Por falta de dinheiro de “refresco”: 800 Famílias vivem sem energia no bairro de Murrapaniua

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Nampula (IKWELI) – Apesar de contar com postes de rede elétrica no bairro, mais de 800 famílias vivem sem energia em Murrapaniua, unidade comunal Terrene B, na cidade de Nampula, região Norte do País, alegadamente por falta de dinheiro de “refresco”, para agilizar o processo de ligação por parte dos técnicos da Eletricidade de Moçambique (EDM).

Por isso, através de um grito, os moradores pedem ajuda. Segundo contam, o Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou que o acesso a energia em Moçambique é gratuito e não percebem os motivos de serem cobrados valores que variam de 500,00Mt (quinhentos meticais) a 1.000,00Mt (mil meticais) para que tenham corrente nas suas residências.

Jeremias Xavier, morador daquela unidade comunal, disse ao Ikweli que o técnico da EDM tem cobrado “Makha”, que significa sal em língua local, para proceder com o processo de ligação de energia.

“Nós estamos mal, já esperamos muito tempo, outro dia apareceram e perguntaram se já tínhamos refresco para poderem ligar energia e falam de 500 ou 1000 meticais e esse dinheiro não temos. Nós queremos energia para todo bairro, muitas casas já têm instalação, mas não tem energia por causa disso de Makha. Estamos a pedir para virem ligar para todas casas”, comenta.

Constâncio Custódio, morador no bairro há dois anos, fez a instalação na sua residência há três meses e aguarda ansiosamente pela ligação da corrente eléctrica, contundo, acredita que não será fácil por conta das cobranças ilícitas.

Custódio revelou que tal situação acontece porque o chefe do quarteirão nada faz para apoia-los, tendo em conta que o mesmo, vezes sem conta, refere que “vocês devem tirar makha para terem energia. E não percebo porquê, uma vez que o mesmo falou que essa energia é para distribuir mahala, agora é para tirar dinheiro de refresco, como assim? Nesse bairro só tem energia quem tirou esse dinheiro e nós estamos a ficar sem energia”.

A fonte pede a quem de direito para acabar com esse acto de cobranças, pois entende que todos são filhos do mesmo pai. “Esses senhores que mandam, deviam orientar os seus técnicos a não pedir dinheiro, porque somos pobres, a maioria para comer não é fácil, esse assunto de dinheiro não temos, por isso que não temos energia”.

Quem também não está satisfeita com a situação é Bilónia Virgílio, que na altura da montagem dos postes ficou feliz por acreditar que o sofrimento de viver na escuridão estava prestes a terminar, no entanto “não sei porquê fazem isso, uns tem energia e outros não, mas vieram deixar aqui esses postes, minha casa já está complemente instalada, mas disseram vocês que não tem dinheiro vão ficar assim”, lamentou.

Entretanto, o Chefe do quarteirão da unidade comunal Terrene B, em Murrapaniua, Osvaldo Jorge, que por sinal já tem corrente eléctrica na sua residência, refutou as acusações dos moradores e disse que não existem cobranças para ligação de energia “isso não constitui verdade, sô tiramos dinheiro para agradecer pelo trabalho, mas isso não é obrigatório”.

Jorge disse ao Ikweli que o bairro conta com mais de 800 famílias, no entanto, “desse número os que beneficiaram de energia nem 50 chegam e ate então não sabemos os motivos, sempre conversamos com as estruturas da EDM, mas nada dizem, apenas dizem que temos que aguardar porque já montaram os postes e Pts, o que devemos fazer é aguardar, mas emoção da população é tanta”, afirmou.

Importa lembrar que a 29 de maio, o Mundo celebra o dia da Energia. E Moçambique conta com um projecto intitulado Energia para Todos, um programa presidencial, lançado em 2018, que tem em vista a ligação gratuita para todos clientes domésticos. O mesmo prevê que todos tenham acesso a energia até 2030. (Ângela da Fonseca)

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