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13ª Edição do “Desafios para Moçambique” lançada em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) lançou na passada segunda-feira (20), na cidade de Nampula, a 13ª edição do livro intitulado “Desafios para Moçambique”, trata-se de uma série que contém 22 capítulos, produzidos por 34 investigadores, dos quais 22 moçambicanos, provenientes de várias instituições do ensino superior e instituições de pesquisa do país e de África e 12 estrangeiros.

O evento teve lugar no auditório da Faculdade de Educação e Comunicação da Universidade Católica de Moçambique (FEC-UCM), e que contou com a participação de estudantes, corpo docente entre outros convidados.

De acordo com o investigador do IESE, Salvador Forquilha, a 13ª edição conta com mais de 500 páginas que estão divididos em quatro blocos, nomeadamente, política, economia, sociedade e Moçambique no mundo, uma série que tem em vista suscitar um debate na esfera pública, com destaque para a classe estudantil, por se acreditar na importância de se criar uma ciência de cidadania activa.

“A nossa audiência privilegiada são os estudantes, mas também, esperamos que, todos aqueles que estão envolvidos no processo de concessão, elaboração e implementação de políticas possam interessar-se, porque o que nós procuramos é trazer evidências que permitam fazer uma reflexão mais aprofundada sobre o contexto do país sob o ponto de vista, económico, social e por aí em diante”, explicou Forquilha.

Forquilha disse ainda que, cada uma das séries é feito em um contexto específico e, no caso de 2022, foi elaborado num momento marcado por desafios e crises. Alguns pontos que podem ser encontrados na 13ª série estão ligados ao conflito armado vivido na província de Cabo delgado, região norte do país, os projectos de gás na bacia do Rovuma, as consequências da Covid-19, entre outros.

“Gostava de mencionar um outro desafio muito importante que tem a ver com o fechamento cada vez maior do espaço cívico em Moçambique. Nos últimos tempos temos verificado que o nosso espaço cívico tem estado a fechar-se, isso reflecte-se um pouco na maneira como a democracia tem sido avaliada em Moçambique, basta só olhar para as ultimas avaliações sobre Moçambique, os índices passaram-se de um nível que era considerado hibrido para o mais baixo que é o de autoritário e, os últimos acontecimentos de sábado mostram claramente o quão nosso espaço cívico está a fechar-se  e isso é preocupante, então, todos estes desafios estão reflectidos nesta série”, afirmou.

Helton Namize, encontra-se a fazer o mestrado no curso de Gestão de Educação e entende que o livro “Desafios para Moçambique” traz abordagens que estão ligadas com as necessidades urgentes no contexto social, económico assim como político que pode servir como um guia de harmonização.

“O livro Desafios para Moçambique traz tendências para responder as necessidades da sociedade, são estudos que dão respostas aquilo que a sociedade precisa, nas condições em que nos encontramos e como estudantes acolhemos muito bem os trabalhos feitos pelo IESE, porque contem uma base de literatura muito forte”, disse Namize.

Já Denise Joaquim que estuda Economia e Gestão, neste momento no seu quarto ano, acredita que o livro traz pontos que poderão ajudá-la na realização do seu trabalho do fim do curso.

“O que mais me interessou nessa obra é o facto de saber que poderei encontrar temas para o meu projecto de monografia e estou feliz com o lançamento”, explicou.

Importa referir que, a 13ª edição do livro “Desafios para Moçambique”, iniciada em 2010, foi organizado por Carlos Nuno Castel-Branco, Rosimina Ali, Sérgio Chichava, Salvador Forquilha e Carlos Muianga, respectivamente. (Ângela da Fonseca)

Celso Correia apela união no seio da Frelimo em Nacala

Nacala (IKWELI) – O membro do Comité Central e chefe da brigada central de assistência à província de Nampula no âmbito das eleições autárquicas de Outubro próximo e gerais de 2024, Celso Correia, exige que o trabalho dos “camaradas” ao nível de Nacala, segunda maior autarquia do maior círculo eleitoral do país, seja caracterizado por união e espírito de coesão como condição prioritária para a vitória do escrutínio.

O pronunciamento foi feito durante o acto de oficialização do gabinete distrital de preparação das eleições, onde indicou que a gestão da cidade de Nacala deve voltar para as mãos da Frelimo.

Os próximos meses, até a data do escrutínio, serão determinantes para o alcance da vitória, mas para isso urge manter o segredo que consiste em promover o espírito de coesão e união dos simpatizantes e dos membros.

Correia precisou que não há necessidade de existir grupinhos dentro do partido, sendo que é obrigação de todo o membro a criação de um ambiente de vitória para ganhar a simpatia dos cidadãos locais, os quais têm o domínio dos problemas que lhes apoquentam.

Por isso, segundo Correia, a missão da Frelimo é de apresentar as soluções dos desafios. Porque a população de Nacala não merece estar a viver no meio de problemas que tem soluções localmente. É que os cidadãos de Nacala são trabalhadores e batalhadores. E a presença do Porto constitui um dos atractivos para alavancar a economia.

“Aqui se reúne uma parte importante do tecido empresarial. Estamos cientes de que onde há empresários e onde há investimentos devem existir oportunidades de emprego. Temos a obrigação de dialogar com a população de Nacala para encontrar soluções práticas e realistas”, afirmou Correia.

O partido Frelimo em Nacala foi desafiado a construir um caminho por onde a cidade merece estar, uma vez que os actuais gestores da autarquia prometeram e não conseguiram materializar todas as actividades.

Indicou que a nível central decorre um processo de processo de organização e preparação de uma dinâmica diferente no diz respeito a gestão das áreas urbanas. Porém, a cidade de Nacala é considerada prioridade e para isso é necessário agir com sabedoria, escolher um bom candidato e preparar um manifesto eleitoral que espelha as necessidades do eleitorado. (Redacção)

Apenas por organizar uma marcha pacífica: Gamito dos Santos não escapou da brutalidade policial

Nampula (IKWELI) – Perdeu-se o contacto regular com o jovem activista social Gamito dos Santos Carlos no princípio da tarde do dia 18 de Março corrente, sábado, dia em que o país experimentava uma nova revolução de manifestação pacífica.

Gamito dos Santos Carlos é uma das caras mais visíveis da manifestação pacífica que se pretendia realizar na cidade de Nampula em homenagem ao malogrado rapper Azagaia. Desse a manifestação do interesse, tanto legal assim como informalmente, ele passou a estar na mira mais desejada por sector castrense do Estado.

Depois de ver o seu grupo perseguido com armas de fogo e gás lacrimogénio, Dos Santos agendou uma conferencia de imprensa que devia ocorrer num restaurante localizado na rua da Moeda, no centro da cidade de Nampula.

Difundida a informação, agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) trataram de arrumar uma emboscada ao indefeso activista social.

“Levaram-me para o Comando Provincial por onde tiraram me todos os meus pertences, inclusive documentos, e outros com destaque um plástico que continha camisetas do Azagaia”, escreve Gamito na sua conta na rede social Facebook.

Naquele local, a vítima foi entregue aos especialistas em maltratar cidadãos indefesos.  “Descalço, veio a equipe denominada Força especial, ou seja, GOE, a qual colocou me fenda nos olhos, amarraram-me a boca, as mãos e os braços usando cordas e lenço preto”, refere, afirmando que “atiraram-me num carro tendo sido levado a um local que até então desconheço”.

A vítima conta que foi torturado, sem dó e nem piedade, ajuntando-se um inquérito, cujas respostas, apenas, exigiam resposta positivas.

“Chegado aquele localm despiram-me a roupa toda, tendo me deixado nú, daí que avançaram com as torturas, começando por ser atirado água quente a pressão, depois passaram a bater-me sem piedade, pisodearam-me com as botas em todo corpo, a cabeça não escapou, os órgãos genitais e tudo”, reporta Gamito dos Santos, que se recorda, dolorosamente, que aquele processo desumano foi por mais de 2h.

Satisfeitos com a brutalidade exibida em corpo humano, os castrenses vestiram na sua vítima e devolveram-na no Comando Provincial da corporação. Ainda naquele local, Gamito dos Santos viu todos os seus direitos humanos destituídos, pois nem se quer uma água tinha direito.

Com o crepúsculo, já no princípio da noite Gamito foi parar numa subunidade policial, 1ª Esquadra da PRM na cidade de Nampula, que dista há 2 quarteirões inversos ao comando provincial.

“Fomos tirado das celas com promessas de sermos todos soltos, mas no meu caso ainda continuei descalço, tendo se alegado que os meus pertences estariam com o chefe do sector. Os outros colegas, Anapaula e o Estevão já tinham os seus, dali fomos levados, eu fiquei na 1ª Esquadra, enquanto que os dois foram levados a 2ª Esquadra”, explica.

Na 1ª Esquadra, Gamito dos Santos viria a ser restituída a liberdade as 11h deste momento. Debilitado e fraco teve de procurar por cuidados médicos, “onde fiquei horas em tratamento, levei injeções, pois nem calça não conseguia usar”.

A Polícia ainda tratou de ficar com os aparelhos celulares da vítima. Detido sem razão conhecida e fora de flagrante delito, Gamito dos Santos é uma das vítimas da intolerância das autoridades moçambicanas no que se refere ao exercício pleno das liberdades e garantias fundamentais com acento na Constituição da República. (Redação)

E no 7° dia os cães foram soltos: Uns racionais, e outros? Nem por isso

Nampula (IKWELI) – Sábado, dia 18 de Março de 20223, familiares e amigos encontravam-se a realizar, inocentemente e imbuídos dos mais elevados valores humanos, a missa do sétimo dia do passamento do rapper de intervenção social Edson da Luz, ou simplesmente Azagaia, na Sê Catedral de Maputo, e esperava-se paz naquele dia.

Do lado de fora, agentes de diferentes especialidades da Polícia da República de Moçambique (PRM), com a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) mais a vista, aguardava pelos familiares, amigos e fãs de Azagaia que rezavam intercedendo o seu eterno descanso na eterna Graça celestial.

Com o Pai Nosso, a celebre oração da família cristã católica, aquele grupo de pessoas foi recebido com balas de gaz lacrimogénio, com uma tamanha arrogância de um agente da UIR que de costas com a multidão atirou para o ar a primeira grada.

Este triste acontecimento começava a marcar um dia em que, em vários pontos do país, fãs e amigos do malograda se preparavam para realizar uma marcha em homenagem.

“Traídos” pelo espírito da Lei, jovens que inocentemente acreditam no poder da Constituição da República onde a conquista do direito a manifestação pacífica está patente, juntavam-se a miudes nas cidades de Maputo, Xai-Xai, Beira, Quelimane, Nampula e Lichinga.

Chegando aos poucos nos locais, previamente, comunicados a quem de direito que por ali iniciavam as marchas, os jovens viram-se surpresos com a presença e/ou mobilização de quase todo um quartel e manancial policial que vinha impedir a manifestação pacífica.

A Polícia mostrou, claramente, que é “poderosa e perigosa”, pese embora não consiga actuar para parar as gangs que actuam na indústria do rapto, tráfico de drogas e seres humanos, entre outros tipos legais de crime.

Os relatos que chegavam, um pouco por todos os cantos, projectados pelas redes sociais era de um ambiente de terror e autoritarismo, protagonizado por agentes da PRM, os quais muitas vezes caem sem comida após tamanha barbaridade infringida contra os seus concidadãos.

A cidade de Maputo ficou infestada de gás lacrimogénio que, gratuitamente, foi “distribuído” pela Polícia. Nem se quer idosas e crianças escaparam da brutalidade, mesmo os que de casa não saíram tiveram os quintais e varandas “visitados” pelos temíveis agentes da Lei e Ordem que a todo o custo procuravam impedir a manifestação pacífica que, alegadamente, concorria para a perturbação da ordem e tranquilidade públicas.

“Aqueles que deram as ordens superiores são os que não dão a cara, que dizem que nos dão despacho positivo, mas, por detrás, dizem à polícia: ‘agora vão chutar aquela gente”, disse a activista social Quitéria Guirrengane, uma das faces mais notórias da marcha na cidade de Maputo, recordando que “esta é a prova inequívoca de que na República de Moçambique a Constituição não funciona”.

No entender de Guirrengane, esta opressão policial atiça a juventude para a violência. “Depois vão dizer que nós é que incitámos à violência”, disse.

Políticos, activistas sociais e jornalistas, também, estiveram na marcha, mas não escaparam da brutalidade policial.

A cidade de Quelimane foi a que registou um ambiente, aparentemente, pacífico. A manifestação na terra da mucapata foi liderada pelo respectivo autarca, Manuel de Araújo, que com a sua muleta ao lado do jovem Zito Ossumane conduziam os jovens.

Na cidade de Nampula, a norte do país, a Polícia caçava pelos organizadores da marcha e Gamito dos Santos Carlos era a face mais visível e desejado pelo sector castrense do Estado, tanto é que até perto das 22h do mesmo sábado não se conhecia o seu paradeiro, após ter anuído em atender uma notificação da PRM.

Esta terrível actuação policial não só dessagrou as vítimas. Pelo mundo fora há condenações em volta. Organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional e a Human Right Watchs, incluindo as Nações Unidas já condenaram esta brutalidade policial. (Redação)

“Formações realizadas pela Lambda são uma oportunidade de aumento do autoconhecimento” – reconhecem mulheres LBT em Maputo

Maputo (IKWELI) – Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, “atitudes homofóbicas profundamente enraizadas, muitas vezes combinadas com uma falta de proteção jurídica adequada contra a discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero, expõem muitas pessoas Lésbicas Bissexuais e Transgénero, de todas as idades e em todas as regiões do mundo, a violações evidentes de seus direitos humanos. Elas são discriminadas no mercado de trabalho, nas escolas e nos hospitais, e maltratadas e rejeitadas por suas próprias famílias”.

O apontamento acima é sustentado por testemunhos de raparigas e mulheres lésbicas, bissexuais e transgénero, que durante 5 dias participaram da Formação em “Direitos e saúde sexual e reprodutiva, Autonomia e Integridade Corporal e advocacia”, realizada pela LAMBDA em Maputo ao abrigo do projecto We Lead, que tem em vista desenvolver as capacidades dos grupos de raparigas e mulheres jovens que  se identificam como LBT nas cidades de Maputo, Matola e Beira, de modo que possam influenciar políticas e programas que atendem questões de saúde sexual e reprodutiva.

Uma das 25 participantes do treinamento, ouvidas pelo LambdaInfo, Cleide Chissico, é de opinião que se deve capacitar as autoridades superiores do Estado incluindo os próprios políticos sobre os direitos das pessoas LGBT, no geral, “assim tomam decisões que fazem sentido para as nossas vidas’, por outro lado, Chissico aponta que um grande problema no seio da comunidade LBT, ainda por superar, é ‘a auto estigmatização’ que segundo entende, ‘deve-se à grande pressão e discriminação que as pessoas LBT sofrem na sociedade, no fim, a pessoa por não conhecer seus direitos e não saber que sua orientação sexual ou identidade são normais, acaba pensando em suicídio, por exemplo, e é uma vida que se perde” lamenta.

Noutro desenvolvimento, Chissico defende um continuo investimento em acções de formação, porque “me ajudaram a me compreender melhor. Eu tinha muitas dúvidas sobre mim mesma. Por isso acho que têm de se continuar a fazer estas formações, tem muita coisa que nós mesmos não sabemos sobre nós.”

Outra participante do treinamento de 5 dias em Maputo,  cujo pano caiu na última sexta-feira, 10 de Março, é Amélia Sipo Gumende, ou simplesmente Tite, que nos disse que o grande ganho do treinamento foi o aclarar das ideias sobre a identidade de género, para Tite, com o treinamento “aprendi a olhar para a questão da identidade de género como uma questão não apenas sobre homens e mulheres cisgénero, vai para além disso, por isso, é preciso que se difunda mais estes temas, porque que também existem os homens e mulheres Transgénero e também são detentores de direitos.”

Para Tite, outra questão que com o treinamento ficou esclarecida, “é a diferença que existe entre orientação sexual e identidade de género.” Mas também lamenta o facto de ainda ser difícil abordar estes assuntos junto da família, mas também reconhece, “treinamentos como estes são chaves para ajudar a iniciar esse diálogo, porque quanto melhor nos conhecermos, melhor saberemos falar sobre quem somos e como nos sentimos junto dos nossos familiares e, isso, vai ajudar a que sejamos melhor compreendidas,” assegura.

Ouvimos igualmente Eunice Laura Sitoe, ou simplesmente Hanny, que também partilhou a sua experiência de participar pela primeira vez de uma formação sobre temática LGBT, visivelmente emocionada nos disse, “o momento mais alto do treinamento foi quando me perguntaram como é que me sinto e pude me abrir para as outras participantes. Dizer como me sinto diante de pessoas como eu, que me compreendem, que passam ou já passaram por experiências iguais as que eu passei, que me escutam sem julgar e me ajudam a me compreender, esse foi sem dúvida um momento marcante para mim. Eu gostaria de viver isso mais vezes.” Para Hanny, partilhar experiências junto de seus pares, “são daquelas coisas que são difíceis de encontrar noutros lugares, onde não há julgamento por você ser quem é e como é”.

Para Hanny, não menos importante é o tema da autoaceitação, também abordado durante os dias da formação, “me marcou muito, eu não sabia lhe dar com isso, tanto comigo mesma, com amigos até dentro de casa. Eu não me aceitava, tinha vergonha de ser homossexual, por isso, me levaram para muitas igrejas incluindo curandeiros onde supostamente profetizavam, diziam que a minha orientação sexual é coisa de demónio, mas no fundo eu sabia que não era algo que envolve coisas espirituais, sabia que ser homossexual é tão normal como ser heterossexual.”

Para além de formações do género, Hanny entende que o diálogo dentro de casa é a chave para que pessoas lésbicas, bissexuais e transgénero se possam melhor conhecer a si e seus direitos bem como gozar seus direitos de forma plena.

A formação de Maputo é parte de uma série de accões que serão levadas a cabo pela LAMBDA nos próximos 4 anos e incluem também a implementação de campanhas de comunicação com vista a empoderar raparigas e mulheres lésbicas, bissexuais e transgénero dos 15 aos 29 anos em Maputo, Matola e Beira. E para além de Moçambique onde a LAMBDA é uma das organizações implementadoras, o programa We Lead é igualmente implementado em nove (8) países de África, Médio Oriente da América Central, nomeadamente; Quénia, Uganda, Nigéria, Níger, Líbano, Jordânia, Guatemala e Honduras. (Redação e #Lambda)

Moçambique: 90% da População consegue satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas

Maputo (IKWELI) – O relatório da avaliação da segurança alimentar pós-colheita 2022, em Moçambique, indica que, pelo menos, 90% da população consegue satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas, mas tem de recorrer a estratégias de sobrevivência para suprir as suas necessidades não alimentares.

O documento elaborado pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) foi apresentado pelo ministro moçambicano da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, na manha desta quarta-feira (15) na cidade de Maputo, e dele consta que “no período em analise [2022] cerca de 90% da população moçambicana teve uma dieta aceitável para satisfazer as suas necessidades energéticas diárias no período de pós-colheita”.

Por outro lado, segundo constata o estudo, “cerca de 10% da população moçambicana analisada está em insegurança alimentar aguda em níveis de crise e emergência (IPC fase 3+)”.

No período em analise, de acordo com o documento apresentado por Correia, registou-se uma redução na proporção de pessoas que enfrentaram níveis de insegurança alimentar aguda (IPC3 ou superior) de 13% em 2022 para 10% em 2023.

Em relação a situação de insegurança alimentar aguda no período actual (Novembro de 2022 – Março de 2023), “não houve registo de pessoas no nível 5 (catástrofe/fome). Cerca de 958.000 pessoas encontram-se no nível 4 (emergência) e necessitam de assistência alimentar, destes, cerca de 690.400 pessoas encontram-se na província de Cabo Delgado (cerca de 25% da população da província)”.

Neste sentido, o relatório recomenda que “a prioridade das políticas nacionais deve estar orientadas para assegurar a estabilidade do acesso, o aumento e a diversidade dos alimentos ao longo do ano. As políticas nacionais devem considerar a necessidade anual de assistência alimentar directa e assistência social produtiva a uma percentagem da população nacional, por conta da exposição a choques. O processo de aumento de disponibilidade de grupos alimentares na dieta dos moçambicanos deve ser acompanhado por um programa de educação nutricional que optimize a disponibilidade alimentar local. Adopção de uma política e estratégia nacional de segurança alimentar orientada por indicadores nacionais de monitoria. Assistência humanitária urgente às 958.000 pessoas identificadas com défice alimentar. Em específico, recomenda-se uma combinação de intervenções complementares para minimizar os efeitos dos choques tanto no acesso aos alimentos assim como repor e reconstruir formas de vidas. Assegurar a implementação da avaliação pós-choque da vulnerabilidade à InSAN entre Março a Abril a fim de identificar a magnitude e número de pessoas afectadas pela época das chuvas e ciclones a fim de assegurar uma resposta atempada”. (Redação)

Nampula volta a debater direitos humanos da comunidade LGBTQ+

Nampula (IKWELI) – Aos poucos as barreiras de discussão em público sobre aspectos de autonomia individual e corporal dos indivíduos no norte de Moçambique, estão sendo quebrados, através de encontros públicos, como o que aconteceu, recentemente, no maior centro urbano do norte do país.

É o primeiro encontro formal que a organização que advoga pela aceitação dos direitos humanos das minorias sexuais, em parceria com outras organizações de defesa dos direitos humanos, promove no presente ano de 2023, no qual vários actores sociais se encontraram na mesma sala para partilhar ideias pró e também contras, mas com base no respeito e aceitação de acordo com os princípios internacionais e principalmente jurídicos moçambicanos.

Pelo menos 40 pessoas, dentre advogados, religiosos, membros do governo, da comunidade LGBTQ+, entre outros, sentaram na mesma mesa, à 06 de Março de 2023, numa estância hoteleira na cidade de Nampula, o mais importante centro urbano do norte do país, num encontro no qual discutiram os direitos fundamentais e humanos da comunidade LGBTQ+ neste ponto de Moçambique.

É mais uma cerimônia que vê acrescer o debate em curso à longos anos e que nos últimos tempos tem ganhado interesse de discussão, devido, por um lado, ao aumento das pessoas que se revelam em face a sua orientação sexual e por outro lado, por se entender a necessidade de respeito às decisões individuais e dos direitos humanos.

O encontro de cerca de três horas foi organizado pela Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados de Moçambique, na província de Nampula, com o objetivo de chamar a atenção aos religiosos, sobretudo muçulmanos e cristãos católicos, o governo e a sociedade em geral, sobre o respeito dos direitos humanos daqueles que têm uma outra orientação sexual diferente das outras pessoas, na base dos costumes, religião, moral e liberdades individuais.

O vice-presidente da Comissão dos Direitos Humanos, Cláudio Foquiço, disse, na ocasião, que ao se levantar este debate se pretende explicar o quadro normativo e jurídico moçambicano, baseado na Constituição da República, no qual está claro que ninguém deve ser descriminado na base da religião, sexo, filiação partidária, por exemplo.

“A Constituição da República estabelece que ninguém deve por sexo, filiação religiosa, entre outras ser discriminado e nós sabemos que muita das vezes, a implementação de normas tem os seus desafios e num contexto onde existem pessoas, cada um tem sua percepção”, disse.

Foquiço defende que a questão dos que abraçaram a liberdade pela sua orientação sexual deve, também, ser olhada no contexto internacional, e sendo um grupo minoritário, naturalmente há desafios e que não seria diferente em Moçambique, devido ao ambiente de muita cultura, sendo que é possível que as pessoas percebam em vários ângulos.

Orlando Cobre, Coordenador da LAMBDA e na qualidade de um participante do debate, que interveio depois de dois testemunhos a comunidade LGBTQ+, defendeu que é uma realidade que se vive, daí que as lideranças religiosas devem aceitar e acolher.

“É um desafio enorme, porque as religiões não aceitam a comunidade LGBTQ+, são eles que menos apoiam e fazem muita estigma e descriminação. A religião continua a descriminar. As pessoas LGBTQ+ fazem trabalhos que contribuem para a economia e desenvolvimento do país”, disse em reação a afirmação do líder muçulmano que ficou contra a orientação sexual minoritária.

Mesmo no meio de contra, o Presidente do Conselho Provincial da Ordem dos Avogados de Moçambique em Nampula, Josimar Camissa, advogou a necessidade de a sociedade perceber o que significa uma decisão sobre orientação sexual, para entender a positividade, e ao convidar a ordem dos advogados, pretende-se que as pessoas reflictam e discutam uma reflexão jurídica em face da existência dos direitos humanos da comunidade LGBTQ+.

Alguns participantes decidiram não dizer alguma coisa, em torno do tema, porém outros consideraram que a falta da igreja católica, cujo representante devia intervir, à semelhança do líder religioso muçulmano, não interfere no debate em curso, sobre a vida da minoria sexual na cidade e província de Nampula. (Nelsa Momade & Amade Abubacar)

Freddy destrói uma Zambézia já destruída

Quelimane (IKWELI) – O ciclone tropical Freddy, que agora se transformou em uma depressão, não tem vindo a poupar a província da Zambézia, no centro de Moçambique.

Uma província com marcas de destruição da guerra ainda patentes e de sabotagem política, agora está mergulhada em águas decorrentes das chuvas deste magno evento climático extremos, desde o sul ao norte, incluindo o litoral e o interior.

De Macuse a Milange, os relatos e imagens que nos chegam são de bradar os seus. Uma destruição e/ou devastação total.

A fronteira terrestre colocada pelo homem para separar Moçambique de Malawi, pelo distrito de Milange, as águas trataram de destruir. A ponte sobre o rio Licungo mostra-se ameaçada e o seu caudal tende a galgar, colocando em situação de alertas as populações dos distritos de Mocuba, Maganja da Costa e Nante.

Serviços públicos e afins estão estremecidos. A cota gotas o fornecimento da energia eléctrica tende a se restabelecer, mas a transitabilidade rodoviária ainda vai exigir tempo para a sua reposição.

Nossas fontes em Milange contam que a situação é dramática. “Isto está mesmo mal. A estrada que vai a cadeia distrital está cortada”, com uma fonte que não quis se identificar.

“Eu acho que disso não vamos recuperar tão, porque a fúria do ciclone foi mesmo terrível”, afirma a professora Nádia Bartolomeu em exercício no distrito de Namacurra.

Na cidade de Quelimane, uma moradora do bairro de Mapiazua, comenta que “parece que a natureza quer levar a nossa cidade. Estou em casa e quase sem comida, muita coisa se estragou”.

Na zona do Torone Velho ficamos a saber, por via de um contacto, que “parecia que estávamos mortos, mesmo estando a respirar. Água e o vento trataram de nos tirar tudo. Na noite de sábado e nos dias subsequentes, sem energia e sem comunicação, parecíamos mortos vivos”.

No distrito de Mocuba, vem a memória dos residentes o incidente causado pelas chuvas de 2015, onde para além da interrupção do trânsito rodoviário entre o norte e o sul de Moçambique, também, deixou as escuras a parte norte da província da Zambézia e toda a região norte do país.

“Estamos com medo”, afirma Carina Jamal que vive próximo rio Licungo, avançando que “deixamos tudo nas mãos de Deus”.

 Jovens se engajam na “recuperação” da urbe

 Dezenas de jovens da cidade mobilizam-se para remover árvores caídas nas ruas e avenidas da cidade, em uma campanha orientada pelo autarca Manuel de Araújo.

A iniciativa visa facilitar a circulação de veículos e pedestres em meio aos transtornos causados pelo recente ciclone que atingiu a cidade.

Os jovens, oriundos de diversos bairros da cidade, trabalham em equipe para retirar as árvores que foram derrubadas pelo vento forte e chuvas intensas. A ação é importante para minimizar os riscos de acidentes e para garantir a segurança dos moradores.

O autarca da cidade, Manuel de Araújo, destacou que a remoção das árvores é uma medida urgente para a recuperação da cidade após o ciclone. Ele também enfatizou a importância do envolvimento da população nesse processo de reconstrução.

Os trabalhos de remoção das árvores continuam em toda a cidade, e a administração municipal está mobilizada para garantir que as operações sejam realizadas de forma segura e eficiente. A população também está sendo orientada a evitar circular nas áreas onde os trabalhos estão sendo realizados, a fim de garantir a segurança de todos. (Redação)

Jovens de Quelimane se engajam na “recuperação” da urbe após o Freddy

Quelimane (IKWELI) – Dezenas de jovens da cidade mobilizam-se para remover árvores caídas nas ruas e avenidas da cidade, em uma campanha orientada pelo autarca Manuel de Araújo.

A iniciativa visa facilitar a circulação de veículos e pedestres em meio aos transtornos causados pelo recente ciclone que atingiu a cidade.

Os jovens, oriundos de diversos bairros da cidade, trabalham em equipe para retirar as árvores que foram derrubadas pelo vento forte e chuvas intensas. A ação é importante para minimizar os riscos de acidentes e para garantir a segurança dos moradores.

O autarca da cidade, Manuel de Araújo, destacou que a remoção das árvores é uma medida urgente para a recuperação da cidade após o ciclone. Ele também enfatizou a importância do envolvimento da população nesse processo de reconstrução.

Os trabalhos de remoção das árvores continuam em toda a cidade, e a administração municipal está mobilizada para garantir que as operações sejam realizadas de forma segura e eficiente. A população também está sendo orientada a evitar circular nas áreas onde os trabalhos estão sendo realizados, a fim de garantir a segurança de todos. (Redação)

Nampula mostrou-se robusta para enfrentar Freddy

Nampula (IKWELI) – A ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, reconheceu a margem da IV Sessão do Comité Operativo de Emergência (COE), por si orientada, que a província de Nampula se preparou para fazer face ao ciclone tropical Freddy que se previa, severamente, afectar os distritos de Moma, Larde, Angoche, Mogovolas e Ribáuè.

O ciclone tropical Freddy entrou pela província da Zambézia, cidade de Quelimane, entre as 22h as 23h do dia 11 de Março de 2023 com a velocidade de 150 quilómetros/hora rajada de 195 quilómetros/hora. O INAM (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê a continuação de ocorrência de eventos fortes (agitando o estado do mar e gerando ondas com alturas até 12 metros). Adicionalmente, prevê-se a ocorrência de chuvas intensas (mais de 200 milímetros em 24 horas)

A IV Sessão do COE teve lugar na manha deste domingo (12) na cidade de Nampula, e os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastre (INGD) mostram que até ao momento não acontecimentos de realce em consequência do fenómeno.

“Até a manha de hoje [domingo] não havia registo de impactos”, disse na ocasião Alberto Armando, delegado do INGD em Nampula, assegurando que neste momento equipas multissectoriais encontram-se no terreno a monitorar a situação e a confortar as comunidades.

“Continuamos a fazer o acompanhamento do fenómeno e em função disso em decisão pode se decidir a permanência dessas equipas, uma vez que a ameaça não está totalmente dissipada”, anotou Armando, avançando que “o distrito de Moma que seria com maiores impactos desenvolveu-se uma simulação de ocorrência do fenómeno para melhor testar o nível de preparação das comunidades face a aproximação deste evento”.

Ana Comoana enalteceu o nível de organização e preparação da província de Nampula para dar resposta a eventos climáticos extremos, mas apelou para que continuem os trabalhos de acompanhamento e sensibilização das comunidades.

“Vamos manter o apelo para as nossas comunidades para que tenham mais cuidado na travessia dos rios, tendo em conta que algumas bacias os seus caudais estão a registar o aumento do volume dos seus caudais”, disse a governante, que enfatizando a necessidade de ser ter mais cuidado com as crianças e adolescente que, muitas vezes, sem cuidado, vão ao rio tomar o banho.

Todavia, em relação a situação, “nas últimas 24h (até as 9h00 de 11.03.2023) houve registo de chuvas e níveis de água na rede de observação hidrológica da ARA Norte, IP com destaque para Meluli (Meluli – Natôa) – 7.08mm).

Devido a influência do ciclone tropical Freddy, o INAM prevê, para a província de Nampula, (todos os distritos) de 13 a 14 de Março corrente, continuação de ocorrência de chuvas fracas a moderadas, localmente fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos fracos a moderados podendo soprar, por vezes, com rajadas locais. A precipitação acumulada poderá estar entre 10 a 50 milímetros no período em referência.

Entretanto…

Até ao fim do dia de ontem (12), o distrito de Moma, a sul da província de Nampula, que ao fim da última sexta-feira (10) já registava sinais da aproximação do ciclone tropical Freddy, voltou a normalidade.

As autoridades governamentais estimam que, pelo menos, 55 mil habitantes poderão afectados pelo evento climático extremo, por isso tem vindo a mobilizar-se para a mitigação dos impactos.

O administrador local, Abacar Chande, assegurou que o seu governo estabeleceu mecanismos para a retirada da população das zonas de risco, incluindo a formação e preparação de 23 centros de trânsito, para além de mensagens de sensibilização à população.

De acordo com o administrador, as comunidades de Mirupi e Mucoroje, que se localizam próximo a bacia do Ligonha que atravessa o distrito, serão as mais afectadas. Aliás, o fenómeno poderá atingir algumas comunidades do posto administrativo sede.

Face à ocorrência do ciclone, “o ponto de situação do distrito neste momento é calmo. O que estamos a notar agora são chuviscos e que não criam perigo. A chuva que estamos a registar neste momento é normal porque nem vento temos, então consideramos nós a situação como sendo calma. Mas mesmo assim estamos preparados”, disse o administrador numa entrevistada concedida à jornalistas no fim da tarde desta sexta-feira (10).

Posicionamento de bens alimentares

O Instituto Nacional de Gestão do Risco do Desastre (INGD), na província de Nampula, garante que, preventivamente, alocou o total de 5 mil quilogramas de produtos alimentares para os distritos que poderão ser afectados pelo ciclone tropical Freddy que se espera que atinja aquele ponto do país neste sábado (11).

Alberto Armando, delegado do INGD em Nampula, disse que neste momento os produtos já se encontram nos distritos de Angoche, Larde, Moma, Mogovolas e Murrupula.

“Estamos a manter as duas estimativas, uma que foi produzida a nível de Maputo que indicam que 36 mil pessoas podem ser afectadas nesses quatro distritos, nomeadamente, Angoche, Larde, Mogovolas e Moma, mas também fizemos um exercício junto dos distritos que indicaram locais e comunidades que sofrem de cheias e inundações e a estimativa que eles avançam é que, pelo menos, perto de 64 mil pessoas podem ser afectadas”, explicou. (Ângela da Fonseca, Aunício da Silva e Esmeraldo Boquisse)