Amaldine António enaltece o papel da LAMBDA em Moma

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Nampula (IKWELI) – Amaldine António, de 27 anos de idade e residente no bairro de Natomoto, no distrito de Moma, a sul da província de Nampula, é mais um exemplo de superação da estigmatização provocada pela sociedade contra com às pessoas LGBT+.

Para Amaldine António, jovem gay, a semelhança da maioria de pessoas LGBT+, enfrentou momentos desafiantes para se impor na sociedade, com naturalidade, identificando-se com a sua orientação sexual, devido as incessantes humilhações de que era alvo perpetradas por outros cidadãos da sua circunscrição geográfica.

Em conversa exclusiva com o Ikweli, este jovem deixou entender que foi possível quebrar todas as barreiras com a implantação, no distrito de Moma, de uma representação da Lambda, uma organização que advoga pelos direitos das pessoas de minoria sexual.

Aliás, segundo fez saber a fonte, com a presença da Lambda no seu distrito, passou a conhecer os seus direitos. Igualmente, a própria sociedade ficou sensibilizada por aquela agremiação sobre a pertinência de respeitar as escolhas de cada cidadão, daí que os abusos que antes sofria vieram a reduzir.

“Antigamente era muito difícil lidar com a situação de eu ser gay, mas agora nota-se um respeito para este grupo. No passado eu me escondia, mas agora que surgiu o movimento da Lambda, consigo me abrir e sentir-me livre de gozar os mesmos direitos que outras pessoas têm na sociedade. Todo tipo de pessoas está livre de escolher o que lhe convém ser melhor para sua vida, como por exemplo: da mesma forma que algumas pessoas têm a decisão de casar com quem querer casar, também nós de grupos minoritários somos livres de fazer qualquer tipo de escolha”, disse Amaldine António.

Amaldine António, conhecido na vila de Moma devido as suas habilidades, sobretudo na concertação de celulares, para além de venda de gelo cristalino para os pescadores locais, insta outras pessoas LGBT+ do seu distrito e não só, a recorrer a Lambda, caso notem que os seus direitos estão sendo violados pelas comunidades.

“O meu conselho é que, quando alguém ver que os seus direitos estão a ser violados, favor de aproximar a alguns activistas que se encontram na nossa comunidade para o devido encaminhamento do caso às instâncias competentes. Tenho 27 anos de idade, e quando soube da minha situação não fiquei tão desanimado, porque não sou sozinho a passar por este tipo de situação. Estou muito grato por este reconhecimento na existência deste tipo de grupo e fico muito feliz por saber que existem outras pessoas que estão noutro nível que estão a nos seguir e a nos reconhecer”, precisou a fonte.

O comportamento da comunidade é estável

A Lambda está em Moma desde 2019. Na altura as pessoas de minoria sexual eram submetidas a um tratamento desumano, influenciado pela predominância de pessoas que professam o islamismo. Entretanto, nos dias que correm o fenómeno tende a normalizar-se, o que anima Ossufo Azevedo, agente comunitário da Lambda, naquele distrito.

“Actualmente, a comunidade não tem violado os direitos destas pessoas por saberem e acompanharem mensagens transmitidas pela organização Lambda de que discriminar a pessoa LGBT+ é punível, e é razão pela qual já não pode ser discriminada. Por isso, desde que a Lambda chegou no distrito, o comportamento da comunidade é normal face aos grupos minoritário”, disse a fonte.

“O que temos feito é, convidamos a comunidade para um encontro onde chegamos a dizer que o tipo de pessoas que nós defendemos é este e daí a comunidade passa a ter noção que este tipo de pessoas não pode ser discriminado. Cada semana alcançámos novos casos e o número de casos registados em Moma, ronda nos 15, variando em movimentos que alguns destes indivíduos tem efectuado ida e volta de Moma a Topuito, mas os indivíduos fixos residentes aqui na vila de Moma são um número de 10 elementos. Até existe uma iniciativa de este grupo em todos os encontros ser oferecido um lanche e valor de transporte para dar moral e incentivo de que existem pessoas que estejam ao lado deles no seu acompanhamento e preocupada com o bem-estar deles”, precisou Ossufo Azevedo. (Leonel Leonardo)

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