Início Site Página 590

Menores abandonam fetos no rio Molócuè

Há cada vez mais fetos abandonados no rio Molócuè, na província central da Zambézia, acto, alegadamente, perpetrado por menores de idade que, precocemente, engravidadas vêm-se na impossibilidade de criar outras crianças.

Nas últimas duas semanas, segundo apurou o Ikweli, na região, dois fetos foram encontrados nas bermas daquele curso de recurso hídrico, e na última quarta-feira (5), um grupo de mulheres que se dedica a extracção e venda de areia ao longo daquele rio descobriu um feto sem vida, de acordo com Margarida Fernando, uma das integrantes.

Conta-nos esta fonte que o mesmo estava embrulhado num saco plástico e em estado avançado de decomposição.

“Quando aproximei o plástico vi algo estranho. Chamei as minhas companheiras e de seguida abrimos e encontramos um feto que aparentava ter cinco meses”, disse a nossa fonte, visivelmente agastada.

Margarida revelou-nos que, seguidamente, tratou de informar as lideranças locais. A nossa entrevistada deu a conhecer que um outro caso foi registado na sexta-feira da semana antepassada, nas bermas do mesmo rio, sendo que desta vez, segundo disse, o feto aparentava ter quatro meses.

Márcia Felizardo, uma outra residente da vila sede do Alto – Molócuè, pede aos líderes comunitários para fazerem um trabalho nas suas zonas de modo a encontrar as autoras destes crimes, para posterior responsabilização criminal. Por outro lado, a nossa entrevistada aconselhou as mulheres a abandonarem estes tipos de comportamento pois, segundo ela, envergonham e chocam a sociedade.

“As meninas é que fazem muito esse tipo de vergonha, mas elas sabem que, ultimamente, há muitos meios de como prevenir-se para evitar gravidez”, defende a senhora Márcia.

As autoridades locais ainda não se pronunciaram sobre estas ocorrências. (Celestino Manuel)

Tribunal Judicial da cidade de Nampula decide a favor dos antigos sócios do Benfica de Nampula

A direcção do Benfica de Nampula comandada por João Baptista venceu as providências cautelares intentadas contra a outra direcção chefiada por Aiupa Abudo, em processo que correu os seus trâmites na 3ª Secção do Tribunal Judicial da cidade de Nampula.

Dois processos estavam em causa, nomeadamente o processo 6/2019 (providência cautelar não especificada), e o processo 7/2019 (providência cautelar de suspensão das deliberações sociais).

O grupo dirigido por João Baptista pedia para que fosse decretada a abstenção dos requeridos à prática de quaisquer actos, mormente ao uso do símbolo e nome da requerente e entrega do património da mesma, nomeando como fiel depositário.

“A 3ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Nampula decide em dar procedente por provada a providência cautelar não especificada e por conseguinte intimar os requeridos a se absterem de agir em nome da agremiação, e proceder a entrega dos símbolos da agremiação a nova e recém-eleita direcção, incluindo o património que será entregue ao presidente da Associação Provincial de Futebol de Nampula como fiel depositário”, lê-se na decisão do tribunal, referente ao processo 6/2019 (providência cautelar não especificada), a que o Ikweli teve acesso.

Quanto ao processo 7/2019 (providência cautelar de suspensão das deliberações sociais), o tribunal decidiu dos requerentes. “Em face do exposto a 3ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Nampula decide dar procedente por provada a providência cautelar de suspensão de deliberações sociais e por conseguinte ordenar a suspensão dos efeitos da Assembleia que culminou com a eleição do requerido, Aiupa Abudo”.

Assim sendo, corre da data até 30 dias o prazo para se intentar a acção principal. (Constantino Henriques)

Restos de granada levam população de Nampula a sonhar com riqueza

O concelho autárquico de Nampula, no norte de Moçambique, viveu nos últimos dias uma agitação jamais vista na corrida pela riqueza, tudo porque durante o arranque das obras da reabilitação da segunda faixa da avenida Eduardo Mondlane, a população entendeu que os restos de minérios do tipo granada retirados de uma zona pelas máquinas da edilidade eram minerais preciosos.

Segundo apurou o Ikweli centenas de munícipes acorreram ao local em mais de três dias na tentativa de apanharem o rubi, como estavam sendo tratados os restos minúsculos da granada depositado no local por uma empresa que outrora operava nas imediações e que para garantir a transitabilidade para o seu espaço decidiu depositar estas quantidades de minerais para combater a erosão.

Durante os primeiros dois dias (sexta-feira, 31 de Maio, e sábado, 1 de Junho), jovens, mulheres e adultos disputavam os escombros da reabilitação para encontrar as tais pedras preciosas, e já desde os finais da tarde do último domingo (2), também, crianças juntaram-se a empreitada, ignorando todos os riscos.

“Estou a tentar a sorte de mudar a minha vida, porque ouvi que aqui tem pedras preciosas que valem muito dinheiro. Desde sexta-feira que estou aqui a levar as pedras para casa, porque amanha pode existir um patrão que queira comprar”, disse Ancha Momade, umas das catadoras de pedra entrevistada pelo Ikweli.

Este sentimento é partilhado por todas as pessoas ali presentes, que entendem ter chegado a vez delas de serem ricas.

Mucussete António, Técnico de recursos minerais na direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia de Nampula, explicou que nos anos passados nas proximidades do local em que as populações estão a tirar as pedras existia uma empresa que dedicava-se a compra de minerais, e quando comprava fazia a selecção dos tamanhos dos referidos minerais.

Entretanto, quando os empresários mudaram de instalações, segundo António, tiraram a parte dos minérios sem valor comercial, junto do armazém, e depositaram-nos nos buracos que existiam, anteriormente, nas imediações, de modo a defender a região da erosão dos solos.

A fonte disse que quando a direcção provincial dos Recursos Minerais de Nampula tomou conhecimento, da procura pelos minérios ao longo da estrada em reabilitação, enviou uma equipe de técnicos para inteirar-se da situação, sobretudo o tipo de pedra e o seu valor comercial, o que se constatou tratar-se de granada com tamanhos reduzidos e de baixo valor comercial.

Contudo, António Mucussete diz que as supostas pedras preciosas não passam de uma especulação e assegurou as pessoas que tem essas pedras nas suas residências nunca vão vender porque os compradores já sabem que não tem mercado. (Texto: Celestino Manuel e Redacção, Fotos: Hermínio Raja)    

Crianças passaram 1 de Junho fazendo comércio ambulante em Nampula

O mundo assinalou no passado sábado 1 de Junho o “Dia Internacional da Criança”, um momento em que a sociedade, pais e encarregados de educação oferecem o seu melhor para proporcionar um dia diferente e melhor aos petizes em reconhecimento dos seus direitos.

Na cidade de Nampula, enquanto umas festejavam outras, nem por isso, foram dispensadas da exploração de que são vítimas no comércio informal.

O Ikweli conversou com mais de duas dezenas de crianças que, com olhar triste, não podiam brincar e muito menos contemplar a alegria do momento porque estavam a trabalhar.

A exploração da mão-de-obra infantil tem vindo a crescer, significativamente, nos últimos anos na cidade de Nampula, maior concelho autárquico do norte de Moçambique.

“Eu até gostava de estar a brincar ali com os outros meninos, mas devo vender todas essas laranjas para poder ter jantar quando chegar em casa”, disse ao Ikweli José Adamo, menor de 12 anos que se dedica ao comércio informal e ambulante na cidade de Nampula.

José Adamo é natural do distrito de Lalaua. Veio a cidade de Nampula sob aliciamento de que teria melhores condições de vida e de escolarização, mas tudo mentira. “Quando cheguei fiquei uma semana em casa e depois começaram a me mandar vender coisas na rua”, conta o menor, para quem “primeiramente davam-se uma bacia pequena, mas agora a minha bacia é grande e tenho a obrigação de vender tudo sob risco de não ter comida quando chego em casa”.

José Adamo conversou com a reportagem do Ikweli no muro do Sunlight, um dos locais que em dias festivos, como é o caso do dia da criança, acolhe eventos.

Encostando a mesma vedação de arame, encontramos a Palmira Taratibo, natural do distrito de Moma, e que vive no bairro dos Belenenses com a sua tia.

“Eu, também, queria estar ali, mas não posso porque eu não tenho condições”, disse a menor de 15 anos em conversa com o Ikweli. “Tio, eu saio de manha e só volto a noite em casa porque é difícil vender todos esses bolinhos porque as pessoas agora dizem que não tem dinheiro. Muitas para poder fechar o dinheiro que falta durmo [manter relações sexuais] com alguns tios guardas que depois me dão 100 a 200 meticais”.

Em frente ao Museu Nacional de Etnologia um grupo de meninos conversava, tristemente, sobre a impossibilidade deles se divertirem em dia dedicado, exclusivamente, as crianças. “Nós estamos a descansar aqui, depois vamos continuar a vender”, respondeu um menor, quando perguntados pelo Ikweli sobre o que estavam a fazer naquele local.

Do lado externo da Piscina do clube Ferroviário de Nampula, outras crianças procuravam ganhar algum para poderem comprar algo para comer, ou então para compensar a quebra que tiveram no negócio que “dirigem”.

“Eu e meus amigos estamos aqui a controlar e limpar esses carros porque estamos cansados de andar. Já não estamos a conseguir vender mais. Assim, quando esses donos dos carros nos pagam algum dinheiro chega para fechar aquilo que não vendemos e entornamos o produto que fica”, contou-nos Jamal Mário, natural da Ilha de Moçambique e que vive no bairro de Namicopo, o mais populoso do país.

“Estou a vender laranjas e bananas. Eu gostava de estar a festejar, mas não tenho como. Devo trabalhar”, lamentou Josina Moisés, menor de 11 anos, com a qual conversamos numa das artérias da cidade de Nampula.

O Dia da Criança é comemorado a 1 de Junho de cada ano. Este dia é, geralmente, marcado por palestras sobre os direitos das crianças e o seu bem-estar, os programas infantis de televisão, festas, saídas em família, e outras diversas acções, que envolvam ou que são dedicadas às crianças.

A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) foi criada em 1959 e adoptada, por unanimidade, por todos os países das Nações Unidas (ONU), a 20 de Novembro de 1989.

O documento enuncia um amplo conjunto de direitos fundamentais de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicadas.

No entanto, é a data da Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança, realizada e proclamada em Genebra, na Suíça, a 1 de Junho de 1925, que veio ficar mais popular como o Dia Internacional da Criança, na grande maioria dos países do mundo.

O dia da criança foi comemorado, pela primeira vez, no mundo inteiro a 1 de Junho de 1950.
No entanto há quem comemore outras datas. Visto que o Dia Universal da Criança é comemorado anualmente a 20 de Novembro, existem muitos países que optam por esta data, por ser a data em que foi proclamada a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Existem ainda outras datas, comemoradas localmente, escolhidas pelos próprios países para comemorar este dia, tão importante, pela luta dos direitos das crianças.
Independentemente do dia, a ONU encorajou todos os países a instituir um dia para promover o intercâmbio e a compreensão mútuos entre as crianças e, para tomar medidas para beneficiar e promover o bem-estar das crianças do mundo. (Aunício da Silva)

Pacificação de Moçambique vai exigir conferência internacional

O Presidente da República de Moçambique (PR), Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, acordaram no último fim-de-semana na cidade de Chimoio, centro do país, o inicio da preparação da conferência internacional para a mobilização de fundos para a implementação da reintegração dos homens residuais do maior partido da oposição.

Segundo os dois políticos um acordo de paz definitiva será assinado em Agosto próximo, enquanto decorre o processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração das forças residuais da Renamo nas Forças de Defesa e Segurança.

Igualmente, este processo vai implicar, segundo Filipe Nyusi alterações do ponto de vista do quadro jurídico – legais, sobretudo no que se refere a amnistia dos intervenientes.

Na cidade de Nampula, capital do maior círculo eleitoral do país, académicos entrevistados pelo Ikweli dizem-se confiantes na conquista de uma paz definitiva pelo rumo que as negociações têm estado a tomar, adiantando que esperam que o esforço seja honesto e não uma tentativa de “agradar” ao Papa Francisco que em Setembro próximo visita o país.

O académico António Muagerene entende que a recente reunião alimenta enormes expectativas e, em parte, demonstra a confiança e o comprometimento do alcance da paz definitiva no país.

“Aquele discurso [proferido pelo PR na graduação de oficiais na CIPOL, segundo as quais a lista fornecida pela RENAMO era composta por oficiais reformados] veio deitar a baixo as expectativas de todos os moçambicanos sobre o alcance da paz efectiva no país, e mostrar que havia uma complicação na negociação, depois de dois anos de governação do Presidente Nyusi. Portanto, esse encontro em Chimoio veio mostrar uma luz e renovar as esperanças da paz definitiva”, disse Muagerene, que já foi Secretário Executivo da Plataforma Provincial das Organizações da Sociedade Civil de Nampula.

À semelhança do desejo dos dois dirigentes, António Muagerene quer que não haja “interferências negativas” por parte dos partidos políticos, sociedade civil, assim como os órgãos de comunicação social.

“A natureza da negociação é político-militar e é natural que haja elementos de crispação que se exige a compreensão em ambas as partes”, defende o académico que, também, é especialista em governação municipal, encorajando que se paute por declarações conjuntas em comunicados, não de forma extra, como forma de evitar interpretações diferentes da mesa negocial.

Arlindo Muririua, outro académico entrevistado pelo Ikweli, felicitou as duas partes pelos avanços na negociação rumo à paz efectiva, mas pediu para que os dois sejam honestos e que não haja aquilo que considerou de secretismo em ambos, de modo a evitar que as decisões para o bem do povo não sejam partilhadas pública e unilateralmente, uma vez que, segundo ele, isso pode criar mais desconfianças e retardar o processo do alcance dos consensos o mais rápido possível.

“O secretismo deve continuar nos dois dirigentes, e eles devem apenas dar conferência de imprensa depois do encontro entre as partes. Se o outro faz a lista e entrega e ao invés de se encontrarem para discutir a lista o outro sai numa parada policial para manifestar indignação, isso não revela confiança efectiva entre as partes”, disse Muririua. (Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque)

Angoche Clube de Desporto complica as contas do Sporting de Nampula na liderança da Divisão de Honra zona norte

A equipa do Sporting de Nampula empatou, no último domingo (2), diante do Angoche Clube de Desporto (ACD) por duas bolas, em desafio da quarta jornada do campeonato nacional da divisão de honra, zona norte edição de 2019, resultado que ditou a sua queda da liderança do certame.

Com este resultado, o Ferroviário de Lichinga, que no mesmo fim-de-semana venceu ao Sporting de Monapo por duas bolas a zero, passa a liderar o campeonato com nove pontos, mais um que o segundo classificado.

Com uma enchente invulgar, o campo Monte Parapato foi pequeno para acolher a multidão humana que decidiu testemunhar a partida, diante uma arbitragem comandada por Feliciano dos Santos.

O Sporting de Nampula foi primeiro a marcar. No segundo quarto de hora do certame, Nick concretizou com sucesso um passe de Quaresma.

Dois minutos depois, o adversário, ACD, marcou o golo de igualdade por intermédio Isma, em consequência do desconexo da defesa leonina.

O Sporting de Nampula tentou minutos depois reverter o cenário, mas em vão porque um remate de Nick foi regressar no travessão da baliza defendida por Nazoro.

O terceiro golo da partida surgiu nos finais da etapa inicial, Lello, do ACD, apontou para alegria dos espectadores.

Já na segunda parte, Nick voltou a alegrar os fãs do Sporting de Nampula, ao marcar o quarto golo da partida.

No final da partida, o treinador do ACD, Jorge Ibraimo, disse que a sua equipa merecia sair com uma vitória, não fosse a prestação duvidosa de Feliciano dos Santos e seus pares. “O árbitro, de certeza, prejudicou-nos muito. Ele beneficiou ao Sporting de Nampula. Nós fizemos de tudo para terminarmos com um bom resultado por isso, o resultado seria justo se tivéssemos ganho o jogo, todo mundo viu isso”, disse o Ibraimo.

Por seu turno, Uzaras Mahomed, treinador do Sporting de Nampula, disse ao Ikweli que a sua rapaziada é que proporcionou um bom futebol durante o tempo regulamentar, “porque foi a equipa que procurou jogar, e o ACD pura e simplesmente passou o tempo todo a queimar o tempo e quando é assim, torna-se mais difícil”.

Para a mesma ronda, o Sporting de Monapo averbou uma derrota forasteira diante do Ferroviário de Lichinga por 2-0; o Ferroviário de Pemba venceu a equipa da Associação Desportiva de Pemba por 2-1, e o Talentos de Sanga venceu o Atlético de Sanjala por duas bolas a uma. (Constantino Henriques)

Vendedores de rua têm dias contados na cidade de Nampula

Nampula (IKWELI) – As ruas da cidade de Nampula, maior e mais importante concelho autárquico do norte de Moçambique, foram assaltadas por vendedores informais por ordem do primeiro autarca interino na história das autarcizações e a situação já não está a agradar Paulo Vahanle, segundo edil eleito por um partido da oposição.

O malogrado Mahamudo Amurane fez história com a retirada pacífica dos vendedores informais que pululavam pelas ruas autarquias, depois de quinze anos da municipalização da cidade. Nos primeiros 15 anos da sua autarcização a cidade de Nampula foi dirigida por dois presidentes vindos do partido Frelimo, nomeadamente Dionísio Chereua (um mandato) e Castro Sanfins Namuaca (dois mandatos), mas nunca se dignaram a limpar devidamente a cidade e muito menos acabar com o comércio informal nas ruas e passeios.

Com o assassinato de Mahamudo Amurane, Manuel Tocova, então presidente da Assembleia Municipal, teve que assegurar interinamente a gestão da autarquia, e com ele acabou a beleza da cidade de Nampula.

Foi pela voz de Manuel Tocova que os vendedores informais retomaram as ruas da urbe, e dai recrudesceu o crime e a higiene e o saneamento do meio começaram a degradar-se, bem como a qualidade de vida dos munícipes.

Actualmente, circular pelas artérias do concelho autárquico de Nampula não é nada fácil, pois tudo virou mercado, incluindo o espaço que fica entre as faixas de avenidas.

Paulo Vahanle, depois de um sepulcral silêncio sobre o assunto, decidiu, finalmente, informar que vai “correr” com todos os vendedores informais que deambulam pelas ruas do seu concelho autárquico.

“Vamos atrás dos vendedores ambulantes que, até certo ponto, mancham a imagem da cidade”, disse Vahanle, prometendo assim reduzir, com esta medida, os índices de acidentes de viação que se registam na capital provincial de Nampula.

Como sempre Vahanle não fixou datas do início e término da operação, mas garante que a cidade voltará a civilização e urbanidade.

O autarca identificou um grupo específico como sendo autor moral da desordem que se vive no comércio na sua cidade. São os agentes económicos. “Os próprios agentes económicos são responsáveis por serem eles que fornecem o material de venda. Eles [agentes económicos] dizem que não têm como entrar nas suas lojas, por falta de acesso que tem sido bloqueado por vendedores ambulantes, mas, na verdade, o que constatamos é que os comerciantes é que entregam esses homens a venda desse material”, avisou Vahanle.

Paulo Vahanle, também, está interessado em acabar com a proliferação das barracas de venda de comidas, vulgo “Take aways”.

“Estamos a negociar com os agentes económicos a volta dessa matéria. Daqui a um mês [contados a partir do dia 13 de Maio corrente] vamos ter um encontro com eles. Vamos remover os take aways”; garantiu o edil. (Texto: Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque, Foto: Hermínio Raja)

Mobiles podres estão a afugentar eleitores em Nampula

Nampula (IKWELI) – As constantes avarias dos equipamentos informáticos utilizados no recenseamento eleitoral que termina dentro de dois dias são tidas como sendo um dos principais motivos que desmoralizou aos eleitores em continuarem a se dirigir para os postos de recenseamento.

A província de Nampula, maior círculo eleitoral, poderá perder acentos na Assembleia da República, caso o processo não seja prolongado.

A nossa equipa de reportagem e os nossos correspondentes eleitorais dedicaram as duas últimas semanas para uma observação virada para a questão dos equipamentos informáticos, e a conclusão não podia ser pior: “mobiles e a falta de habilidades no manuseamento dos equipamentos informáticos por parte dos brigadistas afugentaram potenciais eleitores”.

No distrito de Larde, por exemplo, o nosso correspondente assegura que vários postos localizados na vila sede não funcionaram. Pelas contas, o total de dias operados não correspondente sequer a metade dos dias do processo, tudo porque sempre faltou tudo, dentre energia eléctrica, avaria nos mobiles e a falta de toner para a impressão dos cartões.

“Parece mentira mas, aqui em Larde quase que não se recenseou”, conta-nos um potencial eleitor entrevistado pelo nosso correspondente no terreno, para depois prosseguir que “naquela zona de Evati as pessoas iam apenas sentar e assistir os brigadistas e mais tarde desistiram de tentar ir se recensear”.

Em Mogincual, uma fonte que nos pediu o anonimato [por trabalhar no STAE local] disse que “todos os dias chegam-nos problemas dos postos. Há uns que nem se quer funcionaram pelo menos dez dias completos, porque sempre nos reportaram que os mobiles não funcionam, ou não há energia, ou então, não há mesmo tinta nas impressoras”.

Cenário idêntico repete-se um pouco por todos os distritos de Nampula, tal como a nossa correspondente avança dos cenários que testemunhou no posto administrativo de Mirrote, distrito de Erati.

“Aqui em Mirrote o recenseamento está a correr muito mal. Os brigadistas só vão dormir nos postos. Nunca tem condições de trabalhar como deve ser, até parece que esse ano não haverá eleições”, disse Mário Cardoso, em entrevista a nossa correspondente, para depois denunciar “o outro problema são os secretários da Frelimo que andam a caçar pessoas aqui. Eles andam a pedir os cartões de eleitor as pessoas”.

O posto número 277 no distrito de Liupo estava sem tinta até ao fim da tarde de ontem, ainda que a situação tenha sido reportado ao director do STAE local que não se dignou em soluciona-lo.

Na Escola Primária e Completa 25 de Setembro no distrito de Nacala-Porto o posto ali instalado foi cancelado. O motivo, segundo apurou um dos nossos correspondentes, é a fraca afluência dos potenciais eleitores, os quais viram-se obrigados a não voltar ao local porque o equipamento de recenseamento nunca funcionava devidamente. Unilateralmente, o director do STAE naquele distrito decidiu movimentar a equipa para a Escola Secundária São Vicente de Paulo.

Há 49 quilómetros da vila de Nametil, no distrito de Mogovolas, o estado da via de acesso faz com que o mobile afecto a uma escola local não seja assistido, depois de muito tempo de avaria.

Em Mecúburi, também, há relatos de avarias de mobiles, tal como observou o nosso correspondente na zona de Chico, onde há alguns dias não se recenseia.

Há quatro semanas que na EPC de Pedreira, no município de Nampula, o posto ali montado não funciona. Tal como em outros postos, este posto depara-se com o problema de falta de boletins para a impressão dos cartões de eleitores.

Na EPC de Iuluti, no distrito de Mogovolas, mais de meio milhão de cartões não foi impresso porque não há material para o efeito. (Redacção)

Rapto de albinos preocupa a PGR

Nampula (IKWELI) – O recrudescimento dos crimes de rapto e tráfico de pessoas com falta de pigmentação da pele, vulgo albinos, preocupa a Procuradoria – Geral da República (PGR) que se via satisfeita pela calmia registada recentemente.

A província de Nampula é um dos principais palcos da prática de tais actos criminais e, de acordo com Amabélia Chuquela, Procuradora – Geral adjunta da República, nos meses de Fevereiro e de Maio corrente, duas pessoas albinas foram sequestradas nos distritos de Larde e Murrupula.

Segundo a fonte, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) ainda está a investigar os dois casos, sendo que para o caso de Larde ainda não há indiciados, enquanto que para o caso de Murrupula três indivíduos já foram constituídos arguidos e estão sob custódia policial.

No distrito de Larde, a vítima é um menor do sexo masculino que vivia com sua avó, uma idosa, e no distrito de Murrupula, a vítima é uma menor de 11 de anos de idade.

Chuquela disse que há dois anos que crimes deste tipo não se registavam em Nampula, e que estes novos casos preocupam sobremaneira a instituição e a moral da sociedade.

A fonte defende a necessidade de as famílias e as comunidades envolverem-se na sensibilização para que as pessoas entendam que “matar e extrair órgãos de uma pessoa albina não enriquece a ninguém”.

A procuradora – geral adjunta reclama ainda a falta de fluxo de informação entre as instituições que devem combater este fenómeno, incluindo a violação e o assédio sexual de menores.

“Deste modo há a necessidade de se reflectir se as palestras estão a surtir efeitos nas comunidades, nas escolas e nas instituições da Estado e os privados”, disse Chuquela, na cidade de Nampula. (Celestino Manuel)

 

Asante Sport Club de Nampula goleia o Sporting de Angoche

Nampula (IKWELI) – A equipa do Asante Sporting Club de Nampula recebeu e goleou no último domingo (26) a equipa do Sporting Clube Recreativo de Angoche por 6 bolas a 0, em desafio da segunda jornada do campeonato provincial de Nampula em futebol, vulgo Nampulense 2019.

A partida foi realizada no mítico campo de Namutequeliua. O Asante Sport jogava diante do seu público por isso, não encontrou dificuldades para cilindrar os angocheanos.

O primeiro golo foi apontado por intermédio de Paco, aos 15 minutos do primeiro tempo. Minutos depois, o Asante quase que apontou, não fosse a falta de precisão do Ivan que numa jogada de insistência e frente-a-frente com o guardares do Sporting de Angoche rematou para a sua defesa.

Aos 33 minutos Quinho apontou o segundo golo, momentos depois de uma tentativa de marcação por parte de Belson falhou pois, o seu remate do meio campo foi parar no travessão da equipa de Angoche.

Com este resultado (2-0) foi-se ao intervalo. Na segunda metade do jogo, o Sporting de Angoche entrou pressionando o adversário mas, em vão pois o terceiro golo que surgiu no relvado de Namutequeliua foi apontado pela equipa do Asante, por intermédio de Chai, aos 52 minutos.

A seguir a estes três primeiros golos, o Asante dominou, por completo, a partida, sendo que a sorte veio insistir no Ivan que marcou dois golos e no Abacar que apontou mais um.

Foi uma tarde desportiva onde se assistiu um autêntico banho de futebol por parte da equipa do Sporting Clube Recreativo de Angoche. Apesar disso, há que destacar os trabalhos notáveis de Assis, Sabuela e o capitão Carlitos, atletas do Sporting de Angoche que tanto lutaram mesmo sobre a goleada, mas não houve pronta resposta do resto dos seus companheiros.

No final do jogo o treinador do Sporting de Angoche, Muquissirima Alberto, disse que a derrota da sua equipa deveu-se a motivos organizacionais dentro da agremiação. “O nosso adversário esteve por cima de nós, em condições normais eles deviam estar numa competição fora deste Nampulense e a continuarem assim, não tenho dúvidas que serão os campeões. Do nosso lado, temos a lamentar a nossa própria organização. Para o seu conhecimento está equipa não tem sequer duas semanas de trabalho, os jogadores que estiveram em campo chamei-os a maneira. Mas prontos, aprendi muito neste jogo e vou ver se conseguimos inverter a situação nos próximos jogos”.

Por seu turno, Tomé Marcelino enalteceu a entrega dos seus jogadores que culminou com a conquista dos três pontos. Alias, o treinador do Asante disse que vencer cada jogo é a palavra de ordem do seu grupo de trabalho para a concretização da meta da época que passa pela conquista do campeonato.

Por seu turno, as equipas do Goleadores de Nametil e Águias Azuis de Nampula empataram a uma bola.

Outras partidas inseridas na segunda jornada da mais importante prova do calendário futebolístico da província de Nampula forneceram os seguintes resultados: Ferroviário de Nampula B 2 – 0 Futebol Clube de Monapo; União Desportiva da Cavalaria 0 – 0 Futebol clube Porto de Namialo; e a Associação Desportiva de Nametil 2 – 2 Futebol Clube de Mogovolas.

Actualmente, o Nampulense é liderado pela equipa de Asante Sport Club de Nampula com 6 pontos e nove golos marcado contra nenhum sofrido. Segue-se na segunda posição a equipa da União Desportiva da Cavalaria com 4 pontos, o Ferroviário de Nampula B está na 3ª posição com 3 pontos, o mesmo número de pontos do Sporting Clube Recreativo de Angoche na quarta posição, em quinto está o Futebol Clube do Porto de Namialo com dois pontos, as equipas das Águias Azuis de Nampula, Futebol Clube de Mogovolas, Associação Desportiva de Nametil, Futebol Clube de Monapo e Futebol Clube Goleador de Nametil tem um ponto cada. (Constantino Henriques)