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Nampula: Homens que sofrem violência doméstica mais conscientes sobre a importância da denúncia

Nampula (IKWELI) – A comunidade masculina na província de Nampula, região norte de Moçambique, coloca de lado as normas de trato social incutidas pela tradição e sociedade e opta por denunciar casos de violência doméstica que sofre no lar.

Em Moçambique é notário e comum, apenas, acompanhar casos de mulheres que denunciam os seus parceiros por algum tipo de violência, ao passo que os homens sempre foram mais fechados por conta dos papéis e responsabilidades definidos culturalmente para a comunidade masculina e feminina no âmbito doméstico.

No entanto, nos últimos anos, cresce o número de homens que denunciam tais situações. Dados partilhados pelo Gabinete de Atendimento a Família e Menores Vítima de Violência indicam que, durante o primeiro semestre do ano em curso, foram registados um total de 50 casos de homens que sofreram violência, contra 49 do mesmo período de 2022, o que significa que houve aumento de um caso de denúncia.

Dos dados partilhados, consta que os casos atendidos ocorreram nos distritos de Nampula, Mogovolas, Muecate, Nacala e Ribáuè.

Das denúncias registadas, o destaque vai para a violência física, com um registo de 22 casos, e a patrimonial com 17. No que respeita a violência física grave que culmina com a morte, foi registado um caso e a mulher encontra-se a cumprir a pena respectiva.

A Chefe de secção de Estatística do gabinete, Teresa Hilário, revelou que as denúncias surgem no âmbito das campanhas de sensibilização que a instituição tem levado a cabo, por forma a chamar atenção aos homens sobre a necessidade da queixa sobre violência, seja ela física, psicológica, patrimonial entre outros.

Segundo Hilário, a presença dos homens no gabinete de atendimento para denunciar algum caso de violência era visto como um tabu. No entanto, atualmente estão mais abertos e informados sobre a importância do mesmo.

“Hoje em dia já não é tabu o homem vir meter queixa, porque foram sensibilizados a não terem vergonha de vir para aqui, tanto que já temos aderência, ontem não tínhamos esse número de 50 e hoje temos, o que significa que já estão atentos e nos alegramos com isso”.

Tal como o Gabinete, a Procuradoria Provincial da República de Nampula partilhou com o Ikweli a descrição de casos de homens que sofreram violência durante o primeiro semestre de 2022 e 2023.

Só no primeiro semestre de 2022, a procuradoria recebeu um total de 91 processos. Desse número, o destaque vai para 51 de violências físicas simples, 28 para a patrimonial, contra 105 de igual período de 2023, onde 53 refere-se à violência física simples, 13 psicológica e 10 patrimonial.

No entender do sociólogo Jaibo Mucufo, os homens são fechados devido ao factor social que dita como eles devem ser fortes em todos os sentidos, uma situação que contribui para que haja algumas barreiras, como a vergonha de denunciar quando sofrem algum tipo de violência por parte da parceira.

“Quando se trata de violência, as barreiras são muitas, por exemplo, para os meus amigos quando ficam a saber que sofri violência por parte da minha mulher, eu fico com vergonha, mas essa vergonha vem de quê? Porquê que as mulheres não sentem vergonha? É a forma como nós fomos construídos. Para a sociedade o normal é que a mulher seja espancada. Vamos dar exemplo daquela época em que os homens eram queimados com óleo isso era muito mediatizado, mas quando é uma mulher só se fala uma duas vezes e pronto, isso porque concebemos isso como algo normal”.

Taxa de suicídio nos homens pode estar aliada a violência doméstica

O psicólogo clínico do Hospital Central de Nampula, Armando Cumbe, revelou que as taxas de suicídio envolvendo homens podem estar ligadas a violência que tem sofrido nos seus lares, aliadas a vergonha e falta de abertura para exporem a situação.

Segundo a fonte, os homens acumulam muita coisa diferente das mulheres, mesmo quando se trata de cuidar da própria saúde. “Aquela nossa tendência de que eu vou gerir e não conseguem procurar uma orientação ou um conselho por parte de um amigo ou especialista  para poder se aliviar e chega um momento que aquilo satura e explode, quando isso acontece eu fico descompensado e não consigo pensar em mais nada a não ser encontrar uma solução imediata e a solução imediata é mesmo me suicidar, se não me suicido pode ser uma situação que me obriga a cometer um homicídio”.

Para Cumbe, o preconceito e o medo da discriminação que existe nos homens contribui para que haja poucos cuidados aos tratamentos ligadas ao Violência Baseada no Género (VBG).

“Há um estigma que está associado a isso, que o próprio homem já se estigmatiza quando é vítima de violência, para ele parece fraqueza, porque isso não devia acontecer, por isso não procuram por cuidados”.

O psicólogo revelou ao Ikweli que, como clínico do HCN, atendeu alguns idosos e pais que foram vítimas de agressão por parte dos seus familiares, no entanto, os homens que sofrem violência protagonizadas pelas suas parceiras só o procuram quando se trata de algo grave.

“Com recurso a objecto contundente, aí não tinha como e teve que denunciar a polícia que por sua vez transfere para a unidade sanitária e nós damos o devido acompanhamento e reencaminhamos para a policia”. (Ângela da Fonseca)

Manuel Rodrigues não consegue pagar 46.7 milhões de meticais de rotroactivos aos membros da AP

Nampula (IKWELI) – Os 94 membros da Assembleia Provincial de Nampula, no norte de Moçambique, andam agastados com o Conselho Executivo Provincial (CEP), por conta do não pagamento dos retroactivos dos seus subsídios no valor de 46.7 milhões de meticais.

Na última segunda-feira (4), abriu a 10ª Sessão Ordinária do órgão, momento que foi aproveitado para confrontar e exigir ao governador Manuel Rodrigues o pagamento destes valores.

O chefe da bancada da RENAMO, Luís Fernando Mussa, solicitou a interrupção a sessão, pedido concedido, por um período de 15 minutos, que se prolongaram por mais de 60 minutos, para uma reflexão com os seus colegas em torno do assunto. .

Igualmente, Fernando fez saber que a outra preocupação é da suposta existência de sete membros do partido no poder naquele órgão que duplicam o salário.

O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, assegurou que há um trabalho em processo com vista ao pagamento destes rotativos. “Conforme nós discutimos e acordamos no último encontro havido aqui na Assembleia Provincial todos serão pagos neste ano de 2023, e, por conseguinte, o trabalho realizado indica-nos que está em processo de finalização, junto ao Ministério da Economia e Finanças, com vista ao pagamento dos retroactivos dos membros deste órgão”.

Quem, também, interveio sobre a matéria foi o director provincial do Plano e Finanças, Arnaldo Jacinto, o qual disse que “com o compromisso do Conselho Executivo Provincial, fomos encarregues para resolver esta situação. Tivemos o despacho do governador para partir à Maputo onde estive, eu e outros membros, e no dia 25 do mês passado tivemos um encontro no ministério da Economia e Finanças, onde fomos apresentar a questão porque já tínhamos submetido o nosso pedido em Abril. O pedido demorou a ter o despacho desejado, por duas vezes, porque faltava a contrapartida na origem dos fundos”. (Malito João)

“Ninguém é mais forte na Frelimo sozinho” – Avisa Celso Correia, director de campanha dos camaradas

Nampula (IKWELI) – Segunda-feira, 4 de Setembro de 2023, o município da cidade de Nampula “acordou”, literalmente, agitado. Visitantes, maioritariamente, vindos da capital do país, Maputo, chegavam a este ponto no primeiro voo da companhia aérea da bandeira nacional, para porem termo a borbulhinha da indisponibilidade de um cabeça-de-lista que, internamente, tinha sido eleito com 100% dos votos.

Enquanto no fim da nanha todas as energias dos camaradas desaguavam no bairro de Natikiri, num complexo turístico que tem providenciado serviços aos camaradas, Manuel Rodrigues, primeiro governador eleito da mais populosa província do país, prestava contas junto dos membros da Assembleia Provincial, os quais reivindicam pagamento de ordenados em atraso, cuja soma é avultada.

Pouco depois do meio dia, chegou a Natikiri o chefe da brigada central do partido Frelimo de assistência a província de Nampula, Celso Correia, por sinal director nacional de campanha.

No interior da sala onde decorria a sessão, o ambiente era menos “confortável”, mas era preciso sair-se da situação que Rodrigues colocou o seu partido.

Um homem talhado na administração estatal, Manuel Rodrigues governa desde os tempos das Direções Provinciais de Apoio e Controlo, onde em Cabo Delgado dirigiu o sector, mais tarde viria a subir para o ministério, de onde apenas saiu para ser governador de Manica e mais tarde de Nampula.

Pronunciar o nome de Rodrigues naquela sala era a coisa menos desejada, tanto é que das vezes que se teve de faze-lo foi mesmo na aferição de presenças, assim como numa justificativa mínima dada por Correia sobre a necessidade da indicação de um novo cabeça-de-lista.

“Ninguém é mais forte na Frelimo sozinho”, recordou Celso Correia, uma mensagem que foi interpretada como um aviso a Manuel Rodrigues, homem que os corredores do seu partido o apontam como tendo ambições presidenciáveis.

Em relação as causas da indisponibilidade do então cabeça-de-lista para a autarquia da cidade de Nampula, Correia disse que as causas serão tornadas públicas a posterior, tanto do lado do partido, assim como do próprio Manuel Rodrigues. (Redação)

Frelimo já tem novo cabeça-de-lista para a autarquia da cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O comité do partido Frelimo no distrito de Nampula, maior autarquia do norte de Moçambique, elegeu, por aclamação, Luís Abdula Giquira para cabeça-de-lista dos camaradas naquele município, no princípio da tarde desta segunda-feira (4).

A eleição de Giquira é em virtude da indisponibilidade manifestada por Manuel Rodrigues, cabeça-de-lista que tinha sido eleito com 100% dos votos em sessão regular do órgão.

Celso Correia, chefe da brigada central de assistência a província de Nampula, a propósito da desistência de Rodrigues, comentou que “costuma se dizer que os partos difíceis costumam dar filhos saudáveis e bonitos”.

No seu discurso inicial, Orlando Impissa, Secretário do Comité distrital da Frelimo em Nampula, reconheceu que o partido está a enfrentar enormes desafios, partindo pelo facto de a Frelimo estar na oposição há cerca de 10 anos naquele ponto do país.

Manuel Rodrigues colocou o seu partido numa posição de choque com o eleitorado, sobretudo porque desconhecessem as razões que ditaram o “abandono” do actual governador da posição de cabeça-de-lista para o município da cidade de Nampula.

E Rodrigues nem esteve presente…

Esta sessão extraordinária que elegeu Luís Giquira ficou marcada com a ausência do então cabeça-de-lista, Manuel Rodrigues.

Na aferição dos presentes, 5 membros do comité distrital encontravam-se ausentes, e o maior destaque não poderia deixar de ser do Rodrigues.

O Ikweli apurou que, no mesmo momento, decorria uma sessão da Assembleia Provincial, por isso, como governador eleito, Manuel Rodrigues, foi prestar contas aos membros deste órgão. (Constantino Henriques)

AMETRAMO queixa-se da falta de colaboração do sector da saúde em Nampula

Nampula (IKWELI) – Os membros da Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO), em Nampula, queixam-se da falta de colaboração do sector de saúde no que diz respeito a transferência de doentes que não registam nenhum avanço na sua recuperação por forma a buscar tratamentos alternativos na medicina tradicional.

As queixas foram feitas na marcha alusiva ao 21º aniversário da Medicina Tradicional Africana, que se comemora este ano sob o lema “A contribuição da Medicina Tradicional para a Saúde Holística e o Bem-Estar de Todos”. Trata-se de um dia em que os médicos tradicionais reflectem em torno dos desafios no exercício da sua actividade.

De acordo com o presidente da AMETRAMO da região norte, Evaristo Gonçalves, os membros da agremiação tem cumprido o acordo feito entre as duas partes, que é o encaminhamento dos doentes para as unidades sanitárias quando estes sentem que esgotaram as capacidades para curar o paciente. No entanto, estes ressentem-se da falta de colaboração da saúde.

“Nós tivemos uma capacitação proporcionada pela direcção da Saúde e por vezes reconhecemos que certas doenças não temos como tratar e quando nos aparece um doente nessas condições encaminhamos ao posto de saúde mais próximo, mas os hospitais não fazem essas transferências, eles preferem ficar com o doente até morrer ao invés de mandar para a medicina tradicional”, lamentou.

Entretanto, o presidente da AMETRAMO reafirmou a colaboração com o sector da Saúde, com destaque para a transferência de pacientes e a mobilização social para a prevenção de doenças, bem como a promoção da Saúde. “Nós vamos continuar a mobilizar as pessoas para procurar fazer tratamentos na medicina convencional, porque sabemos que há doenças que a medicina tradicional não pode curar, então aconselhamos a eles sempre a não ficar em casa”.

Segundo Goncalves, a nível da região norte estão inscritos na associação cerca de 6.880 médicos da medicina tradicional.

A mesma queixa que é, igualmente, comprovada pela presidente da AMETRAMO a nível da província do Niassa, Ancha Ali, que na ocasião disse ao Ikweli que o sector de saúde não pode deixar que os doentes percam as suas vidas, “uma vez que existe uma parceria, nós achamos que devia haver essa colaboração, eles não podem deixar doentes dentro do hospital a morrer, pelo contrário devem procurar dar uma guia para que os doentes possam também receber tratamentos via medicina tradicional”.

A fonte acrescentou que desde o início da parceria, “o hospital nunca transferiu doentes, mas nós costumamos dar guia. Um outro ponto tem a ver com transporte, estamos a pedir carro para que possamos transferir os doentes de forma segura para as unidades sanitárias”, afirmou.

Ancha Ali afirmou que Niassa conta com 650 médicos tradicionais, sendo que no presente ano foram tratados 150 pacientes que padeciam de diversas doenças como, “DTS, tensão alta e borbulhas”.

Importa referir que o dia da Medicina Tradicional Africana foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para honrar o papel fundamental que os médicos tradicionais desempenham na saúde e no bem-estar de gerações e gerações de pessoas pelo continente.

 Mas Governo reconhece papel da medicina tradicional

O sector da Saúde, na província de Nampula, considera que os médicos tradicionais desempenham um papel fundamental nos cuidados primários de saúde, por ser uma das primeiras portas de entrada na procura dos serviços de saúde.

As palavras são do director provincial de Saúde de Nampula, Fernando Mitano, o qual destaca o referenciamento de doentes pelos médicos tradicionais para as unidades sanitárias, facto que contribui no combate a patologias que apoquentam a população.

“Neste momento, a província de Nampula tem 8.525 praticantes de medicina tradicional, refira-se que este número estamos a falar daqueles que estão inscritos numa das três organizações, nós temos AMETRAMO, ARMO e ASCOMO, são as três organizações ligadas à medicina tradicional”, disse Mitano, que explica que deste número de médicos tradicionais, mais de três mil encaminharam doentes de HIV, malária, tuberculose e para os serviços de planeamento familiar nas unidades sanitárias.

“Foram 101 casos de HIV provenientes da referência desses médicos tradicionais, tivemos 149 suspeitas de malária também reencaminhados por estes praticantes da medicina tradicional e que depois foram confirmadas nas nossas unidades sanitárias, nós tivemos 504 casos de suspeita de tuberculose que depois fomos fazer análises e destas verificamos que 400 delas padeciam de tuberculose, também recebemos 800 mulheres enviadas para o planeamento familiar e o parto nas nossas unidades sanitárias”, disse o governante.

Segundo Mitano, este apoio dos médicos tradicionais é de extrema importância, porque contribui para a redução de mortes por várias doenças, incluindo a mortalidade materna infantil. Ainda assim, é desejo do sector que o número de referenciamento de pacientes de médicos tradicionais para os hospitais aumente.

Entretanto, apesar desta colaboração, o director províncial de Saúde em Nampula manifestou preocupação com o facto de ainda haver casos em que pacientes permanecem nas casas de médicos tradicionais e só chegam as unidades sanitárias em estado grave e alguns deles chegam a perder a vida.

Outra preocupação tem a ver com o facto de existir doentes que fazem dupla medicação a tradicional e convencional.

E para ultrapassar tal situação, aquele dirigente afirmou que o sector que dirige tem formado médicos tradicionais em sinais e sintomas de malária, cólera, tuberculose, HIV e Sida e diarreias, de modo que eles saibam identificar a doença e possam encaminhar aos hospitais. “É importante dizer que estes praticantes de medicina tradicional tem um papel importante na educação para a saúde das comunidades, um caso a destacar foi quando tivemos a eclosão da COVID-19, em que os praticantes da medicina tradicional tornaram-se os nossos grandes parceiros nas comunidades junto das lideranças comunitárias e nós tivemos grande sucesso na nossa província. Lembro que a nossa província foi declarada como a primeira a ter contaminação comunitária, mas nós conseguimos reverter esta situação o que foi em parte resultado do contributo dos praticantes da medicina tradicional”. (Adina Sualehe e Ângela da Fonseca)

Bolseiros premiados pela embaixada dos EUA pelo reconhecimento do seu trabalho com as comunidades

Nampula (IKWELI) – O Embaixador dos Estados Unidos da América (EUA), Peter Vrooman, reconheceu e premiou na passada quinta-feira (31), três antigos alunos que participaram dos vários programas de intercâmbio profissional e académico patrocinado pelo governo americano.

Trata-se de um prémio anual designado por Alumni Achievement Aword que reconhece antigos alunos que dedicaram tempo, energia, bem como recursos para melhorar as suas comunidades, através de projectos. A mesma teve lugar na província de Nampula, região norte de Moçambique.

Na ocasião, Peter Vrooman explicou que já participaram de intercâmbios um total de 1500 moçambicanos provenientes de todas as províncias do país.

“Nós tivemos 1500 pessoas de todas as províncias que participaram nestes intercâmbios profissional e académico nos Estados Unidos e tiveram um período de seis semanas de aulas”, disse

O reconhecimento dos antigos alunos abrangeu antigos alunos provenientes das três regiões do país nomeadamente, Norte, Centro e Sul respectivamente.

Natércia Tomás, jornalista da Rádio Moçambique e proveniente da província de Maputo, foi uma das galardoadas naquela noite. A mesma trabalha pelo empoderamento da mulher através do desporto, mas também, defende um ambiente de trabalho livre de assédio sexual físico e moral.

Natércia Tomás revelou que actualmente a associação conta com mais de trinta mulheres, entre raparigas e jovens, no entanto um dos objectivos do projecto é aumentar o número de mulheres no desporto.

“Este prémio é um incentivo, um contributo é um esforço para que continuemos a lutar pela causa”, afirmou.

De acordo com a fonte, uma das maiores dificuldades que o projecto tem enfrentado tem a ver com a falta de financiamento. “Nós estamos num país em que as parcerias contam muito, apesar dessas dificuldades e barreiras temos estado a conseguir. Colocar as pessoas a trabalhar sem dinheiro é complicado, mas sempre vale a pena”, explicou.

Zacarias Chicuio, premiado de Sofala, explicou que ter participado do programa de intercâmbio o ajudou a criar um clube de inglês denominado “Inglês para todos”, que tem em vista facilitar aulas da língua inglesa a pessoas com deficiência.

“Com o projecto queria cortar o estigma de que quem tem deficiência tem uma limitação, a ideia era dar habilidades comunicativas de inglês e partilhar oportunidades de ir estudar fora do país e isto foi bem recebido com 45 estudantes e tivemos 37 no final do projecto a falar a língua”, revelou.

Segundo Chicoio, dos 45 participantes, 16 eram pessoas com deficiência física e mental, “na sua maioria eram jovens com idade escolar dos 14 aos 25 anos. Dos 45 maior número eram mulheres, com um número de 28″.

Buanamade Amade, da província de Cabo Delgado, dirige um projecto que utiliza as artes para a integração social, denominado “Oficinas Criativas para a Resiliência, Protecção e Valorização da Vida Humana”, o mesmo beneficia 120 pessoas dentre crianças, adolescentes, pais e encarregados de educação que vivem no bairro de Nanhimbe em Pemba, capital provincial.

Para Amade o maior objectivo do projecto é dotar que comunidades de competências profissionais na área do empreendedorismo.

“Com este projecto estamos a trabalhar com 20 famílias, 60 crianças e 40 jovens. O projecto visa dotar de ferramentas as crianças jovens e adolescentes para enfrentarem o dia a dia. Fizemos uma mistura entre jovens locais e deslocados das zonas de conflitos. É sabido que a situação está difícil para todos, mas não é hora de cruzar os braços. A génese é o que que tu podes fazer se não tens alguém para ajudar, é preciso se adaptar e, com este projecto nós estamos a ensinar essas pessoas a se adaptarem no mundo moderno”, explicou.

No entanto, os antigos alunos premiados foram unânimes em afirmar que uma das maiores dificuldades tem a ver com a falta de fundos para a materialização dos projectos desenhados, contundo, o amor pelo trabalho sempre vence. (Ângela da Fonseca)

Estados Unidos anunciam novos investimentos no Sector Agrícola em Moçambique

Nampula (IKWELI) – O Governo dos E.U.A., através da sua Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), anunciou um novo portfólio agrícola para promover o crescimento económico inclusivo e reforçar os sistemas alimentares nas províncias de Nampula e Zambézia.

Embora mais de dois terços da população moçambicana se dedique à agricultura, ela está sujeita a choques e tensões frequentes e recorrentes devido a eventos climáticos, emergências de saúde crónicas e catastróficas, desastres naturais, bem como extremismo violento e agitação civil, o que resulta em altos níveis de pobreza, desnutrição e insegurança alimentar.

O novo portfólio de programas da USAID aproveita o potencial do sector agrícola moçambicano para criar resiliência a estes desafios, melhorando a qualidade das sementes, incentivando investimentos do sector privado na agricultura, financiar jovens empresários para criar postos de trabalho e fornecer às famílias alimentos ricos em nutrientes.

Segundo uma nota de imprensa da embaixada americana em Moçambique, este novo portfólio faz parte da iniciativa global do Governo dos E.U.A. para a fome e segurança alimentar, Feed the Future (FtF). Moçambique foi designado como um país prioritário do Feed the Future pelo Presidente dos E.U.A. Joseph Biden nas reuniões do G20 em Julho de 2022. Os investimentos no âmbito do FtF serão coordenados em estreita colaboração com o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Moçambique para se alinharem com os objectivos nacionais em matéria de agricultura, clima e indústria.

O Embaixador dos E.U.A., Peter H. Vrooman, anunciou o novo portfolio em Nampula. Falando na Escola de Negócios da Universidade Lúrio (UniLúrio), Vrooman elogiou os impactos dos investimentos do Governo dos E.U.A. na agricultura. “Estes fundos irão para programas agrícolas inovadores que beneficiam mulheres, jovens e comunidades vulneráveis nas províncias do centro e norte de Moçambique. Eles irão ligar os agricultores a novas tecnologias, práticas e serviços que irão aumentar a produtividade e os rendimentos rurais, melhorar a nutrição e a segurança alimentar, e construir o sector privado do agronegócio”.

O portfólio agrícola da USAID está avaliado em 170 milhões de dólares e ajudará Moçambique a construir sistemas alimentares inclusivos, resilientes e sustentáveis e que promovam um Moçambique mais saudável e próspero.

Para este portfólio, segundo apuramos, estão inclusos projectos como o “Feed the Future Mozambique Resiliência Integrada na Nutrição e Agricultura (FtF RESINA), implementado pela ACDI/VOCA, apoia os agricultores e as comunidades na busca de mais saúde, mais alimentos e maiores rendimentos. Este projecto apoia técnicas climaticamente inteligentes para melhorar a qualidade das sementes, o uso de culturas resistentes à seca e incorpora boas práticas agrícolas que levam ao aumento da produtividade. O FtF RESNIA também se centra nas mulheres e nos jovens através da utilização da horticultura e da irrigação em pequena escala para diversificar os rendimentos. O Feed the Future Mozambique Promoção de Sistemas de Mercado Agrícola Inovadores e Resilientes (FtF PREMIER), implementado pela TechnoServe, incentiva o investimento responsável do sector privado, melhora o acesso ao financiamento, a gestão de mitigação de riscos e expande as oportunidades de emprego e empreendedorismo, particularmente para jovens e mulheres. O Feed the Future Mozambique Comunidades Costeiras Resilientes (FtF RCC), implementado pela International Development Enterprises (iDE), está focado nas zonas costeiras da Zambézia e Nampula. O RCC cria um número significativo de empregos e oportunidades económicas sustentáveis para jovens e mulheres através de programas de empreendedorismo e estágios apoiados. O projecto também tem um impacto positivo na saúde e produtividade de ecossistemas críticos a longo prazo, particularmente os ecossistemas marinhos extraordinariamente diversos que são vitais para a segurança alimentar, aumentando o conhecimento e melhorando as práticas locais de subsistência. A Actividade de Segurança Alimentar Resiliente (RFSA), implementada pela Save the Children, distribuirá produtos de base ricos em nutrientes aos agregados familiares necessitados durante a estação das chuvas, quando a diversidade alimentar é acentuadamente menor. Centra-se nas necessidades nutricionais das mães, crianças e raparigas”.

Igualmente, “este portfólio também inclui fundos alocados para ajudar a aliviar os impactos adversos da invasão da Ucrânia pela Rússia, que aumentou o preço dos alimentos e fertilizantes. O apoio à programação agrícola é uma componente essencial da assistência mais alargada do Governo dos E.U.A. em Moçambique. Em estreita colaboração com o Governo da República de Moçambique, o Governo dos E.U.A. fornece mais de 800 milhões de dólares em subsídios anuais para a saúde, desenvolvimento económico, apoio à sociedade civil e resposta humanitária”. (Redação)

Manuel Rodrigues “matreca” Frelimo na cidade de Nampula

  • Resgate do município de Nampula torna-se numa missão quase impossível

Nampula (IKWELI) – A ideia de deixar de ser governador provincial para se tornar um autarca não agradou a Manuel Rodrigues, que tinha sido votado, com 100% dos votos, na conferência do comité do distrito de Nampula para cabeça-de-lista do partido Frelimo na autarquia da cidade de Nampula.

Na ocasião da sua eleição, Rodrigues festejou em pompa e circunstância a conquista, mas os dias subsequentes não foram a mesma coisa.

“Manuel Rodrigues desiste da corrida eleitoral por razões desconhecidas”, garantiu ao Ikweli uma fonte bem posicionada no comité distrital da Frelimo em Nampula.

A mesma fonte está ciente que essa desistência coloca em situação de desespero aos camaradas, pois “o resgate do município de Nampula torna-se numa missão quase impossível”.

No seio dos camaradas está difícil entender a posição tomada por Manuel Rodrigues, mas pessoas próximas a ele afiançam que o mesmo “não quer passar vexames, porque sabe que não vai conseguir levar a melhor com Vahanle”, como também “sentiu-se desvalorizado ao se pretender retirar-lhe de uma posição maior para uma menor”.

Oficialmente, ainda não há pronunciamento sobre o facto, tanto do lado pessoal de Manuel Rodrigues Alberto, assim como do comité da Frelimo no distrito de Nampula ou em alguma outra alçada. (Aunício da Silva)

Ossufo Momade volta a chamar atenção aos polícias para não influenciar negativamente as próximas eleições

Nampula (IKWELI) – O Presidente da Renamo, Ossufo Momade, apela aos agentes da Polícia da República de Moçambique para não interferirem negativamente nas eleições autárquicas do próximo dia 11 de Outubro do ano em curso, permitindo com que os resultados espelhem a vontade popular.

O apelo de Ossufo Momade foi, mais uma vez, feito no último domingo (27) na cidade de Nampula na cerimónia de apresentação pública de Paulo Vahanle, cabeça-de-lista da Renamo naquela autarquia.

A cidade de Nampula está, desde 2014, fora das mãos do partido Frelimo e nestas eleições o partido no poder em Moçambique prepara-se afincadamente para recuperar aquele terceiro mais importante município do país.

Entretanto, o maior receio de Ossufo Momade é de que o rival venha com tudo, incluindo a falta de fair play político para levar de volta a cidade. Aliás, o líder da Renamo entende que a polícia tem sido usada para facilitar as manobras durante as eleições, daí que o seu apelo é no sentido de os agentes policiais agirem dentro do espírito que guia a corporação.

“Chamamos a atenção à polícia da República de Moçambique para que deve cumprir a lei.  Nós queremos uma polícia republicana, apartidária e profissional”, começou por dizer Ossufo Momade.

“A polícia não é instrumento da Frelimo, a polícia não recebe através da Frelimo, o fardamento da polícia não é comprado através do dinheiro da Frelimo, as viaturas que usam não são compradas com o dinheiro da Frelimo, é o dinheiro dos nossos impostos. A Frelimo não pode brincar com o povo. Aquilo que é a vontade do povo deve ser respeitado.  Quem vai governar é aquele que foi eleito não através de manobras, não através da força das armas”, prosseguiu Momade.

Os apelos de Ossufo Momade surgem, também, numa altura em que o autarca Paulo Vahanle denunciou um atentado a sua integridade física por elementos pertencentes a polícia. No entender do líder da Renamo, tal comportamento que visava assassinar o edil é um atentado a paz em Moçambique.

“Nós respeitamos aquilo que foi o nosso compromisso. No dia 6 de Agosto de 2019, eu assinei com este meu punho, eu estou a respeitar, mas se alguém me provocar vou dar a resposta que não vamos parar aqui. Eu tenho acompanhado que entreguei arma…, em 1994 o presidente Dhlakama entregou armas também, mas depois, o que aconteceu? Nós não vamos na Rússia comprar armas, não vamos a Ucrânia, nunca vamos na Roménia, (…)”, recordou.

“Nós queremos eleições livres, justas e transparentes. É o que nós queremos. Ninguém pode fazer manobras para ganhar eleições, é preciso que respeitemos aquilo que é a vontade da população. Se eles têm plano de usar a polícia, enquanto essa polícia não é da Frelimo, então essa polícia que aceitar ser manipulada vamo-nos encontrar lá no bairro”, avisou a fonte.

“Nós não queremos a guerra, mas não temos medo da guerra, porque já fizemos ontem e hoje queremos a paz. Queremos tranquilidade no país, queremos o desenvolvimento. Se a Frelimo não quer a paz, quer usar arma para levar a força o município, aí a responsabilidade será da Frelimo. A Frelimo assim como Nyusi, vão responder, destacou o político.

Queremos continuar a governar Nampula

Por outro lado, Ossufo Momade entende que nas eleições que se avizinham a vitória é certa para a sua formação política ao nível do município de Nampula, tendo como base as realizações levadas a cabo no mandato prestes a terminar.

“Queremos continuar a governar esta cidade porque os munícipes querem que a Renamo continue a governar, porque já mostrámos a capacidade de governação nesta cidade.  Já conseguimos fazer aquilo que a Frelimo não conseguiu em mais de 40 anos. Já temos vias de acesso que entram nos nossos bairros, já temos Pavês, estradas com asfaltos para os nossos bairros”, disse Ossufo Momade.

“A nossa cidade está limpa. Aqui onde estamos, nesta avenida Eduardo Mondlane estamos a ver uma estrada limpa e alcatroada.  Agora nós hoje queremos convidar a todos os munícipes, sem discriminação, nem àqueles da Frelimo porque eles também querem uma cidade limpa, os polícias, professores, todos aqueles da função pública devem votar na Renamo. Se eles têm amor para com a cidade de Nampula devem votar na Renamo para continuar a fazer brilhar esta cidade porque se esta cidade voltar nas mãos daqueles …vai apodrecer porque eles não têm amor para esta cidade. Não tem amor para com os munícipes desta cidade. No dia 11 de Outubro ninguém deve ficar em casa, ninguém deve dormir, temos que guarnecer o nosso voto”, instou a fonte.

Falando momentos após ser oficialmente apresentado como cabeça-de-lista, Paulo Vahanle disse estar confiante na renovação de confiança dos eleitores da cidade de Nampula para o segundo mandato. (Constantino Henriques)

UCM expulsa 4 docentes por assediarem estudantes

Nampula (IKWELI) – A Universidade Católica de Moçambique (UCM) expulsou um total de quatro docentes acusados de assediar sexualmente estudantes daquela instituição de ensino superior, por forma a garantir um ambiente saudável e livre de situações que limitam a qualidade de ensino.

Sem dar muitos detalhes sobre o assunto, o Reitor da UCM, Filipe Sungo, revelou ao Ikweli que o último docente foi expulso no presente ano.

Para o caso em alusão, e sem citar a província, o dirigente da UCM destacou a colaboração dos estudantes que pautarem pela denúncia, pois a instituição não tolera casos de género, visto que a missão do professor é de ensinar e não de assediar os estudantes.

“Tivemos denúncias, evidências e nós seguimos o regulamento e já não fazem parte da UCM quatro docentes, não só aqui em Nampula, mas no geral”, revelou.

De acordo com o reitor, no acto da assinatura dos contratos, os docentes recebem instruções referentes a ética da instituição, no entanto, alguns não se identificam com a vocação da docência e cometem tais práticas.

“O ser humano é complexo e para aqueles que não acatam aquilo que é a ética universitária, sinto muito, sinto muito, mas são pessoas com uma insensibilidade ética porque não percebem a sua vocação como docente que tem uma grande responsabilidade.  Um docente é aquele que está a contribuir para a formação da sociedade, agora aquele que não tem a componente ética é de lamentar”, afirmou.

Por isso, para desencorajar o assédio sexual nas instituições de ensino superior, o reitor é de opinião que as instituições de formação de professores passem a ser mais rigorosos no processo de seleção, bem como a introdução de matérias ligadas a ética de forma mais activa.

“Vamos começar da base, como eles são formados, os critérios de seleção como é que são, têm lá elementos éticos? Ou também há essas infiltrações, imagine um professor que concorre para essas vagas com via de esquemas já é um mau início e o que se espera desse professor. Procuremos ser sérios. Se nós queremos formar uma sociedade ideal e responsável comecemos pela base que é na formação de professores”.

Importa referir que, o reitor Filipe Sungo falava ao Ikweli no âmbito do dia do padroeiro Santo Agostinho e 25 anos da Faculdade de Educação e Comunicação da UCM, celebrado nesta segunda-feira (28). (Ângela da Fonseca)