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SUSTENTA vai injectar mais de 62 mil milhões de meticais na economia agrária até a campanha 2025/26

Maputo (IKWELI) – O SUSTENTA, Programa Nacional de Integração da Agricultura Familiar em Cadeias de Valor Produtivas, cujo objectivo é o aumento da receita agrícola familiar para o mínimo necessário parasuperar a linha de pobreza alimentar, vai injectar na economia agrária moçambicana, até 2026, mais de 62 milmilhões de meticais.

Este dado foi revelado nesta quinta-feira (2), durante o I Simpósio de Investigação Agrária, que termina ainda hoje em Maputo.

O orçamento apresentado foi elaborado com base nas lições apreendidas ao longo dos dois primeiros anosde implementação do programa, que prevê contratar mais 1 183 extensionistas, para início de funções na Campanha 2023/2024, alargando a rede pública de extensão para 5 000 extensionistas, e aumento da cobertura para 20%.

No que tange a insumos, onde o SUSTENTA privilegia o fomento de pacotes tecnológicos adaptados às especificidades agroecológicas de cada região, o programa prevê, até 2026, garantir a disponibilização de 1183 334 pacotes, com custo estimado de 37 866696 000 Mt, para o benefício de 1000 000 de famílias depequenos produtores.

Por sua vez, o orçamento para a promoção da mecanização é de 15 199 878 Mt, que contempla máquinas para actividades de campo e para actividades de pós-colheita, como as debulhadoras e pequenas unidadesde processamento. Deste valor, 14 milhões de meticais vão ser gastos na aquisição de tratores. O programa prevê, também, orçamento para adequação dos solos para o cultivo de arroz de cerca de 249 570 000 Mt.

O SUSTENTA preconiza o financiamento integral de toda a cadeia de valor, com linhas de financiamento específicas para cada actor ao longo das cadeias de valor. O orçamento de financiamento até à Campanha Agrária 2025/2026 é de cerca de 55 946 574 809 Mt, distribuídos por diferentes actores. O SUSTENTA tem como objectivo principal garantir a superação da Pobreza Alimentar de 1.000.000 de agregados familiares (5milhões de moçambicanos), através do aumento da receita agrícola familiar. (Redação)

Nelson Santos está de volta e já treina os seus “meninos”

Nampula (IKWELI) – O técnico português ao serviço do Clube Ferroviário de Nampula, Nelson Santos, já voltou a orientar os treinos da equipa principal em futebol, depois de ter abandonado o país por algumas semanas, por alegadamente encontrar-se a trabalhar em Moçambique sem o visto laboral.

Nelson Santos chegou na noite desta quarta-feira (31 de Agosto) ao aeroporto internacional de Nampula. Entretanto, o Ikweli tentou colher a informação junto da direcção do Clube Ferroviário de Nampula, sobre a regularização ou não da situação que o levou a abandonar o país, mas esta pautou por não se pronunciar em torno do caso garantindo emitir, nos próximos dias, um comunicado de imprensa a volta do caso. “O mister chegou e se as pessoas forem ao estádio sem dúvidas que irão encontrar a orientar. Agora sobre a sua ilegalidade ou não, tal como no início não podemos avançar nada neste momento, mas oportunamente vamos emitir um comunicado sobre isso”, referiu Sérgio Buduia, Presidente do Clube Ferroviário de Nampula.

Igualmente, o Ikweli contactou Sheila Capela, porta-voz da Direcção Provincial da Migração de Nampula, figura oficializou a ilegalidade laboral do técnico, tendo se mostrado surpresa quando lhe anunciamos o regresso do mister Nelson Santos em solo pátrio. “A quem ouviram que ele chegou? Deixa-me me informar sobre isso depois retornarei a ligação”, disse Capela na primeira chamada. Horas depois voltamos a ligá-la e desta vez disse que “em relação a esse primeiro ponto, ele não estava ilegalmente aqui no país, agora essa outra parte, se tem visto laboral ou não, volto a ligar-te brevemente”, disse, uma promessa que não cumpriu até ao fecho desta matéria.

Mas o que tudo indica, é que mesmo o mister Nelson Santos desta vez exerce seus trabalhos dentro das leis aplicáveis aos cidadãos estrangeiros que trabalham em Moçambique. Aliás, prova disso, é o facto de nesta quinta-feira (1 de Setembro) o técnico ter orientado a sessão de treinos da equipa principal, no Estádio 25 de Junho na cidade de Nampula, tendo em vista as próximas jornadas do Moçambola.

Em termos das consequências directas com a saída provisória do treinador nos axinenes de Nampula, é que a equipa perdeu os três jogos que disputou na sua ausência, destacadamente (Ferroviário de Lichinga 1-0 Ferroviário de Nampula, a contar para as eliminatórias da taça de Moçambique), Ferroviário de Maputo 1-0 Ferroviário de Nampula, para a 8ª jornada do Moçambola, e Ferroviário de Nampula 0-2 Associação Black Bulls, inserido na 9ª jornada do Moçambola. (Constantino Henriques)

Elementos da Força Local atiram contra uma mulher no distrito de Nangade

Nangade (IKWELI) – Um grupo da Força Local, que no último sábado (27 de Agosto) foi destacado para a zona de Miungu, nas proximidades da lagoa de Nangade, onde várias famílias estão fixadas praticando actividades agrícolas e pesqueiras, balearam em uma das pernas de uma mulher que se encontrava a fazer colheita na sua machamba.

O grupo da Força Local regressava de uma missão de perseguição dos terroristas, que na noite de sexta-feira (26 de Agosto) atacaram em acampamentos de pescadores e agricultores na zona de Ntamba lagoa.

Segundo contou um antigo combatente, em Nangade-sede, não se sabe se ao balearem a senhora, que depois foi socorrida por outras pessoas para o centro de saúde, o grupo de milícias locais confundiu-a com terroristas ou não, mas o facto é que a abandonaram.

Ataques persitestem no sul de Cabo Delgado

Há ainda persistência de ataques no sul de Cabo Delgado, e Ancuabe tem sido o epicentro nos últimos dias. Na segunda e terça-feira, dois ataques foram reportados nas aldeias Nacuale e Mbonge no distrito de Ancuabe.

Com um cenário de total abandono, na segunda-feira, homens armados, incendiaram cerca de 75 palhotas da população deixando sem abrigo diversas famílias.

Houve, igualmente, relatos de uma incursão nas proximidades da aldeia Mbonge, mas o nosso jornal não tem detalhes, mas saber que a população, também abandonou as suas casas par a sede do distrito de Ancuabe. (Redacção)

Docente da UniLúrio premiado em Túnis

Nampula (IKWELI) – O docente da Faculdade de Engenharia da Universidade Lúrio (UniLúrio), Luís Pina, foi premiado em Túnis, Tunísia, na categoria de Inovação e seu Impacto na Pesquisa em África, no âmbito do Encontro Anual da Comunidade Africana da Inteligência Artificial.

Organizado pela Deep Learning Idaba (DLI), organização que tem como missão fortalecer o uso da Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning (ML) em África, o evento decorreu entre os dias 21 e 26 de Agosto, findo, ocasião em que Pina apresentou o seu projecto intitulado “A computer vision non-intrusive mechanism to collect images and give real-time insights about animals behaviour on coral reefs in Mozambican waters”.

“O objectivo do projecto é desenvolver um mecanismo de Deep Learning não intrusivo para colecionar imagens e fornecer informações sobre os recifes de coral na praia de Fernão Veloso em Nacala Porto, o que permitirá que os biólogos analisem dados em tempo real e deduzam a história de vida, comportamento, população e sobrevivência dos animais em águas moçambicanas. Na fase inicial, o recife de coral estará localizado a 10-15 metros de profundidade e a 200 metros do local de fornecimento de energia central no Kwalala Lodge. O projecto permitirá implantar, em particular, um recife artificial para estudar o desenvolvimento de uma comunidade de peixes em torno de uma estrutura recém-introduzida para obter uma visão sobre o potencial de melhoria do ecossistema no contexto da restauração de recifes de coral”, escreve a UniLúrio, no seu sítio de internet.

Importa salientar que a conferência organizada pela DLI é um encontro anual da comunidade africana de IA. O evento consiste numa semana de ensino (com sessões práticas) e debate sobre os princípios e a prática da Inteligência Artificial no contexto africano. Os participantes são seleccionados com prioridade ao continente africano e outros convidados provenientes de outros continentes. Os pesquisadores africanos interagem com os líderes mundiais na área de IA, podem apresentar os seus próprios projectos de pesquisa e criar as suas redes de contacto. Os participantes são de todos os níveis, desde estudantes, professores, profissionais na indústria, startups e desenvolvedores de políticas de uso de IA. (Redação)

Moçambique já tem tecnologia para produção comercial de trigo

Maputo (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, garantiu nesta quarta-feira (31 de Agosto), a margem da abertura do I Simpósio de Investigação Agrária, que o país já dispõe de tecnologia para a produção comercial do trigo.

Com efeito, o Governo vai investir, nos próximos dois anos e meio, 3 biliões de meticais na Investigação agraria.

“A Investigação Agrária representa um instrumento determinante no crescimento e desenvolvimento económico do país, desenvolvendo soluções tecnológicas para combate a fome e insegurança alimentar que ainda aflige cerca de 30% da população moçambicana”, disse o PR, prosseguindo que “o conjunto dos participantes do I Simpósio de Investigação agraria, constituem uma amostra representativa da massa critica relevante e autorizada para os propósitos da agenda do I Simpósio, a crítica construtiva do sector da agricultura”, por isso, “este conhecimento deve ser a principal fonte de transformação tecnológica da agricultura e mudança da condição de vida das famílias moçambicanas”.

Segundo Filipe Nyusi, “ao longo das últimas décadas, a Investigação Agrária em Moçambique tem enfrentado grandes desafios, com destaque para: (i) exiguidade de recursos financeiros e inconsistência na alocação dos mesmos; (ii) fraca participação do sector privado; a melhoraria das condições de trabalho dos investigadores para que se sintam motivados de levar a cabo suas atividades”.

Não obstante estas adversidades, prossegue o PR, os investigadores têm sido capazes de alcançar avanços significativos no domínio da investigação, que hoje representam um dos maiores activos do sector agropecuário em forma de “estudos de solos, clima, zoneamentos agrários; Conhecimento de doenças epragas; Produção de vacinas (que nos últimos dois anos teve um aumento de 22,7 milhões de doses anual de vacinas para 46,6 milhões de doses anual de vacinas), permitindo que mais de 80% do efectivo animal fosse vacinado contra as principais doenças); Melhoria genética na agricultura e na pecuária; Estudossocioeconómicos”.

Nestes desafios, o destaque vai ainda para a libertação de variedades de sementes melhoradas e adaptadas às condições do país.

“A equipa de investigadores do trigo, concluiu o seu programa de investigação e já temos variedades de alto potencial produtivo e adaptadas a as condições do nosso país”, disse Nyusi, assegurando que “os resultados da pesquisa no trigo, indicam o potencial de produtividade de 7t/ha no Niassa e de 4t/ha para outras regiões”.

Com isso, é a exigência do PR que “os próximos passos são a libertação da variedade e a disseminação desta tecnologia, que passará pela multiplicação massiva de sementes e treinamento dos nossosextensionistas e dos nossos produtores”, reconhecendo que “um dos principais problemas que torna Moçambique como um dos países com mais baixo índice de tecnologia, tem sido a transferência e massificação do uso das mesmas pelo tecido produtivo nacional”.

Mesmo diante deste desafio, Moçambique tem exemplos a seguirem seguidos, e de acordo com o PR “os Pacotes Tecnológicos disseminados pelo SUSTENTA, foram definidos com base no conhecimento desenvolvido pelos nossos investigadores aqui presentes e representados, e foram alocados mediante amatriz de produção nacional, potencial de geração de renda, fornecimento de matéria-prima a indústria local e procura do mercado global”, tanto que “a associação do pacote tecnológico (semente, fertilizante e agroquímicos) à assistência  técnica  de  extensão  rural  tem resultado num aumento de produtividade e produção e da receita agrícola familiar, o que se tem refletido no crescimento económico do país”.

É desejo do estadista que questões “como desenvolver de forma sustentável tecnologias que respondam aos desafios nacionais? Como fazer chegar as tecnologias aqui apresentadas aos nossos produtores? Como garantir a adopção destas tecnologias por parte do tecido produtivo”, sejam, alargadamente, discutidos no evento de dois dias.

Em 2020, dentro da constatação, com base em evidências de que a fraca modernização das técnicas epráticas agrícolas, o insuficiente desenvolvimento do capital humano e a insuficiente organização e coordenação de cadeias de valor se afiguram como as principais causas da baixa competitividade da agricultura em Moçambique, foi lançado o Programa de Integração da Agricultura Familiar em Cadeias de Valor, o SUSTENTA.

Durante o I Simpósio de Investigação agraria, vai ser feita a avaliação do SUSTENTA e o impacto que o mesmo está a ter na transferência de tecnologia para o tecido produtivo nacional.

Um dos principais desafios tem sido a alocação de recursos para este sector, escolhemos este fórum para anunciar que nos próximos dois anos e meio iremos alocar 3 biliões de meticais, orientados pararequalificação dos laboratórios de investigação e de produção de vacinas, e de campos de multiplicação de sementes pré-básica e básica (sementes do melhorador).

Depois da extensão, a grande prioridade do sector da agricultura será a investigação e a produção de sementes, uma vez que a transformação deste sector começa com a ligação da investigação a produção por meio dos extensionistas.

O Governo de Moçambique, tem como uma das principais tarefas assegurar uma boa base de investigação e transferência de tecnologias aos nossos produtores, daí a essência do SUSTENTA. (Redação)

Mães superam desnutrição em crianças no distrito de Rapale

Nampula (IKWELI) – Pelo menos 45% de crianças da província de Nampula sofrem de desnutrição, segundo indicam dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), e as mulheres mães do distrito de Rapale, que dista a cerca de 15 quilómetros da cidade capital provincial de Nampula, estão a envidar esforços para mitigar o problema.

Baseadas no bairro dos Combatentes, no distrito de Rapale, mães que antes os seus filhos eram diagnosticados com desnutrição aguda e não só, contam histórias de melhoria a partir de adesão aos programas e/ou terapias de reabilitação por meio de papas e outras técnicas de processamento.

De acordo com estas mães, a carência de produtos alimentares e não domínio de preparação está por detrás da desnutrição em crianças em todas as formas.

No distrito de Rapale, uma região com potencialidades no sector da agropecuária, horticultura e criação de gado, o Ikweli conversou com algumas mães, das quais algumas, praticamente, perderam os seus filhos por falta de hábitos alimentares saudáveis, outros recorreram aos médicos tradicionais para resolver os seus problemas de saúde.

Exemplo disso, é a cidadã Luísa Nttotta, mãe de seis filhos, que perante a desnutrição procurou médicos tradicionais, mas em nada estava a resultar. “Um dia decidi ir ao hospital e lá fui perguntada se sabia preparar papa de farinha de milho e amendoim. Depois disso, receitaram-me multivitaminas e complexo B, isto para tratar a saúde do meu filho”, contou Luísa.

Outra técnica que a nossa interlocutora disse ter aprendido, por meio dos activistas destacados para àquela região, e que mudou a saúde do seu filho, é a preparação de amendoim pilado com folhas de batata-doce, um pouco de açúcar e sal, que sempre fez para dar a criança nas manhãs, ao meio-dia e nas noites durante dois meses.

“Recordo-me que quando os activistas vieram-me visitar, encontraram a criança bem gorda. Antigamente, a criança pesava 5 quilogramas, mas depois de adoptar a nova técnica de alimentação passou a crescer com saúde”, referiu Luísa Nttotta que disse ter, actualmente, o seu filho saudável.

Rosa Martins é outra mãe, de dois filhos, que testemunha a melhoria dos seus petizes, tudo por conta da adopção de novas técnicas de alimentação. De acordo com as suas palavras, “os meus filhos melhoraram muito, desde que tivemos uma palestra há meses. Sempre cozinho matapa de couve, folhas de batata-doce ou moringa, adicionando amendoim, com chima de farinha de milho. Antes, os meus filhos perdiam apetite, estavam muito fracos com sinais de malnutrição, mas agora brincam e mostram sinais de vida saudável”.

No combate e prevenção a desnutrição no distrito de Rapale, um dos activistas que assiste as famílias é Rafico Alberto, no âmbito de programas ligadas a área de saúde em crianças, filiado na Associação para Mudança e Desenvolvimento Comunitário (A.M.D.C).

“O nosso trabalho é ensinar e sensibilizar as comunidades sobre mudança de comportamento. Fazemos palestras em torno dos objectivos da saúde materna infantil, com vista a redução da taxa de mortalidade infantil no nosso distrito”, disse a fonte, explicando que “focamos, primeiro, nos cuidados durante a gravidez, sobre o que deve comer, alimentos com nutrientes para o bem-estar da própria criança, e ensinamos as mães a ir às consultas pré-natais. Após o nascimento da criança, orientamos as mães para dar o leite materno até os 6 meses, bem como o enriquecimento de papas”.

O papel dos técnicos nutricionistas

Do sector da saúde, entrevistamos a técnica nutricionista afecta ao Centro de Saúde de Rapale, Estamila Bernardo, que destaca a redução de casos de desnutrição em crianças no distrito de Rapale, em média mensal de 10% para 6% de casos.

“Antigamente, a comunidade não estava sensibilizada sobre os hábitos alimentares, por isso havia registo de muitos casos”, referiu a técnica, ao que “agora temos um projeto que nos apoia na área de nutrição que é Transform Nutrition. A partir deste projecto, as famílias sabem fazer o cruzamento de alimentos, através de excedentes produzidos localmente, com isso tem-nos ajudado muito por que tem reduzido os casos”.

Igualmente, “se a mãe tem a farinha de milho pode juntar, fazer caril de ovo, pois tem as proteínas. Na farinha de milho tem hidrocarbonetos que dão energias, e tem os vegetais, as folhas de couve, folhas de batata-doce, abóbora e a moringa. E além de palestras, fizemos demostrações culinárias pedindo as mães para que cada uma traga aquilo que tem”, explicou a nutricionista Estamila Bernardo.

Finalmente, a técnica disse à nossa equipa de reportagem que quando a criança é diagnosticada com desnutrição, o agente que dá seguimento encaminha a criança no programa de reabilitação nutricional, para além da educação alimentar e reforçar as dietas. Ela [a mãe da criança] faz o seguimento no nosso programa e vai recebendo os suplementos até a data de alta”. (Texto: Atija Chá *Foto ilustrativa da autoria da ADPP Moçambique)

Fome precipita pedido de regresso de deslocados em Nacala

Nacala (IKWELI) – Os deslocados acolhidos no distrito de Nacala, província de Nampula, queixam-se de estarem a passar maus momentos, devido a fome, agravada pela suposta falta de apoio alimentar e de terras para a prática da agricultura familiar, por isso pedem devolução às suas terras de origem.

Na semana passada (quarta-feira), chefes de famílias deslocadas naquele distrito, aglomeraram-se no local onde habitualmente recebem donativos, para pedir o governo, a criar condições para a sua devolução às suas regiões de origem, mas infelizmente nenhuma autoridade estava presente.

Foi através dos órgãos de informação locais e redes sociais, que as famílias deslocadas recorreram, não apenas, para pedir ajuda do governo para regresso e apoio alimentar, como também para denunciar suposta cobrança ilícita para as lideranças dos bairros passar-lhes uma credencial, para efeitos de benefício da comida.

No seu desabafo, os deslocados em Nacala, alegaram terem sido “profundamente esquecidos”, quando noutros locais (como Corrane, no distrito de Meconta) ouvem que famílias, como elas, beneficiam de insumos agrícolas e outros apoios.

“Estou aqui em Nacala desde 2020 devido a guerra, mas aqui estamos a sofrer demais, os nossos companheiros deslocados recebem bens, mas nós não e até estão reassentados, todos pedidos às autoridades, eles só dizem que reclamamos, mas nós não quisemos vir aqui, que o governo saiba que estamos com fome, nós dormimos no chão, mesmo acesso de água, temos de comprar e a terra em si temos de comprar, pior ainda uma declaração temos de pagar 500 meticais e como não temos, perdemos”, disse Paulina Vicente, falando em sua língua Shimakonde.

Paulina acrescentou que “eu vivo graças a um dos meus filhos, ele só consegue mandioca seca, na nossa casa estamos a viver 19 pessoas, temos de sacrificar água, comida e como vamos viver? É por isso que estamos a chorar, não sabemos a origem dessa guerra, por isso estamos de joelhos na administradora”.

Niane Abibo, foi a outra interveniente, também falou do sofrimento que passa. “Estou há três anos, aqui em Nacala, estou a sofrer, desde que estou aqui não tenho alegria, mas quando vamos chorar no governo, somos expulsos como gatos, e até dizem que não somos nós que os trouxemos, e das vezes que distribuem comida, chamam poucas pessoas deslocadas e outros são locais e a declaração não vale, estamos desesperados, pedimos ajuda, embora não chega, por favor governo, estamos de joelho”.

Partilhando como vive, Niane contou que “estamos a alugar sim, mas sempre somos expulsos, agora que falo estou com filho doente, dor nas costelas, por causa de dormir no chão, é por isso que estou a pedir ajuda, pelo menos, para chegar em Pemba, ou outro lugar lá em Cabo Delgado, já não interessa se morremos”.

Outra chefe de uma família deslocada, também, na mesma situação é Awa Mandrasse, ela exteriouziou o seu sentimento afrimando que “estou desde 2020, apenas recebi apoio alimentar duas vezes. Quando recebi sempre veio o chefe e tirei um balde de dez quilos para ele, estou aqui com sete filhos, e estou divorciada, vivo numa casa arrendada, mas sempre saio de casa, eu consigo pagar 300,00Mt (trezentos meticais), mas muitos casos cobram 500,00Mt (quinhentos meticais) mensal. O esquema de declaração é vendido pelo secretário do bairro”.

Awa acrescentou que “as vezes sou obrigada a roubar nas machambas de donos, já fui batida e escorraçada por isso, até dita, essa makonde que vá a casa dela, este tem sido o que passo nos últimos dias”.

Embora a nossa redacção, tem indicação de que em alguns pontos da província de Nampula, as famílias deslocadas já estão a beneficiar alimentos, o contexto actual de assistência por parte das organizações humanitárias é de queixa em termos de financiamento, estando elas a angariar recursos.

Recentemente, o Conselho Provincial de Nampula, em parceria com a FAO, iniciaram a alocar insumos agrícolas à famílias deslocadas, mas segundo soube o Ikweli, o programa ainda não abrangeu às famílias deslocadas em Nacala. (Redacção)

Renamo diz que a UNITA e seu candidato ganharam as eleições, mas Nyusi felicita MPLA e seu candidato

Nampula (IKWELI) – O partido Renamo, a segunda maior força política em Moçambique, considera que a UNITA é justa vencedora das quintas eleições gerais que tiveram lugar em Angola no último dia 24 de Agosto do ano em curso.

Os últimos dados provisórios divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) angolana dão vantagem ao MPLA, partido no poder, com 51,07% dos votos, passando a contar com 124 deputados da Assembleia da República. A UNITA, por sua vez, obteve 44,05% dos votos, equivalendo a 90 deputados na próxima legislatura.

Entretanto, os resultados tornados públicos no último dia 25 de Agosto do ano em curso pela CNE angolana estão a dividir opiniões, tanto em Angola, assim como para o resto do mundo. Para alguns, o MPLA venceu a eleição de maneira justa, e para os outros a UNITA foi grande vencedora do escrutínio.

Por exemplo, em Moçambique, o partido RENAMO, defende que a UNITA venceu as eleições e que os resultados da CNE daquele país irmão não espelham aquilo que foi a vontade expressa pelo povo nas urnas.

Para Maria Regina Faustino, presidente da mesa da Assembleia da Liga Nacional da Juventude da Renamo, é necessário que o MPLA aceite a derrota e que a CNE angolana divulgue os justos resultados para que aquele país viva uma verdadeira democracia multipartidária.

“Estamos a dar muita força ao presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior e nós esperamos que a situação política em Angola possa ser reposta e o MPLA possa dar poder ao verdadeiro vencedor que é a UNITA e o presidente Adalberto”, começou por dizer Maria Faustino.

“Esperamos que a União Europeia e todos os observadores internacionais que estão lá possam fazer o seu trabalho devidamente e possam mostrar que o devido vencedor das eleições, por aquilo que estamos a ver, é a UNITA e o seu presidente. Esperamos que os partidos do centro-direita ao nível da África e todo mundo possam dar o apoio necessário ao presidente da UNITA para que ele possa, de facto, levar a vitória que é dele, porque o MPLA possa se sentir de que já perdeu, o MPLA não venceu as eleições em Angola e o povo angolano está do lado da UNITA”, prosseguiu a fonte.

Aliás realçou que “nós esperamos que a CNE angolana não venha fazer o mesmo que a CNE moçambicana faz, que é dar a vitória a um errado candidato”.

Entretanto, o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, considera que as eleições em Angola decorreram num ambiente ordeiro e que os resultados eleitorais espelham o empenho de cada agremiação política. Nessa ordem de pensamento, o estadista moçambicano felicita ao MPLA e seu candidato, João Lourenço, pelo feito conseguido.

“Todos os moçambicanos, todo mundo acompanhou como o processo foi a partir da altura das candidaturas, da campanha eleitoral e agora. Eu, se calhar, devia me guiar por uma explicação científica para não falar só por falar”, refere Nyusi, prosseguindo que “foram estabelecidas as regras do jogo, o regulamento do jogo foi feito, tiveram a CNE, nesse caso angolana e não moçambicana, que é o árbitro do jogo, teve fiscais que são observadores de todo mundo, também tiveram adeptos, cada clube tinha os seus adeptos, MPLA, UNITA e tantos outros tiveram seus adeptos e o jogo terminou e o árbitro apitou e ficou claro que o MPLA teve sucesso, mas o maior vencedor de tudo isso é o povo angolano”, disse o chefe do Estado moçambicano.

Para Filipe Nyusi, “não houve turbulências daquilo que toda gente está habituada a ouvir tumultos. Então, não resta mais nada do que dedicar este espaço para felicitar ao povo angolano pela forma exemplar, para a região também, como dirigiram esse processo e, naturalmente, se num jogo há um vencedor e nesse caso se chama MPLA, se chama o presidente Lourenço, e Moçambique felicita a ele e estamos prontos para continuarmos na nossa relação de cooperação, nesse caso até no desenvolvimento dos dois países”, disse.

Filipe Nyusi teceu essas considerações no último sábado (27) no aeroporto internacional de Nampula, antes da sua viagem a Angola, onde no domingo (28) participou no velório do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, falecido a 8 de Agosto corrente, por motivo de doença. (Constantino Henriques)

Nampula: Nyusi inaugura fábrica com capacidade de processar mais de 26 mil toneladas de milho por ano

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou no fim da tarde desta quinta-feira (25), nos arredores da cidade de Nampula, uma unidade fabril com a capacidade de processar 26.400 toneladas de milho por ano.

Segundo o PR, aquela unidade insere-se nos esforços que tem vindo a ser levados a cabo pelo ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, no âmbito do programa SUSTENTA, para o “fortalecimento do agronegócio em Moçambique”, no sentido de “maximizar e viabilizar a cadeia de valor do milho desta região do país”, bem como “materializar o que torna a agricultura uma base de desenvolvimento e a indústria um factor”.

“O empreendimento representa um investimento de cerca de 128 milhões de meticais”, disse Filipe Nyusi, explicando que “a fábrica tem a capacidade para absorver o excedente da produção de cerca de 60 000pequenos produtores dos distritos de Rapale, Mecubúri, Murrupula, Meconta, Muecate, Nacarôa, Mogovolas, distritos vizinhos aqui da Cidade de Nampula”.

A referida fábrica tem a capacidade para armazenar 7.500 toneladas de milho, dispõe de 3 armazéns querespondem as necessidades das linhas de produção de 100 toneladas/dia.

“É dentro desta perspectiva que a empresa Produtos Alimentares do Norte integra 8 mil produtores por intermédio de 100 PACE no âmbito do programa SUSTENTA”, anunciou o PR, referindo que “a aderência aoprograma de fomento irá permitir maior controle do preço da matéria-prima e redução do custo de produção eque esse benefício possa ser transferido para o consumidor na compra a preços mais competitivos”.

Por outro lado, Filipe Nyusi recordou que “esta fábrica é a segunda que abre na província de Nampula num espaço de dois anos, depois de ter aberto a fábrica de processamento de farinha de milho em Malema, em 2021, com financiamento pelo SUSTENTA tanto para tecnologia como para fomento”.

“Para além das indústrias de processamento de farinha aqui na província de Nampula, de processamento de carne na província de Tete, de refinação de óleo na província de Niassa, estão também em curso a construçãode outras indústrias de processamento de feijões, arroz e óleos, a entrar em funcionamento ainda este ano”, concluiu o Presidente da República. (Aunício da Silva)

Moçambique: Cultura do milho cresceu em 30% na campanha agrária 2021/2022

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou na cidade de Nampula que a cultura do milho cresceu em 30% na campanha agrária 2021/2022.

“Moçambique regista, na Campanha Agraria 21-22, um dos maiores crescimentos na produção da cultura de milho nos últimos anos”, disse o PR, explicando que tal representa “uma produção de cerca de 2,4 milhões de tonelada, contra 1,8 milhões de toneladas do ano passado”.

Em resultado disso, segundo Nyusi, “assistimos a uma queda dos preços desta cultura na porta damachamba, que se mantem, nesta altura do ano, abaixo dos 11,5 meticais a nível nacional, e tem sido um dos principais factores do estímulo ao investimento no agro-processamento do milho em Moçambique”. (Aunício da Silva)