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Deficientes visuais clamam por meios de compensação em Nampula

Nampula (IKWELI) – As pessoas com deficiência visual, afiliadadas a Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique (ACAMO), em Nampula, queixam-se da falta de meios de compensação, sobretudo a bengala, para a sua mobilidade segura e independente.

De acordo com Periha Amade, Secretário Executivo da ACAMO em Nampula, dos 1648 (mil, seiscentos e quarenta e oito) membros que a agremiação tem na mais populosa província do país, apenas 30 tem este instrumento em resultado de uma doação de há dois anos.

“O símbolo independência e mobilidade é a bengala. A bengala é um meio de compensação da pessoa com deficiência visual, um instrumento que facilita a mobilidade segura e independente para a pessoa com deficiência visual. A bengala alerta aos utentes da via pública para prestarem atenção e saberem de que a pessoa que está na sua frente é um deficiente. E mais, este instrumento permite a pessoa que a descobrir os obstáculos que estão à sua volta e orienta para uma mobilidade segura”, explicou Amade, que lamenta o facto de a maior dos seus membros não disporem do instrumento.

Esta fonte avança que “ter um apoio directo é um caso muito difícil, se nós formos a ver muitas vezes a aquisição da bengala tem sido difícil, mesmo para o governo, diferentemente dos outros meios de compensação. As razões não saberemos explicar, não sei ainda se o governo não consegue buscar uma vez que é um instrumento que é difícil achar no nosso mercado interno”, prosseguindo que “há algum esforço do governo porque há dois anos, o Governo, através do Instituto Nacional da Acção Social (INAS) providenciou este meio para algumas pessoas com deficiência visual, mas não foi suficiente. Se contabilizarmos o número total de deficientes, vamos notar que uma média de 30 pessoas apenas é que usa bengalas brancas, o que não corresponde àquilo que é a nossa necessidade. Isso preocupa-nos bastante”.

Periha falava em entrevista ao Ikweli, aquando da celebração do Dia Internacional da Bengala Branca que se assinala a 15 de Outubro de cada ano. Nesta abordagem, quando questionado sobre o domínio deste instrumento a fonte sublinhou que, para se ter o domínio, é preciso que haja o instrumento. A ser assim, segundo as suas palavras, precisam deste meio de compensação para treinar as pessoas com deficiência que poderão usar.

Celebrar a data, no entender da fonte, é louvável, porque que significa reconhecimento aos deficientes. Porém, por se verificar que uma parte de deficientes é vulnerável em termos de condições financeiras, há necessidade de se prestar atenção providenciando-se a bengala, o símbolo de mobilidade segura e independente da pessoa deficiente visual.

Ademais, “os desafios são vários. Quando falávamos do transporte público para a pessoa com deficiência visual torna constrangedora, isto porque os próprios transportes não garantem a acessibilidade da pessoa deficiente, e mais, os transportadores, sobretudo, condutores e seus ajudantes não prestam atenção necessária para que as pessoas com deficiência em geral tenham acesso a estes meios de transporte”, lamentou Periha, para depois exemplificar de que “há pessoas que se embatem ao tentar tomar os transportes públicos, tudo porque não encontram auxílio para se acomodar nesses transportes”.

Embora sem afirmar que há exclusão de pessoas com deficiência visual no acesso aos transportes públicos, sobretudo, terrestres, o entrevistado avança que “as pessoas quando se deparam com deficientes pensam que estão a sabotar os seus trabalhos, ou seja, querem atrasar a sua viagem ou não tem programa para fazer aonde vão”. Então, “acho que falta consciência naquilo que é a igualdade de oportunidades para todos”. (Esmeraldo Boquisse)

Nova Democracia exige ao poder decisório acções enérgicas para pôr fim aos raptos

Maputo (IKWELI) – O partido Nova Democracia (ND) exige ao poder decisório do país para que ponha termo aos raptos e os sindicatos do crime que governam Moçambique, no sentido de devolver a tranquilidade e ordem públicas ao cidadão.

Em nota de imprensa, para o partido não restam dúvidas que “instalou-se o crime de raptos na nossa sociedade ao estilo campanha, prova irrefutável deste fenómeno social totalmente desviante e vergonhoso,que passou a caracterizar o país sob olhar inerte das instituições públicas, no sector da polícia e justiça”, e questiona “quem são os responsáveis por esta modalidade de crime e todo o resto do crime na nossa sociedade e porquê há tolerância do poder decisorial, face à uma doença grave que afecta e enferma a nossasociedade?”

Por contexto, segundo a mesma nota de imprensa, “a situação da criminalidade relacionada com os raptos játem idade suficiente, para se tomar a nível do poder decisório como séria e crítica e adoptar medidasespecíficas que deveriam prevenir, orientar e combater este crime, mas o que se assiste é uma sofisticaçãodas redes criminosas nesta área, com o denunciado envolvimento de agentes da polícia a vários níveis, entreoutros gangsters, que encontraram nos raptos o enriquecer fácil, para ajustar contas da criminalidade, entreoutras formas de caracterização”.

Ainda nos seus questionamentos, o partido liderado por Salomão Muchanga prossegue perguntando: “porque é que o regime permite que indivíduos suspeitos e com indícios bastantes de participação nestescrimes, ainda continuem a utilizar o uniforme e insígnias da Polícia da República de Moçambique? Quem são os interessados nestas práticas e porque o Estado assiste a este deflagrar do tipo específico de crime e nãotoma medidas enérgicas de segurança dos seus cidadãos?

Sentimos que devido a este mal na nossa sociedade, os agentes económicos com intenções em Moçambique, começam a pensar e a redefinir novas praças para o seu investimento, com todo o potencial que poderíamos oferecer, mas que minamos com questões de insegurança a que qualquer cidadão em Moçambique está exposto”.

Os crimes de raptos em Moçambique já têm um histórico de 20 anos, mas “agora tomou proporções de agência de criminosos, que agem de noite e dia e ciclicamente, usando os meios do Estado para a sua acção, minam o nosso desenvolvimento e nos retraem das oportunidades que as populações poderiam e deveriam gracejar, do investimento de entidades nacionais e estrangeiras, que hoje estão a nora e de malas aviadas a procura de novos destinos a investir” e “de forma inequívoca as agências do crime em Moçambique controlam a acção da economia, da política, da sociedade e das manifestações sociais e económica daspessoas”.

“A Nova Democracia repudia com desprezo que cidadãos estejam sujeitos a este tipo vergonhoso de gestão pública, que sejam os nossos visitantes e investidores expostos a este ultraje, condenando que aausência do Estado, leve aos seus concidadãos a pensar que estão a título de empréstimo, numa sociedadeque não lhes pertence”, lê-se na mesma nota, cujo conteúdo temos vindo a citar, e que apela aos “moçambicanas e Moçambicanos e concidadãos de boa fé, Jovens que é chegado o momento de substituímos esta zona que é o país por um Estado forte, firme, de igualdade de oportunidades, de paz esegurança, sem arremessos de armas, nem medos impingidos por quem nos deveria defender ou porquecarrega no ombro uma arma”, tanto que “não podemos assistir ao minguar de toda uma sociedade, por causada irresponsabilidade de um grupo de cidadãos nacionais que tomou o poder para se governar e humilhar a maioria”.

Neste sentido, o partido garante que “somos fortes o bastante se unirmo-nos em uma só voz, relativamentea pequenez destes grupos criminosos que não se envergonham, nem se retraem da tamanha insignificânciade governar por opressão e especulação de concidadãos” e que “não vamos mais tolerar que nos humilhempor aquilo que também é nosso”. (Redação)

Vahanle retira ZAC Construções dos prestadores de serviço da edilidade

Nampula (IKWELI) – As obras da segunda faixa de rodagem da Avenida Eduardo Mondlane, uma das importantes vias de acessos da cidade de Nampula, no norte de Moçambique, está longe de ser concluída, e as autoridades municipais invocam vários erros cometidos pelo empreiteiro da obra como estando na origem do incumprimento acentuado dos prazos.

Os trabalhos para a asfaltagem da segunda faixa de rodagem da avenida Eduardo Mondlane, tiveram seu início em 20 de Abril do ano em curso com término previsto apara o dia 20 de Setembro deste ano, mas volvido este período a obra está longe de ser concluída. Aliás, segundo o que se pode observar no terreno, nem 10% da obra foi executada.

Por essa razão e para tentar dinamizar o rumo dos trabalhos daquela almejada obra, as autoridades municipais decidiram romper a relação contratual com o empreiteiro ZAC Construções, por alegados sucessivos erros cometidos pela empresa contratada.

“Relactivamente a segunda faixa de Eduardo Mondlane, há dois dias eu tive que reunir com o empreiteiro que ganhou as obras, e nós até agora estamos a cumprir com os prazos, mas tivemos que rescindir o contrato com a ZAC Construções em relação a segunda faixa da Avenida a Eduardo Mondlane e, neste momento, estamos a envidar esforços para negociação com o segundo concorrente que é a empresa do Faizal (ECRAM Construções). Portanto, queremos ver se estará em condições de dar continuidade”, fez saber Paulo Vahanle, presidente do Conselho Autárquico de Nampula.

“Provamos que este concorrente (ZAC Construções) havia cometido erros naquilo que eram projeções do contrato, que era o estudo do projecto e de seguida fazer a construção. Ele, portanto, não cumpriu com essas cláusulas, apesar de ter ganho o concurso, então disse encontrar dificuldades por causa do solo freático (por causa de muita água ao longo da faixa)”, continuou o autarca do terceiro mais importante centro urbano de Moçambique.

“Nós não negamos fazer o acréscimo do orçamento, pura e simplesmente porque ele (ZAC Construções) não mostrou a parte que nós acordamos, não fez um trabalho cotado no sentido de merecer esta adenda”, precisou Paulo Vahanle, para quem “por isso achamos que a segunda faixa de Eduardo Mondlane vai falhar alguma coisa”.

A ZAC Construções, refira-se, é o mesmo empreiteiro que ganhou o concurso para a construção da estrada de Marrere, cujas obras, também, estão fora dos prazos acordados. Aliás, em conformidade com Vahanle, o referido empreiteiro não será readmitido para dar continuidade na segunda fase de pavimentação da estrada em causa.

“Em relação a estrada de Marrere ele (ZAC Construções) promete concluir com a obra apesar de ter falhado com os prazos, mas vai cumprir e, por essa razão, nós neste momento já lançamos concurso para se dar continuidade dessa estrada até o Hospital Geral de Marrere, porque, afinal de conta, tínhamos dividido aquela estrada em duas fases, parece que sabíamos, mas valeu a pena. A primeira fase queríamos ver qual seria o empenho do empreiteiro, daí seguiria – se a segunda fase, mas por causa dessas irregularidades que o empreiteiro cometeu, então apenas vai cumprir a primeira fase e a outra fase teremos que adjudicar outras empresas competentes”, rematou Paulo Vahanle. (Constantino Henriques)

Academia Militar Samora Machel recorda os ideais do seu patrono

Nampula (IKWELI) – A Academia Militar Marechal Samora Moisés Machel, na cidade de Nampula, tem vindo a empreender esforços no sentido de manter os ideais do seu patrono, falecido em acidente aéreo há 35 anos.

Neste ano, segundo apurou Ikweli do porta-voz da instituição, Gabriel Fermeiro, no corrente ano serão promovidos eventos para celebrar a vida e obra do primeiro presidente de Moçambique.

“A Academia Militar continua com os mesmos valores e património que serviu a escola militar. O decreto que aprova a academia militar diz que ela herda os valores e património da escola militar, ou seja, herdou o nome e as instalações, por isso assim estamos a funcionar”, explicou Fermeiro, consubstanciando que “a Academia Militar Marechal Samora Moisés Machel tem como missão formar quadros permanentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e desenvolver o ensino, pesquisa e extensão de apoio às comunidades”.

Gabriel Fermeiro que, também, é o chefe do Departamento de Pesquisa e Extensão afecto na Academia Militar Marechal Samora Moisés Machel sublinha a unidade nacional, o espírito de camaradagem, o patriotismo, ética e deontologia profissional como sendo alguns dos principais valores que aquela instituição de ensino superior militar cultiva.

Ora, sem, no entanto, detalhar, o nosso entrevistado aponta a falta do campo prático para os estudantes, mas que actualmente foi superado, dado que a formação é constante e permanente, os homens formados antes de encerrarem são testados, passam por diversos teatros operacionais como forma de teatro. Ademais, “tentamos ao máximo pautar pela qualidade e excelência nos jovens que aqui são formados para corresponder aos actuais desafios, não só desafios na situação de teatro operacional, como, também, na sociedade em geral, porque os jovens aqui formados podem prestar as suas actividades em diversos sectores que não sejam puramente militares, mas que sirvam para o Estado moçambicano”.

Referindo-se a figura do seu patrono, o chefe do Departamento de Pesquisa e Extensão destaca os valores que caracterizam a academia, como sendo as formas existentes encontradas para manter e/ou preservar os ideais do então primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel.

“O Presidente dizia que nós não nos amamos porque não nos conhecemos…, então é o que a academia militar tem feito no seu dia-a-dia entre os moçambicanos, sobretudo os oficiais, docentes, técnicos administrativos e os cadetes. Temos aqui o sector de Educação Cívica e Patriótica que responde pelos aspectos ligados aos valores da pátria e ou a cidadania”, recordou a fonte, para depois acrescentar que “desde o dia 12 de Outubro corrente estamos a realizar actividades culturais e palestras, formas estas que temos encontrado para enaltecer e exaltar a figura do Presidente e patrono da Academia Militar”.

“Compreendemos que os tempos mudam, e acompanhado pelas vontades do homem alguns valores podem ser decadentes. Portanto, a sociedade actual, sobretudo, jovens que saibam seleccionar o útil do agradável. Nem tudo aquilo que foi do passado é errado, tampouco aquilo que foi do passado foi bom. Temos de saber que nem tudo que é nosso é bom, o importante é sabermos conciliar as exigências actuais. Nós não podemos abandonar certas práticas só por serem do passado, nem podemos usar porque foram as práticas dos nossos antepassados, isso não é admissível”, comentou o nosso entrevistado.

Enquanto isso…

Quando questionado sobre a suposta infiltração de jovens nas fileiras dos terroristas na vizinha província de Cabo Delgado e a exortação à esta camada social, o porta-voz da Academia Militar Marechal Samora Moisés Machel começou por afirmar que “não posso dizer muitos comentários relactivos a paz naquela província, porque os colegas ainda estão com as armas na mão, ainda estão a combater. O que se quer é que se baixe as armas até o último terrorista abandonar o solo pátrio, isso é muito importante, porque enquanto não acontecer nas forças armadas não se pode decretar paz”.

Com isso, a fonte pretende dizer que “o inimigo não pode ser medido em função do número, mas sim em função da sua presença num certo território. Quanto à juventude, apelo que ponham a mão na consciência, Moçambique é nosso. Eles devem saber escolher o quê que é importante nas suas vidas, se é ir viver nas matas para um futuro incerto ou querem continuar com pelo menos o mínimo que hoje têm e tentar criar melhores condições de vida. Não quem lhes garante de que aliando-se aos insurgentes eles terão futuro melhor porque pelo menos ainda não temos prova de quem já fez parte no grupo dos insurgentes e teve sucesso”.

Numa outra abordagem, o porta-voz referiu-se à situação da pandemia da Covid-19 dando a conhecer que constitui desafio a gestão do corpo docente da Academia Militar que na sua maioria tem saídas frequentes, daí a necessidade de se envidar mais esforços para preveni-los da pandemia que assolou o mundo e o país em geral. Porém, garante tudo estar apostos para o respeito protocolo sanitário naquela instituição de ensino superior militar, localizada na cidade de Nampula, região norte do país. (Esmeraldo Boquisse)

Pontes metálicas aliviam sofrimento da população de Mazua

Memba (IKWELI) – Duas pontes metálicas foram entregues a população do posto administrativo de Mazua, no distrito de Memba, em Nampula, na semana passada pela vice-ministra das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Cecília Chamutota.

Trata-se de duas infra-estruturas erguidas sobre os rios Muendazi e Nacala, que tinham sido destruídas pelo ciclone Kenneth, evento climático que em 2019 fustigou o norte de Moçambique.

Chamutota disse, na ocasião, que com a destruição daquelas infra-estruturas, “a ligação do distrito de Memba com o resto da província e do país, passou a ser um martírio e a população passou a ter dificuldades em escoar os seus excedentes agrícolas e receber os insumos agrícolas e bens da primeira necessidade”.

Estes empreendimentos, fazem parte dos esforços do governo moçambicano na reconstrução pós-ciclones, por isso, segundo a governante, “no âmbito do Programa de Reconstrução, o Governo mobilizou recursos através do seu parceiro, o Banco Africano de Desenvolvimento dos quais cerca de 6,4 Milhões de Dólares Norte Americanos serviram para a aquisição de 1 110 metros lineares de Pontes Metálicas, correspondentes a 26 unidades de pontes com dimensões para vencer vãos simples ou múltiplos de 30m, 45m e 60m”, e que as pontes serão montadas nas províncias de Sofala e Manica, no centro do país, Cabo Delgado e Nampula, no norte.

O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, considera a entrega das infra-estruturas como um acto de desenvolvimento e que “naturalmente, vão minimizar o sofrimento da população. Irão catapultar o desenvolvimento desta região da província de Nampula”.

“A travessia nesses dois rios, principalmente, no período chuvoso era feita em condições muito difíceis. As populações eram obrigadas a desafiar a força da água e ponto em perigo até as suas vidas, porque os crocodilos lá estavam à espera, e as viaturas iam nadando nas águas para poder se fazer na outra margem para realizar actividades sociais e econômicas de desenvolvimento desta região”, apontou o primeiro governador eleito de Nampula.

Por seu turno, Cesar Augusto Mba Abogo, representante do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), entidade co-financiadora das obras, disse que foi com satisfação que testemunhou o acto.

“A exposição de Moçambique a ciclones que se manifesta de uma forma recorrente, devido a sua localização geográfica, sugere-nos uma abordagem diferente, no sentido de nos capacitarmos com equipas preparadas em accoes rápidas de restabelecimento da transitabilidade em casos similares”, referiu Abogo.

Os residentes da região estão felizes com a entrega das duas pontes, e apontam que o sofrimento, relativamente a transitabilidade, está ultrapassado.

“Aqui passávamos mal. As mulheres grávidas e crianças sofriam ainda muito mais, sobretudo quando chove”, disse a senhora Manata Pio, residente de Mazua.

O mesmo sentimento foi partido pelos outros membros da comunidade entrevistados pelo Ikweli, os quais não escondem a sua satisfação. (Aunício da Silva)

Novinte foge por ter sido criticado nas mensagens de grupo cultural de mulheres de Namicopo durante o retiro da edilidade de Nampula em Nacala

Nampula (IKWELI) – O presidente do Conselho Autárquico de Nacala, Raul Novinte, abandonou o Conselho Consultivo da edilidade da cidade de Nampula, realizado na última sexta-feira (15), naquela zona turística, por alegadamente ter sido criticado por um grupo de tufo dirigido por mulheres do populoso bairro de Namicopo.

O Conselho Autárquico de Nampula realizou na última sexta-feira (15), numa das estâncias turísticas da cidade de Nacala, um encontro balanço designado “Conselho Consultivo do município de Nampula”. O evento visava analisar o actual estágio de governação da edilidade liderada por Paulo Vahanle, onde faziam parte os vereadores, directores e os chefes das bancadas da Assembleia Municipal de Nampula.

Aliás, os presidentes dos Municípios da Ilha de Moçambique e Nacala foram outros convidados de honra naquele encontro de reflexão, mas Raul Novinte, presidente do Conselho Autárquico de Nacala sentiu-se humilhado na sua própria casa por um grupo de tufo de Nampula e abandonou o evento muito antes do discurso de abertura que seria proferido por Paulo Vahanle.

Na verdade, o referido grupo de tufo composto na sua maioria por mulheres, por sinal vindo da cidade de Nampula, nas suas canções exigia ao Edil de Nacala a prestação de bons serviços aos munícipes daquela circunscrição geográfica. Aliás, segundo aquelas mulheres, a continuidade da Renamo na condução dos destinos do exigente e imprevisível povo de Nacala, dependerá dos trabalhos de Raul Novinte.

“O papá Vahanle lá em Nampula é campeão, ele está a fazer boas coisas para os munícipes que votou. Só para ver, já criou boas condições no pavilhão dos Desportos, já construiu uma estrada nos Belenenses, outra estrada em Mutauanha, outras estradas e pontes construídas e tantas outras em construção”, invocaram as mulheres para depois questionarem “e papá Novinte, aqui em Nacala o que está a acontecer?”

“O povo é que nos mandou”, diziam as dançarinas, prosseguindo que “não queremos ouvir que a Renamo perdeu um município que actualmente está a dirigir”, imperaram.

Grupo de mulheres que “descomandou” Novinte

Foram sucessivos “ataques” que o próprio Novinte perdeu a paciência e abandonou a sala. Para abandonar o evento, Raul Novinte justificou que iria dirigir actividades em alguns bairros daquela urbe e que voltaria oportunamente, o que não chegou de acontecer.

“Primeiro desejar boas vindas a cidade de Nacala, sintam-se em casa. Eu gostaria de ficar aqui muito com vocês, mas não vou puder estar aqui, tenho que sair para outra missão, recebi chamada agora mesmo, mas depois de tratar algumas coisas que estamos a fazer ali, já ouvimos as recomendações de que temos que trabalhar, então é o mesmo trabalho que estamos a fazer e eu tenho que estar lá presente. Vou, mas volto. Vou testemunhar algumas coisas depois volto”, disse Novinte que nunca mais voltou.

Segundo observou o nosso repórter, para além das críticas protagonizadas por aquele grupo cultural, Raul Novinte mostrou sinal de insatisfação logo na entrada da sala da reunião. É que Novinte vinha acompanhado de Vahanle e quando quis sentar na mesa do presidio lhe foi impedido pelo protocolo uma vez que ali só estariam o presidente do Conselho Autárquico de Nampula e o respectivo presidente da Assembleia Municipal.

Por outro, Novinte não terá gostado a maneira como foi feita a própria apresentação em que o mestre da cerimónia obrigou que cada presente na sala devesse se autoapresentar, excepto Paulo Vahanle e Tertuliano Juma, este último presidente da Assembleia Municipal de Nampula.

“Também, aquela forma de apresentar é assim mesmo?”, Ouvia-se os murmúrios de Novinte e seu acompanhante na saída da sala onde decorreu o referido Conselho Consultivo de Nampula que decorreu sob lema “município de Nampula reflectindo sobre a sua governação”. (Constantino Henriques)

Cidadã guineense detida em Nampula por tentativa de aquisição fraudulenta do BI

Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de nacionalidade guineense está a contas com a Polícia da República de Moçambique (P.R.M), em Nampula, indiciada da tentativa de aquisição fraudulenta de Bilhete de Identidade (BI).

Segundo o Serviço Provincial de Identificação Civil de Nampula, a cidadã em causa foi detida na manha da última terça-feira (12) quando nas instalações da instituição exibiu uma certidão de nascimento falsa, com a qual pretendia tratar o BI como de moçambicana se tratasse.

O porta-voz do Serviço Provincial de Identificação Civil (SPIC) de Nampula, Martinho Salimo, disse que “trata-se de uma cidadã que se dirigiu ao posto administrativo de Namicopo, na cidade de Nampula, portando uma certidão de nascimento supostamente falsa, para tratar o Bilhete de Identidade. Conseguiu tratar, a informação fluiu para o sector de validação, e devido a pronta atenção dos colegas de sector constataram irregularidades, rejeitaram o pedido e de seguida comunicaram. Accionamos mecanismos internos nossos, solicitamos a cidadã e quando compareceu confirmamos que se trata de uma cidadã estrangeira”.

Neste processo de investigação, o SPIC solicitou, de acordo com o porta-voz, a confirmação da autenticidade do assento do nascimento junto da conservatória do registo civil de Nampula, tendo se verificado, igualmente, que tratava-se de uma certidão falsa, o assento por ela apresentado pertencia a uma outra pessoa.

“As informações que tivemos a partir da conservatória do registo civil da província de Nampula é de que o assento 5578 por ela apresentado pertence a uma outra cidadã. Nós trabalhamos em coordenação com as conservatórias do registo civil, para a obtenção do Bilhete de Identidade o cidadão deve apresentar uma certidão de nascimento como base. E esta certidão apresentada pela cidadã como base que é falsa, ela tentou passar-se com esta para conseguir bilhete, não conseguiu”, explicou quando questionado pelo Ikweli.

“O cidadão estrangeiro não é proibido em tratar o Bilhete de Identidade, mas sim existem os critérios e/ou procedimentos legais que devem ser seguidos para o efeito. O que não foi o caso”, esclareceu a fonte.

Já nas mãos da polícia, a cidadã confessa ter sido convencida por um dos funcionários do posto administrativo de Namicopo a fim de facilitar a sua obtenção do Bilhete de Identidade, mesmo o referido agente tendo noção de que a cidadã não possuía uma certidão de nascimento legal.

“Eu queria ter B.I de nacionalidade moçambicana, não foi por más intenções. Como eu estava a tratar os documentos dos meus filhos nascidos aqui em Moçambique, achei que podia se fazer, também, para pessoas maiores de idade, por isso tentei”, contou a indiciada que disse ter recebido apoio de um funcionário afecto no posto administrativo de Namicopo.

A cidadã guineense revelou ainda que pretendia tratar o B.I moçambicano para depois obter o passaporte. Depois disso, tinha a intenção de voltar a sua terra natal, uma vez que disse ser abandonada pelo marido comerciante há muito tempo.

“Não conheço o nome da pessoa que me deu o documento para tratar B.I, mas sei que trabalha em Namicopo. Quando conversamos, disse-me que poderia pagar um montante de 5.000,00Mt (cinco mil meticais), mas tinha as suas dúvidas se ia conseguir ou não”, concluiu a indiciada. (Esmeraldo Boquisse)

INAE encerra estabelecimento que especulava preço de cimento de construção em Nampula

Nampula (IKWELI) – A Inspecção Nacional de Actividades Económicas (INAE) ordenou ao encerramento temporário de um estabelecimento comercial localizado na zona do mercado do Matadouro, que se dedicava a venda de cimento de construção, devido a subida injustificada do preço do produto.

Recentemente, Manuel Rodrigues, governador de Nampula disse que o executivo provincial não ia mais tolerar as práticas desonestas dos comerciais, e garantiu que quem assim procede-se seria, exemplarmente, responsabilizado e sancionado.

Nas últimas 48h a INAE saiu a rua para fazer valer o apelo do primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, e, com efeito, encerrou o estabelecimento na zona do mercado do Matadouro e recolheu, pelo menos, 15 (quinze) sacos de vendedores informais que fixam os seus produtos em diferentes pontos das estradas da urbe.

De acordo com Benedito Romão Muiane, inspector da INAE em Nampula, “trata-se de um processo de monitoria do preço de cimento de construção. Regista-se, neste momento, o aumento do preço de cimento na cidade de Nampula. Esta situação começou a verificar-se concretamente na terceira semana do mês de Agosto passado, o que coincide com um período de restrição no fornecimento deste material de construção a partir da fábrica, em Nacala”, por isso, “do trabalho que nós fizemos conclui-se que a indisponibilidade do clinquer “matéria-prima para o fabrico do cimento” no mercado internacional foi o que ditou a escassez deste produto ao nível da cidade de Nampula. A informaçao que temos ainda é que o aumento do preço está associado ao longo período de espera que os camiões têm. A informação que temos é que não se registou o aumento do preço de cimento a partir da fabrica”.

O inspector aponta que “neste momento, estamos a apelar a todos os revendedores de cimento para que passem a praticar os preços antes praticados, visto que não faz sentido, pois a partir da fábrica não se registaram aumentos”.

Um dos comerciantes visados nesta operacao é Jaime Manuel que diz que “este cimento é comprado em Nacala e aqui agente revende, não sei dizer qual é o preço da fábrica. Eu sou apenas um funcionário colocado aqui para vender, o proprietário não está presente. O meu patrão orientou-me para vender a 600,00Mt (seiscentos meticais)”.

Abílio Francisco é vendedor informal de cimento de construcao nos arredores da cidade de Nampula, e interpelado pela missao do INAE, e assegurou na ocasiao que “estou a fazer biscate, agente recebe uma quantidade de sacos através dos donos para vender aqui fora. Retiramos do armazém e quanto mais vendermos, mais bónus temos”. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)

 

Professores recorrem a dívidas para sobreviver em Nampula

Nampula (IKWELI) – Assinala-se nesta terça-feira, 12 de Outubro, o dia do professor moçambicano, e pela ocasião, o secretariado provincial do Sindicato Nacional de Professores de Moçambique (SNPM), em Nampula, referiu que muitos membros da agremiação recorrem ao crédito, maioritariamente, bancário para poderem ter uma vida condigna.

André Janna, secretário executivo do SNPM na província de Nampula, considera que o recurso a créditos está a ter uma tendência progressiva, o que preocupa o sindicato, considerando que para além dos créditos formais, há professores que contraem créditos informais e ilegais com agiotas.

Esta situação, segundo a fonte, em muitos casos leva a situação de conflito legal entre os professores e os bancos comerciais por incumprimento na amortização dos créditos.

Janna reconhece que a organização que dirige não entra na responsabilização da prática, mas lamenta que, sobretudo quando mudam de categoria, muitos dos seus colegas querem ter uma vida aparente.

“Crédito bancário é uma situação individual, o professor tem o seu salário e o banco vai contactar com ele, aí a O.N.P não entra. O salário como é individual fica difícil dizer se vai ou não ao banco”, disse André Janna, para depois prosseguir que “temos tido problemas de colegas que fazem pedidos em dois bancos, quando na realidade o seu salário não chega a ser alguma coisa”.

Por outro lado, a fonte assegura que “uns fazem crédito porque o próprio salário não ajuda muito. O nosso salário não é daqueles que desejaríamos que fosse. Está claro que o salário não é satisfatório, razão pela qual alguns recorrem a créditos bancários onde, também, os juros são extremamente elevados. Mas, também, compreendemos que temos tantos problemas que não é fácil resolver todos ao mesmo tempo”.

Professores na praça dos heróis em Nampula

É nesta vertente que, na tentativa de resolver alguns problemas familiares e pessoais, através do crédito bancário, alguns ainda movem outros problemas, no entender da fonte, na medida em que não conseguem liquidar as dívidas e os gestores dos bancos correm atrás destes professores.

Além disso, o secretário executivo provincial André Janna deu a conhecer que a equidade de género na classe dos professores em Nampula ainda prevalece como um desafio, sendo que do universo de 30.714 (trinta mil setecentos e catorze) funcionários inscritos na organização, apenas 11.000 (onze mil) são mulheres.

Referente aos processos referentes a promoção, progressão e mudanças de carreira na classe dos professores em Nampula, do ano passado até esta parte cerca de 3.507 (três mil quinhentos e sete) funcionários foram promovidos, em cerca de 4.662 (quatro mil seiscentos e sessenta e dois) planificados.

De acordo com Janna, progrediram 2.456 (dois mil, quatrocentos e cinquenta e seis), num universo de 3.196 (três mil cento e noventa e seis) planificados. E mais, 3.359 (três mil trezentos e cinquenta e nove) mudaram de carreira, no total de 4.874 (quatro mil oitocentos e setenta e quatro) que tinham sido planificados. (Esmeraldo Boquisse)

“Não basta a vocação para se ser bom jornalista, é preciso técnica e ciência” – afirma Rosa Ínguane, decana do jornalismo moçambicano.

Nampula (IKWELI) – A jornalista Rosa José Ínguane defende o aperfeiçoamento de técnica e ciência como elementos que acompanham um profissional de comunicação social no exercício do jornalismo no mundo e em Moçambique, em particular.

O Ikweli entrevistou a decana, para dela colher a sua experiência, visão e os seus anseios para o futuro, e no seu entender, “não basta a vocação para se ser um bom jornalista, é preciso ainda aprender-se a técnica e a ciência”.

“Quer ser jornalista porque tem vocação, tem talento, muito bem. Agora vai à uma escola para aprender a técnica e a ciência. Quer ser cozinheiro sim senhor. Você não acorda enquanto sabe as receitas lá em casa, se matrícula numa escola para aprender…, para dizer que quando temos talento temos, também, formas de como melhorar esse talento. Estudando e aprendendo é a minha receita para o sucesso”, começou por dizer a nossa entrevistada.

Rosa Ínguane entende ainda que o retrocesso e a angústia são as consequências que derivam do não aperfeiçoamento dos elementos técnicos no jornalismo, porque para além de um sonho, a pessoa vai apenas passando o tempo, ou seja, um “inglês ver” como jornalista. Contudo, “um jornalista completo deve ter talento e ir aprender, ler, viajar, estudar e pensar. Quer dizer, informar-se o máximo possível porque isso ajuda a pessoa a conhecer o mundo, a sua profissão, onde falha e o que se pode melhorar”.

Ínguane não esconde o seu desagrado quanto ao surgimento de novos órgãos de informação, bem como novos jornalistas, pelo facto de se constatar, segundo ela, a falta de conhecimento que deriva da falta de leitura. Porém, exorta aos profissionais de comunicação, em geral, a apostarem na leitura de maneiras que possam passar um produto sério, de qualidade e de interesse público, uma vez que é para isso que serve a informação.

Lei de Comunicação Social

Rosa Ínguane, também, elaborou, quando questionada, sobre o contexto jurídico-legal do exercício do jornalismo em Moçambique, e afirma que “eu acho que é muito importante que haja uma entidade capaz de colocar ordem na nossa profissão. Há sítios que quando a pessoa chega e não se sabe da sua profissão outras pessoas dizem que deve ser um jornalista, são todos vagabundos. Não, isso deve acabar! O jornalismo é uma profissão digna que merece ser bem exercida e respeitada”, tanto que “todos os mecanismos actuais e futuros que possam regular a actividade são bem-vindos. E no caso da lei de comunicação social e radiodifusão, espero que continue a ser socializada e discutida por aqueles que são interessados para que o produto final seja justo, do agrado de todos e que ajude a colocar cada entidade e profissional no sítio certo. Creio que tudo isso vai ficar estruturado e esclarecido, daí teremos uma classe forte e séria”.

Como é carinhosamente trata, a Tia Rosa, também, falou das organizações de mídia existentes no país, como é o caso do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) e o Instituto de Comunicação Social para África Austral (MISA), capítulo de Moçambique.

“O que eu sinto é que quando saímos do meio urbano, talvez aí as coisas se compliquem mais. Muitas fontes, públicas, por exemplo, desconhecem que devem prestar informações quando lhes é pedido, principalmente as instituições públicas. Mas, também, há instituições privadas que se recusam a dar informação. Isso tudo será regulado pela lei. Quando o jornalista se vê impedido de fazer o seu trabalho de forma correcta vai ter recurso à lei, a informação que precisa essa instituição será obrigada a fornecê-la salvaguardando claro, os casos de segurança do Estado e segredo de justiça, mas isso tudo deve ser analisado caso a caso”, anotou Rosa Ínguane.

Rosa e as experiências na diáspora

 Rosa Ínguane faz parte de um grupo de jornalistas que se destacou na cobertura da guerra civil de Angola, opondo o governo do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) e a UNITA (Unidade Nacional para a Independência Total de Angola). Através da sua voz, os relatos da guerra eram possíveis de ser acompanhados em Moçambique.

Rosa Inguane

Nascida na cidade de Maputo em 1962 e de pais do distrito de Morrumbene, em Inhambane, Rosa começou a exercer o jornalismo de forma consistente no ano de 1981, mas antes deu os primeiros passos no Diário de Moçambique, o então Notícias da Beira. Depois viaja para a cidade de Maputo, onde colaborou para o jornal Sociedade do Notícias e no semanário Desafio, dedicando-se a produção de reportagens e notícias desportivas.

“A minha única profissão é ser jornalista. Acabei a escola secundária, mas antes disso comecei a trabalhar numa redacção na cidade da Beira. Depois tive a sorte de ganhar uma bolsa e estudar jornalismo. Não tenho outra profissão, não estudei outras coisas, eu fiz apenas jornalismo”, conta ao Ikweli, acrescentando que “comecei a fazer jornalismo quando frequentava a escola, fazíamos jornal de parede nas turmas porque a minha vontade era de ser jornalista. Naquelas brincadeiras de criança quando os meus pais e amigos perguntavam o quê que eu queria ser, eu sempre dizia que quero ser jornalista. Este é um talento que tive a sorte de desenvolver e melhorar consciência e técnica, porque não basta sermos talentosos para fazer seja o que for, temos de aprender a ciência e a técnica, isso melhora o nosso desempenho”.

Questionada sobre as suas abordagens desportivas, Ínguane retorquiu que “cresci no meio de homens, além de que eu era uma menina que tinha dois irmãos rapazes, então, as brincadeiras que tinha de fazer eram as de rapazes, jogar a bola, saltar o muro, subir às árvores, entre outras coisas acessórias que ajudaram-me a identificar o quê que eu gostaria de fazer. E tive a sorte de ter uma família compreensiva que abriu as portas e ajudaram-me a alcançar os meus sonhos”.

Em Angola, Rosa Ínguane viveu entre os anos 1991 e 2002, onde, simultaneamente, correspondia com a Rádio Moçambique (RM) e a Agência de Informação de Moçambique (AIM). Foi nesse período que a jornalista uniu-se, maritalmente, com Ambrósio Narciso, oficial das Forças Armadas Angolanas.

“Fui viver em Angola numa altura em que havia uma guerra civil. Foi uma grande escola para mim, a vida e a informação tudo circulava em torno da guerra, da paz e dos processos políticos até quando voltei para Moçambique em 2002. Foi interessante porque eu já tinha muitas amizades, atendendo a questão de que o meu padrinho de registo é um angolano, então fui, também, encontrar outra parte da minha família em Angola, onde vive esse tempo todo”, narra, emocionada, a nossa fonte.

Rosa prossegue que “foi uma experiência intensa, mas também tive a sorte por ser de um país onde a língua oficial é portuguesa e o povo angolano e moçambicano tem uma relação de amizade especial, então sentia-me em casa. Fui muito bem tratada pelos amigos angolanos, inclusivamente me casei por lá com um angolano. Foram 11 anos intensos que vive em Angola, na actividade jornalística, porque quando há um fenómeno fora do normal como é o estado de guerra num país, a vida toma direcções e a informação que interessa as pessoas é aquela sobre a guerra, desastres humanitários, enfim são notícias de desgraças como é aquilo que se diz que uma notícia é uma má notícia”.

Ainda na abordagem sobre a sua vida particular, Rosa avança que “casei lá em Angola no período de 11 anos, infelizmente meu marido angolano faleceu em 2019 quando eu já estava aqui em Nampula. Mas, também, foi um tempo muito bom, uma relação muito boa da qual eu sinto muitas saudades, porque ele lá em Angola acolheu-me no seu seio ainda com a particularidade de que eu não tinha família, então eles eram os meus pais, minhas mães e avós”.

Embora não tenha filhos na sua relação com o oficial das Forças Armadas Angolanas, a jornalista explica que teve muitos proveitos, na medida em que possuía informações em exclusivo sobre a guerra, facto que contribui no seu desempenho profissional. Para ela “é preciso o jornalista criar a sua rede de informantes e ter conexões porque precisa-se disso”.

Sobre a sua relação Rosa explica que não teve filhos porque por um lado, quando entra em Angola já tinha uma e única filha, razão pela qual a opção era se focar no jornalismo, por isso não quis se aventurar em ser mãe novamente. Por outro lado, o seu marido angolano já era pai de seis filhos, o que quer dizer que não era opção dos dois ter filhos.

“Morrer como jornalista é o meu desejo”

“A perspectiva é continuar a fazer o que estou a fazer agora, trabalhar. Já não trabalho com a mesma intensidade de antes, porque, também, já sou idosa e preciso de cuidar da minha saúde. Mas continuarei a fazer jornalismo até minha condição física ou mental obrigar-me a ficar sentada e deitada numa esteira em casa, enquanto isso não acontecer vou sempre andar por aí”, aponta nossa interlocutora, avançando que “eu percebi que esta é uma profissão de longevidade, por isso eu deixo de exercer quando não conseguir teclar no meu computador, não conseguir fazer uma entrevista, quando já não tiver energia para tal. Esta é uma profissão que te desafia a melhorar e isso é um processo dinâmico, porque cada dia que passa há algo para contar”.

Rosa defende a inclusão de repórteres mulheres em redacções, porque “constitui uma mais-valia quando comparado com o homem”. No seu entender, “é mais fácil uma mulher abordar uma fonte e de imediato a fonte estar disponível para dar informação. Os sentimentos emocionais ajudam muito no exercício do jornalismo para uma mulher”.

Inguane do rm desporto

Entretanto, a nossa fonte comenta que “uma outra particularidade que eu acho que inibe a presença de mulheres nas redacções é o tempo de trabalho. Esta profissão é muito absorvente, a pessoa fica com pouco tempo para fazer outras coisas, ela exige muito do profissional enquanto as tarefas domésticas exigem muito da mulher, também”.

O facto de ter que dar mais tempo a profissão, em gargalhadas, Rosa Íngua afirma que “até hoje eu não sei cozinhar. Cada vez que tenho de ir à cozinha são queixas e um desastre, isso porque não tive tempo suficiente para ser boa cozinheira e uma boa dona de casa. Feliz ou infelizmente para eu tomar conta da minha casa sempre preciso de ajuda, arranjo alguém para me ajudar, porque eu não tenho esse talento. Eu não posso pedir que alguém seja jornalista em minha substituição, mas posso pedir para me ajudar em minhas tarefas domésticas”, concluiu recordando que uma das melhores coberturas que fez é com a Chama da Unidade Nacional, a quando da sua passagem pela província de Nampula no périplo nacional. (Texto: Esmeraldo Boquisse *Foto: Hermínio Raja)