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Em jovens: HCN regista mais de 50 casos de AVC durante o primeiro trimestre

Nampula (IKWELI) – A maior unidade hospitalar da região norte de Moçambique, localizado na província de Nampula, registou um total de 55 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), em jovens de idades compreendidas entre 32 a 55 nos de idade. Uma situação que tem vindo a preocupar os profissionais de saúde daquela unidade.

A informação foi partilhada na passada quinta-feira (01), pelo porta-voz do Hospital Central de Nampula (HCN), Frederico Sebastião, que na altura, explicou a imprensa que nas últimas semanas tem se registado com mais frequência.

De acordo com o porta-voz, na última semana, num período de três dias, um total de 18 pacientes deram entrada com um quadro de AVC, sendo que maior parte eram jovens de ambos sexos e que não tinham conhecimento da sua situação.

Por isso, nessa época de inverno, o porta-voz do HCN, apela maior controlo da tensão arterial. “É uma situação preocupante, principalmente neste inverno há uma tendência de uma tensão arterial, portanto todo o indivíduo que é hipertenso tem que fazer um controlo desdobrado da sua tensão, todo aquele que tem familiar com histórico deve fazer um cheque up, porque muitos vem ao hospital e descobrem que são hipertensos”, lamentou.

Segundo Sebastião o tabagismo, o HIV, a sífilis, assim como o consumo exagerado do álcool são factores que podem levar a ter um quadro de AVC. “No nosso meio o mais frequente é o tabagismo e o consumo de drogas ilícitas, a hipertensão e a diabetes. O tratamento é feito no hospital”, explicou. (Ângela da Fonseca)

 

Crianças passam por dias difíceis em Nampula

Nampula (IKWELI) – Celebrou-se ontem, 1 de Junho, o Dia Internacional da Criança. Na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte de Moçambique, a situação deste grupo etário não tem sido das melhores.

Um pouco por todas as ruas da cidade há crianças envolvidas no comércio informal, sobretudo na venda de produtos alimentar, dentre fresco para consumo imediato e os confeccionados.

A maior são meninas, da idade compreendida entre os 12 e 16 anos, as quais, também, acabam por ser exploradas sexualmente por pessoas de má-fé, segundo apurou a nossa reportagem.

  1. Adamo, de 14 anos de idade, conta que, por muitas vezes, teve de se entregar a guardas para poder ter algum dinheiro para cobrir a parte do seu produto que não foi comprado.

“Perdi a virgindade aqui mesmo na rua”, começa por contar a menor, prosseguindo que “foi ali na zona dos CFM que um senhor me chamou para uma esquina, me deu 50,00Mt (cinquenta meticais) e mandou tirar a roupa. Fez as coisas dele e depois foi embora. Eu fiquei com dores por quase um mês”.

A mesma fonte conta que “depois disso descobri que podia sofrer menos, porque quando os meus produtos sobram a minha tia lá em casa me zanga muito. Então, eu espero anoitecer pouco para ir ter com aqueles titios e me dão 200,00Mt ou 150,00Mt e coloco no lixo a sobra do produto, mas em troca eles costumam a me usar como querem”.

História como dessa menor são recorrentes, tal como apuramos na entrevista que fizemos com a B. Timóteo, de 15 anos de idade. A qual conta que “aprendi a andar limpa, porque sempre que começa a escurecer a um tio que nos chama. Faz o que quer e nos dá dinheiro. As vezes nos chama duas ou três meninas, mas nós não nos importamos porque o que queremos é não sermos insultadas em casa”.

“Eu comecei a andar na rua quando tinha 11 anos. Vim de Nacarôa para aqui para estudar, mas quando cheguei me entregaram uma bacia de bolos para ir vender. Quando era mais nova, antes de abrir os olhos, sofria muito. Os bolos nunca acabavam e quando voltava para casa a minha tia me batia muito. Agora que sou mulher isso não me acontece, porque consigo arranjar dinheiro e fechar a parte do produto que não vendi”, disse a nossa entrevistada.

Este fenómeno é da percepção de outras crianças, ainda que não sejam vítimas, mas clamam pela intervenção de quem de direito.

Ernestina Sílvio, uma das crianças que falou sobre o tema, acredita que os violadores são pessoas com informações sobre o mal, e mesmo assim continuam ignorando, dai que aquela pequena julga ser preocupante, visto que no seu entender violar ou abusar a criança é estar contra os projecto de uma nação.

“Eu quero pedir aos titios que abusam as acrianças para poderem parar, porque é muito feio ouvir que uma criança foi violada com um senhor de 46, e as pessoas que fazem esse mal devem saber que nós como crianças temos direitos de viver a vontade, estudar, brincar para depois decidir o nosso sonho sem que haja impedimento de alguém que quer roubar a nossa alegria”, disse a menor.

Uma outra criança que falou ao Ikweli na praça dos Continuadores mostrou-se preocupada com o futuro incerto de outros menores, por isso mesmo pede ao Governo para cada vez mais zelar pela criança.

O administrador de Nampula, Abdurremane Selemane, anotou que o bem-estar da criança deve ser prioridade de todos. (Redação e Malito João)

Namialo: Deslocados queixam-se da falta de apoio alimentar

Nampula (IKWELI) – As famílias deslocadas devido aos ataques terroristas na província de Cabo Delgado e que ainda se encontram acolhidas nos 18 bairros da circunscrição administrativa de Namialo, no distrito de Meconta, em Nampula, queixam-se da falta de apoio alimentar por parte do governo e das organizações humanitárias.

Segundo contaram ao Ikweli, a situação é grave nos últimos quatro meses, sendo que enfrentam fome, até porque conforme os seus relatos, a última distribuição não teria sido abrangente, e, fez com que maior parte deles não tivessem se beneficiado do milho, arroz e óleo alimentar alocado pelas autoridades.

Ancha Jimu, deslocada do bairro Unidade, em Mocímboa da Praia, ainda não decidiu regressar, primeiro porque considera não haver paz efectiva, segundo a família não tem dinheiro e do pequeno negócio que faz (venda de peixinhos) apenas serve para alimentação e pagamento da renda da casa.

Segundo ela, as autoridades e seus parceiros estão há quatro meses que não alocam comida para as famílias deslocadas em Namialo, sendo este facto motivo de grande preocupação. “Costumamos receber quando o apoio vem, mas nestes meses, três ou quatro meses, não. Vivemos a maneira e devido a minha doença, não trabalhamos a terra eu e o meu marido”, contou afirmando que a família chegou em 2020 e é composta por sete pessoas.

Mais adiante justificou que o regresso da família está dependente das condições de segurança na aldeia onde inicialmente vivia, mas também do dinheiro para custear o transporte, sendo que se tivesse recebido o apoio alimentar, uma parte iria vender para regressar. “Não sabemos ainda”, respondeu quando questionada sobre a perspectiva de regresso, prosseguindo que “só depois da guerra ser declarada que terminou, mas assim mesmo, não”, garantiu lembrando que a família era proprietária de um viveiro de 500 conqueiros e 600 cajueiros na região de Quitico, no distrito de Palma.

Samine Anlawe, que também fugiu de Mocímboa da Praia, concretamente no bairro Milamba, ainda guarda as dores de fugir em sua própria casa ao ter passado por Mueda e mais tarde até Namialo, no bairro Triângulo. Conforme as sua declarações, a família tem neste momento sete pessoas, sendo o grande desafio a alimentação, pior ainda não trabalhou a terra por falta de dinheiro para alugar uma parcela que ronda entre 300,00Mt (trezentos meticais) a 1000,00Mt (mil meticais) por época.

Esta fonte manifesta preocupação devido a falta de provimento alimentar. “Há grande problema em termos de receber comida, passa muito tempo, não sabemos, talvez porque existe muita gente deslocada, mas não sei se foi em Novembro que recebemos. Não temos machamba, porque eles alugam 300,00Mt, 500,00Mtou 1000,00Mt por época, no primeiro ano qua chegamos alugamos, mas o problema foi de roubo. Tínhamos dinheiro, fizemos negócio, mas foi abaixo”.

Situação idêntica foi, igualmente, manifestada pelo jovem Joaquim, residente no mesmo bairro de Triângulo que com outros membros da família fugiu de Muambula, distrito de Muidumbe, quando os terroristas lançaram ataque à sua aldeia. “Temos problemas de comida esses dias, não dão comida, pelo menos neste bairro Triângulo A, dizem que temos de ir em casa, porque a pessoa que dá apoio está a ver os que sofreram de ciclone noutras áreas”.

O Líder Comunitário, Jaime Francisco, explicou ao Ikweli que “este caso surge na medida em que os distribuidores não seguem à sequência, distribuem até resta sete à oito bairros, mas na distribuição seguinte eles não dão continuidade é daí que as pessoas vão noutro bairro e mudam nome”, acrescentando que “muitos acabaram de ir em casa forçosamente devido a falta de apoio”.

Comentado o suposto esquema de roubos, Jaime Francisco disse que “aqui no bairro não conseguimos identificar porque existem muitos bairros, mas não sabemos porquê a quantidade não chega, porque os donos contam e quando chega aqui não chega como?”.

No bairro Triângulo, em Namialo, vivem neste momento mais de 1270 pessoas dos distritos de Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia, Palma, Nangade, Chiúre e Ancuabe. (Redação)

Nampula: regista aumento de casos de uniões prematuras durante o primeiro trimestre

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, localizada no extremo norte de Moçambique, registou 18 casos de uniões prematuras durante o primeiro trimestre do ano em curso, contra 6 de igual período do ano passado, o que significa que houve um aumento de 12.

A chefe provincial do Gabinete de Atendimento à Família e Crianças Vítima de Violência, Adelina Matos, disse que os casos foram registados em 15 distritos da província, nomeadamente Nampula, Rapale, Ribáuè, Eráti, Malema, Meconta, Angoche, Mecubúri, Moma, Nacarôa, Meconta, Mossuril, Mogovolas, Muecate e Monapo, respectivamente.

Na ocasião, a fonte fez saber que, o distrito de Eráti registou quatro casos de uniões prematuras. No entanto, explicou que o aumento de casos se deve ao facto de haver muitas denúncias, isso porque as pessoas já estão mais consciencializadas sobre a importância de denunciar situações de género.

“Houve um aumento porque as pessoas já vêm denunciar e tudo isso por causa das actividades de sensibilização, onde explicamos onde devem encaminhar os casos. Antigamente as pessoas vivenciavam situações de uniões prematuras e não denunciavam, talvez por medo ou porque não sabiam aonde recorrer, e agora pelo trabalho que a polícia e outras organizações tem feito no sentido de falar que as crianças não podem casar, a comunidade já tem noção de que estamos perante a um caso prematuro e que temos que denunciar”, explicou.

Matos garantiu que todas as raparigas que estavam a viver numa união prematura foram devolvidas ao convívio familiar. Entretanto, nesse processo foi descoberto que uma rapariga, menor de 14 anos de idade, estava grávida de quatro meses no distrito de Ribáuè.

“Esse caso aconteceu lá na comunidade, onde quando uma menina apanha a primeira menstruação já é considerada como uma mulher pronta para casar. Então recebemos uma denúncia e fomos lá desfazer o caso, porque são menores os dois ela tem 14 e ele 15 anos de idade, nesta relação a menina ficou grávida de quatro meses e já não tinha como dizer para ir a saúde, temos essa instrução que pode entrar para o hospital para retirar, mas já era tarde”, afirmou.

Por isso, Matos apela a todos pais e encarregados de educação, bem como a comunidade em geral, a não submeter as raparigas as uniões prematuras.

“As pessoas não podem se unir em uma união de facto ainda menor porque há prejuízos, há gravides precoce, depois consequências na hora do parto e por conseguinte temos as mortalidades por ser uma criança e não consegue lidar com os serviços de parto e acaba perdendo a vida. Então, sempre que formos a nos deparar com uma menor que está numa união prematura devem denunciar os casos aos postos policiais ou esquadras ou nos comandos distritais temos secções de atendimento a Família, Menor Vítima de Violência, porque é sentimental aceitar que nossas filhas sendo crianças se juntem com homens”, disse.

Relactivamente aos casos de violação sexual com menores, foram registados 71 contra 43

Adelina Matos disse ainda ao Ikweli que a província registou um total de 71 casos de violação sexual contra menores no primeiro trimestre do presente ano, contra 43 de igual período do ano anterior, havendo um aumento de 28 casos.

“Fazendo uma descriminação de casos por distrito, tivemos a cidade de Nampula com 26, Monapo 24, Moma 9, Nacarôa 5, Meconta 4 e Eráti com 3 casos de violação com menores de 13 a 17 anos de idade, todos os processos já foram tramitados e se encontram na procuradoria”.

A fonte referiu que, quanto aos acusados destacam-se os padrastos, vizinhos, namorados tios e pessoas desconhecidas. (Ângela da Fonseca)

Líder do AMUSI “perde” interesse pela autarquia de Nampula

Nampula (IKWELI) – O líder do partido Acção do Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI), Mário Albino, tenciona em não concorrer como cabeça-de-lista nas eleições municipais que terão lugar no próximo dia 11 de Outubro.

Mário Albino, carinhosamente tratado por Muquissince na praça, é uma das figuras emblemáticas na política moçambicana. Aliás, o seu percurso político não se resume apenas no AMUSI, pois antes provou as filosofias de outros partidos, como a Renamo, MDM, bem como ASSEMONA, onde ocupou cargos de realce, como de delegado político provincial.

A primeira aventura de Muquissince com AMUSI, partido por si fundado, foi em 2018 quando participou nas intercalares do município de Nampula na sequência da morte, por assassinato, do edil Mahamudo Amurane. Trata-se de uma participação em que ficou marcado pelo facto de os seus membros fazerem toda campanha eleitoral vestidos de sacos, por alegadamente em reivindicação do assassinato bárbaro de Amurane.

Nessa estreia, recorde-se, Mário Albino não teve votos suficientes para conduzir os destinos dos nampulenses, já que a aposta foi para Paulo Vahanle da Renamo.

Apesar de uma aparente não-aceitação dos locais, manifestada nas intercalares, Mário Albino não recuou pois no mesmo ano viria a concorrer nas VI eleições municipais, ainda para o município de Nampula, mas também os de Nampula não o votaram.

Para a surpresa de todos nacionais, Mário Albino atravessou as barreiras ao concorrer o cargo de Presidente da República, ao lado de Filipe Nyusi, Ossufo Momade e Daviz Simango, nas eleições gerais de 2019. Neste escrutínio, Muquissince foi o menos votado de entre os concorrentes.

No entanto, respondendo a uma questão do Ikweli se iria ou não concorrer como cabeça-de-lista do AMUSI nas autárquicas deste ano, Albino garantiu não ser sua intenção voltar a disputar o cargo de presidente do município de Nampula, para dar oportunidade a outros membros da agremiação, para além de garantir o melhor controlo da colectividade.

“O presidente não gostaria desta vez, que era para ter tempo de controlar o partido ao nível de outros círculos”, disse Mário Albino.

Questionado sobre quem serão os cabeças-de-lista do AMUSI na próxima corrida eleitoral assegurou que “existem candidatados a cabeças-de-lista que vão passar por um processo de purificação, por meio de conferências para o efeito. Na oportunidade o partido vai apresentar seus candidatos à cabeças-de-lista”.

Haverá redução de mandatos na Assembleia municipal de Nampula

Mário Albino recenseou-se nesta terça-feira (30) no posto de recenseamento instalado no Instituto Industrial e Comercial de Nampula. Falando a jornalistas, a fonte lamentou a persistência dos órgãos competentes em não prorrogar com o prazo de recenseamento eleitoral, mesmo perante aos casos que mancharam o processo.

O recenseamento eleitoral vai até o próximo dia de 3 de Junho, mas o que se constata é que muitas pessoas com idade eleitoral ainda não recensearam devido a morosidade do processo desde o seu início a 20 de Abril do ano em curso, daí que o líder do AMUSI é da opinião que o prazo do término fosse prorrogado para garantir que muitas pessoas sejam recenseadas.

Aliás, para Mário Albino, caso o recenseamento termine no próximo dia 3 de Junho e que muitos munícipes não sejam recenseados, pode implicar na redução do número de mandatos na Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, por exemplo. Actualmente o órgão fiscalizador do município de Nampula é composto por 51 membros, dos quais 31 da Renamo, 17 da Frelimo e os restantes do MDM.

“Este é um processo com muitos problemas e só para testemunhar esta bicha toda está a acontecer há quatro dias do término do processo. Significa que os moçambicanos ainda precisam deste processo de recenseamento porque o dia 3 de Junho que se refere que seja o término não vai ajudar em nada para atender aquelas que são as recomendações de moçambicanos, munícipes sobretudo, poderem recensear”, referiu Mário Albino.

“Eles, insistindo encerrar no dia 3 de Junho, violam o direito do cidadão de participar neste processo, sabotam, portanto, a própria economia do país, doada por vezes pela comunidade internacional para este efeito, e acima de tudo é recusar a democracia. Por isso, aqui não há condições para se encerrar no dia 3 de Junho”, acrescentou.

“Encerrar este processo agora, os membros das assembleias municipais vão reduzir muito. Não só, as inscrições ditadas pelos órgãos do processo são de listas fantasmas, não de pessoas. Então, estamos a apelar mesmo para não encerrar no dia 3 de Junho”, precisou o líder do AMUSI. (Constantino Henriques)

Por falta de dinheiro de “refresco”: 800 Famílias vivem sem energia no bairro de Murrapaniua

Nampula (IKWELI) – Apesar de contar com postes de rede elétrica no bairro, mais de 800 famílias vivem sem energia em Murrapaniua, unidade comunal Terrene B, na cidade de Nampula, região Norte do País, alegadamente por falta de dinheiro de “refresco”, para agilizar o processo de ligação por parte dos técnicos da Eletricidade de Moçambique (EDM).

Por isso, através de um grito, os moradores pedem ajuda. Segundo contam, o Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou que o acesso a energia em Moçambique é gratuito e não percebem os motivos de serem cobrados valores que variam de 500,00Mt (quinhentos meticais) a 1.000,00Mt (mil meticais) para que tenham corrente nas suas residências.

Jeremias Xavier, morador daquela unidade comunal, disse ao Ikweli que o técnico da EDM tem cobrado “Makha”, que significa sal em língua local, para proceder com o processo de ligação de energia.

“Nós estamos mal, já esperamos muito tempo, outro dia apareceram e perguntaram se já tínhamos refresco para poderem ligar energia e falam de 500 ou 1000 meticais e esse dinheiro não temos. Nós queremos energia para todo bairro, muitas casas já têm instalação, mas não tem energia por causa disso de Makha. Estamos a pedir para virem ligar para todas casas”, comenta.

Constâncio Custódio, morador no bairro há dois anos, fez a instalação na sua residência há três meses e aguarda ansiosamente pela ligação da corrente eléctrica, contundo, acredita que não será fácil por conta das cobranças ilícitas.

Custódio revelou que tal situação acontece porque o chefe do quarteirão nada faz para apoia-los, tendo em conta que o mesmo, vezes sem conta, refere que “vocês devem tirar makha para terem energia. E não percebo porquê, uma vez que o mesmo falou que essa energia é para distribuir mahala, agora é para tirar dinheiro de refresco, como assim? Nesse bairro só tem energia quem tirou esse dinheiro e nós estamos a ficar sem energia”.

A fonte pede a quem de direito para acabar com esse acto de cobranças, pois entende que todos são filhos do mesmo pai. “Esses senhores que mandam, deviam orientar os seus técnicos a não pedir dinheiro, porque somos pobres, a maioria para comer não é fácil, esse assunto de dinheiro não temos, por isso que não temos energia”.

Quem também não está satisfeita com a situação é Bilónia Virgílio, que na altura da montagem dos postes ficou feliz por acreditar que o sofrimento de viver na escuridão estava prestes a terminar, no entanto “não sei porquê fazem isso, uns tem energia e outros não, mas vieram deixar aqui esses postes, minha casa já está complemente instalada, mas disseram vocês que não tem dinheiro vão ficar assim”, lamentou.

Entretanto, o Chefe do quarteirão da unidade comunal Terrene B, em Murrapaniua, Osvaldo Jorge, que por sinal já tem corrente eléctrica na sua residência, refutou as acusações dos moradores e disse que não existem cobranças para ligação de energia “isso não constitui verdade, sô tiramos dinheiro para agradecer pelo trabalho, mas isso não é obrigatório”.

Jorge disse ao Ikweli que o bairro conta com mais de 800 famílias, no entanto, “desse número os que beneficiaram de energia nem 50 chegam e ate então não sabemos os motivos, sempre conversamos com as estruturas da EDM, mas nada dizem, apenas dizem que temos que aguardar porque já montaram os postes e Pts, o que devemos fazer é aguardar, mas emoção da população é tanta”, afirmou.

Importa lembrar que a 29 de maio, o Mundo celebra o dia da Energia. E Moçambique conta com um projecto intitulado Energia para Todos, um programa presidencial, lançado em 2018, que tem em vista a ligação gratuita para todos clientes domésticos. O mesmo prevê que todos tenham acesso a energia até 2030. (Ângela da Fonseca)

Nampula: Actores sociais discutem mecanismos estratégicos da economia azul

Nampula (IKWELI) – A cidade de Nampula, no norte do país, acolheu, recentemente, um evento de auscultação de actores sociais sobre a futura estratégia da economia azul.

Economia azul é um conjunto de actividades que visam explorar os recursos existentes nos oceanos e águas interiores, sendo que o evento de Nampula esteve a cargo do ministério moçambicano do Mar, Águas Interiores e Pesca, entidade governamental que lidera o processo.

Teresa Maria, que lidera o processo de consulta pública da estratégia em elaboração, entende que Nampula tem o papel relevante neste processo, considerando os dois portos de grande magnitude aqui existentes, bem como a sua localização estratégica.

“Apesar dos vários desafios das estratégias, como é o caso das mudanças climáticas e não envolvimentos da juventude nesta matéria, há várias propostas para minimizar os feitos dos problemas que a consultoria oferece, que isso só será materializado com muita informação e capacitação das varias camada sociais”, disse Teresa Maria Gomes, que acredita que a implementação da economia azul poderá ajudar na melhoria de vida das comunidades, criação de emprego e melhor envolvimento dos agentes privados que poderão ter a possibilidade de investir sem grandes preocupações.

Tomé Shakushasha, em representação do Secretário de Estado na província de Nampula, disse que os oceanos e o mar representam cerca de 70% da superfície do planeta. “Um oceano saudável significa um mar livre da poluição, para melhor uso da potencialidade do mar é necessária uma gestão criteriosa baseada nos diversos benefícios que o mesmo pode gerar o emprego, alimentos, exploração de recursos turísticos e energéticos, assim como minerais, enquanto se preserva a biodiversidade”. (Malito João)

Nampula, Nacala, Pemba e Montepuez vão começar a ver resultados do PDUNM ainda este ano

Nampula (IKWELI) – O governo, com o apoio do Banco Mundial, vai investir, ainda este ano, cerca de dois milhões de dólares norte-americanos para a construção e melhoramento de infraestruturas públicas urbanas, com destaque para dez (10) escolas, três (3) centros de saúde, cinco (5) centros comunitários, dois (2) mercados e iluminação pública de seis bairros nos municípios de Nampula, Nacala, Montepuez e Pemba no âmbito do Programa de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique (PDUNM).

A informação foi avançada esta segunda-feira (29) pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, durante a primeira sessão do Comitê Consultivo do projecto que teve lugar na cidade de Nampula, onde explicou que o mesmo tem quatro componentes sendo três importantes nomeadamente, infraestruturas e serviços básico que poderá beneficiar cerca de 46 mil pessoas, solo urbano e habitação que visa fazer intervenções resilientes em 8. 200 casas das pessoas mais vulneráveis. E política urbana e fortalecimento institucional.

Com estas intervenções, o ministro da Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos acredita que o projecto vai melhorar a vida das populações nas zonas de implementação, para o efeito referiu que “consequentemente, o Projecto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique enquadra-se também nos objectivos do Governo de promover o acesso à habitação condigna e melhoria das condições de vida das nossas populações, sobretudo as mais vulneráveis”.

Para Carlos Mesquita, o Projeto de Desenvolvimento Urbano do Norte de Moçambique (PDUNM) junta-se aos outros programas do Governo de aumento da provisão e acesso à habitação social, bem como o incremento e melhoria dos serviços básicos de abastecimento de água, saneamento e eletrificação urbana.

Ordenamento territorial e vias de acesso são principais desafios das cidades selecionadas em Nampula, apontam os edis.

O PDUNM foi lançado no ano passado e vai até 2026, com um investimento de cerca de 100 milhões de dólares.

O presidente do conselho municipal da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, disse que ao nível da cidade de Nampula foram selecionados os bairros de Muhala e Muatala que poderão se beneficiar de melhoria de vias de acesso, construção de escolas, melhoria de mercados e construção de casas.

Entretanto, Vahanle disse que “neste momento não sabemos quantas casas é que serão construídas. Só que temos a estrada de Namiteca á Mucuache que já está eleita para construção, deviam ter iniciado as obras no ano passado, mas infelizmente não aconteceu e neste ano pelos vistos não vamos ter a estrada concluída, mas existem algumas pontes que ali estão em degradação total, nós achamos que temos que intervencionar ainda este ano para evitar o pior”.

Vahanle referiu ainda que sente-se traído pelo projecto, pelo facto de o ter impedido avançar com a pavimentação da via que da acesso à escola Secundária de Cossore.

“Em 2021 os munícipes da cidade de Nampula viram muito bem que nós já estávamos a fazer a terraplanagem na via de Cossore, mas infelizmente apareceu este projecto, e fomos lá visitar e pura e simplesmente disse-nos que devíamos deixar de trabalhar porque já havia dinheiro para a cidade de Nampula e  no caso concreto para melhorar aquela via, foi por esta razão que no ano passado relaxamos e neste momento dizem-nos que nem este ano  não será possível a pavimentação daquela via”, disse Vahanle que prosseguiu informando que como gestor  da autarquia vai  fazer o seu papel para melhorar a  transitabilidade naquela via.

Por seu lado, o presidente da autarquia de Nacala, Raul Novinte, disse que os projectos programados no âmbito da iniciativa do Banco Mundial são a construção de estradas no bairro primeiro de Junho, reabilitação da estrada que dá acesso a praia do Fernão Veloso, ligação de linhas de iluminação pública em alguns bairros reabilitação do alpendre do mercado, Juma bem como do centro de saúde de Mathapue.

Novinte salientou que o seu executivo está preparado para iniciar com a materialização do projecto o que está a demorar é o desembolso dos fundos. (Adina Sualehe)

No entender de Vahanle: Dom Carlos Matsinhe trabalha como um “Satanás”

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, entende que o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o bispo Dom Carlos Matsinhe, é um demónio disfarçado e actua em prejuízo da população moçambicana.

Vahanle baseia-se nas irregularidades que estão a acontecer no processo de recenseamento eleitoral e que, facilmente, são aceites pelo religioso.

Esta fonte recorre-se ainda o recente caso de falsificação e duplicação de cartões eleitorais na autarquia que dirige.

Para ele, Matsinhe devia dar o bom exemplo, pelo facto de ser um religioso.

“O recenseamento eleitoral de 2023 está enfermo de muitos ilícitos eleitorais”, disse Vahanle, dando o exemplo de que “secretários da FRELIMO fazem listas dos cidadãos e entregam aos supervisores para recensearem, encontramos a falsificação de cartões eleitores e a duplicação dos mesmos, temos provas dos mesmos em que em vez de escrever Paulo escrevem Paulino, a fotografia muita das vezes não confere com o nome do cartão do eleitor”.

O autarca diz ainda que “encontramos a situação dos secretários dos bairros que eles estão a fazer declarações, para fins desconhecidos. Isso, também, tem sido um dos problemas, a nossa polícia interfere negativamente nesse processo eleitoral. Eu fico um bocadinho inquietado, porque nos anos passados os presidentes da Comissão Nacional de Eleições era, realmente, da Sociedade Civil, mas actualmente nós encontramos grandes figuras religiosas, e estes senhores esquecem dos ensinamentos da bíblia, assim como do alcorão. Eles protagonizam um processo eleitoral como este que até certo ponto é pecado, mas os mesmos condenam o pecado”.

É apelo de Vahanle que a CNE trabalhe baseando-se na honestidade, porque “o presidente da Comissão Nacional de Eleições, ele como um religioso, não trabalhar como um Satanás ou mesmo um demónio disfarçado em pessoa, nós não concordamos com isto que está a acontecer, pensávamos que ele é uma pessoa honesta com atitude no lugar, mas hoje está a mostrar o seu comportamento demoníaco”.

Aquele membro da Renamo, antevê um processo eleitoral conturbado e de vergonha. “O destino de um país é graças a estas eleições, se estas eleições são realizadas com certa irregularidade, significa que estes senhores estão a conduzir o país para um destino errado e esse tipo de acto não fica bem”, concluiu a nossa fonte. (Hermínio Raja)

Cidadãos de origem indiana detidos em Nampula por posse ilegal de arma de fogo

Nampula (IKWELI) – Dois indivíduos, com a idade compreendida entre os 17 e 19 anos, estão detidos nas celas da 2ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (P.R.M), na cidade de Nampula, indiciados de porte ilegal de arma de fogo do tipo pistola e roubo agravado na via pública, naquela circunscrição geográfica.

Com recurso a este instrumento novo, os indivíduos ensaiaram um assalto no último Sábado no posto administrativo de Muhala, concretamente na zona de Expansão, que resultou no roubo de um telemóvel. Todavia, por suspeitas de que se tratava de um bem de somas avultadas ao considerar a qualidade, segundo a polícia, os supostos assaltantes devolveram o bem roubado à respectiva vítima que, ameaçada, denunciou a polícia.

Os indivíduos sustentam que a pistola de marca Blow P29, de calibre 9mm é produto importado da África do Sul e a P.R.M entende que é ilegal o porte do instrumento pelos indivíduos no território nacional, razão pela qual, para além de roubo agravado ao assaltarem o cidadão na via pública, os indivíduos vão responder pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

“Este é um acto reprovável, contrário a lei, daí que mediante os dispositivos legais que norteiam o nosso ordenamento jurídico decidimos instaurar um processo-crime que, de seguida, será encaminhado às outras instituições de administração da justiça para que seja legalizada a prisão e posteriormente serem julgados e condenados pelo facto cometido”, disse o porta-voz da P.R.M, Zacarias Nacute.

No entanto, diante da Imprensa, os indiciados limitam-se em afirmar que agiram por emoção ao portar a arma e de seguida protagonizarem um assalto na via pública. Aliás, “todo o Homem aprende com seus próprios erros e a emoção nos leva a causar grandes problemas”, referiu o adolescente de 17 anos de idade, das poucas vezes que decidiu falar aos microfones de jornalistas.

Informações colhidas pelo Ikweli indicam que para além da pistola, 47 munições foram recuperadas na posse dos indivíduos, num universo de 50 que compõem a caixa, o que significa que três foram usadas. (Esmeraldo Boquisse)