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Renamo vai manifestar-se para forçar a prorrogação do recenseamento eleitoral em Nampula

Nampula (IKWELI) – O partido Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) vai promover, nos próximos dias, uma marcha exigindo a prorrogação do prazo do processo de recenseamento eleitoral para a votação do dia 15 de Outubro do corrente ano.

Fernando Lavieque, membro da Comissão Política da Renamo residente em Nampula, disse, na última terça-feira (21), na cidade de Nampula, que “nós queremos que todos sejam recenseados. E digo mais, desde já, nos próximos dias vamos começar a marchar na rua a exigir o recenseamento”.

 

Fernando Lavieque, Deputado da Assmbleia da República e membro da Comissão Política da Renamo fez as ameaças em Nampula, alegando que a Frelimo quer-se beneficiar-se com a redução de mandatos.
Fernando Lavieque, deputado da Assembleia da República e membro da Comissão Política da Renamo

Segundo Lavieque muitos potenciais eleitorais do maior círculo eleitoral do país, e não só, não se recensearam devido aos recorrentes problemas de gestão do processo, sobretudo os de natureza informática.

A fonte disse que “isto está a acontecer em zonas de maior influência da Renamo”.

“O mais revoltante é que temos informações de exclusão de eleitores, nas zonas sob influência da Renamo. Os dados, até domingo, revelam e de forma surpreendente a tendência de exclusão de determinadas zonas e por sinal, aquelas que a Renamo tem um domínio político inquestionável”, denunciou Lavieque que, também, é deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Nampula.

O nosso interlocutor fala dos distritos de Mogovolas, Memba, Moma, Nacala – a – Velha, Larde e Rapale como sendo os que menos potenciais eleitores registaram devido a problemas com o equipamento informático deliberadamente provocados pelos gestores do processo a mando do partido Frelimo.

“As zonas onde a Frelimo teve vantagens nas eleições anteriores o registo está em níveis acima de setenta porcentos. Por exemplo, em Lalaua foram registados oitenta porcentos dos eleitores previstos”, explicou Fernando Lavieque.

Para evitar o pior, Lavieque apela ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) para “assegurar esta garantia constitucional, sob pena de incubar os crónicos problemas de conflitos pós eleitorais, numa altura em que estamos empenhados na paz e reconciliação nacional”. (Constantino Henriques e Redacção)

Paulo Vahanle diz estar a ser vítima de ameaças de morte

Nampula (IKWELI) – O presidente do concelho autárquico de Nampula, Paulo Vahanle, denunciou que tem vindo a receber ameaças de morte nos últimos cerca de três meses com recursos a chamadas telefónicas com emissores bloqueados.

“Realmente tenho recebido ameaças, constantemente, através de telefonemas com números privados. Nessas ligações muitas das vezes procuram saber com que tem o prazer de conversar e eu digo que sou o presidente do concelho autárquico de Nampula. Então, dizem, bom, você devia abandonar esse lugar para ir a Assembleia da República onde julgamos que estavas bem acomodado. A continuar nesse lugar, você, qualquer dia, vai perder a vida”, disse Vahanle, numa colectiva de imprensa.

Segundo a fonte, “eles dizem que vão me tirar a vida porque estou a ocupar um lugar que já tem dono e que eu estava bem na Assembleia da República onde era membro da Comissão Permanente. Eles dizem que as pessoas não sabem porque estou na cidade de Nampula”.

Vahanle disse que ainda não apresentou nenhuma denúncia as autoridades da justiça. “Eu não apresentei a situação nem a Procuradoria da República e nem a Polícia da República de Moçambique”.

O autarca não desconfia da procedência das ameaças. “Neste momento, eu não posso precisar de quem são os promotores dessas ameaças. Tenho vindo a receber essas ameaças desde Março do corrente ano. Neste mês de Maio me ligaram uma única vez a me perguntarem como é que eu estou a pensar e que devia escrever ao partido a renunciar a minha posição e ir a Assembleia da República escrever para levantar a suspensão do meu mandato. Muitas vezes dizem que é para me apoiar porque há um plano contra mim. As pessoas não se identificam como as promotoras ou as que vão praticar o acto. Fazem-no no sentido de aconselhamento”.

“Eu como cidadão vim para este lugar sabendo que é uma vaga deixado por assassinato, então, moralmente e psicologicamente estou preparado para encarar qualquer das circunstâncias que há-de vir contra a minha pessoa”, concluiu o autarca.

Recorde-se que Paulo Vahanle foi eleito, inicialmente, em uma eleição intercalar pela vacatura provocada com o assassinato bárbaro de Mahamudo Amurane, autarca eleito nas quartas eleições autárquicas, realizadas em 2013. Amurane foi assassinado no princípio da noite do dia 4 de Outubro de 2017, quando o país assinalava mais uma data da assinatura dos Acordos Gerais da Paz. (Redacção)

Menor desmaia durante processo de aborto caseiro em Alto Molócuè

Alto Molócuè (IKWELI) – Um caso de interrupção de uma gravidez precoce por pouco não terminou em tragédia no distrito de Alto Molócuè, no centro do país, pois, no último sábado (18), uma menor de 17 anos de idade desmaio durante o procedimento de aborto que estava sendo dirigido por uma parteira na sua própria residência.

A gestação estava no seu quinto mês, e a menor em causa vive com a sua avó, uma idosa. No ano passado de 2018, a mesma menor, na altura com 16 anos teria, com sucesso, feito um outro aborto.

Segundo apurou o Ikweli no terreno, o aborto realizado com sucesso no ano passado foi assistido, também, pela mesma enfermeira de Saúde Materno Infantil.

A senhora Júlia, de 36 anos de idade, é uma parteira afecta aos serviços de saúde pública e, dela esperava-se um comportamento diferente das práticas que tem vindo a promover na comunidade onde vive.

Em troca da interrupção da gestação da menor, a senhora Júlia pediu um pagamento avaliado em oito mil meticais (8.000,00Mt).

O procedimento, segundo contaram-nos testemunhas no local, compreendeu a introdução de cinco comprimidos nos órgãos genitais da menor e ainda a administração de uma injecção.

Três horas depois, a menor começou a passar por uma forte hemorragia, ao que se acredita que pela quantidade de sangue perdido chegou a desmaiar. A parteira vendo a menor nessa situação abandonou-a a sua sorte e sumiu da sua residência.

“Ela é conhecida aqui na zona, até nós quando queremos medicamentos compramos na casa dela. Lá quase tem todo tipo de comprimidos até os que na farmácia não têm”, disse Tiongue Flávio, vizinha da parteira, avançando que aquele não era o primeiro caso de interrupção de uma gestação em que a paciente passa mal na residência da autora.

A mesma fonte denuncia que “aqui no nosso distrito casos deste género são frequentes. No ano passado 2018 um padre havia engravidado uma missionária. A moça junto com o padre foi na casa da mesma parteira para fazer aborto da grávida de quatro meses depois de tudo o padre deu a parteira 15 mil meticais”.

No Hospital Distrital de Alto Molócuè, o Ikweli apurou que a menor foi animada e depois encaminhada para os serviços de Ginecologia, onde recebe cuidados especializados.

“Ela sabe quais são as regras para fazer um aborto seguro, seria ela a aconselhar as mulheres que caso queiram abortar devem se dirigir ao centro de saúde e não ela instalar maternidade na casa dela”, disse Dionísio Cabral, director dos Serviços Distritais da Mulher, Saúde e Acção Social de Alto Molócuè, assegurando que medidas administrativas e criminais serão accionadas para sancionar o comportamento da funcionária.

A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Alto Molócué, através do respectivo comandante distrital, António Rufino, confirmou a detenção da protagonista. (Celestino Manuel)

Nampulense 2019 arranca com duas desistências

Nampula (IKWELI) – Os clubes Sport Nampula e Benfica e a Associação Desportiva de Muecate desistiram de participar no campeonato provincial de futebol, designado Nampulense, na temporada 2019.

A prova arrancou, oficialmente, no último sábado (18), e segundo apurou o Ikweli, neste caso, ficam apenas, na competição, dez equipas.

De acordo com o presidente da Associação Provincial de Futebol de Nampula (APFN), António Moisés, as duas formações não dispõem de condições para competir no certame.

No caso do Benfica de Nampula, a sua não participação no nampulense deste ano e as demais competições oficiais está relacionada com a crise de direcção que persiste na equipa encarnada, e quem decidiu para não participação no campeonato é a ala dos antigos sócios que foram os primeiros a filiar a equipa e vedou a possibilidade da ala de Aiupa Abudo, também, poder se inscrever.

Por seu turno, a Associação Desportiva de Muecate anunciou a sua retirada do nampulense deste ano devido a falta de condições financeiras. “Pensamos nós que não temos condições para garantir a logística durante o campeonato. No mínimo precisamos de 200 mil meticais para uma participação digna e esse valor, nós não temos. Entre os associados tentamos colectar os fundo, mas vimos que não vamos a lado nenhum”, disse Rassul Inácio, secretário-geral da Associação Desportiva de Muecate.

Entretanto, as equipas do Futebol Clube do Porto e o Futebol Clube de Monapo empataram sem abertura de contagem. Este foi um dos jogos de abertura do nampulense da presente temporada futebolística e foi disputado no Estádio do Dragão, na vila de Namialo.

Outras partidas da jornada inaugural ditaram os seguintes resultados: Associação Desportiva de Nametil 0 – 1 União Desportiva da Cavalaria; Goleadores de Nametil 0 – 3 Asante Sport Club de Nampula; e Sporting Clube Recreativo de Angoche 2 – 1 Futebol Clube de Mogovolas.

Ficaram sem competir nesta ronda as equipas do Ferroviário de Nampula B e Águias Azuis de Nampula, na sequência das desistências das equipas que anteriormente fizemos referência. (Constantino Henriques)

Dérbi nacalense disputado fora de portas termina em empate

Nampula (IKWELI) – As equipas do Ferroviário e Desportivo, ambas da cidade de Nacala – Porto, empataram no último domingo (19) por uma bola, em jogo a contar para a 5ª jornada do campeonato nacional da primeira divisão em futebol, vulgo Moçambola, edição 2019.

O estádio 25 de Junho, local que acolheu o espectáculo, ficou lotado de espectadores, na sua maioria proveniente da cidade de Nacala. Alias, inicialmente a partida seria disputada no campo da Bela Vista, mas acabou por ser remarcada para o Santuário de Carrupeia porque, segundo apuramos, o Desportivo, proprietário do campo, negou que o seu vizinho e rival pudesse realizar o seu jogo naquele recinto desportivo.

Durante a partida, a posse de bola foi partilhada, quase por igual, pelas duas equipas, facto que deixou feliz os fãs de ambos os clubes.

Depois do apito inicial de António Muguambe, árbitro principal, viu-se um Ferroviário de Nacala a povoar toda largura do jogo, com as exibições de Massaua na ala direita e do malawiano Ndazione, no centro do ataque a serem grandes destaques.

Foram quase 15 minutos de domínio dos locomotivas de Nacala. Por essas alturas, os rapazes de Artur Macassar (Turito) não haviam encontrado a fórmula para neutralizar as investidas do adversário.

Ora, aos 12 minutos da partida o Ferroviário de Nacala, orientado por Sérgio Faife Matsolo, possuiu a primeira situação de golo. É que na direita, Massaua apareceu em situação de ataque rápido e depois de driblar os adversários chegou na zona da projecção da área da baliza contrária e efectuou um cruzamento que passou na cara do guarda-redes, Jonas, e não valeu em golo porque nenhum dos seus colegas apareceu a tempo para interceptar no esférico, senão o defensor que desviou para o pontapé de canto.

Chamado a cobrar o canto, Massaua que continuava sendo destaque do jogo nesses primeiros minutos fê-lo com mestria e a bola foi parar na pequena área onde estavam concentrados os jogadores de ambas partes e foi Ndazione que saltou alto e cabeceou para o golo. Estava assim feito o 1 a 0 para o Ferroviário de Nacala, quando o cronómetro registava 13 minutos do jogo.

Depois de um começo fantástico e com um golo madrugador era esperada, pela maioria naquela tarde desportiva, uma total entrega dos pupilos de Sérgio Fafe que poderia induzir aos seus adeptos a tirar da memória o 4-1 sofrido na jornada anterior diante Costa do Sol.

Entretanto, o golo de Ndazione apenas trouxe retrocesso na equipa locomotiva porque, depois daquele momento apenas o Desportivo de Nacala exibiu-se, e passou a ter boa comunicação entre os sectores. Alias, faltou a eficácia dos avançados para forçar o resultado de 1-0 com que saiu-se ao intervalo, uma vez ter criado inúmeras situações de golos nesta parte de jogo.

No reatamento da partida a equipa de Faife voltou a ser a protagonista da primeira situação de golo, através de uma jogada de bicicleta de Malate, mas o guarda-redes Jonas teve uma pronta intervenção.

Na reacção desta situação, Salas (Desportivo) partiu com posse da bola no meio campo do meio campo adversário e no exacto momento fez passe ao Taimo que tratou de fintar os adversários até penetrar na grande área, por onde, inesperadamente, tocou para ao lado do poste da baliza defendida por Dallas (Ferroviário).

O jogo ia decorrendo e as emoções nos bancos técnicos e nas bancadas eram cada vez mais acentuadas.

O golo de empate surgiu aos 70 minutos num espectacular cabeceamento de Salas que não deu possibilidades de intervenção da defesa locomotiva, e para ovação do público do desportivo ao jovem dos seus 20 anos de idade.

Depois do golo de Salas o Desportivo de Nacala continuou a comandar a partida. O Ferroviário de Nacala só viria a se encontrar nos últimos cinco minutos do tempo regulamentar, mas a defensiva do Desportivo não permitiu que a sua baliza fosse novamente violentada pelo rival.

“Parabenizar aos meus atletas que souberam sofrer até o último minuto para conseguirmos este ponto. Foi um jogo corrido e nós antevíamos isso, trabalhamos no sentido a não errarmos muito”, disse Artur Macassar, treinador do Desportivo de Nacala, no fim da partida.

Por seu turno, Sérgio Faife, treinador do Ferroviário de Nacala disse que “foi um jogo bem disputado. Foi um excelente jogo de futebol. As duas equipas se bateram muito bem. Eu penso que qualquer uma das equipas podia ter marcado golo, mas que o resultado justo tinha que ser um empate, talvez com mais golos e parabenizar as duas equipas por aquilo que fizeram, e o público que esteve aqui não deu por perdido o seu tempo”.

Com este resultado, o Desportivo de Nacala ocupa, actualmente, a sétima posição da tabela classificativa com 8 pontos e o Ferroviário de Nacala é o décimo classificado com 7 pontos.

Entretanto, o Ferroviário de Nampula somou a segunda derrota no campeonato desta vez diante do Textáfrica de Chimoio por uma bola a zero (1-0) e está mergulhado na zona de despromoção com cinco pontos. (Constantino Henriques)

Polícia alveja ladrão que deixava famílias as escuras em Mutava – Rex

Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM) alvejou, no último domingo (19), um indivíduo que se dedicava ao roubo de cabos eléctricos no bairro de Mutava – Rex, na cidade de Nampula, no norte de Moçambique.

O suposto ladrão foi alvejado nos dois membros inferiores quando encontrado em flagrante delito, tentando roubar 50 metros de cabo de fornecimento de energia eléctrica. O cabo alimentava, também, cinquenta residências, o correspondente a igual número de famílias.

Com efeito, o indivíduo foi socorrido para o Hospital Central de Nampula, onde, sob custódia policial, recebe assistência médica.

Todavia, ainda não há informações sobre o restabelecimento da corrente eléctrica na região, mas uma fonte da empresa Electricidade de Moçambique (EDM), único provedor do serviço, garantiu ao Ikweli que os trabalhos visando a reposição do cabo e a ligação da corrente eléctrica decorriam no terreno.

Ainda na mesma cidade de Nampula, na última sexta-feira, pelo menos quatro famílias ficaram sem corrente eléctrica na Unidade Comunal Muthita, no bairro de Mutauanha, na sequência do roubo, por indivíduos até agora desconhecidos, de cerca de 30 metros de cabo de corrente eléctrica.

De acordo com Dércio Samuel, chefe do departamento de Relações Públicas, no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Nampula, o suposto ladrão teria sido surpreendido na noite do último domingo com agentes da corporação em patrulha, quando o mesmo cortava cabo num poste de energia e “na tentativa de empreender uma fuga, o indivíduo foi alvejado nas duas pernas, e neste momento encontra-se em tratamento no Hospital Central de Nampula”. (Sitoi Lutxeque)

Ministra da Saúde distancia-se de cobranças ilícitas no HCN e garante trabalho para maior humanização de serviços

Nampula (IKWELI) – A ministra moçambicana da Saúde, Nazira Abdula, distanciou-se das cobranças ilícitas e mau atendimento hospitalar que ocorrem em alguns centros de saúde do país, em especial no Hospital Central de Nampula (HCN), e diz que estás más práticas são protagonizadas por um grupo pequeno de funcionários renitentes a mudanças.

Falando, recentemente, em sessão de perguntas e respostas na Assembleia da República, a governante deixou claro que “prestar cuidados de saúde de qualidade aos utentes com bom desempenho como gestores e provedores de saúde é a principal tarefa do MISAU”.

“O Ministério da Saúde tem recebido com muito desagrado algumas informações relacionadas com o mau atendimento hospitalar e cobranças ilícitas, em alguns pontos do país”, informou Nazira Abdula, para depois assegurar que “estes comportamentos anormais e anti-éticos são protagonizados por um grupo muito limitado de profissionais, contra os quais continuaremos a ser proactivos para sua identificação e respectiva responsabilização. Estes actos não dignificam a nossa missão e muitos menos a profissão que juramos abraçar”.

Muito recentemente, o tribunal judicial de Nampula condenou vários funcionários do HCN por se envolver em actos de corrupção que manchavam a imagem da instituição. Esta decisão deixou claro que a direcção da instituição e do ministério anda preocupada em garantir melhores serviços aos utentes.

A ministra da saúde deixou claro que a humanização dos serviços de saúde no país tende a ser uma realidade. “Em 2017 o MISAU elaborou e aprovou a Estratégia Nacional para Prevenção e Combate a Cobranças Ilícitas”, recordou a fonte, para de seguida reconhecer que “o envolvimento da comunidade tem sido crucial para a detenção e encaminhamento dos envolvidos nestes actos de cobranças ilícitas à justiça. Assim, queremos incentivar e encorajar este envolvimento para desencorajar as cobranças ilícitas”.

Em 2018, segundo a ministra, foram apresentadas 1.366 queixas, das quais 293 foram por mau atendimento e 60 por cobranças ilícitas, onde houve responsabilização administrativa e criminal.

Relativamente a disponibilidade de fármacos anti-maláricos, Nazira Abdula garantiu que “no depósito de Nampula existem 307.705 tratamentos, e nos depósitos de Rapale existem 7.890 tratamentos, Mogincual existem 8.910 tratamentos, Nacarôa existem 8.070 tratamentos e em Monapo existem 15.000 tratamento”. (Redacção)

Governo americano concede 110 milhões de dólares a Moçambique para assistência ao desenvolvimento

Maputo (IKWELI) – Os Governos dos Estados Unidos da América (EUA) e de Moçambique assinaram, na última quinta-feira (16), três acordos de desenvolvimento, que totalizam aproximadamente 110 milhões de dólares.

A Directora da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Jennifer Adams, representou o governo americano, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, José Pacheco, representado o Governo da República de Moçambique.   Estes acordos disponibilizam 14 milhões de dólares em financiamento adicional para os programas da USAID centrados na aceleração do crescimento económico alargado e resiliente, 13,6 milhões de dólares para melhorar a qualidade da educação, e 81,5 milhões de dólares para melhorar os sistemas e serviços de saúde.

“Com estes acordos, o Governo dos EUA irá continuar a aumentar os seus investimentos para ajudar Moçambique a alcançar um desenvolvimento socioeconómico inclusivo para o seu povo.   Com estas emendas, o investimento da USAID do ano 2019 em Moçambique totaliza 288 milhões de dólares.   Este investimento apoia programas focados em malária, saúde materno-infantil, planeamento familiar, nutrição, tuberculose, educação, agricultura, conservação da biodiversidade e, água e saneamento.   Somente, ao longo do ano passado, o actual portfólio de programas da USAID garantiu que mais de 135 mil famílias beneficiassem de assistência agrícola, distribuiu 84 mil livros escolares e adquiriu 5,6 milhões de kits de tratamento contra a malária”, refere um comunicado de imprensa distribuído a partir da embaixada americana em Maputo.

Durante a cerimónia de assinatura dos acordos, a Adams, citado pela nota de imprensa, disse que “a assinatura destes acordos marca um compromisso conjunto dos EUA e Moçambique em assegurar resultados de desenvolvimento equitativos e sustentáveis para o povo moçambicano.   Acreditamos que todas as pessoas, todas as comunidades e todos os países desejam ser empoderados para liderar o seu próprio futuro.   Apoiamos a jornada de desenvolvimento Moçambicana como um parceiro duradouro”.

A directora da USAID em Moçambique reconheceu ainda a incrível resiliência que os moçambicanos mostraram na resposta aos ciclones Idai e Kenneth, e reafirmou o compromisso contínuo do governo dos EUA nos esforços de recuperação.   Como maior doador mundial de assistência humanitária, o governo dos Estados Unidos está a investir recursos significativos para ajudar as pessoas afectadas pelos ciclones que devastaram o centro e norte de Moçambique.

“Até ao dia 1 de Maio de 2019, a USAID disponibilizou mais de 67 milhões dólares em assistência alimentar, cuidados de saúde, nutrição, abrigo, água potável, saneamento e higiene para pessoas em áreas afectadas por ciclones, trabalhando em coordenação com Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e vários parceiros internacionais para fornecer comida e outras formas de assistência a mais de um milhão de pessoa”, conclui a nota de imprensa, cujo conteúdo estivemos a citar. (Redacção)

E o Borges voltou para a residência oficial

  • O governador de Nampula garantiu que vai pagar as contas do hotel pessoalmente e pede desculpas a população.

 

Nampula (IKWELI) –  O governador da província de Nampula, Victor Borges, garantiu a imprensa que já regressou à residência oficial desde o último sábado, abandonando o Grand Plaza Hotel, instância turística para onde havia se refugiado temendo pelos ratos que tiveram invadido a sua casa.

Na manhã desta terça-feira (14), o governador convocou a imprensa para uma conferência, na qual comprometeu-se em pagar as contas do hotel, contraídas durante a sua permanência no local.

 

Victor Borges, governador da província de Nampula, que tinha abandonado a sua residência fugindo de uma suposta praga de ratos em plena cidade de Nampula
Victor Borges, governador de Nampula

“A partir de sábado passado, eu voltei a residência oficial. É verdade que há coisas que precisam ser feitas na residência mas, podem acontecer estando lá. Eu quero agradecer aqueles que me abordaram e quando me entrevistaram eu respondi o que é que se passava e, também, quero agradecer a chamada de atenção que resultou da publicação dessa notícia. Muitas pessoas manifestaram o seu desagrado por aquilo que aconteceu”, disse Borges, reconhecendo que a atitude de se mudar para um hotel foi um exagero.

Victor Borges disse na ocasião que “já tendo feito, tenho é de pedir desculpas por ter saído da residência para o hotel. E, também, dizer que perante a indignação das pessoas, achando que essa saída pode provocar encargos financeiros elevados, o que não é justo que se impute o erário público a estadia do governador no hotel, eu já comuniquei ao gabinete do governador que pelas vias que me forem possíveis vou suportar as despesas”.

Quanto ao período de permanência no hotel, o governante disse que ficou perto de trinta dias e não os pouco mais de três meses que foram veiculados pela imprensa.

A província de Nampula é a mais populosa do país e as suas gentes deparam-se diariamente com problemas sérios no acesso aos serviços básicos de saúde, educação, incluindo as vias de acesso que se encontraram, maioritariamente, em avançado estado de degradação.

“Tendo em conta que ficamos lá acima de 30 dias, vamos ver se o hotel vai cobrar na totalidade ou vai usar o princípio de que quando alguém fica num período longo há algum desconto”, disse Borges, aventando a hipótese de recorrer a empréstimos bancários para pagar a dívida.

Segundo o governador de uma das províncias mais pobres do país, durante a sua estadia no hotel, as contas fixaram-se em um milhão e trezentos e cinquenta mil meticais (1.350.000,00Mt) mas, “consoante o valor final que for fixado é possível pedir um empréstimo bancário para pagar. Vamos fazer isso”:

Borges reconhece o papel da mídia

“Quem abordou o assunto fez bem. Também, recebi chamadas de atenção e no mesmo dia em que eu tomei nota da notícia, quando surgiu nas redes sociais, voltei ao palácio. Isso significa que respeitei aquilo que foi o comentário e chamada de atenção, ao invés de procurar defender-me. E a pessoa que escreveu a notícia não fez mal nenhum. Imprensa é isso mesmo, para coisas boas e más, também”, disse Borges em claro reconhecimento do papel da mídia na sua mudança de decisão e retorno a residência oficial.

O Ikweli foi um dos órgãos que, respeitando o cruzamento de fontes, tratou de publicar a notícia nas suas plataformas (www.ikweli.co.mz, facebook/jornalikweli e na sua versão electrónica em pdf). Foi a partir dai que o assunto ganhou vários contornos e maior visibilidade.

 

“Administrador do palácio não tem culpa”

Victor Borges disse que não vai responsabilizar administrativamente nenhum funcionário pela sua mudança para o hotel.

A residência oficial do governador conta com um administrador que, em condições normais, é o responsável pelo saneamento e higiene da infra-estrutura mas, Borges disse que não vai responsabiliza-lo por nada.

“Não! Ele não tem culpa. Nós estamos perante uma situação em que a residência tem um espaço amplo que ocupa e nem sempre é possível controlar um espaço que é vago. Eu nasci e cresci no campo e minha família, praticamente, é camponesa e onde eu vivia existiam ratos. Na verdade, eu não fugi de ratos, permiti apenas que os focos onde havia ratos pudessem ser controlados, de maneiras que à invasão que havia pudesse ser minimizada de maneiras que tivéssemos uma tranquilidade”, concluiu o governante. (Sitoi Lutxeque e Aunício da Silva, Fotos: Hermínio Raja)

 

Governador de Nampula foge ratos na residência oficial e abriga-se em hotel de luxo

  • Entre Janeiro e Março, o governo pagou pouco mais de três milhões e quinhentos mil meticais (3.500.000,00Mt) para o alojamento do governador no Grand Plaza Hotel de Nampula.

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Victor Borges, vive há, sensivelmente, três meses no mais luxuoso hotel da capital provincial, alegadamente, porque a sua residência oficial foi “assaltada” por ratos.

Resiência do governador de Nampula, localizada na avenida Eduardo Mondlane na cidade de Nampula pertença a igreja católica
Vista área da residência oficial do governador de Nampula

Nampula é a mais populosa província do país e, também, das mais pobres. A população é carenciada e os índices de desnutrição crónica são altos. Nos hospitais públicos falta um pouco de tudo, incluindo o paracetamol.

Enquanto Borges vive no Grand Plaza Hotel, os seus seguranças continuam a proteger a residência oficial que é, actualmente, ocupada por ratos, ou seja, “os seguranças estão protegendo ratos”, comenta-se nas esquinas de café locais, sobretudo porque os passeios da referida residência, localizada em plena avenida Eduardo Mondlane, estão vedados ao acesso do cidadão.

A residência oficial do governador de Nampula pertence a igreja católica, a qual vem exigindo a sua devolução. A mesma foi “parar” nas mãos do governo no advento das nacionalizações, anos a seguir a independência nacional, conquistada em 1975.

Segundo apurou o Ikweli, primeiro foi a família do chefe do executivo de Nampula que abandonou a residência. Dias depois, o timoneiro seguiu-a.

Nossas fontes no hotel confirmaram que o estado paga, diariamente, pouco mais de 40.000,00mt (quarenta mil meticais) [cerca de dez salários mínimos] para garantir comodidade ao dirigente e sua família.

Este é o Grand Hotel Plaza, local para onde Victor Borges se mudou
Grand Plaza, hotel para onde Victor Borges e família mudaram-se.

“Neste momento, o governo ainda não pagou nenhuma conta porque diz que não tem dinheiro. Provavelmente, a factura poderá ser paga logo que ele abandonar o hotel”, disse-nos a nossa fonte.

Victor Borges confirmou a sua instalação temporária mas, duradoura, no referido luxuoso hotel e justifica que o procedimento tem autorização devida por a sua residência ter sido invadida por uma praga de ratos.

Num outro desenvolvimento, o dirigente garantiu que a residência já está em obras de reabilitação, podendo regressar dentro de três semanas. (Aunício da Silva e Celestino Manuel)