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Nampula: mercado do peixe continua imundo

Nampula (IKWELI) – O mercado do Peixe, também conhecido por mercado dos Belenenses, na cidade de Nampula, continua com um ambiente de higiene e saneamento do meio deplorável, mesmo depois de ter acolhido a cerimónia de lançamento da campanha dos 13 dias de recolha massiva de resíduos sólidos levado a cabo pelo conselho autárquico local.

A campanha tinha como objectivo de remover os resíduos sólidos nos mercados e pontos onde a situação era tida como mais crítica, com o enfoque para o mercado do Waresta, Matadouro, Belenenses, entre outros.

Dias depois do fim da campanha a equipe do Ikweli voltou a visitar aquele mercado, constatámos que a situação é das piores, o lixo e as águas negras continuam a invadir o recinto do mercado, também assaltaram e se fixaram numa das entradas que dá acesso à entrada de viaturas, obrigado assim os utentes que vivem de outro lado do mercado a deixar suas viaturas enfrente daquele estabelecimento comercial.

De acordo com os vendedores, as razões daquele mercado estar assombrado pelos resíduos sólidos e as águas negras, é resultado da falta de valas de drenagens, assim como de contentores para o depósito do lixo, os mesmos apontam que à população mais próximo do mercado levam o lixo dos seus quintais e vem deitar naquela estrada.

“Nem todo lixo que o senhor está a ver aqui na estrada é produzido aqui no mercado”, disse Inês Francisco, vendedeira no mercado do peixe, apontando que “esta população vizinha do mercado, também, é culpada por essa situação. Tem um rio aqui perto, quando eles trazem o lixo dos seus quintais ao invés de deitarem naquele rio deixam aqui na estrada, e o resultado é esse que a gente está a ver, eu não estou a negar que a gente também deita lixo neste local, mas a maioria é a própria população vizinha do mercado que traz”.

Gustavo Larisom, vendedor de peixe salgado naquele mercado, acusa as autoridades municipais de não estarem a fazer nada no sentido de ultrapassar aquela situação de imundice naquele mercado.

Esta fonte entende que o mercado necessita de valas de drenagens para o escoamento das águas negras.

“Não basta só o conselho municipal lançar campanhas de remoção de lixo temporário, eles também devem ver quais são os problemas que o mercado tem, acredito eu se aqui tivesse local apropriado para deixar o lixo esse mercado não estaria nessa situação, também este mercado necessita de valas de drenagens”, concluiu a fonte. (Hermínio Raja)

Olívia de Oliveira: Um exemplo de superação de uma albina

Nampula (IKWELI) – Olívia de Oliveira é uma jovem estudante, de 20 anos de idade, com uma história de superação de realce, desde o preconceito, a separação de seus pais, assédio sexual e tentativa de rapto, tudo por ser uma pessoa com problemas de pigmentação de pele, vulgarmente conhecido como albino.

A triste história da jovem Olívia começa com a separação dos pais que não são albinos. No entanto, além dela, o irmão mais velho é igualmente uma pessoa com problemas de pigmentação de pele, contudo, a separação veio acontecer logo após o seu nascimento, isso porque a família do seu pai não quis aceitar mais uma neta com albinismo.

“Minha mãe primeiro teve um filho albino que teve aceitação com dificuldades, depois teve dois não albinos e quando teve a mim, meu pai se separou dela. E eu fiquei a saber que meu pai se separou dela quando eu nasci por ser a segunda filha albina e a família do meu pai não quis aceitar”, disse a jovem, que explicou ter superado graças ao amor que recebia de sua mãe e irmãos.

Em 2017, quando frequentava a 11ª classe, no ensino secundário, de Oliveira quase foi sequestrada, por um senhor que se apresentou como alguém que terá sido seu professor no ensino primário.

Mas o pior não aconteceu, porque no dia, a jovem tinha uma apresentação e, “eu deixei ele na biblioteca com o meu celular, confiei nele porque ele disse que foi meu professor e sabia tudo de mim, desde aonde eu vivia, a minha turma, o meu horário de entrada na escola, por isso que não desconfiei. Expliquei a ele que tinha uma defesa de Inglês”.

A nossa fonte disse que quando terminou a defesa foi a biblioteca para ir ter com o suposto professor, mas quando lá chegou, uma surpresa: “ele já não estava lá, havia levado o meu celular e esse foi o pior erro da vida dele, porque foi através do rastreio que conseguimos chegar até ele, junto da sua quadrilha, foi ai que eu descobri que se tratava de um bandido, não sei o que teria acontecido comigo se eu tivesse saído com ele”, afirmou a jovem  com a cabeça virada  para baixo.

Já no seu segundo ano de faculdade, na UniRovuma, Olívia foi vítima de assédio sexual, que era perpetrado por jovens que, a mesma não soube explicar se eram colegas de escola ou não, pois os abusos sempre aconteciam do lado exterior do recinto.

“No ano passado, já no segundo semestre um jovem chamou-me, isso na cantina da escola, para dizer que gostava de mim e que queria namorar comigo, mas eu recusei. Penso que isso foi o pior erro da minha vida, porque o jovem e os amigos já não me deixavam em paz, eu era perseguida todos os dias e me diziam: só porque és albina estás a te fazer, quem você pensa que é, verás o que vai te acontecer,encostavam-me na parede e me intimidavam, todos os dias”.

Durante a entrevista, a nossa fonte lembrou de um episódio que a fez parar de ir a faculdade, durante todo o semestre. “Eles vinham todos para cima de mim e diziam: Se fores a queixar vamos saber porque estarão a te acompanhar e no dia que estiveres sozinha vamos te pegar e fazer tudo que não conseguimos, eu acabei ficando em casa por medo e perdi o semestre”, lamentou.

Mas porque a mesma nunca se deixou levar, ergueu a cabeça e decidiu enfrentar a situação denunciando o caso a direção da universidade, “mesmo não sabendo se eram colegas da escola, fomos denunciar, isso depois de muito tempo, depois que eu perdi o semestre. A direcção decidiu mudar o meu turno, agora estou a estudar de noite, não estou mais no laboral e essas perseguições pararam.  Eles me encurralavam quando eu estudava no laboral. Essas perseguições só aconteciam comigo, porque no período em que eu estudava eu era a única albina da faculdade”.

De Oliveira é uma jovem albina que ostenta uma beleza natural, foi por isso que em 2021 conseguiu trabalho como modelo em uma das agências da cidade de Nampula. A menina viu uma oportunidade de mostrar que as pessoas com problemas de pigmentação de pele, também, podem ser modelos como os outros.

A sua beleza trouxe-lhe vários contratos com empresas de renome. Recentemente teve que cancelar uma sessão de fotos com uma das empresas de renome, tudo porque o empresário quis tê-la em sua cama, justificando que “queria sentir como é fazer sexo com uma mulher albina. Ele enviou-me essa mensagem e eu encaminhei para o director da agência onde eu trabalho que de imediato cancelou o contrato com ele e levou o caso as autoridades”.

Olívia de Oliveira é uma de muitas jovens albinas que vivem neste dilema, de ter que fugir de tudo e todos, tudo porque a sua pele tem falta de melanina e, é vista como fonte de riqueza para pessoas que acreditam em superstições. (Ângela da Fonseca)

Nos próximos dias: Bispo de Quelimane não quer políticos discursando nas suas igrejas

Quelimane (IKWELI) – Quando se está há cerca de três meses das próximas eleições autárquicas agendadas para 11 de Outubro, a Diocese de Quelimane, na Zambézia, uma província bastante activa na política moçambicana, avisa aos seus intervenientes para não permitirem discursos políticos em todas as igrejas católicas.

O “KO” aos políticos moçambicanos nas igrejas católicas durante o processo eleitoral foi expresso pela Diocese de Quelimane à 7 de Junho, através de um documento, já a circular nas redes sociais, com assinatura do Bispo de Quelimane, dom Hilário da Cruz Massingue, e o Secretário Diocesano para a Coordenação Pastoral, Padre Raciel de Lurdes Jaime Ualaque.

Trata-se de uma medida, segundo explicaram os dirigentes da igreja em Quelimane, que visa salvaguardar a neutralidade daquela que é uma das mais antigas formações religiosas no mundo.

“Por causa da aproximação do tempo de pré-campanha e campanha eleitoral e para salvaguardar a neutralidade da Igreja, servimo-nos desta para comunicar à todos os párocos da nossa diocese que ficam suspensas os discursos dos nossos irmãos políticos nos nossos púlpitos até à realização das eleições”, lê-se no documento que desde esta terça-feira circula nas redes sociais.

Entretanto, ainda não é conhecida qualquer reação política dos partidos que pretendem disputar as eleições nas autárquicas da província da Zambézia, as quais fazem parte da jurisdição de Diocese de Quelimane. (Redação)

Neto apela população de Nampula a aderir a vacinação contra pólio

Nampula (IKWELI) – O Secretário de Estado da província de Nampula, Jaime Neto, apela aos pais e encarregados de educação daquele ponto do país a aderir em massa a oitava ronda da campanha de vacinação contra a poliomielite, sob lema “criança vacinada, criança saudável”, que decorre em todo o território nacional até ao próximo domingo (18).

Trata-se de uma campanha que prevê vacinar cerca de 20 milhões de crianças dos 0 aos 15 anos de idade. Em Nampula, o distrito de Nacarôa, acolheu a cerimónia de lançamento que foi dirigida pelo Secretario de Estado que afirmou que durante o período de 2021 a 2022, a província notificou cinco casos de pólio nos distritos de Nampula, Meconta, Eráti e Rapale, respectivamente.

No seu discurso, Neto chamou atenção aos residentes daquele distrito, sobre os malefícios da doença na vida de uma criança. “Lembrem-se de que a pólio é uma doença altamente infecciosa causada por vírus que afectam as criancas com idade inferior a cinco anos, a acção deste vírus caracteriza-se pela invasão do sistema nervoso periférico, podendo causar a paralisia de um ou mais membros, então temos que vacinar para evitar que essa doença passe para nós, a vacina é necessária para que as nossas criancas não fiquem doentes”.

Jaime Neto disse que na província de Nampula, a oitava ronda da campanha de vacinação que será feita porta-a-porta, locais de maior aglomeração como mercado, escolas, bem como jardins, por forma a abranger mais de três mil criancas.

“Na província vão se beneficiar da intervenção, criancas menores de 15 anos o que corresponde a um universo de 3.950 mil crianças. Uma vacina será administrada oralmente e não amarga. Os vacinadores irão pintar o dedo da crincas só para certificar que todas criancas foram vacinadas e farão o registo da casa”, explicou.

Por sua vez, O chefe do departamento de Saúde Pública nos Serviços Provinciais, Geraldino Avalinho, disse que para a província de Nampula, foram destacadas 5.300 equipas que já se encontram nos 23 distritos.

“Até agora conseguimos alocar todos os recursos para que todos os distritos possam ter capacidade local para a cumprir com a campanha. Nós temos grupos de equipas constituídas por um vacinador, um registador e um mobilizador que estão a passar de casa em casa como também equipas que vão estar nas escolas uma vez que o nosso grupo alvo para esta fase não é só crincas dos 0 aos 5 anos”, disse.

Vale lembrar que a poliomielite é uma doença infecciosa sem cura que afecta crianças com menos de cinco anos e só pode ser prevenida com a vacina, por isso, que a vacinação é gratuita e para cobrir toda a população infantil, em todo o território foram destacadas 27 mil equipas. (Ângela da Fonseca)

Mulheres com albinismo pedem humanização de serviços durante o processo do parto

Nampula (IKWELI) – Mulheres com albinismo na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, queixam-se de preconceitos que tem sofrido na maternidade quando chega a hora do parto.

As mesmas, contaram ao Ikweli, que quando chega a hora de dar à luz, as parteiras reúnem-se para acompanhar o processo com uma parturiente albina.

Anabela, de nome fictício, é albina e mãe de três filhos não albinos. No entanto, contou a nossa equipa que por ela apresentar essa condição, o seu primeiro parto foi difícil e constrangedor, justificando que no hospital onde deu à luz as parteiras, assim como as acompanhantes de outras mulheres que estavam na maternidade, reuniram-se para assistir o parto dela, uma situação que a deixou desconfortável.

“Muitas parteiras ficaram curiosas para ver, eu não sei se elas não tinham experiência em fazer parto com a pessoa com albinismo e foi muito complicado, isso porque quando cheguei na maternidade não só as parteiras, mas também as acompanhantes de outras famílias, abarrotaram a sala, porque queriam ver se havia diferença entre a pessoa com albinismo e a que não tem esses problemas, para ver se a forma de nascer é igual ou não e se o bebé sairia albino. Para mim não é normal tu estares no parto e as pessoas estarem ali para ver e a comentar, aquele é um momento sensível em que a pessoa tinha que receber carinho”, lamentou.

A nossa fonte revelou que, na hora da saída do bebé, as parteiras do hospital 25 de Setembro limitaram-se em abrir a boca e admirar o momento, como se de um filme se tratasse. “Quando o bebé nasceu disseram ahm não é albina, esperávamos que fosse”, lembrou.

Segundo Anabela, os profissionais de saúde que trabalham na maternidade deviam ser formadas em matérias de inclusão social, por forma a que situações de género não voltem a acontecer. A fonte acrescentou ainda que a questão do preconceito contra a pessoa albina inicia no local do parto.

“Muitas vezes o que acontece é que quando uma mulher que não tem problemas de pigmentação de pele dá à luz não lhe é questionada nada, mas se a mesma der à luz a um bebé albino lhe perguntam se está feliz e se na família existem pessoas na mesma condição, isso não se faz. Para mim elas não tem informação suficiente por isso, acho que tinha que haver uma forma de educar porque elas não podem ficar a espera somente de mulheres com não albinismo, devem esperar pessoas com todas as cores e acho que eles não têm essa aula de inclusão”, disse.

Tal como Anabela, Neusa Novinte de 22 anos, recordou-se do dia em que sua mãe foi a maternidade para tê-la e contou que “minha mãe não é albina e, quando deu à luz a mim sai albina, minha mãe contou que as parteiras ficaram admiradas, e me disse que não entendeu a reação, e se questionou porquê admiradas? Porque entende-se que fizeram uma formação para estar ali, e durante a formação não tiveram a cadeira de ética?  Que podia dizer que devem esperar por tudo? Mas o que acontece é que elas não sabem se conter, e perguntam: esperavas isso?  Qual é a sua opinião? Isso faz com que a pessoa saia da maternidade com ódio do seu próprio filho”, lamentou.

Novinte foi mais longe e disse que “cabe a si como mãe esperar por tudo, eu vou ter um filho e não sei como vai ser, devemos ir à maternidade esperando por tudo, eles não têm o direito nem o dever e muito menos a ética lhes permite fazer esse tipo de pergunta, o atendimento deve ser generalizado”, acrescentou.

As revelações foram feitas nesta terça-feira (13), alusivo ao dia Internacional da consciencialização sobre o albinismo, para o efeito, a Associação Amor a Vida, organizou um encontro que tinha por objectivo promover e proteger os direitos das pessoas com albinismo em todos os sectores.

Na ocasião, a vice-coordenadora da Associação Amor a Vida, Márcia Bacar, explicou que a organização que conta com mais de 100 pessoas com albinismo inscritos enfrenta dificuldades no que diz respeito ao emprego. “Temos muitas dificuldades de ser contratados por ser pessoa com albinismo, então é o dia para revindicar todos os nossos diretos e consciencializar as pessoas para que elas possam mudar e aceitar-nos como igual a todos, porque somos todos iguais perante a lei e perante a sociedade”, lembrou.

Durante o encontro, algumas crianças e adultos tiveram o privilégio de receber kits de protecção e de cuidados, nomeadamente, óculos, protetor solar, chapéus e guarda-chuva, que são produtos arrecadados na campanha “Ajude-me a Cuidar de Mim”.

“Infelizmente, não houve muita aderência a campanha, mas tiveram pessoas que se interessaram e abraçaram a causa, estou a falar de alguns comerciantes que ajudaram com algumas sombrinhas, tivemos as irmãs que ofereceram alguns cremes e 30 óculos de proteção solar”, disse.

Por outro lado, o médico cubano, especialista em dermatologia no Hospital de Nampula (HCN), Rafael Perez Hidalgo, explicou ao Ikweli que as pessoas com albinismo sofrem duas condições que afectam o seu dia-a-dia, primeiro pela doença e segundo a discriminação pela condição da pele.

Além disso, Perez explica que as pessoas com albinismo requerem cuidados especiais, pois, eles encontram-se nessa condição porque não produzem o pigmento de melanina necessário para a protecção da pele.

“É uma doença genética e não há até agora no mundo um tratamento 100% efectivo para tentar corrigir”, por isso, o médico lembrou que, as pessoas com problemas de pigmentação de pele devem evitar exposição prolongada ao sol, usar roupas de mangas cumpridas e o protector solar e estar sempre acompanhado de um chapéu ou sombrinha.

“Quando o doente não cumpri com essas recomendações, tem maior risco de contrair o cancro de pele. Mas de forma geral são pessoas normais como você, como eu porque não tem nenhum problema de desenvolvimento intelectual e não tem dificuldade para trabalhar ou para fazer qualquer tarefa, o único problema que temos que fazer é protegê-los”, frisou. (Ângela da Fonseca)

Município de Nampula paga direitos aduaneiros em cerca de 2 milhões de meticais para duas ambulâncias

Nampula (IKWELI) – O Conselho Autárquico de Nampula, na zona norte do país, investiu perto de dois milhões de meticais para pagar os direitos aduaneiros no processo de importação de duas ambulâncias, doadas pelos seus parceiros de cooperação. Os meios alocados foram recebidos esta segunda-feira (13), pelo executivo do município através do porto de Nacala.

A aquisição de duas ambulâncias foi à custa do município de Amarante, uma cidade portuguesa, sendo que a edilidade de Nampula, por sinal a beneficiária, teve de garantir o pagamento de direitos aduaneiros exigidos no território nacional, processo dispendioso para o executivo da edilidade, segundo informou o autarca Paulo Vahanle.

Foi por elevado custo de taxas aduaneiras que o município de Nampula tentou, sem sucesso, negociar com o governo de Moçambique para questões de isenção de impostos. Portanto, sem meios alternativos e ao considerar a importância dos dois meios doados, o município teve de recorrer ao cofre da autarquia para trazer as ambulâncias no maior círculo eleitoral do país, a cidade de Nampula.

“Um dos elementos do nosso manifesto eleitoral é a saúde dos nossos munícipes. Nós estamos comprometidos por esta saúde e achamos que tínhamos de adquirir estas ambulâncias para salvar a vida dos munícipes em questões de doença, levando-os aos hospitais num ambiente condigno”, justificou o autarca as razões de prioridade da aquisição dos meios.

Na apresentação das duas ambulâncias, o edil explicou que estes [meios] são compostos por equipamentos cirúrgicos com um peso de cerca de 500 quilogramas, porém, houve dificuldades de seu transporte para o destino, cidade de Nampula, devido aos pagamentos que deviam ser feitos a partir da capital de Moçambique, Maputo, onde estão actualmente.

A doação das ambulâncias segue, igualmente, segundo anunciou Vahanle, com a deslocação de uma equipa de parceiros para a cidade de Nampula, a fim de treinar os técnicos de saúde que passarão a operar com as ambulâncias, pois os meios oferecem condições para actividades prioritárias de primeiros socorros a um doente.

Na ocasião de apresentação dos meios, o edil reconheceu que o seu executivo não está à altura de fazer uso das ambulâncias sem a presença dos doares, ou seja, carece de um treinamento do pessoal a ser envolvido.

Além das elevadas taxas aduaneiras, o chefe do executivo do Conselho Autárquico de Nampula queixa-se de sabotagem pelas instituições do Estado no processo da implementação de seus projectos na área de saúde, relacionadas particularmente, com a construção de unidades sanitárias ao nível das zonas em expansão no raio municipal. Daí, o fortalecimento de parcerias internacionais como forma estratégica de cumprimento do manifesto eleitoral. (Esmeraldo Boquisse)

“Má postura pode levar a doença crónica”, alerta Neurologista em Nampula

Nampula (IKWELI) – Frederico Sebastião, médico e especialista em neurologia, da maior unidade sanitária da região norte, Nampula, alerta a sociedade sobre a necessidade de adotar uma postura equilibrada por forma a não desenvolver um quadro clínico crónico futuramente.

Em entrevista concedida ao Ikweli, o especialista explicou que a má dieta, erros de postura, relacionada a forma como a pessoa senta e deita na cama, associado ao peso exagerado durante as actividades de casa ou até mesmo no ginásio, tornam-se em um excesso de carga para o pescoço e a coluna, uma situação que contribui para o enfraquecimento dos ossos, provocando assim uma doença não muito conhecida, chamada espondiloartropatia.

De acordo com o médico, a espondiloartropatia está relacionada com a coluna vertebral, que sofre um desgaste ao longo do tempo, principalmente em situações de sobrecarga. A má postura, obesidade e sobrepeso, tabagismo, muito tempo sentado, esforços contínuos são parte das causas que contribuem para o aparecimento da doença.

“A nossa dieta é pobre em cálcio e em fósforo, dois nutrientes importantes para o rejuvenescimento dos ossos, porque nós não temos poder de compra de leite e ovo diariamente e esse défice de nutrientes faz com que os ossos enfraqueçam. Nós agora somos mais sedentários, comemos e ficamos só no game e não queimamos calorias”, disse.

Segundo o médico, a coluna cervical e dorsal são as que mais fazem movimentos no corpo, por isso sofrem mais, explicando ainda que, mulheres grávidas, motoristas, camponeses, estivadores, bem como os próprios profissionais de saúde estão suscetíveis a sofrer tal situação.

“O doente já vem ao hospital com dores no pescoço, formigueiro no braço que piora quando vai se deitar ou tem dor na coluna e formigueiro nas bundas que vai até ao pé. Os homens queixam-se mais de impotência sexual, com formigamentos na parte genital ou então perde o controle da urina. E a mulher grávida acaba caindo nesse factor de risco por causa do peso, porque tem um sobrepeso, ora vejamos tem o peso dela que engorda e o peso da gravidez, as pessoas que tem mais de seis filhos tem problema da coluna”, explica a nossa fonte, a qual não recomenda ao consumo de medicamentos sem a prescrição medica, quando se trata de uma dor na coluna, pois não estará a tratar a doença, mas sim, a criar um ciclo vicioso.

“Quanto mais toma, mais dor tem e compra mais comprimidos para dor e não melhora, é um ciclo vicioso que não está a tratar o problema só está a tratar a dor, é importante ir ao médico para ver a postura, o peso e dieta. Para casos mais graves o doente vai a neurocirurgia para operar, então o ideal é prevenir”.

Por forma a prevenir a doença, o médico recomenda a exposição diária ao sol, consumo de vegetais, carnes e cereais que ajudam na produção da vitamina D, cálcio e fosforo.

“Devíamos ter isso rotineiramente na nossa dieta. Maior parte da população come caracata, nicussi, feijão cute, esses alimentos são pobres nas vitaminas, mesmo aquele que está no campo e apanha sol não tem nutrientes suficientes e o que está na cidade tem todos os nutrientes, mas é sedentário”.

Carpinteiros chamados a melhorar a qualidade das camas

Frederico Sebastião chama atenção aos carpinteiros por forma a melhorar a qualidade da estrutura das camas que são vendidas, pois contribuem para aumento de pacientes com dores na coluna.

“Recomendo sempre que o paciente coloque um contraplacado por baixo do colchão, para evitar aquelas ondulações, ou colocar barras completas, então é algo que envolve não só a pessoa que vai comprar cama, como também os carpinteiros eles devem saber que devem melhorar na quantidade das barreiras porque quando poupam estão a provocar doenças. É importante ter atenção no tipo do colchão que compramos, ele não pode ser muito mole e macio, tem que ser rijo, o colchão mole pode ser caro e luxuoso, mas quando dormes dá-te uma postura errada, aconselhamos sempre a comprar um duro, chamamos de cama ortopédica”.

A equipa do Ikweli conversou com alguns munícipes da cidade de Nampula, que revelaram ter dores no corpo, mas que achavam que fosse algo normal, por conta do cansaço do trabalho.

Amélia Miguel é funcionaria do Hospital Central de Nampula e revelou que há dois anos sente dores nas costas e formigueiro no lado esquerdo da mão, mas nunca se deu tempo para ir ao médico por preguiça.

“Doí-me o dedo mais pequeno da mão esquerda e subiu até ao cotovelo e depois até ao ombro e do ombro até ao peito e coluna, estou nessa situação há muito tempo”, conta esta fonte.

Silvestre António é motorista de chapa há cinco anos. O mesmo tem consciência que o trabalho que faz poderá lhe prejudicar no futuro.

“Estou sentado desde as 4:00 horas no volante, só me levanto as 13:00 horas para almoçar depois volto a me sentar e só saiu daqui as 19:00 horas, então não é fácil para mim, saio daqui quebrado para dia seguinte voltar a ter a mesma rotina e assim vou seguindo. E com a nossa estrada que não oferece condições porque são saltos que quebram a minha coluna, agora não sinto nada, mas acredito que daqui alguns anos não serei o mesmo”. (Ângela da Fonseca)

Vahanle: um autarca hostil à imprensa

Nampula (IKWELI) – O autarca da cidade de Nampula, Paulo Vahanle, tem se mostrado pouco amigo da imprensa, sempre que pode, na primeira oportunidade, ataca deliberadamente os homens da pena neste ponto do país.

As vítimas mais recentes incluem o secretário provincial do Sindicato Nacional Jornalistas (SNJ), José Arlindo, que é operador de câmera da Televisão de Moçambique e com a sua colega, Elisa Fernando, tinham sido destacados para cobrir a cerimónia de recepção de duas ambulâncias adquiridas pelo governo municipal.

Quem, também, não escapou das investidas de hostilização da imprensa é o repórter Areno Fogão, do Wamphula Fax, que viu o seu telemóvel confiscado pelo director de Comunicação e Imagem da edilidade, Nelson carvalho.

Vahanle condicionou a sua declaração a retirada da equipa da TVM do local, alegadamente porque estes poucos passam a sua imagem, e da sua memoria vem o facto de que durante as celebrações do Id Ul-Fitr não terem passado a imagem do autarca.

Esta não é a primeira vez que Paulo Vahanle ataca os que podiam ser os seus melhores aliados. Repórteres do Ikweli, também, já foram deliberadamente vilipendiados pelo autarca do maior centro urbano do norte de Moçambique.

Por outro lado, para além de ataques verbais, alguns vindos do presidente da Assembleia Municipal, Tertuliano Juma, que também é membro da Renamo, a edilidade de Nampula tem se mostrado pouco acessível a imprensa.

O presidente da autarquia é o mais inacessível, pois, de vez em quando, os seus vereadores ainda escapam das ordens do director de Comunicação e Imagem e prestam declarações a imprensa. (Redação)

Adamugy salva o Sporting de Nampula em Mogovolas

Nampula (IKWELI) – Não foi uma tarde facilitada para o Sporting de Nampula perante a Associação Futebol Clube de Mogovolas, mas o jogo terminou com empate sem abertura de contagem, inserido na quarta jornada do campeonato nacional da segunda divisão, fase provincial de Nampula, disputado no pretérito fim-de-semana na vila de Nametil, com uma arbitragem de Alfredo Pachela e seus pares.

Com uma presença do público invejável no campo da vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, o Sporting de Nampula entrou de uma forma retumbante, com lances que facilmente chegavam com uma certa perigosidade na zona de defesa dos anfitriões, mas não foi o dia de inspiração dos atacantes leoninos.

Há que destacar uma jogada em que Zinho, um jovem promissor do Sporting de Nampula, recebeu passe do capitão Dily, mas que não conseguiu reunir a necessária eficácia e rematou por cima, mesmo quando se encontrava na grande área do adversário. Trata-se de uma das raras oportunidades de golo criadas pelos antigos Namutequeliuas.

Por outro lado, estava uma equipa de Mogovolas com atletas tecnicamente e fisicamente apurados, os quais maior parte do confronto criaram inúmeras dificuldades ao poderoso Sporting de Nampula. Destaca-se naquela colectividade, os atletas Doso, Ribeiro, Esmeraldo e Doce, os grandes carrascos da turma leonina.

Foram incalculáveis remates enquadrados a baliza do Sporting de Nampula, mas a sorte ainda reinava para os representantes da cidade de Nampula, influenciada pelo guarda-redes Adamugy, um verdadeiro herói para os leões naquela tarde desportiva que negou, categoricamente, vários golos que elevariam o nível de satisfação do publico mogovolense que acorreu aquele recinto de jogos e que de maneira incansável apoiava a equipa local.

“Eu acho que, por aquilo que são as condições do campo, acabou sendo um bom jogo. É um adversário com muita qualidade. Tem muita qualidade, apesar de ser uma equipa que está 72, 75 quilómetros da capital da província, mas gostei de ver a equipa a jogar. É uma equipa com muita qualidade e o que nós temos que fazer é continuarmos a trabalhar, porque é difícil jogar em campos assim e a dificuldade fica maior ainda para a equipa que visita, porque para além de ser um campo irregular, tem dimensões reduzidas, mas em geral foi um bom jogo, a equipa adversária valorizou muito o espectáculo e acho que o repartir dos pontos acaba sendo justo para as duas equipas, é verdade a equipa adversária na segunda parte foi melhor, criou mais oportunidades, mas o futebol é isto, só ganha quem marca, e nós também tivemos uma oportunidade claríssima na primeira parte que não conseguimos concretizar”, analisou o mister Sérgio Faife, timoneiro do Sporting de Nampula.

“As falhas acontecem, mas a equipa estava preparada para ganhar o jogo. Entramos dentro das quatro linhas e não conseguimos acertar, mas a equipa estava a tentar para acertar, mas as oportunidades que criamos não conseguimos concretizar. A equipa estava bem preparada tacticamente e fisicamente, bem como psicologicamente, por isso reagimos só que faltava acertarmos a baliza. Faltou sorte, mas também a equipa do Sporting estava preparada e Mogovolas também estava preparada”, disse Mazuque Molide (Simeone), treinador da Associação Futebol Clube de Mogovolas.

Apesar do empate, o Sporting de Nampula continua provisoriamente líder da série A do Nampulense, agora com 8 pontos, e Mogovolas com 5 pontos, na terceira posição.

Outro jogo cujo resultado tivemos acesso até o fecho desta edição, ainda para na série B, as equipas de Sporting de Namitória e Benfica de Nampula empataram, também, sem golos.

Ainda ninguém consegue abater FC Ribáuè na série A, mesmo fora de portas

A contar para a quarta jornada do nampulense na sua série A, o Futebol Clube de Ribáuè, tecnicamente treinada pelo jovem Horasto Tomás Agaste, deslocou-se a Memba no último sábado (10), onde derrotou o Futebol Clube local pelos indiscutíveis 2 -1.

Com este resultado, o representante do distrito de Ribáuè continua invicto na sua estreia nas competições oficiais e partilha a liderança com o Desportivo de Nacala com 10 pontos cada.

Na mesma série e a contar para a mesma jornada, o Sporting de Monapo recebeu e derrotou a Academia Militar pela marca mínima. Num outro jogo, o Desportivo de Nacala bateu a Liga Desportiva da Ilha de Moçambique por 3-0. (Constantino Henriques)

Axinenes de Nampula começam a perder pontos em casa

Nampula (IKWELI) – O Ferroviário de Nampula empatou no passado domingo (12) diante do Baía de Pemba, sem abertura de contagem, em jogo da nona jornada do campeonato nacional da primeira divisão em futebol sénior masculino, o Moçambola da presente temporada futebolística, que teve lugar no Estádio 25 de Junho na capital do norte.

Trata-se do primeiro jogo em que o Ferroviário de Nampula (Axinenes) perde pontos em pleno estádio 25 de Junho na presente edição do Moçambola, e acentua o nível de desespero por parte dos amantes daquela considerada maior agremiação desportiva do norte de Moçambique, tendo em conta que nas 9 jornadas da prova ainda não conseguiu sequer um ponto nas partidas realizadas fora de portas.

No domingo passado, o Ferroviário de Nampula iniciou a partida de maneira enganosa, após primeiros minutos com alguns ataques que facilmente chegavam no último terço de defesa do adversário, mas sem surtir efeitos desejados.

Há que destacar, na fase inicial do jogo, um lance em que Massaua faz um cruzamento na direita do ataque, na zona junto a grande área contrária, em que a bola passou pertinho da baliza defendida pelo guarda-redes Piter.

Ainda no tempo de inspiração locomotiva, Mussito também evidenciou-se em campo, através de uma jogada que culminou num excelente passe a Telinho, este que não aproveitou tabelar para o fundo das malhas.

Após aquele período de louvor dos anfitriões, Baía de Pemba passou a controlar o jogo em quase toda largura do terreno, criando situações que não originaram em golo fruto de uma tarde heroica do jovem Fazito, guarda-redes dos axinenes.

Na entrada da primeira meia hora do certame, Gemito teve tudo para silenciar o Santuário do 25 de Junho, se não fosse o seu remate que tomou uma direcção contrária a baliza, mesmo quando a defesa estava abatida.

A segunda parte daquele confronto viu-se mais Pemba que os donos da casa. Foi o representante da nortenha província de Cabo Delgado mais preocupado em chegar ao golo, para além de um futebol técnico e táctico demonstrado para os expectadores que escalaram o 25 de Junho, de maneira massiva.

Aliás, nesta etapa o empate persistiu até o último apito de Fernando Malendza e seus pares, graças as excelentes intervenções do guarda-redes Fazito.

No final da partida, Antoninho Muchanga, treinador do Ferroviário de Nampula, mostrou sua maturidade e o seu elevado nível de desportivismo ao reconhecer a superioridade do adversário. “Eu acho que o adversário foi forte. Acho que foi um bom jogo, fizemos de tudo, circulamos bem a bola, tivemos mais posse de bola e sabíamos que o adversário, em contra-ataque podia nos surpreender. Mas no capítulo de finalização não estivemos melhor, a equipa de Baía defendeu-se bem, não conseguimos penetrar aquela cortina defensiva que eles montaram”, disse Muchanga.

Por seu turno, Eurico da Conceição, treinador do Baía de Pemba, disse que a sua equipa merecia sair da cidade de Nampula com os três pontos. “Bom jogo, mas acho que nós merecíamos outra sorte, não é…, olhando por aquilo que a equipa produziu, penso que faltou pelo menos um golo para sair daqui com três pontos. Mas prontos, darmos os parabéns por aquilo que os jogadores fizeram e dar os parabéns, também, a equipa do Ferroviário de Nampula pelo jogo apresentado e vamos pensar no próximo jogo”, precisou o timoneiro.

Com este resultado, o Ferroviário de Nampula de Nampula passa a somar 13 pontos na sétima posição do Moçambola, a passo que o Baía de Pemba tem 10 pontos em nono lugar.

Outros resultados da jornada: Ferroviário de Lichinga 1-1 Ferroviário de Nacala. Associação Desportiva de Vilankulo 1-0 Associação Black Bulls. União Desportiva de Songo 3-0 Ferroviário da Beira. Ferroviário de Maputo 1-0 Ferroviário de Quelimane e Matchedje de Maputo 0-1 Costa do Sol.

Na próxima jornada o Moçambola vai registar uma paragem para dar lugar aos compromissos da selecção nacional, os Mambas. (Constantino Henriques)