das residências dos moradores daquele bairro.

“Não se pode negar que foram roubadas as carteiras, isso é verdade. Se eu trabalho sozinho neste extenso pátio, não é fácil. É por isso que as pessoas entram aqui e eu nem me apercebo, seja de dia ou de noite”, contou Assiraje Tabide, ancião contratado pela direcção da EPC de Namicopo 2 para guarnecer a escola.

O ancião guarda recorda do tempo que tinha seu companheiro para guarnecer a escola, mas que devido ao salário baixo, o companheiro abandonou as funções depois de exigir aumento salarial ao corpo directivo. Particularmente ao seu caso, o ancião informou que aufere mensalmente 1500,00Mt (mil e quinhentos) meticais, porém, há períodos em que o salário atrasa quatro meses.

Direcção desnorteada confirma o furto

Celestino João Zacarias, presidente do Conselho de Escola na EPC de Namicopo 2, confirmou, sob ordens do director da escola que se encontrava ausente, que as carteiras foram destruídas e furtadas por indivíduos de má-fé. Parte destes indivíduos é a população vizinha que reside em Namicopo, segundo o indicado pelo executivo da escola.

“Não porque roubaram em uma só vez, como se pode notar a escola está no meio da população, por isso acreditamos que a população tem conhecimento dessas carteiras”, acusou Celestino Zacarias quando abordado pela Imprensa.

O presidente do Conselho de escola reconhece, também, que o salário que pagam ao guarda é baixo, motivo pelo qual um dos guardas abandonou o serviço. Ademais, “o guarda que está aqui é um idoso e não consegue velar isso tudo” e o recinto em si é vasto, por isso “não conseguimos terminar o muro de vedação”.

Refira-se que o desaparecimento de carteiras, entre outros bens da escola foi reportado a P.R.M, através da 3ª Esquadra, que já prometeu intervir de modo a trazer parte do património furtado.

“Há um dia em que uma das professoras afecta a esta escola e por sinal vizinha, em plena aula, pediu um dos alunos ir buscar cadeira na sua casa para ela poder se acomodar, mas quando lá o menino foi, trouxe uma cadeira da escola”, partilhou Celestino Zacarias, um dos sinais de que as carteiras e cadeiras escolares podem estar dentro das residências dos moradores de Namicopo, fruto de vandalização e furto àquele estabelecimento de ensino público, localizado num dos mais extenso e populoso bairro do país.

Recorde-se que a EPC de Namicopo 2 tem sido local de armazenamento de carteiras escolares para depois serem distribuídas em diferentes distritos da província de Nampula. Contudo, para o presente ano lectivo está sujeita a iniciar sem carteiras, secretárias e cadeiras para os seus professores e alunos. (Esmeraldo Boquisse)

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