
Maputo (IKWELI) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, considera que a consolidação de uma paz duradoura em Moçambique depende também da superação do desemprego, da pobreza, das desigualdades sociais e da exclusão económica.
Falando na cidade da Matola, província de Maputo, durante a abertura da Conferência Nacional Inter-Religiosa, o Chefe do Estado afirmou que estes problemas afectam a confiança nas instituições e podem fragilizar a coesão social.
Segundo Chapo, a incapacidade de uma família para garantir a alimentação dos filhos, a falta de oportunidades de emprego para os jovens e a ausência de benefícios provenientes dos recursos existentes nas comunidades alimentam sentimentos de injustiça social.
O estadista defendeu a construção de uma economia capaz de ampliar as oportunidades de emprego, sobretudo para jovens e mulheres, valorizar a produção nacional e fortalecer as micro, pequenas e médias empresas.
Neste contexto, destacou reformas legislativas e institucionais em curso, incluindo a aprovação das leis de Minas, Petróleo e Conteúdo Local, bem como a criação da Empresa Nacional de Minas e de um Banco Nacional de Desenvolvimento.
Chapo apelou igualmente às confissões religiosas para contribuírem para a transformação económica do país, através da formação técnico-profissional, da educação, da promoção da ética no trabalho e do apoio a iniciativas produtivas comunitárias.
Para o Presidente, o desenvolvimento nacional exige paz, segurança e reconciliação. Na mesma ocasião, alertou para os riscos da desinformação e dos discursos de ódio, apelando aos líderes religiosos e aos cidadãos para promoverem uma comunicação responsável.
O Chefe do Estado observou que as redes sociais e a inteligência artificial ampliam as possibilidades de comunicação, mas também facilitam a propagação de rumores e de mensagens manipuladas.
“Uma palavra irresponsável pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos”, advertiu, considerando que este fenómeno pode alimentar preconceitos, dividir comunidades e provocar consequências difíceis de controlar.
Como exemplo, recordou os boatos que associaram falsamente profissionais de saúde à propagação da cólera, colocando em risco a segurança dos trabalhadores envolvidos na protecção da saúde pública.
Perante este cenário, apelou às confissões religiosas para promoverem a comunicação não violenta, valorizarem a verdade e sensibilizarem os cidadãos para a importância de verificar as informações antes de as partilhar.
O Presidente defendeu ainda que dirigentes políticos, servidores públicos, jornalistas e líderes de opinião devem dar o exemplo, adoptando uma postura de respeito e humildade no debate público.
Para Chapo, a divergência de opiniões é legítima numa sociedade democrática e não deve servir de justificação para a agressividade ou a violência.(Antónia Mazive)




