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Amnistiados os primeiros 54 reclusos em Nampula

Nampula (IKWELI) – No princípio da tarde desta terça-feira (14), o tribunal Judicial da Cidade de Nampula, no norte de Moçambique, ordenou a soltura de 54 réus sob promoção do Ministério Público, em cumprimento da Lei nº 2/2020, de 6 de Abril, a Lei de Amnistia.

Ao todo, espera-se que, em Nampula, sejam restituídos a liberdade o total de 515 reclusos.

“Vão se beneficiar do perdão 182 reclusos do Tribunal Judicial da cidade de Nampula, e já está a se fazer o levantamento dos que vão se beneficiar da amnistia, e até agora foram soltos 54 reclusos”, disse, na ocasião, o Dr. Mahomed Khaled Varinda, Juiz Presidente do Tribunal Judicial da cidade de Nampula, apelando aos abrangidos pela medida para que pautem pela obediência e práticas não criminais, sob risco de voltarem a prisão.

“Vão ser sim soltos, mas estão a ser soltos por uma condição de não cometer nenhum tipo de crime nos próximos 5 anos, porque podem regressar a prisão e pagar pelas duas penas”, apelou o Dr. Varinda aos reclusos soltos.

Do lado de fora do estabelecimento penitenciário, as famílias aguardavam pelos seus membros com emoção e ansiedade. (Elisabeth José)

Por suposta propagação do coronavírus: Cidadã escapa de linchamento por recusar quarentena obrigatória em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma senhora, oriunda da província de Cabo Delgado, no norte do país, escapou de um linchamento popular no bairro de Mutauanha, nos arredores da cidade de Nampula, alegadamente, por estar contaminada com o novo coronavírus, a covid-19, e estar a negar estar em quarentena obrigatória.

Os moradores daquele ponto do mais importante centro urbano do norte de Moçambique alegam que a vítima estava a propagar a doença, sobretudo porque esta rejeitou o apelo da sua vizinha para se manter em quarentena no período recomendado pelas autoridades sanitárias do país.

Preocupados, os moradores decidiram fazer a justiça pelas próprias mãos, na manha da última sexta-feira (10). Primeiramente, espancaram a senhora e, de seguida pretendiam lincha-la, o que não aconteceu graças a intervenção das autoridades policias e da saúde que a socorreram e encaminharam-na para o Hospital Central de Nampula (HCN).

Este comportamento, preocupa as autoridades de saúde da mais populosa província do país, e o respectivo médico – chefe provincial, Isidoro Suleimane garantiu ao Ikweli que a senhora depois de receber cuidados intensivos foi encaminhada para o Centro de Tratamento de Coronavírus, instalado no Hospital Psiquiátrico de Nampula, também, localizado no bairro de Mutauanha.

“As pessoas não podem entrar em confusão, em casos desta natureza. Elas devem contactar as autoridades competentes, neste caso a saúde, para dar informações da existência de pessoas que  suspeita-se de estarem a sair de regiões afectadas pelo coronavírus, e  nós vamos se dirigir para o local e efectuar os procedimentos subsequentes, visando obrigar a observância da quarentena obrigatória. Portanto, não precisa recorrer o uso da força”, explicou.

Numa outra abordagem, o nosso interlocutor fez saber que decorre o processo de rastreio na fronteira entre Nampula e Cabo Delgado, sobretudo no Lúrio, para evitar possível propagação da doença.

“Queremos reforçar as medidas de prevenção na nossa província. Como vocês sabem, temos casos positivos da covidi-19 em Cabo Delegado, então a nossa acção contra Cabo Delegado deve ser um pouco enérgica, por isso estamos a fazer rastreios de todos os cidadãos idos de daquela província”, disse.

Até na última segunda-feira, de acordo com o médico – chefe provincial de Nampula, a província já tinha feito dez colheitas de dez casos suspeitos cujos resultados revelaram negativos em seis, aguardando-se o desfecho das quatro amostras. Um dado menos importante é que pelo menos dez pessoas encontram-se em quarentena obrigatória na província de Nampula, a mais populosa do país.

Polícia fala de um óbito, mas avança detalhes

Para reagir a volta do assunto, O Ikweli contactou, telefonicamente, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique, em Nampula, Zacarias Nacute, o qual fez saber que a sua corporação terá se feito ao local para conter os ânimos populares e evitar o pior.

Zacarias Nacute, que não quis avançar detalhes, referiu que no local a polícia terá se deparado com um corpo sem vida, como resultado dos tumultos. Ainda assim, a fonte garantiu que a corporação está a trabalhar com vista a neutralizar os mentores do crime do assassinato e os de agitação que culminou com o ferimento grave da cidadã supostamente contaminada pelo coronavírus. (Celestino Manuel)

Está difícil ficar sem beber em estado de emergência: Bares e barracas funcionam “as escondidas” em Nampula

Nampula (IKWELI) – O cumprimento rigoroso das medidas de prevenção do novo coronavírus decretadas no âmbito do estado de emergência, pelo Presidente da República, continua a ser um grande desafio, sobretudo no contexto da diversão e do prazer.

O Ikweli escalou diversos bairros da cidade de Nampula, e constatamos que os bares e barracas continuam a exercer as suas actividades às escondidas, uma situação que atenta o estado de emergência nacional.

Esta situação preocupa o Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, o qual manifestou o seu desagrado em reunião mantida com fazedores da cultura, realizado no último fim-de-semana na capital provincial.

Ainda que não haja aglomeração considerável de clientes, as barracas e bares vendem, nas escondidas, os seus produtos, e nalguns casos permitem que os seus consumidores se escondam no interior das mesmas.

Esta prática acontece, muito mais, nos estabelecimentos que se situam no mesmo local das residências dos proprietários. Igualmente, quanto mais espaço possuir as barracas e bares, maior é a possibilidade de acolher clientes de forma clandestina.

Daí que, Mety Gôndola apela aos proprietários a observarem e colocarem em prática as recomendações das autoridades de saúde, de modo que é doença que assola o mundo não atinja muitos moçambicanos e não só.

Questionado pelo Ikweli, na manhã da segunda-feira (13), o porta-voz do Comando Provincial da PRM em Nampula, Zacarias Nacute, confirmou haver pessoas que não observam as orientações, tendo avançado que, caso sejam flagrados serão responsabilizados pelo acto.

E como resultado operativo da polícia, referente a fiscalização do funcionamento dos estabelecimentos de diversão, três cidadãos moçambicanos que mantinham os seus bares e barracas abertos foram detidos por desobediência às autoridades.

“Existem indivíduos que não observam os princípios estabelecidos, dai que a polícia continua a fazer o seu trabalho de forma a estancar essas situações. Nos últimos dias os cidadãos preferem fecharem-se no interior de uma barraca e vão consumindo as bebidas alcoólicas”, confirmou Zacarias Nacute, tendo acrescentado que o problema não é o consumo dessas bebidas, mas sim, a aglomeração de pessoas que vem de sítios diferentes, o que facilita a contaminação.

Bebidas alcoólicas tradicionais no rolo das preocupações de Gôndola

Outra preocupação avançada pelo Secretário de Estado em Nampula é a venda de bebidas alcoólicas tradicionais em vários pontos da província, onde os vendedores, na sua maioria mulheres, acolhem muitos clientes nas suas residências.

Para além de aglomeração de pessoas nos locais onde vendem essas bebidas, os consumidores também partilham os recipientes para o uso, o que sem dúvidas, contribui em grande escala na contaminação desta doença, entre outras.

Gôndola reconhece a aflição dos vendedores, uma vez que esta actividade permite que se consiga sobreviver em várias famílias. Porém, preciso que as pessoas coloquem em primeiro lugar a vida das suas famílias e amigos, porque, quando maior for a contaminação, maior é a possibilidade de se registar muitas perdas de vidas humanas em Moçambique. (Esmeraldo Boquisse)

Para proteger a população da covid-19: Vahanle encerra a histórica Feira Dominical

Nampula (IKWELI) – As actividades na Feira Dominical de Nampula, no norte do país, encontram-se suspensas a partir de hoje (domingo, dia 12), esperando-se que sejam retomadas a partir do dia 30 do corrente mês, como forma de evitar aglomerados, uma das medidas expressas no decreto presidencial sobre o estado de emergência.

A histórica Feira Dominical de Nampula é famoso por ser a maior do norte do país, e um dos principais pontos de compra e fornecimento de produtos de artesanato e carpintaria para vários pontos do país.

É da feira dominical onde o governo autárquico de Nampula colecta as maiores receitas no seu sistema financeiro, e as perdas, tanto para o executivo, assim como dos usuários do espaço, poderão ser desastrosas.

“A prior é sobre a pandemia que estamos a enfrentar e o decreto presidencial no seu artigo 14 de número 4, que suspende a realização de feiras e exposições. Então nós nos sentimos obrigados em colaborar com aquilo que é o decreto, uma vez que a feira acolhe entre 1000 a 1500 vendedores, para além dos compradores que excedem o número de 2500. Então, de forma a evitar as aglomerações, achamos necessário encerrar esta feira e não temos a data de reabertura”, contou-nos Joel Rassi Daúdo, director de Mercados e Feiras no Conselho Autárquico de Nampula.

De acordo com a fonte, no primeiro dia de encerramento, os respectivos utentes pautaram por uma postura de boa convivência social, pelo que não foram registados casos alarmantes. Alias, para garantir tal ordem, foram mobilizados os agentes da polícia da Republica e a polícia camarária que desde a noite do último Sábado estiveram a guarnecer o local, não permitindo r a entrada dos comerciantes.

“Não tivemos nenhuma agitação porque os colegas da PRM [Polícia da República de Moçambique] estiveram aqui desde ontem (Sábado) e graças a Deus neste domingo também ninguém se agitou, ninguém trouxe algo para vender”, disse Joel Rassi, para quem não desconhece o impacto negativo que a medida pode trazer aos cofres da autarquia. “Não podemos negar que é um desfalque, mas como nós sabemos que em primeiro lugar é a saúde do munícipe e do público em geral, portanto, primeiro zelamos pela saúde e depois podemos ver as condições a criar para arrecadação de receita.”

Entretanto, nem todos estão a favor com a medida. Ussene Amisse é um vendedor de fogões naquela feira, o seu receio com a recente medida é de que venha criar muitas dificuldades para sustentar sua família. “Estamos mal. Eu vendo fogões aqui na feira, mas com essa coisa de obrigar-nos para não vender penso que não é normal. Então, como é assim o governo deve fazer alguma coisa para alimentar a população porque não tem nada”, precisou o nosso interlocutor.

“Aqui está estragado porque, há muito tempo não havia esse assunto. Agora, disseram que nos domingos não podem aparecer as pessoas aqui para vender, queremos saber se é por causa desse coronavírus ou se é o governo que inventou esse assunto, queremos saber”, disse o senhor Camilo, outro vendedor,  mesmo não desconhecendo o impacto negativo que covid-19 trouxe ao mundo. (Constantino Henriques)

Governador de Nampula rejeita aplicar detergente sunlight em uso no centro de tratamento de covid-19

Nampula (IKWELI) – O governador de Nampula, Manuel Rodrigues, exibiu, na manhã de hoje, quinta-feira (9), um espectáculo barato e de distanciamento entre si e a população que dirige, ao negar aplicar o detergente sunlight antes de lavar as suas mãos numa instituição pública.

No âmbito das medidas de prevenção do novo coronavírus, a covid-19, os dirigentes de Nampula, precisamente Mety Gondola (Secretário de Estado) e Manuel Rodrigues (governador) têm se desdobrado em promover campanhas de sensibilização para as comunidades, bem como o acompanhamento das infra-estruturas instaladas para o tratamento da doença, em caso de eclosão na mais populosa província do país.

No centro de tratamento de covid-19, instalado junto ao Hospital Psiquiátrico de Nampula, Rodrigues justificou-se que o detergente em uso naquela unidade sanitária serve para lavar utensílios, e não para as pessoas.

“Isto é para lavar utensílios”, disse o governador Manuel Rodrigues, quando um funcionário do sector da saúde tentava servi-lo o detergente, perante o olhar atento do Ikweli.

De seguida, o governante perguntou se a água tinha sido tratada, e sendo confirmado, positivamente, Rodrigues vociferou “então prontos, isto ai é para lavar utensílios”. Esta posição provocou um mau estar no seio dos presentes, o qual foi substituído por risadas.

No fim da visita, o Ikweli ouviu o médico – chefe provincial, Suleimane Isidoro, se o líquido rejeitado pelo governador é ou não é eficaz para a lavagem e higienização das mãos, ao que depois de alguns segundos de reflexão respondeu-nos que “aquele é sabão e qualquer sabão, em princípio pode ser usado para a higienização das mãos”.

O Doutor Isidoro, ainda, tentou desenhar um discurso para justificar a atitude do governador, afirmando que “ao nível comunitário o que ele (governador) quis dizer não é que não se pode usar, ele quis dizer que precisamos de usar material local, aquilo que temos localmente para que a população faça a higienização das suas mãos. Exemplo o próprio sabão, a lixívia que em princípio podemos encontrar, e a própria cinza para aquelas situações em que nós não temos”. (Constantino Henriques)

7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana: Trabalhadoras do Ikweli sentem-se motivadas em pertencer o ramo da comunicação social

Nampula (IKWELI) – O país celebra hoje, 7 de Abril, o dia da mulher moçambicana, em homenagem a heroína Josina Machel, impulsionadora da participação da mulher na luta armada de libertação nacional.

Alusivo a data, decidimos dedicar estas linhas as nossas colegas do Ikweli, ouvindo delas os seios anseios, preocupações e sentimentos em pertencer a uma empresa do ramo de comunicação social.

Todas são unânimes em afirmar que “é uma satisfação trabalhar para uma empresa jovem e com liderança motivadora”, mas constitui um grande desafio.

Elisabeth José, a mais jovem jornalista da empresa, conta que entrou para os quadros da publicação no ano de 2017, ou seja, um ano após a sua fundação, como resultado de um estágio oferecido pelo director a quando da realização do festival literário “Fim de Caminho”, realizado na cidade de Nampula.

“Fui escolhida no meio de vários alunos oriundos de diferentes escolas da cidade de Nampula”, disse Elisabeth José, para quem “foi uma honra saber que alguém viu qualidades intelectuais em mim que podiam ser mais-valia para uma instituição”.

A jornalista refere que neste momento, o grande desafio para a empresa é a questão da igualdade de género, “em termos de números. Apenas somos três mulheres na empresa, e eu sou a única que exerce o jornalismo, o que não é fácil”, por isso “cada dia é um desafio. Gosto o que faço e a cada dia aprendo mais”.

Atija Bossa Chá é a secretária do Ikweli. A segunda mais antiga trabalhadora mulher aponta que entrou para o jornal em 2018, desempenhando as funções de assistente de marketing, posição que viria a mudar para a actual.

“Estou a aprender muito”, reconhece Atija, ainda que “seja uma área nova para mim, tenho tido muito apoio dos colegas e isso me conforta”.

Regina Lazão é assistente de marketing e vendas do Ikweli, por sinal uma das últimas contratações da empresa, e em entrevista disse que trabalhar para a empresa é uma boa experiência, e cada dia são novos desafios. “Eu trabalho com metas, e cada dia tenho metas por alcançar”, disse Regina para depois reconhecer que “o patronato é exigente no alcance de metais, e isto faz com que é faça o meu máximo”.

As nossas entrevistadas terminaram a entrevista apelando aos cidadãos para acatarem as medidas de prevenção da pandemia do novo coronavírus, a covid-19. “Devemos observar todas medidas anunciadas pelas autoridades de saúde”, disseram as nossas interlocutoras, concluindo com uma felicitação a todas as mulheres moçambicanas. (Celestino Manuel)

Por causa de capulanas: Mulheres em Nampula violam estado de emergência para celebrar o 7 de Abril

Nampula (IKWELI) – As mulheres da cidade de Nampula decidiram entre o último sábado e esta segunda-feira ignorar as medidas constantes do decreto presidencial sobre o estado de emergência sob alegação de compra de capulanas para a comemoração do dia 7 de Abril, dia da mulher moçambicana.

As comemorações do dia da mulher moçambicana têm se tornado curiosas pelos eventos extraordinários que se registam no maior centro urbano do norte do país. em 2019, há a memoria de homens que foram queimados com água quente, estrangulados órgãos genitais por não terem comprar capulanas para as suas mulheres, bem como casos de mulheres que viram os seus órgãos sexuais colados por chegarem tarde a casa.

Um pouco por todos os cantos da cidade, as lojas de venda de capulanas estavam repletas de mulheres adultas e jovens, que a todo o custo procuravam comprar uma peça de capulana.

A medida de aglomerados de até 10 pessoas não foi observada, e a polícia ia passando observando tranquilamente os cenários.

Na avenida do Trabalho, o Ikweli conversou com várias mulheres, as quais disseram que decidiram ignorar as medidas do estado de emergência em resposta a prevenção do novo coronavírus, covid-19, porque “queremos comemorar o nosso dia”.

Na rua dos Continuadores, também, observamos filas longas e aglomerados acima de 10 pessoas. As mulheres queriam, a todo o custo, adquirir uma capulana para celebrar o 7 de Abril.

“Queremos passar o nosso dia bem vestida, mesmo que seja em casa”, reagiu a senhora Paula Tomé, residente no bairro Cossore.

“Mesmo com essa proibição, nós vamos festejar, se a polícia quiser pode nos bater”, Josina Cláudio, residente do bairro Muahivire.

“Contribuímos entre mulheres para passarmos bem o nosso. Agora querem nos proibir, mas não vão conseguir. Queremos festejar em paz. Todos os anos festejamos e não sei porque agora querem nos proibir”, referiu a senhora Manuela Ibraimo, residente em Mutauanha, para depois questionar: “é por causa desse coronavírus mesmo ou é outra coisa?”.

No famoso mercado dos bombeiros, também, registou-se um movimento desusado, até, pelo menos, as 14h de hoje. Quando a nossa reportagem passou pelo local, havia grupos de mulheres a escolherem capulanas para o dia 7 de Abril.

“Esse ano temos que fazer chorar aquelas outras [de grupo diferente] ”, ouvia-se nas conversas das mulheres que estavam comprando peças de capulanas para vestirem neste 7 de Abril de 2020. (Aunício da Silva)

Japonesa nega estar em quarentena e mantêm-se no hotel em Nampula

Nampula (IKWELI) – Uma cidadã de nacionalidade japonesa, na cidade de Nampula, recusou-se a cumprir as medidas de quarentena estabelecidas pelo governo moçambicano, no âmbito da prevenção do novo coronavírus, covid-19.

A referida cidadã encontra-se hospedada no complexo Bambo, uma instância turística localizada nos arredores da cidade de Nampula, e próximo ao maior mercado grossistas do norte do país, Waresta.

As autoridades policiais e da saúde de Nampula tentaram retira-la para uma unidade de quarentena hospitalar montada para o efeito, na zona da Faina, mas esta recusou-se a cumprir as medidas e abandonou o grupo de profissionais fora.

O infortúnio acontecia numa altura em que a Assembleia da República ratificava o decreto de estado de emergência, submetido àquele órgão legislativo pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, depois de que na noite anterior comunicou a nação da decisão.

Neste decreto, uma das medidas de cumprimento obrigatório é o “reforço das medidas de quarentena domiciliaria de 14 dias, para todas as pessoas que tenham viajado recentemente para fora do país, para os que estejam a chegar ao país e todas as pessoas que tenham tido contacto directo com casos confirmados de covid-19, observando-se as medidas preventivas estabelecidas pelo Ministério da Saúde”. A referida cidadã viajou para o país a partir da África do Sul.

Nossas fontes que assistiram a ocorrência, no princípio da noite de ontem, contam que “diante das insistências dos técnicos da saúde e dos agentes da polícia, a senhora foi fazendo chamadas para Maputo, alegadamente para uma individualidade influente que favoreceu a sua estadia no local”.

A direcção provincial da Saúde de Nampula, através do chefe do Departamento de Saúde Pública, Américo Barata, confirmou ao Ikweli a existência da japonesa que cumpre quarentena no mesmo estabelecimento hoteleiro.

“Quando entre a força ai já não é a saúde, tens que ligar para outra pessoa”, respondeu Barata quando questionado pelo Ikweli sobre o fracasso registado na operação da retirada forçada do local da cidadã.

O Ikweli contactou o sector de Imprensa do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, para se inteirar das razões que ditaram a desistência dos homens da corporação em fazer cumprir a medida, mas até ao fecho desta matéria ainda aguardávamos pela resposta, tendo em conta que os responsáveis da área ainda procuravam aperceber-se da situação junto dos agentes que estiveram no terreno. (Aunício da Silva e Celestino Manuel)

Agente da PRM arrancado arma e baleado em Natikiri por desconhecidos

Nampula (IKWELI) – Indivíduos desconhecidos arrancaram e balearam, na semana passada, uma arma de fogo do tipo AK-47 a um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), num bar no bairro de Natikiri, nos arredores do concelho autárquico de Nampula.

O agente estava afecto ao posto policial da Faina, e no momento do acto encontrava-se na companhia de um colega seu em mais uma missão de patrulhamento nocturno, em hora não apurada pelo Ikweli.

Os agressores, num total de três, saiam do interior do referido bar, e quando solicitados para se identificarem pelos homens da lei e ordem recusaram-se a faze-lo, ao que partiram para agressão e apoderamento do equipamento de trabalho dos policiais, bem como o baleamento de um dos agentes.

O companheiro da vítima, ainda, disparou para o ar como forma de dissuadir a acção destes malfeitos, mas em vão, porque eles puseram-se em fuga, levando uma das armas de fogo.

Todavia, o mesmo agente voltou a disparar para o grupo quando em fuga, e em consequência atingiu, mortalmente, a um dos integrantes.

O chefe da unidade comunal onde se registou o acto, Fonseca Cassimo, disse, em contacto telefónico com o Ikweli, que a ocorrência deixou preocupado os moradores locais, bem como a sua liderança.

“Acordei e fiquei sentado na cama, com medo de sair. Comecei a ligar para os meus vizinhos, e decidimos sair. Caminhamos para o local, encontramos dois corpos estatelados no chão e um polícia preocupado, foi daí que ligamos para o posto policial da Faina e veio um carro que recolheu os corpos, por sinal um já estava sem vida”, contou-nos o senhor Cassimo.

O porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, Zacarias Nacute, disse que neste momento, em coordenação com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), decorrem diligências no sentido de localizar, neutralizar, recuperar a arma e responsabilizar, criminalmente, a estes malfeitores. (Celestino Manuel)

Administrador de Murrupula condenado a 12 meses de prisão por abuso de cargo

Nampula (IKWELI) – O administrador do distrito de Murrupula, no norte de Moçambique, Crisanto Estêvão Mpila, foi condenado pelo tribunal judicial local por um ano de prisão, pena convertida em multa, por ter sido provado a prática do crime de corrupção sob a forma de abuso de cargo ou função.

Mpila atribuiu um espaço de terra, com a dimensão de 100 metros por 77 metros, a um empresário de nacionalidade estrangeira, quando a mesma parcela pertencia a uma cidadã nacional.

O processo deu entrada no Tribunal Judicial do distrito de Murrupula no ano passado de 2019, por via de uma denúncia feita pela lesada junto do Gabinete Provincial de Combate a Corrupção de Nampula.

Para desviar-se da lei, o administrador usou um líder comunitário local, Armando Henriques, para legitimar uma simulada consulta comunitária para dar prosseguimento ao processo que culminaria com a segunda atribuição do mesmo espaço.

A sentença foi proferida na manha desta segunda-feira (30). “O Tribunal Judicial do Distrito de Murrupula, em nome da República de Moçambique, decide, primeiro, condenar ao co-réu Crisanto Estêvão Mpila, bem identificado nos autos, a uma pena de 12 meses de prisão e 12 meses de multa na taxa diária correspondente a 5% do salário mínimo actual; segundo, o co-réu Armando Henriques, bem identificado nos autos a uma pena de seis meses de prisão e seis meses de multa”, decidiu o Dr. Nuno Miguel Roque, Juiz do Tribunal Judicial do Distrito de Murrupula.

O distrito de Murrupula faz parte do corredor do norte, região em que é constante a usurpação de terras das famílias camponesas locais pelos governantes, em conexão com grandes empresas de produção de cereiais. (Redacção)