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Nampula: Primeiras chuvas deixam ao relento cerca de 6 mil pessoas

Nampula (IKWELI) – Um universo de cerca de 6000 (seis mil) pessoas ficaram ao relento na sequência da destruição das suas habitações por causa das chuvas intensas que se registam na província de Nampula, acompanhadas de ventos fortes e de descargas atmosféricas, desde o mês de Outubro do corrente ano.

Os distritos mais afectados pelas intempéries são os de Memba, Rapale, Monapo, Angoche, Mecubúri, Malema e Moma, onde foram destruídas perto de 1200 (mil e duzentas) casas da população, na sua maioria de construção precária.

Para além da destruição das habitações da população, as primeiras chuvas registadas na mais populosa província de Moçambique destruíram, igualmente, infraestruturas públicas, com principal enfoque para arruinação de mais de 40 salas de aulas, bem como três unidades sanitárias, essa última componente nos distritos de Angoche, Rapale e Mecubúri.

A informação foi tornada pública nesta quarta-feira (28), por Alberto Armando, delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos do Desastre (INGD) em Nampula, no decurso da reunião do Centro Operativo de Emergência Provincial (COEP).

A fonte não referenciou, entretanto, os dados relacionados com danos humanos, pelo facto de ainda estar-se na fase de compilação de informações vindas dos distritos.

“Temos a referir que o desempenho, em termos de precipitação, de Outubro a Dezembro, comparativamente a época passada, houve um desempenho positivo naquilo que é o registo de precipitação. Nos distritos com estações de observação do INAM (Instituto Nacional de Meteorologia) há registo de chuvas que são significativas comparadas com o igual período do ano passado e essas chuvas que caíram durante este período já mostram-se com algum impacto em termos de habitação da população, principalmente nos distritos de Memba, Mecubúri, Malema, Moma, Angoche, Monapo, só para citar, também o distrito de Rapale”, começou por contextualizar Alberto Armando.

“As principais ocorrências são ventos fortes, chuvas intensas e descargas atmosféricas. São dados que estão em compilação, já tivemos alguns dados preliminares que os distritos partilharam, mas estão em processo de validação para posterior partilha, são mesmo dados provisórios. Por exemplo, para a educação, estamos a falar de perto de 43 salas de aula que ficaram afectadas. No sector de saúde estamos a falar perto de três unidades sanitárias que ficaram afectadas e uma delas está em Angoche, temos aqui em Rapale e Mecubúri e, também, temos algumas casas da população. Nesta fase, estamos a falar de cerca de 1192 casas, maior parte delas de construção precárias que ficaram afectadas e um universo de cerca de 5792 pessoas afectadas, até neste momento, como dados preliminares. São dados que estão em processo, e posteriormente serão divulgados. Algumas ocorrências são de dois e três dias atrás, e o processo de validação está ainda em curso”, prosseguiu a fonte.

No plano de contingência do INGD prevê-se que, pelo menos, 20000 (vinte mil) pessoas sejam afectadas no período chuvoso de 2022/23, isso para o primeiro cenário, sobre chuvas intensas, ventos fortes e inundações, nas vilas e cidades da província de Nampula, segundo recordou Alberto Armando. “Teremos alguns distritos a registar chuvas normais com tendência para chuvas anormais parte do interior e a parte sul da província de Nampula, a parte central da província de Nampula há previsão de registo de chuvas anormais, enquanto que a parte costeira, mais a norte da província de Nampula, poderá registar chuvas normais com tendências para abaixo do normal. Este é o quadro geral que pode nalgum momento sofrer uma alteração em função, eventualmente, por exemplo se houver a formação de um sistema tropical que possa afectar a nossa região”.

Segundo recordou ainda o delegado do INGD em Nampula, “o plano de contingência para dar resposta a essas situações com base nas quatro actividades prioritárias, que é a questão de monitoria e emissão de aviso, temos a componente de, em caso de necessidade, busca e resgate, temos a componente de assistência humanitária nas primeiras 72 horas. Para essas actividades críticas o plano de contingência prevê uma necessidade, em termo orçamental, de perto de 43 milhões de meticais”. (Constantino Henriques)

Para Ossufo Momade: Frelimo foi desumana e incompetente em 2022

Nampula (IKWELI) – O presidente do partido Renamo, Ossufo Momade, disse na manha desta segunda-feira (26), na cidade de Nampula, que no ano prestes a findar, o partido Frelimo foi desumana, incompetente e insensível aos problemas do povo.

Momade diz que os cenários políticos, sociais e económicos apresentaram o pior quadro de todos os tempos, destacando-se uma Polícia, SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) e outras FDS (Forças de Defesa e Segurança) envolvidos em actos criminais.

Para este político, o governo não mostrou competências e cometimento no combate aos raptos e ao terrorismo.

“O ano prestes a findar foi caracterizado pelos eventos internos particularmente difíceis no que diz respeito a situação política, económica e social e nós, como nação, temos um dever de fazer uma radiografia para com clareza e desenhar as metas para 2023”, disse a fonte, prosseguindo que “perante a estes caos assistimos um governo sem solução lamentado como qualquer cidadão anónimo, e sem nenhuma estratégia para acabar com estes males que ameaçam e afectam profundamente o nosso Estado”.

Para este político “a reconciliação e a unidade nacional não se constroem com decoração e muito menos com inauguração de museus, mas sim com actos tangíveis e com aceitação com outros moçambicanos como moçambicanos iguais”.

Na sua comunicação a nação, Ossufo Momade, mostrou a sua preocupação com o processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) dos guerrilheiros da RENAMO, que poderia terminar no dia 19 do corrente mês, mas que não foi possível por conta do incumprimento sistemático dos procedimentos por parte do Governo. (Hermínio Raja e Nelsa Momade)

Durante o Natal: 22 automobilistas ficaram sem carta de condução por excesso de velocidade e 31 casos de acidentes de viação deram entrada no HCN

Nampula (IKWELI) – A passagem da quadra festiva do Natal na província de Nampula, no norte de Moçambique, não foi tão pacífica, ainda que as autoridades entendam que a mesma tenha sido calma.

Para conter acidentes de viação, a Polícia da República de Moçambique (PRM) teve de montar 26 postos de controle, ao longo da Estrada Nacional Número Um (N1), no percurso que atravessa a mais populosa província do país.

Todavia, as autoridades policiais e de saúde voltam a contradizerem-se, enquanto que a Polícia diz que a província não registou se quer um único caso de acidente de viação, o Hospital Central de Nampula, também, em colectiva de imprensa balanço referiu a entrada de 31 casos de acidentes de viação.

“Temos 26 postos de controle de velocidade ao longo da estrada nacional N1, que infelizmente deu o resultado de retirada as cartas de condução de pelo menos 22 automobilistas por excesso de velocidade. No entanto, o processo todo de festividade a nível da nossa província decorreu sem nenhum sobressalto”, disse Zacarias Nacute, porta-voz da PRM em Nampula.

E o Dr. Suleimane Isidoro, director do Banco de Socorros do HCN, disse que aquela unidade sanitária “atendeu cerca de 176 pacientes, contra 235 doentes de igual período comparado. Destes, 31 foram acidentes de viação contra 33 no ano passado”, e que “somente 4 pacientes foram internados em estado ligeiro”.

Ainda no dia da Família, 25 de Dezembro, o HCN recebeu apenas um único caso de agressão física contra mulher.

Entretanto

Durante o Natal, os bares e as igrejas foram os locais que registaram maior número de enchentes, incluindo as lojas.

O movimento desusado registado na urbe concorreu para a ocorrência de acidentes de viação, tal como observou o Ikweli em vários pontos.

Uma dessas situações de acidentes ocorreu ao longo da avenida Eduardo Mondlane, onde a vítima foi uma senhora que saia de uma loja onde acabava de efectuar compras para a ocasião.

Igualmente, a circulação dos transportes semi-colectivos de pessoas e bens (chapa-100) foi fraca, o que dificultou a mobilidade das pessoas. (Hermínio Raja e Nelsa Momade)

Figura do Ano: Isaura Ferrão Nyusi, Primeira Dama da República de Moçambique

O Conselho Redactorial do jornal Ikweli, decidiu eleger a Primeira-Dama da República de Moçambique, Isaura Ferrão Nyusi, como a figura do ano 2022.

A eleição de Isaura Nyusi surge em reconhecimento do seu esforço na luta contra às uniões prematuras, o abandono escolar das raparigas, promoção da igualdade e equidade de gênero e todas as formas de violência contra a criança e a mulher que, por um lado, se agudizaram com a pandemia da COVID-19.

Os esforços da Primeira-Dama moçambicana estão, igualmente, no desenvolvimento de iniciativas para a redução dos índices da desnutrição crônica, através da educação nutricional nas zonas rurais, esforços que têm resultado na melhoria dos conhecimentos das comunidades sobre uma alimentação adequada.

Em meio aos vários hábitos e costumes que comprometem o desenvolvimento humano das raparigas, Moçambique tem estado a registar significativos avançados na inscrição de meninas nas escolas e sua retenção quer nas cidades, assim como no meio rural, onde há pouco mais de cinco anos atrás era impossível devido às uniões prematuras, gravidezes precoces e abandono por imposição das famílias para que as meninas fossem se dedicar as actividades agrícolas e/ou domésticas, em detrimento dos rapazes.

No contexto da retenção das raparigas na escola e combate às uniões prematuras, Isaura Nyusi é patrona, desde 2021, do Programa “Eu Sou Capaz”, uma iniciativa  financiada pelo Banco mundial,  que, até 2024, prevê apoiar 600 mil raparigas da 5ª  à  7ª classes,  de sete províncias moçambicanas, proporcionando melhores oportunidades de educação e empoderamento, através de acções que estimulem a sua retenção  na escola, desencorajar as uniões prematuras e forçadas e gravidez precoce na adolescência. E entre estas ações, estão a distribuição gratuita de material escolar e uniforme, bicicletas e formação em meios de vida para as alunas que transitam para a 8ª classe.

Isaura Nyusi tem vindo a defender em várias ocasiões que cada um dos moçambicanos tem um papel a desempenhar para que a igualdade e equidade de género, seja realidade.

Nas suas intervenções, a esposa do Estadista Moçambicano tem exortado que as ações de promoção da igualdade de gênero não devem ser vistas como exclusiva tarefa do Governo, mas também da família e da comunidade.

O Governo aboliu as taxas de matrículas até a 9ª classe, e a Isaura Nyusi defende que a decisão de tornar gratuito o ensino básico visa contribuir para a promoção da educação da Rapariga.

No âmbito dos esforços da Primeira-Dama de combate à desnutrição crônica, que afecta 38% da população no país, sendo que o maior número de casos registam-se na província de Nampula, destacamos o programa “CRESCER BEM”, que nos próximos cinco anos, prevê capacitar mais de duas milhões de mulheres na zona rural em matérias de educação nutricional.

Em Moçambique, cerca 24% da população ainda sofre os efeitos da desnutrição crónica que é uma deficiência nutricional decorrente da carência de nutrientes fundamentais para o funcionamento adequado do organismo humano, que tem como consequência deficiente desenvolvimento intelectual e físico de carácter irreversível.

Nos últimos 5 anos, os índices de desnutrição crónica diminuíram, passando dos 43% para 38%, em crianças menores de 5 anos.

O Programa “CRESCER BEM”, lançado este ano na província de Nampula pela Primeira-Dama, vai capacitar, nos próximos cinco anos 5 anos, cerca de 2.5 milhões de mulheres no meio rural, em matérias de educação nutricional, beneficiando cerca de 5 milhões de crianças.

O Programa de Educação Nutricional “CRESCER BEM”, que é uma iniciativa do Gabinete da Primeira-Dama da República, em articulação com o Governo da República de Moçambique, tem como objectivo consciencializar e mobilizar toda a sociedade moçambicana em particular as gestantes, mães e cuidadora, privilegiando as mulheres rurais.

A iniciativa de Isaura Nyusi surge dada a realidade do país em que crianças afectadas pela desnutrição crónica são acometidas de forma irreversível por limitações no seu desenvolvimento humano, afectando o seu bem-estar e a sua contribuição para o desenvolvimento das comunidades onde estão inseridas e do país em geral.

A promoção da educação das raparigas e mulheres, a equidade de gênero e o combate aos vários males que comprometem o desenvolvimento e o bem-estar da mulher estão entre as principais prioridades da Primeira-Dama Moçambicana, por esta razão que a elegemos como a nossa FIGURA DO ANO.

O martírio de ser homossexual: Agressão física e violação sexual acabou com a virgindade de Zainabo

Nacala (IKWELI) – Uma simples recusa para se relacionar com homens foi suficiente para que indivíduos, ainda a monte, protagonizassem actos de agressão física e violação sexual contra Zainabo Assumane, de 23 anos de idade, numa situação que culminou com a perda da virgindade de uma mulher que assumiu perante a sociedade ser lésbica.

Há sensivelmente sete anos que Zainabo descobriu que sentia uma atracção por mulheres. Diz que já teve a primeira namorada, mas a relação não durou por muito tempo, porque a sua mãe descobriu e decidiu manda-la embora de casa.

Ela procurou mobilizar o irmão e a tia para dialogar com a mãe no sentido de fazer compreender sobre o que estava a acontecer. Ou seja, o que significa ter uma orientação sexual diferente das outras pessoas. Mas foi em vão.

A progenitora continuou a resistir à mudança da filha. O pai, pelo contrário, foi mais receptivo e compreendeu a situação. Neste momento, Zainabo está a travar uma luta para ganhar a confiança da mãe, o que não está a ser fácil.

Mesmo assim, a interlocutora acredita que um dia a mãe poderá aceitar e receber a filha de braços abertos. O mais intrigante é que há uma exigência para casar e gerar filhos. Porém, não existem as possibilidades de nascer, porque Zainabo só se relaciona com mulheres.

Agredida e violada

Zainabo contou ao Ikweli que depois de descobrir a sua orientação sexual, houve um cidadão, cuja identidade não revelou, que andava atrás dela com acções de paquera com o objectivo de desenvolver uma relação de amor. Mas ela sempre se recusou a ceder por sentir atracção por mulheres.

Porém, certo dia, quando o ponteiro do relógio indicava 18 horas, a nossa entrevistada cruzou com o referido homem, o qual começou a agredir fisicamente, tendo causado ferimentos graves nos membros inferiores.

O caso foi denunciado junto das autoridades, mas nunca houve solução. Primeiro porque os agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) não manifestaram o interesse de responsabilizar o culpado.

Mais tarde, o homem acabou fugindo para a cidade de Nampula, de onde só regressou quando a “poeira” baixou. Quando o agressor voltou para Nacala-porto, mobilizou alguns membros da sua família para pedir desculpas. Pelo que a Zainabo teve misericórdia e liberou o perdão.

“Eu preferi perdoar, porque já não tinha rancor pela agressão. Ele é uma pessoa igual a mim. Amanhã posso ser eu a cometer erro contra ele e espero que me perdoe também”, anotou.

Numa outra circunstância, Zainabo foi agredida por um grupo de indivíduos, os quais violaram-na sexualmente. Foi daí que perdeu a virgindade. Os casos de agressão, discriminação e de estigma são recorrentes em diferentes unidades residenciais de Nacala-porto.

Zainabo insta os membros da comunidade LGBT+ a não se deixar levar pela fragilidade provocada pela discriminação e estigma. Urge a necessidade de superar todas as formas de humilhação, porque a paz é para todos os cidadãos.

Não me importo com a discriminação

A discriminação e os actos de estigma fazem parte do dia-a-dia de Zainabo. Ela diz que há pessoas que lhe apontam o dedo quando se faz à rua. Alguns riem-se dela por causa da maneira como se apresenta e o tipo de traje. Trata-se de situações que deviam fazer com que ela se sentisse deprimida e abatida psicologicamente, mas já não se importa com qualquer tipo de discriminação ou humilhação.

“Já superei essa fase de me sentir humilhada por causa do tratamento que a sociedade mostra para com a minha pessoa. Estou mais preocupada com a rejeição que estou a passar diante da minha mãe”, disse.

A superação de Zainabo em relação ao impacto do estigma e da discriminação é um exercício psicológico que precisou de treinamento por parte de profissionais da área. “Sentei sozinha e reflecti que não valia a pena dar ouvidos tudo o que dizem a meu respeito”, acrescentou.

A nossa fonte concluiu o nível médio do ensino secundário geral e está já a colaborar para o projecto denominado Stand Up da LAMBDA. O ambiente escolar foi acolhedor e ela nunca se sentiu discriminada sem, entanto, abrir espaço para desistir, por isso frequentou as aulas até terminar a 12ª classe.

“Na minha escola nunca enfrentei situações de discriminação ou de estigma. Os colegas demonstravam um sentimento de amizade e de fraternidade. Sempre me apoiaram. O que me fazia acreditar que há ainda espaço para sobreviver”, anotou.

Violência baseada no género tende a reduzir

Há uma tendência de reduzir os casos de violência baseada no género, afectando as pessoas LGBT+ ao nível da autarquia de Nacala-porto. Os dados estatísticos indicam que em 2021 foram rastreadas 620 pessoas, com um cumulativo de 132 vítimas.

Contra 525 rastreados e um cumulativo de 99 casos de igual período do ano anterior.

As violências física, económica, sexual e psicológica constituem as principais formas de violência que são registadas localmente.

A supervisora de campo do projecto “Stand Up” da LAMBDA ao nível de Nacala-porto, Teresa Figueiredo, lamenta a forma como os casos de denúncias são recebidos junto das autoridades.

É que os membros da corporação têm sido capacitados com o objectivo de melhorar o atendimento das pessoas LGBT+, mas nota-se alguma ignorância. Por isso, é necessário mudar.

Só há um pequeno ajuste que precisa melhorar, sobretudo, no que diz respeito a personalidade dos trabalhadores dos postos policiais.

Em relação a tendência de redução dos casos, a nossa fonte indicou que tal situação é por causa do crescimento de projectos que visam sensibilizar e abrir a mente das pessoas para evitar os casos de estigma e discriminação, que muitas vezes culminam em violência.

“Há tanta gente no armário. Os nossos trabalhos permitem uma maior abertura. Porque não é fácil assumir uma orientação sexual diferente, pois arrasta uma série de consequências”, apontou Teresa.

Entende-se que quando alguém sai do armário está sujeito a perder pessoas mais próximas, as quais ama. Mas isso acontece em casos de essas pessoas não estiverem preparadas ou informadas para receber a informação sobre a orientação sexual de um determinado familiar.

“E em alguns casos temos situações em que as pessoas são informadas, mas a ignorância cega o entendimento. Por isso, surge a necessidade de estar preparada para qualquer eventualidade”, disse esta fonte.

Teresa considera que as famílias precisam introduzir exercícios de educação sexual no dia-a-dia. Não é necessário que as crianças tenham uma idade aceitável para iniciar a vida sexual activa, pois a educação sexual evita as situações de escândalo para a sociedade. (Redação)

LAMBDA intensifica acções de advocacia em Montepuez

Montepuez (IKWELI) – Para garantir que os direitos humanos das pessoas LGBT+ sejam respeitados e conhecidos por vários intervenientes, a LAMBDA no distrito de Montepuez, sul de Cabo Delgado, está a intensificar acções de presença institucional e advocacia com vários actores.

O Representante da LAMBDA, em Montepuez, Maldino Abel Moniz, explicou que algumas actividades têm consistido na capacitação de provedores de saúde, por exemplo, para garantir que as preocupações das pessoas LGBT +, tenham acesso à programas de saúde e HIV.

“Tanto que já fizemos várias capacitações para vários provedores da saúde e outros porque queremos fazer fluir aquilo que são preocupação das pessoas LGBT, também, estamos em alguns projetos e programas sobre a saúde e HIV onde mobilizamos e procuramos despertar a auto-estima dos nossos beneficiários”, contou.

Convicto que aos poucos, os cidadãos de Montepuez, estão a conhecer as actividades da LAMBDA, a fonte diz que a agremiação está a centrar-se a nível de unidades sanitárias de maior presença populacional, concretamente nos bairros Ncorripo, Mirige e Nivula, no quadro de um projecto implementando em parceria com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), que implementa o VIVA+ na componente HSH, de modo específico.

O entrevistado assegura que não tem sido fácil o reconhecimento e respeito dos direitos das pessoas LGBT+, e considera uma batalha dura a começar em sectores públicos, por exemplo das contrariedades do Ministério de Saúde.

“O ministério de Saúde tem sido uma das prioridades e desenhou a estratégia de saúde escolar, mas não são mencionadas questões de apoio do grupo minoritário, relativamente ao gozo dos direitos humanos existem um paradoxo daquilo que se escreveu e daquilo que se vive”, disse.

Enumerou mais do que acontece no sector de educação naquele ponto do país, onde “ainda temos dificuldades no gozo e liberdade sobre a questão relacionada à orientação sexual em ambiente escolar e constitui uma grande preocupação para a LAMBDA e, também, devia ser preocupação para o Governo porque é obrigação do Estado segundo o princípio da carta número 16 diz que o acesso a educação é um direito de todos”.

Conforme explicado pela fonte, algumas formas de discriminação, que as pessoas LGBT+ passam no distrito de Montepuez, após serem conhecidas, faz com que muitos não assumam em público, o que também pode gerar outras consequências. (Amélia Antunes)

Lambda capacita professores sobre direitos humanos da comunidade LGBT+

Nampula (IKWELI) – O ambiente escolar tem sido um dos mais agressivos para pessoas LGBT+ na província de Nampula, e para reverter o cenário, a Lambda, uma organização moçambicana que advoga o reconhecimento dos direitos humanos das minorias sexuais tem vindo a capacitar professores sobre esta temática.

Orlando Cobre, coordenador regional norte da Lambda, disse ao Ikweli que está actividade decorrer em coordenação com o ministério da Educação, e o propósito é mesmo responder aquilo que são dificuldades dos alunos LGBT no ambiente escolar.

“Nós, como Lambda, já temos um pontapé de saída com o ministério de Educação em termos de parceiras, mas ainda achamos muito pouco e pretendemos muito mais”, disse a fonte, deixando a entender que há toda a necessidade de fazer-se um pouco mais pelos alunos LGBT+ no ambiente escolar.

Em 2018, a Lambda promoveu um estudo que concluiu ser nocivo o ambiente escolar para alunos LGBT+ na cidade de Nampula.

“Um dos principais objectivo do estudo era identificar quais eram os tipos de violência perpetrados em ambiente escolar para jovens e adolescentes da comunidade LGBT, identificar qual é o impacto na vida social e no aproveitamento pedagógico e perceber quais são os mecanismos que eles usavam para se defender”, esclareceu a fonte.

“Os principais perpetradores na sua maioria eram os próprios professores e alunos que cometiam a descriminação e bowling para alunos lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e esse tinha como impacto a violência física e psicológica que trás um impacto imediato na vida das pessoas”, comentou ainda Cobre sobre os resultados do estudo.

É entender do nosso interlocutor que o Governo comece a ser específico nas políticas e estratégias de governação que desenha e implementa em relação a questões LGBT+, no sentido de garantir os direitos humanos de todos.

“Já fizemos várias capacitações para vários provedores da saúde e outros porque queremos fazer fluir aquilo que são preocupação das pessoas LGBT, também, estamos em alguns projetos e programas sobre a saúde e HIV onde mobilizamos e procuramos despertar a autoestima dos nossos beneficiários”, concluiu o nosso entrevistado. (Nelsa Momade)

Amaldine António enaltece o papel da LAMBDA em Moma

Nampula (IKWELI) – Amaldine António, de 27 anos de idade e residente no bairro de Natomoto, no distrito de Moma, a sul da província de Nampula, é mais um exemplo de superação da estigmatização provocada pela sociedade contra com às pessoas LGBT+.

Para Amaldine António, jovem gay, a semelhança da maioria de pessoas LGBT+, enfrentou momentos desafiantes para se impor na sociedade, com naturalidade, identificando-se com a sua orientação sexual, devido as incessantes humilhações de que era alvo perpetradas por outros cidadãos da sua circunscrição geográfica.

Em conversa exclusiva com o Ikweli, este jovem deixou entender que foi possível quebrar todas as barreiras com a implantação, no distrito de Moma, de uma representação da Lambda, uma organização que advoga pelos direitos das pessoas de minoria sexual.

Aliás, segundo fez saber a fonte, com a presença da Lambda no seu distrito, passou a conhecer os seus direitos. Igualmente, a própria sociedade ficou sensibilizada por aquela agremiação sobre a pertinência de respeitar as escolhas de cada cidadão, daí que os abusos que antes sofria vieram a reduzir.

“Antigamente era muito difícil lidar com a situação de eu ser gay, mas agora nota-se um respeito para este grupo. No passado eu me escondia, mas agora que surgiu o movimento da Lambda, consigo me abrir e sentir-me livre de gozar os mesmos direitos que outras pessoas têm na sociedade. Todo tipo de pessoas está livre de escolher o que lhe convém ser melhor para sua vida, como por exemplo: da mesma forma que algumas pessoas têm a decisão de casar com quem querer casar, também nós de grupos minoritários somos livres de fazer qualquer tipo de escolha”, disse Amaldine António.

Amaldine António, conhecido na vila de Moma devido as suas habilidades, sobretudo na concertação de celulares, para além de venda de gelo cristalino para os pescadores locais, insta outras pessoas LGBT+ do seu distrito e não só, a recorrer a Lambda, caso notem que os seus direitos estão sendo violados pelas comunidades.

“O meu conselho é que, quando alguém ver que os seus direitos estão a ser violados, favor de aproximar a alguns activistas que se encontram na nossa comunidade para o devido encaminhamento do caso às instâncias competentes. Tenho 27 anos de idade, e quando soube da minha situação não fiquei tão desanimado, porque não sou sozinho a passar por este tipo de situação. Estou muito grato por este reconhecimento na existência deste tipo de grupo e fico muito feliz por saber que existem outras pessoas que estão noutro nível que estão a nos seguir e a nos reconhecer”, precisou a fonte.

O comportamento da comunidade é estável

A Lambda está em Moma desde 2019. Na altura as pessoas de minoria sexual eram submetidas a um tratamento desumano, influenciado pela predominância de pessoas que professam o islamismo. Entretanto, nos dias que correm o fenómeno tende a normalizar-se, o que anima Ossufo Azevedo, agente comunitário da Lambda, naquele distrito.

“Actualmente, a comunidade não tem violado os direitos destas pessoas por saberem e acompanharem mensagens transmitidas pela organização Lambda de que discriminar a pessoa LGBT+ é punível, e é razão pela qual já não pode ser discriminada. Por isso, desde que a Lambda chegou no distrito, o comportamento da comunidade é normal face aos grupos minoritário”, disse a fonte.

“O que temos feito é, convidamos a comunidade para um encontro onde chegamos a dizer que o tipo de pessoas que nós defendemos é este e daí a comunidade passa a ter noção que este tipo de pessoas não pode ser discriminado. Cada semana alcançámos novos casos e o número de casos registados em Moma, ronda nos 15, variando em movimentos que alguns destes indivíduos tem efectuado ida e volta de Moma a Topuito, mas os indivíduos fixos residentes aqui na vila de Moma são um número de 10 elementos. Até existe uma iniciativa de este grupo em todos os encontros ser oferecido um lanche e valor de transporte para dar moral e incentivo de que existem pessoas que estejam ao lado deles no seu acompanhamento e preocupada com o bem-estar deles”, precisou Ossufo Azevedo. (Leonel Leonardo)

Nampula: PRM reforça frota há cerca de um ano das eleições

Nampula (IKWELI) – O comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, recebeu, na manhã desta segunda-feira, uma frota de viaturas destinada aos directores que compõem o corpo directivo dos “homens da lei e ordem”, no comando provincial da mais populosa província do país.

São no total sete viaturas, das quais uma para serviços funerários dos membros da corporação, entregues pelo Secretário de Estado na província de Nampula, Mety Gondola, o qual reconhece o trabalho empreendido pelos agentes da PRM, com vista a manutenção da ordem e tranquilidade públicas, sobretudo aos que se dedicam abdicando-se dos actos de corrupção que minam o sector público em escala nacional e Nampula, em particular.

E porque trata-se de uma região com território vasto em relação às outras parcelas do país, Gondola exortou aos agentes da PRM, particularmente aos dirigentes, a redobrarem esforços pois esta característica representa desafio no que diz respeito à segurança dos cidadãos, tendo em conta ainda o fenómeno terrorismo que já atingiu os distritos de Memba, Eráti e um pouco pelo distrito de Mecubúri, segundo refere o Secretário do Estado na província de Nampula.

“Temos estado a receber informação de forma constante e cada vez mais com um número elevado de situações em que um cidadão tentou corromper a polícia, mas o polícia não aceitou e, à luz da lei, tomou a devida decisão. Isto significa que há maior consciência da nossa parte da responsabilidade que carregamos e sabemos traduzir na prática o apelo ao combate à corrupção, um combate que deve ser cerrado”, enalteceu.

Feita a entrega das viaturas, seguiu-se, em algumas ruas e avenidas da cidade de Nampula, a actividade de fiscalização e sensibilização para a prevenção de acidentes de viação nas estradas da província, beneficiando automobilistas, transportadores de passageiros urbanos, distritais e provinciais e outros utentes da via pública, uma actividade dirigida pelo respectivo comandante provincial da PRM, António Bachir. (Esmeraldo Boquisse)

Yango reúne-se com Presidente do município de Maputo e outras autoridades

Maputo (IKWELI) – Esta semana a Yango, uma plataforma digital internacional, reuniu-se com o Ministério dos Transportes e o Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA). Yango demonstrou às autoridades moçambicanas como vai revolucionar a mobilidade urbana do país. Tecnologia de ponta e compromisso com parcerias com empresas locais são a chave para oferecer.

Em circulação nas ruas de Maputo desde o início de novembro em parceria com operadores locais, Yango apresentou esta semana às autoridades e empresários a tecnologia única de mobilidade que se desloca rapidamente a um custo muito vantajoso.

Ao longo desta semana, Anton Zykov, responsável pelas Relações Governamentais de Yango, reuniu-se com o Presidente da Confederação dos Empresários de Moçambique, Agostinho Vuma, com o Director Nacional dos Transportes e Comunicações, Fernando Sebastião Ouana, com o Presidente da Câmara Municipal de Maputo, Eneas Comiche, e outras autoridades municipais e governamentais.

Nessa reunião, Zykov enfatizou que Yango não é uma operadora de transporte, mas uma empresa de tecnologia da informação que fornece uma plataforma para otimizar o serviço de empresas de transporte, bem como associações de táxi. Nesse sentido, demonstrou absoluta abertura para estreitar relações com empresas e stakeholders, entre os quais a Associação de Táxis de Maputo, com quem formalizou esta semana a intenção de estabelecer uma parceria.

Além de promover a qualidade e a acessibilidade do transporte urbano, o Responsável pelas Relações Governamentais da Yango destacou que as parcerias entre a plataforma e os operadores locais ajudarão a criar oportunidades de autoemprego para jovens que precisam de uma atividade econômica em que todos saiam a ganhar.

A lista de oportunidades de Yango apresentada esta semana inclui a disponibilidade da Yango para atrair investidores estrangeiros interessados ​​no sector e fazer a ponte entre instituições de crédito internacionais e empresas locais interessadas em renovar frotas de táxis.

Mecanismos de segurança como a possibilidade de partilha de itinerários em tempo real, acesso à informação de táxis e motoristas e uma tecnologia que monitoriza o estilo de condução dos condutores, que demonstraram interesse na proposta da plataforma, foram também apresentados às autoridades moçambicanas.

Para além de Moçambique, os serviços digitais Yango capacitam parceiros locais na Argélia, Angola, Côte d’Ivoire, Gana, Camarões, Senegal, Zâmbia, Congo Brazzaville, República Democrática do Congo. A empresa está presente em mais de 20 países em diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, Ásia Central e Oriente Médio. (Redação)