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Freddy devasta Quelimane

Quelimane (IKWELI) – A cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia, ficou completamente devastada pelo ciclone tropical Freddy, que no último fim-de-semana entrou para o continente por aquele ponto do centro de Moçambique.

O autarca de Quelimane, Manuel de Araújo, num balanço preliminar, disse que o ciclone fez cinco mortos e que a cidade se encontra, liminarmente, as escuras e sem comunicação.

Segundo relatos que obtivemos, os moradores do chamado Pequeno Brasil viveram momentos de terror na noite de sábado, e o rescaldo na manha de domingo e momentos subsequentes é destruição total.

O ciclone tropical Freddy deverá continuar naquele ponto do país por 3 dias, o que coloca ainda em situação de preocupação a população e os governantes.

O ciclone Freddy já perdeu força e é agora uma tempestade tropical, mas ainda assim deverá provocar chuva intensa até quarta-feira (15.03) no centro de Moçambique. (Redação)

Nampula organiza-se para homenagear mano Azagaia

Nampula (IKWELI) – Fãs do músico Edson da Luz, conhecido na arena cultural por “Mano Azagaia”, preparam uma passeata em homenagem ao malogrado perecido no dia 9 do corrente mês de Março após uma queda na sua residência na cidade da Matola, a sul de Moçambique.

A onda de consternação é maior um pouco por todos os pontos da província de Nampula, incluindo as zonas recônditas, onde as composições de intervenção social do músico estão cada vez mais sendo consumidas.

Com efeito, um grupo foi criado para coordenar o evento que se espera que tenha lugar no próximo dia 18, entre as 9h às 12h, tendo como local de concentração 25 de Setembro, devendo seguir a avenida 25de Setembro até a praça dos heróis.

Uma carta de comunicação da passeata foi enviada ao conselho autárquico da cidade de Nampula, esperando-se que o autarca Paulo Vahanle seja favorável a iniciativa. (Redação)

5 Mil quilogramas de produtos alimentares foram colocados nos distritos que serão afectados pelo “Freddy”

Nampula (IKWELI) – O Instituto Nacional de Gestão do Risco do Desastre (INGD), na província de Nampula, garante que, preventivamente, alocou o total de 5 mil quilogramas de produtos alimentares para os distritos que poderão ser afectados pelo ciclone tropical Freddy que se espera que atinja aquele ponto do país neste sábado (11).

Alberto Armando, delegado do INGD em Nampula, falando na sessão extraordinária do Comité Operativo de Emerg6encia (COE), dirigida pela ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, disse que neste momento os produtos já se encontram nos distritos de Angoche, Larde, Moma, Mogovolas e Murrupula.

“Estamos a manter as duas estimativas, uma que foi produzida a nível de Maputo que indicam que 36 mil pessoas podem ser afectadas nesses quatro distritos, nomeadamente, Angoche, Larde, Mogovolas e Moma, mas também fizemos um exercício junto dos distritos que indicaram locais e comunidades que sofrem de cheias e inundações e a estimativa que eles avançam é que, pelo menos, perto de 64 mil pessoas podem ser afectadas”, explicou.

Por seu turno, Comoana apela a população para tomar maior precaução para, sobretudo, evitar a perda de vidas humanas.

“Um dos fenómenos que tem acontecido quando há esse tipo de situações, são as perdas de vidas por causa das descargas atmosféricas, por isso reforçamos os apelos para que a nossa população esteja precavida por forma a não ter situações desastrosas, apesar de ser uma província que terá menos impactos, deve fazer jus a isso estando numa situação de prontidão e de zero óbitos , pois seria desejável, porque se não há grandes impactos é preciso contribuir para que a pouca chuva não represente perigo”, alertou Ana Comoana. (Ângela da Fonseca)

Moma já tem sinais do “Freddy” e 55 mil pessoas poderão ser afectadas

Moma (IKWELI) – Até ao fim do dia de ontem, sexta-feira (10), o distrito de Moma, a sul da província de Nampula, já registava sinais da aproximação do ciclone tropical Freddy.

As autoridades governamentais estimam que, pelo menos, 55 mil habitantes poderão afectados pelo evento climático extremo, por isso tem vindo a mobilizar-se para a mitigação dos impactos.

O administrador local, Abacar Chande, assegurou que o seu governo estabeleceu mecanismos para a retirada da população das zonas de risco, incluindo a formação e preparação de 23 centros de trânsito, para além de mensagens de sensibilização à população.

De acordo com o administrador, as comunidades de Mirupi e Mucoroje, que se localizam próximo a bacia do Ligonha que atravessa o distrito, serão as mais afectadas. Aliás, o fenómeno poderá atingir algumas comunidades do posto administrativo sede.

Face à ocorrência do ciclone, “o ponto de situação do distrito neste momento é calmo. O que estamos a notar agora são chuviscos e que não criam perigo. A chuva que estamos a registar neste momento é normal porque nem vento temos, então consideramos nós a situação como sendo calma. Mas mesmo assim estamos preparados”, disse o administrador numa entrevistada concedida à jornalistas no fim da tarde desta sexta-feira (10).

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), em Nampula, através de Nicolau Guilherme, chefe do Departamento de Previsão do Tempo, esclarece que quando se está nas vésperas de um evento climático, como é o caso de ciclone, ocorre a precipitação porque é característico, razão pela qual regista-se [neste momento no distrito de Moma] chuva fraca moderada desde a noite de quinta-feira, 9 de Março corrente.

Ao nível da província de Nampula, Nicolau Guilherme deixa claro que tendo em conta o ponto de entrada que é a província da Zambézia, há razões que os distritos de Moma, Larde e Angoche sejam afectados pelo facto de estarem dentro do raio deste fenómeno. Ou então, “estamos a prever ocorrência de chuvas moderadas e com período de forte. E o vento pode soprar, também, com rajadas”, daí que não se pode descartar a possibilidade de ocorrência de chuvas intensas pela sua localização.

Todavia, o INAM prevê que os efeitos do ciclone tropical Freddy, na província de Nampula, não serão intensos comparativamente a província da Zambézia. Entretanto, insta a população a se precaver da melhor forma possível, reforçando as coberturas das suas residências e deslocar-se aos locais seguros. (Esmeraldo Boquisse, em Moma)

Nampula organiza-se para reduzir os efeitos do Freddy

Nampula (IKWELI) – A possível ocorrência do ciclone tropical Freddy a atingir os distritos costeiros das províncias de Sofala, Zambézia e Nampula, a partir do dia 10 de Março corrente, coloca a mais populosa província do país, Nampula, em alerta máximo. Com efeito, o governo reuniu nesta quarta-feira (08) o seu Comité Operativo de Emergência (COE), que inclui os parceiros de cooperação para dar resposta ao evento.

Segundo anunciou o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), na província de Nampula, o fenómeno poderá atingir cinco distritos, nomeadamente Larde, Moma, Murrupula, Angoche e Mogovolas.

Por isso, na reunião do COE, dirigido pelo Secretário do Estado na província de Nampula, o delegado provincial do INGD, Alberto Armando, alertou aos presentes sobre a necessidade de cuidados a ter nas próximas 72 horas, porque pode se registar queda de chuvas moderadas a forte, que podem originar alterações significativas nos caudais dos rios, ou seja, aumento dos níveis hidrométricos.

Além disso, o delegado disse que, em Nampula, se a queda de chuvas for intensa decorrente do ciclone tropical Freddy, haverá riscos moderados de ocorrência de cheias e inundações, o que pode afectar ainda a rede viária dos distritos costeiros, daí a necessidade de se criar mecanismos para reduzir os danos.

De acordo com Alberto Armando, pelo menos 64 mil pessoas poderão ser afectadas, sendo que os distritos de Larde, Moma e Angoche são os que representam zonas de risco. Enquanto isso, nos distritos de Mogovolas, se a chuva for com alta intensidade pode cortar algumas vias de acesso cortando assim a comunicação via terrestre da população naqueles pontos.

Já o Secretário do Estado na província de Nampula, Jaime Neto, que dirigiu a reunião, chamou atenção aos diversos grupos que integram o COE, com vista a reposicionar os bens alimentares e abrigo de forma atempada. Igualmente, destacou a componente das vias de acesso como sendo necessária, de forma a facilitar a alocação de assistência às famílias que possivelmente serão afectadas.

Na ocasião, Jaime Neto destacou os delegados do INGD, Administração Nacional de Estradas (ANE) e Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), como actores volantes que irão monitorar as acções dos grupos em todos os distritos em risco de serem afectados pelo ciclone tropical Freddy. (Esmeraldo Boquisse)

Moçambique vai lançar um novo relatório sobre segurança alimentar pós-colheita

Abu Dhabi (IKWELI) – O Governo de Moçambique vai lançar no próximo dia 15 do corrente mês um novo relatório sobre a situação da segurança alimentar pós-colheita, o qual vai espelhar a real situação do país.

A informação foi tornada pública, recentemente na Arábia Saudita pelo ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Celso Correia, o qual diz que o estudo vai trazer novos dados e enriquecer o debate actual sobre a segurança alimentar pós-safra em Moçambique

“É muito importante o debate. Nós, apesar de estarmos a fazer a diplomacia no setor de agricultura, estamos a acompanhar com muita expetactiva o debate e naturalmente acreditamos que quando publicarmos o estudo de segurança alimentar referente ao pós-colheita iremos ter base suficiente para o debate ser ainda mais construtivo, mais informado e acreditamos que a partir do dia 15 muitas das questões, também, vão ficar explicadas assim que nós publicarmos o o relatório”, disse Correia.

Na Arábia Saudita, o Governo rubricou um acordo de cooperação e que tem em vista a transferência de tecnologia agrária para Moçambique, tendo em vista revolucionar toda a cadeia de produção. (Redação)

Moçambique precisa robustecer o Fundo de Gestão de Riscos para cumprir a função de mitigação

Doha (IKWELI) – O Primeiro-Ministro (PM) moçambicano, Adriano Maleiane, disse em Doha, capital do Qatar, que o país precisa de robustecer, com apoios, o Fundo de Gestão de Riscos, de forma a cumprir a sua função de mitigação dos efeitos dos desastres naturais que ciclicamente ocorrem no país.

Com efeito, segundo o governante, as Nações Unidas vão apoiar os esforços do país de angariação de 39 milhões de dólares para viabilizar o Fundo de Gestão de Riscos.

Falando a margem da participação do país na 5ª Conferência dos Países Menos Desenvolvidos (PMD’s), Maleiane disse que a delegação moçambicana manteve encontros temáticos e bilaterais para abordar os assuntos que colocam o país nesta lista dos 46 países que ainda lutam para a sua graduação para a classe de países de rendimento médio.

O governante anotou que do Programa de Acção de Istambul à adopção do Programa de Ação de Doha, muito foi feito pelos países, mas “há muita coisa ainda por fazer, porque dos 46 apenas temos 17 países que estão graduando”.

Maleiane assegurou que o Governo está a trabalhar na perspectiva de graduar o país da lista dos PMD’s. “Nós estamos a trabalhar nessa perspetiva e temos a nossa experiência que se baseia na nossa estratégia nacional de desenvolvimento 2015-2035”, disse a fonte, avançando que para a graduação do país está a se assegurar a criação de “condições para que cada moçambicano ou empresa possa ter espaço e condições para gerar o seu rendimento, porque só gerando rendimento é que pode se combater a pobreza individual”.

“Nós dissemos que estamos a usar a agricultura, que já vem na nossa Constituição, como um ponto de partida para melhorar o modelo de cadeia de Valor, acelerar a transformação da agricultura e também facilitar a industrialização”, explicou Maleiane.

Quem, também, falou com Maleiane em Doha é o presidente da Polónia, Andrzej Duda, na perspectiva de estreitamente das relações bilaterais.

“Por muitos anos não houve uma reunião em um nível político de alto nível. Assim, de alguma forma, estamos abrindo um novo capítulo em nossas relações com a Polônia, a África e a África Oriental. O leste e o sul da África são regiões muito importantes e gostaríamos de fortalecer nossa presença lá”, disse, a saída do encontro, Marcin Przydacz, Secretário de Estado e chefe do departamento de Política Internacional da Polônia, prosseguindo que “estamos reabrindo embaixadas, recentemente reabrimos várias embaixadas nesta região para buscar oportunidades, oportunidades de negócios e oportunidades de desenvolvimento para nossas duas nações. Assim, nossos líderes discutem, também, os desafios de segurança na África e na Europa. Dado que há uma guerra de agressão russa contra a Ucrânia e na Europa Central e Oriental, e há muitos efeitos negativos dessa guerra de agressão russa, tanto na Polónia como em Moçambique”.

Entre a Polônia e Moçambique não houve indicação de que tenha havido alguma concordância na cooperação económica, mas Przydacz anotou que “precisamos de alguma forma iniciar um bom diálogo político para iniciar uma cooperação concreta em todos os ramos. Tivemos o ministro da Agricultura aqui na nossa delegação. Então, é claro, a agricultura fazia parte da discussão. Somos um grande exportador de alimentos, mas também somos grandes importadores de vários artigos e alimentos que não são apenas produzidos na Europa. Então Moçambique pode ser um bom parceiro nesse aspecto no que diz respeito à maquinaria, ao equipamento, que é muito necessário. Nós temos nosso know-how na Polônia. Mudamos o sistema, o sistema agrícola dos anos 90, quando o comunismo caiu, para podermos compartilhar essa boa experiência. E também no que diz respeito à cooperação acadêmica entre as universidades, as bolsas poderiam ser oferecidas a quem estiver interessado em fortalecer essa cooperação. Então é basicamente isso. E ambos os líderes decidiram que, num futuro próximo, precisamos lançar uma reunião especial de um grupo de trabalho entre o governo de Moçambique e o governo da Polónia para encontrar esses campos de boa cooperação”. (Aunício da Silva, em Doha)

Nampula: Assédio sexual nas instituições do ensino superior continua a ser um martírio para mulheres e raparigas

Nampula (IKWELI) – O Assédio sexual continua a preocupar mulheres e raparigas nas instituições do ensino superior da província de Nampula, no norte de Moçambique, uma situação que as coloca desconfortáveis, contribuindo para desistências e o fraco desempenho no ensino superior.

A constatação é de cerca de 200 estudantes do sexo feminino provenientes de todas instituições do ensino superior da província de Nampula, que esta segunda-feira (06), debateram sobre o assédio sexual nas universidades, um evento organizado pelo Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior.

Cartilia Rodrigues, estudante recém-graduada pela Universidade Rovuma, curso de Psicologia Educacional, revelou ao Ikweli que já foi vítima de assédio sexual, quando estudava na extinta Universidade Pedagógica, delegação da cidade de Lichinga, província do Niassa, uma situação que a fez transferir para um outro estabelecimento de ensino na cidade de Nampula. Na altura, frequentava o seu segundo ano de faculdade.

“Primeiro tomei como um elogio. Mas foi ficando desconfortável a medida que já vinham com palavras não muito agradáveis pois, os mesmos diziam que o meu corpo parecia uma guitarra e que tencionavam tocá-la. Certa vez, um docente convidou-me para sair, mas informei ao meu namorado e juntos criamos uma forma de escapar das garras daquele docente”, explicou a jovem, acrescentando que os assédios eram justificados pelo facto de o seu corpo ser chamativo e apresentar `curvas´.

Cartilia alegou que naquela universidade não foi única a sofrer assédio sexual, mas a questão dos mecanismos de denúncia, que não se mostravam eficazes em 2017, fazia com que as vítimas ficassem caladas por temer represálias.

“Há que se criar fortes mecanismos de segurança para que as outras raparigas se sintam seguras em denunciar casos de assédio sexual, queremos que após a denúncia o assediador seja levado a barra da justiça e punido pelos actos”, afirmou.

Dalva Pinto, estudante de 21 anos de idade, está a cursar Direito na universidade Católica de Moçambique (UCM), conta que, no seu segundo ano, também foi vítima de assédio.

A mesma explica que, por ser chefe de turma, era vista como elo de ligação entre os colegas e o docente, um cenário que para o seu orientador era a chave primordial para assediar a estudante.

“Eu tinha trabalhos para entregar ao docente na sua sala. Eram trabalhos atrasados de alguns colegas, quando lá cheguei ele perguntou-me o que ganharia com esse favor, qual seria o prémio por ser bondoso com os colegas e eu fiquei sem perceber e questionei que prémio, foi quando ele disse que eu tinha que lhe dar um beijo e eu disse que não era certo, na mesma altura estava a entrar um outro docente, foi aí que consegui escapar”, relatou.

Pinto contou que na altura ficou sem perceber a atitude do docente e teve medo de encará-lo na sala de aulas, mas que tempos depois o mesmo foi expulso.

“Eu não fui a primeira vítima dele, fiquei com medo de denunciar porque não tinha provas. Mas graças a Deus o docente foi expulso da faculdade porque muitas colegas denunciaram o caso”, afirmou, considerando grave a questão de assédio sexual nas escolas e que deve ser combatido rapidamente.

“Primeiro porque as denúncias não são levadas a sério, segundo porque eles acham que a roupa que nós usamos é tida como provocação para eles e eu como mulher, como menina e como pessoa acredito que isso não é um dos itens que leva a pessoa a assediar a outra, para mim isso tem a ver com o carácter e o psicológico da pessoa, porque isso não é normal usar o poder hierárquico para persuadir estudantes”, acrescentou.

CNAQ considera assédio sexual um impasse para a qualidade de ensino no país

 A presidente do Conselho Nacional de Avaliação de Qualidade do Ensino Superior, Maria Agibo, considera a questão do assédio sexual nas universidades um impasse para a qualidade de ensino das raparigas no país

De acordo com a dirigente, ainda não há dados específicos sobre assédio nas universidades, contundo, cerca de 1500 raparigas foram assediadas no ensino geral, facto que preocupa o governo.

“Isso significa que se essas meninas não tivessem sido afetadas pelo assédio sexual nós teríamos mais mulheres a concluir o ensino geral e teríamos mais mulheres a aceder o ensino superior que é um dos diretos de todo ser humano. Nos preocupa como Conselho Nacional de Qualidade do Ensino Superior na senda da prioridade número um do governo encararmos o fenómeno complexo e sensível que se relaciona com o assédio sexual e nós encaramos esse fenómeno como um dos grandes impasses da qualidade do ensino superior, porque as meninas levam mais tempo para concluir os seus níveis por causa dos impactos psicológicos e sociais que este fenómeno acarreta”, afirmou.

Agibo considera que o fenómeno leva as raparigas a terem um desempenho académico, baixo fazendo com que não tenham espaço para contribuir para o avanço do país.

“Já temos provas que sem a educação da mulher o desenvolvimento é lento. Então temos que reflectir a questão do assédio sexual no ensino superior infelizmente trata-se de uma questão que na maioria das vezes é perpetuado pelos professores”, disse.

Agibo lamenta o facto do assédio sexual contra as raparigas nas diversas escolas moçambicanas, serem perpetrados na sua maioria por professores, acrescentando que, estão a ganhar contornos alarmantes sob um olhar indiferente de algumas autoridades na penalização dos mentores.

“Os agressores ou mentores não são devidamente responsabilizados e punidos, pois continuam sobrevivendo sob olhar impávido e indiferente de algumas autoridades que não mobilizam nenhum tipo de responsabilização”, acrescentou.

Um estudo sobre Assédio Sexual nas Escolas realizado pelo Movimento Educação para Todos (MEPT), em 2019, mostrou que embora o Governo esteja a implementar políticas no sector da educação, com vista a aumentar a participação da rapariga na escola, prevalece o desafio de assegurar a retenção desta na escola, sendo o assédio uma das maiores causas da desistência. Uma situação que se verifica em todos os níveis de ensino, desde o primário até ao superior.

Por outro lado, dados publicados em 2015 pela Associação Linha Fala Criança, uma organização que trabalha em prol da defesa das jovens mães, referi que recebeu na sua plataforma de comunicação cerca de 630 mil denúncias de casos relacionados com violência, assédio e abuso sexuais.

O artigo 88 da Constituição da República estabelece que “na República de Moçambique, a educação é direito e dever de cada cidadão. O Estado promove a extensão da educação à formação profissional contínua e igualdade de acesso para todos os cidadãos ao gozo deste”. (Ângela da Fonseca)

Doha: Jovens moçambicanos discutem mudanças climáticas e masculinidade positiva na conferência dos países menos desenvolvidos

Doha (IKWELI) – Daniel Macovela e Tino Daniel são dois jovens moçambicanos, residentes no território nacional, e em dois pontos diferentes. Estão separados por cerca de 2330 quilómetros, respectivamente nas cidades de Maputo e Lichinga, mas ambos se encontram em Doha, capital do Qatar, onde participam da 5ª Conferência dos Países Menos Desenvolvidos (LDC) organizada pelas Nações Unidas.

Encontramo-los nos corredores do Centro Nacional das Convenções do Qatar, onde estavam a “distribuir” entrevistas para vários órgãos de informação acreditados no evento. Solícitos e sem rodeios falaram ao Ikweli, mostrando o que vão falar na sessão da juventude.

Natural de Inhambane, Daniel Macovela, residente, actualmente, na cidade de Maputo, capital do país, tem trabalhado em acções de voluntariado, onde dedica o seu tempo a questões viradas para os impactos das mudanças climáticas, participação da activa da juventude nos processos de governação local, entre outras temáticas.

“Trago para esta conferência dos Países Menos Desenvolvido (PMD’s), liderada pelas Nações Unidas, uma experiência de um jovem nascido da zona rural que se preocupa com o desenvolvimento desde criança até ao jovem, da zona rural até à zona urbana”, disse Macovela, prosseguindo que “trago um conhecimento baseado na pesquisa e baseado na acção de modo a procurarmos melhores caminhos para acelerarmos o desenvolvimento até a agenda de 2030 que já estamos há menos de uma década para alcançarmos e trago aqui um uma visão de um jovem que sente aquilo que é a falta do desenvolvimento sustentável, aquilo que são os impactos das mudanças climáticas, que sente que uma educação que não é de qualidade pode afectar o desenvolvimento de jovens”.

Este jovem lamenta, ainda, o facto de Moçambique ser, ciclicamente, afectado por eventos climáticos extremos, como cheias e ciclones, por isso “uma das mensagens fortes que precisamos fazer chegar aos líderes mundiais, as principais organizações financeiras e de engajamento é que as mudanças climáticas estão a impactar, principalmente nas crianças. Esse impacto nas crianças significa que Moçambique, África, o mundo não tem futuro. Então, é importante que mobilizemos recursos para que possamos ajudar essas crianças, essas mulheres impactadas, essas mulheres grávidas impactadas que possamos caminhar juntos para um desenvolvimento sustentável”.

“Nós, na verdade, precisamos de um financiamento directo. Precisamos de pesquisa, de ver quais as melhores estratégias para Moçambique tornar-se resiliente. Não apenas injectarmos dinheiro. É preciso que se faça um estudo, vermos como é que Moçambique pode tornar-se resiliente e procuramos pessoas capazes de fazer chegar essas ações para aqueles que melhor precisam”.

Masculinidade positiva

Baseado na cidade de Lichinga, na província do Niassa, Tino Daniel é natural da cidade de Nacala, na província de Nampula, e está em Doha há 4 dias, expectante em partilhar a sua experiência sobre a promoção da masculinidade positiva.

É seu interesse mostrar como activista e jovem tem advogado para que a igualdade de género, a convivência entre rapazes e raparigas seja igual e com estrito respeito dos direitos humanos de ambos.

Focado, também, na situação dos deslocados internos em consequência dos ataques terroristas e dos eventos climáticos extremos, Daniel entende que é preciso fazer mais nos centros de acolhimento destas vítimas para que direitos humanos sejam respeitados e valorizados.

“O mais importante, neste processo, é de trabalharmos como jovens que somos, de modo a influenciar nas políticas que sejam sustentáveis para poder empoderar, sobretudo os grupos vulneráveis. Falo de pessoas com deficiência, mulher e raparigas deslocadas porque nos centros de reassentamento não há segurança como tal e é importante que haja”, disse, avançando que ser necessário que os jovens, para além de monitorar as acções do Governo, sejam actores importantes no processo da construção do país.

Tino Daniel

“É importante que, também, possamos criar espaços seguros para as mulheres. Espaços de recreação para as crianças, onde elas vão aprender a conhecer os seus direitos. As mulheres vão aprender sobre poupança e crédito rotativo, de modo que isso possa distrair-lhes, possam fazer poupança e possam, também, usar o dinheiro para o seu próprio desenvolvimento económico”, precisou o nosso interlocutor.

Tino Daniel diz ser necessário continuar a potenciar as mulheres para que não sejam mais vulneráveis e que não possam, continuamente, a sofrer assédios. “As mulheres têm sido sensíveis, porque elas querem sustentar os seus filhos. Perdem os seus maridos por conta da guerra, mas elas sentem-se assediadas e têm que aceitar isso para poder sustentar os seus filhos”. (Aunício da Silva, em Doha)

Moçambique aposta na agricultura para sustentar a industrialização do país

Doha (IKWELI) – O Primeiro-Ministro moçambicano, Adriano Maleiane, disse em Doha, Qatar, que o país selecionou a agricultura baseada na cadeia de valor para sustentar a industrialização do país.

Falando no debate geral no decurso da 5ª Conferência das Nações Unidas dos Países Menos Desenvolvidos (PMD’s), o governante assegurou que “para a concretização desta transformação económica e social do nosso país contamos com o envolvimento e participação activa do sector privado nacional e estrangeiro”.

“Moçambique está empenhado na plena implementação do Programa de Acção de Doha que traduz compromissos renovados entre Países Menos Avançados e entre estes e os seus parceiros de desenvolvimento, bem como o sector privado, sociedade civil e outros intervenientes”, anotou Maleiane.

Igualmente, Adriano Maleiane apontou que “no âmbito da implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, o governo de Moçambique estabeleceu como meta a criação de condições para que todos e cada moçambicano encontre espaço para gerar e aumentar a sua renda por acreditar que esta é a melhor forma para o combate a pobreza individual e colectiva”.

Moçambique tem se destacado no aumento da produção e produtividade, através do programa SUSTENTA que preconiza a integração da agricultura familiar em cadeias de valor produtivas, que tem como o objectivo melhorar a qualidade de vida dos agregados familiares rurais através da promoção de agricultura sustentável (social, económica e ambiental). (Aunício da Silva, em Doha)