Chuvas “desgraçam” Vahanle e torturam munícipes

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Nampula (IKWELI) – A circulação de pessoas e bens na cidade de Nampula não está nada fácil desde que as precipitações atmosféricas da presente época chuvosa começaram a ocorrer, tudo por conta dos danos que têm vindo a causar nas estradas.

No perímetro urbano, que compreende o Posto Administrativo Autárquico Central, as principais ruas e avenidas estão totalmente esburacadas, colocando um desafio para os automobilistas e para outros utentes, incluindo os transeuntes.

Os munícipes exigem que a edilidade procure soluções definitivas, e não se limite em obras paliativas que a cada época chuvosa são deitadas abaixo, demonstrando uma fraca capacidade técnica por parte da edilidade em lidar com o problema.

Nas avenidas alcatroadas começam a surgir crateras, tal como se pode notar bem próximo do cruzamento entre a avenida 25 de Setembro e a rua Dar-És-Salam, bem no centro da cidade. Ainda na avenida 25 de Setembro, os buracos estão distribuídos ao longo de toda a rodovia, não abrindo espaço para tranquilidade na circulação das pessoas.

Ligar o Centro Provincial de Mobilização e Recrutamento e os Serviços Distritais da Saúde, Mulher e Acção Social é um verdadeiro Martírio. É neste troço da avenida 25 de Setembro, onde os operadores dos “Chapa-100” da rota Muhala Expansão/Mercado do Waresta ou Substação, via Matadouro, vêm as suas viaturas a passarem por maus bocados.

“Aqui entregamos tudo nas mãos de Deus”, afirma Jofre Paito, motorista de um “Chapa-100” nesta rota, o qual comenta que “a nossa esperança era de termos a parte da cidade cimento em condições, mas nada disso está a acontecer”, e “parece que o presidente do município somente está preocupado em colocar pavê na zona central das avenidas no lugar de melhorar o pavimento das mesmas”.

As avenidas Paulo Samuel Kankhomba e Eduardo Mondlane, bem como a menos suspeita Francisco Manyanga, também, se encontram em situação deplorável.

Um funcionário público disse ao Ikweli que “normalmente nos atrasamos aqui mesmo dentro da cidade. Com esses buracos, quando entramos no centro da cidade, levamos muito tempo para chegar aos nossos locais de trabalho”.

O edifício sede do conselho autárquico da cidade de Nampula e a residência do Governador provincial ficam conectadas entre as avenidas Eduardo Mondlane e a Francisco Manyanga, as quais estão altamente danificadas, com buracos enormes, e alguns com sinais de cratera.

A rua Francisco Matange, onde fica a residência do autarca Paulo Vahanle, também, tem buracos infinitos, mesmo depois de nos últimos anos os mesmos terem sido tapados com recurso a saibro, facto que faz com que com uma pequena chuva o mesmo seja arrastado.

O edifício sede do Conselho Executivo Provincial, também, encontra-se mergulhado em ruas e avenidas com buracos, exceptuando um quarteirão que beneficiou de melhorias a quando da construção da filial do Banco de Moçambique em Nampula, mas todo o resto é um caos. As avenidas da Independência e a Josina Machel estão altamente esburacadas.

“Veja, até mesmo aqui onde trabalha o próprio governador está cheio de buracos”, comenta Virgílio Pedro, cidadão entrevistado quando tratava o Número Único de Identificação Tributária.

A rua dos Continuadores é um outro calcanhar de Aquiles, bastando visitar o ponto de encontro com as ruas Armando Tivane e 3 de Fevereiro. Naquele ponto, quase que não se circula, os carros entram em buracos com a certeza que a próxima manutenção será para breve.

“Nessa entrada aqui dos bombeiros a situação está muito má”, anota Gito Tomé, que se dedica ao comercio informal naquele ponto, e assevera que “isto tudo é porque o município não está a trabalhar. Eles sabiam que chegaríamos na época chuvosa, mas nada fizeram para melhorar as ruas”.

Menos agitada, a rua da cidade de Moçambique, menos sobrecarregada, também, não foge ao abandono na manutenção por parte da edilidade. Há buracos que, somente, os motoqueiros conseguem esquivar.

A avenida que leva o nome do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, é outro autêntico caos. Os pacientes que são referidos para o Hospital Central de Nampula, que fica naquela localização, pioram nos poucos metros para a sua chegada, pois, da Praça da Liberdade à entrada do HCN a situação é de bradar os céus. Naquele troço não há ambulância, se quer, que se aguente.

A exigência dos munícipes é no sentido de que a edilidade se prontifique a melhorar, pelo menos, os pontos críticos.

Há lastima na periferia

No posto administrativo de Muatala, por exemplo, algumas escolas em determinados bairros estão, praticamente, isoladas, pois as chuvas para além de destruírem as vias de acesso, também, provocaram a erosão.

As Escolas Primárias de Cossore a de Muatala, bem como a Secundária de Cossore, encontram-se nesta situação de isolamento com parte da cidade. Para chegar naquelas instituições, é necessário que o interessado se faça transportar numa bicicleta ou motorizada, pois a viatura estará sujeita a estacionar a cerca de um quilómetro de distância.

A registar-se mais chuva intensa e contínua nos próximos dias, naqueles estabelecimentos de ensino público poder-se-á chegar apenas caminhando, se fazendo transportar na bicicleta ou mesmo motorizada, este último recurso em meio às dificuldades, pois constata-se buracos abertos nas vias de acesso.

“Nos bairros já não se pode falar de vias de acesso. O que lá temos são covas que nos levam ao prejuízo, seja para os automobilistas, peões, entre outros. Como se pode ver, a estrada que apresenta mínimas condições é mesmo ali no matadouro, o resto aqui nos quarteirões são caminhos esquecidos que mesmo moto-táxis enfrentam dificuldades para passar”, lamentou Eugênio Mário, residente nas imediações da Escola Secundária de Cossore, em Muatala.

A via que parte do mercado 25 de Junho, vulgo Matadouro, concretamente na zona da igreja católica São José a EPC de Muatala já tem um impasse, pois seguindo a mesma para ter acesso a escola ou além desta, o munícipe terá de estacionar a sua viatura num ponto para depois seguir o percurso a pé.

Já a partir do quartel das Forças Armadas de Defesa de Moçambique para a escola secundária de Cossore, para além das chuvas o cenário associa-se ao rompimento das condutas de água colocadas pelos clientes da empresa Fundo de Investimento de Patrocínio e Abastecimento de Água (FIPAG), que fornece água potável aos cidadãos.

Por esta razão, os que se fazem transportar nas motorizadas, dentre os quais, os operadores de táxi mota, criaram um desvio que passa pela escola secundária de Cossore, como forma de se livrar das sucessivas covas que têm de passar na via principal.

“Na nossa praça eramos 15 taxistas, mas há três semanas que alguns abandonaram-nos e escolheram outras rotas para exercer a actividade, por conta dos prejuízos que tinham nesta rota de ADEMO/Cossore. Estamos mal em termos de estrada”, disse o taxista de moto abordado sobre a matéria no mercado do Matadouro.

Enquanto isso, o automobilista Calisto Aurélio, residente no bairro de Muatala, aponta dedo a edilidade que, segundo entende, empenha-se na reabilitação das estradas e ruas do centro urbano, em detrimento dos bairros suburbanos que necessitam de intervenção para garantir a transitabilidade dos munícipes que saem dessas zonas para a zona cimento.

“Nalgum momento fico a pensar que o município acha que a sua área de jurisdição circunscreve-se apenas na cidade. Mas todos que têm os seus postos de trabalho na zona urbana vivem nas periferias e para chegar no trabalho não têm alternativas para transitar, por isso passam por estas vias sem condições”, referiu Mariazinha Ambrósio, entrevistada em Muatala.

Já no bairro de Namicopo, o mais populoso do país, o cenário, também, não é diferente, pois os utentes das vias de acesso daquela circunscrição se queixam de buracos e desníveis das mesmas.

Na unidade comunal Nelson Mandela, os buracos chegam a se parecer com crateras, tanto é que a movimentação de viaturas fica condicionada.

Para os munícipes, a edilidade não está a investir na melhoria da qualidade das estradas vicinais, sobretudo naquele bairro, tal como comentou Silva Mureteva, líder daquela unidade comunal.

Mureteva diz que os moradores e a liderança já intentaram contactos com a edilidade para a melhoria das vias de acesso, mas em vão, pois, o reinado de Vahanle está insensível com a preocupação daqueles moradores. “Já tivemos uma sentada no ano passado (2022), prometeram-nos que no mês de Dezembro reabilitariam a estrada, mas até hoje nada acontece, e com essas chuvas a situação fica complicada para os automobilistas, motociclistas e até mesmos para nós peões”.

De 26 anos de idade, o taxista Issufo Assane, residente em Namicopo, diz não se recordar do ano em que as ruas do bairro estivessem em boas condições, afirmando deste modo que o problema de degradação das vias é antigo.

“A estrada está em péssimas condições. Nós taxistas passamos mal quando chove, andamos com a mota nas bermas da estrada na tentativa de esquivar as covas”, comentou a fonte.

O transportador de carga Momade Amade revelou que prefere fazer caminhos mais longos a ter que transitar por determinadas vias.

Ainda de acordo com a fonte, as causas para o número elevado de buracos na via são as inúmeras infiltrações da rede de água, o desgaste do asfalto provocado pelo tempo e o trânsito intenso.

Não são apenas automobilistas e taxistas de mota que se queixam da situação, os peões também. “A estrada está muito esburacada, os taxistas não dão prioridade para nós pões, vêm com muita velocidade, esquecem que a estrada não está em boas condições, e acidentes aqui não faltam todos os dias é um caso atrás do outo”.

Os munícipes daquele ponto da cidade de Nampula estão, ainda, mais indignados por não entender o destino que se dá as taxas que são cobradas no exercício de actividade económicas.

“Nós pagamos todas as taxas, impostos, cartão de táxi mota, e com esses todos pagamentos que a gente faz poderiam, pelo menos, arranjar a estrada para circularmos bem, porque todas as cobranças o conselho municipal é que faz”, apontou a fonte.

Para além da unidade comunal Nelson Mandela, a unidade comunal Josina Machel, também, tem a sua vias de acesso em avançado estado de degradação.

A difícil comunicação entre Jardim e Nampaco

Os utentes da via que liga as unidades comunais de Jardim e Nampaco, bairro de Namutequeliua, posto Administrativo de Muhala, na cidade de Nampula, dizem estarem preocupados com a falta de realização da manutenção da rodovia, o que dificulta a comunicação entre os dois pontos residenciais, através de meios circulantes.

Os “bairros” Jardim e Nampaco, localizados no sudeste do centro da cidade de Nampula, estão entre si separados através do rio Mutomote. No passado as duas zonas residenciais eram tidas como incomunicais por falta da ponte sobre o referido rio, problema que viria a ser resolvido com a construção da infra-estrutura, no reinado do então autarca da cidade de Nampula, Mahamudo Amurane.

Apesar da construção da ponte naquele ponto, os utentes da referida via não encontraram o sossego, sobretudo quando chega o período chuvoso, dado que é quase impossível ali circular, devido a abundância de areia em alguns troços da rodovia. Neste momento, um dos pontos que representa maior preocupação dos utilizadores está a pouca distancia da ponte, nas duas margens do rio.

Para além de areia, a via em análise apresenta alguns pontos com covas onde são armazenadas grandes quantidades de água, impossibilitando desta forma o trânsito.

Para reverter a situação descrita como triste, os moradores das duas zonas residenciais pedem ao governo municipal para prestar atenção especial àquela via, através de trabalhos rotineiros de remoção de areia bem como o tapamento dos charcos que existem sobre aquele meio de comunicação.

“Talvez o município esqueceu-se daqui. Eu penso que se não tem condições para colocar pavê ou asfalto, o que deviam fazer era de criar condições para impedir que a areia se acumule em grandes quantidades na estrada, isto é triste”, disse Anésio Jamal, um dos utentes da via.

“Eu vivo em Nampaco, mas tenho usado com frequência esta estrada quando vou ao Centro de Saúde de Muhala já que é perto, mesmo quando pretendo chegar na minha machamba, lá em Muriaze. Então, uma vez que o outro construiu a ponte ali em Mutomote, o que os outros deviam fazer são essas outras actividades para manter a estrada ainda mais movimentada”, acrescentou Anésio Jamal.

“Esta zona chama-se curva perigosa porque não é qualquer táxi-mota que consegue atravessar aqui com o cliente, por causa desta areia. Por isso, se ficar aqui por muito tempo, vais notar que os taxistas de Nampaco dificilmente vão atravessar a ponte, eles trazem os clientes até na ponte e os deste lado levam, o mesmo acontece para os taxistas deste lado, é difícil a gente atravessar para a outra margem. Se esta estrada fosse bem tratada seria bom para todas as pessoas que gostam de usar, por isso estamos a pedir muito ao papa Vahanle para organizar esta nossa rua”, refere Titos Ali, taxista de mota interpelado pelo Ikweli.

“Estamos a pedir, também, para eliminar aquela água ali na entrada quando a pessoa sai do hospital, aquilo é lamentável, todas vezes que chove a gente sofre naqueles lugares por causa daquelas covas. Será que mesmo custa muito dinheiro para o município acabar com aquelas covas?”, questionou o nosso interlocutor.

Ainda no bairro de Namutequeliua, a outra via que continua a criar barulho no seio dos utentes é a que liga a Avenida Eduardo Mondlane e a Estrada Nacional Número Um (N1), passando pela unidade Comunal Marien Nguabi, ou simplesmente Campo dos Macondes.

A via, por sinal de terra abatida, apresenta alguns troços que constituem calcanhar de Aquiles para os utentes, sobretudo os transportadores semicolectivos de passageiros, bem como os taxistas de mota. Segundo observamos, um dos pontos de maior relevo é logo na zona da terminal rodoviária da expansão, onde a degradação é precipitada pelo lixo ali existente, bem como depois da ponte, este último devido a abundância de areia.

“Nós podemos até pedir para a reabilitação desta estrada, mas vai ser difícil Vahanle fazer isso. Parece que Vahanle está se vingar como ele é da Renamo e neste bairro consideram que os que vivem são macondes e apoiantes da Frelimo, mas isso não constitui verdade, se assim fosse ele não teria ganho as eleições nesta mesma zona”, disse preocupada Angelina Abudo, uma condutora interpelada pelo Ikweli, nesta quinta-feira (19).

Segundo recordou a nossa fonte, “o único que valorizou esta via é o falecido Mahamudo Amurane, ele sempre tratou esta estrada, sempre mandou máquinas para remover o lixo e nivelar esta estrada. Se ele estivesse em vida, tenho certeza de que iria colocar pavê aqui”.

“Como pode ver a situação aqui está difícil, quando chove aqui é uma novela, muitos carros ficam enterrados nesta estrada, por isso que alguns carros evitam chegar até lá no campo, sobretudo nas tardes, ninguém quer arriscar enterrar o seu carro, sobretudo naquela zona da dona Ana, ali depois da ponte. Então, se o município sentisse pena de nós, a solução seria pôr pavê, pelo menos até ali no campo, porque mesmo trazendo máquinas para nivelar, o problema vai continuar sempre que chover”, disse Marcos Gregório, utente da via.

Importa referir que, a quando da campanha eleitoral das últimas eleições municipais, Paulo Vahanle, cabeça-de-lista pelo partido Renamo, prometeu em caso de vitória, asfaltar a mesma via do Campo dos Macondes, partindo da zona do clube 5, na N1, promessa que se antevê que não poderá cumprir, apesar de faltarem escassos nove meses da sua governação.

A erosão de Natikiri

Os estragos das chuvas vão trazendo prejuízos um pouco por todos os cantos da cidade, por isso, no bairro de Natikiri, o fenómeno da erosão voltou a ganhar vida.

Ao nível das unidades comunais de Teacane e Samora Machel a situação é terrível. Os munícipes circulam com enormes dificuldades. De acordo com os moradores, a degradante situação das vias de acesso é um problema antigo, o qual é motivado pelas águas das chuvas e a falta da intervenção das autoridades competentes.

Adilson Niquidade, deficiente físico, refere que a situação da degradação das vias de acesso limita a sua facilidade de locomoção que, naturalmente, não é das melhores.

“Quando chove é preocupante, porque algumas zonas ficam cheias de água e isto cria a erosão”, disse.

Por sua vez, Elvira Manuel dos santos, diz que “a situação das vias de acesso compromete bastante, porque não permite a boa passagem de vários utentes da via e temos este problema desde há muito tempo, razão pela qual pedimos o apoio do nosso presidente do município”.

Portanto, esta fonte, acrescentou ser “doloroso o que está a acontecer devido a danificação das vias, porque várias pessoas ou famílias passam dificuldades quando vão ao seu posto de trabalho e sem contar a erosão que vive ameaçando as casas que se localizam nas bermas do riacho”.

Segundo os nossos entrevistados, residentes da unidade comunal Samora Machel, bairro de Murrapaniua, devido a degradação das vias de acesso, recorrem as vias alternativas de forma chegarem aos seus destinos.

João Alberto afirma que “temos problemas de vias de acesso e os moto-taxistas chegam neste bairro com problema nas suas motorizadas e cobram muito caro, alegadamente porque devem levar as suas motorizadas ao mestre e sendo assim nós, como moradores, somamos prejuízos”.

E os acidentes de viação?

Utentes da principal via que parte a avenida das FPLM e dá acesso a Escola Primária e Completa (EPC) e Centro de saúde de Namiteca, no bairro de Muahivire nos arredores da cidade de Nampula, queixam-se da frequente ocorrência de acidentes de viação, em consequência do avançado estado de degradação.

Com isso, a circulação de pessoas e bens está condicionada, sendo suscetível a ocorrência de acidentes de viação.

Segundo entrevistado do Ikweli, a principal causa é a não manutenção das vias de acesso. “Nesta estrada, nós que ficamos aqui passamos mal, porque não acabam acidentes. Até ontem mesmo estava cheio de carros aqui porque aconteceu um acidente”, disse a senhora Angelina Herculano, residente naquele ponto da cidade de Nampula.

A degradação das estradas tem afetado a economia local e a qualidade de vida dos moradores, já que muitas actividades econômicas dependem do transporte de mercadorias para sobreviver. “Os negócios estão sofrendo muito devido às condições das vias de acesso. Os clientes têm dificuldade de chegar até a minha loja e isso tem afectado, significativamente, as minhas vendas”, disse o comerciante local Abdala costa.

A situação tem sido ainda pior para os meios de transporte público, que tem tido dificuldade em passar pelas ruas do bairro, o que tem prejudicado a mobilidade da população. O transportador semicolectivo de pessoas e bens, Momade Faque, relatou que ser “uma situação complicada para nós, transportadores públicos. As ruas estão impróprias para circulação e isso tem causado atrasos e dificuldades para prestar um bom serviço à população”.

Enquanto isso, Calton Armando, operador de moto-táxi há 3 anos, que não deixou de destacar a questão dos acidentes de viação [quer seja de motorizadas, quer de carros], queixou-se que a condição da estrada tem criado sérios prejuízos na sua actividade e danos mecânicos no seu instrumento de trabalho e tendo de levar regularmente a reparação. “Assim como vês, nós andamos de mota, mas não passam três ou dois meses sem levar ao mecânico. A mota de dois em dois dias ou sofre de amortecedores ou de pneus, e outras coisas”, disse.

Além dos problemas de mobilidade, a degradação das vias de acesso no bairro de Muahivire, também, tem causado outros transtornos para a população local. Muitas residências ficaram alagadas e parcialmente destruídas devido à água acumulada nas ruas, o que tem causado danos aos imóveis e prejudicado a qualidade de vida das pessoas.

Os moradores, também, relatam dificuldades para chegar aos seus locais de trabalhos e para obter acesso a serviços básicos, como saúde e educação, devido às condições precárias das vias de acesso.

Conforme a moradora Maria Alexandre, “é uma verdadeira luta sair de casa todos os dias. As ruas estão cheias de buracos e lama, o que torna difícil os chapa-100 e outras viaturas passarem. Além disso, minha casa ficou alagada devido à água acumulada nas ruas, o que causou danos aos meus pertences”.

Os moradores estão exigindo ações imediatas do governo municipal para resolver o problema, incluindo a realização de obras de reparo e melhorias nas estradas. Ademais, muitos estão pedindo a implementação de medidas de prevenção de erosão, como a construção de barreiras de contenção de água.

Importa referir que durante a recolha de dados, a nossa equipa de reportagem presenciou a ocorrência de um acidente envolvendo uma motorizada e um transporte semicolectivo de passageiros, mas felizmente, não houve danos humanos.

O desespero de Napipine

Os Residentes do posto administrativo de Napipine, na cidade de Nampula, reclamam pela degradação das vias de acesso, situação que tem estado a ser agravada com as chuvas que caem nos últimos dias na província.

O Ikweli escalou algumas zonas daquele posto administrativo, tendo constatado degradação da via que liga a Rua da Unidade a Barragem de Nampula, partindo do cemitério velho, incluindo as três ruas que dão acesso a Universidade Rovuma, bem como a rua que vai até a conhecida zona do Trim-Trim a partir do viaduto.

Os utentes destas vias dizem que tem estado a conviver com o problema há bastante tempo e que as chuvas só vieram mostrar que a situação é grave e que carece de intervenção por parte das estruturas governamentais para melhorar a transitabilidade.

Aníbal Gomes, automobilista há sete anos e quase sempre usa a via que liga a rua da Unidade a Barragem, conta que já passam quatro anos que vê aquela via degradar-se sem qualquer intervenção.

Para ele, “a estrada não está em boas condições há anos, temos que desviar sempre covas. Só temos que aguentar enquanto nada se faz, porque já pedimos muitas vezes ao Governo para minimizar o problema”.

Quem também manifestou a sua preocupação com a qualidade da via é Benedito Januário, moto-taxista que frequentemente por ali circula, e afirma não fazer sentido que aquela via esteja naquelas condições, dado as infraestruturas económicas e sociais de grande gabarito que existem na região como é o caso da barragem que abastece a cidade de Nampula, a escola secundária da Barragem, estabelecimento prisional e algumas médias indústrias. Ele disse que “chegam pessoas aqui para ver a estrada e prometem melhorar, mas só são palavras porque na prática não vemos nada”.

Numa altura em que se aproxima o arranque das aulas, os alunos da escola secundária da Barragem lamentam ao lembrar o que enfrentaram no ano passado devido à degradação da via. “No ano passado o chapa-100 subiu para vinte meticais (20,00Mt) por causa da estrada e se não reabilitarem este ano é possível subir e nossos pais não tem dinheiro para pagar-nos sempre chapa-100 e aqui é muito longe”, disse o aluno Nélio Alberto.

“Com a degradação das vias são frequentemente as idas ao mecânico”, diz um motociclista que entrevistamos na zona de Mukurua. Calisto Serafim, diz que “nesse todo Napipine as estradas estão péssimas, andar aqui é um problema, motorizadas caem porcas com facilidade, se estragam e precisa sempre levar ao mestre”.

Outra utente que reclamou as idas frequentes ao mecânico devido à degradação da via não quis se identificar, mas é automobilista que pediu as autoridades municipais para intervirem. (Adina Sualehe, Atija Chá, Constantino Henriques, Esmeraldo Boquisse, Isidora Fernando e Nelsa Momade)

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