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Namicopo: Dois mercados continuam desocupados

Nampula (IKWELI) – Construídos no reinado do malogrado Mahamudo Amurane, dois mercados continuam desocupados no posto administrativo de Namicopo, nos arredores da cidade de Nampula, e sem motivo aparente.

Trata-se dos mercados de Mphavara (Shopping do Povo) e Memória, os quais continuam a ser preteridos pelos comerciantes da urbe.

Celine Carlos, vendedeira de legumes, explica que no mercado de Mphavara enfrentavam problemas relacionados a ganhos. “Depois de revender os nossos produtos, o lucro não era como o esperado e não ajudava em nada, por isso tivemos que abandonar para aqui onde estamos e a receita é melhor porque conseguimos sustentar a nossa família”.

No entanto, Celina reconhece o risco que corre por vender produtos na via pública, mas afirma que o facto de estarem a vender, sobretudo, num terminal de chapa-100 facilita a presença de clientes que aproveitam fazerem as suas compras

Outra fonte, que não quis identificar-se, disse que o abandono do mercado de Mphavara está associado a superstição. “Aquele mercado tem um historial que o conselho municipal não está a profundar, antigamente quando as pessoas estivessem a revender os seus produtos o valor não compensava nada para garantir alimentação das famílias, então por isso os comerciantes preferem revender nas suas casas e nas ruas, dai que o mercado de Mphavara esta abandonado”.

Enquanto isso, o revendedor de peixe no mercado da Memória, Daniel Assane, explica que a procura dos clientes faz com que alguns mercados sejam sistematicamente abandonados pelos comerciantes, no sentido de assegurar a sobrevivência das famílias.

“Estou a revender peixe próximo deste mercado da Memória abandonado pelos outros revendedores que se encontram nas proximidades das estradas porque, segundo eles, é na estrada onde há maior movimento dos clientes, mas o que deveria ser feito pelo município é mobilizar os vendedores a continuarem a venda nesse mercado”, disse.

O vendedor Daniel Assane disse que “para nós ainda que revendemos nas proximidades deste mercado abandonado o movimento é muito fraco, porque os clientes não aparecem e maior número dos comerciantes está nas ruas e nas bermas da estrada”.

Por outro lado, Leolinda Cesário, vendedeira de legumes nas proximidades do mercado Memória, conta que o mercado foi abandonado há mais de 5 anos, e embora tenha sido reabilitado recentemente os vendedores não voltaram.

“Agora são 9horas da manhã e não consegui vender e ganhar, pelo menos, 50,00Mt (cinquenta meticais) e assim os nossos produtos estragam-se e ficamos sem lucro nenhum, porque não há clientes para fazer a compra porque muitos recorrem os produtos revendidos ao longo da estrada onde muitos comerciantes estão localizados. Acreditamos que se estivéssemos todos localizados neste mercado não haveria problemas da falta de clientes para uma parte dos outros como está acontecendo agora””, lamentou o comerciante

Contudo os nossos entrevistados falam da necessidade de mobilizar os vendedores para o regresso aos mercados em causa.

O Ikweli falou com Massimage Abudo, chefe do mercado de Mphavara, o qual mencionou outros assuntos como causa do abandono, principalmente a falta da corrente elétrica que constitui uma preocupação.

“Temos vários colegas que podiam estar neste mercado, mas estão a vendar na conhecida padaria Nampula e outras ruas porque o mercado Mphavara não chegam clientes, embora que nas ruas passam riscos, mas eles sentem-se obrigados ainda a continuar lá para conseguir dinheiro”, referiu o responsável.

O chefe do mercado, acrescentou ainda que “o município tem conhecimento que algumas pessoas que saíram do mercado de Mphavara estão em alguns pontos da cidade, sobretudo nas ruas, a procura de melhores condições de vida e ainda não tenho nenhuma informação sobre o plano para o mercado porque está abandonado há vários anos”. (Nelsa Momade)

Refugiado de Congo luta pela inclusão de pessoas com deficiência

Nampula (IKWELI) – Benedit Wakalenga, jovem de 25 anos de idade, refugiado oriundo da República Democrática do Congo, que se encontra em Moçambique há dez anos, concretamente centro de refugiados de Maratane, localizado na província de Nampula, queixa-se da exclusão de pessoas com deficiência na realização de várias actividades naquele ponto.

Benedit conta que chegou à Moçambique em 2013, quando tinha apenas 15 anos de idade, tendo revelado que decidiu refugiar-se em Moçambique depois de ter escapado a morte nas mãos dos rebeldes que criavam desordem no seu país.

Wakalenga ficou amarrado durante duas semanas e sofreu violência física que culminou com a deficiência nos seus braços. “Os rebeldes da minha terra recrutaram-me. Eles estavam a fazer o recrutamento forçado dos jovens para o grupo dos rebeldes para fazer guerra contra o Governo. Na época, eu tinha 14 anos de idade. Fui amarrado e maltratado por duas semanas, por causa disso fiquei com essa deficiência, não estico o meu braço”, contou, afirmando que não gostava do movimento porque criava insegurança no seu país.

A fonte disse ainda que na altura ele e sua irmã mais velha foram submetidos a essa situação. No entanto, foram salvos por um grupo de militares estrangeiros. Depois disso, decidiram que deviam se refugiar na República da Tanzânia, onde lhes foi negado o abrigo.

“Também tivemos que sair da Tanzânia porque é perto de Congo, e as pessoas lá não queriam que nós ficássemos, porque temiam pela segurança deles. Quando entramos em Moçambique fomos bem-recebidos e encaminharam-nos logo para Maratane”, conta.

Entretanto, apesar da recepção ter sido boa, Benedit disse que teve enormes dificuldades para adquirir a documentação, pois não deseja regressar ao seu país de origem. “Antigamente, a vida dos refugiados era muito difícil, mas hoje o Instituto Nacional de Apoio aos Refugiados (INAR) está a se esforçar com os refugiados para se integrar, agora podemos sair de Maratane para outros pontos para procurar avida”, revelou.

Hoje trabalha como activista da humanity & inclusion, no centro de Maratane, uma actividade que lhe abre espaço para lutar pela inclusão de 212 refugiados com deficiência que, ainda, são estigmatizados pela sociedade, pois, por também ser refugiado e pessoa com deficiência era excluído.

“Sobre a inclusão lá as pessoas não estão a entender, porque estão a dizer que uma pessoa com deficiência como é que vai trabalhar? Como é que uma pessoa com deficiência vai jogar bola com uma pessoa normal? Então, estamos a tentar mostrar que aquelas pessoas, também, tem os mesmos direitos, todos nós somos normais, não deve haver diferença”, explicou.

A margem da conferencia de Imprensa, convocada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), no âmbito do Dia Mundial dos Refugiados, que se assinalou na passada terça-feira (20), o Director-Geral do Instituto Nacional de Poio aos refugiados (INAR), Cremildo Abreu, revelou a Lusa que o número de refugiados que procura asilo reduziu em 51%, justificando que já não é país de preferência, como acontecia há seis anos.

“Um grande número refugiados do centro de Maratane pediu, voluntariamente, para regressar ao seu país de origem e nós estamos a atender esses pedidos em coordenação com o ACNUR”, anotou.

Actualmente, segundo estatísticas das Nações Unidas de 2022, o país tem mais de 29,8 mil refugiados, sendo 25 mil requerentes de asilo. Do total de refugiados 25% são crianças. Sendo que, pelo menos, sete mil encontram-se em Maratane, o único campo para refugiados no país.

Os dados indicam ainda que, de setembro de 2021 a junho de 2022, um total de 148 indivíduos regressaram aos seus países, nomeadamente, República democrática de Congo, Burundi e Ruanda respectivamente. (Ângela da Fonseca)

Nampula: Alguns agentes da Polícia Municipal dedicam-se a cobranças ilícitas

Nampula (IKWELI) – Alguns agentes da Polícia Municipal e Fiscalização da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, tem se dedicado em actos de cobranças ilícitas, tendo como vítimas empresas, armazéns e pequenos comerciantes.

Na manha do último sábado, o Ikweli flagrou um grupo de fiscais e agentes da polícia municipal da cidade de Nampula a efectuarem cobranças ilícitas na zona da Rex, no bairro de Namicopo, quando os mesmos invadiram um armazém pertencente a cidadãos de nacionalidade chinesa munidos de livros de factura falsos.

Na ocasião, os chineses compravam produtos agrícolas. Os agentes da polícia municipal e de fiscalização, incluindo o fiscal autárquico, pretendiam multar as pessoas envolvidas no negócio, sem razão aparente.

Para ver-se livre daqueles servidores públicos, as vítimas tiveram que desembolsar valores monetários que foram para os bolsos destes.

Uma testemunha no local contou que “na verdade, eles vieram nos dar uma multa. Não sei os porquês, nós não cometemos nenhuma irregularidade para termos essa multa e eles não estão a esclarecer, depois eles estão a dizer que vão trazer a multa depois de nós depositarmos o valor na conta do município, mas como sabes, todo lado há uma negociação e nós tínhamos que negociar”, disse a nossa fonte que não quis se identificar.

O Ikweli esteve no terreno e presenciou todos os momentos até a hora final da negociação, a qual que durou pouco mais de uma hora. Os mesmos, depois de receberem o valor, não entregaram nenhuma factura e/ou recibo. (Hermínio Raja)

Ribáuè ainda invencível no nampulense

Nampula (IKWELI) – Na edição 1214 havíamos avançado que a equipa da Liga Desportiva da Ilha de Moçambique teria quebrado a invencibilidade o Futebol Clube de Ribáuè e que teria derrotado por 1 a 0. Na verdade o jogo disputado no campo da vila municipal de Ribáuè, a contar para a 5ª jornada do campeonato nacional da segunda divisão, fase provincial de Nampula (nampulense), terminou com um empate por 1 a 1.

O jogo a contar para a série A do Nampulense foi disputado no campo da vila municipal de Ribáuè, onde, apesar da superioridade dos anfitriões, a turma da Liga Desportiva da Ilha de Moçambique foi a primeira a chegar ao golo inaugural e os ribauenses viriam a empatar a partida nos últimos minutos de compensação.

Apesar do empate, Ribáuè mantem-se em segundo lugar da série A, agora com 11 pontos, a passo que a Liga da Ilha conta actualmente com 4 pontos na sétima posição.

Enquanto Ribáuè averba o primeiro empate caseiro, as Águias Azuis de Nampula somam e seguem, pois, depois de quarta-feira passada conseguir a sua primeira vitória perante da União Desportiva da Ilha de Moçambique, no último sábado defrontou e derrotou a Academia Militar pela marca mínima e conta agora com seis ponto em sexto lugar da série A do nampulense e os militares descem de quinto para oitava posição.

Ainda no pretérito fim-de-semana o Desportivo de Nacala manteve a sua invencibilidade na prova porque na sua difícil deslocação a primeira capital moçambicana, venceu a União Desportiva da Ilha de Moçambique por 1 a 0, e continua líder da série A, agora com 13 pontos e os ilhéus permanecem no penúltimo poste da tabela classificativa.   Na mesma jornada e série, o Sporting de Monapo foi a Nacala-a-velha tendo consentido um empate a uma bola diante da Académica daquele distrito costeiro. Assim, Monapo na terceira posição com oito pontos a passo que a Académica é a quarta classificada com sete pontos.

O Futebol Clube de Memba voltou a mostrar sua fragilidade na presente edição do nampulense. No último fim-de-semana Memba foi surpreendido pela turma das Águias Especiais da PRM com uma derrota caseira de 2 a 1. Este resultado remete a equipa de Memba a ocupar ainda a última posição da prova com apenas dois pontos, e os policiais saem da sexta para o quarto lugar.

Já na série B, o único jogo realizado entre Benfica de Angoche e Angoche Clube de Desporto terminou com a vitória dos encarnados por 1 a 0. (Constantino Henriques)

No olhar dos munícipes: “Vahanle não tem sido bom na gestão de mercados e feiras e mobilidade urbana”

Nampula (IKWELI) – Os munícipes da cidade de Nampula, maior autarquia do norte de Moçambique, já começam a escrutinar o desempenho do autarca Paulo Vahanle, que cumpre o último ano do seu reinado na direcção da circunscrição.

No entender deles, Vahanle não está sendo suficientemente bom na gestão de mercados e feiras, bem como na criação de condições para uma boa mobilidade urbana, facto que tem trazido consequências menos boas para os residentes locais, sobretudo.

Os utentes dos mercados mostram-se indignados com ma governação do presidente Paulo Vahanle, por este não mostrar capacidades em gerir grandes centros comercias do raio municipal. Falta de manutenção, resíduos sólidos no recinto dos mercados, águas estagnadas e a falta de lugares próprios para a conservação dos produtos alimentícios, são os pontos mais críticos.

Estes lembram que o presidente do Conselho Município da Cidade de Nampula, Paulo Vahanle, durante a “caça ao voto”, prometera a requalificação dos mercados, para que os vendedores, assim como os consumidores, tivessem lugares condignos para a realização das suas actividades. Discurso este que contribuiu para que Vahanle fosse eleito nas eleições intercalares de 2018 e as autárquicas regulares do mesmo ano.

Os mercados 25 de Junho (Matadouro), do Peixe (Belenenses), Waresta e Shopping do Povo (no bairro de Namicopo) são parte das facetas do, praticamente, abandono na garantia da qualidade do saneamento do meio e higiene por parte da edilidade.

Rahaia Jamal, morador de Muhala Expansão, a situação actual dos mercados é assustadora, e no seu ponto de vista não era esse tipo de governação que os cidadãos da cidade de Nampula esperavam. “Atribuo uma nota negativa, digo isso porque, logo que tomou posse depois de alguns meses anunciou a requalificação dos mercados, falou do mercado grossista do Waresta, mercado dos Belenenses, vulgarmente conhecido por mercado do peixe, assim como o mercado do Matadouro”, disse esta nossa fonte, prosseguindo que “o mercado do Waresta, o município apenas pavimentou as ruas principais e não fez devida organização, ou seja, não requalificou como tinha prometido. Em relação as bancas, estamos a falar de 2000 vendedores daquele centro comercial que estariam bem posicionados com os seus produtos. Actualmente quando vamos naquele mercado é visível produtos expostos ao chão, isto porque não tem um local adequando para poder conservar os seus produtos, e isso em algum momento contribui para algumas doenças por contaminação de alimentos”.

“Essa situação é um perigo e é atentado a saúde publica. Isso não é só no mercado do Waresta, também,  o mesmo cenário verificasse em outros mercados, como Matadouro e Belenenses, produtos expostos de qualquer maneira, sem mínimas condições para a sua comercialização, fomos enganados que o mercado do peixe beneficiou de uma requalificação, enquanto, na verdade, só retiraram algumas chapas antigas e colocaram novas e pavimentaram a rua principal, mas no interior do mercado, sobretudo onde vendem o peixe fresco, não beneficio do projecto”, comenta Jamal.

Para ele, “os munícipes esperavam que os mercados, sobretudo os grandes mercados que são geridos pelo município, tivessem uma outra imagem que poderia agradar a todos e não essa que a gente esta ver actualmente. Esperávamos que os comerciantes estivessem em locais condignos com cobertura e não expostos ao sol e chuva como verificamos agora”, tanto é que “é algo desumano por parte do município, assim como por parte do presidente Paulo Vahanle. Já estamos a caminho do final do mantado dele e nada foi feito em relação a estes mercados como os munícipes esperavam durante a sua governação”.

Francisca Alexandre, residente do bairro de Muhala Expansão, diz que o assunto de requalificação dos mercados no espaço municipal é um desafio para o presidente, porque “foi um dos pontos do seu manifesto eleitoral. Então, ele deve pôr em prática, visto que ele tem pouco tempo na sua governação, mas havendo vontade, pode fazer, visto que os próprios mercados conseguem gerar receitas”.

“Eu acho que o município deve investir mais na área da higiene, porque há muita imundície e isso acaba sendo um problema para à saúde pública. Vou dar um exemplo do mercado do peixe, o mercado do peixe está uma imundície. O mercado grossista do Waresta, também, não escapa desta situação, assim como o mercado central. Quando a pessoa está a passar do mercado central verifica monte de lixo e a pessoa não sabe de onde vem, mas o lixo sempre está lá. Acredito eu que os colaboradores do município precisam de prestar mais atenção esse assunto”, apontou a fonte.

Por outro lado, Francisca comenta que “vejo muito vendedores ambulantes na via pública, acho que estão a sair dos mercados para as vias públicas por conta do mau estado, então, o presidente do município deve investir mais nesses mercados para atrair vendedores, porque, lá nos mercados, havendo melhores condições, eles podem ficar lá a fazer suas actividades”.

Enquanto uns apontam a má gestão dos mercados como sendo resultado da má governação de Paulo Vahanle, outros cidadãos acreditam que os estabelecimentos comerciais geridos pelo município estão a ser destruídos e vandalizado pelos próprios comerciantes.

Segundo Ancha António, residente no bairro Mutauanha, a falta de educação sanitária e ambiental, facto que contribui para que os vendedores lancem resíduos sólidos em locais onde os mesmos exercem as suas actividades.

“Os mercados não têm depósitos apropriados para o Lixo, me refiro dos contentores, e isso é um outro problema. Se calhar, se realizassem campanhas em que os vendedores são os promotores das limpezas, podia se dar um pouco de impacto, porque os próprios vendedores também contribuem muito para a imundice dos mercados”, concluiu ancha

 Mobilidade urbana

 Em relação ao sector de transportadores públicos urbano na cidade de Nampula, os munícipes dizem que pouco foi feito pela edilidade de Paulo Vahanle para garantir a mobilidade das pessoas e bens, sobretudo nas zonas de expansão.

Para os munícipes, a edilidade não abriu novas rotas, não investiu em transporte municipal, se fechou aos pedidos e preocupações dos transportadores privados e o preço do transporte público tornou-se caro com o encurtamento de rotas.

Célia Atumane Muaprato, é professora numa escola privada no bairro de Muahivire Expansão, ela é residente no posto administrativo de Natikiri na cidade de Nampula, e conta que para ir trabalhar gasta, em média diária, para ir e voltar do serviço 120,00Mt (cento e vinte meticais), porque na sua zona não chega o “chapa-100”. “Saio de casa de táxi mota até o mercado Waresta e pago 30,00Mt (trinta meticais), depois encontro chapa-100 para cidade, mas me deixa pelo caminho, na sipal, pago 10,00Mt (dez meticais), depois pago mais dez para descer no hospital, só lá é que consigo chapa para ir trabalhar”.

Cecília diz que, para além de o preço de transporte ser alto, as viaturas que carregam à população não oferecem o mínimo de segurança rodoviária e circulam muito lotadas, o que mostra que não há controlo. “O governo só vai se dar conta da maneira perigosa em que são levados os munícipes quando houver graves acidentes por causa da condição dos carros, também das estradas e da forma como estamos a ser transportados, nos levam como se fôssemos sacos. Não temos alternativas, porque o táxi de carro e /ou mota também está a um preço elevado, pessoas como eu posso dizer que trabalhamos para pagar transporte”, concluiu,

Quem, também, reclama da situação da má qualidade dos serviços de transporte público na autarquia é o jovem estudante Almeida Castro, que afirma que a cidade já esteve melhor. “Nos anos passados aqui tínhamos machimbombos para transportar população, isso facilitava muito, porque chegava nas zonas distantes da cidade e o preço permitia qualquer pessoa subir. E também era seguro porque os condutores tinham alguma responsabilidade, mas o que está a acontecer nos últimos tempos é de lamentar”.

Castro questiona ainda onde estão os carros que tinham sido comprados pelo anterior edil falecido e se, no caso de avaria, não podiam ser reparados para garantir a mobilidade urbana.

Diante desta situação, a fonte pede ao autarca para que veja a situação, que para ele é preocupante.

O munícipe Oreste Nogueira, também, pediu para que se melhore o transporte da cidade e se aumente o raio e horário de circulação dos mesmos. “O chapa-100 devia, pelo menos, circular até as 21h, porque 19h não facilita as pessoas que estudam e vivem distantes. Temos táxi de mota, mas para subir precisa ter dinheiro, porque não cobram uma taxa fixa, cada um cobra o seu valor”, referiu.

Entretanto, o Ikweli tem vindo a contactar o conselho autárquico da cidade de Nampula para responder estas e outras preocupações apresentadas pelos munícipes, mas sem sucesso. (Adina Sualehe e Hermínio Raja)

Nampula: Primeiro centro de acolhimento de crianças órfãs nunca teve apoio do Governo

Nampula (IKWELI) – O primeiro e mais antigo centro de acolhimento de crianças órfãs e vulneráveis da cidade de Nampula, Madre day, existente há mais de 40 anos, lamentou na passada sexta-feira (16), o facto de nunca ter recebido apoio por parte do governo, assim como das organizações não-governamentais que actuam do país. A informação foi partilhada a imprensa aquando da primeira visita governamental, por ocasião do dia da criança africana.

De acordo com a representante do centro, irmã Celeste, o orfanato consegue alimentar mais de 100 crianças acolhidas naquele local através de apoios que recebem de pessoas de boa vontade. “Nunca recebemos ajuda oficial e nem de organizações não-governamentais, apenas pessoas de coração que as vezes fornecem alguns alimentos, roupas ou material escolar. Assim estamos a celebrar 44 anos de acolhimento, não só de crianças órfãos, mas também de crianças que sofrem nas ruas em vários aspectos”, afirmou.

Apesar de nunca ter recebido apoio, irmã Celeste garantiu que o centro é feliz, pois o que lhes alegra é o facto de puder fazer o bem para as crianças que necessitam de amparo. “O milagre acontece diariamente. Mais de 120 pessoas se alimentam a cada dia, sem termos um só vencimento. É a primeira vez que recebemos essa visita, pedimos que não seja a última”.

Tal informação foi confirmada por André Riquito, de 22 anos de idade, que chegou ao centro com apenas um dia de vida, pois este, perdeu a sua mãe durante o trabalho de parto.

Riquito revelou ter ficado assustado com a chegada da comitiva governamental no local, porque “estou neste centro desde 2001, após a morte da minha mãe, minha família decidiu vir me deixar neste centro porque eles não tinham condições para me sustentar, principalmente em leite. Aqui fui muito bem recebido. Desde que estou aqui nunca vi e tivemos apoio do governo, quando me apercebi da chegada deles não acreditei”.

André Riquito contou que concluiu a 12ª classe e, neste momento encontra-se a fazer o curso de corte e costura, graças ao apoio das irmãs do centro. O jovem casou em Dezembro de 2021, é pai de dois filhos. “Mesmo casado ainda sou daqui, cresci aqui, ainda dependo do centro, as imãs me ajudam na minha formação de corte e costura e tenho mais habilidades em pintura”.

O nosso entrevistado aconselha a todas crianças que, também, são órfãs a se dedicar aos estudos, pois é a única forma de traçar um futuro brilhante. “O facto de sermos órfãos não significa que devemos nos lamentar, pelo contrário, devemos olhar para a escola como uma saída para ser alguém na vida, devemos também agradecer às pessoas que dedicam o seu tempo para cuidar de nós”, afirmou.

Jéssica Victor é uma menina de 15 anos de idade, proveniente da província de Cabo Delgado. A mesma é órfã de mãe desde os dois meses, idade em que foi acolhida pelas irmãs do centro. No entanto, Jéssica disse que não vê o seu pai desde 2012, sem saber as razões, a jovem não se deixa abalar, pois encontra-se a frequentar a 10° classe e sonha em ser contabilista.

A directora Provincial do Género, Criança e Acção Social (DPGCAS), Albertina Ussene, disse que a província conta com 10 centros de acolhimento de crianças órfãos e vulneráveis, tendo na ocasião revelado que nos primeiros seis meses, cerca de 564 crianças receberam apoio do governo.

“Nós sabemos que aqui tem 66 crianças de várias nacionalidades, estamos a falar de crianças da província, mas também de outras províncias e países.  Fomos retirar algumas crianças do centro de refugiados de Maratane e foram acolhidas num dos nossos centros”, disse a governante. (Ângela da Fonseca)

Munícipes de Nampula contestam jogos de azar

Nampula (IKWELI) – Pais e encarregados de educação, munícipes da cidade de Nampula, dizem-se preocupados com a proliferação de jogos de sorte e azar, disponibilizados em diferentes locais da urbe, concretamente nos estabelecimentos comerciais e de lazeres. Por isso, contestam esta prática que vicia, desde os tempos passados, menores de idade que recorrem ao desvio de dinheiros para tentar a sorte.

Vê-se em todas as esquinas da cidade, desde o centro urbano ao subúrbio, a montagem de diversos tipos de jogos de sorte e azar, com destaque para os mais famosos “jambulo”, de fabrico chinês. Estes jogos são praticados mediante a uma moeda de pelo menos 5,00Mt (cinco meticais) que é introduzida na máquina para em menos de três minutos, dependendo da “sorte” do praticante, a máquina debitar mais do que foi creditado e/ ou introduzido à favor do dono da moeda.

A realidade move adolescentes e jovens, a fim de obter dinheiro de imediato e fácil para sustentar as suas necessidades. Em alguns estabelecimentos comerciais localizados nos bairros da urbe, desde bares e barracas, até nas chamadas barbearias e regravadoras informais de músicas, existe, pelo menos, um “jambulo”, onde os cidadãos, na sua maioria menores de idade testam a sua sorte. No entanto, para jogar têm de desviar dinheiro de seus pais e encarregados de educação, facto que os vicia à prática de furto.

Portanto, “estes jogos estão a tomar conta dos nossos meninos. Alguns passam dias a jogar sem poder ajudar os seus pais nas tarefas de casa. Alguém devia pensar em uma solução face à esta prática, que não ajuda na construção de um bom cidadão, muito pelo contrário, está a retardar”, entende Octávio de Carlos, residente na unidade comunal de Piloto, bairro de Mutauanha.

Anabela Maurício, moradora em Muatala, concretamente em Namavi, lamenta o comportamento de certas crianças em idade escolar, sob influência de jogos de sorte e azar disponibilizados por comerciantes nos seus estabelecimentos. Para esta cidadã, há muito tempo que teria sido colmatado esta realidade que vicia pessoas.

Na óptica de Anabela Maurício, quem também prática estes jogos são adolescentes e jovens consumidores de bebidas alcoólicas, que para satisfazer as suas necessidades nocivas recorrem aos jogos de sorte e azar para obter dinheiro fácil. Em Muatala, por exemplo, a interlocutora descreve a situação de extrema preocupação, uma vez que os jogos são montados no exterior de bares e barracas e clubes de cinema, locais de fácil acesso para os meninos e jovens, daí a vulnerabilidade deste grupo de pessoas.

“Não está fácil lidar com as crianças em casa, porque estão viciadas de muitas coisas desagradáveis, a exemplo desses jogos de sorte e azar. Não está claro ainda a legalidade dos jogos que proliferam todos os bairros da cidade e isso vai tendo um impacto negativo na vida das nossas crianças e jovens, associado ao consumo de drogas e bebidas alcoólicas”, lamenta Carlitos Alberto, cidadão que exige a remoção dos jogos nos bairros para o bem dos adolescentes e jovens.

Recorde-se que há dois anos que não se fazia sentir em grande a instalação de jogos de sorte e azar nos bairros de cidade de Nampula, resultado de um trabalho de fiscalização multissectorial entre a Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) e a Polícia da República e Moçambique (P.R.M). Todavia, nos últimos tempos, isto é, desde os finais do ano passado, a prática voltou a ganhar o mercado e os munícipes pais e encarregados de educação entendem ser ameaçadora.

A prática é do domínio da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), entidade que inspeciona o exercício económico no território nacional e na cidade de Nampula, em particular. E questionada sobre o assunto, disse haver planos de acção com vista a remoção das máquinas de jogos montadas nos estabelecimentos comerciais.

Silvano Alexandre, delegado-interino da INAE em Nampula, disse em entrevista que a pretensão está sendo harmonizada a partir da base e que está para breve a sua implementação. A actividade de inspecção e/ou plano referido pelo delegado-interino consistirá na recolha das máquinas e, consequentemente, a responsabilização dos proprietários. (Esmeraldo Boquisse)

Topuito vai ter um parque industrial

Pemba (IKWELI) – A MozParks Holding e a Kenmare Moma Mining (Mauritius) Limited assinaram, recentemente, um acordo e anunciaram, em cerimónia presidida pelo ministro moçambicano da Indústria e Comércio, Silvino Moreno, e governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, a sua colaboração para a criação de um parque industrial e zona de comércio livre em Moçambique.

Trata-se do Parque Industrial de Topuito (TIP), numa joint venture que visa estimular o crescimento econômico e criar empregos, atraindo investidores para Topuito e trabalhando com as comunidades e empresas locais.

O Parque Industrial de Topuito (TIP) actuará como um motor de desenvolvimento dentro da província e, directa e indirectamente, proporcionará renda para mais de 100.000 pessoas em volta do TIP.

Igualmente, o Parque Industrial de Topuito vai fornecer um ecossistema organizado e especializado que promove o crescimento econômico, a colaboração, a eficiência e a sustentabilidade no setor industrial. (Redação)

Jornalista investigativo moçambicano vence prémio de liberdade de expressão na Suécia

Maputo (IKWELI) – O jornalista investigativo moçambicano, Estácio Valoi, é vencedor do prêmio de jornalismo “Liberdade de Expressão”, um prêmio bianual atribuído a jornalistas fora da Suécia.

O prêmio foi atribuído com a decisão do comitê da cidade de Örebro, na Suécia, ligado à filial de Örebro da SJF, a Associação Sueca de Jornalistas.

O “Pen2Pen Örebro – Prêmio Liberdade de Expressão” foi criado para apoiar jornalistas que se opuseram por causa de seu trabalho, às vezes até ameaçados, e ainda continuam lutando pela liberdade de expressão.

“Em nome da comissão Pen2Pen, tenho agora o imenso prazer de anunciar que o senhor Estacio Valoi é um dos vencedores 2023”, comunica a organização.

“Com coragem, força e perseverança, nosso destinatário vem retratando há vários anos a exploração predatória de seu país, em tantas partes do ambiente. Ele se aproxima, conhece as pessoas afectadas, vê com seus próprios olhos e colecta muitos factos. Apesar de ser parado pelos militares e preso, ele continua. Ele evita escavadeiras e metralhadoras para poder contar ao mundo exterior o que está acontecendo. O jornalismo em palavras, imagens, rádio e televisão é sua própria arma”, lê-se na comunicação da agremiação feita ao jornalista moçambicano.

“O compromisso do PEN sueco é defender a liberdade de expressão. Nossa tarefa se baseia na premissa de que a palavra escrita não deve conhecer fronteiras, nem políticas, nem nacionais, nem religiosas. Os membros do PEN apoiam o estatuto do PEN, que destaca nossa responsabilidade no combate à mentira, ao racismo e ao ódio entre etnias e classes sociais”, caracteriza-se a organização sobre os seus propósitos, explicando ainda que “o PEN apoia escritores presos ou perseguidos. Destacamos sua situação em cartas a representantes do governo. Entramos em contacto com tomadores de decisão e nos envolvemos em campanhas públicas. Em debates, palestras, eventos e treinamento de professores, disseminamos conhecimento e engajamento em prol da liberdade de expressão. Através de nosso fórum internacional na Internet PEN/Opptexts que foram censurados em muitos países ainda chegam a leitores do mundo todo. O Prêmio Tucholsky foi instituído em 1985, é concedido a autores de mérito que, como resultado de sua obra literária, são forçados a viver no exílio ou sob ameaça em seu próprio país. Entre os premiados estão Salman Rushdie, Taslima Nasreen, Dawit Isaak e Gui Minhai”.

O PEN Sueco foi fundado em 1922 como um dos primeiros Centros da organização PEN. O primeiro presidente foi o poeta Anders Österling. Mulheres escritoras, como Elin Wägner e Marika Stiernstedt, foram admitidas a partir do ano de 1925. Até a Segunda Guerra Mundial, a organização era principalmente um clube de discussão, mas a partir do final da década de 1940 a organização passou a lidar mais com questões relacionadas à liberdade de expressão e solidariedade internacional.

Hoje, o PEN Sueco tem mais de 800 membros e é uma parte importante e influente da rede PEN Internacional. O PEN sueco é administrado por um conselho cujos membros trabalham sem remuneração financeira. O presidente é Jesper Bengtsson. (Redação)

 

Termina a aventura do mister Turito na terra dos matacas

  • O técnico é demitido a três pontos do segundo classificado do Moçambola

Nampula (IKWELI) – O Ferroviário de Lichinga, o único representante da província do Niassa no Moçambola na presente temporada futebolística, demitiu o mister Artur Macassar, ou simplesmente Turito, no comando técnico da colectividade, por alegadamente maus resultados desportivos.

O técnico abraçou as cores do Ferroviário de Lichinga no início da presente época desportiva, saindo do Ferroviário de Nacala, onde esteve por uma época e meia.

A decisão pela demissão do técnico e todos os seus auxiliares vem numa altura em que a equipa encontra-se em 5º lugar na tabela classificativa do Moçambola com um total de 13 pontos, em resultado de três vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. O mesmo número de pontos tem as equipas da Associação Desportiva de Vilankulos, Ferroviário de Nampula e Ferroviário de Maputo, as quais se encontram em 6º, 7º e 8º lugares, respectivamente. Acima do Ferroviário de Lichinga estão os colossos Associação Black Bulls com 22 pontos, União Desportiva de Songo com 16 pontos, Costa do Sol com 15 pontos e Ferroviário da Beira com 15 pontos.

A demissão surpreendeu aos demais desportistas nacionais, particularmente de Nampula, os quais consideram que a equipa esteve a fazer um bom campeonato, tendo em conta a situação em que se encontram outras colectividades na mesma competição. Nesse sentido, os desportistas ouvidos pelo Ikwelidizem acreditar que a saída de Turito no comando técnico do Ferroviário de Lichinga não tem motivações desportivas, mas outros âmbitos.

“Veja que neste momento Lichinga está na nona posição, com possibilidade de na próxima jornada vier a ocupar um lugar acima deste, porque o próprio segundo classificado que é a UDS, apenas tem 16 pontos, uma diferença de três pontos, sem falar do Costa do Sol e Ferroviário da Beira que contabilizam 15 pontos. Então, penso ser uma decisão precipitada da direcção do Ferroviário de Lichinga”, analisa o desportista Felisberto Dias.

“Essa decisão veio muito cedo demais e, pelo que vejo, pode ser motivada por outros factores que não sejam desportivos. Estamos a falar de um Moçambola muito complicado com muitas equipas grandes que, também, lutam para lugares cimeiros, agora, penso que a posição em que a equipa se encontra neste momento não justifica a demissão do treinador. A direcção agiu mal a proceder dessa forma. Não pode ser justificação o facto de existirem grupo de sócios que contestavam o trabalho da equipa técnica, algo esta por detrás da própria direcção. Até pode ser que querem empregar alguém mais próximo deles, já que o emprego em Moçambique está difícil”, considera Omar Abibo.

Para o Instrutor de árbitros e analista desportivo, José Eugénio Machava, o comportamento da direcção de Lichinga é negativo, justificando com o facto de a equipa encontrar-se numa posição que descreveu como sendo estável.

“Ele mostrou ser um bom treinador, montou uma boa equipa de tal forma que Lichinga quando joga fora mostra que tem objectivos e tem conseguido pontos, para além dos jogos realizados em casa. Neste momento a equipa está numa posição estável e o que a direcção devia fazer era manter a equipa técnica para os próximos jogos. Veja que estamos apenas na nona jornada e equipa está no meio da tabela, num campeonato em que, também, tem equipas que lutam para ficar lá no topo. Lichinga está numa posição de garantia de manutenção”, observou.

Segundo a profecia de Machava, o Ferroviário de Lichinga arrisca em ter próxima fase complexa, justificando que a nova equipa técnica a ser confiada sempre irá trabalhar com o medo. “Os treinadores vão aceitar ir para lá porque querem trabalho, mas estarão sempre com receio, eles não estarão a decidir com propriedade por medo de seguir o mesmo caminho da equipa anterior, e isso não é bom. Eu penso que Lichinga pode manter na sua posição ou descer cada vez mais, porque subir não acredito muito porque tem outros que também lutar para lá estar”, precisou a fonte. (Constantino Henriques)