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Nampula: Consumo de drogas afecta desempenho de alunos nas escolas

Nampula (IKWELI) – A esposa do Secretário de Estado na província de Nampula, Maria Neto, reconhece que a província regista um elevado índice de consumidores de substâncias psicotrópicas, sobretudo em alunos da faixa etária dos 15 anos de idade, o que prejudica a capacidade de raciocínio e possibilidade de concentração no processo de ensino e aprendizagem.

Na semana passada, a fonte visitou a escola secundária de Nampula, um estabelecimento de ensino público que se tem destacado no consumo de drogas e álcool por parte dos alunos. É nessa escola onde alunos que consomem drogas espancam professores e agridem, também, seus próprios colegas.

Igualmente, Maria Neto precisou que Nampula tem registado maior número de pacientes com problemas de saúde mental que dão entrada nas unidades sanitárias.

A nossa fonte recordou que o consumo de drogas “provoca delírios, alucinações e cria sensação de medo, pânico, exaltação e sentimentos de grandiosidade, pensando que é superior que o director da escola por conta de estar possuído de drogas. As consequências físicas de drogas podem desenvolver doenças, tais como cancro hepático, mau funcionamento dos rins e nervos, problemas respiratórios e cardíacos”.

Maria Neto entende que “muitos que cometem crimes lá fora, e por vezes no recinto escolar, estão sob efeito de drogas, o que pode concorrer a vários acidentes que acabam criando problemas familiares e profissionais, também provocam impactos negativos e vários contextos estão associados a comportamentos antissociais”. (Nelsa Momade)

Mutoropa “deseja” que governar a cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – Filomena Mutoropa, ou simplesmente “mamã Mutoropa”, como é carinhosamente tratada na esfera política nacional, em particular na cidade de Nampula, volta a concorrer para o cargo de Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, pelo Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO), tendo como um dos focos resgatar as mentes das mulheres.

Nascida a 9 de Outubro de 1959 (64 anos), no posto Administrativo de Mutuali, no distrito de Malema, na província de Nampula, Filomena Mutoropa revela-se uma das mulheres super “quentes” na política moçambicana.

Actualmente é membro do Partido Humanitário de Moçambique (PAHUMO) com o qual nas últimas eleições municipais concorreu a presidência do Conselho Municipal de Nampula, precisamente em 2013 e 2018, nas quais não teve resultados encorajadores.

Aliás, nas autárquicas de 2013, Filomena Mutoropa conseguiu um assento na Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, naquele ano em que sua figura ficou conhecida a nível nacional e internacional quando explodiu em choros depois de aperceber-se que o seu nome não constava no boletim de voto, o que conduziu no cancelamento e remarcação da data de votação do escrutínio ganho pelo malogrado Mahamudo Amurane.

Já nas eleições de 2018, recorde-se, Filomena Mutoropa e PAHUMO não tiveram assento na Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, fazendo com que seu contributo não se fizesse sentir no mandato prestes a findar.

Apesar de uma aparente falta de confiança do eleitorado de Nampula, com base nos resultados dos últimos pleitos, para as eleições de 11 de Outubro do ano em curso, Filomena Mutoropa confirma ser cabeça-de-lista do PAHUMO, na esperança de que os munícipes de Nampula, em particular a mulher, tenha ganho juízo sobre a necessidade de entregar o poder a uma mulher para a defesa dos interesses de todos moradores daquela considerada terceira maior cidade de Moçambique.

“Nós realmente concorremos, tivemos essa oportunidade de correr nesta maratona que vem aí, apesar de ser algo muito difícil, mas nós estamos aí”, confirmou Mutoropa exclusivamente ao Ikweli.

Filomena Mutoropa frisou que uma das razões de voltar a concorrer, mesmo aos 64 anos de idade, é o desejo que tem de ver a mulher moçambicana, particularmente de Nampula, respeitada e valorizada como alguém capaz de fazer bem as coisas, mas lamenta o facto de as mulheres, sobretudo, não apostarem nela no dia de votação.

“De certeza, essa é uma grande preocupação, e tem sido uma pergunta frequente nos workshops que temos participado, sobre porquê, mesmo sabendo que Nampula tem muita mulher, não têm apostado noutra mulher no dia de voto, sabendo que temos tentado abrir os olhos das mulheres. Nós também temos dificuldades em como responder porque Nampula é uma província que toda a gente conhece e nós somos pessoas de Nampula. Talvez a mulher pensa que se seguir a Mutoropa pode haver uma repreensão, quer pelo seu marido, quer na vizinhança, no partido, elas se sentem intimidades, não se sentem livres”, lamentou Filomena Mutoropa, cabeça-de-lista do PAHUMO.

“Realmente, maior número de mulheres, mesmo aquelas funcionárias querem fazer mudança, não conseguem porque tem um olho comprido, onde ela faz seu serviço e é controlada. Então, há fragilidade nas mulheres como eu que ainda grito para elas  de que vamos abrir os olhos. Não só mãe porque é mãe, é mulher porque é dona de casa, não. Há previsão, levante-se, olhe em frente para o futuro dos seus filhos, dos seus netos porque nós temos nosso futuro e é esse que estamos a terminar”, precisou Mutoropa.

“As outras são aquelas que dizem; vou votar para ganhar o quê, porque ainda suas mentes não estão a perceber o porquê de estarmos a votar. Umas percebem que votar é mudança, elas querem mas são impedidas, não conseguem chegar, o seu grito termina no meio. Outras são aquelas que dizem votar ou não votar tudo para mim é igual. Então, aí quando estamos a minar a nossa mudança, e quando uma mulher como eu digo que levante-se mulher e vamos para a frente, a mulher não está lá e eu consigo ter duas mulheres e eu choro mesmo. Nos workshops quando me perguntam, antes de eu responder, primeiro caem-me lágrimas”, acrescentou a fonte.

Os partidos políticos não consideram as mulheres

Numa outra abordagem, Filomena Mutoropa entende que os partidos não estão a considerar as capacidades da mulher. Para ela, não faz sentido que seja a única mulher, novamente a concorrer sozinha nas eleições do próximo dia 11 de Outubro.

Aliás, a cabeça-de-lista do PAHUMO, precisou que uma das razões que a leva a concorrer, aos 64 anos de idade, é por não ver surgir uma outra mulher que se mostre forte e concorra para presidente do município da cidade de Nampula, independentemente que seja de outro partido político.

“Há partidos que desprezam as mulheres. Nós gostaríamos que na Assembleia fosse maior o número de mulheres, e candidaturas, mas o homem sempre continua a espezinhar e os partidos políticos, mesmo aqueles que estão na Assembleia da República, ainda não tem uma visão, não estão a considerar a mulher. Então, eu estou a pedir aos partidos políticos para que não sejam assim, devem também valorizar a mulher porque é a mulher que está em frente do homem”, disse Mutoropa.

“Certamente, é procurar dignificar a mulher, é dizer a comunidade toda de que a mulher também vale e sentimos que na cidade de Nampula nunca a mulher mandou como Presidente do Município, o que se passa nesta cidade? Noutras cidades nós vimos, mas em Nampula não, mesmo eu correndo atrás dos homens sempre os homens me pisam e me deixam atrás. Então, certamente é isso que digo que temos que fazer levantar a mulher para que saibam esta tem a obrigação de fazer suas mudanças e, para isso, precisa de ir se juntar com uma outra mulher, nesse caso a Mutoropa”, prosseguiu a fonte.

“Eu não vou deixar de concorrer enquanto tiver saúde, porque o que irá me impedir é a saúde, mas enquanto tiver saúde eu vou correndo da mesma maneira. Em 2013 concorremos, tivemos aquele acento e ajudamos muito aqui na cidade. Em 2018 tivemos traição que não sabemos como e, esta vez, continuo para dizer a mulher, se você não quer ver a Mutoropa a concorrer ela ainda continua, se você está arrependida em 2018 por não ter votado esta mulher, este ano você tem que apostar nela, porque, juntas vamos vencer, fazer mudanças na nossa cidade e o país em geral porque se Nampula ganha uma mulher é porque o país também ganhou”, entende a nossa entrevistada.

Por outro lado, Mutoropa disse reconhecer que a sua idade pode não lhe permitir estar no activo por muito tempo, pelo que o sangue novo feminino é necessário, para dar continuidade aos trabalhos. “Porque a nossa idade de 64 não é fácil ter boa  saúde, então alguma coisa muda, mas mesmo com a mudança, eu não estou satisfeita porque eu queria deixar uma mulher nova a dar continuidade disto. Mas como eu não percebi o que está se passando dentro da cidade, qual é a mulher que vai defrontar com a Mutoropa desta vez. Enquanto não houver nenhuma mulher, saiba que você mulher ainda está a dormir, ainda não levantou. Eu queria que desta vez houvesse uma mulher para defrontar com a Mutoropa e eu estaria muito satisfeita, porque saberia que o futuro se continuar a concorrer tem uma mulher que vai em frente para levantar as outras mulheres”, almeja Filomena Mutoropa. (Constantino Henriques)

32 Raparigas beneficiaram de kits de emprego em Nampula

Nampula (IKWELI) – Um total de 32 raparigas graduadas pelo Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), na província de Nampula, beneficiaram de uma oferta de 10 kits de grupo para as áreas de canalização, corte e costura e electricidade, no âmbito do empoderamento económico inserido no programa da Secretaria do Estado da Juventude e Emprego “Meu kit, meu emprego” e que está a ser implementado pelo IFPELAC em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), através do projecto viva+.

Os cursos tiveram a duração de três meses e a entrega dos kits tem em vista criar oportunidades de auto-emprego, garantir o auto-sustento para dessa forma transformar a vida das raparigas.

Lurdes Dionísio, uma das beneficiárias do kit, cursou eletricidade durante três meses no IFPELAC, a mesma disse ao Ikweli que decidiu apostar no curso porque sempre gostou de brincar com energia.

No entanto, teve dificuldades para se formar, pois os seus pais não aprovaram a decisão dela fazer um curso considerado para o género masculino.

“Minha mãe dizia que esse tipo de curso era para rapazes, mas o cenário mudou quando ela passou a ver-me vestida de farda, pois ela entendeu que era meu desejo brincar com energia”.

Esta fonte afirmou estar preparada para servir a comunidade da sua província, no que diz respeito a instalação nas suas residências e não só.

“Estou grata pelos kits porque eu sei que vão ajudar-me, dizer que estou pronta e preparada para trabalhar com a comunidade”.

Quem também sente a mesma satisfação é Susana Almeida, que decidiu engrenar na área de canalização, apesar de não ter nenhuma experiência com os cabos.

“O projecto da FDC ajudou-me a ter conhecimento e técnica para seguir em frente. Foi difícil, mas graças a Deus consegui. E hoje recebemos material suficiente para colocar em prática os conhecimentos adquiridos durante os três meses”, disse.

Na ocasião, o Director de Programas da FDC, Adelino Xerinda, lançou um apelo as raparigas no sentido de abraçarem as oportunidades e seguir em frente, sem esperar que as empresas as contratem para um determinado trabalho.

“Vocês ainda são jovens e ainda tem muita coisa pela frente e a oportunidade já vos foi dada. Agora cabe a vocês pegarem na oportunidade com as duas mãos e ir ao mercado de emprego. Não esperem de nenhuma forma que agora que já estão formadas vão distribuir currículos e começar a procurar emprego não, não vai acontecer isso. O emprego que vocês devem procurar está à vossa frente que são os kits de canalização, as máquinas de costura e os equipamentos de eletricidade”, explicou Xerinda.

De acordo com o director de programas, as graduadas não devem esperar que os trabalham apareçam de “mão beijada”, mas sim, é necessário que apostem no estudo de viabilidade do mercado.

“Se vocês puderem passar, olhar e se oferecerem para fazer o trabalho, já é uma tarefa estarão a arranjar, por isso aproveitem essas valências que têm para poder fazer a diferença e ganhar dinheiro”.

Durante a sua intervenção, Adelino Xerinda partilhou que até final do presente ano, cerca de 250 raparigas ao nível dos distritos da província de Nampula, concretamente nos locais onde a FDC actua, irão beneficiar de kits de auto-emprego para o seu empoderamento económico.  (Ângela da Fonseca)

RENAMO acusa a FRELIMO de orientar a detenção ilegal de seus membros na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O partido Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), em Nampula, acusa o partido FRELIMO de perpetrar detenções ilegais frequentes à membros da sua formação política usando a Polícia da República de Moçambique (PRM).

A acusação é da delegada provincial da RENAMO em Nampula, Abíba Aba, para quem os casos são até aqui reportados a nível dos bairros da cidade de Nampula, onde a FRELIMO está na oposição.

A fonte que falava na última sexta-feira (15), numa conferência de imprensa na sua delegação política, alegou que o partido FRELIMO tem orientado membros da PRM para efectuar detenções à quadros da RENAMO, sobretudo quando estes descobrem tentativas de recolha de cartão de eleitores nos bairros por membros do partido FRELIMO.

Segundo Abiba Abá, num passado recente, quadros da RENAMO vivenciaram de perto a detenção de um chefe do quarteirão, chefe da mobilização do bairro e delegado da unidade, do posto administrativo de Muhala, acusados de espancarem um secretário do partido FRELIMO.

“Queremos denunciar os esquemas protagonizados pela Polícia da República de Moçambique a mando do partido Frelimo para detenção dos membros do partido Renamo. No dia 06 de setembro foram detidos 3 três membros da Renamo, o espancamento desse secretário origina dos negócios malparados de venda de terreno naquela zona, e onde entra o partido Renamo nos problemas com aquele secretário? Como que a polícia prova que eles é que espancaram?”, questionou Abiba, que alega ter provas concretas ao que se refere.

 Abá, informou que a restituição da liberdade dos detidos foi mediante pagamento de valores monetários na ordem dos 10.000,00Mt (dez mil meticais).

“Hoje [sexta-feira], dia 15 de Setembro, foram detidos mais dois 2 membros do partido Renamo no posto administrativo de Muatala, no bairro de Mutauanha, porque a Frelimo está reunida numa escola do Estado no mesmo bairro a recolher cartões de eleitor de professores e da população circunvizinha e porque é uma escola do Estado, a Renamo entra para fiscalização. Porquê é que o partido Frelimo reúne nas escolas do Estado e não nas sedes do seu partido? Depois de questionado a Frelimo enfrentou em pancadaria, acionada a polícia só deteve dois membros da Renamo, fazendo valer o esquema traçado entre a polícia e o partido Frelimo. A pergunta que não quer calar é: porque que os recintos escolares devem ser células do partido Frelimo? Essa é uma dúvida que nós temos, gostaríamos que o Estado pudesse me esclarecer futuramente, e porquê é que a polícia detém somente os membros da Renamo? Se todos envolveram-se em pancadaria”, interrogou-se adelgada.

Preocupada com a situação, a delegada provincial da RENAMO voltou a apelar a polícia a não trabalhar a favor do partido FRELIMO, mas do Estado moçambicano, reiterando que a perdiz não quer o retorno da guerra.

“Com isso, estamos a ver que o processo eleitoral está a começar e a Frelimo quer  confusão e, no entanto, a FRELIMO está a arrastar-nos para a guerra, o que não queremos. Nós estamos na paz e queremos apelar a polícia da República de Moçambique para abandonar esse espírito, pois estão para guarnecer qualquer partido político sem exclusividade, e hoje quando chegamos na 2ª Esquadra para falar com a comandante ficou claro que ela está ao serviço da Frelimo e não do Estado”.

Sendo que são casos recorrentes, Abíba Aba disse não ter onde e como submeter as queixas, alegadamente porque o partido no poder não facilita os processos, e usa os quadros da polícia como membros seniores do partido FRELIMO, daí que inviabiliza todos processos da RENAMO.

“Aqui em Moçambique eu entendo que tentar resolver com transparência um caso desses podes correr o risco de perder emprego, as pessoas querem, mas não podem porque esse partido FRELIMO põe a mão em tudo. Sabemos perfeitamente que a Procuradoria da República de Moçambique tem a capacidade suficiente de resolver os casos com transparência, mas porque o partido FRELIMO neste momento é que está a governar, ameaça a todos e ninguém quer perder o seu o pão e por mais que a gente escreva nunca há solução”.

Sobre os cartões eleitorais que o partido RENAMO recolheu na semana passada, a delegada da perdiz em Nampula disse que o caso está na procuradoria em andamento. (Malito João)

Nove mulheres com cancro no útero submetidas a cirurgia em Nampula

Nampula (IKWELI) – Só em 2020, o cancro do colo de útero causou um total de quatro mil mortes em todo o país, com uma incidência de cerca de três mil casos. De forma a combater esse mal, nove de um total de 16 mulheres serão submetidas a cirurgias no Hospital Central de Nampula (HCN), maior unidade sanitária da região norte de Moçambique.

Trata-se de uma campanha de cirurgia que acontece pela primeira vez na província, com intervenção de médicos moçambicanos, a mesma terá a duração de cinco horas e consiste na remoção do útero, parte da vagina, trompas, assim como ovário dependendo da idade da mulher.

Maria de Aibo, de 42 anos de idade e natural da província do Niassa, distrito de Cuamba, é uma das 16 beneficiárias da campanha para a remoção do cancro no colo do útero. A mesma disse que descobriu a doença em 2020.

Na altura não sabia do que se tratava, mas sempre que mantivesse relações sexuais com o seu parceiro surgiam corrimentos de sangue.

“Eu tenho um sangramento no útero, sempre que faço sexo nos primeiros momentos sangra. Mesmo que fique uma semana ou um mês sem fazer, no dia que faço sai sangue como se fosse a primeira vez”, explicou.

Segundo a fonte, mesmo com os problemas no útero, ficou grávida e, em 2021 nascia a sua quarta filha.

“Mas mesmo assim, o problema persistia. Fui a uma unidade sanitária lá em Cuamba, mas eles disseram que a doença já havia atingido 70 por cento e eles não tinham equipamento para que eu pudesse fazer o tratamento. Fui transferida para o Hospital provincial de Lichinga e a situação era a mesma. Foi assim que decidiram  passar-me uma guia para fazer tratamento aqui no HCN”.

Uma semana após Maria chegar a unidade sanitária, eis que é recebida pela boa nova, uma equipa de médicos deslocou-se a província para operar mulheres que se encontram na mesma situação que ela.

“Se eu tivesse demorado não teria essa chance. Estou muito feliz, não vejo a hora desse pesadelo acabar. Não desejo isso para nenhuma mulher, por isso aconselho-as a sempre prestar atenção aos sinais que o corpo apresenta”, disse.

A médica cirurgiã oncológica, Dércia Changule, disse tratar-se de uma campanha que prevê operar 16 mulheres, mas que no momento, apenas nove foram preparadas para serem submetidas ao processo. Segundo a médica, o cancro do colo de útero tem cura, entretanto, é importante que as mulheres façam um rastreio a partir dos 25 anos de idade.

“O cancro é altamente prevenível, mas para a prevenção, temos que fazer o rastreio, e, em todas as unidades sanitárias do país é possível fazer o rastreio. A mulher, a partir dos 25 anos, deve deslocar-se a unidade sanitária próxima e pedir para fazer o rastreio do colo do útero para que seja detectado ainda numa fase inicial e poder garantir-se a cura, ou então se, ela já tiver o cancro do colo do útero invasor, pode ser curado através de uma cirurgia, apesar de complexa é possível realizar”, explicou a médica.

Changule disse que apesar de já terem sido feitas cirurgias ao nível da província de Maputo, esta é a primeira campanha do género, encabeçadas por uma equipa de médicos moçambicanos.

“Maputo já vem fazendo em parceria com médicos estrangeiros, pretendemos organizar o serviço além do hospital central, que é para podermos também, oferecer tratamento aos pacientes das outras províncias”, disse.

Por sua vez, a também médica cirurgiã oncológica, Regina Rangeiro, acrescentou que, após a operação, as pacientes serão submetidas a dois processos de recuperação.

“A paciente faz a cirurgia, mas dependendo do resultado ela precisa de fazer quimioterapia e radioterapia. A quimioterapia temos aqui disponíveis no hospital de Nampula, mas a radioterapia só está disponível em Maputo no hospital central, por isso que é um tratamento complexo. Uma equipa multidisciplinar vai garantir este tratamento de sucesso para as mulheres”.

Para a campanha de cirurgia, foram formados três médicos moçambicanos, com destaque para duas mulheres, Dércia Changule e Ricardina Rangeiro.

“Neste momento somos três. Fizemos o treinamento no Hospital Central de Maputo desde 2017, fomos formados em 2020 e desde então nós temos feito as cirurgias sem a presença dos médicos especialistas estrangeiros. No entanto, existe essa necessidade de se aumentar o número de cirurgiões ginecologistas oncológicos, porque a necessidade que o país apresenta em termos de tratamento para este tipo de cancro é muito alto”, afirmou.

Ricardina Rangeiro afirmou estar feliz por ela ser uma mulher que irá resolver o problema de uma outra mulher, “poder garantir que essa mulher continue a dar assistência a sua saúde, família e ao seu trabalho para nós, sendo mulheres, é algo extremamente importante. Por isso, estamos preparadas sim e, agradecemos ao ministério da Saúde, ao programa nacional do cancro e a província de Nampula por ter preparado estas doentes e, vamos trabalhar”, salientou.

A campanha que terá a duração de uma semana, irá abranger mulheres das províncias do Niassa, Cabo Delgado bem como de alguns distritos de Nampula. (Ângela da Fonseca)

Terroristas matam 12 pessoas e deixam alerta de vingança pela morte do seu líder

Pemba (IKWELI) – Fazendo-se passar por elementos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), um grupo de cerca de 15 homens armados escalou, no final da tarde de 14 de setembro, a aldeia Naquitengue, mais a sul da vila de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, tendo morto doze (12) civis, do conjunto de várias outras que tinham regressado aquele povoado.

Informações na posse do Ikweli, indicam, igualmente, que os alshababs, como são conhecidos, feriram outras pessoas e, pelo menos, quatro (04) deles estavam internadas no hospital da vila de Mocímboa da Praia devido os ferimentos.

Um residente disse ao nosso jornal que as forças conjuntas destacadas em Mocímboa da Praia estão em acção, até porque durante sábado, a operação contava com meios aéreos. “As forças estão no terreno e estamos a ver helicóptero a circular”, disse uma das nossas fontes, admitindo que “estamos com medo, até porque durante a noite para hoje domingo, não se dormiu bem devido à rumores”.

Devido ao abrandamento das incursões terroristas, por conta das ações das FDS e aliados no terreno, é notório o regresso de famílias às aldeias de origem em muitas partes dos distritos de Mocímboa da Praia, Palma, Macomia, Muidumbe, Quissanga e Nangade. (Redação)

Nampula: Violência nas escolas obriga polícia a instalar postos fixos

Nampula (IKWELI) – A onda de violência que se tem registado nas escolas secundárias da cidade de Nampula, no norte do país, obriga a Polícia da República de Moçambique (PRM) a instalar postos fixos.

 Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula, disse em colectiva de imprensa que a corporação anda preocupado com o fenómeno, tanto é que decidiu por substituir os agentes a paisana que operava nas escolas com postos policiais.

“A polícia tem colhido esse tipo de fenómeno com certa preocupação. Anteriormente destacávamos membros da polícia a paisana para fazer trabalhos nas zonas circunvizinhas das escolas, principalmente escolas secundárias, para evitar que factos do género pudessem ocorrer”, disse Nacute, prosseguindo que “no entanto, após os últimos acontecimentos em que acabaram sendo encaminhados 18 alunos para as celas da 1ª Esquadra onde foram sensibilizados e posteriormente repostos a liberdade, a policia decidiu alocar agentes em todas as escolas que tem sido propensas a esses tipo de fenómenos para garantir que não possam ocorrer novamente”.

Esta fonte esclarece que “são agentes da polícia que vão estar permanentemente nessas escolas, como posto fixo. Achamos nós que a partir desta medida, iremos contribuir em grande medida para que esse fenómeno possa ser erradicado das nossas escolas”.

O porta-voz da PRM em Nampula apela aos alunos para evitarem lutar nas escolas, como também aos pais e encarregados de educação para dissuadirem os seus educandos na prática deste tipo de actos. (Aunício da Silva)

Nampula: Mais um grupo de meliantes detido pela polícia

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique apresentou, no fim da manha desta sexta-feira (15), pelo menos, 6 indivíduos indiciados da prática de actos criminais em residências nas áreas da 1ª e 3ª Esquadras, respectivamente.

Segundo contou Zacarias Nacute, porta-voz da corporação, no grupo estão mandantes, reconhecedores e financiadores, os quais compram o produto do crime.

São indivíduos que, recentemente, fizeram das suas no bairro de Murrapaniua, no posto administrativo urbano de Natikiri, tendo parte das suas vítimas parado no leito hospitalar, incluindo nos cuidados intensivos.

Nacute afirma, ainda, que a neutralização dos indiciados e a apreensão de bens faz parte dos resultados do trabalho operativo que a polícia está a levar a cabo de forma a estancar a onda de criminalidade no maior centro urbano do norte de Moçambique.

Da última investida do grupo, dois guardas foram catanados, incluindo um militar, tendo os 3 parado na sala de reanimação do Hospital Central de Nampula.

Entretanto, do grupo dos apresentados, uns assumem-se malfeitores e outros, nem por isso

“Roubei plasma, cadeiras e vendi para meus amigos. Fiquei preso. Roubei no ano passado e estava sozinho, roubei porque o meu filho estava doente. Eu tenho meu amigo (que usou camiseta de riscas) que faz reconhecimento. Quando encontra uma casa abandonada me aciona. São 13 cadeiras, plasma e geleira. Nunca catanei a ninguém”, defende-se o líder do grupo exibido no pátio da 3ª Esquadra, no bairro de Namicopo.

Mas o homem que fazia o serviço de reconhecimento nega o seu envolvimento, afirmando que um tal de Rui o teria envolvida na trama mencionando o seu nome.

No grupo está um jovem de 19 anos de idade, renitente e já com calos no mundo do crime. Num passado recente o mesmo teria roubado uma viatura do tipo Toyota, modelo Alteza, e naltura jurara de pés junto nunca mais roubar, mas voltou as celas porque tentou roubar uma motorizada no bairro de Napipine.

“É a 2ª vez que paro nas mãos da polícia”, conta, justificando que “quando peço emprego a família não ajuda, mas se for essas coisas assim eles ajudam”. (Aunício da Silva)

Timidez e falta de confiança obriga alunas da escola secundária de Nampula a não denunciar casos de assédio sexual

Nampula (IKWELI) – A falta de confiança, timidez, assim como ausência de provas, obriga alunas da Escola Secundária de Nampula, na província do mesmo nome, a não denunciarem casos de assédio sexual perpetradas por alguns professores daquele estabelecimento de ensino.

A título de exemplo, temos a Ana, nome fictício, aluna daquela escola. A mesma revelou ao Ikweli que a sua irmã mais nova que, também lá estuda, sofreu assédio sexual por parte de um professor que, por sinal, é estagiário.

Segundo ela, a irmã frequenta a 8ª classe. Há alguns dias notou um comportamento diferente nela, pois, “ela só ficava no canto dela”, no entanto, por conhece-la, decidiu conversar e eis a revelação: “tem um professor que me incomoda na escola e costuma dizer que meu rabo é grande e deseja que eu sente em cima dele”.

Uma revelação que deixou Ana triste e a tomar a decisão de contar ao seu pai.

“Fui logo contar ao nosso pai. A minha irmã é muito tímida, dificilmente fala das coisas que acontecem com ela, mas como a conheço isso insisti. Quando falei com o meu pai, fomos a escola para falar com o professor”.

Ana disse ao Ikweli que o seu pai conversou com o professor estagiário e, este pediu que não o denunciasse pois não voltaria a acontecer.

Quem também passou pela mesma situação é Joana, antiga aluna da Escola Secundaria de Nampula. Joana disse que na altura (2020), frequentava a 10ª classe e era chefe adjunta de turma.

Quando notou um olhar diferente, acompanhado de elogios e convites para saídas, vindo do seu professor de Inglês. Uma situação que a incomodava, no entanto, não sabia que se trava de assédio sexual.

“Não só aquele professor fazia brincadeiras comigo, mas também com outras, foram gestos que me incomodavam. Primeiro pediu o meu contacto para me entregar provas e o mesmo dizia que podíamos nos encontrar para conversar, perguntava sobre a minha vida e mais tarde acabou dizendo que gostaria de namorar comigo e que iria ajudar-me com as notas”, disse.

Durante a entrevista, a jovem aluna disse que mesmo depois de concluir a 12ª classe, o professor continuava a segui-la com promessas e juras de amor.

“Ele dizia que me faria feliz se namorássemos, mas é um senhor de idade que aparentemente tem entre 40 e 45 anos de idade. Ele continua a dar aulas na escola e já assisti vários cenários dele a procurar outras meninas e acho isso lamentável, porque ele as alicia em troca de notas”.

Joana foi mais longe ao afirmar que, para além dela, o professor continuou e continua até agora com a mesma postura perante outras alunas. Para a fonte, o medo, a falta de coragem e hábito de denunciar obriga as raparigas a cederem a  chantagens dos professores, no entanto, aconselha as colegas a recorrer a direcção da escola para denunciar.

“Na altura eu não denunciei porque não tinha conhecimento e também porque achava que poderia correr o perigo de reprovar, somente usei a estratégia de limitar.  Mas hoje sei do que se trata e que aquilo não é normal. Há meninas que não tem consciência daquilo que é assédio sexual, olham como algo normal e acabam deixando-se levar. Eu vi o mesmo professor a trocar contactos com outras alunas e muitas não têm coragem de denunciar por medo de reprovar”.

A professora e ponto focal da área de género, saúde sexual e reprodutiva naa escola secundária de Nampula, Evangelina Maria António, disse ao Ikweli que as alunas muitas vezes não aproximam para denunciar por timidez, medo e insegurança.

“Na verdade, aqui há um espírito de timidez, porque você pode abrir-se, mas há sempre aquela dúvida, será que posso? Não vai me denunciar? Olhando que eu também sou professora, então ela tem medo de aproximar-se, mas eu tenho mostrado o meu apoio, porque estou aqui para ajudar e não para piorar a situação de quem esteja a passar por assédio sexual”.

Maria António explicou que tem sensibilizado as alunas diariamente, e também tem introduzido temas transversais que possam deixá-las mais informados, e abertas sobre situações que prejudicam o seu futuro.

“Faço tudo para que elas se sintam à vontade comigo, mas fica difícil porque elas não querem abrir-se. Nos anos anteriores até foi fácil, mas essa geração que está a entrar é um pouco tímida e não se abre porque eu estou no meio, na berlinda uma vez que sou professora e também colega daquele professor e acham que irei contribuir para que perca o seu pão”.

Por isso, a ponto focal da área de género, apela aos pais e encarregados de educação a manter um diálogo com os seus filhos, sobretudo com as raparigas, para que elas sejam mais abertas a sintam-se à vontade para falar sobre assuntos que as incomodam, na escola ou em qualquer outro local.

O que diz a direcção?

O director da Escola Secundária de Nampula, Albertino Luís, disse não ter registado, nos últimos anos, casos de assédio sexual envolvendo professores e alunas e, afirmou que os profissionais que ali leccionam já estão consciencializados sobre os riscos que correm se optarem por essas práticas condenáveis.

“Temos intensificado a educação cívica permanente com os nossos colegas professores e hoje, posso dizer que a questão do assédio reduziu, porque as pessoas sabem que, enquanto professor, se forem encontrados, nós como direcção da escola vamos penalizar. Estes instrumentos estão a normalizar e a endireitar para evitarmos dois processos, um disciplinar e outro criminal dependendo da idade da assediada”.

A título de exemplo, durante a entrevista, o director recordou um caso ocorrido em 2020, aquando da pandemia da covid-19, em que um professor assediou uma aluna, pedindo-a para mostrar o peito sem sutiã. Entretanto, o mesmo não conseguiu alimentar os seus intentos, pois a rapariga denunciou o caso a tia.

“Felizmente a tia da moça apareceu, solicitamos o professor e foi comprovado pela troca de mensagens porque a menina mais tarde começou a sentir que, se não fizesse sofreria alguma represália e decidiu contar para a tia e, por ela ser uma pessoa informada a coisa não aconteceu. Resolvemos o problema e chegamos a uma conclusão, o professor pediu desculpas, a família também aceitou com a condição de que não voltasse a acontecer algo igual não só com essa, mas para com as outras crianças. E passamos a controlar o professor”.

Apesar de ter afirmado que o professor tem consciência, Albertino revelou que tem estado a acompanhar casos de forma “esporádica” nos corredores e que não chegam a sua mesa, por isso não tem como fazer o registo, “para mim é um comentário, porque nem a aluna, nem os familiares apareceram aqui para vir dar-me essa informação, não podemos registar, pois considero que talvez seja um assunto entre eles”.

Professores entrevistados pelo Ikweli afirmaram que, apesar de ter noção de não envolvimento com alunas, muitos ignoram, porque “é muito frequente acontecer o inverso, porque nós professores já sabemos estar, mas as vezes ignoramos e aí é que pecamos porque nós conhecemos o estatuto, o que devemos fazer é sentar com a pessoa (aluna), e dizer que isto não pode acontecer, porque o papel do professor é educar, saber estar e ser exemplar”, disse Sulzer Mathes.

Um estudo realizado em 2019 pelo Movimento Educação para Todos (MEPT), revela que o assédio e a violência sexual contra raparigas e crianças têm sido um mal permanente e contínuo em muitos países. Em Moçambique, apesar de existir um quadro jurídico de normas nacionais e internacionais, há ainda uma fraqueza dos mecanismos jurídicos na resposta de ocorrências de assédio ou violência sexual contra menores. (Ângela da Fonseca)

No mandato prestes a findar: Renamo cumpriu em mais de 70% do seu manifesto na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – O Conselho Municipal da cidade de Nampula, actualmente dirigido pelo partido Renamo, apresentou o relatório de actividades referentes ao período de 2019/2023, durante a quinta e última Sessão Ordinária da Assembleia Municipal que teve lugar na última segunda-feira (11).

No referido documento, a edilidade chefiada por Paulo Vahanle referencia o facto de ter conseguido cumprir com as actividades programadas para este mandato em mais de 70%, tendo justificado o não cumprimento, em 100%, com a eclosão da pandemia da covid-19 que, praticamente, paralisou quase a economia nacional e internacional.

Por outro lado, o relatório do Conselho Municipal da cidade de Nampula aponta a inviabilização de vária ordem, desde a demora no desembolso de fundos por parte do Governo Central, bem como o facto de existirem alguns agentes económicos que operam naquela considerada terceira maior cidade de Moçambique que não têm honrado os seus compromissos fiscais.

Das acções concretizadas, o governo de Paulo Vahanle voltou a destacar a pavimentação de estradas, num total de 16 espalhadas em alguns bairros da urbe, construção de pontes, para além de ter-se notabilizado na aquisição de equipamentos e máquinas para remoção de resíduos sólidos na autarquia.

“Não é uma questão nova, não precisa desvendar mistérios, é mais arrolar aquilo que nós fizemos durante este mandato, desde as vias de acesso, as pontes, abastecimento de água, trabalhos de responsabilidade social, na educação, na saúde, também fizemos menção da limpeza da nossa cidade”, começou por dizer Paulo Vahanle, Presidente do Conselho Municipal da cidade de Nampula.

“Não deixamos de mencionar as grandes dificuldades que tivemos ao longo do mandato. Desde a colecta de receitas, o desembolso de valores por parte do Governo Central. Também as dificuldades que tivemos, alguns doadores em determinado momento queriam dar-nos uma mão e que isso não correu devidamente. Há bem pouco tempo tivemos o caso do fundo para habitação da nossa cidade, só que este projecto não correu bem em 2020, passou para 2021, depois para 2022, era com este fundo que estava contemplada a construção de raiz da estrada que dá acesso a Mucuache, mas houve, na nossa óptica, sabotagem. O  fundo é uma doação do Banco Mundial e neste momento está a ser gerido pelo fundo de habitação do Ministério de Obras Públicas e Habitação”, prosseguiu o autarca de Nampula.

“Apesar de tudo isso, fazendo uma avaliação, como os munícipes poderão ver, a prestação de serviços por parte do Conselho Municipal e do edil Paulo Vahanle, surpreendeu as expectativas, porque julgava-se que nós não seriamos capazes de demonstrar ou de fazermos uma diferença positiva nesta autarquia, é por essa razão que passado algum tempo começamos a ver essas inviabilizações, mas estamos gratos e satisfeitos pelo mandato prestes a terminar “, precisou Paulo Vahanle.

O relatório das actividades de Paulo Vahanle não convenceu a bancada do partido Frelimo na Assembleia Municipal da Cidade de Nampula, pelo que pautou por não aprovar, por considerar que o mesmo não espelha a verdade, para além de que não foi elaborado com base na lei.

“Para a bancada da Frelimo, não seria nesse momento ou este relatório do fim do mandato que haveria de aprovar, porque todos relatórios que a governação da Renamo apresentou na Assembleia nunca foi consensual”, referiu Beto Mangassua, chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal de Nampula.

“É uma cópia de cada ano, todas acções e não realizáveis. O que se apresentou hoje como relatório do mandato é um fiasco. Para quem sabe ler e viu a cidade de Nampula como progrediu, como viveu nos momentos da governação da Renamo, foi um fiasco, um autêntico balde de água fria. Essas ruas asfaltadas ou pavimentadas que eles falam, vamos lá visitar hoje, já estão escavadas, tem covas e quando chove o que será? Vai ser um desastre. Portanto, a lei que manda elaborar o relatório do fim de mandato tem critérios e nenhum foi seguido. A matriz está clara para seguir e fazer um resumo das realizações, que era para se ver o que se fez concretamente em cada etapa e isso não ser apresentado neste relatório de fim de mandato”, acrescentou Mangassua.

“Se os nossos analistas, lá onde vão esses relatórios que hoje foi aprovado pela bancada da Renamo, seguir a matriz, todos os critérios como manda a lei, será chumbado”, opinou o político.

Com o MDM ausente, o relatório em causa foi aprovado pela Renamo, bancada maioritária naquele órgão fiscalizador.

“Nós da Renamo aprovamos este relatório porque espelha tudo que foram as realizações deste governo. Nós como a Renamo testemunhamos, primeiro através do manifesto eleitoral. A Renamo tinha feito um manifesto do que iria fazer para os munícipes da cidade de Nampula. Durante o mandato, a Renamo fez os seus mais de 70%”. Não chegar aos 100% deveu-se a pandemia que tivemos aqui, o coronavírus, retardou muito o que iria fazer-se para alcançar os 100%, mas por ser um compromisso que a Renamo tinha feito com o povo, acabou fazendo aquilo que acabamos de ver”, entende Salimo Agostinho, chefe de bancada da Renamo.

“Vimos naquele relatório estradas feitas pela Renamo, pavimentadas, pontes feitas,  maquinarias adquiridas para o bom funcionamento do governo municipal, coisas que o município de Nampula não tinha. Então, isto valeu a pena para aprovarmos este relatório. O munícipe de Nampula é testemunha do que a Renamo fez nesta autarquia”, acrescentou a fonte. (Constantino Henriques)