E no 7° dia os cães foram soltos: Uns racionais, e outros? Nem por isso

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Nampula (IKWELI) – Sábado, dia 18 de Março de 20223, familiares e amigos encontravam-se a realizar, inocentemente e imbuídos dos mais elevados valores humanos, a missa do sétimo dia do passamento do rapper de intervenção social Edson da Luz, ou simplesmente Azagaia, na Sê Catedral de Maputo, e esperava-se paz naquele dia.

Do lado de fora, agentes de diferentes especialidades da Polícia da República de Moçambique (PRM), com a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) mais a vista, aguardava pelos familiares, amigos e fãs de Azagaia que rezavam intercedendo o seu eterno descanso na eterna Graça celestial.

Com o Pai Nosso, a celebre oração da família cristã católica, aquele grupo de pessoas foi recebido com balas de gaz lacrimogénio, com uma tamanha arrogância de um agente da UIR que de costas com a multidão atirou para o ar a primeira grada.

Este triste acontecimento começava a marcar um dia em que, em vários pontos do país, fãs e amigos do malograda se preparavam para realizar uma marcha em homenagem.

“Traídos” pelo espírito da Lei, jovens que inocentemente acreditam no poder da Constituição da República onde a conquista do direito a manifestação pacífica está patente, juntavam-se a miudes nas cidades de Maputo, Xai-Xai, Beira, Quelimane, Nampula e Lichinga.

Chegando aos poucos nos locais, previamente, comunicados a quem de direito que por ali iniciavam as marchas, os jovens viram-se surpresos com a presença e/ou mobilização de quase todo um quartel e manancial policial que vinha impedir a manifestação pacífica.

A Polícia mostrou, claramente, que é “poderosa e perigosa”, pese embora não consiga actuar para parar as gangs que actuam na indústria do rapto, tráfico de drogas e seres humanos, entre outros tipos legais de crime.

Os relatos que chegavam, um pouco por todos os cantos, projectados pelas redes sociais era de um ambiente de terror e autoritarismo, protagonizado por agentes da PRM, os quais muitas vezes caem sem comida após tamanha barbaridade infringida contra os seus concidadãos.

A cidade de Maputo ficou infestada de gás lacrimogénio que, gratuitamente, foi “distribuído” pela Polícia. Nem se quer idosas e crianças escaparam da brutalidade, mesmo os que de casa não saíram tiveram os quintais e varandas “visitados” pelos temíveis agentes da Lei e Ordem que a todo o custo procuravam impedir a manifestação pacífica que, alegadamente, concorria para a perturbação da ordem e tranquilidade públicas.

“Aqueles que deram as ordens superiores são os que não dão a cara, que dizem que nos dão despacho positivo, mas, por detrás, dizem à polícia: ‘agora vão chutar aquela gente”, disse a activista social Quitéria Guirrengane, uma das faces mais notórias da marcha na cidade de Maputo, recordando que “esta é a prova inequívoca de que na República de Moçambique a Constituição não funciona”.

No entender de Guirrengane, esta opressão policial atiça a juventude para a violência. “Depois vão dizer que nós é que incitámos à violência”, disse.

Políticos, activistas sociais e jornalistas, também, estiveram na marcha, mas não escaparam da brutalidade policial.

A cidade de Quelimane foi a que registou um ambiente, aparentemente, pacífico. A manifestação na terra da mucapata foi liderada pelo respectivo autarca, Manuel de Araújo, que com a sua muleta ao lado do jovem Zito Ossumane conduziam os jovens.

Na cidade de Nampula, a norte do país, a Polícia caçava pelos organizadores da marcha e Gamito dos Santos Carlos era a face mais visível e desejado pelo sector castrense do Estado, tanto é que até perto das 22h do mesmo sábado não se conhecia o seu paradeiro, após ter anuído em atender uma notificação da PRM.

Esta terrível actuação policial não só dessagrou as vítimas. Pelo mundo fora há condenações em volta. Organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional e a Human Right Watchs, incluindo as Nações Unidas já condenaram esta brutalidade policial. (Redação)

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