Início Site Página 480

“Bombeiro foi destruído para o bem da Frelimo”

  • Afirma o secretário da OJM em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Secretariado do Conselho Provincial da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), em Nampula, chamou a imprensa nesta segunda-feira (8) para comunicar que o espaço onde funcionava o famoso mercado dos bombeiros, destruído no passado dia 28 de Abril findo, já está sob seu total controlo.

Em conformidade com Esmaiel Eugénio, secretário provincial da Organização da Juventude Moçambicana, o mesmo espaço será usado para a implementação dos projectos daquela agremiação, com destaque para lojas, cujos rendimentos irão beneficiar à organização e o partido Frelimo, patrono da OJM.

“Aquele espaço da feira desde foi da OJM. O espaço da feira ficou muito tempo a ser explorado pelos comerciantes dali e a OJM, naquela altura, não teve projecto para tal.  A OJM sentou e desenhou o projecto, entrou em contacto com os comerciantes em 2019 e os comerciantes não quiseram ceder naquele momento, mas a OJM como queria recuperar seu espaço foi mais vezes atrás dos comerciantes e foram os próprios comerciantes que entraram no tribunal. Iniciaram no Tribunal Administrativo e o tribunal disse que o espaço pertence a OJM, recorreram ao Tribunal de Recurso e o tribunal de recursos disse que o espaço pertence a OJM”, começou por dizer Esmaiel Eugénio.

“Neste momento, como já tivemos informação do Tribunal de Recurso a devolver espaço à OJM, cabe a OJM fazer seus projectos naquele espaço. Por isso mesmo, o espaço já voltou para a nossa OJM, e nós como secretariado do Conselho provincial vamos fazer os devidos efeitos, vamos usar o nosso espaço para o bem da nossa organização, para o bem do nosso partido, basicamente”, sublinhou o número um da OJM em Nampula.

Na praça, há rumores de que a OJM foi coagida por um reconhecido agente económico de nacionalidade estrangeira para expulsar os outros de modo que o espaço passasse a estar sob seu domínio. Chamado a comentar a volta desse aspecto, Esmaiel Eugénio versou que “o que nós queremos deixar aqui é que o espaço é da OJM, cabe a OJM decidir como vai usar o espaço. Ninguém vem coagir a OJM. A OJM é uma organização com estatutos próprios, que goza de privilégios próprios, que tem direito a ter seu património como OJM. Então, neste momento é a OJM que vai decidir quem poderá explorar o espaço”.

Quando questionado se está ciente dos danos que criou aos comerciantes cuja expulsão foi de maneira compulsiva, assim como aos cidadãos que viam o mercado dos bombeiros como seu ponto de sobrevivência, Esmaiel Eugénio preferiu manter-se no absoluto silêncio, mas a uma outra pergunta ironizou que “o projecto que nós queremos implementar naquela feira é para o benefício do próprio comerciante. Hoje os comerciantes estavam numas bancas, mas a OJM está a trazer um projecto de requalificação, que é para os comerciantes entrarem nas lojas.  Na primeira fase que nós fomos conversar com os comerciantes explicamos que vocês serão prioritários quando o projecto terminar. O assunto de DUAT não cabe a OJM porque o tribunal já decidiu que o espaço é da OJM”. (Constantino Henriques)

 

Rapale: Rapazes e Raparigas participam em debates sobre a desconstrução de normas sociais negativas

Nampula (IKWELI) – No âmbito do projecto Adolescentes e Jovens contra a Violência Sexual Baseada no Género e Uniões Prematuras, rapazes e raparigas dos 10 aos 14 anos de idade, residentes no distrito de Rapale, na província de Nampula, têm participado em rodas de debates sobre normas negativas que prejudicam e colocam em causa o desenvolvimento de uma sociedade.

De forma directa, serão beneficiados 9500 alunos, sendo 5700 raparigas e 3800 rapazes de 10 a 14 anos de idade.

Trata-se de um projecto que está a ser implementado pela Associação Sócio cultural Horizonte Azul (ASCHA), em quatro distritos de Nampula, nomeadamente, Rapale, Monapo, Nacala-à-Velha e Angoche, e é financiado pelo UNICEF, Spanish Natcom, Child Marriage e GLOBAL PROGRAMME.

Os espaços de debate para os rapazes são designados por “Espaço da Malta”, enquanto que para as raparigas designa-se por “Fala minha Irmã”, e visa engajar civicamente adolescentes e jovens com base na abordagem transformativa de género, feminismo comunitário e activismo para educar, formar, comunicar no combate a todas as formas de discriminação, opressão e violência praticada contra estes grupos.

Desde crianças, rapazes e raparigas são ensinados a entender que nem tudo é para todos e, que homens e mulheres possuem papéis diferentes na sociedade.

Zarita Aristides tem 14 anos de idade e encontrasse a frequentar a 9ª classe na Escola Secundária de Rapale.  A mesma partilhou que, em sua casa, os seus pais a proibiam de subir as árvores e que devia aprender a sentar como mulher. Na altura, a menina limitava-se a ficar triste. “Meus pais diziam que eu não podia subir na árvore porque sou mulher eu não entendia os motivos, visto que, meu irmão podia”, contou.

Hoje, com as conversas que tem tido com as mentoras da ASCHA em volta de outras raparigas, Zarita percebe que na verdade são normas e papéis que a sociedade atribui. “Aqui nós aprendemos que, tanto homem, como a mulher, podemos exercer as mesmas actividades e isso não vai fazer de nós superiores que os outros”, explicou.
Jamusse Abílio, de 17 anos, está a frequentar a 7ª na Escola Primária Completa de Ehilene, explicou que quando começou a participar dos encontros trazia certos ensinamentos de casa de que o homem não pode fazer os trabalhos domésticos, muito menos chorar.

Abílio considera que debates do género irão ajudar a moldar certos ensinamentos que lhes é passado. “Agora sei que eu posso chorar quando sinto alguma coisa e que também posso ajudar a minha mãe e irmã com os trabalhos de casa. Outras pessoas dizem que quando homem chora é matreco.  Agora sei que não é verdade. Também aprendemos que não podemos bater na mulher para mostrar que somos mais homens, porque quando agimos assim ela não vai aprender pelo contrário, voltará a fazer, o que devemos fazer e sentar com ela e conversar”, explicou.

Amina Martinho é mentora da ASCHA e tem reunido com às raparigas uma vez por semana, no espaço “Fala minha Irma” explicou ao Ikweli que em todas as sessões são apresentados temas que girão em torno do meio em que elas vivem.

“A metodologia é mesmo ficar em roda, expor o tema e, deixar com que a rapariga se expresse. Porque é nas sessões que nós acabamos tendo muitos casos, por exemplo com esse tema que hoje apresentamos ‘Seja Mulher, Seja Homem’ acabamos tendo raparigas que partilham suas experiências”, disse.

Cosme Felizardo é igualmente mentor da ASCHA e trabalha com rapazes no “Espaço da Malta”, e disse que a actividade poderá trazer um impacto positivo para os rapazes, pois trata-se de um aprendizado para a vida. “Pretendemos que haja mudança de comportamento dos mentis e não só, pretendemos também acabar com essa ideia de que o homem deve bater na mulher para mostrar a sua masculinidade. Estou a trabalhar com os rapazes de Rapale há dois meses e já consigo observar mudanças”.

Cosme explicou que no início das sessões era difícil conversar com os rapazes, pois estes traziam ensinamentos e hábitos passados pela comunidade, como o facto de não poder fazer os trabalhos domésticos, ser forte e apresentar-se de forma violenta para ser respeitado. “Nas nossas sessões tem uma fase em que eles têm oportunidade de falar e, já conseguem dizer que antes de participar das reuniões eram muito violentos e não respeitavam os direitos das mulheres, em casa alguns deles não lavavam pratos e pensavam que o ser homem é relaxar e que a mulher deve-se fazer tudo, mas agora alguns já apresentam alguma mudança, já falam diferente, porque nós colmatamos esses ensinamentos que vem da comunidade que na verdade poderão prejudicar os metins e também as mulheres as pessoas que vivem ao redor dos homens, uma vez que são ensinados a ser fortes e que o homem não chora, eles tinham esse comportamento violento, mas agora não, já temos rapazes que sabem que a mulher também tem os mesmos direitos e que deve haver respeito”, afirmou.

A coordenadora da ASCHA na província de Nampula, Emília Maninguete, explicou que o foco dos encontros tem em vista incutir nas crianças, jovens, adolescentes e adultos informações sobre alguns hábitos comportamentais que advém de certos ensinamentos que poderão prejudica-los futuramente.

“As sessões de mentoria fala minha irmã que é o espaço seguro das raparigas e os espaços da malta que é para os rapazes debatem sobre temas de reflexão, para que, de forma conjunta, não como se fosse professor aluno, mas sim, um espaço de partilha de vivências próprias e da comunidade para reflectir sobre o impacto de certas normas sociais no dia-a-dia com enfoque na menina, muito mais no que tange as uniões prematuras. Ou seja, a nossa metodologia tem em vista desmistificar muitas normas sociais, normas culturais, práticas que fazem com que a rapariga fique oprimida e retida daquilo que são os seus direitos”.

Maninguete explicou que a escolha da faixa etária dos 10 a 14 anos tem como foco desconstruir certas normas sociais ainda em tenra idade. “Nós conversamos com eles e elas sobre os impactos que o que foram ensinados vão reflectir sobre o seu futuro e o dos seus filhos”.

Entretanto, Maninguete disse que os pais e encarregados de educação têm dificultado a participação dos adolescentes, principalmente das raparigas, justificando que é uma perda de tempo participar de sessões que não lhes traz benéfico algum, como um bem material.

“As nossas sessões têm tido duração de duas a uma hora e meia e os pais e apoiantes ou mães têm essa prorrogativa de limitar a participação, principalmente das raparigas, porque em algum momento pensavam que fossem ter algo em troca para as crianças seja em lanche ou em material de higiene e não é isso que acontece”, lamentou. Por isso, a fonte explicou que estão a implementar actividades que envolvem os pais e encarregados de educação, bem como os líderes comunitários por forma a disseminarem informações sobre o que é feito nos encontros com os rapazes e raparigas.

“Não podemos sensibilizar só o nosso público alvo, mas também o nosso público indireto, que são os pais, os líderes comunitários para que deixem a rapariga participar dos encontros, porque temos as normas sociais que dizem que elas pertencem ao espaço privado e o rapaz ao público então fazemos levantamento das raparigas que são impedidas de participar e conversamos com os pais na tentativa de sensibilizar eles a importância de elas fazerem parte desses encontros”, acrescentou.

No âmbito do processo de monitoria as actividades levadas a cabo pela ASCHA em Rapale, Ruben Cossa, Oficial de Programas da UNICEF, disse ter ficado impressionado com o nível de participação dos adolescentes nos espaços criados.

Cossa revelou que é um programa que irá se estender até 2024, para fazer com que as mensagens transmitidas alcancem todos os adolescentes e façam perceber que o lugar deles é na escola, pois poderá ajuda-los a ter um futuro melhor.

“Porque isso é que vai ajudar a mudar a maneira de ser e de estar dessas crianças e para que tenham uma visão diferente sobre os ensinamentos ou normas nocivas ao género”, explicou. (Ângela da Fonseca)

Ribáuè: Frelimo vai levar a barra da justiça indivíduos que o associam ao cometimento de ilícitos eleitorais

Ribáuè (IKWELI) – O partido Frelimo, ao nível do distrito municipal de Ribáuè, diz-se agastado com as atribuições a se imputadas em relação a prováveis ilícitos eleitorais que se observam no recenseamento eleitoral em curso.

O caso mais recente deu-se no posto administrativo de Iapala, em Ribáuè, e um vídeo posto a circular nas redes sociais mostra um suposto supervisor do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) da vila municipal de Ribáuè a comandar um provável recenseamento nocturno naquele ponto do maior círculo eleitoral do país.

“Estas acusações já não nos agradam, temos que agir para que amanha não nos acusem de fraude eleitoral”, disse uma fonte bem posicionada na Frelimo em Ribáuè, cuja posição foi consubstanciada por um técnico do STAE naquele ponto, o qual afirma que “sabemos que depois daquele vídeo posto a circular, onde alegam que o director distrital do STAE comandava o recenseamento, a Frelimo aqui em Ribáuè está em démarches para levar a barra do Tribunal as pessoas que o associam a estes actos”.

Dados apurados pelo Ikweli, em Iapala, dois mobiles que estavam a ser usados para o recenseamento eleitoral nocturno foram confiscados por vogais do partido Renamo e encaminhados as autoridades policiais.

No entender da Frelimo, segundo nossa fonte em Ribáuè, isto demostra uma tentativa de fraude eleitoral, por isso vai, também, “remeter queixa aos órgãos eleitorais, por alegada fraude no recenseamento eleitoral em Ribaué, alegadamente por terem sido encontradas duas máquinas fora do recinto de recenseamento”.

Segundo apurado pelo Ikweli, estas máquinas foram encontradas na posse de elementos ligados à RENAMO,

Por seu turno, a REMANO está a imputar irregularidades no processo de recenseamento eleitoral, acusando o órgão eleitoral de estar a fazer recenseamento fora de horas, no horário nocturno, tendo divulgado um vídeo a relatar o mesmo.

“As pessoas estavam nas filas a horas para recensear e não era noite completa, mas por volta das 17:30h”, disse a nossa fonte no STAE de Ribáuè. (Redação)

Ressuscitada a luta pela posse do mercado dos bombeiros: Estrangeiros queixam-se de perseguição pelo governo

Nampula (IKWELI) – A primeira Secção do Tribunal Judicial Provincial de Nampula emitiu um aviso, nesta terça-feira (25), aos comerciantes do famoso mercado dos bombeiros, localizado na zona dos Poetas, na cidade de Nampula, para removerem as barracas e consequente abandono da prática comercial no local, num período de 48 horas.

Em causa está o facto de o local, oficialmente conhecido como Mercado ou Feira da OJM (Organização da Juventude Moçambicana), encontrar-se em litígio. Na sua maioria o mercado em alusão é explorado por cidadãos de nacionalidade estrangeira, provenientes sobretudo dos países da região dos Grandes Lagos, com destaque para Somália, República Democrática do Congo, para além de Guiné.

Segundo apurou o Ikweli, o espaço onde funciona o mercado dos bombeiros outrora pertenceu a OJM, mas nos últimos 30 anos passou para as mãos dos agentes económicos de nacionalidade estrangeira e, inclusive, trataram de adquirir o Direito de Uso e Aproveitamento de Terras (DUATs).

Volvido esse período, a OJM quer de volta o seu espaço. Em face disso, o caso teve um processo – crime a correr na Procuradoria da República da Cidade de Nampula, onde uma vasta lista de comerciantes, grosso número dos quais cidadãos estrangeiros, foi constituída arguida, indiciada de falsificação e uso de documento falso (DUAT falso). A referida queixa-crime intentada pela OJM, o Ministério Público absteve-se de acusar os comerciantes em causa por não ficarem provadas as alegações daquela agremiação juvenil, segundo a cópia do despacho de Arquivamento, extraído nos autos de instrução preparatória no70/03/P/2021, datado de 10 de Fevereiro de 2023, na posse do Ikweli.

Face a isso, os cidadãos estrangeiros que exercem suas actividades comerciais no Mercado dos Bombeiros entendem que a decisão do Tribunal de ordenar remover as barracas em 48 horas (do dia 25 a 27 de Abril), é sinónimo de que o Governo moçambicano não quer ver os cidadãos estrangeiros a exercerem suas actividades comerciais no país, em particular na cidade de Nampula, pelo que planejou em expulsá-los de Moçambique com a miséria.

“Deviam falar por bem de que estrangeiros, por favor saiam do nosso país, é que é mais fácil, que é para nós nos organizarmos e sairmos”, começou por se posicionar Sara Ali, uma comerciante de nacionalidade somali, que se refugiou em Moçambique devido aos conflitos armados naquele país africano.

Num passado mais recente, parte do mercado dos bombeiros foi reduzido às cinzas devido a um incêndio cujas reais causas são até aqui desconhecidas. Anos depois ao incidente, o mesmo local está sendo erguido um edifício de grande envergadura. Face a isso, Sara Ali Issa suspeita que a decisão do Tribunal, seja um outro plano para satisfazer as vontades das pessoas endinheiradas. “Isso é uma forma de querer matar a população também, porque são muitos milhões de pessoas moçambicanas que dependem deste mercado. Não sabemos porque devem fazer isso, é que nós pagamos finanças, pagamos segurança social, pagamos a taxa de economia, então mesmo essas coisas que nós pagamos o governo não quer”, prosseguiu a fonte.

“Só deviam dizer irmãos têm que ir nas vossas terras, é que é mais fácil, porque quando diz dois dias, nossas lojas estão cheias, como é possível tirarmos tudo que está na loja em dois dias? Em dois dias nenhuma loja irá conseguir tirar. Ninguém vai conseguir tirar, por isso melhor é dizer vocês devem sair do país, é que é mais fácil, porque isso é matar. Antes de matar é só dizer vocês não levam nada, saírem, ou 24 quilos em 24 horas, como foi na independência”, referiu Sara Ali Issa.

Yaya Dabo, um dos responsáveis das barracas do mercado dos bombeiros e cujo nome está referenciado no Aviso do Tribunal, disse que não irá abandonar as suas barracas socorrendo-se com o facto de possuir o DUAT que lhe permite explorar o local.

“Esse lugar eu comprei em 1999. Compramos com pessoa, por isso eu nem reconheço a OJM porque não comprei com a OJM. Eu remeti o documento no Conselho Municipal e o Município nos deu o DUAT em 2003. Estou aqui desde 99, mas consegui o DUAT em 2023. O meu DUAT é mais velho que o DUAT da OJM, podem ir verificar. Este ano o Tribunal nos entregou este papel, dia 10 de Fevereiro e disse que o vosso documento é legal”, começou por contextualizar Yaya Dabo.

“Então, como é que vão trazer o papel hoje dizendo que devem sair em dois dias? Eu não vou sair daqui porque estou há mais de 20 ano e não roubei nada, minha vida de mais de 20 anos está aqui. Não podem dizer que sai daqui isso não é possível, eu nem vou sair daqui, nem vou sair daqui, se o tribunal quer fazer sentença vamos ver porque nós temos nosso documento. A República de Moçambique tem lei e esses DUATs nós não fizemos, a República de Moçambique nos entregou este DUAT”, disse Dabo.

Depois do bombeiro queimar, nós entramos aqui em 2017, mas antes de 2017 tinha outras pessoas que vendiam aqui. Nós viemos nos juntar com outras pessoas que vendiam aqui. Fomos atribuídas as barracas com a OJM, e temos contrato com a OJM. Nós pagávamos a OJM até nos deram licença para construirmos. O assunto chegou no Tribunal porque existe uma pessoa que quer levar este mercado, então não sei o que fizeram com a OJM, logo o caso foi no Tribunal”, versou Mihaque Jorge, um outro comerciante de nacionalidade congolesa.

“Esta decisão para nós é uma grande decepção, porque mesmo que seja a decisão do Tribunal dar um prazo só de dois dias, nós vamos para aonde, um mercado que tem quase 700 barracas, quase 3000 pessoas que estão a trabalhar aqui, dentro de dois dias nós vamos para aonde?”, questionou lamentando a fonte.

No mercado dos Bombeiros estão instaladas mais de 500 (quinhentas) barracas onde são vendidos na sua maioria vestuários. Alguns jovens da cidade de Nampula vêm os bombeiros como ponto para conseguir a renda familiar, por isso a notícia de remoção das barracas instalou o clima de desespero dos próprios nacionais.

“Nós ficamos preocupados porque todos nós somos povo moçambicano, fizemos trabalho para Moçambique, contribuímos nos assuntos do governo de Moçambique. Então, quando vem um papel a dizer que a partir de hoje dia 25 para 27, dois dias, isso nós ficamos interrogados para onde vamos tirar as nossas coisas”, disse Issufo, um comerciante moçambicano. (Constantino Henriques)

Mulheres de Nampula vão beneficiar de ferramentas para fazer crescer seus negócios

Nampula (IKWELI) – As mulheres da província de Nampula, no norte de Moçambique, vão beneficiar de ferramentas para fazer crescer seus negócios, através do programa denominado “Essência” com foco no empreendedorismo feminino lançado nesta terça-feira (25) e, está a ser implementado pela incubadora de negócios BNBC, uma empresa que estimula o espírito de negócio e acompanha o crescimento de pequenas empresas com o intuito de fazer sobreviver no mercado.

De acordo com a representante da incubadora BNBC, Gorete Nipuro, numa primeira fase, o programa irá igualmente dar oportunidade às mulheres do meio rural de quatro (04) distritos, nomeadamente, Ribáuè, Malema, Meconta e Mogovolas para que elas possam empreender e criar seus negócios “Numa primeira fase, por se tratar de um programa piloto, vamos trabalhar por um período de um ano que é para ver qual é que vai ser o resultado por elas alcançado”.

Nipuro disse que depois do programa abranger mulheres da província de Nampula, posteriormente BNBC vai trabalhar com as empreendedoras das províncias de Cabo Delgado e Niassa, ainda na região norte do país. “Basta ser mulher e ter iniciativa empreendedora, ter um pequeno empreendimento em qualquer área, nós iremos a procura delas que é para trazer a elas para o mercado”, explicou.

 

“Urge a necessidade de proteger os nomes das nossas marcas”

O representante do Instituto da Propriedade Industrial de Moçambique, José de Melo, explicou as mulheres empreendedoras presentes no lançamento a protegerem os nomes, logotipos e marcas das empresas que são criadas, por forma a ter visibilidade no mercado. “É importante perceber que não é só criar e colocar no mercado porque pode aparecer alguém de má-fé que ao invés de roubar o produto rouba a marca. Então se nós não protegemos essa marca, através do registo, corremos esse risco. E há muitas mulheres aqui que tem boutiques entre outros, então é preciso associar esta marca ao produto que é uma forma de valorizar este produto e dar maior visibilidade no mercado”.

De Melo avançou que para o registo da marca são necessários três mil e trinta e sete cêntimos onde por sua vez poderá garantir a protecção da marca por 10 anos “porque protegemos a nossa marca? Nós protegemos a nossa marca para que não haja uma usurpação ou uso ilícito sem autorização. Já recebemos várias denúncias sobre o uso de produtos pirateados ou contrafeitos usando uma marca que não os pertence, portanto se eu tenho um produto e não protejo o que é que vai acontecer, haverão réplicas e destas réplicas se esse indivíduo tiver conhecimento do instituto o que vai fazer é registar e o primeiro a registar acaba tendo o direito exclusivo do uso deste nome”.

A fonte revelou ao Ikweli que o Instituto já recebeu mais de seis casos de denúncia referentes a usurpação de uma marca. “Não posso aqui lançar as empresas ou as marcas, mas já recebemos muitas denúncias e demos o seguimento possível”.

Ermelinda Alves é mãe de cinco filhos e é vendedeira de rofadas e badjias há muitos anos. Ermelinda explicou que decidiu apostar no negócio para poder sustentar os seus filhos. Para ela a iniciativa da incubadora irá ajudá-la a crescer cada vez mais. Em poucas palavras aquela mãe disse que “eu sustento os meus filhos com este negócio. Mas com o apoio da incubadora vou tentar melhorar”, assegurou Ermelinda.

Por sua vez, Faida Omar, que já faz parte da incubadora há um ano, disse que vende roupa costurada por ela, há dois anos, “fazer parte da BNBC mudou muita coisa no meu negócio, pois hoje estou aqui a conhecer outras empresas e a ganhar mais parceiros e isso para mim é um sucesso. Então quero convidar a outras mulheres que estão em casa sem iniciativa se aproximar para que possam ter uma renda de sustento”.

Fátima Jorge é proprietária de uma microcrédito em Nampula e ajuda outras mulheres a ter dinheiro para abrir um negócio. “Fico feliz em fazer esse trabalho, principalmente para ajudar as mulheres que já sairão desse medo de contrair dívidas para abrir um negócio”, disse. (Ângela da Fonseca)

Fuga de paternidade: um fenómeno que contribui para a degradação das famílias e marginalização das crianças em Nampula

Nampula (IKWELI) – A fuga de paternidade em Nampula, no norte de Moçambique, é vista pelo sociólogo e activista social Faquir Fernandes, como um problema que concorre para a violação dos direitos da criança tais como a educação, atenção nos cuidados de saúde e alimentação.

Em Nampula, são frequentes os casos em que alguns homens abandonam as mulheres após engravidar, uns sob a justificação de que não são os pais enquanto outros sem qualquer explicação, fazendo com que as mulheres, na sua maioria desempregadas, criem as crianças em meio as várias dificuldades, facto que para Faquir Fernandes tem implicações sócio económicas e afecta directamente o desenvolvimento das crianças.

Para Faquir, existem pais que fogem a paternidade supostamente por falta de condições económicas e sociais e outros que possuem todos tipos de condições privilegiadas, mas por estes terem vínculos conjugais negam qualquer relação com os filhos.

Ele refere que a fuga de paternidade é um problema social que de certa forma tem degradado as famílias nas sociedades modernas, por conta das dinâmicas dos processos. “Não só é vista do ponto de vista sociológico, a abstenção de um pai assumir a sua responsabilidade paternal, alimentar, vestir, educar e de mais responsabilidade tem grande impacto na vida da criança. Desde a primeira sociedade até aos dias de hoje, a função de paternidade esteve vinculado ao sustento e de autoridade e sempre transmitiu a sensação de segurança aos filhos, carinho, respeito, e ausência deste elemento pode causar na criança desvio de conduta, e começar a criar sentimentos de rejeição por todos que a rodeiam e reduzindo desta forma o autoestima e autoexclusão social”, explicou a fonte.

A equipa do Ikweli, entrevistou na cidade de Nampula algumas mulheres que foram abandonadas pelos seus parceiros e deixadas com filhos para cuidar sem qualquer apoio que que lhes garante manter a educação, alimentação adequada e cuidados necessários dos filhos.

A título de exemplo é Olívia Ernesto, de 33 anos de idade, moradora do bairro de Murrapaniua no posto administrativo de Natikiri, nos arredores da cidade de Nampula, mãe de seis filhos, todos menores de idade, resultado de três casamentos que culminaram com abandono.

Olívia Ernesto disse ao Ikweli que já foi casada por três vezes para realizar o sonho de formar uma família que, infelizmente, não foi possível facto que acabou por abandono dos seus seis filhos que vivem sem nenhum apoio dos pais. Além disso, neste momento está grávida de um homem que por sinal reside no mesmo bairro, mas que está a recusar prestar cuidados e assumir a gravidez. “Vivo com os meus 6 filhos, de entre eles três estudam e outros não há condições, também todos eles são ainda crianças que não conseguem fazer nada para a sua vida, quando amanhece sempre procuro alguma coisa para alimentá-los e as vezes comemos uma refeição por cada dia”, disse.

A nossa interlocutora, acrescentou que “duas meninas e um rapaz são do mesmo pai e outras duas meninas e um rapaz são de outro pai. Agora a criança que estou a espera o pai é outro que me abanou neste estado de gravidez e casou com outra mulher”.

Como forma de conseguir alimentação e garantir a sobrevivência da família, a fonte tem vindo a exercer desde o ano passado até então no recinto do seu quintal a venda de bebida alcoólica de fabrico caseiro que vende 10,00Mt (dez meticais) o litro. “Passo dificuldades para levar a escola as crianças, comprar a roupa e para não ficar sem comer nada o dia inteiro, costumo revender vinho macua e quando aparece cliente para comprar ganho por dia 40 0u 50 meticais, o que ajuda muito para comprar farinha celeste e o caril procuramos folhas de mandioca, porque tenho machamba onde aproveito variar o caril como folhas de batata-doce e nicussi (peixe pequeno) para comer com chima ou caracata”, contou.

Quem, também, partilhou as dificuldades enfrentadas para sustentar crianças abandonadas pelo pai é Muajira Baptista, residente no bairro de Namutequeliua no posto administrativo de Muhala, que disse ser complicado para sustentar os seus oito (8) netos cuja mãe tem deficiência de fala e auditiva.

“Estou a viver com a minha filha e ela tem problemas, não consegue falar correctamente e ouvir, não é casada e tem oito (8) filhos, quatro (4) são resultantes de gémeos, e infelizmente todas as crianças não são ajudadas pelos seus pais”, disse, acrescentando que “quando a minha filha estava grávida, os homens cuidaram dela até nascer as crianças e depois abandonaram os seus filhos, quando estavam na fase de começar a gatinhar, isso com poucos meses, alegando que não tem trabalho para sustentar as crianças, as minhas outras filhas que conseguiram casar as vezes têm nos ajudado, incluindo os vizinhos, com um pouco de farinha celeste ou dinheiro”.

De acordo com Américo Sardinha, responsável do Programa de Registo de Nascimento denominado Bravo na organização religiosa Sanʼt Egídio, que visa registar todas as crianças órfãs e vulneráveis em parceria com o Serviço de Registo Civil e Notariados em Nampula, os distritos de Nampula e Mecubúri são os que mais mulheres registam crianças sem a presença dos pais e isso resulta da fuga de paternidade.

“Há muitas mães que, infelizmente, são abandonadas, algumas grávidas o que faz com que haja ainda crianças não registadas. Sabemos que uma criança não registada para o Estado não existe, mas infelizmente as mães são aquelas que tem consciência em primeiro lugar deste valor do registo em relação aos pais, é um problema muito real e várias pessoas que aparecem para registar as suas crianças são as mães”, concluiu Sardinha. (Nelsa Momade)

Moçambique chega a 2° maior produtor de carne de frango da SADC

Maputo (IKWELI) – Moçambique ocupa a posição de segundo maior produtor da carne de frango na região Austral da África.

Esta informação foi tornada pública pelo ministro moçambicano da Agricultura, durante a abertura do II Fórum Nacional de Pecuária, ocasião que serviu para Celso Correia efectuar o lançamento do Programa de Melhoria Genética Bovina que vai beneficiar 2000 pequenos criadores com touros de raça melhorada (Brahman e Bonsmara).

“Ainda neste Fórum, lançamos a Campanha Nacional de Vacinação Animal 2023 e anunciamos os resultados da Campanha de Produção Pecuária 2022 com destaque para crescimento de 9% do sector e para a confirmação da posição de Moçambique como o 2°maior produtor de carne de frango da SADC, depois da África do Sul”, disse Correia, prosseguindo que “na avicultura, a produção anual de carne de frango é de 2.594.735 toneladas, sendo a África do Sul a maior produtora com 1.915.000 toneladas e Moçambique, em segundo lugar com 146.684 toneladas”.

A região da SADC tem um efectivo de gado bovino de cerca de 76.987.014 cabeças. A Tanzânia lidera com 30.716.518 cabeças e Moçambique ocupa a 8ª posição com 2.320.248 cabeças em termos de efectivos de gado bovino. (Redação)

Maputo: Quadrilha que inclui agentes da PRM neutralizada por roubo de viaturas

Maputo (IKWELI) – Quatro (4) indivíduos, todos do sexo masculino, com idades compreendidas entre 24 e 42 anos, estão detidos na Direcção do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Matola, na província de Maputo, acusados da prática crime de roubo agravado de viaturas no bairro Muhalaze a 21 de abril. Destes, dois são membros da Polícia da República de Moçambique.

Segundo contou o porta-voz do SERNIC na Cidade de Maputo, Henriques Mendes, os quatro Indivíduos, em causa, assaltaram um cidadão algures no bairro de Muhalaze na Cidade da Matola com recurso a uma arma de fogo, que foi facultada por um dos integrantes do grupo que é membro da PRM afecto a Unidade de Intervenção Rápida (UIR).

“Assaltaram um cidadão, apoderaram-se de uma viatura de Marca Toyota IST, também apoderaram-se dos seus pertences como valores monetários, cartões de debito e exigiram que ele disponibiliza-se os códigos”, explicou Henriques Mendes, acrescentando  que “depois disso, deslocaram-se à ATM, onde retiram todo o valor nas contas da vítima, e a posterior colocaram-se em fuga, e o SERNIC tendo o conhecimento dessa ocorrência começou com o trabalho de inteligência com o intuito de desmantelar a quadrilha que vem se dedicando a roubo de viaturas a nível da cidade de Maputo”.

Henriques Mendes disse que os Individuous foram deditos na da Matola Gare, quando pretendiam vender a viatura no valor de 90 mil meticais. “Tomamos conhecimento de uma viatura num parque algures da Matola Gare, onde alguns agentes foram lá para apreender a viatura e de seguida um dos integrantes da quadrilha apareceu com a intenção de levar a viatura para um outro ponto, pois estes já tinham um cliente que pretendia pagar 90mil meticais, dai que foi detido o primeiro indiciado e por via dele foi fácil achar os outros integrantes”. (Antónia Mazive)

Casos de cólera tendem a reduzir em Nacala

–Mas a desinformação mantém

Nacala (IKWELI) – O distrito de Nacala, o primeiro a registar casos de cólera na província de Nampula, começa a reduzir o número de casos registados diariamente, e as entradas no Centro de Tratamento da doença estão mais relaxadas.

Anteriormente, tal como informou Julião Paulino, médico-chefe do Serviço Distrital da Saúde, Mulher e Acção Social de Nacala (SDSMAS), o Centro de Tratamento da Cólera recebia uma média diária de mais de 40 pacientes dos bairros daquele distrito municipalizado.

Contudo, a média reduziu para, pelo menos, 15 casos, resultado do envolvimento de diversos actores da sociedade no tratamento desta doença.

“Achamos que estamos num bom caminho, pois estamos a reduzir as entradas diárias. Houve um tempo que tínhamos acima de 40 casos em 24horas, e de ontem para hoje [segunda-feira para terça-feira] tivemos 17 casos entrados no nosso isolamento, e ficamos com 26 internados nesta altura”, disse Julião Paulino, para quem desde a oficialização da eclosão de cólera no distrito de Nacala até esta terça-feira (25) os números indicam dois óbitos por esta doença, sendo uma criança que foi levada ao hospital em estado grave.

O médico-chefe do SDSMAS de Nacala adiantou que até ao momento, o sector da saúde registou 501 casos cumulativos. E para que haja redução de casos e/ou eliminação da doença, o sector está em constante colaboração com os líderes comunitários, parceiros de cooperação, o governo municipal e o do distrito, sobretudo na disseminação de mensagens de prevenção da doença.

 

Desinformação mantém-se noutros cantos

Enquanto isso, o Secretário do Estado na província de Nampula, Jaime Neto, mostrou-se preocupado pelo facto de existirem casos de desinformação em alguns distritos da província, onde ocorrem com tendência de aumentar os casos de diarreia, a destacar o distrito de Memba.

Neto que esteve de visita ao distrito de Nacala para dentre vários assuntos inteirar-se da situação de cólera, disse ser urgente o trabalho da Polícia da República de Moçambique (P.R.M) a fim de encontrar os que propalam informações de que a cólera é causada pelas lideranças comunitárias entre outras entidades, em prejuízo da população.

“No distrito de Memba continuam situações de desinformação. São pessoas de má-fé e que nós achamos que devem ser responsabilizadas pelos problemas que estão a causar. É importante que todos sejam consciencializados que a cólera não tem culpado, é uma doença que provém principalmente das medidas de higiene quando não são perfeitas”, advertiu Jaime Neto.

Em entrevista à jornalistas, depois de visitar o Centro de Tratamento da Cólera em Nacala, o Secretário do Estado na província de Nampula apontou que o problema de saneamento, principalmente nos mercados, constitui factor que propicia a propagação da doença. “Então, o trabalho que a saúde está a fazer é controlar esses ambientes, estancar a cólera para evitar que possa alastrar-se para outros distritos. Felizmente temos esses três distritos, Nampula, Nacala e Memba, sendo que em Nampula temos casos ambulatórios, não temos ninguém internado”, acrescentou. (Esmeraldo Boquisse)

 

Vovó Agira procura por vias dignas para sustentar a família

Nampula (IKWEL) – Agira Jamal, moradora na zona residencial de Muhala-Belenenses, na cidade de Nampula, norte de Moçambique, é uma idosa que a cada dia procura, por vias dignas, conseguir o sustento para ela e o resto da sua família no famoso mercado de peixe.

Natural no distrito de Mogincual, Agira Jamal que aparenta ter mais de 60 anos de idade é residente na cidade de Nampula desde a sua juventude, na companhia de seu esposo. Ela disse ser mãe de seis filhos, alguns deles crescidos e a cuidar dos seus lares.

O seu marido está com uma idade avançada e com o estado de saúde debilitado, e é ela quem garante a alimentação no lar, para além de fazer assistência dos seus dois filhos que estão a fazer o ensino secundário. Nesta época do ano, ela dedica-se a venda de produtos de origem agrícola, com destaque para feijão, abóbora, quiabo, entre outros.

Em conversa exclusiva ao Ikweli, ela transpareceu as dificuldades que tem enfrentado no dia-a-dia, uma vez que o tipo de negócio que pratica não possui uma margem de rendimento que possa suportar as necessidades básicas da casa, aliado com o facto de aquela actividade comercial ser ocasional.

“Este trabalho está indo ao pouco porque, graças a Deus tenho ido a Waresta, trago aqui no mercado e consigo esse pouco valor para, pelo menos, comprar sal. Estou a evitar chatear as crianças em ter que pedir o sal a todo momento, por isso que estou aqui a tentar”, disse Agira Jamal.

“Eu tenho seis filhos, alguns deles já estudaram, mas nenhum deles conseguiu emprego, porque há falta de dinheiro para conseguir esse trabalho. Agora estou a viver com dois filhos que estão a estudar na secundária, assim como o meu marido que se encontra doente, por isso que quando amanhece saio de casa a procura de onde posso conseguir alguma coisa. Se eu não sair de casa é porque nesse dia não teremos algo para comermos”, prosseguiu a vovó Agira.

“Quando alguém me dá algum valor eu prefiro ir ao Waresta comprar alguma coisa para vender. Quando trago consigo 20 meticais de lucro e o dia seguinte volto para lá, assim sucessivamente. Quando passa esta época de ano apenas agradeço e sento em casa, às vezes vou a machamba e fico lá”, referiu a nossa interlocutora.

Agira Jamal entende que ainda sonha em trabalhar, mesmo que o trabalho seja de fazer limpezas, para continuar a apoiar a sua família. “Gostaria que tivesse alguém para me apoiar, ao contrário posso fazer algum tipo de trabalho, por exemplo varrer, eu me sinto em condições, mas se as pessoas dizerem que não estou em condições de trabalhar posso ser apoiada mesmo sentado em casa”, precisou. (Constantino Henriques)