Nampula (IKWELI) – O comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Mogovolas, é apontado como que disparou contra quatro menores durante as celebrações de mais um aniversário de elevação de Nametil a categoria de vila, efeméride que teve lugar no último fim-de-semana.
Segundo apuramos, para celebrar o dia, foram programadas várias actividades sendo uma delas a corrida de motorizada. Entretanto, após ter-se anunciado, na última hora, que tal evento não iria acontecer, os residentes locais avançaram com a onda de revindicação perante as autoridades locais.
Chamada a intervenção dos homens da lei e ordem, foram neutralizados alguns manifestantes considerados como sendo cabecilhas, medida que incluiu a apreensão das motorizadas dos mesmos.
Inconformados com a medida policial, os populares de Mogovolas foram se amotinar no recinto do comando distrital, que dista escassos metros do palco das cerimónias. Foi a partir daí que, se sentindo ameaçado com a moldura humana e na tentativa de dispersar, a polícia começou com disparos de balas reais, tendo alvejado três crianças que estiveram junto dos manifestantes.
Segundo fontes locais, os disparos foram protagonizados pelo comandante distrital de Mogovolas, mas o pior não aconteceu porque as crianças foram prontamente socorridas para a unidade sanitária.
Em resultado no baleamento os 4 adolescentes foram evacuados para o Hospital Central de Nampula (HCN), sendo três nas pernas, na cocha e na nádega.
Isaac Abacar Abudo é uma das vítimas, ele foi baleado na nádega e contou que “o que aconteceu comigo, no dia 2 de Julho, era festa de Mogovolas, e na estação ia haver corrida de motorizadas e eu fui para assistir. Estava sentado no banco para ver a corrida. O comandante [da PRM] começou a pegar as motorizadas e levou arma começou a disparar para as pessoas e de repente me acertou uma bala”.
O adolescente disse que depois de ser baleado conseguiu andar até ao encontro do pai que, de seguida, levou-lhe ao hospital local onde foi transferido para a maior unidade sanitária da região norte do país.
O Dr. Hermenegildo Mulega, cirurgião geral afecto ao HCN, explica que os pacientes que entraram vítimas de ferimento, por arma de fogo, estão fora de perigo, mas mostra preocupação com o adolescente baleado na nádega, pois apresenta edemas, facto que será necessário que continue em observação médica, enquanto os outros poderão receber alta.
Esta fonte explica que “quando se trata de ferimentos por arma de fogo, que não tenha lesão ao nível do órgão e ou abdômen e tórax, o paciente é submetido em observação a não ser que tenha fracturas. Se não tiver fracturas e se não haver compromisso vascular a medida é mesmo observação a procura de sinais de infecção que são complicações subsequentes”.
Este adolescente, de 16 anos, continua com a bala alojada na cocha, mas que a posterior será removida.
O que diz a polícia?
Zacarias Nacute, porta-voz da polícia da República de Moçambique, em Nampula, confirmou o uso de arma de fogo para dispersar a população e justifica que a manifestação estava a acontecer em um local onde não devia, no comando distrital, devido aos instrumentos que a polícia tem em sua posse, nomeadamente armas de fogo e outros instrumentos de persuasão.
“A polícia foi obrigada a agir de forma mais persuasiva e como consequência disparou-se alguma balas ao ar para tentar amainar os ânimos dos populares, e neste processo acabou atingindo o menor que ficou ferido na perna”, disse Nacute, afirmando que a bala foi erro de execução porque não era para abranger qualquer cidadão.
Daí que segundo ele, a polícia ao nível do distrito está a fazer acompanhamento a única vítima que para eles foi ferida, isso numa altura em que foram confirmadas quatro vítimas de baseamento policial.
“Acreditamos que os outros menores podem ter contraído ferimento em outras circunstâncias. Daquela que foi a perícia feita sobre indivíduos feridos por bala, só houve um, os restantes podem ter se ferido em consequência da amotinação, como são menores que se envolveram numa confusão em que estavam pessoas adultas, provavelmente no momento de fuga acabaram contraindo ferimentos”, disse
A polícia não fala de responsabilização dos agentes, até porque o porta-voz adiantou á jornalistas que será difícil saber de que arma saio o projétil que causou o incidente, uma vez que para ele naquele momento era importante proteger a instituição, um trabalho digno para garantir a ordem pública, para evitar que indivíduos de má-fé se aproveitassem da situação para se apoderar e vandalizar bens policiais. (Adina Sualehe e Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – O dia 13 de junho findo começou como todos os outros anteriores na vida de uma adolescente de 16 anos na unidade comunal de Napacala, nos arredores da cidade de Nampula, mas veio a terminar de forma trágica, pois na calada da noite amigos do alheio “visitaram” a sua família.
Seis malfeitores, sem dó e nem piedade, introduziram-se na residência de uma humilde família naquela circunscrição do bairro de Muahivire, com o intuito de assaltar e apoderar-se dos bens. No interior da residência, depois de violentar, brutalmente, o pai da família, decidiram por outras práticas desumanas.
Destas práticas, destaca-se a violação sexual da adolescente em referência, na presença do seu pai, o qual imobilizado não conseguiu salvar a sua filha da triste e desonrosa situação.
De acordo com a menor violada, os indivíduos de má-fé ao se introduzirem no seu quarto, obrigaram-na a manter relações sexuais em troca da sua vida. “Vieram, o meu pai foi amarado, roubaram plasma e mais outras coisas que estava dentro da casa, bateram a minha irmã mais nova com uma catana e depois começaram a perguntar-me se no dia 1 de junho tive roupa para vestir e quando responde que não, me pegaram e começaram a fazer as suas coisas”.
O pai da menor vítima afirmou que naquela noite foi agredido fisicamente dentro da sua residência, para além de a sua filha ser vítima de violação sexual. Suspeita que o crime seja protagonizado por indivíduos desconhecidos que teriam sido mandados pelo seu antigo trabalhador que prestava actividade de táxi-mota, o qual perdeu emprego por mau comportamento. “O acontecimento nesta casa foi por volta das 23 horas, um grupo de pessoas arrombaram a minha porta e depois exigiram-me dinheiro, por isso mesmo agrediram-me e parei no hospital, tal como podes ver, conseguiram roubar três telemóveis, lençóis, quatro sacos de vários produtos agrícolas com destaque o amendoim e um valor de 7.000,00Mt (sete mil meticais) que estava na minha conta eletrónica vulgo M-pesa. Também suspeito que seja o meu taxista que trabalhava para mim que fez está vingança, porque o trabalho que prestava para mim a receita não compensava e mandei-o embora, por causa disso ele começou a anunciar as pessoas que eu tinha vendido a minha casa e tenho muito dinheiro”.
Por outro lado, o nosso interlocutor esclarece que as autoridades policiais têm conhecimento do caso, mesmo assim pede celeridade dos agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Nampula, no sentido de identificar os criminosos para que sejam responsabilizados pelo acto.
“Se houvesse como gostaria que, pelo menos, fosse encontrado uma pessoa que estava no grupo dos indivíduos que vieram fazer o estrago dentro da minha residência, pedimos as autoridades de investigação para a neutralização destas pessoas”, deseja este pai desolado.
Na ocasião, o chefe da unidade comunal Napacala, Rosário Pedro, disse que nos últimos tempos a situação de onda de criminalidade é uma preocupação e está associado a falta de iluminação na via pública daquele bairro. “Exatamente tivemos conhecimento desta situação que ocorreu em uma das residências nesta zona e os malfeitores roubaram todos os bens, incluindo dinheiro e violaram sexualmente uma menor. Com a falta de iluminação, os casos de agressão e roubo é lamentável e precisamos de ajuda para acabar com o problema”.
Enquanto isso, a Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, através de trabalho investigativo realizado, neutralizou um dos integrantes que se introduziram na residência munidos de instrumentos contundentes.
“Resta-nos outros integrantes da quadrilha, por isso ainda está sendo feito um trabalho, brevemente vamos neutralizar outros restantes para colocar a barra da justiça”, garantiu Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula. (Nelsa Momade)
Nampula (IKWELI) – O músico e compositor Momade Ali Faque, ou apenas Ali Faque como é carinhosamente tratado no mundo das artes, entende que a música na cidade de Nampula anda doente e está sendo escandalizada pelos governantes locais, sendo estes as principais figuras que desvalorizam esta arte nos últimos tempos.
Há 35 anos na música, Ali Faque comenta, referindo-se aos governantes, que “nunca estenderam a mão para o crescimento da sua carreira musical, apesar de tudo que ele fez para o crescimento cultural do país”. Esta fonte tem em memória um apoio dado pelo então governador Victor Borges, na ordem dos 15.000,00Mt (quinze mil meticais).
Ainda sem a colaboração do governo, Ali Faque encoraja pessoas singulares a providenciar apoio aos músicos. “Em Nampula, os dirigentes não consideram a música, por isso que essa classe anda desorientada. Ora vejamos, actualmente as pessoas preferem apoiar show biz que é o caso de Lil Wayne de Moçambique que, mesmo não cantando nada, está a ser acreditado a todos niveis”.
Em relação ao de “wouro”, este músico comenta que ‘Lil Wayne de Moçambique não canta nada, somente faz show biz, entendo que cada ponto de um país, sempre existem pessoas de género para agitar a população”.
Para ele, ser músico em Nampula é disperdicio, porque “nunca há consideração, muito mais no contexto que o país vive de individualismo”, concluiu. (Malito João)
Nampula (IKWELI) – O antigo jornalista e chefe do Gabinete de Comunicação e Imagem do edil da cidade de Nacala, na província de Nampula, Arlindo Chissale, tenciona candidatar-se pela Renamo ás eleições autárquicas no distrito de Balama, um dos recém-elevados à categoria na província de Cabo Delgado.
A intenção de candidatura de Chissale não reúne consensos na Renamo em Balama, a qual diz que não vai o apoiar, porque ele não é residente local, apesar de há mais de seis meses Chissale ter se fixado no distrito em cumprimento de, segundo ele, uma ordem do “topo” com vista a preparar a sua candidatura. E como parte da sua preparação, ele recenseou-se na escola secundária de Balama, uma situação que o levou a responder processo sumaríssimo de ilícito eleitoral no tribunal judicial de Balama, julgado na semana passada, cuja sentença será lida no dia quatro do corrente mês. Aliás esse processo decorria em simultâneo com um outro em Nacala, onde Chissale também era apontado de ilícito eleitoral por ter filmado cartões de recenseamento de eleitores com falhas de inscrição, no qual foi absolvido.
Segundo Chissale, o processo em curso em Balama é resultado da existência de duas frentes na Renamo que estão a ser instigadas para impedir a sua candidatura e para isso o denunciaram no tribunal por ilícito eleitoral, onde teve que provar que é residente há mais de seis meses e que inclusive já adquiriu casa própria.
Em entrevista ao Ikweli, Arlindo Chissale disse que o processo surge pelo facto de ter se inscrito em Balama, pelo que durante o julgamento teve que responder porquê foi se recensear naquele distrito.
“Eu sou moçambicano e posso residir em qualquer parte do país, e quando veio a orientação central para eu me candidatar em Balama no ano passado tive que me mudar. Deixar algumas funções que eu exercia para me preparar. Estranhamente, a Renamo na província pediu provas se eu tinha me recenseado no distrito e entreguei o meu cartão e o mesmo foi usado no processo de ilícito eleitoral”, disse, mostrando-se indignado pelo facto de como disse a hierarquia máxima da Renamo na província ter colaborado com o Secretário da Frelimo e do bairro para lhe impedir de concorrer.
Diante disso, Chissale alega estar a ser perseguido dentro e fora da Renamo dada a sua pretensão de se candidatar.
Contactamos o delegado Político distrital da Renamo em Balama, Simão Amimo, o qual disse que foi solicitado pelo tribunal para confirmar se Chissale era membro do partido e residente do distrito. E lamentou o facto dele, na sua ida ao distrito, não ter se apresentado no partido ao nível local.
Amimo esclareceu, também, que “localmente não temos nenhuma orientação sobre a candidatura do senhor Chissale, até porque o partido nos disse que o candidato deve ser um residente local”.
Contudo, finalizou dizendo que a pretensão de Arlindo Chissale de se candidatar ao município de Balama está a ser apoiada, apenas, por um deputado da Assembleia da República pelo partido Renamo, mas o partido ao nível local não concorda e não poderá apoiar. (Adina Sualehe)
Nampula (IKWELI) – Um adolescente, de 17 anos de idade, e um jovem, de 19 anos, foram detidos pela Polícia da República de Moçambique indiciados da tentativa de roubo de uma viatura no bairro de Napipine, nos arredores da cidade de Nampula.
Os dois pretendiam roubar uma Toyota do modelo Alteza, mas acabaram por cair nas malhas dos homens da Lei e Ordem.
Contam os indiciados que pretendiam vender a viatura no valor de 40.000,00Mt (quarenta mil meticais), mas a sorte não lhes caiu.
Zacarias Nacute, porta-voz da corporação, conta que “dois indivíduos foram metalizados na posse de uma viatura roubada, onde um desses indivíduos teria furtado no bairro de Napipine, com recurso a uma chave de fenda”.
Esta informação consta das ocorrências policiais da semana finda, cujo relatório faz referência, também, a um grupo de três indivíduos que no bairro de Murrapaniua, no mês passado, introduziram-se numa mercearia, com recurso a instrumentos contundentes, e subtraíram diversos bens avaliados em aproximadamente 46.000,00Mt (quarenta e seis mil meticais).
“Após este facto, os indivíduos puseram-se em fuga e o caso foi notificado as autoridades que de imediato desencadearam um trabalho investigativo que culminou com a neutralização e recuperação de alguns bens que”, concluiu Nacute. (Nelsa Momade)
Nampula (IKWELI) – Uma das praias do posto administrativo de Quinga, no distrito de Nampula, no norte de Moçambique, pode ser o novo local de baldeamento de drogas na província de Nampula, através do Oceano Índico e que depois o produto é levado a outros pontos do país. Quase de forma regular tem sido visto um navio no alto mar e depois desaparece.
Suspeitam algumas fontes contactadas pelo nosso jornal que, justificam que a escolha de Liupo, resulta do aperto e melhoria de vigilância nas regiões de Nacala e Angoche, que recentemente eram tidas como as rotas preferidas de tráfico de drogas e que em algumas vezes o Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) em Nampula interpelou.
As nossas fontes explicaram que a fraca preparação dos agentes das autoridades locais e facilidade de corrompimento dos mesmos, tanto como o facto da descarga acontecer a meio da noite, contribui bastante para ocorrência de ambiente de movimentação de considerável quantidade de droga em Liupo.
Um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), afecto naquele distrito, disse que há sinais que indicam movimentos estranhos que pode ser de esquemas de tráfico de drogas, mas muitas das vezes, a tal movimentação acontece de forma escondida ou porque os tais apontados se lidam com assuntos de venda e comercialização de diverso pescado, como camarão e outros, o que torna difícil pegar em flagrante.
“Temos todos sinais de que há um tipo aqui que faz movimentação em tempos impróprios. Por exemplo, à noite, um carro vai lá na praia, ou entra naquele posto administrativo [Quinga], mas na praia, lá para as 19 horas, só que nós não temos provas e é isso que estamos a tentar, as vezes sentimos alta noite movimentação de viaturas, até porque há carros aqui que não chegam na cidade, nem na vila, só andam aqui mesmo”, argumentou a nossa fonte.
Mais a diante, a mesma fonte contou que “um dos colegas quase teria interpelado um esquema de tráfico, mas, o erro dele é que estava sob efeito de álcool, mas o negócio, seguiu, porque ali mesmo teria chegado o chefe do posto e ele disse ao chefe que vocês sabem alguma coisa, estão a traficar drogas, o assunto aqueceu e ele é precisado na província para explicar bem”, revelou, apontando que isso terá chamado atenção aos supostos traficantes a melhorarem os seus movimentos.
A praia de Quinga é frequentada por pescadores locais, bem como outros provenientes de Namige, no distrito de Mogincual e Parapato, Angoche. (Redação)
Nampula (IKWELI) – A equipa sensação da série A do campeonato nacional da segunda divisão fase provincial de Nampula, o Futebol Clube de Ribáuè, pretende abandonar a competição devido a falta de recursos financeiros para responder com as exigências da prova.
O Futebol Clube de Ribáuè entrou na história pelo facto de se tornar na primeira equipa daquele distrito a disputar uma competição oficial. O nome originário da colectividade é Futebol Clube Porto de Namiconha, mas as autoridades distritais e municipais de Ribáuè convenceram os dirigentes da equipa a mudar de nome para Futebol Clube de Ribáuè, com promessa de apoio, uma vez o nome ser representativo e inclusivo ao distrito.
Movido pelas palavras encorajadoras dos governantes de Ribáuè, a equipa começou o campeonato de uma maneira surpreendente, tornando-se na equipa imbatível da série A do nampulense, juntamente do Desportivo de Nacala. Aliás, neste momento o FC de Ribáuè é o segundo colocado na tabela classificativa do agrupamento em que está inserido, com 12 pontos.
Entretanto, volvidas seis jornadas do campeonato a equipa tenciona abandonar a prova por não ter recursos financeiros para suportar com as despesas inerentes a transporte, sobretudo nos jogos realizados fora de portas, alojamento, alimentação, material desportivo, bem como a remuneração dos atletas.
Desde o início da época, todas as despesas são suportadas pelo jovem Esmino Carlos, presidente da agremiação, o qual disse terem esgotadas as suas capacidades de continuar a apoiar a colectividade, uma vez as exigências serem avultadas.
“Este campeonato está a ir bem, só que lamento pelo facto de o nosso governo de Ribáuè que não quer nos apoiar. Desde que iniciou o campeonato apenas eu é que faço tudo sozinho, a partir da compra de equipamento, comida, aluguer de casa para os jogadores, sabendo que é única equipa neste distrito e a equipa ostenta o nome do distrito. Eu ao tirar minha comida que dou os jogadores, é porque estou a apoiar o distrito”, disse Esmino Carlos, Presidente do FC de Ribáuè.
“O nosso governo não nos apoia, o município também não nos apoia, nem com transporte, mesmo escrevendo cartas, sempre dizem para esperarmos, então aquilo me dói até no coração”, acrescentou o desportista.
“Para vir o nome de Futebol Clube de Ribáuè é porque sentamos com o governo dizendo que para vos apoiar é necessário a mudança do nome de Porto de Namiconha para ficar Futebol Clube Ribáuè, porque Ribáuè é único, todos estamos juntos. Vamos apoiar em equipamento e outras coisas que necessitarem”, precisou Esmino Carlos.
Contactado o Presidente do Município de Ribáuè, a respeito da intenção da equipa de abandonar a prova, André Sipaneque disse tratar-se de uma informação surpreendente. Entretanto, prometeu se pronunciar sobre o caso assim que se reunir com o administrador do distrito, mesma posição manifestada por Rafael Tarcísio, timoneiro daquele território.
De recordar que, numa das nossas edições havíamos anunciado a vontade das autoridades governamentais de Ribáuè de juntos trabalharem para dar o suporte a equipa que representa o distrito. (Constantino Henriques)
Ottawa (IKWELI) – Os ministros dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento Internacional e o do responsável pela Agência Internacional de Desenvolvimento Económico do Pacífico e Canadá, Mélanie Joly e Harjit S. Sajjan, elogiam Moçambique, em declaração pública, sobre o passo significativo dado em direcção à paz sustentável com o desarmamento da última base da Renamo na província de Sofala.
“O Canadá junta-se à comunidade internacional para felicitar a República de Moçambique pela conclusão das actividades de desarmamento e desmobilização do processo de paz moçambicano. Este marco significativo representa um compromisso claro tanto do governo de Moçambique como da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) para proteger e promover uma paz sustentável para as futuras gerações”, lê-se na declaração distribuída a partir de Ottawa, a qual prossegue afirmando que “desde a assinatura do Acordo de Maputo para a Paz e Reconciliação Nacional em 2019, o governo, a RENAMO e o povo de Moçambique tomaram importantes medidas para abrir o caminho para a paz e a segurança”.
Entendes os dois dirigentes canadenses que “orgulhamo-nos de ter apoiado o acordo de paz desde o seu início e aplaudimos o Secretariado do Processo de Paz das Nações Unidas pela sua dedicação em garantir que todas as partes interessadas pudessem cumprir os seus compromissos. Como doador e Representante dos Doadores no Fundo de Comum do Processo de Paz, o Canadá contribuiu com mais de 4,5 milhões de dólares canadianos para apoiar as actividades de desarmamento, desmobilização, reintegração e esforços de reconciliação”.
“O Canadá continua empenhado em apoiar Moçambique nos seus esforços contínuos para construir comunidades prósperas, inclusivas e pacíficas, incluindo através de reconciliação em curso, descentralização, promoção da igualdade de género na construção da paz e proteção dos direitos humanos”, conclui a declaração. (Redação)
Nampula (IKWELI) – O terrorismo que ocorre há cinco anos na província nortenha de Cabo Delgado, já privou a escolarização de milhares de crianças, adolescentes e jovens, principalmente do sexo feminino, as quais tiveram que se deslocar a procura de melhores condições de segurança.
A província de Nampula, que faz limite com Cabo Delgado, foi um dos pontos preferenciais das famílias que tiveram de abandonar as suas aldeias de natais. Neste ponto do país, a maioria fixou-se nos distritos de Meconta, Nampula e Nacala.
No relatório apresentado em 2022, o fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, na sigla inglesa), apontava para a existência de mais de 200 mil crianças fora da escola em consequência da guerra em Cabo Delgado.
Dados recolhidos pelo Ikweli, indicam que o processo de absorção das crianças em idade escolar nos diferentes subsistemas de ensino tem sido lento.
Informação do Governo de Nampula, que acolheu o grosso número de deslocados internos de Cabo Delgado, contabilizou, até 2021, a entrada de 65 mil pessoas, das quais 18.290 são meninas abaixo dos 18 anos de idade, um número que este ano reduziu para 10.000.
Deste grupo, uma parte significativa encontra-se no distrito de Meconta, cujo governo local diz ter reintegrado, em 2021, de 1ª á 12ª classes, nas suas escolas, um total de 1.426 meninas, um número indicativo, que mostra que em toda a província mais da metade das raparigas deslocadas encontra-se fora dos diferentes subsistemas de ensino.
O medo que ainda persiste, as mudanças de bairros, vilas e a falta de condições que incluem dificuldades para alimentação, fazem com que os pais e encarregados de educação não adiram ao retorno escolar das crianças.
Associado a isso, está o facto de ao nível do Governo, assim como das organizações que trabalham na defesa dos direitos humanos das raparigas, não haver programas específicos em curso virados ao acompanhamento da escolarização das raparigas deslocadas, ainda que estas representem um grupo vulnerável ao abandono escolar, gravidez precoce e uniões prematuras.
Diana Orlando, de 17 anos de idade, vem do distrito de Macomia e chegou ao posto administrativo de Namialo, no distrito de Meconta, em 2020. Quando saiu da sua terra natal frequentava a 10ª classe e de lá para cá não mais voltou a escola, alegando não haver condições se quer para as três refeições diárias. “Para ir à escola precisa ter dinheiro, primeiro tenho que pagar a declaração de bairro, depois pagar a matrícula. E também tem que ter dinheiro para material escolar, as fotocópias. Os meus pais não recebem e esta casa onde vivemos fomos emprestados, porque a dona vive em Corrane”, disse a adolescente.
Quem também fala de dificuldades de garantir a escolarização das crianças deslocadas é Judite Mpulanga, natural de Macomia, mãe de cinco filhos, duas das quais meninas de 12 e 17 anos de idade, respectivamente, que não estudam por causa da falta de condições. Em Cabo Delgado, as duas filhas frequentavam a 3ª e 6ª classe, mas actualmente não estudam e o seu marido, que era o principal provedor da família segundo contou, foi assassinado pelos terroristas e desde que chegou a província de Nampula vive de ajuda do Governo algumas vezes, e noutras ajuda na machamba de vizinhos e conhecidos para ganhar algum.
Agnela Crisanto, rapariga deslocada
“Em 2021 quando as crianças começaram a ser matriculadas na escola pensei em levá-las, porque nós como deslocados não estávamos a pagar, mas não tive como porque precisa comprar caderno, canetas, lápis e eu não tinha dinheiro decidi deixar assim sem estudarem, porque também não podia pôr uma a estudar e deixar a outra”, frisou.
O presidente da associação Kuendeleya, que trabalha na defesa dos direitos humanos, promovendo a educação das crianças e formação profissional dos adolescentes em Cabo Delgado, explica que o terrorismo degradou o sistema educativo no norte de Moçambique, e a situação é mais evidente nas zonas afectadas pelo conflito, onde ainda há receios de regresso a escola, pois apesar de algumas famílias terem voltado às zonas de origem ainda temem pela sua segurança e de seus filhos.
“Essa realidade, também é possível, notar nos centros de acolhimento, onde há ainda meninas sem estudar e quando questionamos porquê que não vão a escola os pais nos dizem que até podem levar as escolas, mas não se sentem seguros e o outro problema é que quando voltam da escola não têm o que comer e outras tem que trabalhar para o outrem e acabam explorando as crianças em trabalhos de adultos. Isso limita as crianças de ir à escola”, disse Gafuro.
O psicólogo Racho Pinto referiu que, no caso dos ataques terroristas que se vivem em Cabo Delgado, as crianças são as que mais sofrem e podem guardar em suas memórias situações que tenham assistido como assassinatos, fazendo com que tenham fobia intensa que vai afectar a socialização, incluindo ir à escola.
Para ele, é comum que os pais, incluindo as alunas, ainda sintam medo de voltar a escola, sobretudo em casos em que voltam as suas zonas de origem, como o que está a acontecer, dado o facto de que elas vão reviver as memórias dos ataques que passaram.
“O que acontece é que nesse grupo de deslocados, há crianças que até viram seus pais serem decapitados, então elas acreditam que, por exemplo, a escola pode não ser um espaço seguro e a quaisquer momentos podem estar perante um ataque violento”, explica o psicólogo, que acrescenta que o caso pode piorar gerando sentimento de raiva e vingança quando essas crianças não são assistidas por especialistas, daí que alerta para a necessidade de o acompanhamento psicológico ser constante.
Diante do medo dos pais, a sensibilização foi importante na reintegração escolar das meninas em Meconta
O distrito de Meconta na província moçambicana de Nampula, foi um dos que recebeu maior número de deslocados internos. Foram pouco mais de vinte mil pessoas na sua maioria crianças, grande parte em idade escolar, o que trouxe vários desafios ao Governo local, que teve que se “desdobrar para que as crianças não ficassem sem estudar e de igual modo tivessem condições básicas”, disse o administrador do distrito, Melchior Focas, em entrevista ao Ikweli.
Segundo Focas, “do levantamento feito para que as crianças voltassem a estudar, alguns pais aceitavam, mas outros não, porque ainda estavam com medo, pensavam que as crianças não fossem regressar para casa, podiam ser raptadas, porque elas vinham daquela situação da guerra, estavam traumatizadas, certamente com insegurança pelos seus filhos. Este foi um momento mais complicado, e mesmo assim nós, como o Governo, dizíamos que não havia problemas de elas voltarem a escola e que juntamente com os professores íamos controlar as crianças e graças ao apoio das comunidades e parceiros conseguimos reintegrar um número significativo de crianças. E graças ao apoio dos nossos parceiros demos material escolar, kit de dignidade para às raparigas”. Focas lembra que, das cerca de 1.426 raparigas deslocadas reintegradas em 2021, 1000 foi no posto administrativo de Corrane e as restantes na sede do distrito e em Namialo.
Melchior Focas, Administrador do distrito de Meconta
E para responder o aumento de criança nas escolas, o governante explicou que com parceiros tiveram que construir e melhorar algumas salas de aulas em Corrane. “Este foi um momento muito complicado, porque tínhamos que receber, acolher, reintegrar e apoiar para eles se estabilizarem, foram momentos duros”.
O Ikweli conversou com algumas meninas reintegradas nas escolas do distrito de Meconta. Anica Jamardine, de 13 anos de idade, natural do distrito de Mocímboa da Praia na província de Cabo Delgado, que faz parte das raparigas deslocadas que depois de fugir o terrorismo conseguiram voltar à escola. Este ano frequenta a 4ª classe na escola primária de Namialo, no distrito de Meconta, região que a acolhe juntamente com os seus pais desde 2020, depois que a sua vila foi atacada.
Anica que começou a escola tardiamente, com 8 anos de idade, conta que quando chegou ao posto administrativo de Namialo, em Meconta, no ano 2020, tinha concluído a 2ª classe, e porque na altura o país estava a ser afectado pela pandemia da COVID-19 associado ao medo e a insegurança que ainda sentia, ficou dois anos 2020-2021 sem voltar à escola e só em 2022 a família decidiu que ela podia continuar com os estudos. “Quando quis voltar a escola não tive dificuldades, fui ao líder pedir uma declaração que confirmava que eu era deslocada e queria estudar, ele fez e eu levei a escola, lá foi inscrito o meu nome e comecei a estudar. Na altura não tinha documento, mas também não me complicaram porque já sabiam que sou deslocada. E estudo até hoje sem problema”, explica a adolescente.
Foi desta facilidade dos líderes que as irmãs Agnela Crisanto e Maria Crisanto do distrito de Muidumbe, de 17 e 19 anos de idade respectivamente, conseguiram voltar a escola. Maria Crisanto disse que “quando cheguei aqui em Namialo em 2020 não estudei por causa de corona e em 2021 e 2022, também, não estudei porque fiquei grávida e tinha que cuidar da criança, só no ano passado é que decidi voltar a escola e fui no líder, paguei 100 meticais para ter declaração e 600 meticais para ter vaga este ano no período noturno”.
Enquanto isso, a sua irmã Agnela Crisanto, que voltou a escola em 2021, contou não ter pago porque como deslocada havia uma orientação de que deviam pedir declaração de bairro ao líder para poderem voltar a escola.
“Eu levei o meu documento de bairro, apresentei na escola secundária de Namialo e fui inscrita para estudar, fiz a 11ª e agora estou na 12ª classe”, disse.
Para quem é mãe e encarregada de educação, chegar a uma província sem família onde menos conhecia e sem documentos e conseguir que sua filha estude é de agradecer. Quem assim diz é Amina Abu Chale, mãe de 4 filhos, três dos quais meninas de 9, 13 e 16 anos de idade respectivamente, acolhidos na sede do distrito de Meconta. “Quando chegamos aqui não tínhamos nem roupa, quando cheguei com meu filhos e marido em 2020 só tínhamos a roupa do corpo, não sabíamos onde íamos viver, mas o importante era sair da guerra e aqui fomos acolhidos, nos ofereceram roupa, minhas filhas matricularam, continuaram a estudar. Nós não tínhamos dinheiro para dar material escolar, mas apareceram pessoas e deram cadernos e uniforme”, disse Amina, que acrescentou que “apesar de que não tinham todo material escolar, elas estudaram e passaram de classe para a 2ª, 6ª e 8ª classes respectivamente.
Maria Crisanto, rapariga deslocada
UNICEF defende a necessidade de assegurar a continuidade escolar das raparigas para que se protejam da violência
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) faz parte da equipe de coordenação para a área de educação, onde as acções que foram desenvolvidas não tiveram uma distinção específica para as raparigas. No entanto, o que foi feito, segundo o Coordenador provincial desta agência em Nampula, Baisamo Juaia, foi assegurar que todos os deslocados passassem por triagem, actividade que permitiu notar que a maioria eram crianças em idade escolar, cuja maior preocupação foi assegurar, junto do Governo, que fossem reintegradas na escola. “Nesse processo de reintegração é possível ver com muita evidência o que aconteceu no distrito de Meconta, no centro de Corrane, embora seja difícil saber se a reintegração foi efectiva, mas o registo que foi feito procurava saber até que classe estavam estas crianças”, disse Baisamo que afirma que o UNICEF quer assegurar a não descontinuidade da tarefa de estudar e, sobretudo, quando se trata da rapariga, a sua reintegração na escola é no seu entender, uma das formas de evitar a violência.
Baisamo Juaia, Coordenador do UNICEF em Nampula
Mas no caso das meninas que por várias razões não continuaram as aulas, Baisamo disse que foram reintegradas em outras actividades comunitárias e de desenvolvimento como comitês de saúde, teatros para mudanças de comportamento sociais negativos. “Esta foi uma estratégia que nós tomamos para que a reintegração dessas meninas não fosse apenas tomar em conta a componente de continuação das aulas, mas também naquilo que vai assegurar a promoção de condições de vida, principalmente em Corrane”.
O apoio do Governo
O Delegado do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres (INGD), em Nampula, Alberto Armando, disse que o Governo da província definiu como prioridade a reinserção das crianças deslocadas no sistema de ensino, e embora não exista um número exacto, mas tomando como base o centro de recenseamento de deslocados em Corrane, onde têm o controlo directo, mais de 2.000 crianças frequentam diferentes sistemas de ensino localmente oferecidos e que, também, nos últimos dois anos beneficiaram de apoio em material escolar
“Em suma, em todos os distritos que acolhem deslocados oriundos da província de Cabo Delgado, as crianças em idade escolar foram inseridas no sistema de ensino”, disse Alberto que continuou explicando que “o fluxo de apoio em material escolar foi verificado entre os anos 2021/2022 que consistiu em uniforme escolar e material didático. Várias organizações como Helpo, Save the Children, Plan International, Irmãs da Igreja Católica, UNICEF, Actionaid, Sindicato Provincial de Jornalistas entre outras pessoas singulares e colectivas apoiaram em várias iniciativas. Em bom rigor, não é importante mencionar as organizações que apoiaram sob risco de deixar algumas entidades de fora, mas que tenham dado algum apoio. Para além de material didático, os apoios também se estenderam no melhoramento de infraestruturas escolares e provisão de serviços de saúde, água e saneamento no contexto de integração dos deslocados nas comunidades hospedeiras”.
Por outro lado, o chefe da repartição provincial de Gênero, Saúde e Desporto escolar na Direcção provincial de Educação em Nampula, João João, diz que ao nível da província as crianças foram distribuídas em 26 escolas, mas nos últimos dias nota-se movimentação de crianças em idade escolar que regressam a Cabo Delgado devido ao retorno das famílias para as suas zonas de origem, mas a maioria das crianças que voltam os seus encarregados tem pedido a documentação de transferência, de modo que continuem a escola nas suas zonas de origem. “Para nós não é desistência escolar, porque são apenas mudanças de província e nós nesses casos damos declarações de passagem, transferência do processo do aluno, mas o número das meninas que já voltaram não passam 20%”.
João João, Chefe da repartição provincial de Gênero, Saúde e Desporto escolar na Direcção provincial de Educação em Nampula
No entanto, o INGD contabiliza cerca de 5 mil raparigas que já regressaram às zonas de origem, desde Agosto do ano passado com os relatos do retorno da segurança. (Adina Sualehe)
*Esta reportagem foi produzida com o apoio da associação h2n, no âmbito do projecto ASAS
Nampula (IKWELI) – Os utentes do mercado Waresta, o maior da região norte do país, continuam expostos ao perigo de vida devido a linha-férrea que atravessa o local e dá acesso ao interior daquele centro comercial localizado na capital de Nampula. O perigo resulta da travessia às pressas em desafio à velocidade do comboio, colocando desta feita em perigo a sua vida.
Além dos utentes do mercado, os munícipes que residem nas proximidades e além da margem do mercado, correm o mesmo risco sempre que atravessam o caminho-de-ferro quando se fazem aos seus postos de trabalho, entre outros pontos. Deste grupo de moradores, o destaque vai para os de Murrapaniua, concretamente na zona residencial de Muthimacanha e Areal. A situação agrava nas horas de ponta e quando se faz o baldeamento de produtos para o mercado, altura em que parte dos estivadores disputam sacos entre si para ver quem carrega mais em detrimento do outro.
Apesar da existência de agentes destacados pela Nacala Logistics, que regulam a aproximação do comboio, a passagem do nível na entrada principal do mercado é sem guarda, por isso o desacato às orientações dos agentes, facto associado ao comportamento humano, segundo refere Inácio Pilopilo, chefe do mercado.
O chefe do mercado recorda que há cerca de dois anos que no local não se regista casos de acidentes, porém, o perigo é eminente e contínuo, pelo facto de ser o principal local que dá acesso ao mercado não só para peões, como para todo o tipo de veículo. Ademais, nota-se que parte de vendedores ocupam a linha-férrea ou nas proximidades para expor os seus produtos.
Pilopilo associa o perigo na travessia com o maior fluxo de circulação de veículos e pessoas que em simultâneo procuram atravessar o local. Daí a procura de alternativas para mitigar o perigo, dentre as quais, abertura de um outro ponto para travessia exclusiva de peões. Para tal, trabalhos estão em curso, visando a construção de degraus para tornar fácil a vida dos utentes do mercado e não só.
Enquanto isso, o chefe do mercado queixa-se do comportamento dos utentes que dificulta a comunicação entre os agentes de educação cívica e a polícia municipal, no exercício das suas actividades de sensibilização e regular a travessia na passagem de nível. Devido a situação, há vezes em que os utentes, sobretudo os estivadores, entram em pancadaria com a polícia municipal o que de certa forma complica a relação.
Esta preocupação também foi manifestada por operadores de táxi mota que exercem as suas actividades no mercado grossista do Waresta, que lamentam quando se aproxima o comboio. De outro modo, quando as pessoas são orientadas para estacionarem longe da linga-férrea estas acatam por alguns minutos e, ao se retirarem os agentes, voltam a se posicionar nas imediações ofuscando assim o trânsito normal de outras pessoas, para além do próprio comboio.
“Preocupa-me ver pessoas a correr para atravessar primeiro quando o comboio se aproxima. Isto ocorre também para alguns motoristas e taxistas aqui, ao verem um cliente na outra margem arriscam suas vidas mesmo vendo comboio a se aproximar. É lamentável o que acontece diariamente nesta entrada do mercado”, lamentou o taxista de moto, Ambrósio Lopes.
Os taxistas e vendedores ali próximos estão cientes do perigo que correm, mas alegam estar em busca de pão para sustentar as suas famílias. Segundo estes, expor os produtos na entrada do mercado atraí e retém, igualmente, os clientes que pretendem entrar no interior do mercado.
Outrossim, o perigo afecta de forma lamentável os menores de idade que que circulam em algures do mercado, a vender sacos plásticos, entre outros produtos a retalho e providenciam ajuda aos utentes do mercado pelo dinheiro. É nesta procura de sobrevivência que os menores disputam os clientes e para tal, posicionam-se na entrada principal, por sinal na passagem de nível, segundo constatamos no mercado e o chefe do mercado contou.
Saneamento é outro perigo
Para além do perigo devido a travessia na passagem de nível, parte do mercado constitui ameaça à saúde pública, devido ao mau tratamento de resíduos fora e no interior do mercado. Parte da linha-férrea tem sido tomada por entulhos de lixo depositado de forma desorganizada pelos vendedores do mercado.
O chefe do mercado está ciente do cenário, e disse não haver meios, como contentores, para o depósito de resíduos produzidos diariamente no Waresta. Esta problemática é do domínio do Conselho Autárquico de Nampula. O mau saneamento é associado a existência de barracas em desuso no interior do mercado, além do comportamento dos utentes, na sua maioria vendedores.
Vê-se no interior do mercado, uma lixeira onde os vendedores depositam resíduos. O pior é que está localizado no sector de venda de comida confeccionada e mariscos, sem acesso a viaturas que fazem a recolha de lixo. Os utentes satisfazem as suas necessidades, por isso há excrementos humanos e urina em toda a parte. A lixeira provoca cheiro nauseabundo, um autêntico atentado à saúde pública. (Esmeraldo Boquisse)