Enquanto governador “força” FIPAG a solucionar: Moradores de Mutauanha não tem água para consumir

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Nampula (IKWELI) – A crise de água que assola, de forma cíclica, a cidade de Nampula, com pico na época quente, continua a ser drástica para os moradores locais, e a preocupação, também, é do primeiro governador eleito do maior círculo eleitoral do país, Manuel Rodrigues.

Apercebendo-se da situação, desde que dirige a província, Manuel Rodrigues tem estado a exigir que o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), instituição pública que vive dos impostos do cidadão, encontre soluções para colmatar o problema.

Na manha da última terça-feira (14), o governador visitou as principais fontes de captação exploradas pelo FIPAG para colocar água na urbe, nomeadamente a barragem de Nampula e os 10 furos de Namiteca, mas não gostou o que viu, por isso exigiu que acções enérgicas sejam levadas a cabo para, até o próximo sábado, encontrar-se solução.

Enquanto isso, o Ikweli visitou alguns bairros da cidade de Nampula, e a situação da falta de água para o consumo humano é gritante.

Residentes dos quarteirões 11 e 12 na zona residencial de Ntotha, no bairro de Mutauanha, enfrentam problemas de falta de água, estando a serem obrigados a percorrer durante as primeiras horas do dia, pelo menos, 5 quilómetros ou mais para obter o precioso líquido. Alguns são obrigados a se dirigirem a zona da Texmoque em Carrupeia, no meio de tanto perigo de serem atropelados por viaturas e motorizadas, para obterem água para o consumo.

Naquele bairro, a água da rede pública, fornecida pelo FIPAG, não jorra nas torneiras há meses.

Aida Estevão Mpita, 21 anos e mãe de 1 filha, residente no quarteirão 12, disse ao Ikweli que nos últimos três meses, a sua vida não tem disso fácil, porque deve acordar de madrugada para seguir a caravana de outras mulheres na busca de água em Carrupeia. “A situação agravou-se quando há dois meses cortaram água aqui em casa, pior não temos tanque, somos obrigados a deixar crianças de madrugada com perigo de bandidos e ser atropelado até lá na Texmoque para tirar água”, contou, para depois acusar o FIPAG que “traz facturas mesmo sem sair água dois a três meses e por cima corta, por alegada falta de pagamento das dividas”.

Salomão Francisco Penieque, do quarteirão 11, contou que a problemática de água já tem consequências negativas para esposas e filhas. “As nossas esposas, irmãs e filhas, acordam as três horas de madrugada, algumas até com crianças ao colo, para ir atrás de água. Na semana passada ocorreu um acidente do tipo atropelamento, uma miúda foi atropelada quando voltava em busca desse precioso, e fracturou a perna e, também, deparam-se com os malfeitores, por isso pedimos socorro”.

De 52 anos de idade, a dona Elisa Amade, mãe de 4 filhos e residente no quarteirão 11, acusa o FIPAG que no lugar de fornecer água que há três meses não sai, estar a efectuar cortes sem pré-aviso. “Não temos nenhuma divida, mas eles nos cortaram a água”.

Igualmente, as nossas fontes falam do aumento injustificado do preço de aquisição de água. Por exemplo, cada litro chega a custar 1,00Mt (um metical), ou seja, um recipiente de 20 litros custa 20,00Mt (vinte meticais), contra os 5,00Mt (cinco meticais) anteriormente praticados. (Leonel Peie e Redação)

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