Jovem transexual forçado a manter relações sexuais com uma mulher para poder dar neto à mãe

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Nampula (IKWELI) – Baltazar Francisco Victor, conhecida por Sara, de 28 anos de idade, residente no bairro de Mutauanha, posto administrativo de Muatala, é filho único, e há 12 anos decidiu expor a sua sexualidade como transexual ao público, algo que não foi bem visto pela sua mãe, que impôs como condição para o aceitar, que ele engravidasse uma mulher e tivesse, pelo menos, um filho para supostamente cobrir o espaço deixado por conta da sua orientação sexual.

Segundo Sara, aceitar a exigência da mãe significava igualmente entrar para o lar com a mulher, pese embora não sentisse qualquer atração por ela, mas sem alternativas, o jovem transexual teve que fazer a vontade da mãe, algo que o aprisionou por vários meses, uma vez que não podia manifestar a sua orientação sexual.

“Quando completei os meus  20 anos de idade senti-me obrigada a satisfazer os desejos da minha mãe e me relacionei com uma menor de 17 anos de idade  para lhe dar neto”, explicou Sara, prosseguindo que “o meu filho agora tem  4 anos de idade e vive com a sua mãe, para ter esta criança fui forçado com a minha própria mãe, mesmo tendo conhecimento sobre a minha vida sexual, porque segundo ela não haveria nenhum problema eu dar um neto e continuar a pertencer às pessoas da comunidade LGBT e como todos sabemos mãe é mãe não tem como desobedecer”.

Como pai, Sara conta que tem assumido as suas responsabilidades e para isso tem trabalhado arduamente para garantir o sustento do filho. “Para conseguir alimentar o meu filho é graças ao meu esforço, porque desde o ano 2018 sou cantora de músicas tradicionais, existem algumas pessoas de boa-fé que me chamam em algumas cerimônias para fazer show e me pagam por isso, faҫo viagens para alguns distritos como Rapale, Mecubúri e Nacala e gosto desta função, porque amo a música e me inspiro em vários cantores tanto nacionais e internacionais”, explicou.

A nossa entrevistada, também, acrescentou que “tenho um salão de beleza, agora em reabilitação, onde faҫo vários tipos de tranças o que ajuda-me muito e consigo dinheiro para sustentar a minha família”.

Segundo Sara, embora tivesse dado neto a mãe, havia toda necessidade que ela entendesse que precisava viver livremente como transexual e para isso, conta que a intervenção da organização Lambda foi bastante fundamental para que a mãe e os demais familiares compreendessem o que significava ter orientação sexual diferente com aquela com que biológica e fisicamente nasceu.

Portanto, a nossa interlocutora explica que “para começar a sumir a minha orientação, foi graças a associação Lambda que explicou a minha família sobre o que estava acontecendo comigo, mais tarde, algumas pessoas aqui no bairro começaram a respeitar e aceitar aquilo que sou hoje, embora que existem pessoas que ainda, mesmo tendo a informação sobre as pessoas lésbicas, gay, bissexual e transexual continuam a praticar a descriminação e quando isso acontece ignoro e faço de contas que nada me abala”.

Apesar de tudo que enfrentou para assumir a sua orientação sexual, Sara partilhou com o Ikweli que agora se sente uma pessoa livre. “Não vivo com o meu filho apesar do mesmo fazer confusão quando me vem e as vezes me chama de mama por causa da minha aparência feminina e esquece que sou um pai, mas   isso não me incomoda”.

A semelhança de todos que se assumem LGBT+, Sara conta que tem enfrentado o problema de estigma por onde anda, nos transportes públicos, mas salienta que os centros de saúde são o único local onde nunca foi discriminada. (Nelsa Momade)

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