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Dois quilogramas de heroína de Angoche levam dois jovens a cadeia

Nampula (IKWELI) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), em Nampula, deteve dois indivíduos na posse de dois quilogramas de heroína proveniente do distrito costeiro de Angoche.

De acordo com a porta-voz do SERNIC, Enina Tsinine, outros membros do grupo puseram-se em fuga, ainda em Angoche, durante o processo de captura.

Recorde-se que o distrito de Angoche, a sul de Nampula, para além da heroína tem sido um principal corredor para o haxixe, sobretudo as suas ilhas que servem para as transações dos produtos.

São indivíduos de 35 e 36 anos de idade, respectivamente, ambos do distrito de Angoche que, na manhã do dia 15 de Dezembro corrente foram flagrados a desenterrar droga escondida na praia. Na ocasião, outros dois indivíduos envolvidos no caso colocaram-se em fuga quando se aperceberam da presença dos agentes da polícia, deixando a droga com os transportadores ora detidos.

“O SERNIC vem recebendo informações e, uma das informações foi difundida por um órgão de comunicação social, dando conta que no distrito de Angoche os pescadores pescavam, através das suas embarcações, droga, e não o peixe. No trabalho que fomos fazendo culminou com a detenção de dois cidadãos em flagrante”, informou Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC.

A porta-voz explica que através de um processo de negociação de venda e compra apurou-se que a droga era vendida a preço de 120.000,00Mt (cento e vinte mil meticais) por quilograma, o que daria na sua totalidade, 240.000,00Mt (duzentos e quarenta mil meticais).

Para além das embarcações que usam para retirar a droga do alto-mar, os indivíduos usam, igualmente, motorizadas para transportar do mar para os bairros, dado que, na altura da detenção foram apreendidas três motorizadas onde se faziam transportar os meliantes e a mercadoria.

“Ainda não temos informações sobre o destino certo da droga, mas estamos a investigar. As informações que os detidos dão é que o proprietário da droga é da Ilha de Moçambique, mas nós sabemos que toda a droga que é escoada a partir do alto-mar usam a província de Nampula como corredor, com destino a Maputo e com o exterior África do Sul”, referiu Enina Tsinine.

Outras informações, avançadas pela porta-voz, indicam que a apreensão acontece em menos de três dias, depois da apresentação de uma quantidade de drogas do tipo cocaína e suruma, esta última com origem em Eswatini, apreendidas na cidade portuária de Nacala, em Nampula.

Já nas mãos da polícia, os indiciados pouco comentam sobre o seu envolvimento no caso e dizem ser operadores de táxi mota contactados por um grupo de dois indivíduos, dos quais, um identificado pelo nome de António Ali, da Ilha de Moçambique.

A tarefa que teriam, segundo os detidos, era de transportar os indivíduos ora foragidos para uma zona que não conhecem. Estes adiantam não ter nenhum contacto com os supostos proprietários de droga, apenas estavam a exercer a actividade de taxistas, naquela região costeira da

Macomia: terroristas decapitam um civil

Macomia (IKWELI) – Um cidadão civil foi decapitado por um grupo de terroristas numa machamba a escassos quilómetros da aldeia Nova Zambézia, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado.

O acto macabro ocorreu na última quarta-feira (15), e a vítima encontrava-se no local com a sua família, onde apanhavam mangas para o seu consumo.

No meio de gritos de socorro, um grupo de mulheres aproximou-se ao local, mas foi advertido pelos terroristas para que voltassem para a aldeia e informar as autoridades que o grupo ainda existe.

Refira-se que na aldeia Nova Zambézia, tem uma posição das Forças de Defesa e Segurança (FDS), mas mesmo assim, o grupo consegue engendrar ataques. (IKWELI)

Nampula: Gabinete do director da Migração foi queimado por funcionários da instituição

Nampula (IKWELI) – Pelo menos três funcionários da direcção provincial de Migração de Nampula encontram-se detidos, por ordens do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), por haver indícios bastante do seu envolvimento no incêndio que deflagrou o gabinete do director da instituição e da respectiva secretária.

O incêndio ocorreu na madrugada do dia 5 do corrente mês de Dezembro, e até a última conferencia de imprensa dada pela direcção da Migração (no dia 15) a instituição não fala das razões do fenómeno, muito menos o que a instituição teria perdido com o acto. Não menos importante, é o facto de no corrente ano funcionários da instituição terem sido detidos, julgados e condenados por envolvimento em actos de corrupção.

Ao todo são quatro funcionários envolvidos, dos quais uma mulher, mas nos calabouços encontram-se três por um ter se colocado em fuga quando se apercebeu da recolha do grupo.

O Ikweli abordou Enina Tsinine, porta-voz do SERNIC em Nampula, a qual não avança detalhes da detenção, e muito menos confirma, relegando comentários a direcção provincial de Migração, por ainda não ser oportuno a instituição de que é porta-voz falar do assunto.

O Ikweli, também, contactou a porta-voz da Migração em Nampula, Enércia Nota, que, por sua vez atira explicação detalhada ao SERNIC, alegadamente, porque a instituição que representa não está em volta da investigação. (Aunício da Silva e Esmeraldo Boquisse)

“3 Milhões de moçambicanos passaram a ter acesso à alimentação adequada” – Filipe Nyusi

Maputo (IKWELI) – O Presidente da República (PR) de Moçambique, Filipe Nyusi, disse que no ano 2021, cerca de 3 milhões de moçambicanos passaram a ter acesso à alimentação adequada, o que marca uma subida de 19 milhões de pessoas para 22 milhões com acesso a alimentação adequada, depois de um período de 5 anos, onde o registo se manteve estacionário em cerca 18 milhões de pessoas.

Falando na manha desta quinta-feira (16) na Assembleia da República, durante a apresentação do Estado Geral da Nação, Nyusi disse que “a avaliação do ponto de situação da segurança alimentar e nutricional aguda das áreas rurais e urbanas pós-colheita 2021, indica que houve uma redução de cerca 2,7 milhões para 1,85 milhões de moçambicanos enfrentando níveis de insegurança alimentar aguda (IPC Fase 3), e cerca de 40 mil em situação de emergência alimentar (IPC Fase 4)”, e que “estes dados representam a saídade cerca de 850 mil moçambicanos da situação de insegurança alimentar aguda”.

“Os indicadores que apresentamos estão consistentes com a plataforma IPC ORG, que indica que mais 4 milhões de moçambicanos passaram a ter alimentação adequada nos últimos dois anos, melhoria que se deveu, em grande medida, ao facto de as famílias passarem a ter acesso a alimentos da sua própria produção, o que nos dá indicações de estarmos no caminho certo para o alcance do desígnio de Fome Zero até 2030”, esclareceu o PRM, que explicou que “para o nível IPC 5, que é caracterizado por catástrofe/fome,onde se regista a perda de vida por insuficiência de consumo alimentar, não antevemos a sua ocorrência parao ano de 2022 – em palavras correntes, não antevemos bolsas de fome no país”, tanto que “para o nível IPC 3 e IPC 4, que é caracterizado por severidade de nível de insegurança alimentar aguda e emergência, respectivamente, onde as famílias passam por períodos longos de falta de consumo de alimentos pretendemos retirar as cerca de 1.8 milhões pessoas da situação de insegurança alimentar aguda para quase zero, através dos programas em curso de assistência social produtiva dos agregados familiares, com destaque para o Programa SUSTENTA”.

Ainda no contexto da fome, o PR esclareceu que “pretendemos continuar a melhorar as reservas alimentares, melhorar a renda familiar, estabilizar os preços, quantidade e qualidade de alimentos para mais moçambicanas e moçambicanos passarem a ter acesso a alimentação adequada, sem perder de vista a grande batalha da desnutrição crónica”. (Aunício da Silva)

Enquanto governador “força” FIPAG a solucionar: Moradores de Mutauanha não tem água para consumir

Nampula (IKWELI) – A crise de água que assola, de forma cíclica, a cidade de Nampula, com pico na época quente, continua a ser drástica para os moradores locais, e a preocupação, também, é do primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, Manuel Rodrigues.

Apercebendo-se da situação, desde que dirige a província, Manuel Rodrigues tem estado a exigir que o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), instituição pública que vive dos impostos do cidadão, encontre soluções para colmatar o problema.

Na manha da última terça-feira (14), o governador visitou as principais fontes de captação exploradas pelo FIPAG para colocar água na urbe, nomeadamente a barragem de Nampula e os 10 furos de Namiteca, mas não gostou o que viu, por isso exigiu que acções enérgicas sejam levadas a cabo para, até o próximo sábado, encontrar-se solução.

Enquanto isso, o Ikweli visitou alguns bairros da cidade de Nampula, e a situação da falta de água para o consumo humano é gritante.

Residentes dos quarteirões 11 e 12 na zona residencial de Ntotha, no bairro de Mutauanha, enfrentam problemas de falta de água, estando a serem obrigados a percorrer durante as primeiras horas do dia, pelo menos, 5 quilómetros ou mais para obter o precioso líquido. Alguns são obrigados a se dirigirem a zona da Texmoque em Carrupeia, no meio de tanto perigo de serem atropelados por viaturas e motorizadas, para obterem água para o consumo.

Naquele bairro, a água da rede pública, fornecida pelo FIPAG, não jorra nas torneiras há meses.

Aida Estevão Mpita, 21 anos e mãe de 1 filha, residente no quarteirão 12, disse ao Ikweli que nos últimos três meses, a sua vida não tem disso fácil, porque deve acordar de madrugada para seguir a caravana de outras mulheres na busca de água em Carrupeia. “A situação agravou-se quando há dois meses cortaram água aqui em casa, pior não temos tanque, somos obrigados a deixar crianças de madrugada com perigo de bandidos e ser atropelado até lá na Texmoque para tirar água”, contou, para depois acusar o FIPAG que “traz facturas mesmo sem sair água dois a três meses e por cima corta, por alegada falta de pagamento das dividas”.

Salomão Francisco Penieque, do quarteirão 11, contou que a problemática de água já tem consequências negativas para esposas e filhas. “As nossas esposas, irmãs e filhas, acordam as três horas de madrugada, algumas até com crianças ao colo, para ir atrás de água. Na semana passada ocorreu um acidente do tipo atropelamento, uma miúda foi atropelada quando voltava em busca desse precioso, e fracturou a perna e, também, deparam-se com os malfeitores, por isso pedimos socorro”.

De 52 anos de idade, a dona Elisa Amade, mãe de 4 filhos e residente no quarteirão 11, acusa o FIPAG que no lugar de fornecer água que há três meses não sai, estar a efectuar cortes sem pré-aviso. “Não temos nenhuma divida, mas eles nos cortaram a água”.

Igualmente, as nossas fontes falam do aumento injustificado do preço de aquisição de água. Por exemplo, cada litro chega a custar 1,00Mt (um metical), ou seja, um recipiente de 20 litros custa 20,00Mt (vinte meticais), contra os 5,00Mt (cinco meticais) anteriormente praticados. (Leonel Peie e Redação)

Nampula: Actividade de moto táxi abre oportunidade de autoemprego para jovens mecânicos

Nampula (IKWELI) – Uma das principais alternativas ao transporte urbano, na cidade de Nampula, no norte de Moçambique, é o táxi de mota, uma actividade que abre perspectivas para novas áreas de autoemprego.

Com o aumento do número de operadores, há a necessidade do estabelecimento de locais para a reparação e manutenção destes meios, e como tal jovens, maioritariamente, mecânicos tem a oportunidade de ganhar, de forma honesta, o seu pão.

Armindo Augusto, jovem mecânico há 2 anos, diz que concluiu o ensino médio do Sistema Nacional de Saúde há algum tempo, mas encontrou na actividade de reparação e manutenção de motorizadas como alternativa para evitar a prática de actos criminais para conseguir sustentar a si e aos seus.

“Abracei esta profissão porque não tinha outra escolha”, conta esta fonte, explicando que “eu precisava de dinheiro para garantir os meus estudos, meu futuro e ajudar a minha mãe desempregada”.

O desejo de Augusto é continuar com os seus estudos no ensino superior, mas antes quer se tornar em mecânico de referência na cidade. “Sonho em ser um engenheiro mecânico, para aliviar os problemas mecânicos e desenvolver o país”.

João Pinto é o outro jovem que a actividade de táxi de mota abriu-lhe uma oportunidade de ganhar dinheiro de forma limpa, na qualidade de mecânico. Ele diz que “é devido a falta de emprego para o sustento que estou fazendo esta actividade”, e que “tenho enfrentado vários desafios na oficina que exerço a minha actividade, como é o caso de roubo de ferramentas”.

E porque estava cansado em não ter condições para pagar as suas contas, Paulo José viu-se obrigado a desenvolver uma actividade sem ter de, necessariamente, aprender com alguém. Tornou-se em mecânico de motociclos, apenas, observando os outros mecânicos do seu bairro.

Estes jovens e suas histórias enfrentem adversidade para colocar pão nas suas famílias, e garantir a escolarização dos seus filhos e outros dependentes. (Nelsa Momade)

Situação da malária continua preocupante em Nampula

Nampula (IKWELI) – As autoridades do sector de Saúde, na província de Nampula, a mais populosa do país, continuam preocupadas com a situação da malária naquele ponto, sobretudo por ser uma das principais causas de internamento.

Durante os primeiros dez meses do corrente ano, a província registou um aumento na ordem de 11.9% de casos, tendo sido diagnosticadas 2.309.942 pessoas com a doença, contra 2.065.021 do igual período comparativo de 2020.

Dados do sector indicam que Nampula faz parte das províncias do país mais afectadas pela doença, com um peso anual de 20%, onde a prevalência em crianças menores de cinco anos de idade é de 47.5%.

Falando em reunião provincial do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), Mety Gondola, Secretário de Estado na província de Nampula, mostrou-se satisfeito pelo facto de registar-se uma redução de óbitos pela doença, quando comparado com o ano passado. Ou seja, o número de óbitos saiu de 61 em 2020 para 57 de Janeiro a Outubro do presente ano, uma redução em cerca de 6.6%. Todavia, o número de casos diagnosticados continua a aumentar e, consequentemente, o incremento de pessoas internadas passou de 14.132 em 2020 para 15.301 em 2021.

“Apesar de termos uma redução de óbitos, os casos colocam-nos como uma província em alerta. O número de casos na nossa província cresceu acima do aceitável, e nós temos de estar preocupados. A percentagem de internamento subiu, o que significa maior pressão dentro do quadro geral de restrições que temos, tanto do ponto de vista de recursos humanos, quanto da capacidade que encontramos no subsistema de saúde”, disse o governante.

Num outro desenvolvimento, Mety Gondola disse que “a nível do governo, nós temos essa preocupação, razão pela qual fizemos apelo para que a província parasse para reflectir, porque muito esforço está a ser feito sob ponto de vista de alocação de recursos financeiros para custear despesas em recursos humanos nas unidades sanitárias, aquisição e logística de medicamentos, distribuição de redes mosquiteiras e custos de pulverização intra-domiciliária, porém, o resultado ainda preocupa”.

Em Abril do corrente ano, a província de Nampula lançou o seu plano de mitigação da malária, com base em pressupostos ambientais.

Para o governante, os efeitos da malária afectam a produção global e o crescimento económico através do absentismo dos trabalhadores e pela diminuição da produtividade, o que retarda o desenvolvimento da região que dirige. Face à situação, exorta aos principais actores que estão na linha de frente a serem criativos nas suas intervenções para combater o problema.

É sonho da província de Nampula, no entender do Gondola, reduzir a morbilidade e mortalidade por malária em 40% até o próximo ano 2022, dando resposta aos desafios elencados no Plano Quinquenal do Governo (P.Q.G) que visa promover a saúde e o bem-estar da população. (Esmeraldo Boquisse)

Crise de água na cidade de Nampula: Manuel Rodrigues continua a exigir uma operacionalidade efectiva do FIPAG

Nampula (IKWELI) – A crise de água na cidade de Nampula, no norte do país, continua preocupante, por isso, desde o princípio do corrente trimestre, o governador Manuel Rodrigues tem dedicado parte do seu tempo a exigir para que o Fundo do Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG) encontre solução para o problema.

Na primeira quinzena de Outubro do corrente ano, Manuel Rodrigues visitou os furos de captação de águas abertos pelo FIPAG na zona de Namiteca, no posto administrativo autárquico de Muahivire, e na altura fora garantido que aquelas infra-estruturas iam incrementar até ao dia 30 do mesmo mês em 20% a capacidade de fornecimento de água.

Na ocasião, o governante ressaltou que “nós estamos sempre preocupados com a situação de abastecimento de água na nossa cidade de Nampula, preocupação essa que se junta a província no seu todo, porque como sabem que a água é um líquido precioso”.

Na mesma visita, Manuel Rodrigues informou aos gestores do FIPAG que “nós temos que ter água para a nossa população”, e que “como governo estamos muito preocupados. A população quer água, o governo quer água. Portanto, nós não queremos fazer manifestações e não queremos continuar a ter aquela situação triste das pessoas todos os dias terem que acordar com baldes na cabeça, percorrerem toda cidade”, porque “aquilo é uma vergonha, por isso mesmo a natureza nos dá essa água”, por isso com os furos de Namiteca “a cidade de Nampula não irá conhecer a situação triste que nós tivemos no ano passado, de estamos a ver tanta gente a andar com baldes a procura de água em tudo que é canto da cidade Nampula”.

Depois de extrapolados os prazos, e preocupado com os seus eleitores, Manuel Rodrigues dedicou esta terça-feira (14) para se inteirar do que estava a acontecer a ponto de a crise de água no maior centro urbano voltar de forma mais severa e agressiva.

Ao princípio do dia, Rodrigues foi a barragem de Nampula, erguida sobre o rio Monapo, cuja projecção de base era para alimentar até 200 mil pessoas, mas nos dias que correm a população da urbe está acima de um milhão de habitantes.

Naquele local, o dirigente notou que a situação natural não é das melhores, os níveis da albufeira são baixos, o que pode agudizar ainda mais a crise.

Seguidamente, o governador rumou para Namiteca, tida como solução mágica, bandeira de progresso do FIPAG em Nampula, mas mesmo assim nada lhe agradou, tanto que o tom da voz não era a habitual. Aparentava uma enorme preocupação.

“Ainda não fizemos o trabalho para a população, por isso vamos trabalhar. Vamos continuar a bater sempre ao duro até que a água saia”, é o que Manuel Rodrigues exige dos gestores do FIPAG.

O Ikweli questionou ao governador a que se devem os sucessivos adiamentos da ligação efectiva dos furos a rede, ao que respondeu que “são questões técnicas, conforme o que está aqui a ser informado. Há aspectos técnicos que, naturalmente, deram um pouco em atraso, uma delas são as fugas ao longo da conduta que deveria levar a água para a conduta principal, portanto, aqui no bairro de Muahivire. Houve fugas ao meio e era preciso fazer a correção e outro aspecto é que havia necessidade de concluir aqui com os apertos as bombas que nós temos aqui, e esses apertos todos, também, exigem um pouco de técnica, porque então é qualquer um aperto como qualquer outro parafuso”.

Da explicação, o governador entendeu que “esses eram os detalhes que eram necessários serem feitos, e neste momento só falta bombar água para aqui [estação de distribuição]”.

“Alias não me referi ainda a questão da ligação da energia eléctrica”, recordou-se Rodrigues, antes da imprensa partir para outras questões, e prosseguiu que “quando viemos para cá ainda faltava a operacionalização do PT e a ligação de energia eléctrica principalmente para estas bombas que aqui estão, e mesmo sistema”.

“Neste momento, temos dez furos operacionais e com água que vai abastecer em termos de compensação em 20%. Portanto, será coberto por estes dez furos que temos aqui em Namiteca. Vai ser uma compensação bastante positiva para aquilo que é a procura de água na nossa cidade. Estamos em crer que na quadra festiva, apesar de estarmos a registar alguma restrição no abastecimento, eventualmente poderemos ter alguma mudança, e é por isso que estamos aqui a insistir, a bater no duro, porque FIPAG é uma instituição do governo e o povo investiu essas infra-estruturas que estamos a ver aqui, e essas infra-estruturas devem dar água a nossa população”, concluiu o governador Manuel Rodrigues.

Do lado do FIPAG ninguém se pronunciou, mas pelo diálogo com o governador ficou assegurado que as obras serão, definitivamente, entregues no dia 18 do corrente mês, portanto no próximo sábado. (Hermínio Raja e Nelsa Momade)

ACNUR revela que há violência generalizada contra mulheres e raparigas deslocadas em Cabo Delgado

Pemba (IKWELI) – Um estudo efectuado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, na sigla inglesa), em parceria com a Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres (LSHTM), encontrou indícios de Violência Baseada no Género (VBG) generalizada entre pessoas deslocadas que fugiram dos ataques de grupos armados não estatais (GANEs) na Província de Cabo Delgado, Moçambique.

O ACNUR e os investigadores da LSHTM lançaram o relatório “Uma Avaliação Rápida da Situação e da Resposta à Violência Baseada no Género em Cabo Delgado, Moçambique”, na quarta-feira da semana passada, 8 de Dezembro, em Pemba, capital da Província de Cabo Delgado.

O estudo, que foi conduzido entre os meses de Julho a Setembro de 2021, constata que as comunidades deslocadas enfrentam riscos crescentes de VBG em Centros de Acolhimento de Deslocados e nas comunidades de acolhimento onde procuram segurança. De acordo com este estudo, mulheres e raparigas, assim como homens e rapazes, estão expostos a violência física, sexual e ao assédio de grupos armados.

Desde Outubro de 2017, mais de 744.000 pessoas encontram-se deslocadas no norte de Moçambique (de acordo com a Organização Internacional para Migrações) na sequência dos ataques perpetrados por GANEs na Província de Cabo Delgado. A situação de segurança piorou substancialmente desde 2019 com o aumento de ataques a comunidades, assassinatos, e sequestros de civis. Entre Fevereiro e Março de 2021, 100.000 pessoas foram forçadas a fugir quando GANEs atacaram Palma, no norte de Cabo Delgado, e muitos sentem receio em retornar.

De acordo com o estudo, mulheres e raparigas sentem frequentemente receio de reportar incidentes de violência devido a ameaças pessoais ou às suas famílias. Em certos casos, estas ameaças são feitas pelos próprios conjugues/parceiros. Os investigadores receberam relatos de pessoas deslocadas internas de que alguns perpetradores de exploração sexual ameaçam excluir os nomes de mulheres e raparigas das listas de distribuição de assistência humanitária, incluindo apoio em alimentos ou outras formas de assistência, caso estas reportem os incidentes. Um entrevistado partilhou com os investigadores o caso de um líder comunitário que abusou sexualmente de uma mulher deslocada e pressionou o seu senhorio a ameaçá-la com possível despejo, caso esta não retirasse a queixa apresentada na polícia.

“Estamos preocupados com estas graves descobertas”, disse Samuel Chakwera, Representante do ACNUR em Moçambique, prosseguindo que “devemos fazer mais para dar resposta a esta crise e apoiar famílias deslocadas e respectivas comunidades de acolhimento”.

“A violência sexual é, igualmente, reportada em Centros de Acolhimento de Deslocados Internos, uma vez que as áreas extensas destes centros carecem em geral de mecanismos básicos de segurança e acesso a serviços de protecção, incluindo polícia e assistência médica. Mulheres e raparigas estão frequentemente expostas a abuso sexual, seja a caminho dos terrenos agrícolas/hortas, quando saem para recolher lenha ou água, ou mesmo dentro das suas próprias casas. A violência sexual pode ser cometida por familiares, homens das comunidades deslocadas ou de acolhimento, e membros de GANEs”, concluiu o estudo.

“A crise em Cabo Delgado enfrenta uma grande lacuna de apoio humanitário, um crescente número de deslocados, escassez de financiamento, e um número limitado de agências humanitárias e estruturas de apoio a comunidades de acolhimento frequentemente sobrecarregadas. É necessário ter um apoio robusto para os programas de 2022 para que os deslocados e respectivas comunidades de acolhimento não enfrentem lacunas semelhantes em actividades vitais”, acrescentou Samuel Chakwera, Representante do ACNUR, citado num comunicado distribuído pela secção de imprensa da organização.

Os investigadores do ACNUR e da LSHTM recolheram depoimentos de membros das comunidades de deslocados e de acolhimento, incluindo de “activistas comunitários” (voluntários), e provedores de serviços de VBG (saúde, gestão de casos, apoio psicossocial e jurídico) através de discussões presenciais em grupo, e entrevistas individuais.

Na mesma nota, esta agência da ONU, esclarece que “o ACNUR trabalha em colaboração com o governo de Moçambique e parceiros para prevenir e responder à VBG no norte de Moçambique, o que inclui o estabelecimento de serviços de apoio a sobreviventes de VBG ao alcance de 43.000 pessoas; campanhas de prevenção e consciencialização sobre a VBG, abrangendo mais de 21.000 pessoas; formação de mais de 500 funcionários do governo e de organizações humanitárias e 300 voluntários/activistas comunitários para a prevenção e resposta à VBG; e o estabelecimento de seis equipas móveis que fornecem serviços integrados de VBG, Saúde Mental e Apoio Psicossocial (MHPSS) e seis canais de reencaminhamento de casos, conectando os sobreviventes aos serviços relevantes”.

O estudo, também, menciona o facto de muitos deslocados não possuírem documentos de identificação civil, o que os expõe à violência física e sexual de agentes armados, limita a sua liberdade de movimento, e impede o acesso a serviços básicos de saúde e educação. Para ajudar a solucionar este problema, o ACNUR e a Universidade Católica de Moçambique (UCM) prestaram aconselhamento jurídico a mais de 15.000 pessoas, incluindo o fornecimento de documentos de identificação para mais de 7.500.

O ACNUR financiou o estudo com o apoio dos Estados Unidos da América, e agradece o apoio de todos os seus doadores, em particular à Dinamarca, França, Fundo Central das Nações Unidas de Apoio a Emergências (UNCERF), Japão, Suécia, e União Europeia (ECHO). (Redação)

Má travessia de peões concorre para a ocorrência de acidentes de viação na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – A má travessia de peões tem sido apontada como uma das causas dos acidentes de viação em Moçambique, e na cidade de Nampula, maior centro urbano do norte do país, a situação é notória em vários pontos.

No conhecido mercado da Memória, atravessado pela estrada nacional número um (EN1) e recorrentemente frequentado por moradores de Namicopo e Namutequeliua, a má travessia de peões tem resultado em acidentes de viação, em alguns casos fatais.

Os próprios prevaricadores [peões] mostram-se preocupados com a situação, e apontam o dedo aos automobilistas que, alegadamente, não dão espaço para a travessia destes.

Nossas fontes entrevistadas a propósito, apontam que, pelo menos, dois acidentes são registados naquele ponto por mês.

Para Saíde Alfredo, utente deste local, a falta de sinalização no local, também, contribui para a ocorrência de acidentes de viação, tanto quanto “a falta de colaboração dos condutores e os peões nesta estrada, torna-se cada vez mais preocupante sem contar com as consequências que podem trazer como ferimentos graves e mortes”.

Por outro lado, este nosso interlocutor justifica que, devido a carestia da vida, muitas famílias conseguem dinheiro tardiamente para adquirir alimentos, o que contribui para que haja uma movimentação desusada de peões que a todo o custo querem atravessar a estrada sem observância das regras de trânsito.

O senhor Romão Francisco diz que ser recorrente escapar atropelamentos, sobretudo que “quando estou carregado com sacos dos produtos que vendo ali no mercado”.

Francisco diz que “nós estamos cansados de ver as pessoas com ferimentos”, por isso “pedimos as autoridades para a colocação de sinais”.

Por exemplo, do lado de Namicopo, na referida zona não existe uma escola do ensino primário, o que faz com que alunos recorram a Escola Primária e Completa de Mutomote, a mais populosa do país, e nessa circunstância crianças correm o risco de vida, porque nem elas são respeitadas pelos condutores. (Nelsa Momade)