Nampula (IKWELI) – A inobservância de medidas vigentes no estado de emergência, no âmbito da prevenção do novo coronavírus, sobretudo o distanciamento de mais de um metro e aglomerados com menos de 10 pessoas, podem constituir um perigo para os esforços levados a cabo pelo governo, ao nível da cidade de Nampula, no norte de Moçambique.
Na chamada capital do norte, as peixarias continuam a registar um fluxo desmedido de clientes, sobretudo senhoras, que ao longo do dia, com destaque para as primeiras horas das manhas, procuram adquirir peixe a fim de vende-lo confeccionado nos mercados, paragens de autocarros e outros locais de maior aglomeração populacional.
Estas vendedeiras, reconhecem o perigo de não observarem o distanciamento de mais de um metro de distância em locais de género, mas dizem que não tem alternativa para garantir o sustento das suas famílias.
A senhora Ermelinda Florêncio dedica-se ao negócio da venda de peixe frito no mercado do Muacowanvela, nos arredores da cidade de Nampula, e ao Ikweli disse que prática a actividade há anos, por isso não encontra alternativa para abandonar esta sua única fonte de rendimento.
“Eu sei que existe o coronavírus, meu filho”, reconheceu a dona Ermelinda, justificando-se que “não tenho como. Se eu não fazer isso, as crianças, em casa, vão morrer de fome. Eu não tenho marido, sou da família pobre, então não tenho outra alternativa, se não mesmo ir se empurrar com as outras pessoas na bicha para conseguir comprar o peixe”.
Por outro lado, notamos que, nem mesmo, as mulheres usam máscaras para uma protecção mínima. “Não tenho tempo para isso”, respondeu-nos uma outra senhora que adquiria peixe, num dos estabelecimentos localizados na avenida do Trabalho, quando questionada pelo Ikweli sobre a necessidade da aplicação deste instrumento, para depois afirmar que “nossa missão é de comprar peixe e voltar imediatamente para casa e prepara-lo para a venda”.
Cláudio Momede é gerente de uma peixaria, e ao Ikweli disse que o estabelecimento tem sensibilizado os utentes para que respeitem as medidas de prevenção, mas este exercício não está a surtir os efeitos desejados devido a enchente que se regista no local.
Por seu turno, o delegado Provincial da Inspecção Nacional das actividades Económicas (INAE), em Nampula, Élio Rareque, disse que não tem formas de como controlar a situação, dai que prometeu que em breve o sector que dirige, em coordenação com o Concelho Autárquico de Nampula e a Polícia da República de Moçambique (PRM), vai desencadear uma campanha de sensibilização as pessoas que aderem aqueles locais, e caso não acatem medidas duras serão tomadas. “Os jornalistas, também, devem nos ajudar na sensibilização deste tipo de pessoas, porque nós só não faremos nada”; concluiu Rareque. (Celestino Manuel)
Nampula (IKWELI) – As autoridades governamentais de Nampula, no norte de Moçambique, receiam a rápida propagação da pandemia do novo coronavírus, a covid-19, ao nível da província, devido aos crescentes casos positivos diagnosticados na vizinha Cabo Delgado.
Cabo Delgado é a província, que desde a eclosão da pandemia, contabiliza metade dos casos positivos diagnosticados em todo o território nacional, de acordo com actualização das autoridades moçambicanas feita na última quarta-feira (22) que apontava para um cumulativo de 41 pessoas infectadas pela covid-19. De acordo com as mesmas fontes, até a data, Nampula não registou casos positivos para a doença.
A preocupação foi manifestada pelo governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, ontem (quinta-feira) na cidade de Nampula, durante a cerimónia de recepção de materiais de higiene e de protecção contra a Covid-19, doados por alguns agentes económicos que actuam nesta parcela moçambicana. Trata-se de quantidade não especificada de pulverizadores, máscaras de protecção de fabrico caseiro, cloro, sabão, para além de baldes.
O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, manifestou sua preocupação nesta quinta-feira (23) sobre o cenário em que Cabo Delgado está mergulhado, temendo que o seu território seja facilmente afectado pelo coronavírus, devido a vizinhança que se observa entre as duas províncias.
“Há a necessidade de nos comunicarmos sobre os perigos que corremos aqui na nossa província de Nampula, porque somos vizinhos de uma província, que é Cabo Delgado, onde, infelizmente, há uma zona chamada Afungi, que é um posto administrativo do distrito de Palma, onde tem estado sempre a serem reportados casos positivos de coronavírus”, disse Manuel Rodrigues.
O governador de Nampula insta a todos actores da sociedade para a observância das medidas de prevenção, de forma a fragilizar as investidas do novo coronavírus, na mais populosa província do país.
“Portanto, a precaução que devemos ter é de que, como sabemos, a nossa cidade e província de Nampula é um corredor de passagem para a zona sul e para a zona norte. Então há muito tráfego, tanto de transportadores de passageiros e de mercadoria, o que exige, seguramente, o reforço das medidas de precaução, para que não possamos correr o risco de contrair o coronavírus na província de Nampula”, precisou o governador de Nampula.
Mais adiante, Rodrigues voltou a apelar a toda a população da província de Nampula “para continuarmos a cumprir com as medidas que estão sendo largamente divulgadas pelos órgãos de comunicação social e do lado do governo, no sentido de que cada um assuma a responsabilidade individual de se prevenir para não contrair o vírus que causa a doença que, infelizmente, continua a ceifar vidas a nível mundial”, sendo que “é importante sempre nos recordar que temos que lavar as mãos tantas vezes quantas forem possíveis, temos que nos recordar que quando estamos em locais público como este temos que usar a máscara porque protege quando você tosse não contaminar a outra pessoa e depois temos que evitar em estar em locais de grande aglomerado populacional, portanto, em locais em que haja muita gente, temos que evitar, e quanto menos nos expomos à rua, melhor é. Fique em casa porque, ficando em casa, diminui o risco de contrair o coronavírus”.
Na ocasião, após a recepção dos mesmos materiais, compostos por mais de 300 máscaras de protecção caseira, cinquenta caixas de sabão e igual número de baldes e cinco pulverizadores, Manuel Rodrigues fez a entrega do referido material a Associação dos Transportadores Terrestre de Nampula (ASTRA) cujo presidente, Luís Vasconcelos enalteceu o gesto, porque, segundo disse, o sector de transporte é o mais vulnerável.
“Agradecer e louvar a iniciativa do sector empresarial na doação que foi feito junto do governo e agradece, também, a iniciativa do próprio governo ao fazer a entrega direccionada a associação, visto que o sector de transporte é vulnerável, certamente podemos ter passageiros que vem de Cabo Delgado e outros que saem de Maputo, (províncias com registo de casos da doença) por isso precisamos ter as nossas viaturas desinfectadas”, disse para sustentar que “com este material que a ASTRA acaba de receber, julgamos nós que vamos fazer um trabalho ao nível das terminais e em algumas praças no sentido de desinfectar as viaturas e, a partir de hoje amanha, vão começar os trabalhos de desinfestação das próprias viaturas.” Precisou Vasconcelos.
De acordo com fontes seguras, ao nível mundial, mais de 2.650.000 pessoas foram infectadas pela Covid-19, das quais mais de 185.000 perderam a vida e 727886 são dadas como recuperadas. (Constantino Henriques)
Nampula (IKWELI) – Os músicos da província de Nampula, no norte do país, avançam que o cumprimento das medidas decretadas no estado de emergência em vigor no país, como forma de prevenção do novo coronavírus, está a afectar os seus rendimentos, e consequentemente o sustento das suas famílias.
Estes artistas vivem, maioritariamente, da realização de espectáculos, e a proibição de aglomerados de pessoas não os permite actuarem. Também, os locais de diversão, onde se realizam estes eventos encontram-se encerrados.
O Ikweli conversou com alguns músicos, os quais afirmam que a situação que estão a viver neste mês de Abril é lamentável.
Dino Omar, conhecido por Duas Bocas, disse que a situação está mal, não só para si, assim como os outros fazedores da música.
“A música é o nosso ganha-pão. No meu caso, por exemplo, eu vim a Nampula para um torne de sete espectáculos musicais, mas apenas foi possível realizar três, e não tardou que esta doença chega-se. Isto está difícil, porque ganhamos através dos espectáculos, é lá onde sai o nosso pagamento”, disse Duas Bocas.
Quem, também, falou ao Ikweli, lamentando a situação é o músico Ali Salvador, ou simplesmente Professor Lay. “Sobrevivo da música e quase tudo o que faço é música, por isso o coronavírus chegou num momento inesperado e trouxe a tristeza para ele e outros fazedores desta arte”.
Para Lay a situação é muito complicada, a maior parte dos cantores da província de Nampula faz da música a sua profissão, o que significa que não tem outra actividade que lhes ajuda a ganhar dinheiro para sustentar as suas famílias. Daí que surge a necessidade de cada um pensar em algo que lhe possa dar dinheiro para além da música.
Esta fonte entende que esta doença como uma lição de vida para ele e outros cantores que não têm outra profissão, mas o importante neste momento é ter fé que tudo vai passar e a vida volta a normalidade. É imperioso que se coloque em prática as orientações do Ministério da Saúde para conter este mal.
Igualmente, o produtor e realizador de vídeos Nampulense Pires Estêvão Rafael, conhecido, na arena musical, como John Pires insta aos fazedores, no caso especial aos músicos e cantores desta província a preservarem as economias que antes ganharam, de modo a suprir algumas necessidades familiares, aguardando um futuro promissor.
Para contornar a situação, alguns músicos promovem espectáculos ao vivo nas redes sociais, como forma de se manter próximo dos seus seguidores e fãs, bem como criar novas músicas. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – A obrigatoriedade do uso de máscaras faciais nos transportes semi-colectivos de pessoas na província de Nampula, no norte do país, não está a ser observada com a rigorosidade necessária.
Esta medida administrativa veio levantar a anterior que reduzia para 1/3 o número de passageiros que cada viatura, que se dedica ao transporte público e privado, devia carregar, no âmbito do estado de emergência decretado para fazer face a prevenção do novo coronavírus, a covid-19.
O Ikweli escalou os principais pontos de carregamento de passageiros na cidade de Nampula, e observou que a maioria dos passageiros não usa máscaras.
Igualmente, a higienização das mãos, também, não está sendo observada, alias, em nenhum ponto de carregamento de passageiros, sobretudo terminais, não há sequer um balde com água e sabão ou outro líquido desinfectante.
Alguns utentes utilizam as máscaras por temerem da doença, mas dizem que as mesmas afogam-lhes, por falta de hábito.
Os operadores, alguns deles, também, aplicam as máscaras, mas apresentam a mesma queixa que a dos utentes, tal como nos disse o transportador Paulito Artur, que opera na rota Muahivire – Waresta (via Paulo Samuel Kankhomba). “Eu não tenho porque usar a máscara, porque o meu vidro está sempre aberto, e quando o carro anda entra muito vento”.
Artur reconhece o nível de perigosidade da pandemia do coronavírus, e disse que ele junto com o seu cobrador tem vindo a sensibilizar aos passageiros, antes de entrarem no carro, mas em vão, porque eles negam o uso da máscara.
“Irmão, nós não temos como mandar descer do carro os passageiros, porque estaríamos a comprometer o nosso trabalho, com destaque para as receitas diárias. O patrão não quer saber nada”, contou-nos esta nossa fonte.
Outro automobilista que falou ao Ikweli é o senhor Arlindo Tarieque, o qual desenvolve a sua actividade de transporte de passageiros inter-distrital, operando na rota cidade de Nampula – Malema, e para ele a Polícia de Trânsito não estão a apertar o cerco como deve ser.
Tarieque defende que nenhum autocarro devia fazer-se a estrada sem que os passageiros estivessem aplicando a máscara.
Por outro lado, a nossa fonte pediu as autoridades competentes para criarem equipes nas principais paragens para sensibilizar os automobilistas, cobradores e passageiros, como forma de fazer entender as pessoas a gravidade do coronavírus.
Alguns passageiros ouvidos pela nossa equipa de reportagem são unânimes ao afirmar que reconhecem que a doença é um assunto sério, e que deve se intensificar as medidas de prevenção do novo coronavírus, a covid-19.
Noémia Vacuenle, uma das passageiras, não perdeu a oportunidade de exprimir o seu sentimento. “Eu não consigo usar máscara porque respiro mal, e fico assoada. Sinto-me mal, mas eu não tenho como vou ter que me habituar”, disse para depois prosseguir que “não estou a usar a máscara porque aqui, em Nampula, não temos nenhum caso de coronavírus confirmado até hoje, quando se confirmar e morrer alguém alguma coisa vai mudar”.
Por seu turno, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Zacarias Nacute, disse que a corporação já deteve dois automobilistas que desobedeciam o decreto presidencial, no âmbito do estado de emergência que vigora no país.
“A polícia está trabalhar no sentido de fazer valer a lei, e aquele que não cumprir com o decreto será punido”, concluiu Nacute. (Celestino Manuel)
Nampula (IKWELI) – A mineradora Vale doou ao governo moçambicano cerca de USD 2.000.000,00 (dois milhões de dólares norte americanos), em materiais, para o combate ao novo coronavírus no país.
Um comunicado de imprensa da assessoria da empresa enviado a nossa redacção indica que, para o efeito, um memorando de entendimento foi rubricado com o governo moçambicano no passado dia 17 do corrente mês de Abril.
“A ajuda da Vale está avaliada em cerca de USD 2,000,000.00 (dois milhões de dólares norte americanos). Esta ajuda inclui diversos materiais de higiene, equipamento hospitalar e itens de protecção individual para os profissionais de saúde e 80 mil testes rápidos”, lê-se na referida nota de imprensa, que prossegue apontando que “a oferta de luvas, máscaras, óculos de protecção, botas, macacões e aventais figuram, também, da lista dos itens de protecção individual para o pessoal de saúde. Em termos de material de higiene, a doação inclui pulverizadores eléctricos, álcool de desinfecção, barras de sabão e frascos de certeza. Além disso, no que se refere a equipamentos hospitalares, serão entregues bombas de infusão, kits de colheita de amostras, aspiradores, desfibrilhadores entre outros”.
O mesmo documento esclarece que “o processo de entrega da doação teve início no dia 18 de Abril, em Tete. Entretanto, nos próximos dias, o apoio chegará a outros pontos do país como Maputo, Nampula e Niassa. Com o material importado, espera-se contribuir para os esforços das autoridades nacionais de saúde no combate à disseminação da doença no país”.
“Estamos cientes da nossa responsabilidade, neste momento desafiador para todos. Esta intervenção demonstra o nosso compromisso com a sociedade moçambicana, porque entendemos que somos parte das comunidades nas quais estamos inseridos e também um agente importante de transformação”, disse Márcio Godoy, Country Manager da Vale em Moçambique, citado pelo comunicado. (Redacção)
Nampula (IKWELI) – O governador da província de Nampula, Manuel Rodrigues, visitou na tarde de ontem, terça-feira (21), a sede do jornal Ikweli, na cidade capital, no âmbito do estreitamento de relações com a classe da comunicação social.
O Ikweli é um órgão de comunicação social de natureza privada, com orientação liberal, propriedade da Agência de Informação e Comunicação R&A, Lda e no mercado há 4 anos.
Na redacção do jornal, o governador ficou a saber sobre o funcionamento da instituição, a qual foi explicada pelo Coordenador Redactorial, Sitoi Lutxeque.
Foi, também, interesse do governante saber das medidas tomadas pela empresa face ao combate do novo coronavírus, a covid-19, bem como apelar aos escribas para pautarem pela publicação de informações verídicas e oficiais sobre a pandemia, para evitar desinformar as populações.
“Há desinformação grave que até desenvolve violência, desenvolve destruição do património. Então, como profissionais desta área de comunicação, como jornalistas, gostaria que uníssemos esforços para combatermos a desinformação”, disse Manuel Rodrigues, reconhecendo que “as pessoas acreditam nos jornalistas, porque as pessoas quando vêm os jornalistas vêm a esperança, vêm a luz que podem ir a rua. Então, como vocês são a fonte de informação, também, procurarmos formas de diminuirmos esta parte aqui na nossa província”.
“Temos que combater o mal, e um dos males que eu acho que temos que combater é a desinformação que é inimiga do desenvolvimento”, reiterou a fonte.
O desafio de Manuel Rodrigues surge num momento em que o mundo continua sendo fustigado pela pandemia do novo coronavírus, sendo que qualquer desinformação a respeito da doença pode pôr em causa a nação inteira. “Nós vimos que tínhamos que aproximar aqueles que fazem informação, que é o jornalista para darmos força. Digo que vocês têm uma tarefa nobre, porque não é fácil informar e educar. Para informar e educar, primeiro, é preciso que aceitem e reconheçam que nós existimos, segundo é necessário que sejam feitas mensagens que possam ser educativas, e as pessoas mudem de comportamento, para que de facto nós como educadores, nós como informadores, nos sintamos, também, confortáveis e dizer que valeu a pena estarmos todos os dias a dar informação e a educar”.
Por seu turno, Sitoi Lutxeque, Coordenador Redactorial do Ikweli, enalteceu a visita do governante, referindo que “nós acolhemos essas ideias e nos comprometemos a fazer valer”.
Na ocasião, Lutxeque voltou a falar do velho problema do acesso as fontes de informação na província mais populosa do país.
“Há casos em que enfrentamos dificuldades nas fontes de informação, sobretudo do lado governamental. Tem havido algum receio, em parte tem a ver com essa parte de desinformação, pelo que alguns começam a se interrogar se irão se sentir confortáveis se dar esta e aquela informação. Então gostaria que o senhor governador desmistificasse essa ideia de que ao dar uma informação ao Ikweli, ou outro meio de comunicação privado estaria a vender a sua própria alma”, disse o Coordenador Redactorial do Ikweli, para depois concluir que “de resto estamos felizes pela visita”. (Texto: Constantino Henriques *Fotos: Hermínio Raja)
Nampula (IKWELI) – As uniões prematuras e as consequentes gravidezes precoces resultantes da prática continuam a comprometer o futuro de raparigas na província de Nampula, no norte do país.
Nas comunidades, há um consolo cultural que se cria para minimizar a dor das vítimas, aceitando-se a submissão de práticas prejudiciais para as suas próprias vidas. Sensibilizado com o esforço das campanhas de promoção e defesa dos direitos da criança, o governo da República de Moçambique conseguiu fazer aprovar e pôr em vigor uma lei que criminaliza, especificamente, as uniões prematuras.
As vítimas dessas práticas são forçadas a prática de actividades sem capacidade fisiológica necessária preparada para o efeito.
Em termos de saúde, há registo, em colação, de casos de desnutrição crónica, fístulas obstétricas, e há ainda a retirada de raparigas menores das casas dos seus pais, bem como a interrupção dos estudos.
Uma investigação levada a cabo pelo Ikweli, em algumas comunidades dos distritos de Nampula, apurou que a justificação, muitas vezes, dada para suportar essas práticas está ligada com questões de índole financeira. Muitas vezes vêm-se obrigadas a impor casamento antes da idade as suas filhas para dai tirar proveitos económicos.
Com 16 anos de idade, a adolescente A. Almeida tornou-se esposa aos 13 anos de idade, alegadamente para poder cuidar dos seus irmãos, uma vez que foi nesta altura que eles perderam os seus progenitores.
Na altura, esta rapariga frequentava a 4ª classe, mas teve de abandonar. Foi mesmo na sede do posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula, onde a vítima vivia com os seus pais e seus três irmãos mais novos. Com a morte dos pais, ela viu-se obrigada a juntar-se maritalmente com um jovem de 27 anos de idade, como forma de conseguir sustento para os seus irmãos.
A. Almeida, vítima de união prematura
Momentos depois, a rapariga ficou grávida, e quis o azar que não arreda-se o pé dela. O seu marido perdeu a vida, e muito cedo tornou-se numa mãe viúva.
Com esta situação, A. Almeida teve de redobrar esforços para colocar, pelo menos, uma refeição diária em casa. Esse esforço trouxe consigo problemas de saúde, e depois que deu a luz não tirava leite para o seu filho. “Nas noites sentia muita dor, e a minha mama [esquerda] só saia pus e não conseguia amamentar o meu bebé”, disse a adolescente.
No meio desta situação, a rapariga ainda não perdeu a esperança de ter uma vida saudável, por isso passou a ter assistência médica no Centro de Saúde de Anchilo, e mais tarde, pela gravidade da situação, foi transferida para melhor assistência para o Hospital Central de Nampula. “Ainda estou a fazer tratamento, porque no meu coração permanece uma esperança de um dia melhorar e poder trabalhar duro para alimentar os meus irmãos e a minha filha”.
A escola ficou mesmo para a história da A. Amélia, tanto quanto as brincadeiras e amizades da infância, ainda que sempre sonhasse em ser professora.
No Hospital Central de Nampula conhecemos a adolescente R. Cândido, de 17 anos de idade. Oriunda do distrito de Larde, esta rapariga, também, teve os seus sonhos interrompidos aos 12 anos de idade, quando frequentava a 5ª classe.
A sua gravidez, também, teve complicações, e o seu casamento forçado foi o início de um sofrimento. Primeiramente, conta-nos esta fonte que para reparar as complicações da gestação recorreu a medicina tradicional, mas sem sucesso.
R. Cândido, vítima de união prematura
Pela procura tardia da medicina convencional, as complicações da gravidez transferiram-se para a adolescente mãe após o nascimento da criança, dai que começou a ter incontinência urinária e fecal.
Estando distante dos centros urbanos, e sem acesso a informação, a adolescente, aconselhada pela família, voltou a recorrer a medicina tradicional, defendendo-se que estava sendo vítima de feitiço.
Devido a esta situação de saúde, meses depois o marido a abandonou. “Ninguém queria ficar perto de me. Todos me fugiam, porque eu cheirava mal. Até o meu marido abandonou-me”.
Graças a intervenção de uma professora da sua comunidade, a adolescente foi encaminhada para um hospital, a fim de ter assistência médica. Foi a partir do hospital que lhe foi diagnosticada a fístula obstétrica. Após o tratamento, a adolescente sente-se melhor e com esperança de voltar a estudar.
A menina Maria, de 13 anos de idade, foi jogada ao lar pela sua própria mãe, e o seu marido é um homem muito mais velhos.
A dona Ancha, mãe da Maria, queria ter uma vida melhor, e encontrou na filha a única fonte de prover melhores condições a família. A gravidez precoce e a falta de assistência especializada levou a morte a menor
Lideranças tradicionais no combate ao mal
Se no passado as lideranças tradicionais e comunitárias apadrinhavam estas práticas, na actualidade, elas tem vindo a sensibilizar as famílias para colocarem as suas filhas, sobretudo menores de idade, submissas a estas situações.
“O processo é longo”, reconhecem os líderes comunitários entrevistado pelo Ikweli, mas apelam para que não se desista.
O senhor Enes Alberto é o líder comunitária do bairro Nulone B, em Anchilo, e na sua intervenção apontou que a culpa, também, não deve ser exclusivamente dos pais e encarregados de educação, porque “essas nossas filhas de hoje não ouvem, não querem ser ditas, as vezes são elas mesmas que chegam em casa e apresenta-nos os seus maridos e abandonam a escola”.
Enes Alberto, líder comunitário
Para a professora Sílvia Carlos, a culpa é mesmo dos pais e encarregados de educação que obrigam as suas filhas a casarem-se cedo, como forma de melhorar as usas vidas.
“Infelizmente, o casamento prematuro ainda é uma realidade no nosso país, particularmente nas zonas rurais”, disse a educanda, para depois avançar que “a pobreza influencia para que os pais e encarregados de educação permitam casamentos prematuros. Por exemplo, eu tenho uma aluna que desistiu da escola porque foi dada de promessa para um noivo, pelos pais, em troca de capulanas e celulares”.
A luta é de todos
Activistas sociais e organizações da sociedade civil promovem, afincadamente, campanhas de luta contra este fenómeno.
A província de Nampula é uma das que apresenta elevados índices de uniões prematuras.
“São várias as dificuldades que temos no dia-a-dia. Trabalhamos mais com comunidades rurais que não sabem o valor da escola, temos nos encontrado com pais que, definitivamente, não entendem a importância de adiar o casamento, porque, segundo eles, é a cultura que obriga a rapariga a casar logo que começar a ter seios e pelos na axilas”, disse, lamento a Gestora de Protecção a Rapariga na organização Girl Move, Jubeda António.
Esta fonte aponta a existência de hábitos e costumes nocivos para a rapariga, como sendo parte dos principais elementos que concorrem para a aceitabilidade das uniões prematuras nas comunidades.
Consequências para a saúde
A médica ginecologista, Doutra Mayela Figia, explicou ao Ikweli que, tanto as uniões prematuras assim como as gravidezes precoces, trazem consigo prejuízos consideráveis na saúde da rapariga, porque “o casamento prematuro implica a paragem da vida estudantil e social da menina, a alteração do seu ritmo de crescimento e desenvolvimento físico e sexual normal, e consequentes alterações do seu estado de saúde”.
“Uma rapariga pode ter várias complicações ao desenvolver uma gravidez durante a adolescência, o que irá alterar, de certa forma, o desenvolvimento normal mental, físico, sexual e reprodutivo desta menina, pois o organismo não está preparado para o desenvolvimento de uma gravidez”, disse a nossa fonte.
Drª Mayela Figia, Médica Ginecologista
De acordo com esta especialista, “a gravidez pode ocorrer com complicações, relacionadas a malnutrição materna, atraso de desenvolvimento fetal, risco de parto prematuro e, também, ao surgimento de doenças durante a gravidez, como a elevação da tensão arterial. O parto, também, pode decorrer com complicações relacionadas a interrupção do desenvolvimento das estruturas anatómicas da pélvis maternal, ou seja, o canal de parto não está preparado para este evento, o que pode levar a partos complicados, aumentado de risco de hemorragia antes e depois do parto, risco de perda do bebé ou da própria mãe, ruptura uterina, fístula obstétrica, entre outras doenças”.
Segundo a Doutora Mayela, 90% dos casos de fístula obstétrica que dão entrada no HCN são de adolescentes da idade compreendida entre os 13 aos 17 anos de idade. (Elisabeth José)
Nampula (IKWELI) – A enchente de pessoas que se regista na principal entrada da estação ferroviária da empresa Caminhos de Ferro de Moçambique, ao longo da avenida do Trabalho, constitui um desafio para o concelho autárquico de Nampula e a Secretaria de Estado da província, no âmbito das medidas decretadas no estado de emergência, no que se refere a aglomerados de pessoas.
Para além de ser o ponto de acesso para a plataforma do comboio de passageiros, a entrada, também, funciona como uma terminal rodoviária para as viaturas que operam as rotas que vão para os distritos de Nacala-Porto, Monapo, Ilha de Moçambique, Mossuril, Meconta, Muecate, Erati, Nacarôa, Memba e Nacala-a-Velha.
Com a chegada o comboio de passageiros e carga, o mesmo local serve de mercado grossista de produtores alimentares.
Paulo Vahanle, autarca de Nampula, e Mety Gôndola, Secretário de Estado da província de Nampula visitaram, recentemente, aquele ponto e não gostaram do que viram no âmbito da prevenção do novo coronavírus, a covid-19.
Para o autarca, a melhor solução é transferir aquela terminal ferroviária para junto do mercado grossista do Waresta, nos arredores da cidade que dirige.
Esta solução não é bem vista pelos CFM, porque, tecnicamente, a sua efectivação levaria pouco mais de um semestre, bem como a construção de uma linha desviada, incluindo uma terminal.
“Por enquanto, não temos solução para retirarmos estas pessoas, assim como os transportadores que ficam em frente da entrada dos CFM”, disse Mety Gôndola, não escondido o desconforto que a situação provoca.
“O que nós vimos nesta visita é que as medidas de prevenção estão a ser acauteladas pela direcção dos Caminhos de Ferro de Moçambique, sobretudo as de lavagem das mãos e distanciamento social. Porém, temos um grande desafio do lado de fora, onde regista-se maior aglomerado de pessoas, isso nos preocupa bastante. Dai que neste momento colocamos a responsabilidade do Concelho Autárquico para pôr ordem naquele espaço”, concluiu o Secretário de Estado da província de Nampula. (Esmeraldo Boquisse)
Nampula (IKWELI) – Um total de 69 pessoas foi julgado pelo crime de desobediência pela violação das medidas decretadas no estado de emergência, em vigor no país, na província de Nampula, no norte de Moçambique.
O país vive um estado de emergência nacional, em consequência do registo dos primeiros casos do novo coronavírus, a covid-19, e a necessidade de adopção de medidas preventivas para conter a propagação da doença.
Deste grupo, 62 foram condenadas a penas que variam de 3 dias a 2 meses, algumas dais quais convertidas em multas, e outras nem por isso. Sete (7) arguidos foram absolvidos por insuficiência de provas. A idade dos autores varia entre os 17 aos 48 anos de idade.
De acordo com dados da Administração Judicial de Nampula na posse do Ikweli, dos condenados 18 são do sexo feminino.
Dos condenados, destaque vai para um pastor de uma igreja protestante que decidiu ignorar a medida de aglomeração de pessoas para a realização de cultos religiosos.
A 2ª Secção do Tribunal Judicial da cidade de Nampula foi a que mais casos julgou, precisamente 9 casos, seguido da 1ª e 5ª Secções, respectivamente. A 4ª Secção apenas dirimiu dois casos.
Os Tribunais Judiciais dos Distritos de Rapale e Ribáuè, apenas julgaram um único caso para cada, e do distrito de Muecate pelo menos dirimiu 2 casos. (Aunício da Silva)
Maputo (IKWELI) – A Delegação da União Europeia manifesta preocupação com a visível degradação da situação de segurança na província de Cabo Delgado, ocorrida nas últimas semanas, particularmente com um aumento significativo de ataques, incluindo a ocupação temporária de sedes de distrito em Mocímboa da Praia, Muidumbe e Quissanga. Seguimos com apreensão o consequente agravamento da situação humanitária na província, com uma crescente insegurança das populações locais e a rápida multiplicação do número de deslocados internos.
Em comunicado de imprensa, a delegação da EU em Maputo refere que “a presente situação requer uma acção eficaz que permita proteger os cidadãos, desenvolver investigações que permitam levar os responsáveis à justiça e identificar o papel desempenhado por grupos extremistas violentos. A Delegação da União Europeia reitera a sua disponibilidade para prestar assistência a Moçambique e prosseguir e intensificar o diálogo com as autoridades nacionais com vista a delinear uma solução integrada, coordenada e abrangente que dê reposta às múltiplas dimensões da actual crise, incluindo as suas implicações regionais”.
Num outro desenvolvimento, lê-se no mesmo documento que “a resposta a ser dada pelas autoridades só poderá proporcionar resultados efectivos e satisfatórios se garantir o pleno respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais das populações. O exercício das liberdades de expressão, de imprensa e do direito à informação afiguram-se, neste contexto, fundamentais para permitir uma melhor compreensão e combate ao fenómeno do extremismo violento que assola a província.
“É de lamentar o desaparecimento, no passado dia 7 de Abril, do jornalista da Rádio Comunitária de Palma, Ibraimo Abu Mbaruco. A Delegação da União Europeia apela às autoridades para que este caso seja investigado com rapidez e profundidade”, conclui a nota de impressa, cujo conteúdo estivemos a citar. (Redacção)