Início Site Página 465

Melhora a insegurança alimentar no país: E durante 2022, Nampula foi maior produtor de mandioca no país

Maputo (IKWELI) – A província de Nampula, no norte do país, foi a maior produtora da cultura da mandioca, contribuindo à escala nacional com 41,7% do total da produção, seguida da província da Zambézia, com 32,1%.

De acordo com indicadores básicos de agricultura e alimentação, do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), “em relação à cultura de milho, a província de Tete com 28,3% seguida das províncias de Zambézia com 16,4% e Manica com 13,5% foram as que registaram as maiores produções”.

Segundo apuramos, “o indicador de segurança alimentar, mostra que, de 2019 para 2022 houve uma melhoria significativa na insegurança alimentar, tendo em 2019 registado insegurança alimentar aguda em 29,9% das famílias, que baixou para pouco mais da metade nos dois anos subsequentes, até atingir 9,0% das famílias em 2022”.

Esta melhoria deve-se ao aumento e disponibilidade de comida, em resultado do investimento do sector agrário, pois “o número de tractores alocados ao sector agrícola, em todo o país, passou de 722 em 2018 para 2728 em 2022”.

Nos indicadores económicos, segundo o mesmo documento do INE, “o peso do sector da agricultura, produção animal, caça, silvicultura e pesca no Produto Interno Bruto, (PIB), estabilizou-se em torno de 26,0%, entre 2018 e 2021. O orçamento do estado alocado ao sector continuou abaixo de 10% nos últimos anos, contudo em 2022 foi fixado em 15,5%”.

Por outro lado, “o peso do crédito concedido ao sector de Agricultura passou de 3,0% em 2018, para 1,7% em 2022. Na produção das culturas alimentares básicas em 2022, o destaque vai para o milho e a mandioca”.

Todavia, “a produção de culturas de rendimento foi estável no período em referência, facto observado nas mudas de cajueiro produzidas em torno de 5,8 milhões em 2022. Os produtos pecuários apresentaram, ao longo do quinquénio, um ligeiro aumento na produção. Com efeito, a carne de frango registou em 2022, uma produção de 146. 684 toneladas com maior destaque para Maputo (72,3%), e Nampula (12,6%)”.

Na produção de carne bovina, destacou-se a província de Maputo com 10. 446 toneladas correspondente a 52,1% do total da produção do país, em 2022. Em relação ao leite de vaca, Sofala e Manica destacaram-se com 42,3% e 33,4% do total em 2022, respectivamente.

O peixe marinho com 263. 296 toneladas, em 2022 teve um peso de 60,9% na pesca artesanal, seguida da produção de peixe de água doce com 121 325 toneladas (28,0%).

“No comércio externo, evidencia-se o crescimento acentuado das receitas arrecadadas com a exportação de castanha de cajú em 2022 comparativamente ao anterior (93,9%)”, elucida o documento do INE, cujo conteúdo estivemos a citar. (Redação)

Nampula: Sector de Educação preocupado com o consumo de drogas em estabelecimentos de ensino

Nampula (IKWELI) – Os Serviços de Educação, Juventude e Tecnologia (SDEJT) no distrito de Nampula, no norte de Moçambique, estão preocupados com o aumento de casos de consumo de droga e bebidas alcoólicas nos estabelecimentos de ensino, sobretudo secundário.

Silvério Canate, director de SDEJT de Nampula, encara isso como um desafio para o sector que dirige, mas atribui a culpa aos estabelecimentos de venda desses produtos, precisamente barracas e “bottle stores”, que operam nas imediações das escolas.

Esta fonte apela aos pais e encarregados de educação para que sejam mais vigilantes, de forma a ajudarem as escolas a lidar com o fenómeno.

Canate diz que os maiores consumidores de drogas e bebidas alcoólicas são adolescentes e jovens, com idades compreendidas entre os 13 e 18 anos de idade.

“Este é uma realidade que está a acontecer no distrito e, o sector de educação trabalha em coordenação com o Gabinete Provincial de Prevenção e Combate a Droga, em volta deste assunto. Tivemos uma reunião, onde convidamos todos os directores das 15 escolas secundárias que temos no distrito, mas muito antes disso, já tínhamos criado núcleos de combate a droga nas escolas, até distribuímos panfletos para difundir a informação nesses locais”, avançou a nossa fonte, anotando que “muita das vezes os que estão a ser ludibriados neste processo [de consumo de drogas e bebidas alcoólicas] têm sido alunos menores de idade, refiro-me aos das 7ª e 8ª classes e, por serem muito jovens acabam por entrar naquele mundo por pensar que a coisa é boa e mergulham nesse mundo”.

No entanto, disse que “para além das escolas vulneráveis conhecidas, outras aqui na cidade, principalmente primárias, desprovidas de vedação, são palco de entrada de marginais”, tanto que “ teremos que virar as atenções para as escolas primárias, uma vez que os alunos que transitam para o ensino secundário, têm se mostrado reincidentes na prática de consumo de drogas, o que revela que começaram o consumo ainda muito cedo”.

Ao todo, mais de 6 mil alunos aprendem a ler e a escrever em escolas sem vedação que os separa do ambiente da comunidade, por isso o director dos SDEJT de Nampula afirma que “pretendemos sensibilizar os alunos no sentido de entenderem que não é boa vida meter-se nessa situação de consumo de bebidas e drogas que destroem o cidadão e sociedade”.

Igualmente, a nossa fonte chama atenção da comunidade para colmatar este mal, pois maior parte do dia as crianças estão nos seus locais habituais de residência.

“Uma das coisas que devemos fazer é realizar uma reunião com pais e encarregados de educação para desenhar mecanismos para eliminar este mal. Já pedimos as autoridades policias para fazer rondas nos arredores das nossas escolas”, referiu.

O que dizem os gestores das escolas?

Gina Estevão, directora da escola secundária de Nampaco, nos arredores da cidade de Nampula, conta que “ao nível da nossa instituição, nós não temos números para anunciar, trabalhamos com envolvimento de alguns funcionários, pais e encarregados de educação, e nas concentrações, abrangemos grande parte dos alunos, também através um período extra em cada turno no sentido de motiva-los a abandonar estas práticas nefastas”.

De forma a melhor controlar os alunos, esta fonte diz que a instituição que dirige tem pedido as autoridades policiais para fornecerem dados sobre aqueles que se envolvem nessas práticas. “Nós solicitamos a polícia com vista a controlar o comportamento dos alunos que se fazem ao recinto escolar e outros que não são sequer estudantes, mas que vêm trajados com o uniforme da escola. “Internamente sempre tentamos gerir a situação que acontece neste recinto e havendo necessidade solicitamos os encarregados de educação para inteirar-se daquilo que acontece”.

Gina Estevão, também, mostra preocupação com a proliferação de estabelecimentos de venda de bebidas alcoólicas nas imediações da escola secundária de Nampaco.

“Nós não temos como intervir nas “bottle store”, lamentou a directora, reconhecendo que “a nossa actuação é limitada e é somente no recinto escolar, então um estabelecimento de consumo de álcool não temos autonomia de ir lá e pegar o aluno, dizendo vamos a sala. Também o facto de alguém estar uniformizado, não significa que seja desta escola e embora seja complicado por estarmos próximos de locais de venda de bebidas alcoólicas. Aliás o aluno que sai de casa, com intenção de estudar vai directamente para a sala de aulas. A infracção grave que o aluno comete é beber ou fumar no recinto escolar”.

Por seu lado, a directora, acredita que o maior desafio que o estabelecimento que dirige enfrenta é a fraca intervenção permanente, constante e atenta dos pais e encarregados de educação, factor que afecta negativamente no aproveitamento pedagógico dos alunos.

“No princípio do ano temos o sufoco dos pais e encarregados de educação, onde cada um, a sua maior preocupação é matricular o seu filho e, quando conseguem, ficam muito tempo sem aproximar-se para acompanhar o desempenho deste. Muitos não se preocupam com a educação e formação de qualidade dos alunos, então é preciso um acompanhamento permanente e constante de todos, sejam os próprios alunos, pais, encarregados, professores e a direção da escola na supervisão dos alunos. Se os responsáveis e encarregados de educação não vigiarem e prestarem atenção aos os seus educandos podem ver comprometida a qualidade de aprendizagem e até podem transitar de ano sem o nível exigido de conhecimento”, concluiu a fonte.

Encerramento de estabelecimentos

A directora do Gabinete Provincial de Prevenção e Combate a Droga em Nampula, Isabel Sanfins, explica que “trabalhamos com 14 sectores a nível da província de Nampula”, os quais “compõem o coletivo alargado do gabinete, temos lá a INAE [Inspeção Nacional de Actividades Económicas] que tem estado a fazer um trabalho com a Procuradoria que é para ver se retiram essas barracas dos arredores das escolas, porque as pessoas sabem que por lei são 500 metros de distância”.

“Tive conhecimento que algumas barracas de venda de bebidas alcoólicas foram encerradas pela INAE, inclusive que alguns “bottle store’s” foram encerrados depois da reclamação e preocupação do nosso gabinete”, disse a nossa interlocutora, prosseguindo que “estamos num ciclo de palestras nas escolas secundárias que é para passar a mensagem apelativa e educativa contra o consumo de drogas ilícitas e lícitas no recinto escolar, como uma forma de eliminar práticas nocivas entre os alunos. Para além da INAE, nós trabalhos com SERNIC, PRM e outras entidades governamentais e associações que estão na senda de sensibilização contra os males de consumo de drogas”. (Nelsa Momade)

Nampula: 47 em cada 100 crianças sofre de desnutrição cronica

Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa do país, continua a ser fustigada pela desnutrição crónica, sobretudo em crianças menores de cinco anos, bem como mulheres grávidas.

Dados actuais apontam uma prevalência de 46,7%, isto é, em cada 100 crianças 47 menores de idade sofrem da desnutrição crónica.

Apesar destes dados representarem uma tendência de redução em relação a 2013, que era de 50,1%, o governador de Nampula, Manuel Rodrigues, entende não fazer sentido que a província continue a ser vítima deste mal, uma vez ser uma das maiores produtoras agrícolas do país, para além da produção animal.

Na explicação para as altas taxas de prevalência da desnutrição crónica na província de Nampula, estão os hábitos alimentares, pelo que o governante reitera a necessidade do contínuo envolvimento de todos actores da sociedade para estancar este mal, através da difusão de mensagens nas comunidades.

Manuel Rodrigues salientou esta ideia posição no decurso da quarta sessão do Conselho Provincial e Segurança Alimentar e Nutricional (COPSAN) que teve lugar nesta terça-feira (12) na cidade de Nampula, que tinha em vista a reflexão sobre o quadro geral de segurança alimentar e nutricional da mais populosa província de Moçambique.

“A questão da desnutrição crónica na nossa província de Nampula é aquela que apoquenta principalmente os menores de 5 anos, mas também mulheres grávidas, e é este grupo que naturalmente demonstra e nos garante o futuro desta província de Nampula. Aliás, não nos esqueçamos que na nossa província o número de crianças ronda os 3,4 milhões, cerca de 52% do total da população na nossa província, que representa 21% da população total do nosso país”, referiu o governador.

“Uma situação que é muito mais desafiante por reconhecermos que a nossa província, em termos de disponibilidade de alimentos, não pode ser considerada como um grande condicionante, porquanto, só na campanha agrária passada registamos uma produção global de mais de 12 milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos. Portanto, nós produzimos muita comida, temos a disponibilidade produtos nutritivos como ovo, temos uma costa banhada por 10 distritos, onde o pescado é muito capturado, o que quer dizer, por outras palavras, que não é por falta de alimentos para a prevalência da desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos, mas também em adultos na província de Nampula”, prosseguiu o chefe do Conselho Executivo Provincial.

Rodrigues avança que “assumimos que estão em jogo, neste processo de prevalência da desnutrição crónica na nossa província, os mitos e os tabus alimentares. Por isso, vem em nós a necessidade de conjugação de sinergias entre o sector público, os nossos parceiros, aos líderes comunitários, religiosos, a sociedade civil, incluindo os nossos parceiros de comunicação social para a disseminação massiva de mensagens sobre a boa confecção de alimentos para a nossa população.

A mesma preocupação, também, foi manifestada pelo Secretário de Estado na Província de Nampula, Jaime Neto.

“Por isso esperamos de todos participantes bom debate e reflexões que possam nos permitir terminar a nossa sessão com os objectivos cumpridos olhando sobretudo o período da época chuvosa que se avizinha que é caracterizada pela ocorrência de ventos extremos e que muitas vezes colocam em causa a segurança alimentar e nutricional das populações nas zonas afectadas”, disse Jaime Neto no seu discurso de abertura da referida sessão.

Enquanto isso…

A embaixada da Noruega assinou, ainda nesta semana, dois acordos no valor total de NOK 63 milhões (aproximadamente US$ 6 milhões) com os parceiros GAIN e Fundação Aga Khan.

Esses fundos adicionais destinam-se ao apoio à segurança alimentar e são uma resposta directa à crise alimentar provocada pela guerra na Ucrânia que afecta especialmente as economias em desenvolvimento como a de Moçambique.

O anúncio desse pacote extraordinário foi feito pela Ministra de Desenvolvimento Internacional da Noruega, Anne Beathe Tvinnereim, durante a sua visita a Moçambique em maio deste ano, e demonstra o compromisso do seu país Noruega em apoiar países que enfrentam desafios significativos em termos de segurança alimentar devido a eventos globais.

“Temos o prazer de dar seguimento a este compromisso com a assinatura hoje de dois acordos com a Fundação Agha Khan e a GAIN, e estamos ansiosos em ver os resultados concretos destas intervenções,” diz o Embaixador, Haakon Gram-Johannessen durante a cerimónia de assinatura.

O Diretor Nacional do GAIN, Gaspar Cuambe, enfatizou “Desde que começamos a colaborar com a embaixada, temos estado activos em diversas áreas, destacando-se a construção de mercados e o apoio financeiro às pequenas e médias empresas. Também estamos empenhados em mobilizar todo o setor privado em Cabo Delgado para impulsionar a produção de alimentos nutritivos e seguros.”

“A fundação Aga Khan agradece à Noruega pela colaboração duradoura que remonta a 2004, quando decidimos unir forças para apoiar a província de Cabo Delgado. Com grande orgulho e satisfação, posso afirmar que, desde então até hoje, mantivemos uma sólida parceria. Esta assinatura representa mais um bloco na construção contínua deste edifício conjunto que estamos a construir,” declarou Agostinho Momade, Director Nacional da Fundação Aga Khan. (Constantino Henriques e Redação)

Nampula: Bancada do MDM gazeta a sessão da assembleia municipal e não se justifica

Nampula (IKWELI) – A bancada do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na Assembleia Municipal da cidade de Nampula, composta por três membros, decidiu não aparecer e, nem se justificar, na V Sessão extraordinária do órgão, que tinha em vista a apresentação do Relatório Especial do termo do mandado 2019-2023.

Esta actividade teve lugar no dia 11 do corrente mês, data em que o presidente do MDM, Lutero Simango, apresentava na cidade de Nampula o cabeça-de-lista do partido para as autárquicas de Outubro próximo naquela circunscrição.

Segundo o presidente da Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, Tertuliano Juma, aquele acto da bancada do MDM, composta por três elementos, mostra um total desrespeito, e que não faz sentido, nenhum deles comparecer. “Quero aqui anunciar uma ausência total da bancada do MDM, não sei quais são os motivos desta ausência, mesmo tendo recebido o convite desta sessão”.

Na sessão em alusão estiveram as bancadas da Renamo e da Frelimo. (Herminio Raja)

PRM detém 5 indivíduos que semeavam terror em Natikiri

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, desmantelou e apresentou publicamente um grupo de cinco (5) meliantes que semeava terror no bairro de Natikiri, bairro periférico da capital provincial.

Nas suas incursões, além da prática de roubos, este grupo agredia as suas vítimas com objectos contundentes e de seguida saqueava os seus bens.

Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, refere que este grupo actua em vários pontos das áreas da 2ª e 3ª esquadras, respectivamente.

“A polícia desencadeou um trabalho operativo e nesse processo conseguiu neutralizar cinco indivíduos que estão, directamente, ligados a estes crimes, o trabalho ainda não foi concluído porque existem mais alguns que se encontram foragidos, mas do trabalho que iremos fazer juntos dos ora detidos, pensamos que brevemente conseguiremos localizar todos os outros integrantes da quadrilha, para que sejam todos encaminhados a instâncias de administração da justiça”, avançou Nacute.

Questionado sobre a perda de vidas humanas em resultado de assaltos perpetrados por diversas quadrilhas no bairro de Murrapaniua, o porta-voz da PRM fez saber que não há registo de mortes. “Do trabalho preliminar que a polícia fez, juntos das vítimas, não houve registo de pessoas que tenham perdido a vida em consequência de ferimentos causados por estes indivíduos, o que temos, sim, são cidadãos que foram feridos com catanas e outros instrumentos contundentes, contraíram ferimentos entre ligeiros e graves, no entanto nenhuma delas perdeu a vida”.

À imprensa, os cinco (5) detidos negam o seu envolvimento, e por exemplo um, simplesmente, diz ser comprador de um telemóvel no mercado informal.

“Essas catanas não me pertencem, simplesmente meu cunhado me levou para o mercado ir comprar farinha depois se encontrou com um jovem lhe vendeu telefone, depois outro dia quando fui ao mercado novamente, com minha mãe, e encontrei-me com a polícia e levaram-me para o posto policial do centro Hípico, alegando que eu sou marginal e pertenço a uma quadrilha de malfeitores, o que não é verdade”, disse o indivíduo.

O comprador do telefone afirmou disse não saber porque está detido na companhia de indivíduos que não conhece, estranhando a decisão da PRM de o associar à grupos de criminosos quando ele é um vendedor informal no mercado de Waresta. (Malito João)

“Apoiados” pela corrupção: Madeireiros furtivos “tomam” a reserva de Mecubúri

Nampula (IKWELI) – Localizado a mais de 140 quilómetros da cidade de Nampula, a Reserva Florestal de Mecubúri, no distrito com o mesmo nome, tem sido, recorrentemente, invadida por madeireiros furtivos, que a meio a proibições abatem espécies e proibidas por lei.

Esta actividade dos furtivos desafia a capacidade das autoridades governamentais locais, e não só, na garantia do cumprimento rigoroso de normas oficiais, incluindo a legislação do sector em vigor.

Uma investigação levada a cabo pelo Ikweli naquele ponto da província de Nampula constatou que para garantirem o transporte destes produtos florestais, os madeireiros furtivos acabam corrompendo funcionários públicos, incluindo as lideranças locais.

Líderes comunitários localizados na zona tampão da reserva afirmam que recebem benesses diversos, incluindo motorizadas, para facilitar a vida dos furtivos. Eles dizem que aceitam porque a vida está difícil naquele ponto do país.

Um estudo feito em 2020, por uma publicação brasileira denominada Revista Sociedade e Território do Rio Grande, sugere que naquele ano uma grande área florestal sofreu desmatamento bruto, sobretudo na região norte do distrito, mas anota que de 2002 a 2020 havia um exagerado corte de madeira de 2.165 hectares por ano.

Esta realidade é agravada pela fraca efectivação do plano de recuperação das áreas em devastação, primeiro pelo facto da falta de interesse dos madeireiros e de seguimento das autoridades governamentais além do desconhecimento desinteresse das lideranças comunitárias, estas últimas acusadas de facilitar a exploração ilegal em troca de irrisórios valores monetários.

Com uma área de 230.000 hectares, a Reserva Florestal de Mecubúri correspondente a um triângulo Mecubúri-Muite-Imala. Todavia, devido a invasão humana para dentro da reserva, cerca de 35.200 hectare de terra tiveram que ser desanexada para a produção de algodão e construção de habitação. Esta invasão humana com uma taxa normal de crescimento de 2.5% ao ano tem tendência a aumentar ao longo do tempo devido a ineficiente fiscalização no local (Awasse & Mushove 2000, citados e Sitoe at al 2007) e reforçada pela Política e Estratégia de Desenvolvimento de Florestas e fauna Bravia (Decreto 8/97 de 01 de Abril).

A Reserva Florestal de Mecubúri é de acordo com alínea 32 do artigo 1 e artigos 10 uma zona de protecção e reserva nacional; de acordo com o artigo 12 ambos da Lei 10/99 de 7 de Julho, Lei de Florestas e Fauna Bravia, isto é, um espaço territorial que se destina a preservação de certas espécies de flora, fauna raras, endémicas, ameaçadas ou em via de extinção, ou que denunciem declínio, e os ecossistemas frágeis. De acordo com a mesma lei, a Reserva Florestal de Mecubúri, classifica-se como uma Floresta de Conservação (alínea a) do artigo 5) e não floresta de utilização múltipla (alínea c) do artigo 5) e muito menos floresta produtiva (alínea b) do artigo 5)

“Queremos comer”

Um líder comunitário entrevistado pelo Ikweli afirmou que tem cooperado com os madeireiros furtivos, mas justifica que o faz porque os pagamentos que ganha não o têm o ajudado.

“Como vês aqui estamos mal, não temos alternativa a nada. Muitas coisas devem vir da cidade e nós não temos dinheiro para ir lá comprar, então quando vêm um madeireiro e nos dá alguma coisa, aceitamos cooperar com ele”, disse um régulo que nos pediu a proteção da sua identidade.

Esta mesma fonte recorda que “no passado nós agarrávamos estes madeireiros furtivos, mas quando entregávamos aos fiscais eles dispensavam-nos porque cobravam dinheiro”.

Um outro líder, próximo a comunidade de Milhana disse que “o Governo e os seus técnicos não ajudam, não melhoram nada nas nossas comunidades e nós não vamos viver na miséria enquanto temos recursos, então quando o madeireiro chega com dinheiro, roupa, mota e outras coisas não negamos. Recebemos e eles cortam a madeira que querem”, questionando ser necessário “saber onde eles passam até chegarem aos seus estaleiros, o que quer dizer que, também, pagam aos fiscais por onde passam”.

Uma senhora, também, residente na zona tampão, refere que “os furtivos dão emprego aos nossos maridos. No momento que vêm tirar madeira, eles contratam as pessoas daqui para ajudarem a cortar madeira e em troca pagam dinheiro e dão peixe seco”.

Na comunidade de Mualua, uma fonte contou ser desafiante combater a invasão à reserva, porque “todos queremos comer”, não só as comunidades, como também agentes do Governo.

“La em Nampula [cidade] há chefes que confiam nisso para as suas vidas andarem, por isso nunca vais ouvir eles a falarem seriamente sobre combater os furtivos aqui. Sempre que há missão todos os furtivos desaparecem”, referiu um residente da comunidade de Poupe, o qual acredita que “essas pessoas passam informação para os furtivos fugirem”.

Em Munhumua, por exemplo, um líder local disse que “temos interesse em combater, mas nós nem estrada temos, os serviços básicos não funcionam, então vale a pena permitir pessoa que nos traz comprimidos da cidade entrar e cortar, do que seguir ordens de um governo que nos esqueceu”.

Acompanhamos igualmente, o mesmo posicionamento na comunidade de Muralene, onde um líder comunitário apontou que “fomos abandonados. A única pessoa que vem aqui e nos trata bem é o madeireiro furtivo. Traz comida, óleo, açúcar e sal para nós”.

A dona Madalena reside em Munhumua e diz que para ter acesso aos serviços básicos, sobretudo os de saúde materno infantil deve percorrer quilómetros.

“Aqui nem parece que temos recursos. Ninguém olha por nós. As mulheres passam mal para ter consultas pré-natais. Os nossos maridos devem se sacrificar em nos levar na bicicleta”, conta.

Esta mesma fonte afirma que “mesmo na vila os serviços não são de qualidade, só não temos alternativa só”.

Uma outra residente da mesma comunidade, Julieta Rodrigues, diz que “a situação aqui não é das melhores. Tiram nossa madeira aqui, mas não conseguem nos dar escolas e nem hospitais de qualidade. Sofremos muito”.

Em Mualua, por exemplo, uma parteira tradicional referiu que “aqui os que mais sofrem são as mulheres, porque não há condições para terem um parto seguro”.

Há fraca capacidade do Governo em controlar

O assunto é do conhecimento pleno das autoridades do distrito de Mecubúri. O director dos Serviços Distritais de Actividades Económicas (SDAE), João Mezicue, afirma que a exploração ilegal dos recursos florestais é, por um lado, devido a fraca capacidade que o governo tem em termos de intervenção, com destaque para exiguidade de recursos humanos, neste caso, os fiscais.

“Há um trabalho que tem sido feito a nível do distrito, primeiro quero aqui reconhecer a fraca capacidade em termos de intervenção. Porquê estou a dizer isso? O número de ficais é exíguo” explicou Mezicue, apontando que o número alocado não cobre para dar resposta a fiscalização dentro e fora da Reserva de Mecubúri. “Estamos a falar que, em média, segundo plano da Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental (AQUA), temos recebido dois (2) à (3) fiscais para fazer valer aquilo que são nossas obrigações em termos de fazer vigilância na nossa reserva”.

A fonte apontou, como outros factores que justificam a incapacidade das autoridades em conter a acentuada exploração de madeira em Mecubúri, a insuficiência de meios de transporte para uma resposta rápida. “Assim como o distrito e a Direção do Meio Ambiente que não dispõem de muitos recursos, estamos a falar de meios de transportes para a intervenção rápida, mas em coordenação com alguns comités de gestão instalados”.

Os problemas que influenciam a fraca resposta quanto a exploração ilegal de madeira em Mecubúri, também advém de falta de benefícios para a comunidade, mesmo em casos dos madeireiros legalmente apresentados às autoridades.

O director do SDAE de Mecubúri diz que no passado, 2022, muita madeira foi explorada por madeireiros licenciados, mas a canalização dos 20% foi à três (3) comunidades. “Acções de exploração de florestas está a beneficiar e são cerca de três (3) comunidades, se a memória não me trai, essas beneficiam de 20% de retorno de exploração florestal, e para dizer que todo ano passado 2022 houve canalização dos 20% da exploração madeireira, na Comunidade de Inximpe, Natai e comunidade de Muite”.

Em 2023, segundo explicou João Mezicue ainda não foi canalizado, por alegados problemas bancários dos comités de gestão dos recursos naturais e só depois daí, o Serviço Provincial do Ambiente irá efectuar as transferências para as comunidades indicadas a receber.

“Só este ano ainda não houve canalização destes 20%, isso deveu-se a problemas bancários das comunidades, porque a transição destes valores é feita a nível provincial ou seja pelo Serviço Provincial do Ambiente, é que faz a transferência dos valores para as comunidades, mas, logo que os comités fazem o levantamento as contas ficam sem valores então os bancos acabam bloqueando as contas, agora estamos no acompanhamento desta mecanização destas contas dos próprios comités para levarmos a província para que sejam efectuadas as transições dos valores, refiro-me a canalização dos 20% do corrente ano”, concluiu a fonte. (Amade Abubacar e Aunício da Silva)

 

*Reportagem produzida no âmbito do Programa para Fortalecimento do Jornalismo Investigativo com enfoque na Transparência e boa Governação Ambiental – REAJIR

Nampula: Renamo flagra chefes de quarteirões na posse de cartões de eleitores

Nampula (IKWELI) – O mandatário do partido RENAMO em Nampula, Ossufo Ulane, apresentou no dia 05 de setembro corrente, no centro cultural de Namicopo, dois indivíduos, por sinal secretários de quarteirões do bairro Carrupeia, posto administrativo de Namicopo, alegadamente na posse de 65 cartões de recenseamento eleitoral como forma de impedir que os legítimos donos exerçam o direito de voto no dia (11) de outubro próximo.

Falando a imprensa, Ulane disse que os dois indivíduos tinham sido mandatados pelo partido FRELIMO. “Não há dúvidas que está a se esbanjar dinheiro porque prometeram ganhar as eleições no dia 11 de outubro, como tiveram problemas de desestabilizar o recenseamento e nós percebemos e os nossos membros recensearam, agora ficou a missão de ir enganando com 300,00Mt (trezentos meticais) para recolher os cartões nas pessoas não informadas, de tal forma que correspondam as expectativas que queriam fazer no recenseamento eleitoral. Para alem destes cartões que temos, naquela lista constam números de cartões que não estão aqui que significa que são tantos cartões que foram recolhidos”.

O mandatário da RENAMO disse que o caso será remetido a procuradoria. “Passo a seguir, nós vamos sentar como partido RENAMO de como isso vai ser, mas precisamos levar isso a procuradoria para saber que tem indivíduos na posse de cartões pessoais de recenseamento eleitoral porque é um acto ilícito”.

O mandatário promete devolver os cartões aos legítimos donos. “Então, nós precisamos agora fazer uma campanha para informar que deixem de entregar os cartões, porque são individuais. Estes cartões recolhidos, em troca um valor de trezentos meticais, a intenção do processo de recolha não seria devolvida aos donos com o objetivo de no dia 11 de outubro impedir o direito a voto as pessoas”.

Por outro lado, a delegada provincial do pleito do partido RENAMO, Abiba Abá, fez saber que, como partido político, tem o direto de fiscalizar actos ilícitos para que não haja roubo no processo de votação no dia 11 de outro próximo. “Quero apelar a quem é de direto, o Celso Correia, como ao senhor Vaquina, para que abandonem este espírito e vamos fazer eleições livres, justas e transparentes e esta é a democracia, porque a RENAMO está aqui na cidade a trabalhar e o povo já viu em quem deve acreditar”, sublinhou

Abiba Aba, acrescentou que a recolha de cartões esta alegadamente a decorrer em todo o país.

Os indiciados na posse de cartões de eleitores afirmam que “a ligação com os cartões eleitoral é por conta de uma associação denominada “204”, onde estão todos os membros que outrora trabalhou no conselho municipal da cidade de Nampula e expulsos sem justa causa. Então, porque estamos próximo das eleições queremos manifestar a nossa parte, embora não estarmos credenciados porque depois vamos entregar as entidades que nos mandou do nosso partido Frelimo”.

Entretanto, outro entrevistado contou que “a gente organizou estes cartões para levarmos aos nossos parceiros que é a Frelimo e este processo fizemos em um dia e nos outros dias nunca tínhamos feito este trabalho”. (Nelsa Momade)

Nyusi “aperta” aos sheiks de Angoche a saberem separar os momentos, mas pede para apoiarem a “menina”

Angoche (IKWELI) – Foi em plena cerimónia de lançamento da primeira pedra para a reabilitação e asfaltagem da estrada nacional número 104, no troço entre Angoche e Nametil, província de Nampula, que tiveram lugar nesta quarta-feira (6), na cidade de Angoche, em que dois sheiks locais dirigiram-se ao pódio para procederem com a oração de bênção do evento, levando consigo o cascol do Partido Frelimo no pescoço.

O comportamento daqueles sheiks, aparentemente, não agradou a Filipe Nyusi, Presidente da República, mesmo sendo timoneiro da Frelimo, partido no poder em Moçambique, a cerimónia era estatal.

O que sucedeu, o próprio Presidente é quem teve a iniciativa de tirar o cascol que pesava sobre o pescoço daqueles religiosos para momentos depois, prosseguir com a reza. Pode tratar-se de um ensinamento de separação dos momentos, entre políticos, estatais, assim como religiosos.

“Será que a menina vai ganhar aqui?” – questiona Nyusi aos sheiks

Apesar disso, os sheiks ofereceram ao Presidente da República um traje tipicamente muçulmano, com destaque para um cofio e uma túnica. Foi com aquele cofio na cabeça que o Presidente da República orientou a cerimónia de lançamento da primeira pedra para a reabilitação e asfaltagem da estrada Angoche – Nametil.

Aliás, apesar de ter retirado o cascol, em conversa com os religiosos, o Presidente da República aproveitou o momento para perguntá-los se a cabeça-de-lista e candidata a Presidente do Conselho Autárquico de Angoche, pelo partido Frelimo, iria ganhar as eleições de 11 de Outubro do ano em curso ou não, pelo que a resposta foi de certa forma encorajadora. Tendo os pedido a continuarem a trabalhar para garantir a vitória da sua agremiação política.

Aliás, no campo municipal de Angoche, vezes sem conta o Presidente da República frisou a necessidade de Angoche pautar pela mudança para garantir a boa organização da urbe.

Para além daqueles líderes religiosos, a cerimónia de lançamento da primeira pedra para a construção da estrada Angoche – Nametil foi inundada pelos membros e simpatizantes da Frelimo, que estavam vestidos com as cores e símbolos do partido no poder, e que cantavam cânticos de exaltação a Frelimo, para além da mensagem de esperança no resgate do município actualmente dirigido pela Renamo. (Constantino Henriques, em Angoche)

Nyusi lança “outra vez” primeira pedra para a construção da estrada Angoche-Nametil

Angoche (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, voltou a lançar, na manha desta quarta-feira (6) no município de Angoche, a primeira pedra da construção da estrada 104, que liga aquele ponto da província de Nampula a vila de Nametil, sede do distrito de Mogovolas, numa extensão de pouco mais de 100 quilómetros.

Trata-se de uma acção que registou um atraso de cerca de dois anos, pois em 2021, durante as cerimónias de lançamento do projecto designado Promove Estradas, Nyusi teria garantido a população local que as obras de asfaltagem da mesma rodovia iriam iniciar no ano seguinte.

“Chegou a vez, vocês tiveram paciência”, disse Nyusi dirigindo-se a população da cidade de Angoche, por ocasião do lançamento da primeira pedra das obras de construção da estrada em causa.

As obras estão orçadas em mais de 48 milhões de Euros, o equivalente a mais de três mil milhões de meticais, no câmbio do dia, e conta com a empreitada de uma empresa de capitais portugueses, Mota Engil, a qual é esperada que termine com os trabalhos dentro de dois anos.

Das intervenções da referida rodovia, consta a construção de uma ponte de raiz sobre o rio Luaze, com uma extensão de 168 metros, e 6 metros de faixa de rodagem.

Caso seja concluída a asfaltagem daquela estrada, Filipe Nyusi disse acreditar que passará para história o sofrimento da população no transporte dos seus bens, para além de esperar que venha dinamizar o desenvolvimento de Angoche e as demais comunidades ao longo da rodovia.

“A asfaltagem desta estrada marca a realização de um sonho de várias gerações, não só de Angoche, mas toda região sul da província de Nampula”, entende Nyusi, prosseguindo que “a asfaltagem do troço Angoche a Nametil completa a concretização da visão mais ampla. É a materialização do compromisso do governo”, referiu o estadista moçambicano.

Para Filipe Nyusi, “Angoche é um pólo de crescimento, mas negligenciado por falta de estrada”, disse o chefe do Estado moçambicano, justificando o facto de aquela parcela moçambicana possuir lindas praias para o turismo, para além das suas potencialidades agrícolas, para além dos recursos minerais que evitou destacar.

Já Duarte da Graça, representante da União Europeia, disse também que a asfaltagem da via minimizar o sofrimento da população utente da mesma. “Dois anos volvidos sobre o lançamento oficial do Promove Transportes, estamos satisfeitos por estar aqui de novo convosco traduzindo a nossa cooperação com acções concretas. A União Europeia e o governo de Moçambique partilham a visão de que a infraestrutura rodoviária é fundamental para promover a conectividade e mobilidade segura”, assegurou a fonte.

A população de Angoche antevê dias melhores caso as obras sejam concluídas, uma vez que vai permitir a sua fácil comunicação com a capital provincial e os demais pontos da província e do país.

“Com asfaltagem desta estrada, de extrema importância na vida da população, vai catapultar o desenvolvimento socioeconómico do distrito e não só”, entende Rui Monteiro, numa mensagem da ocasião em representação da população. (Constantino Henriques, nosso enviado a Angoche)

Desistência de Manuel Rodrigues pode ser uma prova de Deus à Frelimo”, considera Orlando Impissa, Primeiro Secretário do distrito de Nampula

Nampula (IKWELI) – O partido Frelimo no distrito de Nampula elegeu na passada segunda-feira (4) o novo cabeça-de-lista e candidato a Presidente do Conselho Autárquico de Nampula, uma das circunscrições geográficas de Moçambique que continua a tirar o apetite aos camaradas, uma vez que desde 2014 está nas mãos dos partidos adversários.

Depois de quatro anos nas mãos do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), nos últimos quase seis anos a cidade de Nampula é dirigida pelo partido Renamo. Aliás, para as eleições do próximo dia 11 de Outubro do ano em curso, a Renamo tem como cabeça-de-lista, Paulo Vahanle, actual autarca.

Como é do domínio público, para fragilizar a alegada fama de Paulo Vahanle no seio dos munícipes da cidade de Nampula, a Frelimo teria apostado no peso pesado da política nampulense, o não menos conhecido Manuel Rodrigues, actual governador daquela parcela de Moçambique, para dar uma resposta atempada as investidas de Vahanle. Entretanto, contraexpectativa dos camaradas, Rodrigues desistiu da corrida, por razões até aqui desconhecidas.

Trata-se de Luís Giquira, ou simplesmente Giquirito como é mais conhecido, o jovem empresário, nas artérias da cidade de Nampula o novo cabeça-de-lista do partido Frelimo para as autárquicas de 11 de Outubro que se avizinha.

A semelhança de Manuel Rodrigues, Luís Giquira não teve adversário, pelo que a sua eleição foi por aclamação dos membros do comité distrital do partido em Nampula, presentes no evento que teve lugar no bairro de Natikiri.

Após a eleição do novo cabeça-de-lista, Orlando Impissa, primeiro secretário do comité distrital da Frelimo em Nampula, considerou que o momento devastador que se vive dentro da agremiação pode ser uma prova divina, acreditando com isso que no próximo dia 11 o partido irá cantar vitória.

“Camaradas, continuem com esse espirito, não nos abandonem, porque a construção da vitória ficou clara com a presença dos camaradas”, começou por agradecer, Orlando Impissa, aos membros do comité distrital de Nampula.

“Só pode ser provação. Deus prova sempre os mais fortes, não manda trepar montanha alguém que não tenha capacidade de subir a montanha. Se os camaradas estão desafiados com tudo isso que aconteceu, considere algo que Deus está a preparar de bom para nós porque ele acha que cada membro do partido Frelimo na cidade de Nampula é forte para trepar a montanha”, disse na sua “homilia”, o primeiro secretário do comité distrital de Nampula, Orlando Impissa.

“Camaradas, a página está virada, com Giquirito a Frelimo avança”, acredita Impissa.

Aceito conduzir este desafio…

Falando após ser eleito, por aclamação, Luís Giquira acredita que com a coesão interna do partido, a Frelimo pode resgatar o tão desejado município de Nampula, a terceira mais importante cidade de Moçambique.

“Camaradas, esta eleição, apesar de ser por unanimidade, eu penso que não é só minha, penso que é de toda comissão aqui presente. É de todo órgão, é da Frelimo. Na Frelimo a vitória prepara-se, a vitória organiza-se. Então, é por essas palavras que eu queria pedir a todos camaradas que assumissem essa aclamação como vosso, porque sem vocês, sem união, sem coesão interna do nosso partido, não vamos conseguir. Mas com todos, nós juntos a trabalharmos com mesmo fim, é possível que a gente consiga resgatar este município”, disse Luís Giquira.

“É por isso que eu aceito este desafio, aceito conduzir este desafio, junto com os meus pares que são meus camaradas, as organizações sociais, OMM, OJM, ACLLM, para juntos definirmos estratégias conjuntas para resgatarmos o município de Nampula”, acrescentou.

Luís Giquira disse também que aceitou o desafio para devolver a boa imagem que a cidade de Nampula merece.

“Camaradas, são doze anos de sofrimento. Nós já fomos considerados como terceira cidade mais limpa do país, mas hoje estamos com índices mais abaixo, isso por causa da má governação da oposição. Camaradas, vamos assumir esse desafio como se fosse dos nossos filhos, nós queremos ver esta cidade a crescer. Queremos o desenvolvimento desta cidade. Nós temos planos, a Frelimo tem projectos e acreditamos que só com a Frelimo é que esta cidade continuará a crescer para os patamares que já foi conhecida”, acredita Giquirito. (Constantino Henriques)