Renamo diz que a UNITA e seu candidato ganharam as eleições, mas Nyusi felicita MPLA e seu candidato

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Nampula (IKWELI) – O partido Renamo, a segunda maior força política em Moçambique, considera que a UNITA é justa vencedora das quintas eleições gerais que tiveram lugar em Angola no último dia 24 de Agosto do ano em curso.

Os últimos dados provisórios divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) angolana dão vantagem ao MPLA, partido no poder, com 51,07% dos votos, passando a contar com 124 deputados da Assembleia da República. A UNITA, por sua vez, obteve 44,05% dos votos, equivalendo a 90 deputados na próxima legislatura.

Entretanto, os resultados tornados públicos no último dia 25 de Agosto do ano em curso pela CNE angolana estão a dividir opiniões, tanto em Angola, assim como para o resto do mundo. Para alguns, o MPLA venceu a eleição de maneira justa, e para os outros a UNITA foi grande vencedora do escrutínio.

Por exemplo, em Moçambique, o partido RENAMO, defende que a UNITA venceu as eleições e que os resultados da CNE daquele país irmão não espelham aquilo que foi a vontade expressa pelo povo nas urnas.

Para Maria Regina Faustino, presidente da mesa da Assembleia da Liga Nacional da Juventude da Renamo, é necessário que o MPLA aceite a derrota e que a CNE angolana divulgue os justos resultados para que aquele país viva uma verdadeira democracia multipartidária.

“Estamos a dar muita força ao presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior e nós esperamos que a situação política em Angola possa ser reposta e o MPLA possa dar poder ao verdadeiro vencedor que é a UNITA e o presidente Adalberto”, começou por dizer Maria Faustino.

“Esperamos que a União Europeia e todos os observadores internacionais que estão lá possam fazer o seu trabalho devidamente e possam mostrar que o devido vencedor das eleições, por aquilo que estamos a ver, é a UNITA e o seu presidente. Esperamos que os partidos do centro-direita ao nível da África e todo mundo possam dar o apoio necessário ao presidente da UNITA para que ele possa, de facto, levar a vitória que é dele, porque o MPLA possa se sentir de que já perdeu, o MPLA não venceu as eleições em Angola e o povo angolano está do lado da UNITA”, prosseguiu a fonte.

Aliás realçou que “nós esperamos que a CNE angolana não venha fazer o mesmo que a CNE moçambicana faz, que é dar a vitória a um errado candidato”.

Entretanto, o Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, considera que as eleições em Angola decorreram num ambiente ordeiro e que os resultados eleitorais espelham o empenho de cada agremiação política. Nessa ordem de pensamento, o estadista moçambicano felicita ao MPLA e seu candidato, João Lourenço, pelo feito conseguido.

“Todos os moçambicanos, todo mundo acompanhou como o processo foi a partir da altura das candidaturas, da campanha eleitoral e agora. Eu, se calhar, devia me guiar por uma explicação científica para não falar só por falar”, refere Nyusi, prosseguindo que “foram estabelecidas as regras do jogo, o regulamento do jogo foi feito, tiveram a CNE, nesse caso angolana e não moçambicana, que é o árbitro do jogo, teve fiscais que são observadores de todo mundo, também tiveram adeptos, cada clube tinha os seus adeptos, MPLA, UNITA e tantos outros tiveram seus adeptos e o jogo terminou e o árbitro apitou e ficou claro que o MPLA teve sucesso, mas o maior vencedor de tudo isso é o povo angolano”, disse o chefe do Estado moçambicano.

Para Filipe Nyusi, “não houve turbulências daquilo que toda gente está habituada a ouvir tumultos. Então, não resta mais nada do que dedicar este espaço para felicitar ao povo angolano pela forma exemplar, para a região também, como dirigiram esse processo e, naturalmente, se num jogo há um vencedor e nesse caso se chama MPLA, se chama o presidente Lourenço, e Moçambique felicita a ele e estamos prontos para continuarmos na nossa relação de cooperação, nesse caso até no desenvolvimento dos dois países”, disse.

Filipe Nyusi teceu essas considerações no último sábado (27) no aeroporto internacional de Nampula, antes da sua viagem a Angola, onde no domingo (28) participou no velório do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, falecido a 8 de Agosto corrente, por motivo de doença. (Constantino Henriques)

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