Nampula (IKWELI) – O Presidente da República (PR), Filipe Nyusi, iniciou na manha de hoje (quinta-feira, 27) uma visita de trabalho a província de Nampula, a mais populosa do país e maior círculo eleitoral, prevendo deslocar-se para os distritos de Lalaua, Moma e Nacala – Porto.
Facto curioso é que a chegada do PR ditou o encerramento literal de quase todas as instituições públicas, incluindo escolas, onde os alunos foram forçados a caminhar longas distâncias para irem, alegadamente, receber Filipe Nyusi no aeroporto internacional de Nampula.
A reportagem do Ikweli conversou com diversas crianças que caminharam mais de 10 quilómetros, escoltados por professores, para chegaram ao aeroporto onde as 9h aterrou o PR.
“Eu estudo na Escola Secundária de Cossore. Hoje lá não há aulas porque vamos receber o presidente da República”, disse uma aluna da 10ª classe entrevistada pela nossa equipa de reportagem.
“Os professores disseram que quem não for ao aeroporto vai ser sancionado e pode chumbar”, conta-nos um outro estudante que não estava a favor da medida tomada pela direcção da escola.
Outrossim, as crianças dizem-se desapontadas pelo facto de serem obrigadas a carregar bandeiras e outros símbolos do partido Frelimo.
Na Escola Secundária de Teacane, localizada no bairro de Natikiri, a direcção da escola emitiu uma circular para que todos os funcionários docentes e não docentes se dirigissem ao aeroporto vestidos com roupa de cor vermelha.
O Ikweli, igualmente, visitou algumas instituições públicas, como é o caso da Secretaria Provincial, e a mesma estava as moscas. Os seus funcionários tinham ido ao aeroporto. As direcções provinciais da Agricultura e Segurança Alimentar, Saúde, Obras, Habitação e Recursos Hídricos, Economia e Finanças, Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, também, apresentavam o mesmo cenário. Tudo paralisado e nada podia acontecer.
Para além de funcionários públicos, alunos e agentes privados, membros do partido Frelimo, de que é presidente Filipe Nyusi, também, foram as massas para o aeroporto de Nampula.
Viaturas do estado foram destacadas para transportar membros do partido Frelimo para o aeroporto internacional de Nampula. Na rotunda do aeroporto, o Ikweli falagrou logo pelas 7h da manhã várias viaturas do estado a descarregarem membros da Frelimo. (Aunício da Silva e Redacção)
Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, deteve dois membros do partido Movimento Alternativo de Moçambique (MAMO), por sinal mandatário e delegado político, alegadamente, por terem sido encontrados, em flagrante delito, recolhendo cartões de recenseamento eleitoral nos distritos de Nampula e Nacala-Porto.
Trata-se de Pedro Eugénio, delegado do MAMO no posto administrativo urbano de Muhala, no concelho autárquico de Nampula, e Albino Juma, mandatário do mesmo partido no concelho autárquico de Nacala-Porto, as duas mais importantes autarquias do norte do país.
De acordo com Eugénio Estêvão de Fátima, secretário – geral (SG) da mesma formação política, os seus correligionários foram detidos ilegalmente, porque todos estavam devidamente identificados, e procediam a actividade com vista a recolher assinaturas para suportar a inscrição do candidato do MAMO para Presidente da República.
No entender deste político, esta acção policial é uma clara perseguição, ao que não entende as motivações fora desta visão, sobretudo porque os cartões recolhidos, incluindo o do provável candidato, pertencem aos membros do partido.
“Os mandatários estão a recolher assinaturas dos membros e simpatizantes do partido para apresentar a nossa candidatura ao Conselho Constitucional”, disse De Fátima.
A fonte disse ainda que os membros do partido de que é dirigente estão a sofrer fortes perseguições movidos por agentes da PRM.
No actual briefing semanal da PRM, o porta-voz da corporação, Zacarias Nacute, confirmou a detenção dos membros do MAMO, alegadamente, porque a população os denunciou por achar uma actividade anormal. (Celestino Manuel)
Nampula (IKWELI) – A província de Nampula, a mais populosa do país, conta desde ontem, segunda-feira (24), com um Centro de Atendimento Integrado (CAI) das vítimas de violência doméstica com serviços especializados.
O governador de Nampula, Victor Borges, testemunhou a inauguração, mostrando satisfeito com a iniciativa por acreditar que vai reduzir no tempo de espera para atendimento das vítimas de tais práticas pois, segundo disse, somente na cidade de Nampula, durante o primeiro semestre do corrente ano foram registados 884 casos de violência doméstica.
O dirigente aponta mulheres e crianças como sendo as maiores vítimas de violência doméstica no mais importante concelho autárquico do norte do país.
“Homem que é homem não bate na mulher, mas vamos acrescentar, também, que mulher que é mulher não bate no homem e na criança. Fazendo isso, estaremos a caminhar para a equidade e a igualdade de género. Façamos esforço, todos nós, homens e mulheres, adultos e crianças para que cada vez mais vivamos em harmonia na família e na sociedade onde nós estamos, que vivamos em harmonia e paz. O nosso propósito é que possamos ter zero (0) casos de violência geral para que daqui há alguns anos não tenhamos o CAI, mas sim que a violência caia”, desafiou Borges aos presentes.
A nova unidade vai prestar serviços de natureza jurídica, médica e psicossocial às vítimas, nomeadamente mulheres, homens, crianças, jovens e idosos vítimas de violência.
De acordo com Angelina Lobrino, directora provincial do Género, Criança e Acção Social de Nampula, é objectivo do centro aumentar e melhorar a qualidade dos serviços prestados às vítimas de violência doméstica.
“CAI é diferente do Gabinete de Atendimento a Família e Criança, porque o CAI compõe esses elementos todos que são o sector da assistência social, saúde, polícia e justiça. Hoje o CAI tornasse realidade. Foi uma longa caminhada para conseguirmos chegar até aqui. Primeiro porque não tínhamos condições financeiras, ainda que tivéssemos físicas”, disse Lobrino.
O CAI foi concebido com apoio financeiro do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, sigla na inglesa), através da agência Catalaca que opera em Nampula há 20 anos.
Por seu turno, Simão Chatepa, representante do UNFPA, disse que “o CAI vai beneficiar muitas mulheres, raparigas homens. Que nenhuma vítima deve ser deixado para atrás porque todos contam. É importante contar com as realizações de acção de sensibilização para que mais mulheres e raparigas adiram ao CAI”. (Elisabeth Tavares)
Nampula (IKWELI) – A não inscrição de atletas na Associação Provincial de Futebol de Nampula (AFPN) por alguns clubes que militam no campeonato provincial de futebol onze, vulgo Nampulense, está a ditar a paralisação da competição.
Informações na posse do Ikweli indicam que a não realização dos jogos da 6ª jornada, marcados para o último fim-de-semana, está ligada com o mesmo assunto.
As primeiras cinco jornadas foram disputadas com jogadores não inscritos, mediante uma compreensão da entidade organizadora que emitia credenciais para as equipas se apresentarem com os seus atletas nos recintos desportivos.
A APFN reuniu-se na semana passada com os clubes, e fixou a próxima quinta-feira (27) como data limita para que a situação seja regularizada pelos competidores.
“A falta de cartões compromete a realização do campeonato, porque não se pode jogar de qualquer maneira. O cartão é justificativo porque você vê a cara do jogador e confirma na ficha. Numa primeira fase nós demos credencial aos clubes, mas os prazos já foram ultrapassados, iam até último mês de Maio”, disse António Moisés, presidente da APFN, garantindo que “agora temos que bater o pé no chão que não vamos retomar o Nampulense sem que se resolva o problema de cartões”.
Os clubes pedem para que o prazo seja de dez dias, no sentido de garantir que as condições financeiras sejam favoráveis para o efeito. A AFPN cobra, pela inscrição de cada jogador, mil meticais (1.000,00Mt). (Constantino Henriques)
Na Grande Entrevista de hoje, a nossa figura eleita é um homem do desporto. Abdul Hanane, então presidente do clube Sport Benfica e Nampula.
Dirigiu a colectividade por mais de três décadas e viu-se obrigado a abandonar por força dos novos estatutos.
Hanane canta glórias durante o tempo que dirigiu o clube mas, também, está triste e arrependido porque o seu legado não está a ser valorizado como deve ser. Na entrevista realizada no campo do Benfica, no populoso bairro de Namicopo, Hanane foi um homem com um semblante meio triste por entender que deu mais ao clube que agora está em disputa, do que deu a sua própria família, inclusive chegando mesmo a perder esposas.
Acompanhe na íntegra a entrevista.
Entrevista conduzida por Aunício da Silva e Constantino Henriques, com fotos de Hermínio Raja
Jornal Ikweli (Ikweli): Senhor Abdul Hanane, será que ainda temos o Benfica de Nampula?
Abdul Hanane (Hanane): Uma pergunta muito simples, mas difícil de responder pelos factos que tem estado a correr. Mas, para satisfazer a sua pergunta respondo que não vamos ter o Benfica de Nampula tão já, porque há um caso que está na justiça desde o ano antepassado e temos assistido um teatro caricato quer ao nível do governo, na justiça e por ai fora. Isto porque, pela primeira vez na minha vida estou vendo, vivendo e sofrendo uma situação que jamais aconteceu na história de futebol deste país. O que está a acontecer, efectivamente, é o mesmo que dizer Moçambique tem um parlamento que aprova leis só para por na gaveta e não há necessidade de termos deputados. A famosa democracia não existe, e se existe não é interpretada. Mas a ver vamos.
Ikweli: O que está a acontecer efectivamente?
Hanane: O que está acontecer é que alguns indivíduos que dizem ser antigos sócios estão a cometer desmandos. A palavra por si só, antigos sócios, já exprime o verdadeiro sentido das coisas. Eles eram antigos sócios e não estão no direito, não tem requisitos, e não estão na condição de exigir, absolutamente, nada. E é isso o que estamos a assistir no Tribunal Judicial da Cidade de Nampula, na pessoa do senhor Juiz Fernando Emaga que pura e simplesmente ignora os factos. O director provincial da Juventude e Desporto de Nampula, também, não foi capaz de discernir, mas vimos alguns técnicos da mesma direcção a dizer que é um assunto que deve ser dirimido apenas ao abrigo da lei do Desporto e dos estatutos do Benfica, pela Assembleia do Benfica que é constituído pelos sócios devidamente legalizados.
Ikweli: Então, onde é que foram as glórias do Benfica de Nampula para chegar-se a esse nível?
Hanane: Chegamos a esse nível porque passamos algumas transições após a independência. Nós deixamos de ser Benfica e passamos a ser Muahivire, por razões políticas do momento, depois novamente voltamos a Benfica. A nova identidade do clube fez com que o poder da massa associativa desaparecesse, uma vez que se tinham integrado um leque de empresas, que faziam parte as Obras Públicas, a GEOMOQUE, a CINAP, APIE, empresa das Águas e muitas outras que acabaram entrando na falência. O Muahivire, portanto, perdeu a sua hegemonia, perdeu o seu patrocinador que injectava dinheiro, e não só, quem dirigia o clube eram os directores dessas empresas de forma intercalada, e o poder social perdeu a sua força. Por isso, o clube perdeu a hegemonia de ter sócios porque os sócios perderam a cultura de pagar quotas e é aqui onde começa o grande problema.
Uma das formas que encontramos, nós os sócios, era de que voltássemos a antiga designação na esperança de que o Benfica de Lisboa pudesse nos abraçar dando uma cooperação o que, infelizmente, não aconteceu, porque um dos requisitos era de que tivéssemos pelo menos 10 sócios inscritos no Benfica de Lisboa. Conseguimos algum número e ficamos com o horizonte de termos a casa do Benfica de Lisboa em Nampula, mas acabou caindo água abaixo porque em 2005 tínhamos os estatutos preparados e havíamos decidido que a sede do Benfica seria mesmo no Muahivire. Nas nossas instalações já havíamos construído um centro cultural, o Wamphula Café, e foi quando houve uma rebelião protagonizada pelo senhor Baptista e o falecido Muarepuete. Ai, eu entreguei o Benfica e fui para Maputo. Foi ai que as glórias do Benfica, do Muahivire, começaram a desmembrar com pessoas que não se identificam, apenas falam.
Ikweli: O Hanane viveu, praticamente, a vida inteira no Benfica de Nampula?
Hanane: Sim, 30 anos.
Ikweli: Há uma relação familiar com o Benfica de Nampula?
Hanane: Uma grande relação, porque o meu pai fora presidente deste clube. Eu era jogador do clube em 1979/80, depois fui a minha formação, em Maputo. Foi nessa altura em que as empresas do Estado começam a ficar falidas e a desaparecer e o meu pai assumiu. Ele era um dos sócios, adepto e simpatizante do Benfica de Nampula.
Ikweli: Está a dizer que a sua família investiu muita fortuna no Benfica de Nampula?
Hanane: Muita, muita. O meu pai investiu muito dinheiro, pagou salários, comprou muito material para o clube, a semelhança do que eu fiz, foi uma continuidade.
Ikweli: É verdade que o senhor Hanane vendeu o património da família para apoiar o Benfica de Nampula?
Hanane: É verdade. Vendi a padaria do meu pai para ver se podia pagar as dívidas do clube. Na altura conseguimos levar o clube no campeonato nacional de futebol da primeira divisão, hoje Moçambola. A padaria sustentava o Benfica de Nampula na década 90 e 2000. O clube tinha muitas dívidas.
Ikweli: Estamos a falar de quantos mil?
Hanane: Neste momento não posso dizer, concretamente, os números.
Ikweli: Isto trouxe-lhe algum problema no seio da família?
Hanane: Não. Porque eles perceberam a intenção. Quer a minha mãe, quer os meus irmãos sabiam que o meu pai se identificava com o Benfica de Nampula. Ele era louco, prontos, como eu sou, e nós quisemos dar continuidade a este projecto, mas há outros que apesar de ter jogado no Benfica, assumiram algumas pastas no seio do clube, mas nunca tiraram dinheiro para sustentar o clube, e isso lhes tira o direito de julgar a quem quer que seja.
Ikweli: E ao nível dos casamentos? Algum problema?
Abdul Hanane
Hanane: Realmente. Elas [antigas esposas], também, colaboraram, cozinhando para os jogadores, lavando os equipamentos do clube, estando em frente da realização de jogos e na bilheteira, para angariar mais receita para o próprio clube. Algumas viram que, realmente, não era este o projecto de um casamento, e acabaram, portanto, se divorciando, e foram a procura de outra vida diferente desta que eu levava, em que dava mais tempo ao clube. Com o meu dinheiro comprei mais equipamento do que pão para casa.
Ikweli: Arrependesse por isso?
Hanane: É mais uma pergunta difícil de responder. Apesar do que os meus filhos passaram, não há espaço para arrependimento porque fiz sorrir muitos jovens desta cidade e província, pelo sorriso que sinto aos moçambicanos do Rovuma a Maputo. Alegria que eu sinto nas crianças ao me chamarem, quando passo, é gratificante. Ajudei alguns jovens que fui chamar nos bairros, nas escolas, e alguns deles até foram representar a selecção, alguns conheceram Portugal, Seychelles e Brasil.
Ikweli: Recordasse de alguns?
Hanane: Sim. O Figo, Germino, Isaac, Imo, Joa (que acabou com a careira muito cedo), Rivaldo, Chana (que já esteve, também, na selecção nacional). No caso em particular do Chana, deixou-me com uma mágoa muito grande, porque com o bilhete de ir para Portugal, na Academia do Sporting para estar ao lado do Cristiano Ronaldo, perdeu a oportunidade porque Filipe Jacinto Nyusi [quando presidente do Ferroviário de Nampula] entendeu que devia lhe dar 25 mil de contrato. Como jovem, com 19 anos, nunca tinha visto esse valor acabou ficando em Nampula.
Ikweli: No tempo em que presidiu o Benfica de Nampula, já foi campeão alguma vez?
Hanane: Já fui campeão várias vezes no campeonato provincial. Já fui campeão no regional, levei o Benfica de Nampula para o campeonato nacional de futebol da primeira divisão, onde descemos com 19 pontos. Tivemos muitos títulos no atletismo, basquetebol, andebol. A grande marca que ficou no campeonato nacional de futebol da primeira divisão foi por termos ajudado o Ferroviário de Nampula, porque o excelentíssimo Presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi, na altura presidente do Ferroviário, e Abdul Razaque, então governador de Nampula, pediram ao Benfica de Nampula para que não pudesse perder com os directos concorrentes do Ferroviário na tabela classificativa, e nós vencemos todos adversários dele, então, o Benfica de Nampula, de Abdul Hanane, chegou a ser Jesus Cristo do Ferroviário de Nampula.
Ikweli: Vamos voltar as turbulências.
Hanane: A vontade.
Ikweli: É o património que está no meio de todo esse conflito?
Hanane: Honestamente não sei se é isso ou não, porque foi isso que os nossos advogados questionaram nas questões prévias perante ao juiz. Nós não estamos a saber o que há de concreto. Primeiro, quem são esses indivíduos, e segundo o que essas pessoas querem.
Ikweli: Portanto, a decisão do Tribunal é de que o senhor Abdul Hanane, o senhor Aiupa e os outros estão vedados de ter acesso ao património do clube. De que património, exactamente, se refere? A providência cautelar refere que não se podem identificar pelo Benfica de Nampula, nem usar o património muito menos a marca do clube.
Hanane: Enquanto eu não for notificado dessa sentença, não tiver esse documento, não há ninguém que me pode vedar. Falo isso com toda categoria, para além de que mesmo recebendo esse documento a lei me dá prerrogativa de poder recorrer. Por isso, estou a espera que receba esse documento para dai eu agir e reagir.
Ikweli: Vamos voltar para Muahivire. Como é que o Benfica saiu de lá para Namicopo?
Antigo complexo desportivo do Benfica de Nampula
Hanane: Houve um processo de execução que está arquivado no Tribunal Judicial da Província de Nampula fruto de um valor que, na altura, José Maria Domingos Anacleto levantou no banco Barclays, na altura 100 milhões, actualmente 100 mil meticais. Passados 12 anos o Tribunal decide executar o Benfica de Nampula, e é nesse processo que começa o desenho desta transferência de património de lá para cá. Nós tínhamos cinco dias para pagar mais de 660 mil Meticais e o clube não tinha esses valores.
Ikweli: Quem é José Maria Domingos Anacleto para o Benfica de Nampula?
Hanane: Ele, na altura, era construtor e presidente do clube. Levantou valores hipotecando o património do Benfica de Nampula. O Marcelo Castelo Branco estava lá, o falecido Mussagi estava lá, o falecido Manuel de Sousa estava lá, entre outros.
Ikweli: Então a direcção do Hanane viu-se obrigada a vender o património para salvar a dívida?
Hanane: Não, não vendemos. O que aconteceu foi troca de instalações. No último dia, tivemos uma situação que era para podermos salvaguardar os interesses do clube. Foi quando a Sonil aceitou pagar a dívida para depois nós marcarmos uma Assembleia para decidirmos como seria a negociação deste valor que a Sonil estava a pagar. Foi assim, e passado um mês, de acordo com os estatutos, convocamos uma assembleia onde decidimos que devíamos ouvir qual era a proposta da Sonil que tirou uma proposta de ficar com as instalações, uma vez que estava interessada em montar um projecto, e o Benfica podia escolher um espaço onde podíamos construir esta infra-estrutura que está aqui diante dos vossos olhos [local onde decorreu a entrevista]. Foi exactamente isso.
Se não tivéssemos feito isso, nós nem teríamos esse património. Eu não sei onde é que o Benfica de Nampula estaria, e nem sei se há 12 anos o Benfica de Nampula existiria. Eu não sei a quem a tal comissão iria pedir a prestação das contas.
Ikweli: Tirando este património, o Benfica de Nampula encaixou algum valor vindo da Sonil?
Hanane: Não, não houve encaixe de nenhum valor.
Ikweli: Quanto está avaliado este património?
Hanane: Este património está avaliado em 400 mil dólares (cerca de 24 milhões de meticais ao cambio do dia).
Campo do Benfica em Namicopo
Ikweli: Qual é a dimensão e o que temos?
Hanane: Temos um espaço de cinco hectares. Temos dois edifícios: um designamo-lo de serviços, onde temos três balneários de jogadores e árbitros bem equipados, e temos uma cozinha e um refeitório. Temos um centro de estágio com sete quartos, onde cada quarto pode aguentar quatro beliches. Temos um centro social bem equipado, também. Do outro lado, temos uma sala com capacidade de acolher 250 pessoas. Temos cinco gabinetes para a direcção, amplos, temos duas bancadas onde temos 34 camarotes, casas de banho e serviços de bar. Temos, também, o parque de estacionamento, temos um furo de água, um tanque interno, temos iluminação em todo património. Temos, também, um espaço de 2.7 hectares para ser explorado, para além deste campo de futebol.
Ikweli: Vamos falar um pouco da gestão. Porque tomou a decisão de deixar a direcção?
Hanane: Por força dos estatutos tive que deixar porque já cumpri com os meus mandatos. Infelizmente, não estou chateado por isso porque a minha área é mais para a formação. Alias, nunca sonhei em ser presidente do Benfica, na altura que entrei não havia alguém para assegurar o clube e fui assegurando dentro do possível.
Ikweli: Quantos anos ficou em frente do Benfica?
Hanane: 30 anos.
Ikweli: Quantos mandatos?
Hanane: Na altura não havia essa coisa de ciclo.
Ikweli: E agora?
Hanane: Há 10 anos com a aprovação dos estatutos tudo mudou. Nos tentamos imitar. As pessoas confundem o mandato governamental com o mandato de um clube, o que não acontece com outros países, sobretudo europeus.
Ikweli: Qual é a sua relação com o senhor Aiupa Abudo?
Hanane: Aiupa foi meu jogador, aqui no clube. Ele cresceu aqui, vindo de Memba, e pelas suas qualidades foi contratado pelo Ferroviário de Nampula e foi muito ajudado pelo ex-presidente do Ferroviário, Filipe Jacinto Nyusi. Depois de deixar de jogar colaborou com o clube, ocupou as pastas de tesoureiro do Benfica de Nampula nesses últimos seis anos, participou alguns cursos de treinador de futebol, e como gestor desportivo, por isso ao nível da direcção os colegas acharam que a melhor pessoa que podia substituir Abdul Hanane é Aiupa Abudo.
Abdul Hanane e Aiupa Abudo no banco dos réus
Ikweli: Conhece o senhor João Baptista?
Hanane: Conheço-o muito bem.
Ikweli: Tem alguma relação com ele?
Hanane: Ele foi treinador de atletismo no Benfica de Nampula, nessa altura tínhamos condições de movimentar o atletismo. Movimentávamos o Basquetebol.
Ikweli: Tem alguma mágoa para com o senhor João Baptista?
Hanane: Não, não tenho nenhuma mágoa com ele. Infelizmente, ele não está a proceder bem, porque ele não paga quotas no Benfica de Nampula. Este comportamento é a forma de estar dele. Ele acha que está no direito, mas não está.
Ikweli: Quantos sócios têm o Benfica de Nampula actualmente?
Hanane: Nós temos 247 sócios.
Ikweli: Quem é Abdul Hanane?
Hanane: Abdul Hanane é um cidadão macua, um Nahara, natural de Matibane, de 56 anos de idade. Estudou na cidade de Nampula. Fez a sua 4ª classe em 1975 em Murrupula. Em 1976 foi a Maputo onde ficou três anos. Estudou a religião muçulmana, inglês, tendo em 1979 regressado para Nampula fazendo a sua 5ª e 6ª classes.
Em 1980 foi incorporado no Serviço Militar Obrigatório. A caminho da Rússia acabou pela decisão da Graça Machel, na altura ministra da Edução e Cultura, forçosamente, que tinha de tirar o curso de professor, e passados 10 anos foi professor da Escola Secundaria de Nampula onde ocupou várias posições, e de lá para cá abraçou a carreira de treinador de futebol no Benfica de Nampula, então Muahivire nas categorias de Juvenis e Juniores, mas antes era treinador de Futsal, a convite do senhor Henriques Gamito, na altura director provincial das Finanças de Nampula e presidente do clube na altura.
A partir de 1998, a convite dos sócios gere uma comissão para instauração da nova direcção do Benfica de Nampula, porque o clube estava abandonado. Substitui, portanto, o Anacleto.
Pai de oito filhos, fruto de cinco casamentos mal sucedidos, mas o sorriso das crianças e do povo moçambicano é o mais importante.
Abdul Hanane e a equipa do Ikweli
Ikweli: E para terminar….
Hanane: Infelizmente, há outros que não gostam de ver coisas boas e acabam denegrindo-me. Tive 10 certificados em nomeação socialista como professor. Tenho vários certificados de mérito como desportista, como treinador de futebol. Tenho várias formações e hoje graças a Deus sou instrutor de futebol.
Não estou preocupado com pessoas que querem denegrir a minha imagem, porque eu sei que ninguém acredita do que falam de mim, as pessoas são verdadeiras testemunhas de toda esta obra. Não é o João Baptista, o pai de João Baptista, nem o Yahaia, nem o tio do Yahaia, não é o Faife, esse grupo de pessoas que não tem o mínimo de responsabilidade, o mínimo de vergonha querer denegrir a imagem de um indivíduo que durante 30 anos sustentou o clube. No mínimo, se fossem sócios do clube e pagar as suas quotas. Tenho dito que Deus sabe e o tempo resolve os nossos problemas.
Só para ver, antes de mais aqueles correram tanto para afiliar o clube, nem jogadores tem, nem bola, nem bota, nem equipamento. Estavam a confiar o quê? Este património é fruto da inteligência de Abdul Hanane e sua direcção, de Estêvão Rupela, Joaquim Augusto, Jose Manuel Mpavara, Luís Maiope, de Helder, Muemba, do Rui Marque, Faria Dias Selemane, e toda equipa de trabalho que fez com que em curto espaço conseguíssemos convencer um empresário e viesse nos construir, portanto, este património.
Por isso, a breve trecho, nós aguardamos pela notificação da sentença, vamos recorrer as últimas instâncias. Aqui vai nascer sim, o Águias de Namicopo ou o Benfica de Namicopo. O Benfica de Nampula fica com o tal João Baptista, com o seu Juiz e seu advogado, lá no Muahivire poderão ir no município procurar um espaço, fiquem lá e muito bem porque aqui não. Deixe-nos em paz, vão ter com o Anacleto que levantou o dinheiro e não pagou as contas lá. Vão ao Tribunal e pedir o processo se existe ou não, eu não invento processos. A escritura que a Sonil assinou legalmente está lá na conservatória há mais de 12 anos. Então pergunto, onde é que estava o João Baptista e todos esses quando o clube tinha dívidas, quando o clube tinha problemas?
Agora quando se apercebem que há jogos e espectáculos em Namicopo vem a correr. Aqui onde estamos não havia campo nenhum. Nenhuma alma viva chegava aqui, era um sítio em que as motas eram roubadas e as pessoas eram assassinadas. Nós trouxemos alegria neste povo e neste lugar, hoje estão aqui crianças a jogar temos aqui um património, temos um espaço. O que eles querem? É inveja? Sinceramente. Se eles querem, a lei não proíbe, o conselho municipal está aberto, façam o seu clube, nós já dissemos que fiquem com os estatutos do Benfica de Nampula, fiquem com o que vocês quiserem, mas, por favor, arranjem um espaço com o município. Querem ser o Benfica de Muahivire, sejam o que vocês querem ser, mas a verdade é que o Benfica de Nampula tem estatuto e estão lá, Abdul Hanane, Estêvão Rupela, e infelizmente um desertor o César Brito, como membros fundadores do Benfica de Nampula, então que haja respeito. Se neste país existem leis por favor, que tribunal é esse, que juiz é este? Como é que ele decide uma coisa e não identifica a outra parte, e nem sequer a petição nos foi dada para nós podermos nos defender. Quer dizer ele decide que nós sejamos julgados a revelia mesmo na nossa presença? Isto é absurdo. Em que país nós estamos? Nós vamos as últimas consequências. Inclusive, se for preciso para o futebol parar em todo o país, eu vou fazer parar o futebol neste país. Agora vou preparar a documentação para FIFA com o conhecimento da Federação Moçambicana de Futebol, e agora as coisas vão aquecer. É agora que vão conhecer na verdade quem é o Abdul Hanane, mesmo que seja para vender a minha casa posso fazer para vingar a justiça, para mostrar. Neste país existiram pessoas que morreram, mas deixaram o seu nome, eu, também, vou morrer para endireitar aqueles que se julgam alimentar-se da corrupção e de fantasias. Esta é uma grande falta de respeito e desencorajador.
Vou fazer isso em nome dessas crianças, porque não existem dois Hananes neste país que se preocupam com estas crianças, em nome dessas crianças.
Nampula (IKWELI) – Mahamudo Amurane, terceiro autarca democraticamente eleito para a cidade de Nampula, sonhava com uma urbe com elevados padrões de civilização, onde os seus moradores tivessem uma qualidade de vida elevada e urbana.
Dentre vários projectos de que se lhe conhecem, Amurane sonhava até com mercados modernos e de alta qualidade, onde nenhum serviço falta-se.
Das várias experiências que o malogrado autarca, assassinado no princípio da noite do dia 4 de Outubro de 2017, viveu fez com que concebesse projectos de grande gabarito para um espaço que se chame cidade.
No populoso bairro de Namicopo, Mahamudo Amurane projectou a construção do chamado “Shoping do Povo”, o qual, quiseram os seus algozes, a morte macabra tirou-lhe a oportunidade de vê-lo pronto.
Foi Américo da Costa Iemele, segundo autarca interino, que teve o prazer de inaugurar o espaço.
Com o assassinato de Amurane, Manuel Tocova, primeiro presidente interino da autarquia, decidiu deitar abaixo os esforços e acções desenvolvidas durante o reinado mais brilhante de um autarca na mais importante cidade do norte de Moçambique. O topo da história foi o regresso, por chamamento do Tocova, dos vendedores de rua.
Depois de uma vacatura, e consequente realização de eleição intercalar, Nampula elegeu o seu quarto edil, Paulo Vahanle.
Vahanle voltou a ser reeleito na eleição autárquica regular de Outubro de 2018. Os desafios e dificuldades encontrados na autarquia eram enormes, mas as promessas eleitorais era pôr cobro a todas elas.
Nas duas últimas semanas Vahanle anunciou que os vendedores de rua deviam sair dos passeios e avenidas da cidade que dirige. A medida foi acatada nos locais onde o autarca foi pessoalmente.
A avenida do Trabalho passou a ter uma nova vista. Vendedores de legumes, peixe, frutas e outros mantimentos abandonaram, voluntariamente, os passeios e dirigiram-se, na sua maioria, para o Shoping do Povo, onde neste momento desenvolvem as suas actividades.
A reportagem do Ikweli visitou a majestosa infra-estrutura onde funciona o Shoping do Povo, na manha desta terça-feira (18), e notou que amiúde os vendedores estão aceitando o lugar, caso para dizer que Mahamudo sorri do alto dos céus por ver um dos seus maiores projectos e desejos aceite pelos munícipes.
Vendedores entre a satisfação e a revolta
Os vendedores que, voluntariamente, aceitaram ir ocupar os espaços existentes no Shoping do Povo estão felizes com a qualidade dos serviços no local, incluindo as infra-estruturas de apoio, mas estão revoltados pelo facto de outros comerciantes não estarem de acordo em ocupar o centro comercial, e assim fazerem com que os clientes parem nas zonas próximas a cidade cimento.
A lamentação dos vendedores é no sentido de os gestores do concelho autárquico obrigarem os que não estão se predispondo a ir para o Shoping de Povo e garantir justiça e acesso aos clientes por parte de todos os comerciantes.
“Eu vendia na padaria Nampula. Mudei-me para aqui na semana passada. Aqui é muito melhor, porque esse mercado é grande em relação na padaria. Ali tínhamos medo de carros e ladrões. Como é na estrada há muitos ladroes”, disse Mariamo José, vendeira de legumes.
Maria José, vendedeira no Shoping do Povo
Eusébio Costa vende diversos bens no Shoping do Povo e reclama a falta de clientes. “Eu estava a vender no mercado da CETA, então mudei dali para aqui, mas não estou a ver nada aqui. Há uma semana que comecei a vender aqui, nem meu dinheiro não sai. Assim que estás a ver, comprei essas coisas aqui há uma semana, nem meu dinheiro não saiu”, reivindica Costa, para depois pedir a “todos os vendedores para virem aqui, porque se formos unidos e organizados todos vamos ganhar”.
Eusébio Costa
“Se no posto [referindo-se aos vendedores localizados próximo ao posto administrativo urbano de Namicopo] mudarem nós vamos ter movimento”, disse Natália António, que afirma que “todos clientes costumam a estar no posto, então virem aqui mesmo no Shoping do Povo, mesmo os da Padaria Nampula virem. Aqui, também, é mercado, só que está no bairro. Vamos vender aqui e estou aqui desde a semana passada”.
Natália António
“Eu vendia no posto e hoje estou a completar 15 dias desde que me mudei para este mercado bonito”, disse Amido Mussa, outro vendedor que, voluntariamente, decidiu mudar-se para aquele mercado.
Amido Mussa
No entender desta fonte, “a diferença é aqui parece mais seguro. Nós acatamos a recomendação do presidente Vahanle, mas o movimento não está a ajudar-nos”.
“Estamos a ser felizes”
O vereador do pelouro da Promoção Económica, Mercados e Feiras, Osvaldo Ossufo Momade, confirmou ao Ikweli que dos locais onde o seu presidente passou o resultado é positivo.
“Nas zonas onde passamos acredito que fomos 100% felizes e eficazes. As zonas onde interviemos eram mesmo urgentes, como é o caso de todo passeio das residências até na entrada dos CFM”, disse o vereador.
Osvaldo Ossufo Momade, Vereador do Pelouro de Promoção Económica, Mercados e Feiras
Osvaldo Momade reconhece que as reivindicações dos vendedores são honestas e fazem todo o sentido, mas a esperança é o regresso do autarca de Nampula para que o Shoping do Povo funcione devidamente.
A fonte fala de outros mercados que devem ser melhorados para que os comerciantes sejam retirados, por definitivo, das ruas e passeios da cidade. (Aunício da Silva)
Nampula (IKWELI) – A Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Nampula, desmantelou, na madrugada desta quarta-feira (12), no bairro de Mutauanha, um cativeiro onde estavam sendo mantidas reféns três menores de idade raptadas no dia 1 de Junho.
As vítimas, segundo apurou o Ikweli, foram raptadas no bairro de Murrapaniua, e são de idades compreendidas entre 7 a 15 anos de idade.
A acção policial foi resultado da denúncia feita por uma das vítimas que conseguiu fugir do esconderijo e recorreu a subunidade da PRM localizada na zona da Faina, de onde saiu acompanhada com agentes da lei e ordem até ao local onde eram mantidas a força por um grupo de cidadãos de nacionalidade nigeriana.
No local, três indivíduos, nigerianos, foram detidos, incluindo uma médica afecta a Pediatria do Hospital Central de Nampula (HCN).
Esta situação provocou ira no seio dos moradores daquele bairro que decidiram avançar para a violência. Em consequência, demoliram o muro de vedação da residência que servia de cativeiro, facto que obrigou a PRM a disparar para dispersar a multidão. A atitude da polícia agitou mais a situação, o que obrigou a corporação a activar a presença de uma unidade especial, a Unidade de Intervenção Rápida (UIR), que veio disparar gás lacrimogéneo.
Os vizinhos da residência que servia de cativeiro mostraram-se surpresos pois, nunca desconfiaram que aqueles moradores praticavam actos criminais.
Vítimas da PRM
Entretanto, os disparos protagonizados pela PRM fizeram uma vítima. Trata-se de Jonasse Januário que foi alvejado quando passava próximo do local e, imediatamente, foi socorrido para o Centro de Saúde Anexo ao Hospital Psiquiátrico de Nampula, e mais tarde evacuado para o HCN, devido a gravidade dos ferimentos.
Jonasse Januário, baleado pela PRM em Nampula
A enfermeira Mariamo Saíde, que atendeu a vítima, disse que Jonasse está em estado crítico.
O jornalista do Ikweli, Celestino Manuel, também, não escapou do gás lacrimogéneo da polícia, sendo que teve de ser atendido numa unidade sanitária da cidade.
Todavia, pacientes e seus acompanhantes no Centro de Saúde Anexo ao Hospital Psiquiátrico de Nampula, também, não escaparam da acção policial. O gás lacrimogéneo chegou para todos.
Segundo apurou o Ikweli a PRM usou força letal. “Não era necessário lançar gás lacrimogéneo no recinto do hospital, porque aqui não tinha ninguém evolvido com esse caso. Todos que estavam aqui são doentes e seus acompanhantes. Isso não pode ser assim, não e pode continuar a sacrificar inocentes”, disse um funcionário da unidade sanitária em alusão.
Oficialmente, a PRM ainda não se pronunciou. Contactado pelo Ikweli, Zacarias Nacute, porta-voz da corporação, disse ser prematuro pronunciar-se a respeito. (Celestino Manuel e Redacção)
“Eu nunca falei mal de Mahamudo Amurane. Primeiro porque ele era meu conterrâneo. Portanto, em momentos livres nós conversávamos como irmãos. A diferença aqui foi de certa maneira ele distanciar-se do partido (MDM”.
“Quando as pessoas hoje dizem que eu persegui o Amurane eu sinto muito. O Amurane foi meu irmão. Se eu não segui a ele quando deixou o partido foi porque ele não trazia um argumento suficiente que sustentava a mim para eu seguir o partido dele”.
Entrevista conduzida por Aunício da Silva e Sitoi Lutxeque, com fotos de Hermínio Raja
Nampula (IKWELI) – O primeiro presidente interino do município de Nampula, Manuel Tocova, admitiu, em entrevista exclusiva ao Ikweli, que não dispõe de condições financeiras para suportar os seus encargos financeiros e sociais.
Em cerca de 45minutos de entrevista, o polémico autarca que se fez conhecer por actos menos bons e por condenações judiciais em tempo recorde disse que a sua vontade ao convidar vendedores ambulantes para tomarem as ruas e passeios do mais importante concelho autárquico do norte de Moçambique, foi norteada por boas práticas experimentadas fora do país.
A seguir acompanhe a entrevista na íntegra.
Jornal Ikweli (Ikweli): Qual foi a primeira decisão que tomou enquanto presidente interino?
Manuel Tocova (Tocova): Quando tomei o poder, como presidente interino, eu tive maiores desafios. Desafios eram de, primeiro, como sabe a nossa cidade estava ela toda cheia de lixo e naquele momento que nós não tínhamos fundos. Só para ver que a partir do governo provincial fecharam todo o dinheiro porque diziam que estávamos num momento de conflitos, porque acabávamos de perder um irmão, um homem, um herói (que eu o chamo assim) que de certa maneira revolucionou a cidade de Nampula. Revolucionou a região norte, por isso, porque não chamar de uma revolução do povo macua, numa altura em que nós queríamos, de facto, um líder que passasse a reconhecer que essa cidade é a nossa casa. Infelizmente, eu não tinha recursos, mas consegui ter contactos com alguns empresários da cidade e alguns parceiros, amigos que quiseram me apoiar e consegui ter combustíveis a tempo, até porque aluguei camiões para recolher o lixo na cidade de Nampula. Foi um momento que nós estávamos a chorar, porque perdemos um homem visionário e com capacidade de gestão invejável.
Eu digo que se o Mahamudo Amurane estivesse em vida, acredito que nessas eleições que vamos disputar com vários partidos políticos, merecia ser o governador dessa província.
Infelizmente, foi um momento que pessoas de má-fé, que eu nem quero mencionar os nomes, porque, também, a polícia estava a fazer o seu trabalho, denunciaram que eu tinha uma pistola, que nem era pistola porque, de facto, estava a passar dois anos que não era operacional.
Ikweli: Senhor Tocova, eu volto a lhe fazer a mesma pergunta, de insistência. Quando tomou o poder qual foi a primeira requisição que assinou? Consta-nos que a primeira coisa foi ter solicitado um telemóvel de alta qualidade.
Tocova: Eu não tive uma decisão sobre as contas. Isso é uma mentira porque eu tive um encontro com a ministra da Administração Estatal [Carmelita Namashulua] e outros quadros da tutela autárquica que deram-me uma orientação dizendo: Tocova, agora a missão é sua, não precisa ter aqui luxo, mas o senhor faça o trabalho que o Amurane fez. E esta foi a minha missão. Eu nunca pedi, em nenhum momento, telefone. Só para ver que mesmo agora a minha vida social está estagnada. Eu não tenho condição de nada. Se eu tivesse ambição de governar não teria tido necessidade de abandonar. Mesmo os que denunciaram que eu tinha pistola não haviam de falar, porque o que eles queriam era apenas eu manter o poder para comermos juntos, mas eu não estava a defender o interesse de um grupo. Eu estava a defender os interesses dos munícipes de Nampula.
Manuel Tocova e o Director Editorial do Ikweli
Ikweli: Quem era o seu assessor?
Tocova. O meu assessor foi o senhor Albertino [refira-se dr. Albertino Miguel, advogado que o defendeu durante a sua passagem pelos tribunais] e aqueles velhos a quem eu confiava.
Ikweli: Ao nível do partido, quem o assessorava? Quem lhe aconselhou a mandar voltar os vendedores de rua para os passeios da cidade?
Tocova: Olha, só para ver que eu tenho 50 anos de idade e isso reflecte maturidade. E porque naquele momento em que eu era Presidente da Assembleia passei em várias cidades do mundo, mas encontrei vendedores de rua em todas as cidades. Infelizmente, a decisão que eu tinha tomado era de que os vendedores deveriam ser organizados. Alias, deviam estar em algumas ruas e não em todas as ruas, como agora acontece. Se hoje estão em todas as ruas, fecharam e não há transitabilidade, não deve ser responsabilidade do Tocova. Afinal das contas o que eu tinha decidido é que eles fossem organizados em associações, em locais próprios, e a serem fiscalizados pela polícia municipal e não serem escorraçados como aquilo que parecia desumano. Eu evitei isso. Eu dizia que nós não tínhamos emprego para todos os vendedores, e pensei que como não tínhamos mercados em condições, preferi, numa decisão pessoal, por uma iniciativa pessoa, pela experiência que vi em outras cidades, manda-los voltarem para as ruas.
Ikweli: Parece que o senhor Tocova, também, desafiou as leis e a justiça? Até nomeou vereadores mesmo sem mandato para o efeito. Teve alguma assessoria nessas decisões?
Tocova: Eu não quero aqui acusar a ninguém para eu me defender. Eu sou escravo das minhas palavras. Naquele momento por eu perceber que havia indivíduos que não queriam obedecer a mim como presidente interino tomei a decisão de exonera-los. Por exemplo, eu dizia “senhores vereadores eu quero que as receitas do município de Nampula sejam depositadas nas contas do municípios” e essas pessoas ignoravam a mim. E só para ver que até hoje aquele que era vereador da Finanças desapareceu. Aquele senhor devia ser preso como eu fiquei preso.
Ikweli: O senhor Tocova tinha um plano, devidamente, elaborado para o efeito?
Tocova: Eu já tinha um plano. Infelizmente, antes da execução desse plano tive aqueles problemas. Ai não tinha como implementar este plano como um plano piloto. Foi a partir dai que as coisas caíram duma maneira descontrolada.
Ikweli: De que é que se orgulha pela passagem no executivo do concelho municipal de Nampula?
Tocova: Eu me orgulho porque a partir dali nós encontramos aqueles jovens que eram chamados de marginais e passaram a ter negócios próprios. Os jovens até se recordam de mim e dizem que o Tocova foi o nosso herói, para além do Mahamudo Amurane que foi um herói pela organização que ele fez da cidade de Nampula. Mahamudo Amurane melhorou a cidade de Nampula, como vê, este parque popular (local onde decorreu a entrevista), nós tínhamos água aqui, mas neste momento está tudo isto escangalhado. Quer dizer, há má gestão dentro da governação.
Ikweli: E de quê se arrepende?
Tocova: Eu me arrependo neste momento por ter me aliado a Renamo. O que nós
pensávamos em que a Renamo viria a ter uma filosofia como a do MDM, mas a uma diferença enorme. Nesta diferença de gestão política é o que hoje vemos, uma cidade toda esburacada.
Ikweli: Qual foi o papel do Luís Boavida durante a sua governação?
Tocova: Eu não quero acusar o Boavida. O Boavida pode ser que as pessoas dizem que foi culpado, mas dizer que ele foi culpado podia dizer que a ministra da Administração Estatal, também foi culpada. Eu tinha uma pressão do governo.
Ikweli: Falava regularmente com a ministra?
Tocova: Sim. Eu falava sempre, mesmo com a Secretária Permanente de Nampula (Verónica Langa), o representante da tutela administrativa, e mesmo a própria ministra.
Ikweli: De que é que falavam com toda essa regularidade?
Tocova: Falávamos, sobretudo, sobre a gestão do município de Nampula. Eu dizia que não ia permitir trabalhar com pessoas que me desobedecem e eles diziam para eu agir de acordo com a lei. Eu fiz isto, por isso que eu exonerei aqueles vereadores e esperava que com o trabalho que com o trabalho que eu fiz (ao exonerar os vereadores) teríamos de facto pessoas competentes para cumprirem aquilo que eu decidia.
Ikweli: O Tocova está a falar de Mahamudo Amurane como um “menino” muito bonito, nem?
Tocova: Eu nunca falei mal de Mahamudo Amurane. Primeiro porque ele era meu conterrâneo. Portanto, em momentos livres nós conversávamos como irmãos. A diferença aqui foi de certa maneira ele distanciar-se do partido (MDM). Como sabe, o presidente da assembleia, só por si, naquela altura era oriundo de um partido. Eu estava a defender os interesses do partido, mas ele era gestor da autarquia. Ele foi eleito numa lista unipessoal. Eu aqui apareço a dizer, do fundo do coração, que Mahamudo Amurane dava-me muitos conselhos como gestor dizendo: “olha, Tocova, não podemos desviar os fundos do erário público, não podemos roubar”. Nós tínhamos uma linha que é para fazer dessa cidade desenvolvida. Infelizmente, quando as pessoas hoje dizem que eu persegui o Amurane eu sinto muito. O Amurane foi meu irmão. Se eu não segui a ele quando deixou o partido foi porque ele não trazia um argumento suficiente que sustentava a mim para eu seguir o partido dele.
Ikweli: Então, era de todo o interesse do Tocova dar continuidade ao trabalho do Amurane?
Tocova: Logicamente….
Ikweli: E porque decidiu banir toda a equipa do Amurane?
Tocova: Estou a dizer que os próprios vereadores não quiseram colaborar comigo. Isto quer dizer que ele tinha um grupo que pura e simplesmente não estava a seguir aqueles que eram os ensinamentos de Mahamudo Amurane. Eram pessoas manipuladas. Recorde-se que eles durante a eleição intercalar vieram publicamente a apoiar o partido Frelimo. Logicamente, nós nos apercebemos que quem estava por detrás daqueles vereadores para desobedecer e para criar desmandos era a Frelimo.
Ikweli: Vamos mudar um pouco o tom da nossa conversa. O Tocova foi preso?
Tocova: Eu fui preso.
Ikweli: Porque?
Tocova: Primeiro fui notificado e fiquei arguido porque desobedeci as entidades judiciais. Segundo, porque me encontraram com uma pistola. Isto é de lei que todo o indivíduo que tenha uma arma ilegal está a cometer um crime. A sorte que eu tive é que nunca tinha usado aquela pistola. Nunca disparei com aquela arma. Só para ver que dentro daquela arma foram encontradas as três munições que o dono da arma disse que estavam.
Ikweli: O Manuel Tocova disse, nalgum momento, que estava em parte incerta. O que queria dizer em concreto?
Tocova: Olha, eu não quero falar dessas coisas. Falar de lugares incertos eram questões políticas porque eu sabia que estavam a me perseguir porque quando as pessoas se aperceberam que Manuel Tocova tinha uma arma, logicamente, pensavam que é o Tocova que pegou na arma e disparou contra o Mahamudo Amurane.
Ikweli: Mas onde estava naquele dia que disse que estava em parte incerta?
Tocova: Eu não gostaria de dizer, taxativamente, onde eu estava.
Ikweli: Estava aqui na cidade?
Tocova: Eu estava na cidade de Nampula, mas depois fui a Gurúè no fim-de-semana. Mas, também, tomei conhecimento que havia um grupo que estava a minha procura. Eu tive a sorte de algumas pessoas terem ligado para mim a dizer que há pessoas que estavam a minha procura porque eu tinha uma pistola. Eu disse, só uma questão de provocar, que estava em parte incerta.
Ikweli: Vamos falar do assassinato do presidente Amurane. Circularam rumores que o Tocova foi ouvido em declarações pela justiça como teria sido um dos protagonistas do assassinato do autarca. Isso é verdade?
Tocova: Olha, é assim, eu quero lhe dizer francamente que as pessoas de má-fé tinham os seus interesses para recuperarem esta cidade. Eu, em nenhum momento, poderia pensar em ter uma ideia de assassinar o Amurane.
Ikweli: Das audiências que teve em sede de investigação criminal teriam lhe questionado a respeito do assassinato do Amurane?
Tocova: Olha, foram tantas perguntas que falavam, sobretudo, do Amurane. E eu dizia que estou fora desse assunto. Eu não conheço de nada, pelo contrário o Mahamudo Amurane foi o meu professor. Ele me ensinou como trabalhar. Se hoje eu sou líder não é porque eu sou um bom político ou um bom profissional, mas sim porque Mahamudo Amurane ajudou-me. Não havia razão nenhuma para eu pensar em fazer um crime. Mas, também, já imaginou o que é tirar uma vida humana? Sinceramente.
Ikweli: O Tocova odiava o Amurane?
Tocova: Não. Estou a dizer que ele era um irmão.
Ikweli: Quem é Manuel Tocova?
Tocova: Manuel Tocova sou eu. Sou eu.
Ikweli: Fale-nos de te.
Tocova: Eu sou natural de Monapo, Itoculo. Nascido em 1968. Estudei na escola primária de Murruto, vim fazer o ensino secundário em Mueria, Nacala-a-Velha, e depois fui capturado por uma força armada da Renamo. A sorte que eu tive foi de ser formado como professor militar e ensinava as crianças que eram raptadas ou perdiam os seus pais. Eu tinha construído um centro orfanato onde dava aulas a essas crianças. A partir dai, passei a ser chefe de educação das zonas da Renamo e expandi a rede escolar. Depois do fim da guerra, em 1994, as zonas da Renamo foram entregues ao governo moçambicano. Eu fiz parte do processo. Eu sou casado e pai de 8 oitos filhos. Agora estou a vender carvão. Afinal, aquela não era a única vida [referindo-se a política activa].
Ikweli: O Tocova continua politicamente activo?
Tocova: Naturalmente. Como eu disse estou a fazer 50 anos de idade, significa que 20 anos fiz parte da Renamo. Nesses anos só aprendi a fazer política.
Ikweli: Qual é a sua relação com o presidente Daviz Simango?
Tocova: Olha, eu não tenho um relacionamento assim profundo. Mas, eu tenho um relacionamento como membro do partido, como os outros. Eu sou membro do MDM e faço actividades para beneficiar a minha província.
Ikweli: As decisões que tomou enquanto presidente interino eram do conhecimento do Daviz Simango?
Tocova: Não. Eu não quero aqui acusar o Simango. Não quero dizer que o Simango sabia. Eu, apenas, estava fazendo um trabalho em coordenação com o próprio governo de Nampula.
Ikweli: Quem patrocinou a assistência jurídica do Tocova em tribunal?
Tocova: Quem pagou foi a minha família e o partido (MDM).
Ikweli: Quem lhe ofereceu o carro?
Tocova: O carro, neste momento, se prestar atenção verá que os documentos estão em nome do partido.
Ikweli: No futuro pensa em concorrer como cabeça-de-lista pelo município de Nampula?
Tocova: Eu não quero falar disso.
Ikweli: Quando o Tocova presidia o município, o Luís Boavida mudou-se para Nampula. Quem lhe pagava as contas no hotel?
Tocova: Não é bem assim que o Boavida mudou-se para Nampula. Ele veio apenas para preparar a eleição intercalar. E foi a partir dai que ele devia organizar o partido, pôr as bases a funcionarem. Eu nunca tive conselho do Boavida.
Ikweli: Quem lhe pagava as custas no hotel?
Tocova: Eu não sei dizer isso, se é o município ou se é o partido.
Ikweli: Qual era sua relação com o Américo Iemele?
Tocova: O Iemele era meu secretário na assembleia municipal. Depois, por decisão do partido, passou a ser chefe da bancada. E, pronto, ao tomar posse como presidente da assembleia e interino soube que ia dar continuidade da obra.
Ikweli: Quando ele era presidente interino vocês conversavam?
Tocova: Sim, conversávamos. Infelizmente ele ficou fechado ao ponto de não querer acatar as decisões do partido. Ele vendeu espaços públicos porque foi pressionado com aqueles vereadores.
Ikweli: O que lhe aconteceu quando estava na cadeia?
Tocova: Olha, eu não quero falar sobre a cadeia. Eu quando lembro da cadeia choro. Um dia fui simulado em que diziam que “Tocova, você já tirou aquela pistola então, tira-la outra pistola”. Eu dizia que a pistola é aquela. Num outro dia voltaram e me ameaçaram em levar para Namaita. Eu sempre lhes disse que o político espera três coisas: ser rico, a morte e acabar pobre.
Os vendedores ambulantes de diferentes produtos, nomeadamente alimentares, vestuários, higiénicos entre outros, já começaram a abandonar as ruas e passeios da cidade de Nampula, no norte de Moçambique.
A reacção é resultado de um ultimato feito por Paulo Vahanle, autarca do maior concelho autárquico do norte de Moçambique, na última segunda-feira, no qual apelou aos vendedores ambulantes para abandonarem as ruas e passeios da urbe.
Tal como avançamos na edição 286, o edil assegurava que no negócio nas ruas teria dias contados, eis que Paulo Vahanle abandonou o seu gabinete de trabalho, e na companhia da sua equipe de trabalho escalou os vários mercados improvisados nas ruas e passeios para dar um ultimato, pessoalmente, aos vendedores para abandonarem os passeios.
O autarca escalou, sucessivamente, os mercados instalados forçosamente nos passeios da avenida do Trabalho, sobretudo na zona da Padaria Nampula, centro de saúde 1º de Maio, e um outro, de peixe, que acaba de surgir na chamada zona da “meia – via”, onde deixou ficar um único recado: abandono definitivo dos locais de forma voluntaria e caso pautassem pela renitência não se responsabilizaria pelo que viesse a acontecer.
Vahanle explicou, na ocasião, que existem, na cidade de Nampula, vários mercados abandonados, citando os exemplos dos de Muanona, Mpavara, Shoping do Povo, 25 de Junho, Memória, Yeye e Muthita – Subestação e que os mesmos poderiam acolher de volta os vendedores. Alias, o autarca constatou, depois de efectuar uma visita, que nestes estabelecimentos comerciais existe condições condignas para a prática do comércio.
Entretanto, os vendedores, apesar de reconhecerem que atentavam contra a postura camarária ao praticaram o comercio na rua, mostraram-se desapontados com a decisão da edilidade, pois segundo eles, aqueles locais eram de fácil acesso para os clientes de diferentes pontos da cidade, além de que conseguiam obter ganhos nas suas actividades em pouco tempo.
Juma Abdala, um dos vendedores ouvidos pelo Ikweli, lamentou a decisão e receia “morrer a fome”. “De facto, nesses mercados em que o presidente se refere existem condições para o comércio, mas não há clientes como por exemplo aqui [na rua]”, disse, aparentemente agastado.
Munícipes sentem-se aliviados
Enquanto a decisão aborrece os vendedores, os munícipes festejam pela iniciativa da edilidade em retirar os comerciantes informais nas ruas e passeios da cidade, pois, segundo eles, além de sujarem a urbe contribuíam para ocorrência de acidentes de viação, visto que, vezes sem conta, eram forçados a partilhar as estradas com os automobilistas.
“A ter que se efectivar a retirada de todos os vendedores dos passeios e ruas, estaremos muito agradecidos e a cidade voltará a ser mais organizada e limpa como era antes, na altura do presidente Amurane”, disse Adelaide Alexandre, residente no concelho autárquico de Nampula.
Igualmente, é do interesse de Vahanle acabar com o negócio dos take aways espalhados pelas ruas e passeios de Nampula. (Texto: Sitoi Lutxeque, Foto: Hermínio Raja)
O Presidente da República de Moçambique (PR), Filipe Nyusi, garantiu na cidade de Nampula, na tarde desta quinta-feira (6), que os homens residuais da Renamo a serem desmobilizados no âmbito das negociações da paz, em curso, serão envolvidos na produção de riqueza no país.
No entender do dirigente, as guerras tem lugar quando os cidadãos não estão envolvidos em actividades produtivas e de rendimento, por isso é fundamental que as pessoas se dediquem a produção.
Nyusi trabalhou na cidade de Nampula no âmbito da entrega de maquinarias agrárias aos beneficiários do programa SUSTENTA, uma iniciativa do Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural (MITADER) que está sendo implementado desde o ano de 2017, nas províncias de Nampula e Zambézia.
Em Nampula, o SUSTENTA está sendo implementado nos distritos de Malema, Ribáuè, Mecúburi, Lalaua e Rapale, mas o PR garantiu que nos próximos tempos o programa será expandido para os outros distritos da mais populosa província do país, e gradualmente para outros pontos de Moçambique.
Para garantir sustentabilidade das actividades do programa, Nyusi apelou aos produtores para que se juntem em cooperativas, com vista a desenvolver melhores mecanismos de transmissão de conhecimento, uma opinião partilhada pelos beneficiários.
Ao todo, os produtores receberam quinze camiões e vinte tractores agrícolas devidamente equipados com vista a aumentar a produção e produtividade.
No âmbito da comercialização, Nyusi incentivou a produção de culturas de maior procura no mercado internacional, com destaque para a soja e o feijão bóer, e para a garantia de vendas, o PR disse estar em negociações com os maiores compradores mundiais destes produtos, como é o caso da Índia, país com o qual manteve contacto, por via do respectivo Primeiro – Ministro, para absorção dos produtos moçambicanos.
Num outro desenvolvimento, o Presidente de Moçambique fez saber que para a garantia da mobilidade e comercialização agrária, o executivo que dirige procedeu a reabilitação de pouco mais de duzentos e cinquenta quilómetros de estradas.
Nos dez distritos das duas províncias onde o SUSTENTA é implementado, quatro mil e cem pequenos produtores estão sendo assistidos na melhoria das suas capacidades de produção com recursos a tecnologias modernas.
Para a juventude, Nyusi anunciou que cento e cinquenta jovens dos cinco distritos de Nampula beneficiários do programa foram seleccionados para que sejam treinados em diversas áreas do saber fazer.
O combate a corrupção no programa, também, foi destaque na intervenção do presidente, incluindo as más condutas que perigam os programas de desenvolvimento. (Texto: Sitoi Lutxeque; Fotos: Hermínio Raja)