Perigo eminente no acesso ao mercado Waresta

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Nampula (IKWELI) – Os utentes do mercado Waresta, o maior da região norte do país, continuam expostos ao perigo de vida devido a linha-férrea que atravessa o local e dá acesso ao interior daquele centro comercial localizado na capital de Nampula. O perigo resulta da travessia às pressas em desafio à velocidade do comboio, colocando desta feita em perigo a sua vida.

Além dos utentes do mercado, os munícipes que residem nas proximidades e além da margem do mercado, correm o mesmo risco sempre que atravessam o caminho-de-ferro quando se fazem aos seus postos de trabalho, entre outros pontos. Deste grupo de moradores, o destaque vai para os de Murrapaniua, concretamente na zona residencial de Muthimacanha e Areal. A situação agrava nas horas de ponta e quando se faz o baldeamento de produtos para o mercado, altura em que parte dos estivadores disputam sacos entre si para ver quem carrega mais em detrimento do outro.

Apesar da existência de agentes destacados pela Nacala Logistics, que regulam a aproximação do comboio, a passagem do nível na entrada principal do mercado é sem guarda, por isso o desacato às orientações dos agentes, facto associado ao comportamento humano, segundo refere Inácio Pilopilo, chefe do mercado.

O chefe do mercado recorda que há cerca de dois anos que no local não se regista casos de acidentes, porém, o perigo é eminente e contínuo, pelo facto de ser o principal local que dá acesso ao mercado não só para peões, como para todo o tipo de veículo. Ademais, nota-se que parte de vendedores ocupam a linha-férrea ou nas proximidades para expor os seus produtos.

Pilopilo associa o perigo na travessia com o maior fluxo de circulação de veículos e pessoas que em simultâneo procuram atravessar o local. Daí a procura de alternativas para mitigar o perigo, dentre as quais, abertura de um outro ponto para travessia exclusiva de peões. Para tal, trabalhos estão em curso, visando a construção de degraus para tornar fácil a vida dos utentes do mercado e não só.

Enquanto isso, o chefe do mercado queixa-se do comportamento dos utentes que dificulta a comunicação entre os agentes de educação cívica e a polícia municipal, no exercício das suas actividades de sensibilização e regular a travessia na passagem de nível. Devido a situação, há vezes em que os utentes, sobretudo os estivadores, entram em pancadaria com a polícia municipal o que de certa forma complica a relação.

Esta preocupação também foi manifestada por operadores de táxi mota que exercem as suas actividades no mercado grossista do Waresta, que lamentam quando se aproxima o comboio. De outro modo, quando as pessoas são orientadas para estacionarem longe da linga-férrea estas acatam por alguns minutos e, ao se retirarem os agentes, voltam a se posicionar nas imediações ofuscando assim o trânsito normal de outras pessoas, para além do próprio comboio.

“Preocupa-me ver pessoas a correr para atravessar primeiro quando o comboio se aproxima. Isto ocorre também para alguns motoristas e taxistas aqui, ao verem um cliente na outra margem arriscam suas vidas mesmo vendo comboio a se aproximar. É lamentável o que acontece diariamente nesta entrada do mercado”, lamentou o taxista de moto, Ambrósio Lopes.

Os taxistas e vendedores ali próximos estão cientes do perigo que correm, mas alegam estar em busca de pão para sustentar as suas famílias. Segundo estes, expor os produtos na entrada do mercado atraí e retém, igualmente, os clientes que pretendem entrar no interior do mercado.

Outrossim, o perigo afecta de forma lamentável os menores de idade que que circulam em algures do mercado, a vender sacos plásticos, entre outros produtos a retalho e providenciam ajuda aos utentes do mercado pelo dinheiro. É nesta procura de sobrevivência que os menores disputam os clientes e para tal, posicionam-se na entrada principal, por sinal na passagem de nível, segundo constatamos no mercado e o chefe do mercado contou.

Saneamento é outro perigo

Para além do perigo devido a travessia na passagem de nível, parte do mercado constitui ameaça à saúde pública, devido ao mau tratamento de resíduos fora e no interior do mercado. Parte da linha-férrea tem sido tomada por entulhos de lixo depositado de forma desorganizada pelos vendedores do mercado.

O chefe do mercado está ciente do cenário, e disse não haver meios, como contentores, para o depósito de resíduos produzidos diariamente no Waresta. Esta problemática é do domínio do Conselho Autárquico de Nampula. O mau saneamento é associado a existência de barracas em desuso no interior do mercado, além do comportamento dos utentes, na sua maioria vendedores.

Vê-se no interior do mercado, uma lixeira onde os vendedores depositam resíduos. O pior é que está localizado no sector de venda de comida confeccionada e mariscos, sem acesso a viaturas que fazem a recolha de lixo. Os utentes satisfazem as suas necessidades, por isso há excrementos humanos e urina em toda a parte. A lixeira provoca cheiro nauseabundo, um autêntico atentado à saúde pública. (Esmeraldo Boquisse)

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