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Recenseamento eleitoral: Mais de oitocentas brigadas vão trabalhar em Nampula

Nampula (IKWELI) – O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) em Nampula, maior círculo eleitoral do país, anunciou que pelo menos 840 brigadas, dentre fixas e móveis, serão criadas no âmbito do recenseamento eleitoral que arranca a 15 de Abril corrente, com vista as eleições de 15 de Outubro do corrente ano.

Jacinto António, Chefe de Operações do STAE em Nampula, avançou, em conferência de imprensa, que 2.520 brigadistas serão envolvidos no processo de registo de eleitores em toda a província.

Segundo a fonte, a preparação do processo está numa fase bastante avançada, tendo, apenas, sofrido um adiamento em consequência do ciclone Idai que afectou as províncias do centro do país.

Jacinto disse ainda que, neste momento, decorre a contratação de empresas de transportes que terão a missão de efectuar a distribuição do material de recenseamento, bem como para suportar toda a acção de supervisão. No total, serão contratadas 235 viaturas de diferentes portes.

A fonte, cujo testemunho  temos vindo a citar, recordou, ainda em preparação do registo eleitoral, as autoridades da administração eleitoral já capacitaram técnicos para o uso dos equipamentos informáticos, com vista a evitar a interrupção do recenseamento por falta de habilidade no manuseamento dos computadores mobiles.

Jacinto disse que, olhando pelo nível de preparação, a província poderá superar as metas atribuídas ao maior círculo eleitoral de Moçambique. (Teresa Paposseco)

Músicos de Nampula solidários com vítimas do Ida

Nampula (IKWELI) – Os músicos da província de Nampula, no norte do país, organizaram no último sábado um espectáculo musical solidário para com as vítimas do ciclone Idai que abalou o centro de Moçambique.

O espectáculo musical foi produzido pelo jovem cantor Ayton Sacur, em colaboração com a delegação local da Cruz Vermelha de Moçambique (CVM), tendo contado com a actuação de nomes sonantes na arena musical nampulense.

As entradas para o evento eram gratuitos, apenas os espectadores tinham o dever de trazer consigo bens alimentares não perecíveis, vestuários e outros materiais que possam servir para doar as vítimas da depressão tropical registada no mês passado nas províncias da Zambézia, Sofala, Manica e Tete.

“Hoje é meu amigo [nesta situação calamitosa] e amanhã serei eu. Então, temos que abrir os nossos corações para ajudar quem necessita e é, exactamente, o que estamos a fazer, através deste espectáculo musical”, disse Elcidio de Oliveira, vocalista da banda Marrove, um dos grupos que abrilhantou o evento, para depois acrescentar “não podemos ver este evento como uma festa, mas de ajuda aos nossos irmãos que se encontram numa situação por causa do ciclone Idai, na cidade da Beira, província de Sofala. Então, gostaria que muitos artistas e não só pudessem organizar eventos de género, de forma a ajudar os nossos irmãos”.

Para além deste espectáculo musical realizado no último sábado, os músicos de Nampula vão alargar os seus apelos de solidariedade em outros pontos, sobretudo mercado para que mais pessoas possam juntar-se ao movimento solidário. (Sitoi Lutxeque)

Fome “ataca” funcionários do município de Angoche

Nampula (IKWELI) – Funcionários do Conselho Autárquico de Angoche, na província de Nampula, estão há mais de um trimestre que não auferem os seus ordenados pela falta de verba por parte da instituição.

Angoche é o terceiro maior centro urbano de Nampula e a sua gestão está sob alçada do partido Renamo, como resultado da vitoria obtida nas últimas eleições autárquicas realizadas no país.

A situação arrasta-se desde Dezembro último, quando Américo Adamugi [agora administrador do distrito de Monapo], eleito pela Frelimo em 2013, ainda chefiava a autarquia.

O município de Angoche conta com pouco mais de 420 trabalhadores e as dividas com os ordenados ascendem os 12 milhões de meticais, numa relação mensal de pouco mais de três milhões de meticais. Este valor é, maioritariamente, suportado pelo Fundo de Compensação Autárquica, atribuído as autarquias locais pelo governo central.

Para além dos ordenados mensais, aqueles funcionários, também, clamam pelo décimo terceiro salário referente ao ano de 2018, que habitualmente, é pago entre Dezembro e Janeiro do ano seguinte.

Esta situação embaraça a sobrevivência das famílias dos trabalhadores, incluindo dificuldades com as despesas escolar dos seus educandos.

“Até neste momento em que estamos a falar [com o nosso repórter], não há nenhuma informação de quando é que teremos salários de, pelo menos, um mês. E, também, não sabemos os motivos que nos levam a não ter salários. Cada dia que passa fico desesperado e sem saber como sobreviver. Não está fácil viver nesta situação”, disse um trabalhador da autarquia de Angoche.

Os nossos entrevistados disseram que a nível do sector das finanças da edilidade há uma aparente calmia e não vislumbra nenhum sinal positivo de uma possível “luz verde”. Outrossim, exigem melhor esclarecimento do Conselho Autárquico das prováveis causas e soluções para ultrapassar o problema.

Entretanto, alguns trabalhadores já suspeitam a falta de fundos canalizados pelo governo central como um dos principais entraves. Mesmo assim, garantem que vão continuar a trabalhar.

Município só tem dinheiro para membros da AM

Por seu turno, o presidente do Conselho Autárquico (PCA) de Angoche, Ossufo Raja, reconheceu o problema mas diz que o mesmo transitou do mandato anterior e que tudo deve-se pela falta de canalização do Fundo de Compensação Autárquica (FCA), por parte do governo central.

Por outro lado, o edil fez saber que ‘‘neste momento nós temos dinheiro, apenas, para pagar membros da Assembleia Municipal (AM), mas torna-nos muito difícil pagar somente eles e deixar de fora outros funcionários. Portanto, abordei isso ao presidente da Assembleia disse que tínhamos que esperar [outro dinheiro] para pagarmos de uma única vez a todos os funcionários”, explicou Raja.

Para ultrapassar a crise, o autarca disse que já reportou este constrangimento ao governo central, numa das reuniões com os titulares dos órgãos municipais, havida recentemente na capital do país e que foi orientado a tratar o assunto a nível da província.

“Na sexta-feira tenho uma deslocação à Nampula e vou reunir com o governador [Victor Borges] para saber da real situação. Ele deve saber o que está a acontecer, porque quando estivemos no Maputo [junto com o governador] abordamos aos colegas do Ministério da Economia e Finanças e eles disseram que a reclamação tinha de ser feita em Nampula. Já remetemos uma carta de reclamação junto as Finanças de Nampula, mas ainda não nos deram resposta, então terei de ir falar com o governador da província”, apontou.

Como tem sido quase recorrentes bloqueios e ou morosidade na alocação de fundos aos municípios, por parte do governo central, principalmente sob gestão da oposição, questionamos ao edil se estes problemas não estariam relacionados com uma suposta inviabilização da sua governação o que a fonte diz, acreditar, não se tratar disso.

“Acho que não [tem nada haver com perseguição politica], porque Malema, Ilha de Moçambique não tinham problemas [até no mês passado], também, esses municípios são dirigidos pela RENAMO”, disse aparentemente esperançoso em bons resultados brevemente.

Apesar da falta de salários, o presidente do Conselho Autárquico de Angoche assegurou que os trabalhos estão a decorrer sem nenhum sobressalto. (Sitoi Lutxeque)

Muçulmanos de Nampula doam sete milhões de meticais para as vítimas do Idai

Nampula (IKWELI) – A solidariedade entre moçambicanos está cada vez mais crescente e para minimizar a dor de perda de parentes e bens, movimentos solidários, desde públicos e privados, estão surgindo em prol das vítimas do ciclone Idai que, recentemente, assolou as províncias do centro do país.

Na manhã da última segunda-feira (01), um movimento solidário ligado a religião muçulmana procedeu a entrega de diversos produtos avaliados em sete milhões de meticais ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidade (INGC) para o apoio das vítimas da depressão tropical.

Trata-se do “Movimento Muçulmano de Nampula”, que conseguiu juntar, através dos seus membros, produtos alimentares, materiais de construção e medicamentos diversos em apoio aos milhares de moçambicanos afectados pelo ciclone.

Akil Nasser, porta-voz do referido movimento, disse na ocasião que este apoio será, maioritariamente, dirigido para as vítimas das províncias de Zambézia e Sofala, pela magnitude das destruições.

A fonte disse que este tratasse da primeira entrega e que mais trabalhos de mobilização de apoios junto dos membros estão em curso, ao que, nos próximos dias, mais bens serão canalizados ao INGC.

Victor Borges, governador da província de Nampula, foi quem recebeu o donativo, tendo, na ocasião agradecido o gesto daquele grupo de religiosos e garantido que todo apoio será canalizado às vítimas. (Celestino Manuel)

Milhões de Dólares Americanos das Nações Unidas não chegam às aldeias que lutam para sobreviver em Moçambique

Uma investigação de três anos revela como dez milhões de Dólares Americanos programados para combater a destruição ambiental colapsa em Moçambique.

 

Maputo (IKWELI) – O que era antigamente a floresta de Massaca, na Província de Manica parece-se agora com uma série interminável de campos de futebol. Ciclones estão a destruir a esperança de colheitas na Beira, Zalala e Lugela na Zambézia. Na Reserva Nacional de Marromeu búfalos, hipopótamos e macacos esfomeados e com sede vagueiam pelas vilas, alimentando-se das poucas fontes de alimento. Habitantes do distrito de Massingir, ao sul, queixam-se de que nos últimos 3 anos mais de mil bovinos sucumbiram devido à seca e calor intenso. A outrora exuberante Manica, como Massaca, é agora improdutiva – neste caso devido ao corte de madeira e à mineração negligente de ouro, com rios vermelhos por causa destas actividades. O recente ciclone que afectou a Beira destruiu o que havia sobrado de cheias anteriores, enquanto que os mosquitos transmissores de malária e a cólera proliferam nos charcos.

Com vilas e paisagens atormentadas pelas mudanças climáticas, a seca e a exploração gananciosa por parte de políticos e seus parceiros internacionais, organizações da sociedade civil tentam deter a maré. Organizações Não-Governamentais (ONG´s) e activistas, em todas as localizações acima mencionadas tentam combater a miséria que se propaga através da plantação de árvores e distribuição da biomassa para que os habitantes possam cozinhar sem ter que utilizar madeira. Protegem, também, cursos de água e estruturam organizações comunitárias para vedarem e evitarem conflitos com animais bravios. Mas as suas actividades são impedidas e em muitos casos, totalmente, interrompidas uma vez que um fundo dedicado das Nações Unidas, que alocou fundos a 45 ou 58 projectos desse tipo entre 2013 e 2015 nunca viu a transferência dos fundos realizada.

Na página web os projectos vêm ainda marcados com ‘para iniciarem em breve’

O Pequeno Programa de Fundos Ambiental (SGP) do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), equipado com milhões de Dólares Americanos, precisamente, para esse tipo de actividade, era uma referência de esperança para muitas associações comunitárias em Moçambique. A página web do SGP diz que oferece doações até 50.000 USD “directamente a comunidades locais” para projectos que “conservam e restauram o ambiente, ao mesmo tempo que melhorando as condições de vida”. Mas das 58 ONG´s que foram eleitas quando os seus projectos foram aprovados durante uma fase de candidatura em 2013, apenas 13 receberam os fundos. As restantes 45 estão marcadas na página web “Memorando de Entendimento (MoA) a ser finalizado e assinado” ou “projecto a iniciar em breve (MoA assinado)”, com o último ponto que marcaria que o pagamento foi feito em falta. Vinte e seis das organizações que foram contactadas no local, e sete que foram entrevistadas por telefone ou e-mail, confirmaram ter solicitado, repetidamente, a transferência dos fundos mas nunca receberam respostas por parte dos gestores nacionais do SGP, precisamente Paula Boene e Augusto Correia.

Os locais onde os projectos deveriam ter sido implementados têm, portanto, pouco a mostrar às boas intenções do programa. Na Província de Gaza, ao sul, onde se enxergam campos de cultivo secos a perder de vista, pelo menos dez projectos deveriam estar a plantar árvores e a iniciar machambas comunitárias.

Quando se conduz de Chimoio a Macate, passando por Massaca, onde outros projectos deveriam estar a executar actividades semelhantes, não se encontram novas árvores.

A ONG Kulima em Metuge, próximo de Pemba, no norte, tencionava lutar contra a degradação e ajudar comunidades locais a obterem melhores colheitas, com actividades adicionais em torno da divulgação e prevenção do HIV/Sida e da educação eleitoral. “Mas apesar de termos passado na fase de aprovação, nunca chegámos ao estágio ‘verde’ em que os fundos teriam sido reembolsados. Não conseguimos obter quaisquer informações. Estamos muito desapontados”, disse o Sr. Domenico Lizzi da Kulima. Segue-se um suspiro e um silêncio antes de desligar o telefone. “Já não quero falar mais sobre isto”.

Ofensivo e omisso

A história repete-se na Ponta do Ouro, a sul próximo da fronteira com a África do Sul. Tânia Pereira da ONG Centro Terra Viva (CTV) narra como o seu projecto marinho teria treinado a população em conservação ambiental e protecção de tartarugas marinhas como forma de atrair turistas. Mas, apesar do projecto ter sido aprovado em Julho de 2015, com a papelada, supostamente, a ser assinada ainda nesse mês, a CTV ainda está à espera. E embora a sua sede seja em Maputo, não muito longe dos escritórios da SGP/UNDP, Pereira, também, não conseguiu ainda obter quaisquer respostas da agência. “A única coisa que faltava era assinar o Memorando de Entendimento para que os fundos fossem desembolsados. Mas, até hoje não conseguimos que o mesmo fosse assinado e não temos quaisquer respostas do SGP às nossas comunicações”, disse ela.

Em Chimoio, as organizações ambientais Batsirai, Rio Tembwe e AMOR, que tentaram, também, durante anos comunicar com a UNDP depois de verem os seus projectos aprovados, não chegaram a lado nenhum, mesmo depois da ajuda do Director do Departamento Provincial do Ambiente, Tomás Mujui. “Como província sabemos que estes projectos foram aprovados em 2013. Deviam ter sido já financiados. Leve as minhas preocupações a Paula Boene, mas ela afirmou que devia preocupar-me com os meus assuntos e que o SGP iria agir directamente com cada organização”. No entanto, é precisamente no contacto entre o SGP e as organizações que o problema se encontra. Vários dos representantes de ONG´s entrevistados dizem que quando conseguiram falar com os escritórios do fundo, as respostas foram na maior parte das vezes “ofensivas” e “omissas”, com chamadas muitas vezes interrompidas.

Incrivelmente, a Associação para o Desenvolvimento Sustentável (ADS) no Niassa, que tencionava plantar árvores, combater queimadas e criar emprego alternativo para as comunidades locais que, neste momento, tem por actividade principal a caça de animais bravios, recebeu, recentemente, uma resposta aos seus pedidos de informação que vinham fazendo há anos depois do seus fundos aprovados nunca se materializaram. Mas a resposta não foi o que esperavam. Em vez dos 14.908 Dólares Americanos prometidos, foram informados de que o projecto estava ‘encerrado.’ “Eu estou na realidade revoltado”, disse o coordenador da ADS Sabite Salimo, acrescentando que “começo a perguntar-me se o dinheiro destinado a nós não terá sido desviado, lavado ou utilizado para outros objectivos?” Mas o facto é que na página web do SGP o projecto da ADS vem mencionado como “actualmente a ser executado”.

À espera de ser activado

De acordo com o Plano de Monitoria 2017-2018 do UNDP e SGP, fundos de 600 milhões de Dólares Americanos foram proporcionados a mais de 22.000 projectos em 125 países desde o seu lançamento em 1992. Destes 22.000 projectos, de acordo com a base de dados da SGP e confirmado pelos seus escritórios em Moçambique, o SGP providenciou fundos a 273 projectos a organizações da sociedade civil e comunitárias em Moçambique desde 2005. Afirma-se que o fundo geral alocado ao SGP em Moçambique terá atingido 5,4 milhões de Dólares Americanos com um valor adicional de 3,7 milhões co-financiados por outros parceiros, totalizando cerca de 10 milhões de dólares Americanos que deveriam ter sido despendidos em Moçambique desde 2005. Uma análise dos 273 projectos Moçambicanos listados na própria base de dados do GEF/SGP no início de 2018 mostra, no entanto, que mais de um terço dos fundos aprovados permanecem inacabados.

De acordo com o Relatório Anual de Monitorização 2017-2018 da Sede do UNDP em Moçambique, o próprio UNDP está bem ciente dos problemas com o programa SGP. “Depois de uma paragem temporária em 2011, a implementação do SGP em Moçambique fundiu: a taxa de conclusão desabou para uma mera percentagem de 13% em 2015 e permanece baixa em cerca de 40% em 2014 e 2016; 11 dos 30 projectos aprovados em 2015 permanecem no estado de “Ainda Não Activos,” diz o relatório. O departamento ambiental provincial, na pessoa do Sr. Tomás Mujui em Chimoio confirma: “a mesma coisa aconteceu na chamada de propostas em 2015: mais uma vez os projectos não receberam os seus fundos e mais uma vez os gestores recusaram-se a interagir comigo.”

Página web não totalmente actualizada

O gestor de comunicações da UNDP baseado em Maputo, Luís Zaqueu, no seu direito a resposta dos coordenadores do programa SGP, Paula Boene e Augusto Correia, informou que a página web “poderá não estar inteiramente actualizada” e que “seria necessário mais tempo para olhar para os acordos de financiamento actuais e relatórios associados por forma a determinar a situação desses projectos.” Mantém que “todos os passos dos projectos (dos projectos activos) estão completos, incluindo o pagamento de prestações dos fundos de acordo com o Memorando de Entendimento”.

Diz que o rótulo “ainda não activo significa que o projecto, embora aprovado pelo Comité Nacional Coordenador e (com) o Memorando de Entendimento preparado, os fundos estão ainda por desembolsar, pendentes, enquanto se aguarda que os procedimentos necessários sejam finalizados, incluindo a criação de uma conta bancária, registo das organizações de sociedade civil ou comunitárias como entidade legal”. Adiciona que os atrasos podem ser causados por falhas por parte das organizações recipientes, “considerando a frequente capacidade limitada das (organizações da sociedade civil) em implementar projectos e sabendo que por vezes não conseguem finalizar os projectos de acordo com o estipulado na cronologia do documento de projecto”.

Mas muito dos nossos entrevistados não aceitam tais afirmações. A sugestão de que não terão cumprido com a questão da conta bancária e dos requisitos legais é, totalmente, rejeitada por Tomás Mujui em Chimoio, que diz estar ciente de que as três organizações que cumpriram com todos os requisitos necessários. Tânia Pereira da CTV e Domenico Lizzi, também, confirmam ter preenchido todos os documentos necessários. Sabite Samilo da ADS possui ainda todos os detalhes do projecto de Niassa: “Mudanças climáticas e conservação em Niassa – Lichinga” código MOZ/SGP/OP5/Y3/S/STRART/CC/2013/45, foi aprovado para um orçamento de 14.908,91 Dólares Americanos em 2013. “Mas no dia 22 de Maio de 2017 o UNDP solicitou-nos de novo o nome da Associação, conta bancária e Código SWIFT”. Foi depois disso que receberam a chamada informando que o seu projecto estava ‘encerrado’.

“Isto é muito estranho”

 Outros representantes de organizações ambientais locais expressaram, também, a sua preocupação em relação ao sistema de administração e fundos do UNDP. A principal coordenadora do Programa Justiça Ambiental, Terra, Vida e Ecossistema disse, “é problemático ter uma organização a aguardar por fundos garantidos para depois (lhe dizerem) nada. Não entendo como é que o SGP/UNDP pode trabalhar desta forma”. A Directora da WWF Moçambique adicionada: “a página web deveria clarificar acerca dos contractos e desembolso dos fundos. Não se pode ter um e não ter o outro. Isto é muito estranho. Eu acho que isto necessita de uma explicação do UNDP”. (Estácio Valoi)

 

Este artigo é parte do projecto Money Trail, apoiado por Nationale Postcode Loterij

UNICEF e Reino Unido apoiaram na restauração do sistema de abastecimento na Beira

Maputo (IKWELI) – Já foi reposto o sistema de abastecimento de água na cidade da Beira, apenas uma semana após a passagem do ciclone Idai, que devastou a zona centro de Moçambique. Este é um factor determinante que vai certamente salvar a vida de muitas crianças e famílias, que ainda estão a tentar recuperar dos efeitos da tempestade.

“Restaurar o acesso à água potável para os 500.000 habitantes da Beira foi uma prioridade”, referiu Chris Cormency, Chefe do Programa de água, saneamento e higiene, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique. “Sem água potável, as crianças ficam particularmente vulneráveis às doenças transmitidas por esta via, tais como a diarreia, que facilmente se pode transformar numa ameaça à vida”.

A Beira ficou sem electricidade para alimentar as bombas que fornecem a água para toda a cidade. As equipas governamentais, mormente as do FIPAG (Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água), que estão no terreno, foram rápidas a identificar soluções, e com o apoio logístico, financeiro e técnico do UNICEF e do UK aid, foram capazes de restabelecer o abastecimento de água no dia 22 de Março. A água potável já está a circular em cerca de 60 por cento da rede da cidade e, até que toda a infra-estrutura esteja recuperada e operacional, o Governo tem em curso uma operação especial de transporte de água às zonas mais afectadas.

“Reconhecemos a extrema urgência desta situação e o facto de que poderíamos facilitar uma solução”, afirmou Cate Turton, Representante do Departamento para o Desenvolvimento Internacional  do Reino Unido (DFID). “Este é um grande exemplo de colaboração entre vários parceiros, em que o apoio certo foi fornecido pelo UNICEF e pelo UK aid, sob a liderança do Governo.”

Os voos de ajuda financiados pelo UK aid transportaram o material para a Beira e a UNICEF forneceu apoio técnico, combustível e produtos químicos para o tratamento da água.

O UNICEF, o UK aid e o Governo de Moçambique continuam a trabalhar em conjunto para reparar os sistemas de água noutras zonas afectadas pela tempestade. O principal desafio continua a ser o acesso às áreas inundadas. (Redacção)

“Tsunami” atinge embaixada de Moçambique em Angola

  • E a Helena caiu

Nampula (IKWELI) – O Presidente da República, Filipe Nyusi, exonerou hoje Maria Helena Taipo do cargo de embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Moçambique junto da República de Angola, posição para qual tinha sido nomeada depois de ocupar a pasta de governadora de Sofala.

Taipo é exonerada numa altura em que corre um processo na justiça moçambicana, com a acusação de ter se beneficiado ilegalmente de dinheiros do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), quando ministra do Trabalho no reinado do Presidente Armando Guebuza. Em Moçambique, Helena Taipo será julgada por práticas de actos de corrupção.

Um outro grupo de antigos colaboradores directos de Armando Guebuza, incluindo Manuel Chang (então ministro das Finanças) e o seu super assessor Renato Matusse são acusados em processo ligado as dividas ilegalmente contraídas em nome do estado moçambicano.

A então ministra tsunami, segundo reportou a imprensa moçambicana na semana passada, viu seus bens serem apreendidos por ordens da Procuradoria – Geral da República em conexão com o caso de desvio de fundos públicos.

Uma fonte da Procuradoria-Geral de Moçambique, citada pela Lusa em Outubro de 2018, apontou que “Taipo é suspeita de ter recebido subornos de 100 milhões de meticais (1,4 milhões de euros) para favorecer empresas de construção civil e do sector gráfico em contratos com a Segurança Social”.

Natural da província de Nampula, onde começou a sua carreira, Helena Taipo teria, praticamente, financiado a campanha eleitoral da Frelimo, partido de que é membro, para as eleições autárquicas de 2013 ao nível do município de Nampula, onde o malogrado Mahamudo Amurane saíra vencedor. (Redacção)

Já é oficial: Namuquita já não é primeiro secretário da Frelimo em Nampula

Nampula (IKWELI) – O partido FRELIMO, a nível do Comité Provincial de Nampula, reuniu-se, no último sábado (23), para “desmontar” quatro comités distritais incluindo o da cidade de Nampula, liderado pelo médico Leonel Namuquita.

Esta queda vem mais uma vez confirmar a notícia publicada pelo jornal IKWELI na edição da última terça-feira na sua versão electrónica de distribuição em pdf.
Quem, também, teve a mesma sorte são os primeiros secretários dos distritos de Nacala-Porto, Meconta e do distrito de Larde ao serem desmontados.

A queda de Leonel Namuquita já era há muito esperada pelos seus camaradas, que, já agora, respiram de alívio e renovam esperança de um dia ver a FRELIMO a governar nas  cinco autarquias onde perdeu em Outubro do ano passado, a favor da RENAMO, principal partido da oposição no país.

Igualmente, Namuquita caiu com todo o seu elenco, numa perspectiva de dar uma nova dinâmica ao partido ao nível da cidade de Nampula.

Durante o seu reinado, Namuquita não chegou, se quer, a vencer uma única eleição e conseguiu que o seu partido fosse reduzindo o número de membros na Assembleia Municipal local.

O secretariado de Mobilização e Assuntos Sociais no comité provincial da Frelimo em Nampula, Saíde Momade, minimiza as quedas e defende que as mesmas visam criar uma nova dinâmica no seio do partido. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

Dois meses degradando Amade

Pemba (IKWELI) – Na última terça-feira (5) completaram, exactamente, dois meses que o governo moçambicano decidiu violar os mais elementares direitos humanos do jornalista Amade Abubacar por, simplesmente, efectuar, competentemente, o seu trabalho, detendo-o sob uma acusação dúbia na opinião pública.

O jornalista sequestrado por militares quando desempenhava as funções de coordenador da Rádio Comunitária Nacedje, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado, decidiu contra todos os riscos reportar a situação que as famílias passavam pelo conflito militar que se regista em cinco distritos daquele ponto do país.

Como prémio, o governo agraciou com um sequestro perpetrado por militares tendo tido como primeiro cativeiro uma base militar localizada no distrito de Mueda. Mais tarde, diante da pressão interna e externa, viriam a transferir o jovem para uma cadeia policial no distrito de Macomia, para depois ser transferido para o Estabelecimento Penitenciário de Mieze, há pouco mais de vinte quilómetros da cidade de Pemba.

Um procurador da República reconheceu que a detenção do Amade Abubacar foi ilegal mas, nem por isso retribuiu-lhe, imediatamente, a liberdade, o que se esperava.

Em Mieze, Abubacar padece de várias enfermidades pois, depois que foi sequestrado foi vítima de torturas. Não lhe é dado acesso ao médico e muito menos a algum tratamento hospitalar.

A acusação, forçosamente, deduzida pelo Ministério Público de Cabo Delgado não podia ser mais do que a violação dos “segredos de estados” através do uso de meios informáticos, ou seja, por fotografar e reportar o drama do sofrimento da população, Amade violou segredos do estado.

Entretanto, ao que tudo indica e pelos relatos que nos chegam o sistema está conseguindo enfraquecer Amade Abubacar e semear o apetecível clima de terror e medo no seio dos jornalistas para não abordarem a guerra que está tendo palco em Macomia, Mocímboa da Praia, Quissanga, Palma e Nangade, bem como, muito ultimamente, nas cercanias da Ilha do Ibo. O jornalista encontra-se física e psicologicamente debilitado, portanto, não pode oferecer muito e, do lado de fora, os seus colegas tem medo e receio de escrever os assuntos que na região acontecem: ataques diários, matanças a comunidades locais, violação dos direitos humanos, entre outras atrocidades.

A Amnistia Internacional, uma organização de defesa de direitos humanos, mais uma vez voltou a repudiar a permanência do Amade nos calabouços e em comunicado distribuído a partir de Joanesburgo afirma que teme pela vida do jornalista.

“Amade está a definhar na prisão simplesmente por fazer o seu trabalho de jornalista, expondo o sofrimento infligido a civis por ataques mortíferos em Cabo Delgado”, disse, citado no comunicado, Deprose Muchena, director regional da Amnistia Internacional para a África Austral.

Citando fontes credíveis, a Amnistia Internacional afirma que “antes de ser preso, Amade encontrava-se de boa saúde, mas o seu estado deteriorou-se rapidamente durante a detenção” por isso, “a organização está preocupada com a possibilidade de Amade necessitar de cuidados médicos urgentes e não estar a receber o tratamento médico necessário e adequado”.

Todavia, a 18 de Fevereiro último, também, foi detido Germano Daniel Adriano, colega de Amade Abubacar, sob o mesmo pretexto da violação de segredos do estado.

Entretanto, a Procuradoria Provincial de Cabo Delgado organizou uma visita de jornalistas de Pemba ao Amade Abubacar, no passado dia 6 do corrente mês.

Nossos contactos no grupo contam-nos que a conversa com o Amade não teve permissão de registo magnético por parte do procurador mas, a situação do mesmo não é das melhores e tudo o que disse “parece” encenado. (Aunício da Silva)

Moçambique tem problemas de implementação de planos

  • Afirma Ivo Garrido, antigo ministro moçambicano da Saúde

Pemba (IKWELI) – O antigo ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido, defendeu, recentemente, na cidade de Pemba que o grande problema do país é a implementação dos planos e programas que são concebidos que nunca saem do papel.

O “IKWELI” interpelou Garrido nos corredores da Conferência de Desenvolvimento de Cabo Delgado e, durante longos minutos de entrevista a fonte mostrou a sua posição relativamente a eventos realizados a mesa de café e que no fim do dia não produzem resultados para o desenvolvimento do país.

“A primeira ilação é o aspecto positivo de nos reunirmos, discutirmos e partilharmos ideias sobre aquilo que deve ser o desenvolvimento da nossa província nós passamos a vida a falar de inclusão e este foi um momento de inclusão. Foi um momento em que chamamos muita gente e discutimos em conjunto aquilo que é as visões para o futuro da nossa província”, disse Ivo Garrido considerando a necessidade da realização do evento, para depois avançar que “este não é um problema de Cabo Delgado. É um problema de Moçambique. Nós desde a independência, apesar dos avançamos que registamos, temos tido muitos problemas de implementação. Temos que reconhecer que o problema dos moçambicanos reside mais na implementação do que na concessão”.

“Isto não tem uma resposta imediata. É preciso que se estudem as experiências anteriores e se veja porque é que houve experiências anteriores que falharam. Vou dar um exemplo a começar aqui na vossa província. Eu estava no governo quando fui com o presidente Guebuza inaugurar uma fábrica de descasque de castanha de caju e agora me informam que já está fechada. Há coisa de 15 anos inauguramos um grande projecto de produção de flores em Manica que já faliu. Sabe, em vez de fazermos discussões assim no ar é preciso ir pegar em 1975 fazer o levantamento de todos os projectos, todas as boas intenções que nós tínhamos e ir estudar caso por caso onde é que falhamos e dai tirar lições. Isto não pode ser feito a mesa do café, temos que pegar em jovens que estão preparados para isso. Há questões antropológicas, há questões sociológicas, há questões políticas, há questões culturais. Temos que dar tarefa a esses jovens para irem estudar cada um desses projectos que nós concebemos desde a independência e que falharam, senão fizermos esses estudos sérios vamos continuar a cometer os mesmos erros”, precisou o nosso interlocutor.

Num outro desenvolvimento, a nossa fonte abordou sobre a priorização dos projectos de gás que são vistos como a solução para a pobreza que prevalece nas comunidades moçambicanas.

“Embora eu reconheça que a nossa prioridade número um deve ser a agricultura, isto vai um bocadinho mais longe. É preciso que todos nós interiorizemos o que significa diversificação da economia. A diversificação da economia significa nós termos actividades em múltiplas áreas ao mesmo tempo que permitem utilizar a capacidade dos moçambicanos e gerar riquezas para todos os moçambicanos. Não vale a pena andar a atirar pedras a pessoas que defendem projectos do gás, etc, vão trazer benefícios para Moçambique. Vão trazer benefícios mas, a experiência da Angola, a experiência da Nigéria e de muitos outros países mostram que (um) são projectos que geram pouco emprego – nenhum projecto de gás em Moçambique vai resolver o problema de desemprego sobretudo da nossa juventude – (dois), se nós queremos resolver o problema de desemprego em Moçambique – e o problema de desemprego em Moçambique é uma bomba relógio – todos os anos entram no mercado de trabalho oitocentos mil jovens e o governo na pior das hipóteses consegue arranjar cem mil empregos. Cada ano que passa o problema vai aumentando. A única solução para resolver o problema do desemprego é a diversificação da economia. A prioridade do governo deve ser como, ao mesmo tempo, ir para aqueles sectores”.

“Virem me dizer que o projecto de gás vai resolver o problema da pobreza em Cabo Delgado não é verdade. O que vai resolver o problema da pobreza em Cabo Delgado e no resto do país é a diversificação da economia, onde há trabalho para todos nós, não só do governo”, concluiu Garrido. (Aunício da Silva e Estácio Valoi)