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Estamos em Junho: Nem cabeças-de-lista e nem nada

Nampula (IKWELI) – A 11 de Outubro próximo Moçambique realiza as 6ªs autárquicas, diferentemente dos outros anos eleitorais anteriores, a corrida parece pouco publicitária sobre quem, nos próximos cinco anos, é proposto a dirigir os territórios municipais.

Praticamente, resta, apenas, mais um trimestre para a campanha eleitoral, mas os partidos políticos ainda não se pronunciam sobre quem serão os seus cabeças-de-lista para o escrutínio, alias, nem se quer os candidatos para tal posição são conhecidos.

Na província de Nampula, maior círculo eleitoral, nas 8 autarquias (Malema, Ribáuè, Nampula, Angoche, Monapo, Ilha de Moçambique, Mossuril e Nacala) espera-se uma luta renhida. A Frelimo quer retirar do poder a Renamo nos municípios que actualmente dirige (Malema, Nampula, Angoche, Ilha de Moçambique e Nacala) e por sua vez, a Renamo quer juntar as de Ribáuè e Monapo a sua lista de direcção.

Igualmente, outros actores políticos estão a juntar energias para, nessa corrida, também, ficarem com algumas autarquias. Nisso conta-se o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), A Nova Democracia (ND) e a Acção do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI). O Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), da Filomena Mutoropa, pouco se fala.

Estranhamente, nenhuma dessas forças já começou a publicitar quem, de facto, poderá se tornar no próximo autarca nessas 8 circunscrições, mas os seus dirigentes têm se desdobrado nesses círculos eleitorais.

O partido Frelimo é que mais tem se evidenciado, tendo o seu chefe da brigada central de assistência à província, Celso Correia, promovendo aproximação com os eleitores de Namicopo, maior círculo eleitoral do município da cidade de Nampula, e o seu Secretário-geral, Roque Silva, destacando-se na aproximação com o eleitoral de Ínguri, na autarquia de Angoche.

Manuel Rodrigues, primeiro governador eleito de Nampula, também, tem se desdobrado em Namicopo, onde com recurso a língua local promove diálogo com os moradores locais.

Da Renamo pouco se fala, senão os seus actuais edis que tem se evidenciado na inauguração de infra-estruturas públicas ou então o lançamento de primeira pedra de obras nos municípios que dirige.

No município de Nacala está claro que não haverá continuidade. Tanto dentro, assim como fora, ninguém “quer saber” de Raul Novinte, tudo indica que o reverendo defraudou a tudo e a todos.

Malema é uma das autarquias que experimentou várias greves no mandato que este ano termina, e há algum desespero por parte da perdiz, mas não se fala disso publicamente.

Enquanto isso, os eleitores não escondem a sua curiosidade para melhor saberem se decidir sobre com que contar para o desenvolvimento das suas autarquias.

“Parece que este ano está difícil para todos os partidos. Por essas alturas já devíamos conhecer os cabeças-de-lista”, comenta o cidadão António Paulo, residente na vila de Malema, cuja opinião é secundada por Virgílio Mateus, de Ribáuè.

“Aqui na cidade de Nampula parece que a Renamo vai manter o Vahanle, mas a Frelimo não está a falar nada. Isso nos preocupa. Os outros partidos que nos interessam pouco, mas o MDM podia, também, apontar os seus candidatos”, comenta Zubeda Gil, residente da cidade de Nampula.

Da cidade de Nacala, a conhecida Zona Económica Especial, a preocupação é a mesma. “Sabemos que a Renamo não vai cometer o erro de recandidatar o Novinte”, comenta Zubair Moti, que prossegue afirmando que “essa estratégia dos partidos anunciarem tardiamente os seus candidatos pode não ser muito bom, porque podem trazer pessoas anonimas ou que não são gostadas, o que lhes vai complicar”.

Na Ilha de Moçambique, por exemplo, há um misto de preocupação, uns felizes por entender que o actual autarca não virá a ser cabeça-de-lista da perdiz, mas outros querendo-o renovado. (Redação)

Mossuril a braços com a erosão costeira

Mossuril (IKWELI) – O fenómeno da erosão costeira no distrito de Mossuril, na província de Nampula, constitui uma ameaça para o meio ambiente, incluindo infra-estruturas públicas e privadas.

Segundo apurou o Ikweli, os postos administrativos de Chocas Mar, Matibane e Lunga são os mais afectados, incluindo a vila sede, onde as instalações do Governo do distrito, também, estão em risco de serem engolidas pelas águas do mar.

A igreja da paróquia da Nossa Senhora da Conceição, localizada no bairro de Namiripe, no posto administrativo de Chocas Mar está, também, em perigo, e caso medidas não sejam tomadas para reverter o cenário a mesma poderá desabar.

Larison Mulipiha, residente de Namiripe, diz que “vivo neste bairro desde 2009 e antigamente havia um murro de vedação que protegia as nossas casas da erosão provocada pela água do mar”, mas a “chegada das tempestades trouxe grande preocupação e deixou as nossas casas em risco”, tanto é que “gostaríamos que o nosso governo pudesse trazer meios para minimizar o problema que vivemos”.

“Estamos cientes do perigo e nos sentimos ameaçados com isso. Os nossos filhos quando vão brincar correm o risco de caírem nas covas provocadas pela erosão, apesar de proibi-los a brincar fora do quintal da casa”, narra Rosa Viagem, também, residente de Namiripe.

O padre Cabral Gustavo, da paroquia Nossa Senhora da Conceição de Mossuril, não esconde a sua preocupação e diz que a erosão é uma preocupação que está acima das capacidades da paróquia, por isso pede apoio a todos para que os patrimónios ali existentes sejam protegidos.

“Com a vinda do ciclone tropical Kennedy e Gombe, piorou a situação de erosão e o próprio teto da igreja precisou de uma reabilitação e fez se algum trabalho”, começa por explicar o clérigo, prosseguindo que “a erosão está acima da nossa capacidade e estamos muitos preocupados e batemos algumas portas para conseguir ultrapassar ou impedir a situação e até então não temos a solução. Acreditamos que o governo tenha conhecimento da erosão e sem dúvidas a igreja pode se destruir”.

Esta fonte religiosa entende que o governo está apático perante a situação, e que “a outra igreja que é a da Cabeceira Grande, que pertence o património do Estado, também está em risco e nós como igreja não sabemos se podemos avançar ou esperar a eles. No total são duas igrejas em risco de destruição”.

Entretanto, o chefe da repartição de Gestão Ambiental nos Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas de Mossuril, Abdul Jamal, refere que uma das principais causas da progressão da erosão é a invasão do mangal pela população.

Esta fonte governamental anota que o tem promovidos acções de sensibilização para que a população pressione pouco o uso dos mangais, porque uma intervenção técnica e mais robustas será onerosa e que o governo local não dispõe de fundos para o efeito.

“A construção de salinas foi abatendo o mangal”, esclarece o nosso entrevistado, que associa, também, o abate de mangal para fins de construção de habitação.

“Temos uma igreja muito emblemática para Moçambique, ela está, na verdade, no canal marítimo e foi construída com engenharia da era do colono. É uma infraestrutura com grande problema, isso acontece numa altura em que houve abate de muitos mangais”, concluiu Abdul Jamal. (Nelsa Momade)

Nampula e Lichinga já podem produzir próteses localmente

Nampula (IKWELI) – Nove técnicos dos serviços de medicina física e reabilitação das províncias de Nampula e Lichinga, no norte do país, beneficiaram de uma formação que teve a duração de quatro dias (05 a 09), do mês em curso, sobre novas técnicas de fabrico de próteses e montagem de cadeiras de rodas para pessoas com deficiência.

Trata-se de cinco profissionais de saúde do Hospital Central de Nampula (HCN) e quatro do Hospital Provincial de Lichinga, no Niassa, que na passada sexta-feira (09), receberam o certificado de participação por terem sido formados em matéria de fabrico de próteses, uma actividade que contou com a iniciativa e apoio da SwissABILITY, uma organização suíça sem fins lucrativos que visa criar uma colaboração entre parceiros locais, doadores e voluntários para provocar uma mudança na vida das pessoas mais vulneráveis e das suas comunidades através da reabilitação física, da formação e da criação de meios de autossustentação.

Alves Domingos, responsável dos serviços de Ortopedia no HCN, sente-se satisfeito por ter feito a formação, justificando ser uma inovação que os técnicos precisavam para dar vazão aos diversos desafios do sector.

“Estou feliz e continuo a reiterar que vamos continuar com as actividades de acordo com o fornecimento do material, porque aquilo que é os recursos humanos em termos de tecnologia já estamos habilitados”, disse.

Apesar de já estarem habilitados, Alves Domingos disse que apesar da capacitação, o sector carece de material próprio para a fabricação das próteses, o que de alguma forma poderá comprometer na qualidade dos produtos que serão produzidos.

“O problema não vem só do material, porque podemos até ter o material e não ter a maquinaria para usar e isso faz parte das nossas dificuldades. O equipamento instalado é muito antigo, dos anos 90, é obsoleto e tem várias paragens e em algum momento pode comprometer o nosso trabalho”, explicou.

Por sua vez, Elizabete Cumaio, do Hospital Provincial de Lichinga, afirmou igualmente que a questão do material para a fabricação das próteses continua um desafio, o que constitui um calcanhar de Aquiles.

“Nós não temos matéria, muito menos este que é de nova tecnologia, então estou feliz pela formação, mas de mãos atadas porque os doentes continuarão a ser transferidos para Nampula ou até mesmo Maputo para poder ter uma prótese, ou então se poder ter o material nós podemos fabricar, porque já estamos prontos”, afirmou.

Por outro lado, o Director do HCN, Cachimo Molina, disse que a parceria com a SwissABILITY vai ajudar na produção de próteses para apoiar as pessoas que têm dificuldade de se locomover.

“Com às técnicas que foram ensinadas hoje já será possível fazer a produção dentro da nossa unidade sanitária, deste que tenhamos o material e esse é o desafio que vamos ter. Conseguimos ver de antemão que com as técnicas é possível dentro de três horas produzir uma prótese e entregar a um deficiente que chegue na nossa unidade sanitária e assim penso que por dia será possível atender quatro a cinco pessoas com essa condição. O que temos que fazer, em conjunto, é lutar para que tenhamos o material”, disse Molina.

Segundo Molina, o número de pacientes que dão entrada no HCN por acidente de viação aumentou, revelando que por dia o hospital recebe mais de 50 pessoas vítimas de acidente que culminam com amputação de um membro.

“Principalmente nos finais de semana e muitos deles acabam ficando no leito hospitalar, principalmente nos serviços de cirurgia e ortopedia e quando saem desse local carregam sequelas que tem como resultado a amputação da perna. Queremos incentivar aos nossos parceiros a continuar com o apoio”, anotou o dirigente”.

Na ocasião, um total de 10 pacientes do HCN, entre crianças e adultos, tiveram o privilégio de receber próteses de alto rendimento oferecidos pela SwissABILITY.

Djindji Djano é um menino de 11 anos que sofreu um trágico acidente na via pública, que mudou a sua vida por completo. Ele conta que foi atropelado e, na altura tinha 7 anos de idade.

Djano explicou ao Ikweli que a prótese irá ajudar muito na sua locomoção. “Esta prótese é simples e não pesa, com esta sinto que vou poder correr não como antes quando tinha as pernas, mas vai me ajudar”.

Por sua vez, o Director Executivo da SwissABILITY, Roberto Agosta, explicou que os técnicos já tinham sido formados na área, sendo que neste momento, a capacitação tinha em vista dota-los de novas ferramentas tecnológicas de nível superior.

“Eles têm formação, o único problema é a falta de material, tivemos que trazer gesso de Maputo porque aqui não tinha para fazer os próprios moldes dassas próteses, por isso, há necessidade de dar uma continuação porque existem técnicas que devem ser implementadas”.

Durante o encontro foram entregues ainda 20 carrinhas de roda a crianças de Maratane, Corane e Namialo, respectivamente. (Ângela da Fonseca)

Em defesa da sua esposa: Agente da PRM espanca vizinha e perde AK7 em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um agente da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) perdeu a sua arma de fogo do tipo AK47, em pleno conflito com a sua vizinha na unidade comunal de Piloto, bairro de Mutauanha, nos arredores da cidade de Nampula. O instrumento de trabalho do agente foi depois recolhido por um menor de 15 anos de idade e entregue ao posto policial da FAINA, área de tutela da 1ª Esquerda da polícia.

O acto ocorreu na tarde deste domingo (11), na zona residencial em referência onde, segundo testemunhas, o agente da polícia agiu em defesa da sua esposa, que de forma recorrente tem sido vítima de ofensas pelos vizinhos, sobretudo mulheres, supostas alegações que acontecem na ausência do membro da Polícia de Protecção.

Informações colhidas pelo Ikweli indicam que quando o agente da polícia regressou do trabalho, a sua esposa o informou que discutiu com a vizinha por questões de fofocas entre mulheres do bairro. E para resolver o problema, o marido foi em busca da vizinha que a encontrou numa sentada e partiu para actos de pancadaria.

Em consequência desta agressão, a vítima contraiu ferimentos e inchaço no rosto. O agente arrastou a vítima até a sua residência e porque houve intervenção de vizinhos para amainar os ânimos, o agente trouxe a arma de fogo tendo disparado mais de cinco munições na posição horizontal, tal como conta a filha da cidadã espancada pelo polícia.

“Quando aquele senhor encontrou minha mãe começou a espancar, porradas e socos no rosto e arrastou ela do sítio onde estava com as amigas para aqui em casa. Ao chegar aqui, e quando nós os filhos intervimos, o polícia foi buscar arma grande e começou a disparar. Nessa altura minha mãe estava a sangrar e, durante a luta, o polícia deixou cair a arma e meu irmão apanhou e foi entregar no posto da FAINA”, contou Fânia Lino, filha da vizinha espancada.

No local, tomamos conhecimento que o menino de apenas 15 anos apanhou a arma e levou ao posto da polícia com ajuda de um vizinho do bairro, fazendo-se transportar numa motorizada.

Igualmente, não é a primeira vez que o indiciado cria pânico no bairro e agride vizinhos, sobretudo mulheres. Recentemente espancou uma vizinha, também, sob alegação de estar a criar fofocas contra a sua esposa, por isso os moradores do bairro ressentem-se do comportamento do indiciado que age sob olhar impávido das autoridades.

Aliás, a respectiva esposa do indiciado e que se queixa de ofensas pelas vizinhas assume funções de chefia no bairro. Portanto, o membro da corporação para além de garantir ordem e tranquilidade públicas na zona, ameaça os seus vizinhos alegadamente porque goza de imunidade pelas influências que tem na P.R.M.

“Quando aquele senhor encontrou-me, a sua esposa disse, apontando-me, que eu era a pessoa que estava a procura. Daí começou a me bater brutalmente”, disse desesperada Paula José, a mulher espancada e que pede pela justiça para a reposição da sua integridade.

Sobre o assunto, contactámos o porta-voz do comando provincial da P.R.M, Zacarias Nacute, que disse não ser do seu conhecimento o caso. Contudo, garantiu averiguar os contornos. Ademais, após o sucedido e perceber que sua arma foi levada ao posto da FAINA, o agente da polícia indiciado de agressão física a sua vizinha foi se apresentar no posto, onde ficou detido. (Esmeraldo Boquisse)

Mercado Matadouro: Centro comercial promissor transformado em ruína

Nampula (IKWELI) – A imundície e a destruição tomam conta de um dos mais antigos e mercado de referência da cidade de Nampula, 25 de Junho, vulgo Matadouro, situado no bairro de Muatala, posto administrativo que leva o mesmo nome. O cenário torna o mercado em uma ruína e deixa os utentes sem alternativas para o seu melhoramento.

É característica actual a existência de barracas abandonadas, lixo no interior e vê-se, também, excrementos humanos, o que representa atentado à saúde pública. Associado ao fraco saneamento, o mercado está desprovido de sanitários, pois as casas de banho existentes não oferecem condições para o uso humano.

Reza a história que o mercado leva o nome de Matadouro por se situar junto a um matadouro de gado, actualmente transferido para o bairro de Marrere, posto administrativo de Natikiri, arredores da urbe. Já a 25 de Junho de 2000, de acordo com o chefe do mercado, Tomás Alberto, foi elevado e legitimado pelo governo municipal como mercado 25 de Junho até os dias de hoje.

Como um dos mais antigos da cidade, o mercado dispõe de espaço suficiente para a prática de comércio. No entanto, grande parte não é explorada, ao que serve, desta de feita, de local fértil para assaltos e violação de mulheres, menores de idade, para uns e lixeira, para os outros, na sua maioria residentes nas proximidades. Ademais, o mercado serve de local de descanso para os sem-abrigo de todas as idades, que de dia circulam pela cidade.

Em Matadouro vende-se um pouco de tudo, a destacar vestuários, bebidas alcoólicas, frutas, hortícolas e outros produtos de primeira necessidade. Igualmente, se pode adquirir material de construção e utensílios domésticos, daí a sua importância para os utentes provenientes de diferentes bairros da cidade.

O chefe do mercado disse que a degradação e o abandono resultam da movimentação de comerciantes que exerciam as suas actividades no mercado dos Bombeiros para o Matadouro. Mas porque não houve pressão da sua retirada nos Bombeiros, estes abandonaram os edifícios construídos no interior do Matadouro, tornando-os assim em ruínas.

“É complicado trabalhar neste mercado. De princípio o mercado não estava assim degradado, mas a partir do ano de 2013 houve intenção de mover os vendedores do mercado dos Bombeiros na sua maioria estrangeiros para este mercado, daí construíram barracas que já não estão em uso”, disse em entrevista Tomás Alberto.

Falta segurança e espaço para os vendedores

Igualmente, os vendedores queixam-se da escassez de espaço para o exercício das suas actividades, enquanto grande parte está em desuso, tal como revelou a vendedeira Carolina Aníbal e o Ikweli observou. Por conta disso, alguns vendedores ocupam os corredores para expor os seus produtos ao cliente e obstruem os passeios do mercado.

Os vendedores descrevem o quão é difícil encontrar espaço, sobretudo nos pontos de maior circulação de clientes, motivo pelo qual alguns exercem as suas actividades à moda ambulante, na sua maioria os que possuem pouca mercadoria e de fácil movimentação.

O centro comercial de Matadouro está vedado e tem seis pontos de entrada e saída, mas sem portões para interditar o acesso nocturno. No entanto, os vendedores relatam situações de agressões e violação sexual nas noites, actos protagonizados por desconhecidos.

Aliás, o marcado tem um posto policial instalado no interior há mais de cinco anos. Todavia, segundo contam os utentes, não é inteira responsabilidade da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) no local garantir a segurança exclusiva do mercado, uma vez que o posto vela pela ordem e tranquilidade públicas no bairro de Muatala, em geral.

Por esta razão, “a polícia não vela pela segurança aqui do mercado e não cabe a esta controlar se os armazéns estão ou não fechados. Tanto é que quando ocorrem furtos nos armazéns não se responsabilizam”, disse Eugénio Pereira, armazenista que aponta a falta de iluminação no interior como um dos factores que propicia a desordem no período nocturno.

No contexto de segurança, o Ikweli soube pelas autoridades comunitárias do mercado que no ano passado, pelo menos, três corpos foram achados, dos quais um em processo de decomposição numa das lixeiras do mercado, por sinal no interior de um edifício abandonado. Daí que exigem da edilidade de Nampula, o melhoramento do mercado que aos poucos vai se transformando em ruína e esconderijo para os mal-intencionados.

E o plano de requalificar…?

Preocupados com o rumo que o 25 de Junho está a tomar há pelo menos uma década, os vendedores organizaram-se e submeteram uma carta de pedido de requalificação do mercado à edilidade, bem como a obrigação de os proprietários fazerem uso das suas barracas abandonas, pedido que foi anuído pelo executivo municipal chefiado pelo edil Paulo Vahanle. Contudo, passam anos e nada é feito.

Recorde-se que durante a COVID-19, isto é, em 2020, período pico da pandemia, o responsável do pelouro de Promoção Económica e Gestão de Mercados e Feiras na autarquia de Nampula, Osvaldo Momade prometeu a requalificação de três centros comerciais de maior fluxo na cidade, a saber, mercado do Peixe, nos Belenenses, Waresta e mercado dos Bombeiros ao que, foi excluído o do Matadouro.

“O município prometeu melhorar este mercado. Passam anos e o mandato vai ao fim, mas nada está feito. Convivemos com lixo, casas de banho imundas de sujidade, barracas abandonadas que apenas acolhem malfeitores e os vizinhos do mercado tornam-nas em lugares de depósito de lixo de todas as variedades. Isto virou uma ruína e sempre vai continuar se não haver autoridade para gerir a situação”, lamentou Laura Jacinto, vendedeira de comida confeccionada.

No mesmo diapasão de promessas, em Outubro de 2021, no decurso da sessão ordinária da Assembleia Municipal, o edil Paulo Vahanle concentrou os membros dos partidos com assento no órgão, onde anunciou o plano de requalificação do mercado em referência, dada a sua importância e as condições precárias que actualmente oferece.

Para efeito, uma equipa indicada pela edilidade sensibilizou aos vendedores ambulantes e os que ocupam os passeios das ruas e avenidas da urbe, a fim de se fazerem ao 25 de Junho para exercer as suas actividades, sob pena de verem confiscados os seus produtos, alegadamente porque havia espaço que não estava a ser aproveitado. Contudo, de todas as pretensões do Conselho Autárquico nenhuma deu efeito, pelo menos até o fecho desta edição e os utentes do centro comercial 25 de Junho continua desprovidos de condições para o exercício das suas actividades. (Esmeraldo Boquisse)

Namialo: Meninas deslocadas ressentem-se da falta material de higiene

Nampula (IKWELI) – Mulheres deslocadas, em particular meninas, que se encontram acolhidas na sede do posto administrativo de Namialo, no distrito de Meconta na província de Nampula, queixam-se da falta de material de higiene para cuidar do seu corpo, sobretudo durante o período menstrual.

Bebe Assane, de 22 anos de idade, disse que enfrenta enormes dificuldades para obter penso higiénico durante o período menstrual, devido a dificuldades financeiras para adquirir no mercado informal local. Para não ficar só, Bebe contou que recorre à panos de capulana para controlar o seu ciclo menstrual.

“Recorro à método tradicional para me higienizar, neste caso, à panos de capulana”, disse, ao mesmo tempo estendendo pedido de inclusão no Kit de apoio fornecido às famílias deslocadas. “Pedimos que no apoio incluam lá o Kit de higiene”, implorou, lembrando que “desde que as famílias de Namialo começaram a receber apoio alimentar, apenas uma vez foi incluso material de higiene”.

Egnela Crisanto, de 21 anos de idade, deslocada de Muambula, distrito de Muidumbe, disse que enfrenta muitas dificuldades para ter penso higiénico, uma vez que não tem qualquer actividade de rendimento para sustentar pequenas despesas. Para se higienizar, muitas das vezes, Egnela conta com apoio da mãe, que também é deslocada, mas tem sido obrigada a recorrer métodos tradicionais quando a mãe não consegue.

Maria Nantanane, 25 anos de idade, também do distrito de Muidumbe, contou que não tem sido fácil manter a sua higiene como mulher, para ela, além de faltar penso, também falta omo, sabão. Para piorar a situação da Maria, tem um filho menor de um ano de idade, cujo pai não assume a criança. “Sobre material de higiene, só recebi uma vez em 2022, foi penso, sabão, balde e já acabou e neste momento não temos como, usamos capulanas durante todo período de menstruação, mas essas coisas não lavo bem, devido a falta de Omo ou sabão”. (Redação)

Nampula: Há ainda cidadãos que aguardam pela impressão dos seus cartões de eleitor

Nampula (IKWELI) – O recenseamento eleitoral, em vista as sextas eleições autárquicas, terminou no último sábado (3), na autarquia de Nampula há ainda cidadãos que ainda não os seus cartões de eleitores, alegadamente, porque espera pela impressão dos mesmos.

Este cenário é, bastante, observável no posto administrativo de Napipine, onde com efeito, estes cidadãos têm vindo a pressionar fiscais provenientes de partidos políticos que estavam a trabalhar no processo.

No posto de recenseamento da EPC de Napipine, por exemplo, onde Ikweli visitou, constatou enchentes de pessoas que ainda aguardam a emissão dos seus cartões de eleitor, após serem recenseados há semanas, o que lhes coloca numa situação de falta de esperança.

“Não temos nenhuma informação sólida sobre o dia que teremos os nossos cartões em mão, porque até então ninguém diz nada, e estamos muito interessados com esses cartões, porque é a única arma que temos para decidir os destinos do município da cidade de Nampula nos próximos cinco anos”, comentam as nossas fontes.

Momade Brito, um dos fiscais que estava afecto no posto de recenseamento da EPC de Napipine, disse que a informação que ele tinha era de que no domingo (4) e segunda-feira (5), seria reservado para a actualização dos dados, e a correção dos cartões, mas ficou preocupado quando sentou muito tempo aguardar e nenhuma brigada chegou no local, para materializar as actividade programadas ou dizer algo diferente sobre o combinado.

Alias, o nosso entrevistado diz não ver indício de que hoje [segunda-feira, 5 de junho] vão aparecer os brigadistas naquele posto de recenseamento, no sentido de concertarem alguns aspectos e imprimirem os cartões dos eleitores que ainda não levantaram. “Estão aqui muitos eleitores que se recensearam e ainda não levaram os seus cartões, e estão a me complicar, porque eles mi apontam como sendo um dos envolvidos no processo, e eu não posso negar porque estava lá no procedimento como fiscal, mas o que está a se passar é de que os brigadistas até então não estão a chegar para, pelo menos, dar alguns esclarecimentos e dizer o dia que vão estar prontos os cartões para eu ficar livre e a vontade”, disse avançou Momade Brito.

Num outro desenvolvimento, a fonte fez saber que o último dia do processo de recenseamento eleitoral foi muito complicado e constrangedor, porque “até muita agente queria se recensear e não consegui-o, porque o supervisor que estava no local recolheu os documentos de pessoas duvidosas que culminou com uma confusão dos eleitores que queriam invadir o processo”.

“Depois de o supervisor notar muita agitação devolveu os bilhetes da proveniência duvidosa, porque geraram muita confusão, o que poderia semear luto naquele local, porque criaram perturbação no processo, sem falar da corrente elétrica que, também, no seu apagão influenciou negativamente no avanço do processo eleitoral tendo em conta que era último dia”, anotou. (Malito João)

Nampula: EDM diz que interrompeu fornecimento de energia eléctrica na última noite do recenseamento eleitoral porque está a melhorar a sua Substação

Nampula (IKWELI) – O processo de recenseamento eleitoral para as 6ª eleições autárquicas encerrou com o corte quase total de energia eléctrica, que interrompeu o registo de cidadãos que se fizeram aos postos instalados nas autarquias do maior círculo eleitoral do país, Nampula, na noite do dia 03 de Junho. Em causa está o projecto de melhoramento da Subestação da Electricidade de Moçambique (EDM), naquela cidade.

De acordo com Júlio Chipuazo, administrador da Área de Geração, Transporte e Operação do Sistema na EDM, empresa fornecedora da energia eléctrica de rede nacional, o melhoramento da Subestação, localizada no bairro de Mutauanha, posto administrativo urbano de Muatala, consiste na substituição de alguns equipamentos que impulsionam a potência, dentre os quais, os disjuntores, entre outros.

O corte no fornecimento da corrente eléctrica foi registado na noite do dia 03 de Junho em curso, data prevista para o fim do recenseamento eleitoral que arrancou a 20 de Abril, mas que, devido a maior afluência, entre outras razões, os órgãos de gestão e administração eleitoral decidiram prorrogar o horário de funcionamento dos postos das 17:00 horas às 23:59 minutos do mesmo dia. Todavia, a prorrogação não teve efeitos significativos, uma vez que grande parte da cidade de Nampula registou apagão ao que interrompeu o processo nos bairros da autarquia.

“O que aconteceu a noite [dia 03 de Junho] foi decorrente de um projecto do melhoramento da Subestação que consiste na substituição de equipamentos de potência. Então, tivemos um problema numa das réguas que transporta os sinais, o que fez com que abrisse o disjuntor que chega aqui [na subestação] saindo de Alto Molocué, fazendo com que perdêssemos a carga”, respondeu Júlio Chipuazo, quando questionado sobre as causas do apagão em referência.

O administrador da Área de Geração, Transporte e Operação do Sistema referiu que na Subestação de Nampula existe um equipamento que está no parque e, no controlo do edifício, existe uma cablagem e uma espécie de consola onde os sinais chegam a partir de Alto Molócuè, na província central da Zambézia. Aliás, “como a maior carga esta concentrada aqui, quando se perde a carga é uma supertensão que se propaga ao longo da linha para atrás. Mas a equipa da EDM foi de imediato alocada para analisar a questão”, justificou.

Na onda de cortes frequentes no fornecimento de energia, desde a segunda quinzena de Maio último e que se prolongaram até o dia 2 de Junho em curso, a EDM veio ao público, por meio de conferência de Imprensa, para reconhecer os problemas e esclarecer as causas. E para isso, aponta a sobrecarga do sistema devido ao maior consumo deste recurso na província de Nampula e região norte, em geral.

Os cortes repentinos e que, na generalidade, ocorriam no intervalo das 17:00 horas às 18:00 horas causaram danos aos clientes, que viram seus bens, concretamente os electrodomésticos, danificados no período em destaque. Contudo, garante-se a resolução do problema na sua totalidade, segundo o administrador da Área de Geração, Transporte e Operação do Sistema.

A fonte disse em entrevista que do dia 29 de Maio até o dia 02 de Junho a empresa registou quatro perturbações do sistema e, da análise feita, concluiu-se que as perturbações ocorrem devido ao perfil de carga que o país tem, sobretudo na região norte. É por esta razão que Chipuazo avançou sobre a necessidade do reforço da linha

“As perturbações têm acontecido entre as 17:00 horas às 18:30 minutos, isto porque o perfil de carga indica que essas horas são de ponta, em que é muito usada a energia, porque as pessoas estão em casa”, alegou Júlio Chipuazo para quem há necessidade se recorrer a uma fonte alternativa de fornecimento de energia na zona norte. (Esmeraldo Boquisse)

Lichinga: Jovem activista oferece lanche às crianças internadas no hospital provincial

Lichinga (IKWELI) – O Activista Social Tino Daniel ofereceu um lanche de confraternização a um total de 75 crianças internadas nos serviços de pediatria do Hospital Provincial de Lichinga, capital do Niassa, alusivo a passagem do dia 1 de junho.

Segundo Daniel, o gesto tem em vista proporcionar momentos de alegria aos petizes internados que não puderam estar com os amiguinhos a festejar a data e, com isso, transmitir o seu sentimento de amor e carinho para com as crianças.

“Começamos agora com a quinzena da criança e acho que o mais importante é cada um de nós dar o seu gás e contribuir com aquilo que pode ou que tem, para poder ver a nossa criança a crescer feliz”, disse, comentando que “as crianças não devem ser amparadas somente em dias de festa, mas em todos os momentos, por forma a garantir que elas cresçam sabendo que não estão sozinhas”.

Na ocasião, os pais dos meninos internados mostraram a sua satisfação com o gesto, pois sentiram-se acolhidos, justificando que mesmo estando em uma cama do hospital, os seus filhos não perderam o dia.

“Agradeço, fizeram bem, porque as crianças estavam tristes porque achavam que não iriam participar do 1 de junho e não vão cortar bolo, mas assim estou feliz”, disse Angelina Matos.

Este mês celebra-se a quinzena da criança, sob o lema “Por uma Sociedade Comprometida com a Protecção da Criança”. As festividades da efeméride decorrem até 16 de junho, Dia da Criança Africana, que este ano é celebrado sob o lema “por um ambiente digital seguro para a criança”.

Moçambique celebra as duas datas com o objectivo de consciencializar a sociedade sobre a necessidade de protecção da criança, a todos os níveis, sem descriminação. (Ângela da Fonseca)

AMUSI diz que posto de recenseamento eleitoral de Nahene 1 só encerra no próximo domingo

Nampula (IKWELI) – O posto de recenseamento eleitoral instalado na zona residencial de Nahene, no posto administrativo municipal de Namicopo, na cidade de Nampula, só poderá terminar com o processo de recenseamento eleitoral no domingo (4) devido a avaria constante do equipamento informático.

Informações em nossa posse dão conta que o posto de recenseamento de Nahene 1 ficou inoperacional durante um intervalo de duas semanas por conta da anomalia dos mobiles, uma situação que criou revolta no seio dos munícipes residentes naquela circunscrição geográfica. Só foi na passada quarta-feira (30 de Maio) que o problema foi solucionado.

Durante o período em que as máquinas não operavam, segundo apuramos, os cartões não eram impressos, fazendo com que mais de 1000 pessoas tivessem apenas seus dados lançados, mas sem o cartão físico.

Com maior número de populares que pretendiam exercer o seu direito cívico, agravado por aquela interrupção, até no penúltimo dia de recenseamento Nahene continuava a não imprimir os cartões, apenas lançava os dados no sistema, e que só no domingo é o dia reservado para a provável impressão e entrega dos cartões aos respectivos donos.

Esta informação foi partilhada pelo mandatário distrital de Nampula do partido Acção do Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI), Hermínio Sumaila.

Para além de Nahene 1, Hermínio Sumaila fez saber que existem outros postos de recenseamento onde as pessoas não são entregues os seus cartões, dando exemplo do posto de recenseamento de Nanuco, EPC de Mutomote, para além de Namicopo 2.

Face a isso, aliado a ainda maior procura pelo recenseamento, Hermínio Sumaila reiterou que o processo devia ter sido prorrogado para mais um período mínimo de 15 dias para conferir dignidade ao próprio acto.

“Não concordamos com os dados colhidos pelos órgãos de administração eleitoral ao nível do distrito de Nampula, em particular, e do pais em geral. Esta não aceitação significa para nós que os dados avançados no processo eleitoral não são reais”, disse esta sexta-feira (02) em conferencia de imprensa, Hermínio Sumaila, mandatário do partido AMUSI.

“Nós queremos sublinhar que existe uma preparação de uma fraude, não só daquelas que já existe arroladas pelo nosso partido em torno deste processo, mas que está lá um pouco mais omissa que é a questão de cartões de eleitor. Até então dos poucos que foram recensear a maior parte não recebeu o seu cartão de eleitor”, prosseguiu Sumaila

“Nós temos agora o caso de Nahene, ao nível da cidade de Nampula, mais de 1000 cartões não impressos com alegações de que as máquinas estão avariadas. Nós entramos em contracto com STAE ao nível distrital, sem sucesso. São vários pontos em que os cidadãos não foram entregues os seus cartões de eleitor, então isso para nós tem uma interpretação muito clara que é a tendência de quererem falsificar esses cartões de eleitores, uma acção que já estavam a fazer nas mesas, mas que depois de descoberta essa acção eles querem fazer na ausência dos donos dos cartões de eleitor, porque eles têm fácil acesso do cartão, através do código QR que o próprio cartão ostenta”, acredita a fonte. (Constantino Henriques)